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Elevação à Santíssima Trindade
Oração

Elevação à Santíssima Trindade

Elevação à Santíssima Trindade

“Ó meu Deus, Trindade que adoro, ajudai-me a esquecer-me inteiramente de mim mesma para fixar-me em vós, imóvel e pacífica, como se minha alma já estivesse na eternidade.”

Santa Elisabete da Trindade7 de Novembro de 2020Tempo de leitura: 2 minutos
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Esta oração de Santa Elisabete da Trindade, de tão bela, já foi transformada até mesmo em canção. 

Aqui, no entanto, nós a apresentamos a nossos leitores simplesmente para que a recitem com devoção e possam ganhar, neste dia em que a Igreja faz memória dessa grande santa carmelita (8 de novembro), mais graças para a vida de união com o Pai, o Filho e o Espírito Santo.


S. Elisabete da Trindade.

Ó meu Deus, Trindade que adoro, ajudai-me a esquecer-me inteiramente de mim mesma para fixar-me em vós, imóvel e pacífica, como se minha alma já estivesse na eternidade. Que nada possa perturbar-me a paz nem me fazer sair de vós, ó meu imutável, mas que a cada minuto eu adentre mais a profundidade de vosso mistério. Pacificai minha alma, fazei dela vosso céu, vossa morada preferida e o lugar do vosso repouso. Que eu jamais vos deixe só, mas que aí esteja toda inteira, totalmente desperta em minha fé, toda em adoração, entregue inteiramente à vossa ação criadora.

Ó meu Cristo amado, crucificado por amor, quisera ser uma esposa para o vosso coração, quisera cobrir-vos de glória, amar-vos… até morrer de amor! Sinto, porém, minha impotência e peço-vos “revestir-me de vós mesmo”, identificar a minha alma com todos os movimentos da vossa, submergir-me, invadir-me, substituir-vos a mim, para que a minha vida seja uma verdadeira irradiação da vossa. Vinde a mim como Adorador, como Reparador e como Salvador.

Ó Verbo eterno, Palavra de meu Deus, quero passar minha vida a escutar-vos, quero ser de uma docilidade absoluta, para tudo aprender de vós. Depois, através de todas as noites, todos os vazios, todas as impotências, quero ter sempre meus olhos fixos em vós e ficar sob a vossa grande luz. Ó meu astro amado, fascinai-me a fim de que não me seja mais possível sair de vossa irradiação.

Ó fogo devorador, Espírito de amor, “vinde a mim” para que se opere em minha alma como que uma encarnação do Verbo: que eu seja para ele uma humanidade de acréscimo na qual ele renove todo o seu mistério. E vós, ó Pai, inclinai-vos sobre vossa pequena e pobre criatura, “cobri-a com vossa sombra”, vendo nela só o Bem-Amado no qual puseste toda a vossa complacência.

Ó meus “Três”, meu Tudo, minha Beatitude, Solidão infinita, Imensidade onde me perco, entrego-me a vós qual uma presa. Sepultai-vos em mim para que eu me sepulte em vós, enquanto espero ir contemplar em vossa luz o abismo de vossas grandezas.

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Gratidão a Deus!
Padre Paulo Ricardo

Gratidão a Deus!

Gratidão a Deus!

Por muitas outras coisas, mas, hoje, principalmente por seu magistério, gratidão, Padre Paulo Ricardo. Gratidão imensa a Deus por suas lições, pois foi através delas que tantos de nós passamos a crer e pudemos, assim, nascer para o Céu.

Equipe Christo Nihil Praeponere7 de Novembro de 2020Tempo de leitura: 2 minutos
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Reverendíssimo Padre Paulo Ricardo, 

“Grande alegria”, como o sr. mesmo gosta de dizer, “grande alegria” poder celebrar, mais uma vez, o seu aniversário natalício. Neste dia 7 de novembro, nós, seus filhos espirituais, queremos cantar a Deus um hino de louvor e gratidão por sua vida e paternidade, por sua fé e ministério sacerdotal.

Sim, nós bem sabemos, padre — pois aprendemos com o sr. a dar valor mais às coisas sobrenaturais que às deste mundo: o nascimento físico é apenas uma sombra do que é o nosso nascimento para Deus e para o Céu. Mas o próprio Jesus Cristo, Nosso Senhor, quis usar esse acontecimento aparentemente tão trivial para explicar como será nosso encontro definitivo com Ele: 

Quando a mulher está para dar à luz, sofre porque veio a sua hora. Mas, depois que deu à luz a criança, já não se lembra da aflição, por causa da alegria que sente de haver nascido um homem no mundo. Assim também vós: sem dúvida, agora estais tristes, mas hei de ver-vos outra vez, e o vosso coração se alegrará e ninguém vos tirará a vossa alegria (Jo 16, 21-22).

