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Bento XVI curou-me de um tumor, diz jovem
Bento XVI

Bento XVI curou-me
de um tumor, diz jovem

Bento XVI curou-me de um tumor, diz jovem

O jovem Peter Srsich está convencido de que foi curado de um câncer graças à oração do Papa Bento XVI.

Equipe Christo Nihil Praeponere9 de Setembro de 2013Tempo de leitura: 2 minutos
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Um jovem norte-americano de 19 anos assegura que foi curado de um tumor no tórax graças à oração de Sua Santidade, o Papa emérito Bento XVI. Peter Srsich é universitário do estado do Colorado e visitou o Santo Padre durante uma audiência geral, no ano passado. Depois de contar ao Papa sua história, ele recebeu a imposição das mãos justamente em seu peito, onde se encontrava o seu linfoma.

Peter tinha 17 anos quando lhe diagnosticaram, após um exame de radiografia, um tumor no tórax. "Fizemos nele um exame de raios-x e este revelou um tumor das dimensões de uma bola de softball no tórax", afirmou a mãe do jovem, Laura Srsich. "O diagnóstico foi que ele estava no quarto estágio do linfoma de Hodgkin."

A família Srsich recorreu ao tratamento do câncer em um hospital infantil do Colorado e, ao mesmo tempo, recebeu o apoio da fundação Make-a-Wish (que significa, literalmente, "faça um desejo"), que trabalha em cerca de 50 países do mundo ajudando crianças e adolescentes em dificuldades. "A primeira coisa que Peter disse foi: eu gostaria de me encontrar com o Papa em Roma", declarou sua mãe.

O seu desejo foi atendido em maio de 2012, quando Peter e sua mãe foram recebidos pelo Papa Bento XVI na Praça de São Pedro, no Vaticano, durante uma audiência geral. "Quando me levantei para falar com ele, surpreendeu-me sua humanidade", conta Peter. "Foi uma experiência de humildade para mim ver como ele era humilde."

Ali, o Pontífice ouviu Peter, que lhe contou as circunstâncias de sua viagem e o drama pelo qual passava. Depois, o rapaz ofereceu ao Papa uma pulseira verde, na qual estava escrito: "Rezando por Peter". Em troca, o sucessor de São Pedro ofereceu-lhe uma bênção.

Para a família de Peter, não foi uma bênção qualquer. "Ele pôs sua mão justamente no tórax, onde estava o tumor. Não podia saber onde ele se encontrava, mas colocou sua mão justamente aí", conta Peter. Um ano depois, o jovem se encontra em perfeitas condições de saúde. No segundo ano da faculdade, ele espera poder tornar-se sacerdote.

Para Peter, a renúncia do Santo Padre só reforçou ainda mais a sua visão do encontro. Ele crê que Bento XVI colocou Deus e a Igreja acima de si mesmo e de suas exigências pessoais, um gesto de enorme humildade. "Sempre me lembrarei dele como um dos homens mais humildes do mundo e, em particular, pelo ato que acaba de cumprir", disse Peter.

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Uma ofensa ao bom senso
Sociedade

Uma ofensa ao bom senso

Uma ofensa ao bom senso

Ao colocar um homem “trans” para representar a paternidade, a empresa Natura sabia bem o que estava fazendo. Mas não é em campanhas de “cancelamento” na internet, e sim no exemplo dos santos, que vamos encontrar a melhor defesa dos valores cristãos.

Equipe Christo Nihil Praeponere7 de Agosto de 2020Tempo de leitura: 7 minutos
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Uma marca de cosméticos decide fazer uma campanha publicitária para o “dia dos pais”. Mas a campanha deveria ser original, provocativa, instigadora, de modo que não passasse despercebida. A propaganda, afinal de contas, sempre foi “a alma dos negócios”. Nada melhor, portanto, que conseguir uma grande repercussão na mídia, ainda que às custas de uma polêmica. E o que gera polêmica nos dias de hoje? Sim, questões de “gênero”.

