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A Besta que vem do Oriente
Sociedade

A Besta que vem do Oriente

A Besta que vem do Oriente

Desde a queda do Muro de Berlim, 25 anos atrás, um animal monstruoso e aterrorizante começou a avançar em nossa direção, “com dentes afiados e sangue escorrendo”. Seu nome é “espírito do ateísmo” e suas formas são múltiplas: eis a Besta do Oriente.

Pe. Dwight LongeneckerTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere10 de Fevereiro de 2021Tempo de leitura: 6 minutos
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[Este texto é de autoria do Pe. Dwight Longenecker. Foi vertido à língua portuguesa por nossa equipe.]

Vou-lhe contar uma visão que tive.

Fico hesitante em chamá-la de visão porque posso soar como uma espécie de místico mariano. Provavelmente, é melhor chamá-la de “imagem mental” ou “imagem onírica”. 

Seja como for, ela veio à minha mente quando estava num estado em que não sabia ao certo se estava rezando ou cochilando. Mas isso realmente não importa. O que importa é o conteúdo e o contexto da visão

Ela ocorreu em novembro de 1989, quando o mundo estava entusiasmado com a queda do Muro de Berlim. Para aqueles que não se lembram, o Muro de Berlim foi a barreira construída ao longo da cidade de Berlim para separar a parte comunista da cidade (oriental) da parte democrática e livre (ocidental).

O comunismo desmoronava por toda a Europa, e o meu sonho-visão foi muito simples. Vi um urso pardo gigante e pesado a certa distância, movendo-se rapidamente e de forma desajeitada. Era aterrorizante, tinha olhos vermelhos e uma boca cheia de baba com dentes afiados e sangue escorrendo. Dirigiu-se a um muro que desmoronava e escalou nele. Então entendi que o urso — a Besta do Oriente — era o espírito do ateísmo e que, enquanto o comunismo desmoronava, essa besta avançava em direção a um novo território: do Oriente para o Ocidente.    

Ao longo dos últimos 25 anos, refleti muito sobre esse sonho-visão, e tenho a impressão de que minha visão foi profética.  

Nesse período, vimos no Ocidente aquilo que só poderia ser descrito como a nossa própria forma de ateísmo violento e virulento.

Ao longo desses anos, apareceu não somente o “neoateísmo”. Muitas outras formas implícitas de ateísmo (ainda mais potentes e venenosas por causa de sua aparente invisibilidade) têm-nos assombrado.  

O que vimos nesses 25 anos? Pergunte a si mesmo. Vimos um declínio ainda mais rápido em direção ao relativismo niilista. Mas o que é o relativismo senão uma forma de ateísmo? Por que o relativismo é uma forma de ateísmo? Porque nega a existência de um sentido ou verdade objetiva. Não é possível ser relativista e teísta ao mesmo tempo, pois quem crê em Deus deve crer na Verdade objetiva. Quem não crê na Verdade objetiva é ateu, ainda que não saiba disso.  

E esse relativismo também contaminou a Igreja de Cristo. 

Eis uma segunda forma de ateísmo implícito: religiões orientais. As técnicas de meditação orientais levam seus seguidores para o hinduísmo ou o budismo, que em suas formas  “superiores” ensinam que não existe um Deus pessoal e objetivo. Em vez disso, a verdadeira “iluminação” é a compreensão de que nada existe, e a paz é a aceitação de que não há nada fora de nós mesmos. 

E essas religiões também contaminaram a Igreja de Cristo. 

Eis uma terceira forma de ateísmo implícito: o materialismo, uma filosofia que não se reduz apenas ao “vá ao shopping e gaste à vontade”. A prodigalidade e a cobiça são apenas os sintomas exteriores de uma filosofia que ensina que as coisas materiais não somente causam satisfação, mas são as únicas coisas que fazem isso, e são as únicas coisas que satisfazem porque são as únicas coisas que existem realmente.  