Sim, padre, o que importa, mais do que nascer para este mundo, é nascer para Deus. Mas as dores de parto precedem ambos os nascimentos. 

E como o senhor insiste na lição do sofrimento, em suas homilias, transmissões ao vivo e pregações em geral! Num mundo que praticamente se esqueceu da boa-nova do Evangelho; de que o sofrimento, a partir de Cristo, pode ser vivido de modo redentor, suas reflexões, padre, têm sido uma voz que clama no deserto e um verdadeiro bálsamo para nossas almas… 

Sim, pois quantos de nós andávamos iludidos por esse mundo, rebeldes para com a vontade de Deus, insatisfeitos com as circunstâncias em que Ele amorosa e providentemente nos colocou! Ainda que estejamos caminhando na Igreja por muito tempo, é triste ver aonde nossa soberba nos pode conduzir, aonde nossa vontade mimada e teimosa nos pode levar…

Mas não, o sofrimento não veio para atrapalhar a nossa vida. Assim como Nosso Senhor, nós viemos para a cruz

E o sr. insistiu nisso novamente ao falar, por esses dias, de O Segredo de Teresinha. O caminho é, em suma, abraçar amorosamente a vontade de Deus, nos pequenos sofrimentos que se nos apresentam, nas pequenas contrariedades do dia a dia, nas cruzes com que Deus nos visita, nos presenteia, nos agracia.

Obrigado, Padre Paulo, por essa lição em especial. Os sofrimentos são o apanágio da humanidade, mas faltam-nos mestres para ensinar a vivê-los bem. E no sr., graças a Deus, nós encontramos esse professor.

Por muitas outras coisas, mas, hoje, principalmente por esse magistério, gratidão, Padre Paulo Ricardo. Gratidão imensa a Deus por suas lições, pois foi através delas que tantos de nós passamos a crer e pudemos, assim, nascer para o Céu.

Um feliz e santo aniversário natalício para o senhor: é o que desejamos todos nós, seus filhos, seus amigos, seus discípulos.

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Por que o sacerdote é chamado de padre?
Igreja Católica

Por que o sacerdote
é chamado de padre?

Por que o sacerdote é chamado de padre?

Por que os católicos chamam seus sacerdotes de padres, isto é, de pais? Como entender esse costume à luz destas palavras de Jesus: “A ninguém chameis de pai sobre a terra, porque um só é vosso Pai, aquele que está nos céus”?

Pe. William SaundersTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere6 de Novembro de 2020Tempo de leitura: 6 minutos
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“Um amigo batista me perguntou por que chamamos o sacerdote de padre, se Jesus disse que não deveríamos chamar ninguém na terra assim. Como o senhor responderia a esse questionamento?”

Essa pergunta se refere ao ensinamento de Jesus encontrado no Evangelho de S. Mateus: “E a ninguém chameis de pai sobre a terra, porque um só é vosso Pai, aquele que está nos céus” (Mt 23, 9). 

Se tomássemos esse trecho em sentido literal, teríamos de questionar por que, de fato, usamos o título “padre”, uma vez que Jesus parece proibi-lo. Primeiro, devemos recordar o contexto da passagem. Jesus está respondendo à hipocrisia dos fariseus — os doutos e líderes religiosos do judaísmo. Nosso Senhor os castiga por não darem bom exemplo; por inventarem fardos espirituais onerosos para outros por meio de regras e regulamentos; por serem arrogantes no exercício de seu ofício; e por se promoverem pela busca de posições de honra e sinais de respeito e pelo uso de símbolos ostentosos. Essencialmente, os escribas e os fariseus se esqueceram de que foram chamados a servir, com humildade e espírito generoso, ao Senhor e àqueles confiados ao seu cuidado.  

