A impressionante conversão de Chopin no leito de morte
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A impressionante conversão de Chopin no leito de morte
Testemunhos

A impressionante conversão
de Chopin no leito de morte

A impressionante conversão de Chopin no leito de morte

Chopin, educado desde cedo na fé católica, abandonou a casa do Pai em sua juventude e vida adulta. Porém, a graça de Deus o tocou no momento decisivo de sua vida, transformando sua morte no mais belo concerto jamais composto por ele.

Massimo ScapinTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere6 de Novembro de 2019Tempo de leitura: 4 minutos
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Há cento e setenta anos, no dia 17 de outubro de 1849, falecia o compositor e pianista franco-polonês responsável pela renovação da sonoridade do piano romântico: Frederic Chopin (1810–1849).

Sua arte sobre-humana, melancólica e apaixonada é bem-resumida pelas belas e comoventes palavras que o Venerável Papa Pio XII dirigiu a um grande grupo de poloneses em Roma, no dia 30 de setembro de 1939:

Há em cada um de vós um pouco da alma de vosso imortal Chopin, cuja música extrai de nossas pobres lágrimas humanas, de modo tão brilhante, uma alegria profunda e inesgotável. Se a arte humana pôde realizar tantas coisas, quanto mais habilidosa não deve ser a arte de Deus em aliviar a tristeza de vossas almas? [1]

Mais recentemente, o Papa Bento XVI elogiou Chopin com as seguintes palavras: “Que a música desse famoso compositor polonês, que contribuiu de forma tão significativa para a cultura da Europa e do mundo, aproxime de Deus aqueles que a escutam e ajude-os a descobrir a profundidade do espírito humano” [2]. 

A vida interior de Chopin teve três fases: a educação em Varsóvia numa família católica devota, o afastamento da Fé e da prática religiosa durante sua carreira relâmpago em Paris (sua principal residência, desde 1831 até os seus últimos dias de vida) e o movimento de retorno a Deus pouco antes da morte.

Os pais de Chopin, Nicolau (um emigrante francês) e Justina (primeira professora de piano dele e de Ludovica, sua irmã mais velha), jamais falharam em relação à honra e à responsabilidade de transmitir a Fé aos filhos. Numa carta escrita em meados de março de 1842, Justina assegura que ela e o marido estavam próximos dele por meio da oração, mesmo durante o período que esteve em Paris, o mais feliz e ativo de sua carreira musical: “Esqueceste, meu querido filho, que teus velhos pais vivem apenas para ti e rezam todos os dias para que Deus te abençoe e proteja.”

Mas foi em Paris que sua fé definhou e sua vida ficou mais atormentada. Muitos de seus novos amigos eram “homens e mulheres sem princípios, ou melhor, de maus princípios” [3]. Sequer algumas mulheres lhe serviram de consolo — especialmente a escritora romântica George Sand, uma “devoradora de homens”, que o conheceu em 1836 e, depois de divergências de ideias e de personalidade, abandonou-o em 1847. 

A morte de Chopin.

Sua já delicada saúde, particularmente em função das cada vez mais graves e frequentes infecções nos pulmões, enfraqueceu-o bastante nos seus últimos anos de vida. Um dos mais ilustres representantes da emigração polonesa, o padre Alexandre Jelowicki, amigo íntimo de Chopin, esteve próximo do músico em seu leito de morte. O próprio sacerdote viria a relatar detalhadamente o retorno de Chopin à sua antiga fé [4]. 

O padre Alexandre se aproveitou do humor adocicado do compositor para conversar com ele sobre sua querida mãe Justina, uma boa cristã. “Sim”, disse Chopin, “para não ofender minha mãe eu receberia os sacramentos antes de morrer, mas não tenho por eles a consideração que desejas. Compreendo a bênção da confissão como o alívio de um coração pesado por meio de uma mão amiga, mas não como um sacramento. Estou pronto para me confessar contigo se desejares, porque te amo, não porque considero isso necessário”. Mas o sacerdote não desesperou da graça, que parecia estar próxima. 

Na noite de 12 de outubro de 1849, o médico do músico, convencido de que Chopin faleceria muito em breve, chamou o padre Alexandre, que foi correndo ao encontro dele. O moribundo apertou a mão do médico, mas pediu que ele fosse embora; garantiu que o amava, mas não quis falar com ele.

No dia seguinte, festa de São Eduardo, o Confessor, no martirológio tradicional, o padre Alexandre celebrou a Missa pelo repouso da alma de seu irmão Eduardo, morto com um tiro em Viena durante os motins de 1848, e rezou pela alma de Chopin. Ele voltou ao leito do músico e recordou-o de que aquele era o dia do onomástico de seu irmão, a quem o músico tanto amava. “Ó, não falemos sobre isso”, lamentou o moribundo. “Caríssimo amigo”, continuou o sacerdote, “deves me dar algo pelo dia do onomástico de meu irmão”. “O que devo te dar?” “Tua alma.” “Compreendo. Aqui está ela; toma-a!”