O materialismo diz: “Só existe aquilo que vemos.” Não há vida após a morte, anjos, demônios, céu nem inferno. O que os materialistas não conseguem fazer é levar seu argumento às últimas consequências, pois eles também devem crer que Deus não existe. O materialismo é a posição padrão em nossas escolas, faculdades e universidades laicas. É a posição padrão da maioria dos nossos jovens hoje. Portanto, eles são ateus ainda que não o saibam

Essa cobiça, que tem raízes no materialismo, também contaminou a Igreja de Cristo. Também assumiu nova forma na Igreja porque muitos que se dizem cristãos se preocupam mais com a salvação do planeta do que com a salvação da própria alma. Importam-se mais com boas ações do que com a fé em Cristo e se preocupam mais com política e com a criação de uma utopia na terra do que com a espera do lar celestial.

Isso também é uma forma de ateísmo, e ela se veste com as batinas de cardeais.

Uma quarta forma de ateísmo implícito é o cientificismo. Trata-se de outra forma de materialismo que ensina que a única forma legítima de conhecimento é a que obtemos por meio do método científico e que fornece evidências físicas. Esta é uma forma de ateísmo.

Isso também contaminou a Igreja de Cristo por meio daqueles que rejeitam o sobrenatural, desprezam a oração e negam a realidade dos milagres.

Uma quinta forma de ateísmo é o utilitarismo, segundo o qual as escolhas morais devem ser feitas com base na conveniência, na eficiência e na economia. Nada é superior ao resultado final, e isso também é uma forma de ateísmo.

Isso também contaminou a Igreja de Cristo, nos casos em que paróquias, escolas e dioceses são gerenciadas como negócios que sempre se preocupam com o resultado final, com financiamento mundano e com burocracias cada vez maiores.

Detalhe da “Queda dos Anjos Rebeldes”, por Luca Giordano.

Uma sexta forma de ateísmo é o historicismo, segundo o qual a história não possui uma narrativa abrangente, sendo apenas uma sucessão de eventos aleatórios e de disputas de poder. É uma forma de ateísmo porque diz, essencialmente, que não pode haver história porque não há um contador de histórias. Não pode existir um plano divino porque Deus não existe. 

Isso também contaminou a Igreja de Cristo, porque há membros da hierarquia que creem que devem dirigir o curso da história por meio do envolvimento com a política, em vez de confiar na divina Providência e viver pela fé, e não pela visão. 

A sétima forma de ateísmo em nossa sociedade é o sentimentalismo: a realização de escolhas morais principalmente a partir dos sentimentos, emoções e reações subjetivas. Por que isso é uma forma de ateísmo? Porque nega qualquer conjunto objetivo de regras para guiar o comportamento. Só existem instintos, impulsos, emoções e reações porque não há um conjunto de regras e não pode haver, porque não existe alguém que estabeleça essas regras. Isso também é o urso escravizador do ateísmo, ainda que tenha a aparência de um credo agradável e adorável.  

Isso também contaminou a Igreja, na medida em que as regras que governam a moral muitas vezes são substituídas por uma ética sentimentalista e casuística.

A forma final de ateísmo dominante em nossa sociedade é o individualismo, não aquele que propõe o desenvolvimento de uma personalidade forte e de uma mente criativa, mas o que põe o ego no centro do universo porque não existe um Deus para ocupar o “meu” lugar.

Isso também contaminou a Igreja de Cristo, na medida em que muitos cristãos se determinam a seguir em tudo apenas a sua própria vontade e justificam sua rebelião com o discurso da “autoexpressão”.

Por que afirmo que esse ateísmo que se moveu rapidamente do Oriente para o Ocidente é sanguinário e cruel? Porque ele é tão cruel e assassino quanto o comunismo no Oriente. Por que milhões de nascituros são assassinados? Porque somos tiranos tão utilitaristas e materialistas quanto os comunistas. Por que vendemos membros dos corpos de bebês abortados? Porque é algo lucrativo e porque somos ateus.

