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Ex-pastor conta como se converteu à Igreja Católica

Ulf Ekman estava acostumado a conduzir um ministério pessoal, dentro da igreja que ele mesmo tinha fundado. Agora, é a Igreja Católica que o conduz.

Por Ulf Ekman — Quando eu anunciei, à congregação da mega-igreja evangélica à qual servia como pastor, desde que a fundei 30 anos atrás, que eu e minha esposa tínhamos decidido nos tornar católicos, o que se seguiu, mais do que uma simples agitação, foi um verdadeiro alvoroço — especialmente para o meu país, a Suécia, que permanece em sua esmagadora maioria protestante. O período que vai desde aquele 9 de março até 21 de maio de 2014, quando fomos acolhidos na Igreja Católica, foi marcado por contendas e debates intensos. Guardo comigo pastas cheias de artigos, comentários e reações que apareceram na mídia tradicional e na Internet.

Nossa convicção de que precisávamos nos tornar católicos foi crescendo pouco a pouco, ao longo de vários anos, mas a decisão de dar esse passo demorou bastante, para dizer a verdade. Nossa pergunta era: como devemos anunciar isso? Era algo que realmente não podia ser feito no decorrer de um longo período de tempo, passo por passo. Isso teria causado muitas especulações e grande confusão, a nível nacional e internacional, em nossa ampla rede de igrejas. Ao longo dos últimos anos, nossos amigos e cooperadores perceberam que estávamos cada vez mais atraídos pela teologia, pela moral, pela liturgia e pela cultura católicas. Poucos deles, no entanto, perceberam que estávamos prestes a dar o passo da conversão. Nos meses e semanas que precederam o anúncio de nossa decisão, preparamos o conselho da igreja e alguns outros colegas, para que nos ajudassem no processo de transmitir essa notícia à nossa congregação.

Olhando agora para trás, não consigo ver nenhuma outra forma através da qual isso pudesse ser feito. Os pastores da Word of Life fizeram um excelente trabalho, ajudando os membros a processarem o que aconteceu e as diferentes consequências de tudo aquilo. Eles também fizeram um esforço para responder a várias questões sobre a fé católica. Além disso, houve muitas emoções envolvidas, críticas, bem como mágoas e sentimentos de perda e rejeição. Como eu, enquanto pastor, podia deixar meu rebanho? Não estava traindo a eles e ao meu próprio chamado? Não os considerava mais como cristãos? Tudo que eu havia ensinado antes estava errado, então? Muitos se perguntavam como eu, que tinha conseguido manter-me aparentemente forte por tantos anos, podia "cair" agora em uma decepção e uma mentira tão grandes. Acusações foram lançadas de todos os lados e as emoções ficaram à flor da pele. Algumas ainda estão.

Mesmo assim, houve muitos na congregação que conseguiram entender. Eles ficaram agradecidos por um novo pastor ter sido posto no meu lugar por mais de um ano. Esses membros respeitaram nossa decisão e entenderam que ela tinha se baseado no que percebíamos como um chamado de Deus. Não tínhamos sido enganados, mas conduzidos por Deus nessa matéria, ainda que eles não tenham entendido muito bem como nem por quê. Recebemos muitas cartas encorajadoras tanto de protestantes quanto de católicos.

Também recebemos, de alguns, uma abordagem curiosa e do tipo pós-moderna. Eles estavam dispostos a aceitar que Deus nos pudesse chamar para a Igreja Católica, mas não podiam aceitar as doutrinas da Igreja. Um pregador me disse assim: "Tudo bem, você se tornou católico, mas com certeza não acredita no que eles acreditam, não é?" Eles falavam como se eu realmente tivesse outra alternativa e pudesse ser seletivo em minha escolha. Quando respondi que acreditava em que tudo o que a Igreja Católica acredita e ensina, soou muito estranho para muitos de meus amigos protestantes. Foi difícil para eles entender que ser católico significa verdadeiramente crer como um católico, até mesmo para mim.

Para nós, a verdade era a única coisa que importava. Sempre acreditamos na Palavra de Deus e que há uma verdade absoluta, revelada por Ele. Então, cada vez mais, nós fomos abrindo os olhos para o fato de que há uma Igreja concreta e histórica fundada por Cristo, bem como um tesouro, um depósito de fé objetivo e vivo ao mesmo tempo. Isso atraiu-nos e levou-nos para a Igreja Católica. Se acreditávamos, portanto, que a plenitude da verdade é mantida e confirmada pela Igreja Católica, não tínhamos alternativa senão unir-nos inteiramente a ela.

Quando finalmente chegou o momento de sermos recebidos na Igreja, sentimo-nos mais que preparados, ansiosos para deixar essa "terra de ninguém". Era como se finalmente nos estivéssemos tornando o que realmente éramos. Finalmente o desejo de participar da graça sacramental chegava ao fim.

Tentamos explicar para nossos amigos que não estávamos rejeitando o que Deus nos tinha dado em nosso ambiente evangélico e carismático, mas, como diz o ditado, "ser evangélico não é o bastante". Ele não está errado em seu amor pelas Escrituras e em manter as verdades básicas do Evangelho e o seu fervor de evangelizar. Tudo isso é necessário, mas não é suficiente. A vida carismática, com sua ênfase no poder e na condução do Espírito Santo, é necessária e constitui um dom precioso. Mas não pode ser vivido em sua plenitude em um ambiente cismático e altamente individualista. Entender isso abriu-nos para a percepção da necessidade da Igreja em sua plenitude, com sua rica vida sacramental.

Nós não rejeitamos, portanto, nossa vida passada e as ricas experiências ministeriais que tivemos ao longo de tantos anos como fundadores e líderes da Word of Life. Seremos sempre gratos a Deus, por tudo o que Ele fez. Mas estamos imensamente felizes e agradecidos por agora entendermos que realmente precisamos da Igreja Católica para continuar a nossa vida e o nosso serviço ao Senhor.

Agora que começamos esta caminhada, há muito por explorar. Agora que todos os nossos antigos deveres, obrigações e posições se foram, nós podemos, pelo menos por enquanto, viver em um ritmo que nos permite uma vida mais reflexiva. Estávamos acostumados a conduzir o ministério, a nossa própria igreja. Agora, é a Igreja que nos conduz. Os sacramentos se tornaram uma realidade tangível em nossas vidas e eles nos sustentam de uma forma concreta. Algo — a graça, eu tenho certeza — está aqui de uma forma que nunca esteve antes. Uma brisa refrescante sopra sobre as nossas vidas. Não vemos a hora de explorar e identificar-nos completamente com tudo aquilo de que agora fazemos parte. É emocionante viver inteiramente por causa de Jesus Cristo — na Igreja Católica.

Ulf Ekman é ex-pastor da igreja "Word of Life", na cidade de Uppsala, na Suécia. Esse artigo foi publicado na edição impressa do jornal "The Catholic Herald", em 8 de agosto de 2014.

Fonte: Catholic Herald | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

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Juiz, católico e pai de nove filhos

“Um católico, um esposo e um pai, e um americano. Essas eram as coisas mais importantes para ele”. São as revelações de um sacerdote sobre o seu pai, o ministro norte-americano Antonin Scalia, no aniversário de um ano de seu falecimento.

O ministro da Suprema Corte dos Estados Unidos, Antonin Scalia — um homem de tremenda influência no país, especialmente no Poder Judiciário —, inesperadamente partiu desta vida para a eternidade no dia 13 de fevereiro de 2016, há pouco mais de um ano.

Na ocasião, foi o seu filho, padre Paul Scalia, da diocese de Arlington (Virginia), quem celebrou a sua Missa de Exéquias. Na Basílica do Santuário Nacional da Imaculada Conceição, em Washington, diante de familiares e amigos, e de uma audiência televisiva na nação e no mundo inteiro, o padre Scalia provou ser realmente filho de seu pai. Ele não escolheu focar o seu sermão nas impressionantes conquistas de seu pai. Ao invés, ele preferiu, como também o seu pai teria feito, focar em Cristo.

O padre Scalia conversou com Catholic Digest sobre "o que Deus fez por seu pai", em comemoração do aniversário de um ano do seu falecimento.

Padre, em nome de minha própria família — e tenho certeza que de muitas famílias católicas —, quero dizer-lhe que, quando ficamos sabendo da morte de seu pai, a primeira coisa que fizemos foi parar tudo para rezar pela alma dele.