O músico segurou o crucifixo que lhe fora oferecido pelo padre Jelowicki; professou a fé em Cristo que sua mãe lhe ensinara e recebeu os sacramentos que o prepararam para se encontrar com o Deus vivo. Seu sofrimento durou quatro dias, mas ele se resignou, teve paciência e às vezes até sorria. O sacerdote escreveu:

Ele abençoou seus amigos e, quando — depois de uma crise que aparentava ser a última — viu a si mesmo rodeado pela multidão que dia e noite enchia seu quarto, perguntou-me: “Por que eles não rezam?” Ao ouvir essas palavras, todos se ajoelharam e até os protestantes se uniram às ladainhas e orações pelo moribundo.

Estas foram algumas das últimas palavras de Chopin: “Sem ti, meu amigo, eu teria morrido como um porco!” [5]. Ele invocou os nomes de Jesus, Maria e José, agarrou o crucifixo, apertou-o junto ao coração e disse, agradecido: “Agora me encontro na fonte da bem-aventurança!” Num apartamento no número 12 da Place Vendôme em Paris, onde hoje funciona uma joalheria, às duas da manhã de uma quarta-feira, 17 de outubro de 1849, Chopin, o rebelde, morreu aos 39 anos de idade. “Assim morreu Chopin”, concluiu padre Jelowicki, “e na verdade sua morte foi o mais belo concerto de sua vida” [6].

Referências

  1. The Catholic Northwest Progress, Seattle, WA, 6 de outubro de 1939, p. 3.
  2. Insegnamenti di Benedetto XVI, VI, 1, 2010, Libreria Editrice Vaticana, p. 284.
  3. J. Huneker, Chopin: The Man and His Music, New York: C. Scribner’s Sons, 1918, p. 79.
  4. Huneker, op. cit., 78-84.
  5. Wierzynski, The Life and Death of Chopin, New York: Simon and Schuster, 1949, p. 412.
  6. Huneker, op. cit. pp. 83-84.

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Quando os marxistas tentaram conquistar o México
Igreja Católica

Quando os marxistas
tentaram conquistar o México

Quando os marxistas tentaram conquistar o México

Na mesma época da Revolução Russa e das aparições de Nossa Senhora de Fátima, os comunistas atacaram os católicos do México. Mas a reação dos “cristeros” foi mais forte e a Igreja saiu vitoriosa do conflito. Graças a Cristo Rei e à Virgem de Guadalupe.

Luis MedinaTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere24 de Novembro de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
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Em fevereiro de 1917, antes [das aparições] de Nossa Senhora de Fátima e antes que os soviéticos conquistassem a Rússia, os comunistas atacaram primeiramente o México. Nele, encontramos a primeira Constituição socialista da história do mundo [1]. O governo mexicano sabia que um confronto direto com a Igreja seria inútil, então concentrou seus esforços em uma área específica: o ensino público.

Aqui é onde o verdadeiro conflito começou. Até então, era a Igreja que educava seus paroquianos de acordo com os seus dogmas, mas em harmonia com o Estado. A esfera de influência da Igreja sempre esteve presente para o mexicano comum. Todos os eventos principais da vida de qualquer pessoa (batismo, educação, primeira comunhão, casamento, funeral etc.) eram conduzidos pela Igreja.

Visto que tal influência era um obstáculo aos socialistas, o novo governo mexicano tentou privar a Igreja de seu direito de educar e, em seguida, preencher o vazio com a educação comunista. Embora a nova Constituição de 1917 modificasse a lei e a colocasse contra a Igreja, Venustiano Carranza (o líder das reformas constitucionais) astutamente decidiu não fazer cumprir as leis contra a educação da Igreja, já que o México acabava de sair de anos de uma sangrenta guerra civil, e era muito cedo para arriscar uma reação. Mesmo assim, a semente anticlerical fôra plantada e bastou algum tempo para ela germinar.

Os marxistas agem. — O “fertilizante” ideal chegou em 1924, quando um ex-comandante da revolução mexicana, Plutarco Elias Calles (1877–1945), subiu ao poder. No mesmo ano, as relações diplomáticas entre o México e a União Soviética foram oficialmente formalizadas. Depois que Calles assumiu o poder, ele ainda esperou dois anos para iniciar uma perseguição aberta à Igreja. Até que finalmente começou a fazer cumprir a Constituição socialista: Ordens religiosas foram expulsas, vestes clericais foram proibidas e propriedades da Igreja foram confiscadas pelo governo, junto com escolas, hospitais, mosteiros e orfanatos. Logo os marxistas começaram a perseguir os padres e a forçar os professores mexicanos a ensinar suas doutrinas; se não o fizessem, perderiam seus empregos.

