As notícias que o mundo inteiro tem recebido do Afeganistão, agora que os talibãs tomaram o controle do país, são absolutamente lamentáveis: além das inúmeras vidas ceifadas — e das exibições ostensivas de crueldade contra civis —, a informação de que transportes e armamentos potentíssimos estão nas mãos do grupo muçulmano só nos deixa ainda mais inquietos. A exemplo do bom samaritano, somos chamados a socorrer os nossos irmãos no Oriente ao menos com orações e sacrifícios. 

Por outro lado, todas essas notícias não deveriam ser uma “novidade”: o islamismo, desde o seu surgimento, no século VII, sempre deixou um rastro de crueldade e destruição por onde passou. A história e o presente o demonstram com meridiana clareza.

Três razões para não ser muçulmano

Antes de entrar na história, é sempre bom recordar as breves mas imortais palavras de Santo Tomás de Aquino, que dá três razões para mostrar ser em si mesmo leviano e insensato crer no islã: 

  1. ausência de confirmação sobrenatural (ou seja, por milagres) dos ditos de Maomé; 
  2. o fato de o islamismo ter-se espandido pela força das armas e contado entre seus primeiros adeptos homens rudes e mal instruídos; 
  3. ausência de profecias passadas que atestem a instituição divina da lei corânica.

A rápida expansão da nova seita, por sua vez, explica-se facilmente pela índole de suas promessas (prazeres sexuais no paraíso, por exemplo) e de seus preceitos (puramente externos, sem necessidade de mortificação interior), à qual o homem caído está naturalmente inclinado. Eis o que diz o Aquinate (CG I 6, n. 7): 

Os que introduziram seitas errôneas procederam pela via contrária, como é evidente no caso de Maomé, que, com promessas de prazeres carnais, a cujo desejo a concupisência carnal instiga, seduziu os povos. Ditou preceitos conformes a tais promessas, soltando as rédeas à volúpia carnal, aos quais estão naturalmente dispostos a obedecer os homens carnais. Não deu argumentos da verdade [de sua doutrina], a não ser os que podem ser facilmente compreendidos com a razão natural por qualquer um mediocremente instruído; antes, pelo contrário, as verdades que ensinou envolveu-as em muitas fábulas e doutrinas falsíssimas.

Tampouco apresentou [em seu favor] sinais de origem sobrenatural, os únicos com que se dá testemunho conveniente de inspiração divina, na medida em que uma operação visível que não pode ser senão divina mostra estar invisivelmente inspirado o que ensina uma verdade; disse, porém, ter sido enviado no poder das armas, sinal que não falta também a ladrões e tiranos. Tampouco creram nele desde o início sábios exercitados nas coisas divinas e humanas, mas homens bestiais e habitantes do deserto, carentes de toda e qualquer doutrina divina, por cuja multidão, com a violência das armas, subjugou outros à sua lei.

Nem dão testemunho dele oráculos divinos de profetas passados; antes, pelo contrário, depravou com narrações fabulosas quase todos os ensinamentos do Antigo e do Novo Testamento, como fica claro a quem examina sua lei. Daí que, com astúcia, não tenha permitido a seus sequazes a leitura dos livros do Antigo e do Novo Testamento, para que estes não lhe denunciassem a falsidade. E assim se patenteia que os que dão fé às suas palavras creem levianamente.

Uma lista de mártires do islã

“O Martírio de Santo Eulógio”, pintura presente na Catedral de Córdoba.

Como monumento a atestar essas verdades, temos o Martirológio Romano, com o testemunho de sangue de inúmeros cristãos que, em outros tempos, padeceram nas mãos dos mesmos seguidores de Maomé que hoje tomaram o poder no Afeganistão. Para se ter uma ideia de como são numerosos os mártires e confessores vítimas dos muçulmanos, em todos os meses do ano há registro de ao menos uma perseguição empreendida por eles. (Sem falar, evidentemente, da multidão anônima de santos cujas mortes não foram registradas ou cujos registros se perderam no tempo.)

A seguir, oferecemos uma lista com 34 exemplos, extraída de uma edição do Martirológio anterior às reformas pós-conciliares. A maioria deles consta na edição mais recente do livro (que pode ser consultada em português aqui), com algumas omissões, mas também com informações mais precisas sobre o tempo em que se deram os eventos mencionados (os grifos são nossos):