Ao colocar um homem “trans” para representar a paternidade, a empresa Natura sabia muito bem o que estava fazendo. De um lado e do outro, os ânimos logo se acirraram, o pastor Silas Malafaia pediu boicote, a imprensa fez matérias e matérias a respeito, e os brasileiros, como de costume, produziram memes. Muitos memes. Enquanto isso, as ações da Natura na Bolsa subiram lindamente, registrando índices que a marca não obtinha há um bom tempo. Que os empresários do ramo atribuam esse resultado a outros fatores, é mero casuísmo. O fato é que a questão virou o assunto do momento, para bem ou para mal.

Em resposta à celeuma criada pela propaganda, o Pe. Júlio Lancelotti disparou: “O que ofende a tal moral cristã? O pai trans que cuida de seu filho? Ou o abandono, a fome, o desrespeito, o veto ao auxílio emergencial às mães que criam seus filhos sozinhas?” Para o sacerdote, devemos começar a “pensar com a cabeça” e “deixar de ser gado”.

Pensar com a cabeça. Quem conhece minimamente o Catecismo deve saber que a Igreja Católica não professa uma religião fideísta. Sem os exageros do racionalismo, os católicos defendemos bravamente o uso natural da razão para a investigação científica, investigação da verdade que as coisas carregam em si mesmas. Por isso, entre a fé e a ciência não pode haver desacordo, afirma o Concílio Vaticano I, “porquanto o mesmo Deus que revela os mistérios e infunde a fé, dotou o espírito humano da luz da razão” (Dei Filius, IV). Isso significa que os juízos do Magistério acerca de questões morais e bioéticas não são simplesmente repetições fundamentalistas de textos bíblicos, mas expressões autênticas do reto uso da inteligência, que se debruça sobre as coisas e extrai delas, por meio da meditação, sua mais profunda essência.

“Fé e Razão unidas”, de Ludwig Seitz.

Com efeito, a posição católica sobre sexualidade humana é, naturalmente, fruto desse estudo racional — sim, também iluminado pela fé, mas ainda racional —, que reflete a genuína natureza do homem e da mulher. Pela razão mesma, podemos encontrar a substância e os acidentes próprios de cada ser, pelo que temos uma identidade, que não pode ser manipulada a partir de um desejo inusitado. E ainda que o pensamento moderno ignore esses princípios, a fim de adaptar a realidade ao gosto pessoal de cada um, ninguém jamais poderá escapar disto: veritas est adæquatio intellectus et rei. A verdade não é criada pela razão humana, mas reconhecida e acolhida por esta. Apenas uma mente muito perturbada pode “fugir” dessa regra.

O problema com a peça publicitária em questão é, consequentemente, intelectual. Antes de ofender “a tal moral cristã”, por assim dizer, ela ofende o bom senso, a inteligência das pessoas, a razão natural e a natureza das coisas. Não existe cirurgia plástica ou propaganda capaz de mudar a natureza de um ser. A própria comunidade LGBT reconhece isso, ainda que sem perceber, quando se opõe a uma mulher “cis” interpretando um homem “trans” [1]. De fato, não é a mesma coisa. A sexualidade humana não é intercambiável como é a de alguns peixes. A perplexidade de grande parte do público, nesse sentido, é simplesmente a reação espontânea de quem percebe estar trocando gato por lebre. E perceber isso não é coisa de “gado”; é coisa de gente.

É um grande contrassenso, aliás, contrapor a ideia “do pai trans que cuida do filho” ao problema do “abandono” e da “fome” de algumas crianças, como se uma coisa justificasse a outra. Ora, muitos filhos de parceiros homossexuais são gerados por inseminação artificial ou fecundação in vitro, a partir de sêmen ou óvulo doados por anônimos. Nesses procedimentos, os médicos precisam desenvolver vários embriões para que ao menos um deles consiga “vingar”. É assim que muitos seres humanos acabam congelados em clínicas de fertilização, esperando pelo seu próximo comprador ou pelo descarte. Ações como essas, obviamente, não resolvem o problema de crianças abandonadas, por mais “bonito” e “engraçadinho” que seja um comercial. Ao contrário, elas só criam novos (e piores) dilemas.