Os mexicanos e o mundo ficaram pasmos e chocados com os abusos que o governo Calles perpetrou contra seus próprios cidadãos. Como poderia uma administração abertamente anticatólica estar no México, por todas as partes? A terra da Virgem de Guadalupe? Inacreditável. Os inimigos da fé pensavam que perseguir a Igreja extinguiria o catolicismo, mas, como sabemos pela história, o poder da morte e da violência não pode sobrepujar a Igreja. Uma revolta popular surgiu a partir de homens de Deus, que combinaram o amor gentil do índio por Nossa Senhora de Guadalupe com o espírito de luta de São Tiago Maior.

Anacleto González Flores, um dos dirigentes cristeros, convocou-os no início da guerra: “Sei muito bem que o que se inicia para nós agora é um Calvário. Devemos estar prontos para tomar e carregar nossas cruzes” [2]. Em 1929, 40 mil homens serviram como cristeros, vivendo e morrendo, confiando na cruz de Cristo [3]. Depois de anos de conflito, a paz aconteceu (a um preço muito alto) e a Igreja foi autorizada a existir (com direitos restritos, mas não mais fugitiva) e os fiéis foram novamente livres para ter acesso aos sacramentos.

Os “cristeros”.

O legado dos cruzados mexicanos. — O México lutou e sobreviveu ao ataque do socialismo (já se infiltrando nos governos e na Igreja), enquanto o resto do mundo estava se dobrando à pressão marxista. Depois da Guerra dos Cristeros, o Seminário de Guadalajara tornou-se um dos maiores e mais importantes do mundo para a Igreja.

O México é um dos países onde o protestantismo mais teve dificuldades para criar raízes, apesar das inúmeras tentativas feitas por diferentes denominações protestantes. Entre os imigrantes que estão nos Estados Unidos, os de origem mexicana são os mais propensos a manter a fé católica. Este é um dos tesouros escondidos que muitas vezes deixamos de ver, só para citar alguns [4]. Atualmente, o legado dos cristeros está sendo redescoberto, não apenas pelos mexicanos, mas por todo o mundo.

Eu me beneficiei pessoalmente da coragem demonstrada pelos católicos durante esse período. Foi na era pós-cristeros que nasceu meu avô materno. Isso teve um impacto direto em minha alma, já que meu avô materno foi a influência masculina mais importante em minha vida. Mesmo depois de sua morte, continuo aprendendo com as inúmeras lições e sabedoria que ele transmitiu por palavras e ações. Meus bisavós poderiam ter respondido ao assalto à fé com violência e raiva, ou desprezo pelos inimigos, ou mesmo desistindo da fé; afinal, os tempos não eram muito favoráveis para o catolicismo. Eles poderiam ter dito: “É inútil, tudo está perdido”, mas (como milhões de mexicanos) eles fizeram o oposto: abraçaram a cruz.

Meus bisavós enfrentaram essa adversidade vivendo a fé (criando os filhos, incutindo-lhes virtudes e sempre mantendo a esperança) e foi por causa dessa atitude piedosa que meu avô pôde conhecer e amar a Cristo. Ele, por sua vez, foi capaz de viver uma fé que não era apenas relíquia da antiguidade, mas uma fé viva.

Contra o marxismo hoje. — Em nossa época, começamos a perceber atitudes hostis em relação à Igreja e seus ensinamentos, assim como nos anos anteriores a 1917, no México. Existe algo que podemos fazer? Se sim, como devemos proceder? Obviamente, o primeiro passo é a oração e uma vida em estado de graça. Depois disso, devemos desenvolver uma atitude de piedade e fraternidade cristã. Os católicos, durante a Guerra dos Cristeros, compreenderam que, independentemente das diferenças, todos deviam cuidar uns dos outros com verdadeira caridade.

Ao contrário da crença popular, embora os cristeros fossem extremamente corajosos, eles geralmente evitavam (se possível) conflitos com as tropas do governo. Eles não procuravam sangue, mas paz. Eles rezavam por seus inimigos e mostravam misericórdia para com eles. Quando ganhavam uma batalha, sabiam que Cristo havia lutado por eles, porque eles mesmos não tinham, em absoluto, um arsenal à sua disposição, tampouco uma terra onde pudessem ser autossuficientes. Eles sabiam que o primeiro passo para ser católico era tratar uns aos outros como o que somos: irmãos católicos. A mesma lição permanece para nós.

Se vamos ter de carregar esta cruz, devemos olhar para trás, para os que fizeram isso com sucesso antes de nós, e aprender com eles. Se formos fiéis, poderemos ser a geração que estabelecerá as colunas do catolicismo neste país, de uma maneira permanente e com um impacto eterno [5]. 

