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Liturgia Diária

Acompanhe a leitura do dia e também a Homilia do Padre Paulo Ricardo.
3ª feira da Semana Santa

31 de Março de 2026

Primeira Leitura
Leitura do Livro do Profeta IsaíasIs 49, 1-6

1Nações marinhas, ouvi-me, povos distantes, prestai atenção: o Senhor chamou-me antes de eu nascer, desde o ventre de minha mãe ele tinha na mente o meu nome; 2fez de minha palavra uma espada afiada, protegeu-me à sombra de sua mão e fez de mim uma flecha aguçada, escondida em sua aljava, 3e disse-me: “Tu és o meu Servo, Israel, em quem serei glorificado”. 4E eu disse: “Trabalhei em vão, gastei minhas forças sem fruto, inutilmente; entretanto o Senhor me fará justiça e o meu Deus me dará recompensa”. 5E agora diz-me o Senhor – ele que me preparou desde o nascimento para ser seu Servo – que eu recupere Jacó para ele e faça Israel unir-se a ele; aos olhos do Senhor esta é a minha glória.6Disse ele: “Não basta seres meu Servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até aos confins da terra”.

Salmo Responsorial
Minha boca anunciará vossa justiça.Sl 70(71),1-2.3-4a.5-6ab.15.17

Minha boca anunciará vossa justiça.

1 Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor: *
que eu não seja envergonhado para sempre!
2 Porque sois justo, defendei-me e libertai-me! *
Escutai a minha voz, vinde salvar-me! R.

3 Sede uma rocha protetora para mim, *
um abrigo bem seguro que me salve!
Porque sois a minha força e meu amparo, †
o meu refúgio, proteção e segurança!
4a Libertai-me, ó meu Deus, das mãos do ímpio. R.

5 Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança, *
em vós confio desde a minha juventude!
6a Sois meu apoio desde antes que eu nascesse, *
b desde o seio maternal, o meu amparo. R.

15 Minha boca anunciará todos os dias *
vossa justiça e vossas graças incontáveis.
17 Vós me ensinastes desde a minha juventude, *
e até hoje canto as vossas maravilhas. R.

Evangelho
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo JoãoJo 13, 21-33. 36-38

Naquele tempo, estando à mesa com seus discípulos, 21Jesus ficou profundamente comovido e testemunhou: “Em verdade, em verdade vos digo, um de vós me entregará”. 22Desconcertados, os discípulos olhavam uns para os outros, pois não sabiam de quem Jesus estava falando.
23Um deles, a quem Jesus amava, estava recostado ao lado de Jesus. 24Simão Pedro fez-lhe um sinal para que ele procurasse saber de quem Jesus estava falando. 25Então, o discípulo, reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe: “Senhor, quem é?”
26Jesus respondeu: “É aquele a quem eu der o pedaço de pão passado no molho”. Então Jesus molhou um pedaço de pão e deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. 27Depois do pedaço de pão, Satanás entrou em Judas. Então Jesus lhe disse: “O que tens a fazer, executa-o depressa”.
28Nenhum dos presentes compreendeu por que Jesus lhe disse isso. 29Como Judas guardava a bolsa, alguns pensavam que Jesus lhe queria dizer: “Compra o que precisamos para a festa”, ou que desse alguma coisa aos pobres. 30Depois de receber o pedaço de pão, Judas saiu imediatamente. Era noite.
31Depois que Judas saiu, disse Jesus: “Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele. 32Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e o glorificará logo. 33Filhinhos, por pouco tempo estou ainda convosco. Vós me procurareis, e agora vos digo, como eu disse também aos judeus: ‘Para onde eu vou, vós não podeis ir’”.
36Simão Pedro perguntou: “Senhor, para onde vais?” Jesus respondeu-lhe: “Para onde eu vou, tu não me podes seguir agora, mas me seguirás mais tarde”. 37Pedro disse: “Senhor, por que não posso seguir-te agora? Eu darei a minha vida por ti!” 38Respondeu Jesus: “Darás a tua vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: o galo não cantará antes que me tenhas negado três vezes”.