Muito obrigado, eu lhe agradeço por isso. Nem sempre foi fácil ter um pai que era uma figura pública, mas a maior consolação na hora de sua morte foi ter todos esses católicos no país e no mundo rezando espontânea e imediatamente por ele. Isso foi uma grande bênção.

Você mencionou os 55 felizes anos de matrimônio que tiveram os seus pais. Como está a sua mãe?

Ela está bem, na medida do possível. Trata-se de um processo, uma jornada longa, mas há também muito apoio. Ela tem nove filhos e muitos amigos.

O que fica para você do casamento de seus pais?

Eu acho que a simplicidade e a generosidade — a simplicidade do compromisso. Eles vieram de uma época em que, quando dois católicos se casavam, eles sabiam do que se tratava, sabiam que aquilo era por toda a vida. A importância dos ensinamentos da Igreja em todas essas coisas — não acho que esteja presente em muitos casamentos agora. Há a ideia de que você pode cair fora, de alguma forma. Mas havia a simplicidade dessa devoção pela própria vocação e a generosidade — eles tiveram nove filhos.

Como essa generosidade acontecia na vida do dia a dia?

Em uma família grande, essa generosidade é exigida de todos, porque você tem que compartilhar as coisas. Como comentaram alguns de meus irmãos durante o memorial um mês depois, nem sempre nós tivemos muito dinheiro. Minha mãe brincava que meu pai estava sempre à procura de um emprego que pagasse menos do que o que ele tinha. Lembro-me de que, quando vivíamos em Chicago, éramos sete ou oito crianças vivendo com o salário de um professor. Aquilo nos custava muito. E tinha uma generosidade ali. Havia também uma questão de fé em fazer essas coisas, em não limitar a vida, em não procurar um emprego de salário maior. Havia uma confiança. Eles vieram de uma época mais simples e era isso o que faziam. Como disse, a fé era muito central para o relacionamento conjugal deles.

Quando você discursou no funeral de seu pai, disse que seus pais deram vocês um ao outro. Fale-nos melhor sobre esse apoio mútuo.

Acredito que o que fica em nossas mentes, acima de tudo, é ver quão bonito foi podermos ter um ao outro na hora da morte dele e durante toda essa situação. Teria sido muito mais difícil passar por isso sem os meus irmãos. Todos nós nos reunimos e compartilhamos juntos as coisas. Pareceu tão natural e nós pudemos enfrentar unidos tudo o que aconteceu. Foi uma grande bênção. Depois do funeral, uma jovem mulher se virou para o seu marido e disse: "Eu quero nove filhos".

O bispo Alexander Salazar disse certa vez que o primeiro seminário do padre é o seu lar. O que a formação que você recebeu de seu pai significou para o seu sacerdócio?

Que eu recebi não apenas dele, é claro, mas de meu pai e de minha mãe, juntos. É o que as crianças precisam. É assim que é estruturada a família. Meu pai tinha uma convicção muito forte da verdade da doutrina católica. Foi isso o que ele me deu. E isso também ajudou a nos confirmar em uma identidade. Que crianças não querem uma identidade — saber quem elas são, de onde vieram e para onde estão indo? Só a convicção da fé católica, que meu pai tinha, estabeleceu em nós esta identidade: nós somos católicos, não somos como todo o mundo, e não devemos esperar fazer as coisas que todo o mundo faz. Nos tempos obscuros das décadas de 1970 e 1980, meu pai fazia viagens relativamente longas a fim de encontrar para nós uma igreja que fosse sólida em sua doutrina e em sua liturgia, porque naqueles dias havia muitas loucuras acontecendo. Nós brincávamos que, quando vivíamos em Chicago, nosso pai gastava meia-hora para levar-nos a uma igreja que estava a 45 minutos de distância. Isso era um compromisso. Em 2008, fui designado para assumir a paróquia de nossa casa, e nós tínhamos a Missa tradicional em latim, na Forma Extraordinária, e meu pai começou a participar. Foi uma grande bênção porque, juntos, nós pudemos apreciar a beleza da tradição e da liturgia da Igreja.

Conte-me mais sobre a personalidade de seu pai. O ex-presidente Bill Clinton dizia que, mesmo quando discordava de seu pai, ele gostava dele porque Scalia nunca pretendia ser alguém que ele não era.

Isso é verdade — e é provavelmente a primeira coisa que eu ouço de Bill Clinton com a qual eu concordo. Acho que é por isso que meu pai se dava bem com tantas pessoas. Elas sabiam quem ele era. Ele não era uma coisa hoje e outra amanhã, como são muitas pessoas, especialmente na capital federal. Muito disso tinha a ver com sua fé, e outra parte também era o seu temperamento — quem ele era.

O senhor fez uma referência a São Thomas More em sua homilia: the king's good servant but God's first, "o fiel servidor do rei, mas de Deus primeiro".

Porque ele era de Deus primeiro.

São Thomas More foi advogado e homem de alta posição abaixo do rei. Seu pai o teve como especial santo padroeiro?

Ele tinha uma grande devoção por São Thomas More. Absolutamente. Ele brincava que, quando o Vaticano nomeou São Thomas More, que já há muitos anos era padroeiro dos advogados, como santo padroeiro dos políticos, aquela não era uma promoção. Acredito que meus pais assistiram ao filme A Man for All Seasons ("O homem que não vendeu sua alma") quando estavam viajando para a Europa depois de seu casamento. Paul Scofield estava certamente atuando. Ele certamente tinha uma grande admiração e devoção por São Thomas More — a integridade do homem, a astúcia, a sua piedade.

Seu pai também usava um cilício?

Não vou revelar as mortificações de meu pai. Ele tinha nove filhos; isso já era mortificação suficiente.

Conte-nos sobre uma das citações favoritas de seu pai: "Tenha a coragem de ter a sua sabedoria considerada como estupidez."

Meu pai obviamente tirou isso do Apóstolo, São Paulo: "Nós somos considerados tolos por causa de Cristo" ( 1 Cor 4, 10). Um católico que atua na esfera pública deve estar disposto a enfrentar o ridículo. É uma das coisas que meu pai gostava de destacar a respeito de São Thomas More: não é possível admirá-lo realmente, a menos que apreciemos o fato de ele parecer ridículo. Todos os demais, todos os seus companheiros, seguiram o rei. Todos os bispos da Inglaterra, com a exceção de um, seguiram o rei. Então ele parecia absurdo. Parecia um idiota. Esse é um tema da vida dos santos em geral.

Nosso Senhor mesmo foi ridicularizado. Então por que deveríamos imaginar-nos melhores que ele? Era um dos discursos favoritos que meu pai costumava fazer. Ele contrastava isso com Thomas Jefferson — um conto de dois Thomas. Thomas Jefferson, que ficou famoso por recortar a Bíblia, compôs a sua própria retirando todos os milagres dela porque, evidentemente, aqueles milagres, de acordo com o homem de sabedoria mundana, não são possíveis, então você não os pode ter. Por isso, você se livra deles. Ele considerava a Bíblia algo pouco sofisticado.

Os contemporâneos de Jesus pensavam o mesmo dEle. Para que ele cuspiu no chão e aplicou o barro nos olhos daquele homem (cf. Jo 9, 6)?

Pode vir algo bom da Galileia? A Galileia era um lugar desvalorizado. Devo dizer que meu pai se divertia com a ironia aqui. Ele era um homem muito sofisticado, e realmente representava o melhor do que tinham os jesuítas antigamente. Com todo o respeito, ele tinha mais cultura que muitos de seus pares em termos de literatura, música, arte e turismo. Não é minha intenção vangloriar-me, mas ele era mais sofisticado e creio que se divertia em estar no meio daquelas pessoas e dizer: "Devemos estar dispostos a parecer idiotas".

Há um vídeo no YouTube, do comediante Stephen Colbert tirando sarro dele durante o Jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, em 2006. Seu pai achou a brincadeira hilária. Ele gostava de rir de si mesmo?

Absolutamente. Quem o conhecia sabia que provocá-lo era a melhor forma de conseguir o melhor dele.

Era esse o segredo de sua amizade com a ministra Ruth Bader Ginsburg, de quem ele tanto discordava?

