O Center for Bioethics and Culture [“Centro de Bioética e Cultura”] produziu cinco anos atrás um documentário sobre doação de esperma. Anonymous Father’s Day [“Dia dos Pais Anônimos”, disponível na íntegra no YouTube] conta todos os fatos sobre a prática e destaca histórias pessoais, contadas por crianças concebidas por doadores. Ao longo de uma hora, o alcance da chamada “tecnologia de reprodução assistida” é discutido francamente pelos mais afetados.

Os Estados Unidos continuam sendo um dos poucos países onde a “tecnologia reprodutiva” não é regulamentada. Entre 30.000 e 60.000 crianças são concebidas anualmente por doação de esperma.

Com o aumento de relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo e mães solteiras, esse número só aumentou. Muitas pessoas hoje estão dispostas a gastar grandes somas para produzir filhos. Estima-se que essa compra e venda não regulamentada de seres humanos equivalha a uma indústria anual de 3,3 bilhões de dólares.

Sucesso sobre nossos tempos. — O custo material empalidece em comparação com o enorme fardo posto sobre as pessoas que foram produtos dessas tecnologias. Querer saber de onde se veio e conhecer a própria história pessoal é perfeitamente natural. Para crianças nascidas e criadas por seus pais biológicos, traçar a árvore genealógica é uma tarefa simples. Não assim para quem foi produzido por inseminação artificial.

O estigma social, mesmo em discutir o tópico, permanece generalizado. O “Dia dos Pais Anônimos” mostra as lutas de crianças produzidas por doadores, que agora cresceram e procuram seus pais. Torna-se claro que todo o marketing em favor da prática gira em torno da felicidade e do altruísmo dos pais. A triste realidade é que as crianças vão crescer com um vazio existencial, sem nunca conhecer o verdadeiro pai e a motivação para a sua geração.

A ascensão da internet tem visto um número crescente desses indivíduos vir a público. Grupos de apoio e redes sociais para pessoas concebidas por doadores estão agora difundidos. O sequenciamento de DNA forneceu outro caminho para encontrar respostas. Um senhor entrevistado conseguiu localizar doze de seus meio-irmãos e meio-irmãs. Estima-se que seu pai doador tenha entre 500 e 1.000 filhos.

A geração anônima. — Os legisladores tentaram diminuir muitos dos dilemas éticos da doação anônima. A Suécia foi a primeira a proibir a doação anônima de gametas, com outros países seguindo o exemplo. Mesmo com a regulamentação, no entanto, as crianças ainda são tratadas como mercadoria a ser comprada e vendida à vontade. Mais crianças concebidas por doadores estão chegando à conclusão de que a única solução real é proibir a prática.

Os apoiadores mais veementes respondem sem pestanejar que isso significa proibir o ato que as trouxe à existência. Elas não deveriam apoiar uma indústria que lhes deu vida? Pela mesma lógica, uma pessoa concebida num estupro deveria apoiar o estupro porque foi esse o ato que a trouxe à existência. É claro que os fins não justificam os meios quando se trata de gerar uma vida.

Embora a infertilidade possa ser uma luta, ninguém “merece” um filho. Quando se usam técnicas antiéticas para produzir filhos, são as próprias crianças que pagam o preço final.

Uma conclusão óbvia sobre o casamento. — Haverá uma pressão crescente para proibir o “Dia das Mães” e do “Dia dos Pais”. Mas as pessoas concebidas por doadores estão falando sobre a importância da maternidade e da paternidade. Uma mãe e um pai que criam seus filhos biológicos, em um relacionamento de compromisso por toda a vida, eis o que há de melhor para os filhos. O “Dia dos Pais Anônimos” deixa claro que também é o melhor para a sociedade.