Por ora, concentremo-nos no que tem um impacto imediato em nossa sociedade: viver em estado de graça. Vislumbremos os tempos potencialmente difíceis que temos pela frente como uma oportunidade para viver um catolicismo forte e consciente. Se chegar a hora de plantarmos a mesma semente que os cristeros plantaram, pelas mãos de Nossa Senhora, podemos responder com segurança ao chamado: Viva Cristo Rey y Nuestra Señora de Guadalupe!

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“Arrebatados” com Cristo?
Doutrina

“Arrebatados” com Cristo?

“Arrebatados” com Cristo?

Em 1Ts 4,17, São Paulo diz que aqueles que estiverem vivos quando da volta do Senhor não morrerão. Como se posiciona a Igreja com relação a essa teologia paulina? Experimentaremos a morte ou não quando da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo? Haverá arrebatamento?

Equipe Christo Nihil Praeponere23 de Novembro de 2021Tempo de leitura: 2 minutos
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Recebemos no suporte do site a seguinte pergunta: “Tenho uma dúvida com a qual talvez vocês possam me ajudar. Em 1Ts 4,17, São Paulo diz que aqueles que estiverem vivos quando da volta do Senhor não morrerão. Como se posiciona a Igreja com relação a essa teologia paulina? Experimentaremos a morte ou não quando da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo? Haverá arrebatamento?”

Resposta: Em 1Ts 4,17, lê-se conforme o texto da Vulgata: Nos qui vivimus, qui relinquimur (gr. οἱ ζῶντες, οἱ περιλειπόμενοι = os que permanecemos), simul rapiemur cum illis in nubibus obviam Domino in æra. O da Neovulgata é idêntico. A tradução do Pe. Matos Soares o verte assim: “Nós os que vivemos, os sobreviventes, seremos arrebatados juntamente com eles sobre as nuvens, ao encontro de Cristo, nos ares”.

1.ª opinião: Nessas palavras, entendidas em sentido óbvio, costumam basear-se alguns autores para sustentar uma opinião que, na teologia católica, se considera apenas provável, a saber: a de que os homens que estiverem vivos no tempo da parusia não irão morrer, o que parece ser confimado por outra epístola de São Paulo, que em 1Cor 15,51s escreve: “Eis que vos digo um mistério: não morreremos todos, mas todos seremos mudados num momento” (gr. πάντες οὐ κοιμηθησόμεθα, πάντες δὲ ἀλλαγησόμεθα, ἐν ἀτόμῳ) [1].

2.ª opinião: No entanto, os que defendem a universalidade absoluta da morte, claramente atestada na Escritura (cf. Rm 5,12; 1Cor 15, 22; Hb 9, 27; ver também Gn 3,19; Sl 88,49; Eclo 41,5) explicam assim a passagem de 1Ts: os que, na vinda de Cristo, estiverem vivos irão morrer de fato, mas não serão contados entre os que dormem (lt. dormientes, termo usual na Escritura para designar “os que se encontram nos sepulcros”, cf. Jo 5,28) [2]. Nesse sentido, dever-se-iam distinguir dois eventos, provavelmente simultâneos: de um lado, a ressurreição dos que já haviam dormido; de outro, a imutação (ou transformação) dos vivos, que sofrerão primeiro uma morte quase instantânea, como sugere o trecho de 1Cor 15,51 citado acima.

Embora a 2.ª opinião, para Santo Tomás de Aquino, seja a mais segura e comum (cf. Supp. 78, 1) [3], o católico pode seguir a que julgar mais razoável, uma vez que a Igreja nunca definiu nada sobre isso. Por esse motivo, autores como Suárez, ainda que sigam o parecer majoritário entre os latinos, dizem ser mais temerário e imprudente acusar de falsa ou herética a opinião contrária do que escolher, entre as duas, a que parecer mais bem fundada a cada um. A Igreja, afinal, não nos inclina a uma mais do que à outra [4].

Em resumo, o que se deve considerar de fé nesta matéria é o seguinte: (i) haverá a ressurreição dos mortos e (ii) ela será universal, tanto para bons como para maus. Além disso, dar-se-á com o mesmo corpo, de maneira que o mesmo homem irá ressuscitar, com identidade específica e numérica [5].

Não custa lembrar, de resto, que a Igreja considera inaceitável o milenarismo tanto crasso quanto mitigado. O milenarismo crasso afirma que, antes do juízo final e da ressurreição dos mortos, Cristo virá visivelmente para reinar na terra, o que contradiz o dito em Mt 22,33 (cf. Rm 14,17); o mitigado, que ensina o mesmo, mas sem afirmar ou negar nada sobre o tempo da ressurreição, foi censurado como perigoso por decreto do Santo Ofício de 21 jul. 1944 (AAS 36 [1944] 212): “O sistema do milenarismo mitigado não pode ser ensinado com segurança” (DH 3839 = D 2296). A Escritura deixa claro, com efeito, que Cristo não reinará na terra por um período mais ou menos longo de tempo nem antes do juízo, uma vez que este acontecerá logo após a segunda vinda, nem depois, porque subirá aos céus imediatamente (cf. Mt 16,27; 25,46).