De resto, a campanha da Natura é mais um capítulo, intencional ou não, de um projeto muito maior para a fabricação de um “novo normal”. É sobre isso que as pessoas precisam meditar antes de se lançarem em campanhas de “cancelamento” na internet. Ir à página de alguém, que é apenas mais uma personagem nessa história, para dizer palavras de ordem e xingamentos, não faz sentido, não é inteligente, nem caridoso. Comportamentos assim apenas reforçam a narrativa de que cristãos e conservadores são “homofóbicos”, “transfóbicos” etc. Isso significa, em velho jargão, dar “munição ao inimigo”.

A reação adequada à agenda do “novo normal” precisa inspirar-se no proceder de homens santos, que foram “prudentes como as serpentes e simples como as pombas”. Nesse sentido, o testemunho de S. Carlos Lwanga, mártir de Uganda, é bastante eloquente para o nosso contexto, porque ele teve de resistir precisamente à imposição de uma “moral” sexual avessa à pureza e à castidade cristã. Para isso, ele não precisou recorrer a armas mundanas, ao ataque pessoal e ofensivo. S. Carlos Lwanga e seus companheiros apenas cumpriram aquilo que foi pedido por S. Paulo aos Filipenses: fizeram todas as coisas sem murmurações nem críticas, a fim de serem “irrepreensíveis e inocentes, filhos de Deus íntegros no meio de uma sociedade depravada e maliciosa”, onde brilharam como luzeiros no mundo (2, 14–15).

Carlos estava entre os serviçais do rei de Uganda, quando conheceu a fé católica e decidiu receber os sacramentos. Por ser muito estimado por todo o séquito real, o superior da Sociedade dos Missionários da África designou-o para educar e proteger os pajens reais (jovens serviçais do rei). Carlos Lwanga tratou logo de os instruir na fé e na moral cristã, sobretudo para resguardá-los do assédio sexual dos membros da corte. Isso provocou a ira do rei: Mwanga viu-se diretamente lesado em seus direitos, uma vez que era comum os monarcas manterem relações com seus serviçais. E o cristianismo havia posto um fim a essa prática. 

A resposta foi fulminante. Mwanga fez um ultimato: ou seus pajens renegavam a fé, ou seriam mortos. Carlos Lwanga, percebendo o risco que sofriam, batizou os que ainda não haviam recebido os sacramentos e preparou-os para o martírio. Todos foram mortos. Lwanga, por sua vez, foi queimado vivo, na presença de seus 22 companheiros, em 3 de junho de 1886.

Notem os detalhes. Carlos Lwanga não levantou insurreições contra o rei, mas dedicou-se a formar a consciência dos jovens numa moral firme e agraciada pelos sacramentos. Ele não ousou “matar pela fé”: ele morreu por ela, o que faz toda a diferença. Não se pode acusá-lo de “fanatismo”, “histeria”, “intolerância” ou qualquer outro rótulo pejorativo, como adoram fazer as mentes liberais que ditam as regras nestes tempos. Um fanático, bem sabemos, age contra a humanidade. Ele decide, por meio de coação, quem deve viver ou morrer. O mártir, ao contrário, dá testemunho da verdade com o próprio sangue. O mártir é um herói da humanidade.

A ideologia de gênero é o rei Mwanga da nossa época. Não sendo capaz de provar a validade de suas teorias, necessita impor-se por meio de artifícios retóricos, como a propaganda, ou por delinquência intelectual com a inserção forçosa do tema nos currículos escolares: “Os homens, sabendo que suas obras são más, odiaram a luz e elaboraram teorias falsas para justificar seus pecados” [2]. Há mais: usam a força em nome da mentira. Assim, vemos pais presos por educarem seus filhos na correta sexualidade humanabispos amordaçados em seus direitos de expressão e cidadaniamanobras políticas odiosas para ludibriar a população acerca do assunto etc.