Por que fazemos guerras e nossos jovens são enviados para a realização de matanças? Por que há uma epidemia de vício em drogas, de suicídio e de crimes? Porque somos ateus e niilistas insanos que creem que não há nada além daquilo que vemos. E, se realmente não há, por que não, então, rumar para o nada?

E qual é a resposta para essa ausência? A transcendência.

O que preencherá esse vazio? Deus.

O que iluminará nossa escuridão? Somente a Luz do Mundo.

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Faça um aluno!
Padre Paulo Ricardo

Faça um aluno!

Faça um aluno!

Ainda não é nosso aluno? Torne-se um! Mas, se já é nosso aluno, dê um passo a mais: traga outra pessoa para se tornar membro de nossa família apostólica!

Equipe Christo Nihil Praeponere12 de Abril de 2021Tempo de leitura: 1 minutos
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Com o vídeo a seguir, Padre Paulo Ricardo está lançando a campanha “Faça um aluno”.

É claro: se você ainda não é nosso aluno, isso significa que é você, em primeiro lugar, quem deve se tornar um membro de nossa família apostólica.

Mas, para aqueles que já assinam nossos cursos, este convite é para que dêem um passo a mais e tragam outras pessoas para fazer parte de nossa obra de evangelização. 

Nosso Senhor nos ensina, no Evangelho, que precisamos “ganhar” os nossos irmãos. Isto é, não basta que eu conheça a verdade: assim como os Apóstolos, depois de pescados por Cristo, se tornaram “pescadores de homens”, também eu, uma vez encontrado por Deus e reconciliado com Ele, preciso sair ao encontro dos que me rodeiam…

Na verdade, é quase automático, para quem se converte, esse ato de sair e anunciar a verdade conhecida. O coração de fato transformado por Deus não consegue manter em segredo a sua descoberta. Naturalmente ele sente a necessidade de contar aos outros o que lhe aconteceu, naturalmente ele sai de si; em outras palavras, todo cristão é um apóstolo.

O que acontece, não poucas vezes, é de não sabermos como conquistar o próximo para Cristo, talvez porque sintamos dificuldades em transmitir o que aprendemos, ou porque nos falte a habilidade para falar bem, persuadir o outro, explicar as coisas da fé.

E é por isso que queremos convidar você a usar o nosso site como um instrumento do seu apostolado. Todos os nossos cursos foram pensados justamente para isso, seja no sentido de despertar os que ainda dormem, seja com a ideia de dar solidez às conversões que já aconteceram.

Mas o mais belo de tudo isso é o que São Tiago ensina em sua Carta (5, 19-20): “Meus irmãos, se alguém fizer voltar ao bom caminho algum de vós que se afastou para longe da verdade, saiba: aquele que fizer um pecador retroceder do seu erro, salvará sua alma da morte e fará desaparecer uma multidão de pecados”. Ou seja, ao assistir uma outra pessoa na fé, você salva não só a alma dela, como ajuda a salvar a sua própria!

Por isso, o que você ainda está esperando? Faça um bem ao próximo e a si mesmo! Seja um apóstolo conosco e… “Faça um aluno”! 

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Deus, o vinho e as Sagradas Escrituras
Doutrina

Deus, o vinho
e as Sagradas Escrituras

Deus, o vinho e as Sagradas Escrituras

É muito comum que se celebrem ocasiões especiais com uma boa taça de vinho. Mas também a Bíblia está cheia de referências a essa bebida, principalmente no Evangelho, onde Jesus transforma a água em vinho e converte este líquido em seu próprio Sangue.

Mark HaasTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere10 de Abril de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
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Cresci numa casa em que o vinho era presença constante. Católico de berço, vi adultos tomarem vinho em diversas ocasiões, seja durante uma festa ou uma reunião. Em casa, partilhávamos uma abençoada taça de vinho para celebrar qualquer ocasião especial, como uma primeira comunhão, um aniversário de batismo etc. Alguns de meus amigos não católicos ficavam espantados de ver o espaço de nossa geladeira reservado aos vinhos. 