Meditação
O perdão de Deus e a nossa santificação

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 13, 21-33.36-38)

Naquele tempo, estando à mesa com seus discípulos, Jesus ficou profundamente comovido e testemunhou: “Em verdade, em verdade vos digo, um de vós me entregará”. Desconcertados, os discípulos olhavam uns para os outros, pois não sabiam de quem Jesus estava falando.
Um deles, a quem Jesus amava, estava recostado ao lado de Jesus. Simão Pedro fez-lhe um sinal para que ele procurasse saber de quem Jesus estava falando. Então, o discípulo, reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe: “Senhor, quem é?”
Jesus respondeu: “É aquele a quem eu der o pedaço de pão passado no molho”. Então Jesus molhou um pedaço de pão e deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. Depois do pedaço de pão, Satanás entrou em Judas. Então Jesus lhe disse: “O que tens a fazer, executa-o depressa”.
Nenhum dos presentes compreendeu por que Jesus lhe disse isso. Como Judas guardava a bolsa, alguns pensavam que Jesus lhe queria dizer: ‘Compra o que precisamos para a festa’, ou que desse alguma coisa aos pobres. Depois de receber o pedaço de pão, Judas saiu imediatamente. Era noite.
Depois que Judas saiu, disse Jesus: “Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele. Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e o glorificará logo. Filhinhos, por pouco tempo estou ainda convosco. Vós me procurareis, e agora vos digo, como eu disse também aos judeus: ‘Para onde eu vou, vós não podeis ir’”.
Simão Pedro perguntou: “Senhor, para onde vais?” Jesus respondeu-lhe: “Para onde eu vou, tu não me podes seguir agora, mas me seguirás mais tarde”. Pedro disse: “Senhor, por que não posso seguir-te agora? Eu darei a minha vida por ti!” Respondeu Jesus: “Darás a tua vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: o galo não cantará antes que me tenhas negado três vezes”.

O Evangelho de hoje nos conduz, de forma antecipada, ao Cenáculo. Ainda estamos na terça-feira da Semana Santa, mas a Igreja já nos convida a meditarmos sobre a Última Ceia, em que Jesus, reunido com os Doze Apóstolos, diz a eles: “Já não vos chamo servos, mas amigos” (Jo 15, 15). No entanto, Nosso Senhor sabe que será traído.

O Evangelho de hoje nos apresenta duas realidades muito fortes: a traição de Judas e a negação de Pedro, e é justamente entre esses dois Apóstolos que encontramos um espelho da nossa própria vida. Porque, no fundo, a questão não é se iremos ou não trair Jesus. Infelizmente, nós já o traímos. Pouquíssimos podem dizer, como Santa Teresinha, que nunca cometeram um pecado grave. A maioria de nós, de algum modo, já fez o que Judas ou Pedro fez.

Contudo, diante da Paixão de Cristo que nos preparamos para viver no Tríduo Pascal, precisamos fazer uma escolha: ou, como Pedro, reconhecemos o nosso pecado, choramos arrependidos com humildade e confiamos que o amor de Jesus é maior do que a nossa miséria; ou, como Judas, caímos na soberba de achar que o nosso pecado é tão grande que não Deus pode perdoá-lo. Aqui está o grande perigo: pensar que o pecado é maior do que Deus. Isso é soberba, porque Deus deseja perdoar — e o preço desse perdão é o seu próprio Sangue derramado na Cruz.

O pecado é, de fato, algo terrível, exigindo que o Senhor se fizesse homem para nos salvar. Mas, exatamente por isso, devemos confiar ainda mais que a graça de Deus tem o poder de nos resgatar. Hoje, muitos acreditam que Deus perdoa, mas duvidam que esse perdão realmente possa transformar suas vidas. Desse modo, esquecem-se de um ponto crucial: somos perdoados não para continuar caindo indefinidamente, mas, sim, para nos levantarmos e buscarmos a santidade, como fez Pedro. E, de fato, ele se transformou em um Apóstolo tão cheio de amor por Cristo que deu a sua vida por Ele, morrendo crucificado como seu Mestre.

Por isso, a escolha que está diante de nós é clara: ou colocamos obstáculos à graça com a nossa soberba, ou, com humildade, deixamos que Deus nos toque e nos transforme interiormente, capacitando-nos a amar verdadeiramente.

São João, o discípulo amado, reclinou a cabeça no peito de Jesus na Última Ceia e, da Eucaristia, recebeu a força para permanecer fiel, sendo o único dos Apóstolos a estar aos pés da Cruz, junto da Virgem Maria. Portanto, imitemos o seu exemplo, pois aquele que repousa sua cabeça no Coração de Cristo encontra a força necessária para permanecer com Ele até o fim.

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Janeiro 2024