Qual deve ser, nesse contexto, a reação do discípulo de Cristo? A mesma dos santos: defender com firmeza a verdade, sem perder de vista o amor ao próximo, ainda que isso nos custe a execração pública ou mesmo a morte. Somos defensores da fé e da razão. Não precisamos — nem admitimos! — de homens bombas ou de mentiras para dar testemunho de nossas convicções. Aliás, bem dizia o Cardeal Ratzinger há alguns anos, “nenhuma ideologia pode cancelar do espírito humano a certeza de que só existe matrimônio entre duas pessoas de sexo diferente, que através da recíproca doação pessoal, que lhes é própria e exclusiva, tendem à comunhão das suas pessoas” [3].

Peçamos, pois, a intercessão de S. Carlos Lwanga e seus companheiros nesta grande luta. Até o martírio, se preciso for!

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Uma reflexão sobre São João Maria Vianney
Santos & Mártires

Uma reflexão sobre
São João Maria Vianney

Uma reflexão sobre São João Maria Vianney

Embora os santos sejam a resposta para as crises do mundo, eles não ambicionam sê-lo — e provavelmente sequer se tornariam santos se o fizessem. O que eles querem é amar a Deus apaixonadamente, apesar das crises.

Michael PakalukTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere4 de Agosto de 2020Tempo de leitura: 5 minutos
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No dia 4 de agosto de 1859 morria, em sua vila na França, João Batista Vianney, aos 73 anos de idade. A isso se seguiria uma das mais rápidas beatificações e canonizações da modernidade (antes das reformas desses processos, realizadas pelo Papa João Paulo II): Pio X beatificou o Cura d’Ars em 1905, e Pio XI o canonizou em 3 de maio de 1925. 

Há uma famosa citação de São Josemaria Escrivá, de que as crises no mundo são crises de santos (cf. Caminho, 301). Podemos concordar entusiasticamente com a afirmação sem entender precisamente o que ela significa. Seu sentido parece variar tanto quanto podem variar o indivíduo, a crise e a própria santidade. Pensemos em exemplos pertinentes: São Juan Diego, São Thomas More, São John Henry Newman, Santa Teresa de Calcutá e São João Paulo II. Hoje, porém, vamos refletir sobre São João Maria Vianney.

Olhando para trás, Vianney parece ser um dos muitos grandes sacerdotes e religiosos educados logo após a Revolução Francesa e o Período do Terror. Ele testemunhou a execução de sacerdotes e o fechamento de igrejas sob ordens das autoridades civis. Para ele, no entanto, a necessidade de sacerdotes tornou-se mais palpável, não menos. E ele não estava só: entre os que foram ordenados ao diaconato com ele em Lyon estavam Marcelino Champagnat (canonizado por João Paulo II em 1999) e Jean-Claude Colin — fundador dos Maristas.

Embora os santos sejam a resposta para as crises, eles não ambicionam ser “respostas para crises” — e provavelmente sequer se tornariam santos se o fizessem. O que eles desejam é amar a Deus apaixonadamente, apesar das crises. O biógrafo de São João Vianney, Joseph Vianney, interpreta sob esse prisma os famosos esforços dele com o latim e a filosofia.

De uma perspectiva humana, diz Joseph, alguém poderia ter pensado que a crise na França teria sido enfrentada com mais eficácia por uma apologética brilhante na Sorbonne, ou por uma oratória atraente na catedral de Notre-Dame. Mas a Igreja precisava ainda mais de pastores do campo “para demonstrar com a santidade de suas vidas a verdade do Evangelho, no qual as pessoas já não acreditavam mais. A criança de Dardilly fora escolhida dentre todas as outras para ser o modelo daqueles sacerdotes santos, que são indispensáveis para a execução do plano divino”.