Nesse contexto, Jesus diz que ninguém na terra deve ser chamado pelo título de rabi, pai ou mestre, quando isso implica arrogar-se uma autoridade que pertence a Deus e a pessoa se esquece da responsabilidade que o título traz consigo. Ninguém jamais deve arrogar-se os privilégios e o respeito que pertencem ao Pai celestial, nem usurpá-los. Como disse Jesus: apenas o Pai celestial é o verdadeiro Pai, e somente o Messias é o verdadeiro rabi, isto é, Mestre. De forma semelhante, Jesus disse: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim não é digno de mim. Quem ama seu filho mais que a mim não é digno de mim” (Mt 10, 37). Jesus se referiu livremente ao seu Pai celestial como “Pai” e nos ensinou a rezar o Pai-nosso (cf. Mt 6, 9-13) por causa da autoridade do Pai celestial e do respeito devido a Ele.   

Ademais, Nosso Senhor mesmo usou o título “pai” para se referir a diversos personagens de suas parábolas. Na parábola do rico epulão, um homem clama das profundezas do inferno: “Pai Abraão, compadece-te de mim”, e o uso do título “pai” ocorre três vezes (cf. Lc 16, 19-31). Ora, podemos então perguntar: se Jesus proibiu o uso do título “pai”, por que instrui as pessoas com uma parábola em que os próprios personagens usam esse título? Isso seria uma contradição e, na verdade, uma confusão para seus ouvintes. O mesmo vale para a parábola do filho pródigo. Ao voltar para casa, ele diz: “Meu pai, pequei contra o céu e contra ti” (Lc 15, 11-32). Pelo modo como Nosso Senhor usou o título de “pai” em tantas lições, inclusive quando repetia o quarto mandamento, Ele não teve a intenção de proibir que um pai fosse chamado de “pai”. O que Ele proibiu foi o uso indevido do título [1].  

Nós realmente usamos esses títulos em nossa linguagem ordinária: chamamos “professores” ou “mestres” aos que nos ensinam a nós e a outros; chamamos “pai” ao nosso progenitor masculino, e rabi aos líderes religiosos judeus. Aqueles que servem o Senhor e são representantes de sua autoridade (como professores, pais e, particularmente, os sacerdotes) devem ter consciência para exercê-la com diligência, humildade e coragem, especialmente quando ela tem uma dimensão religiosa. Usá-la para a autoglorificação é pura hipocrisia. Jesus mesmo disse no final dessa passagem: “Porque todo aquele que se exaltar será humilhado, e todo aquele que se humilhar será exaltado”.    

Desde os tempos mais remotos de nossa Igreja, temos usado o título “pai” (ou “padre”) para designar líderes religiosos. Os bispos, que são os pastores das igrejas particulares e os mestres autênticos da fé, eram chamados de “pai” (pater). Consequentemente, S. Pedro pode muito bem ter sido chamado de “padre Pedro”, no sentido de pai espiritual. A probabilidade de ele ter sido chamado assim vem reforçada por São Paulo, que se identifica como pai espiritual. Ao escrever ao coríntios, ele diz o seguinte: 

Não vos escrevo estas coisas para vos envergonhar, mas admoesto-vos como meus filhos muito amados. Com efeito, ain­da que tivésseis dez mil mestres em Cristo, não tendes muitos pais; ora, fui eu que vos gerei em Cristo Jesus pelo Evangelho. Por isso, vos conjuro a que sejais meus imitadores. Para isso é que vos enviei Timóteo, meu filho muito amado e fiel no Se­nhor (1Cor 4, 14-17). 

Até mais ou menos o ano 400, um bispo era chamado de “pai” (pater ou papa); então, esse título começou a restringir-se ao bispo de Roma, o sucessor de São Pedro. Em português ainda usamos “Papa”. Numa versão inicial de sua regra, São Bento (morto por volta do ano 547) atribuiu o título aos guias espirituais, já que eram eles os guardiões das almas. Além do mais, a palavra “abade”, que significa o governante de uma comunidade monástica, deriva da palavra abba, termo aramaico-hebraico para “pai”, no sentido bem familiar de “papai”. 

Mais tarde, na Idade Média, o termo “pai” foi usado para se referir aos frades mendicantes — como os franciscanos e os dominicanos —, já que, por meio de sua pregação e suas obras de caridade, elas cuidavam das necessidades espirituais e físicas de todos os filhos de Deus. Em tempos mais recentes, os chefes de comunidades religiosas masculinas ou mesmo os que participam de Concílios ecumênicos, como o Vaticano II, recebem o título de “pai”, “padre”. No mundo anglófono (e também no lusófono e no hispânico), tornou-se habitual chamar o sacerdote de “pai” ou “padre” [2].