Qual o problema do vinho? As Sagradas Escrituras são claras: Deus ama o vinho!

No Antigo Testamento, o vinho é usado como símbolo poderoso. Ele representa a sabedoria (cf. Pr 9, 1-5; Eclo 17-21), a Lei e as bodas (cf. Ct 1, 2ss; 4, 10; 5, 1; 7, 2). O profeta Isaías fala de uma reunião de todos os povos para um “festim de vinhos”, no qual Deus irá salvá-los (cf. Is 25, 6-9). O profeta Amós prediz os dias em que Deus restaurará o reino de Davi e “o vinho correrá pelas montanhas e todas as colinas derreterão” (Am 9, 13).

As bodas em Caná.

Jesus usa vinho ao longo de todo o Evangelho. Seu primeiro milagre ocorreu durante as famosas bodas de Caná. Jesus e sua Mãe foram à festa, mas o noivo ficou sem vinho que servir aos convidados. Hoje, ficar sem ter o que servir em uma festa ou reunião pode ser uma frustração ou um inconveniente menor, tanto para o anfitrião quanto para os convidados. Mas, na antiga tradição judaica, ficar sem vinho durante uma festa de bodas teria sido uma gafe catastrófica, capaz de destruir a posição social da família na comunidade. 

Maria percebe a iminente calamidade e diz a Jesus: “Eles não têm vinho” (Jo 2, 3). A afirmação desencadeia o primeiro milagre público de seu Filho. Maria vê as necessidades das pessoas e intercede por elas. Depois de uma breve conversa com Nosso Senhor, Maria diz aos servos: “Fazei tudo o que ele vos disser” (Jo 2, 5). A interação entre Maria e Jesus é muito similar à doutrina católica sobre a oração de intercessão mariana. Assim como os convidados das bodas, nós recorremos a Maria com nossas orações. Maria, por sua vez, as apresenta diretamente a Deus com esperanças de bênçãos abundantes. Nosso Senhor Jesus Cristo, que não se deixa vencer em generosidade (cf. 2Cor 8, 2), abençoa então as nossas vidas com transbordante generosidade. 

Depois de ouvir a intercessão de sua Mãe, Jesus acolhe com benevolência a solicitação. Quando Deus deseja fazer vinho, Ele o faz em abundância. As talhas de pedra usadas no ritual judaico comportariam entre 20 e 30 galões de água (cf. Jo 2, 6). Ao todo, Jesus encheu milagrosamente 120 galões de vinho! Sabemos que aquele era o vinho mais saboroso e fermentado:

Logo que o chefe dos serventes provou da água tornada vinho, não sabendo de onde era (se bem que o soubessem os serventes, pois tinham tirado a água), chamou o noivo e disse-lhe: “É costume servir primeiro o vinho bom e, depois, quando os convidados já estão quase embriagados, servir o menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora” (Jo 2, 9-10).

Jesus produziu o melhor vinho, um vinho celestial, para que durasse até o final da festa.

Isso, obviamente, não equivale a dizer que a Bíblia admita a embriaguez. Pelo contrário, as Escrituras são claras ao apontar que sempre se deve evitar bebida em excesso. Depois de fazer vinho, Noé logo ficou bêbado e caiu (um paralelo com Adão), perpetuando o ciclo de falhas humanas que perdura em todo o Velho Testamento (cf. Gn 9, 21). No Novo Testamento, S. Paulo alerta sobre o uso de bebida em excesso (cf. 1Tm 3, 8; 1Cor 5, 11). É melhor beber vinho com moderação: “Sede sóbrios e vigiai” (1Pd 5, 8).