Deve ter sido, em parte. Mas acho que isso se devia ao que ele e ela eram. Não havia nenhuma pretensão. Ele podia respeitá-la. Ele podia discordar dela, mas ela era consistente. Ainda que houvesse desacordo, havia respeito pela integridade do seu pensamento, da sua palavra, e por quem ela era. Penso que muito disso se deve à sua criação em Nova Iorque. A cidade de Nova Iorque, especialmente nas décadas de 1940 e 1950, era aquele lugar em que tudo acontecia. Você tinha todo tipo de pessoas. Era impossível viver em uma bolha. Você tem que aprender a lidar com todo o mundo. A menos que você queira uma vida miserável, é preciso haver um apreço pelas diferenças entre as pessoas.

Em sua homilia durante o funeral de seu pai, você falou, entre outras coisas, sobre rezar pelos mortos, não roubando deles as nossas orações pressupondo que eles já estivessem no céu. Isso parece muito o seu pai.

Meu pai odiava a palavra "homilia". Ele a achava carregada de modernismo. Ele preferia "sermão". Um ponto que eu sempre recordo quando faço um funeral é: esse é o modo como podemos continuar a fazer o bem pela pessoa que amamos. É necessário um sentido sobrenatural para nos mantermos firmes e aceitarmos. Todos querem pensar que está tudo bem. Todos querem chegar ao final feliz sem grande esforço.

Você também falou de quão tênue é o véu a separar o tempo e a eternidade, e do chamado ao arrependimento. Qual foi a resposta das pessoas a isso?

Graças a Deus e a Nossa Senhora que Ele usou esse discurso para o bem. Talvez isso seja tão simples quanto o fato de que sua morte fez as pessoas focarem na eternidade, coisa à qual elas tipicamente não dão importância alguma. Muitas pessoas se perguntavam: porque o ministro Scalia morreu neste momento da história dos Estados Unidos, quando parece que nós realmente precisamos tanto dele?

"O cemitério está cheio de homens indispensáveis."

Meu pai amava essa frase. Ele a amava. Foi dele que a ouvi pela primeira vez. Ele atribuía essa citação a Charles de Gaulle, por isso a repetia com um sotaque francês.

Seu pai era um artista?

Ah, com certeza ele era. Ele atuava quando era mais novo. Sim, ele era um ator. Ele era bom de piadas, de histórias.

Olhando para este ano que se passou, o que você espera que as pessoas se lembrem a respeito dele?

Seu catolicismo era o que ele era. Ele viveu a vida ao máximo. Tinha uma variedade de interesses e de amigos, mas o núcleo era composto de basicamente três componentes: ele era um católico; um esposo e um pai; e um americano. Essas eram as coisas mais importantes para ele.

Fonte: Catholic Digest | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

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Uma artista contra a corrente

Em meio a tantos divórcios de famosos em 2016, o exemplo de Celine Dion irradia a beleza do verdadeiro sentido do matrimônio.

O ano que se passou não se resumiu a crises no campo da política e da economia mundial. 2016 também experimentou o gosto amargo do divórcio, como anunciaram as manchetes dos grandes jornais. De repente, casais famosos terminaram suas relações e puseram um fim em suas promessas matrimoniais — tristes decisões que não deixam de provocar angústia na sociedade e também na Igreja, levando muitos até mesmo a questionar se valeria a pena a luta pela indissolubilidade do matrimônio.

"Não nos podemos deixar vencer pela mentalidade divorcista", exortou São João Paulo II certa vez, em um discurso ao Tribunal da Rota Romana [1]. Apesar de parecer absurdo, é verdade que muitos católicos, mesmo crendo na indissolubilidade do matrimônio, desistem de defender publicamente a fé, por considerá-la apenas um ideal cristão, sem significado para o mundo moderno. Contra esse estado de tibieza, o Santo Padre pedia uma "confiança nos dons naturais e sobrenaturais de Deus ao homem" [2]. De fato, somente essa confiança pode impedir a proliferação da chaga do divórcio e de suas consequências nefandas para a sociedade.

É preciso também desmascarar certa propaganda midiática, cujo forte apelo sobre o público tende a desesperá-lo da graça na vida familiar. Não é verdade que o matrimônio indissolúvel seja apenas uma doutrina católica. Trata-se, antes, de uma norma jurídica natural que, quando vivida de maneira aberta ao verdadeiro amor e sacrifício pelo cônjuge e pelos filhos, se torna acessível a todos, mesmo para aqueles que ainda não vivem plenamente a fé cristã. É o que se pode observar, em alguns casos particulares, no próprio meio midiático.

No início de 2016, a cantora canadense Celine Dion emocionou seus fãs ao testemunhar sua dor pela perda do marido, o produtor René Angelil, morto em decorrência de um câncer na garganta.

Angelil teve de lutar contra a doença por dois longos períodos antes de vir a falecer, em 14 de janeiro do ano passado. Celine Dion estava no auge de seu sucesso — a cantora acabara de gravar My Heart Will Go On, tema do filme Titanic —, quando o marido foi diagnosticado com câncer pela primeira vez, em 1999. Preocupada com ele, a cantora decidiu interromper sua carreira para cuidar da família, retornando aos palcos somente em 2002.

Celine Dion sempre demonstrou uma devoção maior pela família do que pela carreira. O retorno à música teve uma condição: permanecer ao lado do marido e do filho, isto é, sem grandes turnês internacionais. A cantora, então, assinou um contrato para shows apenas em Las Vegas, nos Estados Unidos, onde se apresentou durante seis anos no seu próprio Coliseu, o Caesars Palace.

Depois de um tempo de recuperação, René Angelil foi novamente diagnosticado com câncer, em 2014. E outra vez Celine interrompeu os shows para se dedicar integralmente ao marido. Após a morte dele, a artista deu uma entrevista comovente à jornalista da TV CBS, Katie Couric, na qual disse que a maior conquista de sua vida não era a carreira, mas sua família. "Agora, talvez outra pessoa poderia fazê-la feliz de uma maneira diferente?", perguntou-lhe a jornalista. "Ele foi o único homem que eu beijei na minha vida, que eu namorei, então, hoje, eu diria que não", respondeu a cantora canadense.

De fato, Celine Dion não é uma santa nem uma exímia católica. Pode-se questionar muitas de suas atitudes. Mas seu belo testemunho de respeito e amor à família devem ser louvados, sobretudo agora em que se exalta tanto o oposto entre o meio artístico. E isso se torna ainda mais imperioso quando se descobre a origem desse zelo de Celine Dion: ela o aprendeu da mãe, que lhe deu a vida e o exemplo do amor incondicional.

Celine é a 14ª filha de Ademar Charles e Teresa Dion. A cantora revelou em 2002 que quase foi abortada. Quando sua mãe Teresa ficou aflita por saber que estava grávida, ela foi até um padre para aconselhar-se. "Ele lhe disse que ela não tinha direito de ir contra a natureza. Então, eu tenho que admitir que de um jeito, eu devo minha vida àquele padre", contou Celine Dion, explicando que "uma vez que o aborto estava fora de questão, sua mãe a amou apaixonadamente". E esse amor por crianças e pela família lhe foi transmitido. Em uma outra entrevista de 2012, a cantora afirmou que sua vida é ser mãe: "É o meu maior prêmio. Eu me arrisco com a música, mas não com minha família".

Esse testemunho, sem dúvida, responde à pergunta inicial deste texto: sim, vale a pena lutar pela família indissolúvel, pois, como explicava São João Paulo II, "este bem encontra-se precisamente na base de toda a sociedade, como condição necessária da existência da família" [3]. Neste sentido, "a sua ausência tem consequências devastadoras, que se difundem no tecido social como uma chaga [...] e influenciam negativamente as novas gerações, perante as quais é obscurecida a beleza do verdadeiro matrimônio" [4]. Provado está que o casamento não é somente um ideal cristão, mas uma verdade natural, acessível a todos os homens de boa-vontade, até que a morte os separe. Tenhamos a coragem de nós também testemunharmos isso.

Com informações de LifeSiteNews.com | Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. São João Paulo II, Discurso aos prelados auditores, oficiais e advogados do Tribunal da Rota Romana na inauguração do Ano Judiciário (28 de janeiro de 2002), n. 5.
  2. Ibidem.
  3. Idem, n. 8.
  4. Ibidem.