Referências

  1. Atualmente, essa é a reconstrução crítica mais provável de 1Cor 15,51, fundada nos códices BEKLP e em muitos minúsculos, além das versões síria, copta, gótica, muitos códices etiópicos e latinos, sem contar o testemunho da maioria dos Padres gregos, de Tertuliano (cf. Adversus Marc. 1, V 12: ML 2,533; De resurrectione carnis, 41s: ML 2, 899ss) e de São Jerônimo (cf. Epistola 59 3, Ad Marcell.: ML 22, 578; In Isaiam LI, 6: ML 24, 503; contudo, na Epistola 119, 2ss, ad Minervium, prefere não tomar partido). 
  2. Os que sustentam tal opinião baseiam-se também na autoridade dos Padres latinos, que com voz quase unânime defenderam a mesma tese. Costuma-se alegar ainda o decreto tridentino sobre a autenticidade da Vulgata, que no sentir de muitos excluiria como contrária ao sentido do texto a leitura crítica de 1Cor 15,51 (cf. e.g. J. B. Franzelin, De divina Traditione et Scriptura III 19; Cornely, no entanto, o põe em dúvida em Introductio Generalis I, p. 477s).
  3. Cf. Suárez, In STh III 56, 50 §2; J. Corluy, Spicilegium dogmatico-biblicum, Gante, C. Poelman (ed.), vol. 1, 1884, p. 338: “A presente questão é uma daquelas que são objeto de livre disputa entre os teólogos”.
  4. Para uma exposição detalhada de 1Ts, ver Santo Tomás de Aquino, Super I Thess. IV 2.
  5. Cf. V. Zubizarreta, Theologia dogmatico-scholastica, Bilbao, Eléxpuru Hnos. (ed), 1939, 3. ed., vol. 4, pp. 510–513, nn. 833–837.

Notas

  • Este artigo é uma tradução adaptada de H. Simón, Prælectiones biblicæ. Novum Testamentum, Turim, Marietti, 1930, 3. ed., vol. 2, p. 116, n. 579; p. 225ss, n. 703s.

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Educando nossos filhos para o martírio
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Educando nossos filhos para o martírio

Educando nossos filhos para o martírio

Prestamos um desserviço quando preparamos nossos filhos somente com o conhecimento da fé, sem um entendimento do custo que ela tem no século XXI — uma era de capitulação e apostasia que nos pede que ofereçamos “apenas uma pitada de incenso” aos ídolos.

Rob MarcoTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere23 de Novembro de 2021Tempo de leitura: 8 minutos
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Há alguns anos, um amigo falou-me de um livro chamado Anything: The Prayer That Unlocked My God and My Soul (“Qualquer coisa: a oração que destravou meu Deus e minha alma”, sem edição no Brasil). Embora eu nunca o tenha lido, a tese era intrigante e até um pouco… desconcertante. Uma dona de casa cristã que morava em um subúrbio e levava uma vida confortável fez certa noite a seguinte oração com o marido antes de se deitar: “Deus, nós faremos qualquer coisa. Qualquer coisa”. E Deus acreditou no que disseram.

É uma oração perigosa, que me volta à mente de tempos em tempos. Sei que o Deus a quem servimos operou milagres em nossas vidas que não consigo explicar de outra forma, por isso sei que Ele é fiel à sua palavra e capaz de mais do que posso imaginar. Ele não nos pediu mais do que nossa fé e confiança, e ainda assim nos cobriu de centenas de bênçãos e consolações.

Oração de abandono

Contudo, por causa de meus apegos, posso dizer que essa oração de abandono — na qual se dá a Deus um “cheque em branco” para que Ele o preencha com a quantia que quiser — ainda não passou pelos meus lábios. E se Ele quiser de mim algo grande — digo, algo realmente grande —, algo realmente importante para mim, sem o qual não sei se poderia viver? E se eu disser que farei qualquer coisa, e Ele tomar minhas palavras literalmente? E se Ele me tirar tudo?

Sabemos que Nosso Senhor não recebe nada do que lhe damos gratuitamente sem nos retribuir com o cêntuplo. Depositamos uma semente de mostarda que equivale ao capital da fé e colhemos os dividendos.

Em verdade vos digo: ninguém há que tenha deixado casa ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras por causa de mim e por causa do Evangelho que não receba, já neste século, cem vezes mais casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, com perseguições — e no século vindouro a vida eterna (Mc 10, 29s).