Uma nota mais pessoal: esse título me torna mais humilde. Como sacerdote, a palavra “pai” ou “padre” me faz lembrar que recebi uma grave responsabilidade de Nosso Senhor: seu povo fiel. Assim como um pai tem de nutrir, instruir, desafiar, corrigir, perdoar, escutar e apoiar seus filhos, um sacerdote também deve fazer tudo isso por seus filhos espirituais.

O sacerdote deve, particularmente, atender as necessidades espirituais das pessoas confiadas ao seu cuidado, nutrindo-as com o Senhor por meio dos sacramentos. Deve pregar o Evangelho com fervor e convicção, em consonância com a Igreja, desafiando todos a seguir o caminho de conversão que leva à santidade. Deve corrigir todos os que erraram, mas com misericórdia e compaixão. Deve reconciliar os pecadores que se perderam, mas buscam uma forma de se aproximarem novamente de Deus, assim como o pai fez com o filho pródigo. Um sacerdote deve escutar seus filhos espirituais, aconselhando e consolando-os, como um pai escuta o filho. Um sacerdote também deve ficar atento às necessidades “físicas” de seu rebanho — comida, residência, vestuário e educação.

Ainda que os sacerdotes sejam celibatários, as palavras de Nosso Senhor aos Apóstolos são verdadeiras: 

Em verdade vos digo: ninguém há que tenha deixado casa ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras por causa de mim e por causa do Evangelho que não receba, já neste século, cem vezes mais casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, com perseguições — e no século vindouro a vida eterna (Mc 10, 29s).

Na verdade, o celibato permite que o sacerdote seja livre para ser um pai generoso para seus filhos espirituais. Todos devemos rezar por nossos sacerdotes, particularmente pelos que servem em nossa paróquia e os recém-ordenados em nossa diocese, a fim de que, pela graça de Deus, possam lutar para cumprir a responsabilidade de serem pais.

Notas

  1. E, como diz o adágio, abusus non tollit usum, quer dizer, o abuso de um título, de um direito, de um privilégio etc. não torna em si mesmo ilegítimo tal título, direito, privilégio etc (Nota da Equipe CNP).
  2. Em inglês, por exemplo, se diz Father Smith; em espanhol, Padre Pepe; em português, Padre Paulo; em francês, Père Henri etc (Nota da Equipe CNP).

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Religião e política se discutem sim, senhor!
Sociedade

Religião e política
se discutem sim, senhor!

Religião e política se discutem sim, senhor!

É comum ouvir que religião e política não se discutem. Como consequência, as conversas entre as pessoas normalmente se reduzem ao nível, ou da banalidade, ou da fofoca. Mas será mesmo que esses tópicos devem ser silenciados em nome da boa convivência?

Joseph PearceTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere4 de Novembro de 2020Tempo de leitura: 4 minutos
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Às vezes, dizem que religião e política são tópicos que não deveriam ser discutidos com quem não temos intimidade. Logo, jamais se discute nada relevante, reduzindo a conversa entre desconhecidos ao nível da banalidade, no melhor dos casos, ou da fofoca, no pior. Ainda assim, o debate sobre religião e política na esfera pública é crucial para a vida de uma sociedade verdadeiramente livre. A razão para o silêncio pode ser o medo da “polícia do pensamento” ou o medo de ser indelicado. Qualquer que seja o motivo, o resultado é o sufocamento da livre discussão sobre duas das áreas mais importantes que governam a vida humana.

Para o cristão, religião e política são inseparáveis, por causa da inseparabilidade dos dois grandes mandamentos de Cristo: que amemos ao Senhor, nosso Deus, e ao nosso próximo. O objetivo dos “fundamentalistas seculares” de separar religião e política não é apenas uma afronta ao cristianismo, mas um esforço para banir os cristãos da vida política. Isso, porém, não é novidade. O fundamentalismo secular sempre foi intolerante com o cristianismo e sempre procurou excluir os cristãos da vida pública. Da perseguição da Igreja antiga, com o martírio de inúmeros cristãos, à Revolução Francesa e seu Grande Terror, passando pelo século XX e o extermínio de cristãos em campos de concentração do socialismo nacional e internacional, a intolerância do fundamentalismo secular tem crucificado de forma contínua o Corpo de Cristo, além de ter corrompido incessantemente o corpo político.

“O dinheiro do tributo”, de Bernardo Strozzi.