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Cidade retomada por cristãos no Iraque ficou dois anos sem Missa

“Depois de dois anos e três meses de exílio, celebramos a Eucaristia na Catedral que os jihadistas quiseram destruir”, disse com satisfação o arcebispo sírio-católico de Mossul.

A notícia está perto de completar um mês, mas, mesmo assim, vale a pena deixar registrado que os sinos de uma igreja católica voltaram a repicar na cidade iraquiana de Qaraqosh, retomada das mãos do Estado Islâmico na segunda metade de outubro. Para se ter uma ideia da importância dessa conquista, é preciso considerar a proximidade entre Qaraqosh e Mossul, separadas por pouco mais de 30 quilômetros de distância — Mossul que, como se sabe, é considerada até o momento a "capital" dos jihadistas no Iraque.

Nesta que é a segunda maior cidade do país, não restou praticamente nenhuma família cristã. Em 2014, os muros de suas casas foram pichados com uma letra do alfabeto árabe, equivalente ao nosso "n", em referência a Jesus, o Nazareno. Aos seus proprietários três opções eram oferecidas: converter-se ao islamismo, pagar um imposto religioso ou morrer pelo fio da espada. A maioria arriscou o exílio.

No dia 30 de outubro, no entanto, os cristãos que ainda restam na região celebraram uma verdadeira vitória em Qaraqosh: a de rezar, em meio a paredes queimadas e um altar em ruínas, o santo sacrifício da Missa. A catedral em que os fiéis se reuniram é dedicada à Imaculada Conceição e a liturgia dominical foi presidida pelo arcebispo sírio-católico de Mossul, Yohanna Petros Mouche. "Depois de dois anos e três meses de exílio, celebramos a Eucaristia na Catedral que os jihadistas quiseram destruir", afirmou o prelado, em verdadeira ação de graças.

As fotos tiradas na ocasião já circularam por toda a Internet e dispensam comentários. De qualquer modo, uma breve reflexão se faz necessária. Ao vermos com que alegria esses homens celebram a santa liturgia, arriscando para isso as suas próprias vidas, é inevitável pensarmos na falta de consideração, no desleixo e na preguiça com que tantas vezes tratamos o mistério eucarístico em nossas vidas. Enquanto a fé cristã se tornou, no Oriente Médio, questão de vida ou morte, o Ocidente está paralisado pela incredulidade, pelo afastamento de Deus, pela inércia. Temos tempo para tudo, menos para participarmos da Santa Missa; tempo para todo tipo de lazeres, menos para rezar. E ainda queremos arranjar desculpas para a nossa falta de compromisso!

É duro dizer isto, mas felizes são os cristãos do Iraque e da Síria! Sim, verdadeiramente bem-aventurados são eles (cf. Mt 5, 4. 10), porque, embora muitas de suas igrejas estejam em ruínas, suas almas estão em Deus, Aquele que constitui o único tesouro que devemos preocupar-nos em acumular. Enquanto isso, nossos templos, que parecem intactos, conservam de pé apenas a sua fachada, tal como a Basílica de São Bento em Núrsia, na Itália, recentemente atingida por um forte terremoto. Grande sinal é a ruína dessa igreja, devastada não por artifícios humanos, mas pelas mãos do próprio Deus — Ele que fala pelos acontecimentos da história e que realmente castiga, porque nos ama e deseja a nossa conversão. Oxalá ouvíssemos hoje a sua voz (cf. Sl 94, 8) e transformássemos os nossos corações em verdadeiros templos onde habitam a Santíssima Trindade!

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Um noivado preparado por Deus

Este casal de noivos vive um momento de grande graça em suas vidas: a oportunidade de viverem um relacionamento casto, de acordo com os planos de Deus.

O testemunho a seguir foi enviado no dia 14 de outubro de 2016 ao nosso suporte. Conta a história de um casal de noivos que atribui bondosamente ao nosso trabalho de evangelização o momento de profunda graça que vêm experimentando em suas vidas: a oportunidade de viverem um relacionamento casto, de acordo com os planos de Deus.


Assista às aulas de nosso curso "Como Namorar Bem?" e aprenda você também a viver um namoro santo e de acordo com a doutrina perene da Igreja!


Os nomes Marcela e Mateus são fictícios, mas os corações que se unem para narrar esse belo relato de conversão são reais e pulsam de verdadeira caridade. A todos os que passarem por aqui, rezem uma Ave-Maria por esse casal, a fim de que descubram sempre mais, no afeto que manifestam um pelo outro, a resposta de amor que todos devemos a Cristo, Noivo das almas.

Querido Padre Paulo Ricardo,

Meu nome é Marcela, tenho 31 anos, e tenho muito a agradecer a Deus por sua vida e seu ministério, padre. Vou lhe contar uma grande graça que estou vivendo, e o senhor entenderá melhor essa gratidão.

Um dos grandes desafios das mulheres que sonham com um santo namoro é acreditar que podem encontrar homens que aceitem viver a castidade e aguardar em Deus, principalmente na minha idade. Existe uma cultura que supervaloriza o sexo e faz dos namoros verdadeiros "casamentozinhos" disfarçados. Existe um mito de que as pessoas, principalmente os homens, são incapazes de passar muito tempo sem sexo e, também, de que no pacote de todo namoro estão as relações sexuais.

Parece-me que a maioria dos homens solteiros, ainda que católicos e até frequentadores da missa, ignoram a castidade; as mulheres, em geral, seguem na mesma linha. Eu também fiz parte desse rol por alguns anos, mas, há quase 10 anos, eu tive um encontro profundo com Cristo que mudou a minha vida e um dos frutos do Espírito Santo na minha alma foi eu ter passado a viver uma vida casta desde essa época.

Há pouco mais de quatro meses, eu conheci o grande amor da minha vida, chamado Mateus. Desde quando nos conhecemos, nos identificamos bastante, pois ele é católico como eu, além de ser um rapaz sério, inteligente, sensível; gostamos das mesmas coisas, temos os mesmos propósitos de vida, nos alegramos com coisas simples. Mateus tem 33 anos.

Um dos momentos mais belos que vivemos aconteceu no quarto dia em que nos encontramos. Corremos em um parque e depois nos sentamos em um banco para tomar água de côco e conversar. Foi quando ele comentou sobre as viagens que poderíamos fazer juntos. Ele já tinha falado algo parecido antes, mas, naquele momento, senti que eu deveria abrir o jogo sobre aquilo que sempre havia sido o problema mais sério dos meus namoros anteriores e que sempre me dava ansiedade ao iniciar relacionamentos: a castidade.

Embora no fundo eu já soubesse que ele era um rapaz diferente e algo me dissesse que isto não seria problema desta vez, pela primeira vez, ao lado dele, me entristeci. Comecei a pensar nas palavras, escolher a forma de falar, disse que eu tinha uma coisa para contar a ele. Sempre que queremos dizer algo que nos é difícil manifestar ou sabemos que será complicado para o outro ouvir e entender, soltamos o velho clichê introdutório: "Preciso te contar uma coisa…".

Chamei-o para nos sentarmos em outro banco, pois ali onde estávamos fazia muito barulho. Enquanto caminhávamos, estava ansiosa, sentia medo de estragar, tão cedo, aqueles momentos agradáveis de descobertas e identificação que estávamos vivendo. Quando nos sentamos novamente, não tive mais como voltar atrás e adiar a conversa.

Comecei expondo que, no meu tempo de faculdade, eu conheci um Grupo de Oração Universitário, da Renovação Carismática Católica. Minha vida interior passou por uma absoluta guinada naquela época. Desde minha infância e adolescência, eu tinha uma busca espiritual que me impulsionava e me angustiava. Apesar de eu ser de família católica, frequentar a missa aos domingos, com meus pais, durante toda minha infância e parte da minha adolescência (obrigada por eles nesta última fase), somente quando me tornei adulta, depois de conhecer e viver muitas coisas, que minha fé em Jesus Cristo se estabeleceu de forma inequívoca dentro de mim. Uma profunda alegria e confiança na religião católica me trouxeram a paz espiritual que eu sempre buscara.

Expliquei ao Mateus que, desde esse tempo, eu optara por não ter relações sexuais com os homens com os quais eu me envolvesse. Decidi que teria sexo apenas com uma pessoa: aquele que viesse a se tornar o meu marido. Achei importante ressaltar que não se trata de uma forma de pressão para o casamento ou qualquer outra coisa, mas de uma decisão que está completamente relacionada à minha fé. Disse, ainda, que essa opção de vida me custa, que não é fácil, e inclusive está se tornando cada vez mais difícil de manter.