São Paulo disse aos romanos que era um escravo de Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Rm 1, 1). Ele sabia que sua vida fora resgatada por um preço e que tinha uma dívida para com aquele que o salvou. Alguém poderia replicar: mas nós não somos “amigos de Cristo, e não escravos” (cf. Jo 15, 15)? Um escravo não tem direitos, ao passo que um amigo desfruta da reciprocidade.

Jesus revelou os segredos do Reino a seus amigos mais próximos, os Apóstolos. Mas note-se o que Nosso Senhor diz no mesmo versículo: “Um escravo não sabe o que faz seu senhor”. São Paulo continua:

Não sabeis que, quando vos ofereceis a alguém para lhe obedecer, sois escravos daquele a quem obedeceis, quer seja do pecado para a morte, quer da obediência para a justiça? Graças a Deus, porém, que, depois de terdes sido escravos do pecado, obedecestes de coração à regra da doutrina na qual tendes sido instruídos. E, libertados do pecado, vos tornastes servos da justiça (Rm 6, 16ss).

Para nos tornarmos amigos de Deus, precisamos fazer o que Ele manda (cf. Jo 15, 14). Abraão, pai na fé, deu-nos exemplo disso ao não saber, de fato, o que seu Mestre estava fazendo; mas, com fé, ele “creu em Deus, e isto lhe foi tido em conta de justiça, e foi chamado amigo de Deus” (Tg 2, 23).

Costumamos dar a Deus o que nós mesmos escolhemos dar. Mas Deus pede algo de Abraão como condição para que ele desfrute do privilégio de sua amizade, algo que Abraão dá prontamente, embora aflito: seu filho, seu filho único, Isaac, a quem ama. No teste de Abraão, Deus poupa Isaac quando vê a disposição de Abraão de pôr ao Senhor acima de qualquer coisa por ele amada. Quando Deus o chamou pelo nome (“Abraão!”), Abraão consentiu (“Eis-me aqui!”) que levasse tudo, inclusive o filho.

Preocupações paternas

Ora, para qualquer pai, essa é uma história desconcertante e uma ideia repulsiva. Poderíamos recuar e perguntar: “Que tipo de Deus pede tal coisa?” Contudo, recuamos porque, pela fé, sabemos a resposta: o Deus a quem servimos “não poupou seu próprio Filho, mas por todos nós o entregou; como não nos dará também com Ele todas as coisas?” (Rm 8, 32).

Para nos tornarmos amigos de Deus, precisamos fazer o que Ele manda. E qual mandamento vem antes de todos os outros? “Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fez sair do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de minha face” (Ex 20, 2s). Nada pode vir antes dele nem ser preferido a Ele, nem pais, nem esposos, nem filhos, nem trabalhos, nem casas, nem escolas, nem planos de aposentadoria, nem mesmo nossos próprios desejos devem ser colocados antes de Cristo. Quando buscamos imitar a Cristo, fazemos eco de suas palavras de obediência ao Pai: “Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e cumprir a sua obra” (Jo 4, 34).

Ao subirem Maria e José ao Templo para apresentar o menino Jesus ao Senhor, vemos uma força prefigurativa nas palavras de Simeão: “Eis que este menino está destinado a ser causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradição, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma” (Lc 2, 24s).

O papel de Nossa Senhora

Como pai, não consigo pensar em ninguém melhor do que a Virgem Maria a quem confiar meus filhos. Nossos filhos são, em essência, nosso “cheque em branco” para Deus, mais ainda quando expressamente os oferecemos ao Senhor. Nós fizemos isto mediante a consagração da família a Maria, segundo o método de São Maximiliano Kolbe:

Ó Imaculada, Rainha do céu e da terra, refúgio dos pecadores e nossa Mãe amantíssima, a quem Deus quis confiar a inteira distribuição da misericórdia, eu, N., indigno pecador, me prostro aos teus pés, suplicando-te humildemente que me aceites todo e completamente como coisa e propriedade tua e que faças aquilo que te agrada de mim e de todas as faculdades da minha alma e do meu corpo, de toda a minha vida, morte e eternidade.

Dispõe também, se queres, de todo o meu ser, sem nenhuma reserva, para realizar aquilo que foi dito de ti: “Ela te esmagará a cabeça”, como também: “Somente tu destruíste todas as heresias do mundo inteiro”.

Santa Felicidade: nosso modelo

Ensinamos nossos filhos a rezar, vamos à Missa juntos e os instruímos na fé católica. Mas será que isso é suficiente? A guerra cultural parece-nos sem precedentes, mas obviamente não é; ela somente parece ser porque ainda não dissemos a Deus que lhe daremos “qualquer coisa” que Ele pedir. 