Posteriormente, um clérigo levou ao confessionário em Ars um complexo caso de consciência para pedir aconselhamento ao Cura. Ele viu, então, um problema, que havia deixado perplexos os maiores especialistas em teologia moral, ser resolvido de pronto pelo simples pastor, com elegância e persuasão. Questionado por seu irmão no sacerdócio sobre onde havia adquirido um conhecimento teológico tão perspicaz, o santo respondeu apontando para seu genuflexório.

O Cura estava profundamente convencido de suas indignidades, não recebia consolações por causa de sua virtude e orava com fervor para jamais ser alvo de atenção. Por exemplo, através de suas orações, milhares de peregrinos que se dirigiam a Ars eram curados de doenças físicas. Mas, aparentemente, em resposta às orações dele, as pessoas raramente eram curadas no local. Em vez disso, ele lhes dizia para retornarem a casa e fazerem a novena de Santa Filomena — e, no nono dia, elas ficavam curadas, sem alarde e estando bem longe de Ars.

É bastante conhecido o fato de que ele passava de 16 a 17 horas por dia no confessionário. Esse número já é, por si mesmo, impressionante o suficiente. Mas é preciso lembrar, também, de que não havia sistema de aquecimento em sua igreja. Ele costumava gracejar que, no fim do dia, durante o inverno, ele primeiro via os seus pés para só depois os sentir. Dizia ele que costumava apalpar os pés para ter certeza de que ainda estavam lá.

No calor intenso do verão, os peregrinos que esperavam na fila podiam sair da igreja por um momento a fim de tomar um pouco de ar fresco e não desmaiar. Ele, porém, ficava o tempo inteiro atrás de uma cortina, numa caixa, sentindo o hálito dos penitentes e muitas vezes o seu odor, já que a maioria deles era pobre.

E então ele se punha a escutar pecados por 16 ou 17 horas. Era essa a grande causa de seu sofrimento. “Sou tomado pela melancolia nesta terra miserável”, disse ele certa vez a um companheiro no sacerdócio, “minha alma se entristece até à morte. Meus ouvidos não escutam senão coisas dolorosas que me tomam o coração de tristeza”. Seu biógrafo compara a situação a São Pedro sendo obrigado a testemunhar a Paixão 17 horas por dia.

Ele dormia em tábuas por apenas algumas horas na noite e tinha de suportar uma dor crônica. Somente a graça e o amor podem explicar a energia que ele tinha ao longo do dia. Não era possível que uma pessoa sobrevivesse por meios naturais ingerindo uma quantidade tão pequena de comida. Numa etapa posterior de sua vida, por obediência ele passou a comer um pouco de pão e tomar um pouco de leite após a Missa. Seu biógrafo narra este incidente emblemático: “Irmão Jerônimo, que muitas vezes estava presente nessa ligeira refeição, logo percebeu que ele sempre comia primeiro o pão e depois tomava o leite. ‘Mas, senhor cura’, observou um dia quando notou a dificuldade com que o pão era engolido, ‘seria muito melhor se molhasse o pão no leite’. ‘Sim, eu sei’, foi a sua resposta gentil.” 

E era muito mais difícil para um pároco do que para um religioso, ele dizia: “Um sacerdote precisa de reflexão, oração e união íntima com Deus. O cura, no entanto, vive no mundo; ele conversa, envolve-se com política, lê os jornais, fica com a cabeça cheia deles; depois, lê o breviário e celebra a Missa, e infelizmente faz isso como se fosse uma coisa comum!”

De fato… infelizmente! As palavras dele se aplicam a leigos e a sacerdotes seculares. E “estas crises mundiais são crises de santos”.

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Orações para discernir a própria vocação
Oração

Orações para discernir a própria vocação

Orações para discernir a própria vocação

Aos que ainda estão escolhendo o próprio estado de vida, oferecemos abaixo algumas orações a fim de pedir a Deus luzes para conhecer o caminho que Ele nos tem preparado, força para começar a jornada e constância para percorrê-lo até o fim.