Quando terminei de contar todas essas coisas, perguntei se ele aceitava a situação e ainda queria continuar comigo aquele processo de conhecimento um do outro em que estávamos. Ele então me abraçou e disse que aquilo que eu acabara de dizer era a coisa mais linda que ele já tinha ouvido… Ele estava emocionado, parecia diante de algo que não esperava, não conhecia, ficando comovido. Além disso, fez questão de me dizer que ele nunca havia vivido a castidade e me perguntou se estava tudo bem. Eu disse que não tinha problema algum, desde que ele concordasse em viver de forma diferente, a partir daquele momento…

Alguns dias depois, Mateus descreveu que eu estava extremamente constrangida ao contá-lo sobre a minha castidade; estava nervosa, envergonhada, tinha a voz embargada. Disse que sentiu vergonha dele mesmo e de todos homens, pois não é certo que uma mulher se sinta amargurada por se preservar e ter princípios... Comentou que está tudo invertido, que os homens é que deveriam se envergonhar.

No próximo encontro, depois deste dia, fomos à missa, numa paróquia onde é possível confessar-se em qualquer dia da semana, especialmente antes e durante as missas, e as pessoas formam filas para se reconciliar com Deus. Fomos os dois para a fila da confissão. Desde as primeiras conversas que tivemos, eu havia convidado o Mateus para ir à missa e ele dito que precisava confessar-se para ir comigo e poder comungar. Naquele mesmo dia, na porta da igreja, ele me pediu em namoro.

Nunca me esquecerei daqueles dias… Deus me mostrou de forma maravilhosa sua presença e ação na minha vida. Pedi perdão por todas as vezes que questionei e até duvidei se seria possível, para mim, viver o que Ele me pedia e a Igreja me orientava, pelos diversos motivos mundanos que eu elencava. O Senhor não só me deu a graça de ter a oportunidade de viver um namoro santo, como me deu ainda mais motivos para que eu me esforce nessa meta. Todas as conversas e aquele dia mágico que vivi com meu namorado tornaram-se novos estímulos para que eu resista e o ajude na intenção de vivermos a castidade.

Claro que não é fácil. Amamo-nos muito, confiamos um no outro, falamos desde o início em nos casar (ficamos noivos há duas semanas!). Não somos naturais da cidade onde habitamos; ele mora sozinho e eu também; gostamos muito de estar juntos… Tudo isso torna a luta mais intensa, mas a vitória de cada dia, também, tem sido ainda mais gratificante.

Embora meu noivo já fosse batizado, tivesse feito a primeira comunhão e tivesse grande apreço e vivência dos princípios cristãos antes de me conhecer, ele não frequentava a missa ou participava de qualquer movimento da Igreja. O principal contato que ele tinha com a religião católica, antes de me conhecer, era por meio de sua obra, querido Padre Paulo Ricardo. Ele é seu aluno virtual há um bom tempo. Faz cursos, assiste a vídeos, gosta muito das suas homilias.

Tenho pleno entendimento de que o Senhor preparou meu noivo por meio de você, padre. Tudo o que eu propus e que ele aceitou com tanta abertura; toda a sede de Deus dele, que se juntou à minha, para passarmos a viver juntos uma vida tão voltada para a Igreja; a real mudança de vida dele; tudo isso é fruto do Espírito Santo e iniciou-se com o acesso que ele teve à sua obra, padre.

Tenho profunda gratidão a Deus pela sua vida, Padre Paulo Ricardo. Ir à missa e assistir a seus vídeos e cursos é parte da nossa rotina de casal desde o início do nosso namoro. Entre outros, estamos sempre assistindo os relacionados à pureza, temática que ele me confessou sempre evitar em seus cursos anteriormente... Queremos nos manter firmes no propósito que não é só meu, é dele também, de vivermos a castidade.

Meu noivo e eu admiramos profundamente sua inteligência, seu caráter, sua sinceridade, sua dedicação e seus conhecimentos da doutrina da Igreja e dos santos, de filosofia, da Bíblia... Jesus continua falando a nós por meio das suas palavras. Rezamos por você, pedimos que o Senhor o proteja e lhe dê a graça de seguir cada dia para mais perto dEle, ajudando a nós e a tantos outros a trilhar o mesmo caminho.

Deixo aqui um grande abraço ao senhor! Que Nossa Senhora e Santa Teresinha o protejam e lhe deem muitas graças, todas as que o senhor ora pedindo ou seu coração pede secretamente.

Com admiração e carinho,
Marcela.

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Antes e depois dos anticoncepcionais

Conheça o emocionante testemunho deste casal que se livrou dos anticoncepcionais e recebeu, como recompensa, uma família maravilhosa.

O testemunho que publicamos abaixo foi-nos enviado no final do último mês de setembro, poucos dias após uma visita do Padre Paulo Ricardo à cidade paranaense de Ponta Grossa, onde mora a família Pauluk. Nestas breves linhas, Carlos Eduardo, que já é nosso aluno de longa data, descreve como era a sua família antes e como ela é agora, depois que ele e sua esposa se livraram das pílulas anticoncepcionais.

Enviamos recentemente um e-mail ao casal pedindo a autorização para publicarmos o seu testemunho, e eles aceitaram compartilhar a experiência por que passaram. "Quem sabe possamos contribuir um pouco nesta batalha", ele nos escreveu. "Estamos sempre abertos a conversar com casais de amigos nossos e outros, para expor tudo o que passamos. Não é nada fácil, mas a recompensa é maravilhosa."

Padre Paulo, a sua benção...

Meu nome é Carlos Eduardo Pauluk. Sou de Ponta Grossa-PR e tive a oportunidade de conversar muito rapidamente com o senhor na terça-feira dia 20/09/2016, quando esteve aqui para as palestras de formação na paróquia São Cristóvão. Conversamos logo que o senhor entrou no carro para ir embora, mas por não querer segurar muito o senhor ali naquele momento, acredito que não pude me expressar muito bem. Então resolvi enviar este e-mail.

Em primeiro lugar, deixo claro que sei muito bem que nosso louvor deve todo ser direcionado a Deus, colocando nas mãos de Maria para que ela nos ajude a entregar a Ele tudo o que temos em nosso coração. Sei da tua preocupação em se desviar de possíveis idolatrias que a fama inevitavelmente trás no mesmo pacote, e até fiquei depois me sentindo um pouco mal por ter pedido para bater uma foto com o senhor.
A verdade é que o seu trabalho através do site mudou a minha vida de forma permanente, indelével.

Conheci seu site há muitos anos atrás, e desde então acompanhei muitos dos vídeos. Fiz alguns cursos, dentre eles todas as 90 aulas da primeira parte do curso de Catecismo. Meu crescimento intelectual e principalmente espiritual foi muito grande. E só por isso já tenho muito a te agradecer, por todo seu empenho e esforço. Ao senhor e a sua equipe, é claro! Imagino que o trabalho para nos entregar um material de tão grande qualidade não é fácil.

Continuando… lá por 2011, esbarrei no vídeo que tinha o título de "Abortos Ocultos". Li um pouco do descritivo onde dizia: "A maioria das mulheres que usa pílulas anticoncepcionais não sabe..." e só. Parei, fechei e decidi que continuaria vendo todos os outros vídeos, mas que este em específico não precisava ver. Eu já sabia... Já sabia que a Igreja era contra métodos anticoncepcionais, que devemos estar abertos aos filhos que Deus nos mandar, mas em seguida me anestesiava com as desculpas mais clássicas dadas por todos os católicos quando começam a discutir este tema.

Deixei o vídeo de lado por um bom tempo, fingindo que não existia, e continuei assistindo todo o restante. O problema é que o vídeo continuava sempre aparecendo como sugestão para mim nas laterais do site. Consegui me segurar por um tempo, mas quando o Espírito Santo teima em nos abrir os olhos, se temos o coração aberto para Deus, não temos muito como evitar. Foi quando então resolvi assistir ao vídeo.
Eu, sinceramente, não esperava que o assunto fosse abordado daquela forma. Eu não fazia a mínima ideia daquilo ali. Pra mim, os anticoncepcionais faziam exatamente o que o termo dizia: evitavam a concepção. Terminei de assistir e entrei num estado de confusão espiritual e mental muito grande.