O fundamentalismo secular emprega meios malignos, que correspondem aos seus fins ignominiosos, sempre favorecendo o poder da mentira para promover seus objetivos e usando o engano e a prática obscura da propaganda. O duplipensar e a novilíngua orwellianos fazem parte da mentalidade e do vocabulário fundamentalista secular desde o início. Em nome da “trindade profana” da liberdade, igualdade e fraternidade, os revolucionários franceses e russos privaram os cristãos da liberdade em nome da liberdade; discriminaram-nos em nome da igualdade e mataram-nos em nome da fraternidade. Não é de estranhar, portanto, que a nova geração de fundamentalistas seculares seja intolerante com o cristianismo em nome da tolerância, ou que aprove o assassinato de nascituros em nome da liberdade.

No entanto, a maior hipocrisia do fundamentalismo não está no uso abusivo da linguagem, mas na insistência em excluir a religião da vida pública, embora ele mesmo seja uma religião. Se o teísmo é uma posição religiosa, o ateísmo também o é [1]. A afirmação dogmática de que Deus não existe ou de que Ele deveria ser excluído da vida humana é uma posição religiosa. Quer acreditemos ou não na existência de Deus, ela ocupa um lugar central; é a pedra de toque, a rocha conceitual na qual se baseiam todos os nossos pressupostos. Para o teísta, a presença real de Deus é o princípio determinante que está no coração da realidade; para o ateu, é a ausência verdadeira dEle. Nos dois casos, Deus é crucial e, portanto, está presente, embora de forma irônica no segundo.

É um fato que toda política tem raízes nos primeiros princípios da filosofia, dos quais os mais importantes são os pressupostos metafísicos que dizem respeito à existência ou não existência de Deus. Na verdade, como demonstra a história recente, a eliminação de Deus cria um vácuo que é preenchido por todos os tipos de disparates perigosos e mortais. A crença de Rousseau de que o homem não é naturalmente pecaminoso, isto é, de que não existe uma rebelião primordial contra Deus, provocou toda sorte de barbárie, sobretudo o já mencionado Grande Terror. As ideias radicais de Rousseau permearam a sociedade moderna, de modo mais geral, pelo desprezo generalizado à civilização. A sabedoria das eras e a herança dos sábios são descartadas com a arrogância da ignorância, e o homem moderno é assim reduzido a um dedicado seguidor de loucuras e modismos. O determinismo de Hegel, politizado por Marx, levou ao assassinato de milhões de pessoas no altar do progresso inalterável do homem em direção à ditadura do proletariado. O super-homem de Nietzsche, politizado por Hitler, levou à raça mestra dos nazistas e ao assassinato de milhões de pessoas no altar do orgulho racial.

Como nos faz lembrar Richard Weaver, ideias têm consequências, e más ideias têm más consequências. E como Chesterton nunca cansou de nos dizer: quando as pessoas deixam de crer em Deus, não passam a acreditar em nada, mas em qualquer coisa. O “Nada” não existe, ao passo que Deus, sim, existe. Consequentemente, as pessoas podem crer em Deus, mas ninguém pode crer no nada. Um ateu não consegue ser simplesmente ateu; ele deve se tornar algo mais, que geralmente é algo pior. Quer Deus seja substituído pela impiedade de Marx, ou a de Nietzsche, ou a de Stalin, ou a de Hitler ou a de Margaret Sanger e a Planned Parenthood, o resultado será sempre o mesmo: o massacre de inocentes. Falemos sem rodeios: a ausência de Deus sempre leva à presença do mal.

As lições da história são suficientemente claras para qualquer um que tenha olhos para ver. A eliminação de Deus da esfera pública leva à construção de guilhotinas para substituí-lo. A separação agressiva entre religião e política leva ao mais mortal dos divórcios. A única alternativa à submissão de uma nação a Deus é a submissão de todas as nações a qualquer coisa. Que Deus nos livre de cair nas mãos de tamanha impiedade.

Notas

  1. Se por teísmo entendemos a posição filosófica que dá por verdadeira e racionalmente justificável a proposição “Deus é, ou existe”, então não se trata de uma postura em si mesma religiosa ou necessariamente baseada em alguma fé positiva, embora, é claro, dela se possam extrair consequências de natureza religiosa, moral, vital etc. Nesse sentido, podem considerar-se teístas pessoas de cultura e religiões tão distintas como Sócrates e São João Batista (Nota da Equipe CNP).

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