Em preparação para a morte de Cristo, o vinho mostra-se um símbolo relevante para dirigir nossa atenção à crucifixão. Consideremos a comparação tipológica entre a Páscoa judaica, no Livro do Êxodo, e a Paixão do Senhor, nos Evangelhos. Depois de salvar os israelitas dos grilhões da escravidão, Moisés foi instruído por Deus a celebrar uma ceia perpétua seguindo instruções bastante específicas: Deus diz a Moisés que sacrifique um cordeiro de um ano de idade, puro, sem mácula nem qualquer osso quebrado. Deus lhe diz então que colete o sangue do cordeiro em uma tigela e pinte os batentes das portas dos israelitas com ele, usando para isso um feixe de hissopo (cf. Ex 12, 21ss). Esse momento histórico foi entronizado na tradição judaica com a celebração anual da Páscoa. 

É interessante notar que nessa antiga refeição pascal eram servidos quatro cálices de vinho, que representavam a libertação dos israelitas da escravidão [1]: 

  1. O cálice da santificação: Eu vos farei sair
  2. O cálice da libertação: Eu vos resgatarei
  3. O cálice da redenção: Eu vos redimirei
  4. O cálice do louvor: Eu vos tomarei como meu povo (cf. Ex 6, 6-7).

Um quinto cálice era reservado a Elias, na esperança de que ele os visitasse durante a celebração. Dessa taça não se bebia.

Avancemos rapidamente até Nosso Senhor Jesus Cristo, que João Batista disse ser “o Cordeiro de Deus” (Jo 1, 29). Jesus, o novo Cordeiro sacrificial, celebrou a Páscoa judaica com seus discípulos na Santa Ceia:

Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: “Tomai e comei, isto é o meu corpo”. Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: “Bebei dele todos, porque isto é o meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados. Digo-vos: doravante não beberei mais desse fruto da vinha até o dia em que o beberei de novo convosco no Reino de meu Pai” (Mt 26, 26-29).

Jesus declara que não beberá o último cálice de vinho até que o Reino de seu Pai esteja completo.

No dia seguinte, durante sua Paixão, Jesus se recusa a tomar qualquer vinho: “Deram-lhe de beber vinho misturado com fel. Ele provou, mas se recusou a beber” (Mt 27, 34). Jesus então é elevado na Cruz, e lhe oferecem vinho de novo:

Em seguida, sabendo Jesus que tudo estava consumado, para se cumprir plenamente a Escritura, disse: “Tenho sede”. Havia ali um vaso cheio de vinagre. Os soldados encheram de vinagre uma esponja e, fixando-a numa vara de hissopo, chegaram-lhe à boca (Jo 19, 28-29).

Depois de finalmente receber o vinho numa vara de hissopo, Jesus disse: τετέλεσται (tetélestai), “está consumado”. O que estava consumado? Na noite anterior, Jesus omitira o quarto cálice da ceia pascal, transformando-o na ceia pascal da Nova Aliança: a Sagrada Eucaristia. Nosso Senhor e Salvador bebe agora da taça final, que estava reservada a Elias. Numa interpretação bastante convincente, o dr. Scott Hahn, estudioso bíblico católico, sugere que a nova celebração pascal termina quando Jesus recebe o vinho na Cruz. Cristo recebe o cálice final, que consuma a Nova Aliança. O cálice final está agora à disposição de todos os que recorrem a Ele na Santa Eucaristia. 

O plano de salvação de Deus é apresentado por meio do consumo físico de pão e de vinho. Que nós possamos eternamente “comer e beber e encontrar satisfação em todo o nosso trabalho, pois esse é o dom de Deus” (Ecle 3, 13).

Notas

  1. “À primeira vista, o vinho pode não parecer tão essencial ao seder quanto, digamos, o cordeiro ou o pão ázimo. Na verdade, ele não aparece nas rubricas prescritas pela Torá. Os historiadores acreditam que os quatro cálices de vinho foram acrescentados depois a fim de sublinhar o sentido festivo do banquete — ‘vinho para alegrar o coração do homem’ (Sl 104, 15).” (Scott Hahn. The Fourth Cup. New York: Image, 2008, pp. 107-108. A nota e a tradução são nossas.)