Wilhelm NakatenusTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere4 de Agosto de 2020Tempo de leitura: 4 minutos
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“Na empresa da própria santificação”, escreve o Pe. Antonio Royo Marín, “cada um há de pôr a suprema esperança de sua vida, o máximo interesse, empregando todas as forças recebidas de Deus segundo a medida do dom de Cristo. Só a este preço alcançará o cristão sua plena perfeição sobrenatural, que se traduzirá depois em um peso incomensurável de glória para toda a eternidade” (2Cor 4, 17) [1].

Mas esse belo empreendimento, o único que realmente vale a pena, não se leva a cabo de forma genérica, impalpável, no limbo dos “bons desejos”, mas nas circunstâncias concretas em que o Senhor põe a cada um de nós. Por isso, poucas coisas são tão necessárias ao fiel do que escolher o gênero de vida em que há de realizar, com matizes próprios, a única santidade cristã, a mesma que cultivam, substancialmente, os sacerdotes, no estado eclesiástico; os religiosos, na vida consagrada; os esposos e pais, nas ocupações da família; e os leigos celibatários, como fermentos de pureza na massa da sociedade.

Ora, como nenhuma decisão séria que tenha ressonâncias de eternidade deve ser feita com leviandade e sem reflexão, a escolha do próprio estado de vida, convém prepará-la com muita oração, imitando nisso o exemplo de Cristo, que dirigia ao Pai frequentes orações antes dos principais momentos de sua missão na terra. Com a intenção de ajudar os leitores que ainda estão discernindo a própria vocação, oferecemos abaixo algumas orações para pedir a Deus luzes para conhecer o caminho que Ele nos tem preparado, força para começar a jornada e a constância para percorrê-lo até o fim.


Orações para discernir e escolher o estado de vida
(Coeleste palmetum, XXXII, pp. 365–366)

1. Oração a Deus Pai para pedir a divina sabedoria e o Espírito Santo (cf. Sb 9). — Deus eterno e todo-poderoso, que todas as coisas criastes pela Vossa palavra e que, por Vossa sabedoria, formastes o homem: fazei-a descer do Vosso santo céu e enviai-a do trono de Vossa glória, para que, junto de mim, tome parte em meus trabalhos, e para que eu saiba o que Vos agrada. Que homem pode conhecer os desígnios de Deus, e penetrar nas determinações do Senhor? Tímidos são os pensamentos dos mortais, e incertas as nossas concepções; porque o corpo corruptível torna pesada a alma, e a morada terrestre oprime o espírito carregado de cuidados. E quem conhece Vossas intenções, se Vós não lhe dais a sabedoria, e se do mais alto dos céus não lhe enviais o Vosso Espírito Santo? Assim se tornaram direitas as veredas dos que estão na terra.

Hino Vinde, Espírito Santo. — Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos Vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra. — Oremos: Ó Deus, que instruíste os corações dos Vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, concedei-nos amar, no mesmo Espírito, o que é reto e gozar sempre a sua consolação. Por Cristo, Senhor Nosso. Amém.

2. Oração a Jesus, para oferecer-se com indiferença a todos os estados. — Eis-me aqui, ó meu Jesus, de pé diante de Vós, indiferente a todos os estados; seguirei sem demora aquele a que Vós me chamardes. Quereis que deixe minha terra, família e casa paterna? Meu coração está firme! Nem a pátria nem os parentes, nem riquezas nem cobiças me hão de reter. Quereis que, tendo a tudo abdicado, Vos sirva na pobreza, na castidade e na obediência religiosa? Meu coração está firme! Quereis que viva em estado eclesiástico? Meu coração está firme! Só Vos peço não me permitais ali chegar por vias ilícitas nem ali viver indignamente. Chamai-me antes deste mundo a Vós por uma morte súbita! Quereis que viva célibe no mundo ou contraia santo matrimônio? Dai-me conhecer Vosso beneplácito: meu coração está firme! Às alegrias e tristezas, às doçuras e asperezas me ofereço. Estou pronto a ir convosco tanto para a prisão como para a morte (cf. Lc 22, 33).