Por um lado eu pensava que devia falar com minha esposa o mais rápido possível sobre isto. Nós não éramos um exemplo de casal católico, talvez no máximo um mau exemplo. Íamos à missa e só. E ainda faltávamos muitas vezes. Namoramos e tivemos uma vida sexual desde o tempo de namoro, e ela já tomava anticoncepcionais desde esta época. Fazia uns sete anos já. Outro detalhe é que quando começamos a namorar, minha esposa nem batizada era. Era filha de pais separados, evangélicos, mas cada um seguindo uma denominação diferente. Deixaram para ela se decidir sobre o batismo quando fosse adulta. Aí eu, por ser de família católica (meu pai é diácono permanente aqui na paróquia São José em Ponta Grossa), comecei a trazê-la para as missas. Mais tarde ela decidiu se batizar e meus pais acabaram sendo os padrinhos dela. Até por ser desta forma, eu nunca quis insistir muito em questões de fé com ela. Sempre achei melhor ir aos poucos, esperando que o Espírito Santo cuidasse da sua conversão. Ela também nunca foi muito resistente a nada, nunca foi muito de questionar, de ficar fazendo perguntas. Apenas me segue, e me escuta quando resolvo falar algo.

Passaram alguns dias até que eu decidisse mostrar o vídeo para ela. Antes, conversei um pouco, expliquei que aquilo ali poderia deixá-la confusa, mas que eu entenderia a decisão que ela tomasse, e estaria do lado dela de qualquer forma. A bem da verdade, eu estava era muito ansioso, porque não saberia o que faria se a decisão dela fosse a de continuar com os "remédios". Liguei o vídeo e assisti junto com ela. Quando terminou, olhei pra ela, e ela estava chorando já. Choramos juntos. Como não chorar? Como não chorar ao entender que o útero dela podia ter muito bem sido um verdadeiro túmulo nos últimos anos?

Agora o senhor pode imaginar a minha alegria quando ela levanta do sofá, vai até o banheiro, pega a caixinha, vai até o lixo da cozinha e vai jogando os comprimidos, um por um, no lixo? Eu pude sentir que aquele era um momento de grande mudança em nossas vidas. Um verdadeiro "turning point".

Deste dia passou algum tempo, mas não tanto, desde que Deus nos abençoou com o primeiro dos maiores presentes que ele nos daria. Dia 25/10/2012 vinha ao mundo a Maria Clara, nossa primeira filha.

Depois fomos atrás de aprender sobre métodos naturais. Fomos a uma reunião sobre o método Billings. Tentamos segui-lo por um tempo. Mas a verdade é que não é tão fácil quanto dizem. E a verdade também é que eu e ela não estávamos tão preocupados em "evitar". Fomos tentando seguir o método, mas sem muita dedicação. Um ano e sete meses mais tarde chega para nós o segundo presente de Deus: a Elis. Quando fiquei sabendo que ela estava grávida novamente, minha alegria foi tão grande que nem deu espaço aos medos tão naturais quando alguém recebe a notícia de uma gravidez nos dias de hoje.

Depois da Elis, mudamos de método. Tentamos o método da "temperatura basal". Tem um aplicativo para celular chamado Natural Cycles. É bem interessante, e muito mais fácil que o método Billings. Pode até ser usado em conjunto com ele. Acontece que este método tem uma exigência: que a mulher meça sua temperatura todo dia antes de levantar da cama. Só que quando você tem uma filha de dois anos e outra de poucos meses, fica meio difícil a mulher conseguir esperar deitada para medir a temperatura enquanto as duas choram no quarto ao lado pedindo mama! Mas mesmo assim minha esposa foi tentando, medindo quando podia.

Enquanto isso fui atrás de ler e estudar mais sobre métodos naturais, já que o segundo método que tentamos não estava dando muito certo também. Foi quando encontrei na internet o método da "Samambaia". Bom, te digo que de todos os que eu li, este parece ser o ideal para nós. Trata-se se acompanhar a fertilidade da mulher pela saliva. Só precisa de um microscópio, mas nada muito sofisticado. O método não exige as nuances das observações do método Billings, e nem que a mulher tenha um sono regular, coisa impossível para quem tem crianças pequenas em casa. A primeira vez que eu vi sobre o método da Samambaia pareceu simples demais, quase não acreditei! Mas Deus é sábio, e eu sempre pensei que devia existir sim alguma forma bem simples e objetiva de se observar a fertilidade da mulher. Quantos sinais nosso corpo não dá para as mais diversas condições humanas?

Bom, estava lá eu pesquisando na internet e quase fechando já uma compra de um microscópio, mas Deus já tinha feito seus planos para a nossa família. Eu e minha esposa não queríamos ter apenas dois filhos, isto era fato, falávamos desde sempre em quatro, mas ao mesmo tempo, no auge dessa crise financeira, também não estávamos mais tão abertos assim no momento. Agora já conhecemos o custo de um filho, não é brincadeira. A encruzilhada era esta. Duas filhas pequenas, uma com 3 e outra acabado de fazer 2 anos. A segunda tentativa por método natural não funcionando muito bem, e uma crise financeira grave. Acredito que foi assim que Deus fez a seguinte "proposta" para nós: "Ah, então você quer mesmo aprender um método natural muito bom para poderem planejar a família de vocês? Tudo bem, vou te ensinar, mas antes, uma surpresinha..."

Padre, na mesma semana que eu aprendi sobre o método e estava pronto para comprar o microscópio, minha esposa chega em casa com um teste de gravidez de farmácia com resultado positivo. Já está agora no quarto mês. E é um menino desta vez. Consegue imaginar a nossa felicidade? Não adianta... A alegria de saber que Deus aceitou a minha vida e da minha família quando ofereci a Ele, e que Seus planos estão acima dos meus, acaba com qualquer medo ou receio. Vem aí agora o Olavo. A gestação está muito bem, minha esposa está muito bem, e nossas meninas também estão ansiosas para conhecer o irmãozinho.

Enfim Deus nos ensinou um método natural. Talvez agora tenha deixado em nossas mãos a decisão para o quarto filho. O tempo irá nos dizer. Estaremos sempre abertos.

Se não tivéssemos visto o vídeo no site, não teríamos nenhum filho até hoje. Estaríamos ainda "esperando o momento certo". Se o método Billings tivesse funcionado, muito provavelmente só teríamos a Maria Clara. E mesmo se o segundo método tivesse funcionado, mas já tivéssemos a Elis, poderíamos não ter mais filhos também, por causa da situação financeira atual. Então... Como não acreditar que Deus planejou tudo para nós?

Padre, quero te agradecer. Sim, ao senhor. Eu sei que o senhor é apenas um instrumento de Deus. Provavelmente já devem existir milhares de relatos de pessoas que tiveram suas vidas transformadas pelas mensagens do seu site. Te agradeço pelo senhor ter se deixado fazer um instrumento de Deus, colocando toda a sua intelectualidade e disposição de espírito nesta empreitada que é o "padrepauloricardo.org".

Eu quis bater uma foto com o senhor porque o senhor faz parte de nossa vida. Se Deus já conhece todos os seres humanos antes mesmo de eles serem concebidos, então a Maria Clara estava nos planos dele desde sempre. E com certeza o site padrepauloricardo.org também fazia parte da providência divina em nossas vidas.

Estou te escrevendo para te dar um feedback. Está funcionando! Tem vidas que surgiram também porque teu site existe. Te escrevo pra demonstrar a minha felicidade. Descobri um grande pecado que estava enraizado na minha vida, e ao me livrar dele, a recompensa que Deus me dá é uma família maravilhosa. Não tenho como não me emocionar ao imaginar o tamanho da misericórdia que Deus tem para comigo, o tanto que ele me ama, a mim e minha família!

Então agradeço ao senhor e a toda a sua equipe, de coração! Que Deus continue te abençoando e abençoando teus projetos.

P.S.: O nome Olavo estava em uma lista de nomes de meninos que eu tinha feito. Sou aluno também do professor Olavo de Carvalho (um pouco parado no momento porque realmente não está dando tempo de acompanhar as aulas), mas não tinha decidido qual nome escolher. Minha esposa é que se afeiçoou por "Olavo", mesmo quase não conhecendo o professor.