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Como ser ou escolher um bom padrinho de batismo?
Espiritualidade

Como ser ou escolher
um bom padrinho de batismo?

Como ser ou escolher um bom padrinho de batismo?

Se você foi convidado a ser padrinho, ou está à procura de um para o seu filho, lembre-se: este é um papel que deve ser levado muito a sério. As ações de um bom padrinho podem fazer, de fato, uma diferença eterna na nossa vida e na de nossos filhos.

Woodeene Koenig-BrickerTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere7 de Abril de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
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Ser padrinho é uma daquelas honras e responsabilidades, não tão bem compreendidas, que alguns de nós somos chamados a assumir em nome de crianças, da família e de amigos. Embora possamos estar dispostos, nem sempre sabemos o que significa ser padrinho.

O papel do padrinho se desenvolveu a partir do catecumenato da Igreja primitiva. Sua função era garantir que uma pessoa estivesse pronta para receber os três sacramentos de iniciação — Batismo, Eucaristia e Confirmação — e, depois, ajudá-la a viver a vida cristã. Foi no início da Idade Média, quando o batismo de crianças se estabeleceu firmemente, que se popularizou o termo patrinus, ou “padrinho”; na Igreja antiga, essas pessoas também eram chamadas de sponsores, offerentes, susceptores e fidejussores — termos latinos que significam, em suma, “patronos” ou “testemunhas” [1].

A Igreja primitiva sabia que um padrinho tinha uma função prática bem definida; hoje, porém, ser padrinho é visto muitas vezes como uma honra cerimonial (por exemplo, quando Bono Vox, da banda de rock U2, foi nomeado “padrinho” dos gêmeos de Brad Pitt e Angelina Jolie, crianças que provavelmente jamais verão o interior de uma igreja, muito menos serão batizadas ou confirmadas). O padrinho é visto ora como uma fada madrinha da vida real, que serve para dar presentes em ocasiões especiais, ora como uma espécie de tutor civil, encarregado de assumir a educação da criança no caso de os pais biológicos morrerem.

Na verdade, nada disso tem a ver com a função real de um padrinho. Essencialmente, um padrinho é quem ajuda e auxilia no desenvolvimento espiritual de uma criança (às vezes de um adulto convertido que é uma “criança” na fé). Como diz o Código de Direito Canônico: “Dê-se, quanto possível, ao batizando um padrinho, cuja missão é assistir na iniciação cristã ao adulto batizado, e, conjuntamente com os pais, apresentar ao batismo a criança a batizar e esforçar-se por que o batizado viva uma vida cristã consentânea com o batismo e cumpra fielmente as obrigações que lhe são inerentes” (Cân. 872).

Certos requisitos e responsabilidades com relação aos padrinhos devem ser cumpridos de acordo com a lei da Igreja [2], mas ainda permanece uma pergunta prática: o que faz um bom padrinho?

“O Batismo”, de Pietro Longhi.

Em primeiro lugar, um padrinho deve ser uma pessoa de fé profunda. Sua responsabilidade é ajudar a desenvolver e estabelecer a fé no afilhado. Por isso, é essencial que ele entenda a doutrina católica e viva a fé diariamente, de maneira pessoal e profunda. Você não pode transmitir aquilo em que não acredita total e completamente. Não basta conhecer a fé; um padrinho deve vivê-la. Isso significa ter o hábito de assistir à Missa aos domingos e observar as leis da Igreja. Mas significa também ser comprometido com o próprio crescimento espiritual, de maneira contínua através do estudo, da oração, dos sacramentos e das obras de misericórdia corporais e espirituais.

Um bom padrinho também está, na medida do possível, envolvido positivamente na contínua experiência de fé do afilhado. Isso não significa apenas estar fisicamente presente no batismo ou na confirmação, mas assumir um papel tão ativo quanto na preparação para a primeira confissão e a primeira comunhão, bem como, mais tarde, para o matrimônio ou as Ordens sagradas. Isso significará, no mais das vezes, um encorajamento, um apoio ou um entusiasmo ao próprio afilhado; nos casos, porém, em que os pais não puderem ou não levarem o filho à catequese, ou não o acompanharem na preparação para os sacramentos, os padrinhos precisam estar dispostos a intervir de maneira mais incisiva.