3. Oração à Bem-aventurada Virgem. — A vós, ó Estrela do Mar, entre as vagas instáveis desta vida, elevo meu olhar! Dirigi, ó Mãe da Eterna Luz, o meu coração ao Polo, vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, e guiai-me àquele estado de vida em que eu dignamente sirva a este mesmo Filho vosso e chegue, enfim, ao tão ansiado porto da pátria celeste. Amém.

4. Oração ao Anjo da guarda. — Ó meu Anjo, a cuja tutela fui confiado por Deus; ó guia e companheiro de minha peregrinação, assisti-me neste tão grave negócio de minha salvação! Mostrai-me que caminho devo escolher para alcançar o fim para o qual fui criado, isto é, a eterna bem-aventurança, a fim de merecer contemplar e louvar convosco o meu Deus para sempre. Amém.

5. Oração para perseverar no bom propósito. — Ó benigníssimo Deus, mostrastes-me o caminho que hei de trilhar; manifestastes-me Vossos juízos e leis, dando-me saber que desejais ser servido neste estado… Concedei-me, pois, a Vossa graça, para perseverar constante neste meu propósito e alcançar a eterna salvação. Amém.

Referências

  1. Espiritualidad de los seglares. Madrid: BAC, 1967, p. 28.

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Cristãos “esquisitos”?
Sociedade

Cristãos “esquisitos”?

Cristãos “esquisitos”?

Incenso, véus, canto gregoriano e sacramentais estão de volta… E a iniciativa é justamente dos jovens! Mas de onde vem o interesse das novas gerações pela religião? E por que elas se sentem tão atraídas pelas formas tradicionais de culto?

John Horvat IITradução: Equipe Christo Nihil Praeponere4 de Agosto de 2020Tempo de leitura: 4 minutos
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Muitos autores de esquerda têm dificuldade em explicar a atração dos jovens pela religião, particularmente em suas formas mais tradicionais. Em tese, essa atração não deveria existir. Ela dá curto-circuito na lógica das narrativas prediletas da esquerda. Jovens deveriam sentir-se atraídos por narrativas revolucionárias que pregam o progresso e a igualdade. A história, dizem os esquerdistas, é uma sucessão de disputas de poder que dividem as pessoas entre exploradores e explorados. Jovens religiosos não se encaixam na narrativa porque buscam um Deus que é amor e perdão.

Quando esse autores não conseguem identificar a luta de classes nessa atração religiosa, resolvem elaborar uma ladainha de acusações, tachando os jovens crentes de “racistas”, “misóginos”, “homofóbicos” e até “elitistas”.

Recentemente, a jornalista Tara Isabella Burton causou alvoroço com um ensaio publicado em The New York Times, intitulado Christianity Gets Weird [“O cristianismo torna-se esquisito”]. Ela se identifica como uma jovem cristã tradicional, atraída pelas formas externas mais antigas. Ama incenso, véus, canto gregoriano e sacramentais. No entanto, como moça pós-moderna alheia às principais narrativas ocidentais, ela acha difícil explicar sua atração pelo esplendor medieval e pela “pompa histórica” do culto em latim.

Os liberais que acompanham a tendência sentem uma perplexidade semelhante. Eles tentam minimizar essa atração rotulando-a como uma “moda” da juventude. Dizem que a culpa disso é o apego superficial e fetichista a uma “estética sobrenatural”, que os deixa exasperados, e rotulam de “esquisito” aquilo que não conseguem entender. Isabella e muitos outros que se unem a ela online adotaram o rótulo com certa ironia.

Portanto, cristãos “esquisitos” estão aparecendo na cena cultural, muitas vezes em espaços na internet onde podem se reunir e compartilhar suas opiniões.

A jornalista afirma que “cada vez mais jovens cristãos, desiludidos com binarismos políticos, incertezas econômicas e com o vazio espiritual que define a América moderna, encontram alívio numa visão da fé claramente antimoderna”. 