Testemunho enviado ao nosso site no dia 26 de setembro de 2016.

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Quando Padre Paulo Ricardo cruzou o meu caminho

Nem sempre o encontro com um sacerdote é a experiência mais agradável do mundo. Para Jules, no entanto, foi o encontro com a Verdade que liberta, ainda que a duras penas.

O testemunho que vai abaixo é de uma aluna do nosso site, que mora na Itália. Em poucas linhas ela conta, com muita franqueza e bom humor, como foi a "descarada interferência" do Padre Paulo Ricardo em seu processo de conversão à Igreja Católica.

Nem sempre o encontro com um sacerdote é a experiência mais agradável do mundo. Para Jules, no entanto, deparar-se com nosso site foi, providencialmente, o encontro com a Verdade que liberta, ainda que a duras penas.

Que o breve retrato de sua vida, cujos contornos lembrarão a muitos de vocês a figura de Santo Agostinho, converta a tantas outras pessoas que se acham no mesmo caminho.

Eu tenho muitas coisas a dizer sobre o Padre Paulo Ricardo e a sua descarada interferência no meu processo de conversão.

Descobri a Igreja Católica há aproximadamente quatro anos e a internet foi um veículo fundamental no meu confronto de hipóteses e desmascaramento do que eu achava que sabia que era o Catolicismo Romano. Era também o modo como eu me mantinha em contato com amigos e família. O início do meu percurso se deu em um momento em que eu estava muito isolada, pois havia acabado de mudar pra um país onde não tinha amigos, emprego ou domínio da língua. Não me sobrava muito além da internet, mas graças a Deus que nesse mundão véio sem nenhuma porteira que é a worldwideweb foi o Padre Paulo Ricardo quem cruzou o meu caminho. Poderia ter sido qualquer outro, o Alexandre Frota, por exemplo. Quão grande a misericórdia divina!

A primeira fase foi de pura curiosidade. Eu estava me apaixonando pela Itália e é impossível fugir da presença das artes sacras pelas ruas, das cruzes sempre sobre nossas cabeças, do rosto amoroso da Madonna no jardim de tantas casas, dos olhares dos santos em todos os becos.

Passada essa fase, veio um desertinho purificador básico, porque alguns filhos têm a cabeça um pouco mais dura e Deus precisa deixá-los rangendo os dentes na areia, ouvindo Bon Jovi por um pouco mais de tempo. Ele sabe o que faz. E, quando não aguentava mais ouvir Bon Jovi, passei para a terceira fase em que eu já estava bem apaixonada por Cristo, procurando catequese, começando a rezar o terço. Na verdade, eu estava apenas me reerguendo de um dos períodos mais difíceis, deprimentes e solitários da minha vida e achava que tinha o direito de me divertir um pouquinho.

Todos nós sabemos que o Espírito Santo não é nenhum pastor pentecostal que sopra na tua testa, te derruba em êxtase sobrenatural no chão, te faz aceitar Jesus, e, no minuto seguinte, a vida está completamente transformada. Oh, que delícia seria se fosse tão simples! Todos os nossos desejos, defeitos, pecados e vícios de décadas desapareceriam instantaneamente com a expressão vocal do "sim" a Jesus! Eu não demorei muito para aprender que a conversão é um processo que leva a vida toda e que, no começo, naturalmente, a mudança é gradual.

Eu tive uma experiência real com Deus mas ainda estava muito perdida dentro da Igreja. Eu não conhecia a liturgia, a história, a filosofia, os sacramentos, nada. Eu via os vídeos do Resposta Católica sempre que possível, em todo o tempo livre que eu tinha. Lavando a louça, no ônibus, antes de dormir, antes de sair. Frequentemente antes de sair. Depois de tanto tempo de isolamento, uma vez que a vida voltou a uma certa normalidade, o meu primeiro impulso foi o de fazer o que já sabia, o que já conhecia: eu tinha me convertido, mas queria levar a mesma vida de antes. Não sabia de nada ainda.

Foi então que um fenômeno interessante começou a ocorrer. Eu me lembro nitidamente da primeira vez que tal "coincidência" aconteceu. Eu estava me preparando pra ir a uma festa de aniversário, onde eu sabia que teria a oportunidade de me aproximar de um homem que me interessava. Eu havia feito o download de vários áudios e vídeos do site do Padre Paulo Ricardo, e nesse dia coloquei pra escutar em modo aleatório. Eu estava bastante satisfeita comigo mesma e meu empenho em ser tão santinha, até que comecei a ouvir algo sobre aquela coisa ultrapassada e cafona, a castidade. Como não me interessava, mudei de áudio. Passados alguns minutos, o modo aleatório colocou naquele de novo. Desliguei.

Não vou me estender na descrição da sucessão de derrotas que obtive em minhas tentativas de me comportar como solteira que estava deliberadamente desobedecendo às ordens divinas. "Faz-me casta, mas não hoje" era a preferida das minhas frases, o que já mostrava que eu, mesmo agarrada às minhas falsas convicções resultantes de uma vida de lavagem cerebral cultural, sabia reconhecer que estava vivendo em modo desordenado. Como eu tendo a hiperbolizar tudo, imaginava que o Céu inteiro estava ocupado em me manter distante dos galantes conquistadores italianos. Meu anjo da guarda teve que fazer tanta hora extra pra me livrar de encrencas várias que eu não achei que ele tivesse tanta energia para o que eu considerava um pecadinho tão bobo. Mas ele tinha, e como: Deus já tinha dado um basta naquela vida, eu que ainda não sabia.

Como já disse, eu sou bem teimosa e a castidade era um assunto que eu considerava irrelevante. Tanto na minha vida já havia mudado... Em menos de um ano eu já tinha sido virada e revirada do avesso diversas vezes, e ainda mais isso? Assim, tão rápido? Ah, que carolice! Quem é que é casto nos dias de hoje, meu Deus do céu? Vou ficar aqui fazendo a puritana com mais de 30 anos nas costas? Ah, me poupe, Catecismo.

E assim, Deus permitiu que eu rascunhasse uma tragicômica busca em encontrar o amor pelos meus próprios meios, e, enquanto isso, o assunto carola continuou a me perseguir, sem que eu lhe desse atenção. Todas as vezes que eu sequer abria o site do Padre Paulo Ricardo era esse o assunto do dia. Eu ignorava e ia pra outro site. Eu esquecia, e voltava, e lá estava esse padre inconveniente querendo ficar falando disso de novo. E de novo, e de novo, e de novo. Não sei nem dizer quantas vezes isso aconteceu. Até que um dia percebi que isso não era uma coincidência e fui obrigada a confrontar o assunto com a sinceridade devida.

Não demorou muito e um senhor meio sem paciência se juntou ao coro do Padre Paulo Ricardo. Por puro turismo eu fui ver o corpo incorrupto de São Padre Pio e, já que estava ali, fiz umas orações. Para depois ir à praia, que era o que realmente me interessava naquele verão de 2013, no sul da Itália.

Alguns dias depois dessa viagem eu fui obrigada a me ajoelhar no meu quarto e chorar de tristeza. Briguei com Deus, com os anjos e com todos os santos (na minha cabeça o drama sempre envolve o Céu inteiro, e a trilha sonora é sempre Bon Jovi). Eu não tinha absolutamente nenhuma vontade de fazer a Sua vontade, um último ímpeto rebelde de resistência à entrega total a um Cristo exigente que nos quer por completo. Foi a primeira vez que eu entendi o quanto eu precisava da graça, que não sou eu que venço a carne, que venço o mundo. Eu estava aterrorizada diante da possibilidade de perder tudo aquilo que o mundo sempre me prometeu (e nunca me deu). Eu tinha medo de desperdiçar o restinho da minha juventude, medo de descobrir que minha vocação era ser freira, medo de abdicar de experiências que eu achava que eram essenciais para a compreensão da realidade. E medo maior ainda era da possibilidade de que o único tipo de homem nesse planeta que apreciaria uma mulher casta seria o moralista hipócrita onanista sem nenhuma compreensão da vida, mas com muita compreensão de discussões na internet. Eu detestava a ideia. Aceitei o meu dever com o coração pesado e aflito. Mas aceitei.

Dois meses depois eu conheci o meu marido (que nunca discute na internet).