À medida que as crianças crescem, comemorar o dia do batismo e/ou da confirmação com uma ligação, uma visita, um cartão ou um presente apropriado pode ajudar a manter intactos esses laços espirituais. Em suma, um bom padrinho caminha ao longo de toda a jornada da com o afilhado, não apenas em seus primeiros passos ou nas comemorações.

Um padrinho pode ser particularmente valioso ao oferecer uma referência segura para discutir dúvidas e resolver perguntas, sobretudo quando os afilhados chegam à adolescência. Os pais, naturalmente, ficam nervosos quando os filhos começam a questionar os ensinamentos da Igreja em temas morais. Um padrinho pode ser a pessoa que ouvirá e falará sobre tais questões, emocionalmente pesadas, sem entrar na defensiva ou na ofensiva. Os adolescentes podem achar mais fácil discutir com outra pessoa assuntos como a doutrina da Igreja sobre o sexo fora do casamento, a contracepção, a homossexualidade etc., embora questões sobre a divindade de Jesus, o significado da salvação e a importância de ser católico sejam também pontos importantes de discussão com um padrinho.

Outra área em que um bom padrinho pode fazer a diferença é na exposição aos sacramentais e às práticas devocionais. Embora não seja necessário sobrecarregar os afilhados com quinquilharias religiosas, garantir que eles tenham um Rosário digno, uma medalha do santo padroeiro, uma Bíblia católica e um crucifixo é certamente um dever importante dos padrinhos.

O mesmo se aplica às devoções. Garantir que os afilhados saibam rezar o Rosário, dizer as estações da Via-Sacra e conhecer os santos, as novenas e as práticas sazonais de piedade, como a coroa do Advento, são outras maneiras de os padrinhos serem proativos na vida dos afilhados, sem correr o risco de serem invasivos.

Obviamente, tudo isso supõe que o padrinho more perto o bastante do afilhado, a ponto de poder estar presente com certa regularidade, o que nem sempre é o caso na sociedade móvel de hoje. É por isso que o ato mais importante de um padrinho em favor do afilhado é a oração regular e constante. Como disse o poeta Alfred Tennyson: “Mais coisas são feitas pela oração do que este mundo pode sonhar”. Embora seja verdade que os pais são os principais mestres na fé, os padrinhos podem fazer uma enorme diferença em como essa fé lança raízes, ao encomendarem na oração os seus afilhados.

Se você for convidado a ser padrinho (ou estiver pensando em escolher um), lembre-se de que esse papel deve ser levado a sério, pois as ações de um bom padrinho podem fazer, de fato, uma diferença eterna na vida de uma criança.

Notas

  1. Este parágrafo foi adaptado para explicar com mais clareza a origem da função dos padrinhos. Sua complementação foi retirada de: William Fanning, “Baptism”. The Catholic Encyclopedia, 1907.
  2. A esse respeito, ler o que diz o Código de Direito Canônico, Cân. 874, § 1: “Para alguém poder assumir o múnus de padrinho requer-se que: 1.º seja designado pelo próprio batizando ou pelos pais ou por quem faz as vezes destes ou, na falta deles, pelo pároco ou ministro, e possua aptidão e intenção de desempenhar este múnus; 2.º tenha completado dezesseis anos de idade, a não ser que outra idade tenha sido determinada pelo Bispo diocesano, ou ao pároco ou ao ministro por justa causa pareça dever admitir-se exceção; 3.º seja católico, confirmado e já tenha recebido a santíssima Eucaristia, e leve uma vida consentânea com a fé e o múnus que vai desempenhar; 4.º não esteja abrangido por nenhuma pena canônica legitimamente aplicada ou declarada; 5.º não seja o pai ou a mãe do batizando.”