Os membros das gerações Y e Z percebem o vazio do deserto cultural pós-moderno. Também rejeitam o vazio das principais igrejas protestantes, que atenuaram as verdades sobrenaturais e exaltaram trivialidades. Esses peregrinos online detestam os aspectos estéreis, feios e cruéis da vida moderna.

Eles anseiam por algo verdadeiro e profundo. Sua propensão a “voltar” à Idade Média e à fé tradicional é o pior pesadelo de um esquerdista. Este fica perturbado não apenas por causa da atração que esses jovens sentem por um cristianismo vigoroso, mas também por sua rejeição dos fundamentos antimetafísicos da ordem de esquerda, que foram intensificados pela desagregação política e econômica dessa ordem, provocada pelo coronavírus.

O problema dessa corrente contracultural é a sua dificuldade em se definir e se expressar. Seus seguidores jamais conheceram o mundo tradicional, e agora o admiram. São vítimas de uma cultura pós-moderna caótica, destituída de estrutura e estabilidade. Isabella afirma que uma rebeldia “punk” caracteriza o movimento, que parece ser contrário a tudo o que faz parte do establishment, inclusive a economia moderna.  

Esses jovens são movidos pela “ânsia de algo que está além do que a cultura americana contemporânea lhes pode oferecer, algo transcendente, politicamente significativo e pessoalmente desafiador”.

Eles não sabem exatamente o que estão a buscar, mas detectam algo que os fascina e se apegam a isso com paixão. Críticos superficiais rejeitam esse apego, pois acham que a adesão a aspectos externos pode levar a vários perigos.

Mas esses críticos estão errados.

Existe um nome para o que esses jovens cristãos buscam e encontram nas formas tradicionais de culto, como nas Missas em latim, no incenso e nas Vésperas solenes. Eles encontram uma beleza autêntica que toca e eleva sua alma, fazendo-os distanciar-se da feiura da modernidade. O pensamento filosófico ocidental chama essa beleza de sublime.

É com acerto que Edmund Burke considera o sublime a “emoção mais forte que a mente é capaz de sentir”. Ele consiste em coisas transcendentes que provocam fascínio por causa de sua magnificência. É algo que nos convida a superar o egoísmo e a autossatisfação e a olhar para coisas mais elevadas — o bem comum, a santidade e, em última análise, Deus —, coisas que dão sentido e propósito à vida.  

Quer se manifeste em obras de arte, em grandes feitos ou na liturgia religiosa, o sublime fomenta sentimentos de lealdade, dedicação e devoção que podem preencher o vazio do deserto pós-moderno. 

A Igreja se cerca de coisas sublimes, coisas que sem dúvida atraem e convertem as pessoas para o culto e o serviço a Deus (coisas que, infelizmente, foram abandonadas pelos progressistas). Elas são manifestações externas que revelam algo da própria grandiosidade de Deus. A natureza humana se sente naturalmente atraída por elas e por princípios e doutrinas que fascinam o intelecto, em razão de sua lógica e sabedoria.

Os jovens cristãos estão certos ao presumir que as coisas que provocam fascínio são parte de um modo de vida distinto daquele que encontram hoje no mundo. Também estão corretos em sua percepção do colapso irreversível da ordem esquerdista, que nada lhes oferece de sublime. Não há nada de “esquisito” em sua descoberta de uma ordem social cristã que trilha o caminho oposto das alternativas individualistas e estéreis, que são, elas sim, a verdadeira esquisitice na história humana.

Os esquerdistas pós-modernos não se sentem ameaçados quando o cristianismo tradicional aceita ser apenas mais um de tantos elementos no bufê cultural. Porém, quando as pessoas rejeitam a infraestrutura filosófica que sustenta o esquerdismo, eles perdem toda a tranquilidade. 

O problema, para esse sedentos jovens cristãos, não está no objeto de seu fascínio, mas em como dar os próximos passos que levariam, normalmente, a um aprofundamento de sua fé. É preciso ir além da “esquisitice” e abraçar com sinceridade o sublime, em toda a sua plenitude e autenticidade.

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