Não se deve inferir que a castidade deve ser seguida pra que haja uma recompensa. Eu não esperava um matrimônio como resposta. Por muito tempo eu nem soube que meu marido seria meu marido. Eu chorava e fazia novenas, questionava se eu era vocacionada para o casamento, e ele já estava ali, do meu lado. Eu levo algum tempo pra perceber as coisas, acho que deu pra notar. Por alguns meses eu tive dificuldades, e ainda tenho, com a castidade. Somente a graça divina nos permite superar esses obstáculos, e foi também com o Padre Paulo Ricardo que eu aprendi a suplicar por ela. Mas em nenhum momento eu me arrependi da minha escolha. Foi através dela que eu me converti de verdade. Foi ali que eu entendi que não queria mais aquela minha velha vida, que queria amar a Cruz. Foi ali que eu soube que eu queria mesmo entrar no reino dos Céus, que queria glorificar a Deus com todas as coisas, inclusive com o meu corpo. Foi ali que a minha inteligência se abriu para a busca da Verdade, foi ali que eu comecei a aprender o que é amar. E até aquele chato insistente do Padre Paulo Ricardo eu amo um pouco mais por causa disso.

Testemunho enviado ao nosso site no dia 23 de setembro de 2015.

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Conheça os atletas que foram “sinal de contradição” nas Olimpíadas do Rio

Para além de suas medalhas e conquistas pessoais, esses homens e mulheres falaram de Deus de maneira simples e descomplicada, para os quatro cantos do mundo.

Por Wanda Skowronska | Antes mesmo que as Olimpíadas de 2016 tivessem início, o cardeal e arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, abençoou a tocha olímpica aos pés da estátua do Cristo Redentor. Já naquele momento, imagens de Jesus com os braços estendidos imediatamente "abraçaram" incontáveis famílias no mundo inteiro.

Nada disso tinha sido previsto nem agendado pelo Comitê Olímpico Internacional, mas mesmo assim aconteceu. Em meio ao frenesi olímpico, com todos os holofotes voltados a corpos atléticos, símbolos neopagãos e gastos suntuosos, esse foi apenas um dos muitos sinais de contradição que ainda muitos outros ostentariam no decorrer dos Jogos Olímpicos: lembranças do Salvador, da verdadeira luz que ilumina o mundo, muito mais gloriosa que qualquer fogo terreno.

Quando a seleção de rugby de Fiji, por exemplo, celebrou a conquista da medalha de ouro, as câmeras captaram e nós assistimos aos jogadores cantando um belo hino de ação de graças. Qualquer um poderia prever essa cena se acompanhasse a página do time na internet, onde é possível ler o testemunho do agora medalhista Leone Nakarawa: "Nós sabemos que estamos aqui não por nossos esforços, mas graças a Deus, e é tudo plano de Deus que estejamos aqui". Os atletas fijianos são assumidamente cristãos e revelam ser Deus a motivação última de eles jogarem.

Depois de esperarem ansiosamente a corrida de Usain Bolt nos 100 metros rasos, independentemente de serem ateus, muçulmanos ou hinduístas, todos tiveram de assistir ao corredor fazendo o sinal da cruz antes de assumir a sua posição na largada. O jamaicano entrou para a história dos Jogos Olímpicos como o primeiro atleta a ganhar por três vezes consecutivas o título de "homem mais rápido do mundo", com uma velocidade de 9,81 segundos.

Mas Bolt não só faz o sinal da cruz, como sempre leva no pescoço a catolicíssima Medalha Milagrosa, fazendo uma oração no silêncio antes de qualquer prova em que venha a competir. Novamente às claras, sem medo, o atleta revela com orgulho o seu nome do meio: Usain St. Leo Bolt, uma singela homenagem ao papa e santo católico Leão Magno. Sua postura faz lembrar a da corredora etíope Meseret Defar, que, depois de vencer os 5.000 metros nos Jogos de Londres, trouxe nas mãos uma imagem da Virgem do Perpétuo Socorro, exibindo-a ao mundo inteiro. A etíope tinha carregado aquele ícone mariano por toda a corrida.

Talvez a mais dramática das histórias de superação deste ano seja a de Simone Biles, a garota de 19 anos que fez a sua primeira aparição nas Olimpíadas do Rio. Nascida em Ohio, de pais com problemas de dependência química, Simone viu o pai abandonar a família quando ela era ainda pequena e, com os seus irmãos, a menina alternava entre a casa materna e um lar adotivo. O grande ponto de virada em sua vida veio não com a conquista recente de 5 medalhas olímpicas, as quais ela obteve com uma performance impecável na ginástica. Muito antes disso, foram seus avós católicos, Nellie e Ron Biles, que deram à jovem a chance de desenvolver seu talento e dominar a ginástica olímpica. Eles transmitiram a fé católica a Simone e a sua irmã, praticando com elas o homeschooling.

Para se ter uma ideia da influência que tem a religião em sua vida, a ginasta revela que viaja com uma imagem de São Sebastião, o santo padroeiro dos esportistas, além de carregar sempre consigo um Rosário que ganhou de sua mãe biológica. Simone também recita uma Ave-Maria antes de suas apresentações e não tem vergonha de dizer publicamente que tem fé, ainda que muitos na mídia secular tentem abafar o seu testemunho.

Ouvi pela primeira vez o nome de Katie Ledecky durante essas Olimpíadas e, como o resto do mundo, impressionei-me com a nadadora que parecia entrar na água como uma flecha, mantendo uma larga distância à frente de suas adversárias. Passei a me perguntar, então, de onde vinha a sua aparente simplicidade e equilíbrio, especialmente quando subia ao pódio. Foi quando descobri uma entrevista recente da nadadora ao site Catholic Standard, na qual ela revela algo muito bonito de sua vida interior: "Minha fé católica é muito importante para mim. Sempre foi e sempre será. É parte de quem eu sou e me traz um grande conforto. É algo que me ajuda a pôr as coisas em perspectiva."

Na mesma entrevista, a nadadora presta tributo à "educação excelente e cheia de fé que recebeu" nas escolas católicas que frequentou, além de confessar que também reza uma Ave-Maria antes de entrar na piscina. No Rio, ela ganhou 4 medalhas de ouro e 1 de prata.

Ledecky sempre admirou o fenômeno Michael Phelps, cujas atuações lhe renderam, em vários estilos da natação, a impressionante cifra de 23 medalhas de ouro em 5 Jogos Olímpicos. A revista Time anunciou que "o domínio de Michael Phelps tem sido a história reinante das Olimpíadas de 2016 no Rio".

Só que existe ainda uma outra história por trás desta.

O atleta norte-americano, assim como muitos outros esportistas, já teve uma amarga experiência com as drogas e terminou preso em 2014. Deprimido, vendo sua carreira chegar ao fim e sua vida arruinada, Phelps chegou a considerar a possibilidade do suicídio. Aqui entra a força escondida do alto: para recomeçar, o nadador contou com a ajuda de Ray Lewis, o lendário jogador de futebol americano, que também é cristão devoto. Graças à intervenção do amigo e à reabilitação, Phelps assumiu a sua fé em Deus e as rédeas de sua família.

Este ano, no Rio de Janeiro, ele encerrou a sua participação em Olimpíadas com grande estilo, consolidando o posto de maior medalhista da história.

Considerando que os Jogos Olímpicos no Rio não foram apenas sobre "ganhar medalhas", mas também "dar o melhor de si", é interessante que algumas estrelas queiram ainda, não obstante suas conquistas no esporte, oferecer publicamente um testemunho espiritual. Alguém até poderia esperar isso de um país católico, como a Polônia, onde recentemente, antes de um jogo de futebol, os torcedores estenderam um pôster em defesa do cristianismo e contra o Islã. Ver todavia símbolos de fé sendo usados nos Jogos Olímpicos, um festival de acentos tradicionalmente pagãos, é um forte sinal de contradição, especialmente para a mídia secular, obrigada a filmar essas manifestações, ainda que a contragosto.

As orações e os sinais cristãos desses atletas constituem um autêntico testemunho em defesa do cristianismo. Acima de qualquer conquista meramente humana, esses homens e mulheres falaram de Deus de maneira simples e descomplicada, para os quatro cantos do mundo.

Fonte: Crisis Magazine | Tradução e adaptação: Equipe Christo Nihil Praeponere