Santa Felicidade fez justamente isso. Ela foi uma mártir do século II. Comparecendo diante do prefeito de Roma com seus piedosos filhos, foi exortada a fazer um sacrifício aos ídolos, mas a resposta que deu foi uma generosa confissão de fé: “Não me faças ameaças. O Espírito de Deus está comigo e superará qualquer ataque que fizeres”.

“Martírio de Santa Felicidade e de seus sete filhos”, por Francesco Coghetti.

“Mulher miserável!” — disse-lhe o prefeito. — “Como podes ser tão bárbara a ponto de expor teus filhos a tormentos e à morte? Tende piedade dessas jovens criaturas, que estão na flor da idade e podem aspirar às mais altas posições no Império!”

Felicidade respondeu: “Meus filhos viverão eternamente com Jesus Cristo se forem fiéis, mas não terão senão tormentos eternos se se puserem a sacrificar aos ídolos. Tua aparente piedade não é senão uma cruel impiedade”.

Prestamos um desserviço quando preparamos nossos filhos somente com o conhecimento da fé, sem um entendimento do custo da verdadeira fé no século XXI, uma era de capitulação e apostasia que nos pede que ofereçamos “apenas uma pitada de incenso” [1].

Nossos filhos não terão o luxo de um catolicismo cultural nem mesmo a opção de ser mornos. Defender o que é verdadeiro, professá-lo e vivê-lo são coisas que os tornam alvos. Não há nada de que eu queira proteger mais os meus filhos que desse tipo de perseguição. No entanto, é justamente isso o que o Senhor diz que devemos levar em conta quando calculamos os custos. É algo que devemos comunicar a nossos filhos, se desejamos que eles assumam como sua a fé. 

A oração de um pai

Quando peço a intercessão de Santa Felicidade e seus filhos mártires e medito sobre o Filho da Mãe dolorosa pendente na Cruz, dou-me conta de que me estou enganando quando penso que posso servir ao Senhor dos Exércitos, sem contudo me abster de nada. O martírio de testemunho não exige menos que isso. 

Será que Ele deseja levar para si alguém a quem amo, por doença ou acidente? Senhor, dou-te todos eles porque sei que os verei novamente no último dia, se me mantiver fiel a ti.

Será que Ele me pede que permaneça firme, ao invés de negá-lo diante dos homens, mesmo que isso signifique perder o trabalho ou sustento? Senhor, jamais permitas que eu te negue. Toma de mim o que tu mesmo me deste, se isso for um obstáculo, pois eu sei que tu alimentas teus filhos com o pão de cada dia.

Meus filhos irão antes de mim para me testar a fé, como ocorreu com Abraão? Senhor, toma-os dos braços da tua Mãe, à qual os consagramos, e segura-os tu mesmo. Deixa que eu leve as pancadas em minhas próprias costas. Mas, se eles tiverem de me ser tirados, dá-lhes a graça de perseverar até o fim e nunca te negar.

Ao perceber que nossa sensação de controle é uma grande ilusão e que, sem o auxílio de Nossa Senhora, não temos a mínima chance de enfrentar como cristãos o tempo futuro, confiamos a ela nossos filhos, aquilo que temos de mais importante. Pedimos a ela que os forme, encoraje, conforte e ensine a sofrer bem, para que possam, pela graça, perseverar até o fim. 

Mas nunca deixamos de depositar a esperança derradeira em Cristo. Pois nesse tempo perverso não temos nada, nenhum recurso além da confiança no cumprimento das palavras do Senhor quando lhe damos tudo: “Todo aquele que por minha causa deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras ou casa receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna” (Mt 19, 29).

Notas

  1. Oferecer incenso nos templos era um costume pagão entre os romanos. A muitos cristãos que se negavam a prestar culto ao imperador ou aos deuses pagãos foi-lhes dada a alternativa de oferecer uma pitada de incenso à estátua de César. Negando a própria fé, escapariam da tortura e da morte. A São Policarpo (séc. II) fizeram essa proposta. Como se negou a fazê-lo, foi martirizado.

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São José teve verdadeiros sentimentos paternais por Jesus
Santos & Mártires

São José teve verdadeiros
sentimentos paternais por Jesus

São José teve verdadeiros sentimentos paternais por Jesus

“A natureza não é mais veemente no amor do que a graça”. Deus ateou na alma de São José um amor ardentíssimo pelo Filho de sua Esposa, não inferior ao que lhe teria se fosse seu próprio filho por natureza, mas incomparavelmente maior em intensidade e pureza.