  • No monte Sinai, trinta e oito santos monges, mortos pelos sarracenos, em ódio da fé de Cristo (14 de janeiro).
  • Em Marrocos, na África, o martírio dos cinco santos protomártires da Ordem dos [Frades] Menores, a saber: Berardo, Pedro e Otão, sacerdotes, Acúrsio e Adjuto, leigos, os quais, por pregarem a fé cristã e reprovarem a lei de Mafoma, depois de vários tormentos e afrontas, foram decapitados por ordem do rei dos sarracenos (16 de janeiro).
  • Em Amatrice, no Abruzzo, o trânsito de São José de Leonissa, sacerdote da Ordem dos Menores Capuchinhos e confessor, ilustre pelos cruéis suplícios que, pela pregação da fé, sofreu dos maometanos, pelos seus trabalhos apostólicos e por seus milagres; a quem o Sumo Pontífice Bento XIV inscreveu no cânon dos santos (4 de fevereiro).
  • Na Palestina, a comemoração dos santos monges e outros mártires, que foram, em ódio da fé de Cristo, mortos com grande crueldade pelos sarracenos, às ordens do seu xeique Alamúndaro (19 de fevereiro).
  • Em Damasco, São Pedro Mavimeno, o qual, dizendo a certos árabes que numa sua doença o foram visitar: “Todo aquele que não abraça a fé cristã católica se condena, assim como vosso falso profeta Mafoma”, foi morto por eles (21 de fevereiro).
  • Em Córdova, na Espanha, Santo Eulógio, sacerdote e mártir, o qual, na perseguição dos sarracenos, por sua bela e intrépida confissão de Cristo, ferido com açoites e bofetadas, e por fim passado ao fio da espada, mereceu juntar-se aos mártires daquela cidade, cujos combates pela fé descrevera e invejara (11 de março).
  • Em Córdova, na Espanha, Santa Leocrícia, virgem e mártir, a qual foi pela fé de Cristo afligida com diversos suplícios, na perseguição dos árabes, e por fim degolada (15 de março).
  • Em Córdova, na Espanha, os santos mártires Elias, sacerdote, Paulo e Isidoro, monges, que foram mortos pela confissão da fé de Cristo, durante a perseguição dos árabes (17 de abril).
  • Em Córdova, na Espanha, São Perfeito, sacerdote e mártir, morto à espada pelos mouros, porque atacava a seita de Mafoma, e professava com firmeza a fé de Cristo (18 de abril).
  • Na Palestina, o martírio dos santos monges, que os sarracenos mataram no mosteiro de São Sabas (16 de maio).
  • Em Córdova, na Espanha, São Sancho, mancebo o qual, posto que educado no palácio real, não hesitou contudo, na perseguição dos árabes, em sofrer o martírio pela fé de Cristo (5 de junho).
  • Em Córdova, na Espanha, os santos monges e mártires Pedro, sacerdote, Valabonso, diácono, Sabiniano, Vistremundo, Habêncio e Jeremias, que foram degolados durante a perseguição dos árabes (7 de junho).
  • Em Córdova, na Espanha, São Fândilas, sacerdote e monge, o qual, degolado na perseguição dos árabes, sofreu o martírio, pela fé de Cristo (13 de junho).
  • Em Córdova, na Espanha, o natalício de São Pelaio menino, o qual despedaçado membro a membro com tenazes de ferro, por ordem de Abderamen, rei dos sarracenos, consumou gloriosamente seu martírio, pela confissão da fé (26 de junho).
  • Em Córdova, na Espanha, Santo Argemiro, monge e mártir, o qual, na perseguição dos árabes, foi pela fé de Cristo atormentado no ecúleo e traspassado pela espada (28 de junho). 
  • Em Córdova, na Espanha, Santo Abúndio, sacerdote, o qual, na perseguição dos árabes, porque atacava fortemente a seita de Mafoma, foi coroado de martírio (11 de julho).
  • Em Córdova, na Espanha, São Sizenando, levita e mártir, que foi degolado pelos sarracenos, pela fé de Cristo (16 de julho). 
  • Em Córdova, na Espanha, Santa Áurea, virgem, irmã dos santos mártires Adolfo e João, a qual foi por algum tempo induzida ao crime de apostasia pelo juiz maometano, mas, logo arrependida, voltou ao combate e, derramando o seu sangue, triunfou do inimigo (19 de julho).
  • Em Córdova, na Espanha, São Paulo, diácono e mártir, o qual, porque repreendia os príncipes infiéis da impiedade e crueldade da sua seita maometana, e pregava a Cristo com grande constância, morto por ordem deles, voou aos prêmios celestiais (20 de julho). 
  • Na ilha de Chipre, São Teófilo, pretor, o qual, preso pelos árabes e não podendo nem com presentes nem com ameaças ser levado a renegar a Cristo, foi morto à espada (22 de julho).
  • Em Córdova, na Espanha, os santos mártires Jorge, diácono, Aurélio e Natália, sua mulher, Félix e Liliosa, sua mulher, durante a perseguição dos árabes (27 de julho).
  • No mosteiro de São Pedro de Cardena, da Ordem de São Bento, perto de Burgos, na Espanha, o martírio de duzentos monges com seu abade Estêvão, que foram mortos pelos sarracenos, em ódio da fé de Cristo, e sepultados ali mesmo no claustro pelos cristãos (6 de agosto).
  • Em Córdova, na Espanha, os santos mártires Leovigildo e Cristóvão, monges, durante a perseguição dos árabes. Foram estes santos encarcerados pela defesa da fé cristã, e logo depois cortou-se-lhes a cabeça e lançaram-nos ao fogo, assegurando-lhes por esta morte a palma do martírio (20 de agosto).
  • Em Salônica, São Fantino, confessor, o qual teve muito que sofrer dos sarracenos, foi expulso do mosteiro em que vivera com admirável abstinência, levou a muitos pelo caminho da salvação, e finalmente descansou em boa velhice (30 de agosto).
  • Em Córdova, na Espanha, os santos mártires Emilas, diácono, e Jeremias, os quais, depois de maltratados por muito tempo no cárcere, durante a perseguição dos árabes, finalmente, sendo-lhes, em ódio de Cristo, cortada a cabeça, consumaram seu martírio (15 de setembro).
  • No monte Cassino, o Beato Vítor III, Papa, que sucedeu a São Gregório VII, ilustrou a Igreja com novo esplendor, e conseguiu com o favor divino uma insigne vitória sobre os sarracenos. O Sumo Pontífice Leão XIII ratificou e confirmou o culto que de tempo imemorial lhe era prestado (16 de setembro).
  • Em Córdova, na Espanha, Santa Pomposa, virgem e mártir, a qual, degolada à espada, por causa da sua intrépida confissão de Cristo, durante a perseguição dos árabes, conseguiu a palma do martírio (19 de setembro).
  • Em Córdova, na Espanha, os santos mártires Adolfo e João, irmãos, que foram coroados de martírio pela fé de Cristo, na perseguição dos árabes, e Santa Áurea, sua irmã, a qual, reconduzida à fé pelo seu exemplo, sofreu também ela ao depois com grande coragem o martírio, aos 19 de julho (27 de setembro).
  • Em Ceuta, na Mauritânia Tingitana, o martírio dos santos Daniel, Samuel, Ângelo, Leão, Nicolau, Hugolino e Domno, da Ordem dos Menores, todos sacerdotes, menos Domno, os quais, por pregarem ali o Evangelho e confutarem a seita de Mafoma, depois de sofrerem dos sarracenos injúrias, cadeias e açoites, por fim decapitados, conseguiram a palma do martírio (10 de outubro).
  • Na Tebaida, São Sármatas, discípulo de Santo Antão, abade, que foi morto pelos sarracenos, em ódio de Cristo (11 de outubro).
  • Em Huesca, na Espanha, as santas virgens Nunilo e Alódia, irmãs, as quais, decapitadas pelos sarracenos, por confessarem a fé de Cristo, consumaram seu martírio (22 de outubro).
  • Em Teópolis, isto é, Antioquia, dez santos mártires, dos quais se lê que foram mortos pelos sarracenos (6 de novembro).
  • Em Córdova, na Espanha, as santas virgens e mártires Flora e Maria, as quais, presas por muito tempo, durante a perseguição dos árabes, foram mortas à espada (24 de novembro).
  • Em Eleuterópolis, na Palestina, os santos mártires Floriano, Calinico e cinquenta e oito companheiros seus, que foram mortos pelos sarracenos, por confessarem a fé de Cristo, em tempo do imperador Heráclio (17 de dezembro).

