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Liturgia Diária

Acompanhe a leitura do dia e também a Homilia do Padre Paulo Ricardo.
4ª feira da 3ª Semana da Páscoa

22 de Abril de 2026

Primeira Leitura
Leitura dos Atos dos ApóstolosAt 8, 1b-8

1bNaquele dia começou uma grande perseguição contra a Igreja de Jerusalém. E todos, com exceção dos apóstolos, se dispersaram pelas regiões da Judeia e da Samaria. 2Algumas pessoas piedosas sepultaram Estêvão e observaram grande luto por causa dele. 3Saulo, porém, devastava a Igreja: entrava nas casas e arrastava para fora homens e mulheres, para atirá-los na prisão. 4Entretanto, aqueles que se tinham dispersado iam por toda a parte, pregando a Palavra. 5Filipe desceu a uma cidade da Samaria e anunciou-lhes o Cristo.6As multidões seguiam com atenção as coisas que Filipe dizia. E todos unânimes o escutavam, pois viam os milagres que ele fazia. 7De muitos possessos saíam os espíritos maus, dando grandes gritos. Numerosos paralíticos e aleijados também foram curados. 8Era grande a alegria naquela cidade.

Salmo Responsorial
Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira.Sl 65(66),1-3a.4-5. 6-7a

Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira.
Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

1 Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, *
2 cantai salmos a seu nome glorioso,
dai a Deus a mais sublime louvação! *
3a Dizei a Deus: "Como são grandes vossas obras! R.

4 Toda a terra vos adore com respeito *
e proclame o louvor de vosso nome!"
5 Vinde ver todas as obras do Senhor: *
seus prodígios estupendos entre os homens! R.

6 O mar ele mudou em terra firme, *
e passaram pelo rio a pé enxuto.
Exultemos de alegria no Senhor! *
7a Ele domina para sempre com poder! R.

Evangelho
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo JoãoJo 6, 35-40

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 35“Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede. 36Eu, porém, vos disse que vós me vistes, mas não acreditais. 37Todos os que o Pai me confia virão a mim, e quando vierem, não os afastarei.
38Pois eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. 39E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum daqueles que ele me deu, mas os ressuscite no último dia. 40Pois esta é a vontade do meu Pai: que toda pessoa que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna. E eu o ressuscitarei no último dia”.

Meditação
Contemplar o Filho e nele crer

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 6, 35-40)

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede. Eu, porém, vos disse que vós me vistes, mas não acreditais. Todos os que o Pai me confia virão a mim, e quando vierem, não os afastarei. Pois eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum daqueles que ele me deu, mas os ressuscite no último dia. Pois esta é a vontade do meu Pai: que toda pessoa que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna. E eu o ressuscitarei no último dia”.

No Evangelho de hoje, Jesus fala da necessidade de vermos o Filho. Porém, a palavra “ver”, embora esteja bem traduzida, no original grego é theōrein (θεωρεῖν), que quer dizer “contemplar”. Trata-se, pois, de uma visão mais profunda — e não um ver carnal —, no qual Aquele que contempla o Filho e n’Ele crê possui a vida eterna.

Nesse contexto, Jesus nos revela o processo pelo qual alimentamos a nossa alma — que é espiritual — com uma vida que não é biológica, para assim participarmos da vida do Céu. Além disso, não somente a nossa alma, criada à imagem e semelhança de Deus, faz parte da vida divina pela graça, mas também o nosso corpo será ressuscitado no último dia, de modo milagroso. Isso porque, embora a alma tenha sido feita para receber a graça da contemplação, o corpo não tem, por natureza, a capacidade de viver uma vida ressuscitada — o que torna tudo ainda mais extraordinário. Voltando ao centro da mensagem de Nosso Senhor, enxergamos que devemos seguir três passos: contemplar o Filho, crer n’Ele e, assim, possuir a vida eterna. E de que modo contemplamos o Filho? Meditando sobre a Palavra de Deus, seja numa pregação, seja na vida de um santo, seja num livro de devoção — não importa tanto o meio, mas o fato de que precisamos meditar. Logo, ao buscarmos a Verdade, que é o próprio Cristo, nossa inteligência é iluminada e, então, convida a vontade a crer e amar, alimentando a alma espiritualmente.

As pessoas que acompanham minhas homilias percebem que insisto muito nesses assuntos que poderiam ser chamados de “variações sobre um mesmo tema”, como na música: apresenta-se um tema e ele é repetido com variações. Isso acontece porque estamos diante do centro da vida espiritual, e o próprio Jesus insiste, neste Evangelho, em mostrar-nos como participamos da vida divina.

Vejamos mais profundamente: a alma possui em si a capacidade de receber a graça, como se houvesse um “espaço”, uma potência, pronta para receber uma transformação. Fomos feitos, pois, não apenas para sermos curados do pecado original, mas para sermos elevados, participando da própria vida de Deus.

Para isso acontecer, devemos compreender, antes de tudo, que não somos nós quem realizamos essa obra, mas Deus quem a realiza em nós. Entretanto, é necessário estar aberto a essa ação divina, algo que só se realiza quando há vida de oração. E o primeiro passo para uma boa vida de oração é comungar de forma devota, contemplando, crendo e amando Jesus. 

Assim, acontece uma comunhão verdadeira e íntima com Ele e inicia-se nossa caminhada espiritual, na qual a vida eterna começa a crescer dentro de nós.

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Janeiro 2024