Pe. Bonifacio LlameraTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere19 de Novembro de 2021Tempo de leitura: 3 minutos
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São José, por seu coração, foi verdadeiramente pai de Cristo, já que, segundo o princípio de Santo Anselmo, “a natureza não é mais veemente no amor do que a graça” [1]; ao contrário, a graça, muito mais poderosa do que a natureza, ateou em sua alma um amor ardentíssimo pelo Filho de sua Esposa, não inferior ao que lhe teria se fosse seu próprio filho por natureza, mas incomparavelmente maior em intensidade e pureza.

A vontade de Deus, infinitamente mais eficaz do que a natureza, deu ao santo Patriarca um coração paternal, concedendo-lhe de um modo muito mais excelente todos os sentimentos paternais que um pai pode ter por seu filho e até “uma faísca do amor infinito” que o Pai tem pelo seu Filho unigênito, como disse Bossuet:

Talvez pergunteis — disse — de onde ele [São José] tomou esse coração paternal, se a natureza não lho deu? Acaso estas inclinações naturais podem ser adquiridas por livre escolha, e a arte pode imitar o que a natureza escreve nos corações? Se São José não é pai, como teria um amor paternal? Aqui devemos compreender que o poder divino atua em nossa obra. Devido a tão excelso poder, São José tem um coração de pai; e já que a natureza não lho ofereceu, Deus, por sua própria iniciativa, concede-lhe um. Deus, o verdadeiro Pai de Jesus Cristo, que o gerou desde toda eternidade, ao escolher o divino José para servir de pai terreno do seu Filho único, fê-lo de tal forma que colocou um raio, uma faísca do amor infinito que tem por seu Filho. Esta é a causa da transformação do coração de José, é o que lhe dá um amor de pai; e como é certo que o justo José sente em si mesmo um coração paternal formado de uma só vez pela ação de Deus, sente também que Deus lhe ordena empregar sua autoridade de pai [2].

Esse é o motivo primordial pelo qual o Papa Leão XIII apresenta o santo Patriarca, suplicando-lhe sua proteção universal: “Nós vos suplicamos, pelo amor paternal que tivestes ao Menino Jesus…”

É evidente que Deus pôs em São José um coração verdadeiramente paternal, de modo que sentisse por seu Filho o mesmo amor que experimentam em seu íntimo aqueles que são pais por natureza. Ele não é “pai” só por natureza, mas algo muito mais perfeito, como podemos deduzir do princípio anteriormente exposto. Não só devemos chamar-lhe pai, senão que diremos com São Bernardino, uma vez mais, “crer que existiam nele todos os sentimentos paternais de amor e dor para com o seu amado Jesus”.

São José teve um amor ardentíssimo por Jesus: “Não amou menos a Jesus, seu filho adotivo, do que o tivera amado se fosse seu filho natural; amou-o mais porque a graça é mais veemente do que a natureza. Quantas vezes colocou o Menino sobre suas pernas, levou-o em seus braços; quantas vezes o beijou e apertou afetuosamente contra seu peito” [3].

Bem escreve Faber: “Amava Jesus com um amor filial tão grande que, repartido entre todos os pais do mundo, a todos faria felizes num grau que eles mesmos não poderiam crer. Este amor excede em grandeza e santidade tudo o que já existiu de amor paterno; sua paternidade era tão grandiosa, magnânima e distinta que todas as outras deste mundo poderiam dela participar sem esgotá-la” [4].

Sua solicitude paterna é proporcional ao amor. Quem poderá descrever a solicitude de José para com Jesus e Maria? Basta-nos recordar seus cuidados e sacrifícios, vendo-o caminhar a Belém, fugir para o Egito e viver silencioso e diligente em Nazaré. Sobre as tantas virtudes que o santo praticou em sua vida oculta foram escritas muitas páginas vívidas e belas.

Certamente, este sentimento paternal responde a um gênero de paternidade especialíssima e admirável, firmemente fundamentada no vínculo sagrado do contrato matrimonial com Maria, a Mãe de Jesus, e animada pela graça divina, que fez brotar no coração dele os maiores afetos de ternura paternal e a mais generosa entrega em corpo e alma durante toda a vida ao serviço de Jesus Cristo, o Filho de Maria, sua Esposa, e Redentor de todo o gênero humano.

Referências

  1. S. Anselmo, De offic. I, 1, 7 (PL 36, 14).
  2. Bossuet, S. Joseph, son ministère, sa vie intérieure, Premier panégyrique de S. Joseph. Oeuvres: Liège, vol. 1, 1866, p. 564.
  3. J. Miecowiense, Discursus praedicabiles super litanias lauretanas B. V. M., discurso 118. Nápoles, 1856, p. 210.
  4. Faber, Bethlehem. Marietti: Torino, vol. 1, 1869, p. 247.

Notas

  • Original: Pe. Bonifacio Llamera, “San José tuvo verdaderos sentimientos paternales hacia Jesucristo”. In: Teología de San José. Madrid: BAC, 1953, pp. 113-114.

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