Como dito, essa lista não é nem de longe exaustiva. Ela continua a ser preenchida agora mesmo, neste exato momento em vários lugares do mundo. Que todos esses nomes nos sirvam para que recorramos à intercessão de tantos heróis da fé e acordemos de uma vez por todas da ingenuidade em que tantas vezes nos encontramos em relação a essa religião que de pacífica tem, definitivamente, muitíssimo pouco.

Notas

  • A edição da qual transcrevemos os registros acima é esta: Martirológio Romano. Niterói: Permanência, 2014. A lista em questão foi apresentada em: Peter Kwasniewski. Islam in the “Lex Orandi” of the Old Roman Martyrology, em: New Liturgical Movement, 11 mar. 2019.
  • A pintura principal, acima, retrata “O Martírio de São João Evangelista”, por Quentin Metsys, o Jovem. Não se trata de uma vítima do islã, mas os martírios levados a cabo por seus adeptos foram muito piores. São João, por sua vez, como se sabe, não morreu mártir, mas a tradição narra que “o imperador Domiciano [...] mandou trazerem-no e jogou-o numa cuba de óleo fervendo, na Porta Latina. Saiu dela são e salvo, porque vivera livre da corrupção da carne. Ao saber que João continuava a pregar, o imperador relegou-o ao exílio na ilha deserta de Patmos, onde o santo escreveu o Apocalipse” (Jacopo de Varazze, Legenda áurea: vidas de santos. Trad. de Hilário Franco Jr. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, p. 113s).