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Por que Jesus morreu na casa dos trinta?
Doutrina

Por que Jesus
morreu na casa dos trinta?

Por que Jesus morreu na casa dos trinta?

Deus não faz nada de modo arbitrário. Por isso, até mesmo detalhes aparentemente menores nas Escrituras têm algo a nos ensinar. Por que, então, Jesus morreu com trinta e poucos anos, e não antes nem depois?

Mons. Charles PopeTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere29 de Março de 2021Tempo de leitura: 2 minutos
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Por que Cristo morreu com trinta e poucos anos, e não mais velho? Isso daria a Ele mais tempo para ensinar e estabelecer a Igreja. Santo Tomás de Aquino respondeu a essa questão da seguinte maneira:

Deve-se dizer que Cristo quis sofrer em idade jovem por três razões. Primeiro, para que nisto manifestasse mais sua caridade, pois deu sua vida por nós quando estava no estado mais perfeito. Segundo, porque não convinha que nele aparecesse <nenhuma> deficiência [diminutio] de natureza, como tampouco doença, como acima foi dito. Terceiro, para que, morrendo e ressuscitando em idade jovem, Cristo mostrasse em si mesmo, por antecipação, a qualidade dos que hão de ressuscitar. Daí que se diga em Ef 4, 13: “Até que cheguemos todos juntos à unidade na fé e no conhecimento do Filho de Deus, ao estado de adultos, à estatura de Cristo em sua plenitude” (STh III 46, 9 ad 4).

Especulações como essas parecem puramente arbitrárias. Outros consideram o raciocínio uma justificação post hoc: Cristo morreu aos 33 anos, então vamos inventar algo para tentar explicá-lo.

O raciocínio de S. Tomás, porém, não se baseia em meras especulações. Há premissas para o seu raciocínio.

Primeiro, está a premissa de que Deus não faz nada arbitrariamente, e fazemos bem em admitir que até mesmo detalhes aparentemente menores nas Escrituras (como, por exemplo, a hora do dia) têm algo a nos ensinar.

Outra premissa é baseada na natureza da perfeição. A perfeição pode ser prejudicada por excesso ou insuficiência. Considere o caso da idade: um jovem pode não ter maturidade física e intelectual (nesse caso, a juventude é uma “insuficiência” de idade); mas chega um momento em que a idade se torna problemática em outra direção, à medida que o tempo afeta o corpo, e a mente torna-se menos perspicaz (nesse caso, a velhice é um “excesso” de idade). Assim, há um período de tempo em que a idade está na faixa “perfeita”: não é prejudicada nem por excesso nem por insuficiência.

Na época de S. Tomás, os trinta anos eram considerados a época da perfeição. Pode-se dizer que ainda é assim, embora pareça que levamos muito mais tempo para atingir a maturidade intelectual e emocional nos dias de hoje.

S. Tomás observa que, porque Jesus morreu no auge da vida, o sacrifício foi maior. Sua aparente falta de doenças e imperfeições físicas também aumentou a dimensão de seu sacrifício. Isso nos serve de exemplo. Devemos oferecer a Deus em sacrifício aquilo que temos de melhor, não apenas os nossos trapos ou coisas das quais poderíamos dizer: “Isso serve”. O Senhor uma vez lamentou, por meio do profeta Malaquias:

Se ofereceis em sacrifício um animal cego, não haverá mal algum nisto? E, se trazeis um animal coxo e doente, não vedes mal algum nisto? Vai, pois, oferecê-lo ao teu governador; crês que lhe agradarias, que ele receberia bem? — diz o Senhor dos exércitos (Ml 1, 8).

Portanto, o que para alguns pode parecer um simples detalhe (a idade de Jesus), na verdade proporciona ensinamentos importantes para a alma perspicaz. Cristo deu tudo de si, o melhor e o fez quando estava no auge da vida. Nós também somos chamados a crescer em perfeição.

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