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A odisseia de uma mulher para vencer o seu vício em pornografia

O tsunami pornográfico não está devastando só os homens. Ele está arrastando mulheres também. E é esse o grande alerta de Jessica Harris.

Por Jonathon van Maren — Finalmente as igrejas e a cultura estão acordando para o fato de que fomos atingidos por um tsunami, e que milhões de homens estão viciados em pornografia. Ela está destruindo casamentos. Está destruindo carreiras. Está destruindo almas.

Mas ainda há uma coisa sobre a qual ninguém está comentando: a pornografia está destruindo mulheres também. E não é só as estrelas pornô que são destruídas através do abuso e da violência nos sets de filmagem. Estou falando das centenas de milhares de mulheres que estão assistindo a pornografia, sem que ninguém reconheça o fato ou toque no assunto.

Por muito tempo eu tive curiosidade em descobrir quais eram as estatísticas. Em 2015, uma estimativa do site Covenant Eyes apontou que 76% das mulheres entre as idades de 18 a 30 viam pornografia pelo menos 1 vez por mês, enquanto 21% delas assistiam a pornografia várias vezes durante a semana. Mesmo assim, parecem ser poucas as mulheres que procuram ajuda ou admitem estar lutando contra o vício em pornografia. Já falei com centenas de homens, mas, quanto às mulheres, fui abordado por apenas três que me vieram contar suas histórias. Na verdade, muitas pessoas ficam até mesmo chocadas ao saber que existem mulheres que vêem pornografia.

Para saber mais sobre as histórias por trás das estatísticas, eu liguei para Jessica Harris. Ela cresceu em um ambiente religioso e conservador, e ia à igreja praticamente todos os domingos. Mesmo assim, Jessica assistiu a pornografia pela primeira vez aos 13 anos, e aquilo começou a destruí-la silenciosamente, nas sombras, onde ninguém a escutava, nem podia sequer compreendê-la. Afinal de contas, mulheres não vêem pornografia, é essa a ideia geral que se tem. Pornografia é coisa de homem, um pecado masculino. Rapazes precisam ser alertados para não caírem nessa armadilha, mulheres não, é o que pensa a maioria. Elas estão imunes a esse tipo de toxina. Porque são mulheres.

"Nunca nos foi dito nada acerca da pornografia. Jamais fomos alertadas sequer de que isso existia. Ao menos não as mulheres. Na minha família isso não era mencionado, ninguém falava desse assunto. Quando descobri aquele material, então, eu não tinha sequer uma palavra para descrevê-lo. Eu cresci em um ambiente de igreja, mas frequentava a escola pública. Pensei comigo: deve ser sobre isso que eles tanto comentam, devem ser essas as coisas a que eles assistem na Internet. Mas eu estava no ensino fundamental, começando o ensino médio, e eu não tinha uma categoria em que colocar aquilo, não tinha um contexto, não tinha nada."

Mas aquilo a deixou fascinada. E ela começou a assistir. A princípio, Harris pensou que talvez não houvesse mal algum; que, aliás, aquilo até lhe poderia ser útil de alguma forma.

"Eu realmente não achava que era um problema nos primeiros dois anos em que comecei a consumir esse material. Eu pensava: 'Não estou saindo e fazendo sexo de verdade com ninguém, então é seguro. Vou em frente com isto.' Não existia o risco de contrair doenças sexualmente transmissíveis, nem chance de engravidar. Não precisava me preocupar com aborto. Não precisava me preocupar com nada. Pornografia era algo totalmente seguro e, quando eu comecei, senti que podia ligar e desligar na hora em que quisesse, como se estivesse totalmente no controle da situação. Não senti a necessidade de contar para alguém até porque não achava necessariamente mau aquilo que eu estava fazendo. Aquela parecia ser uma forma segura de me expressar, de estar em sintonia com meus colegas na escola, de conversar sobre essas coisas e mostrar que eu sabia do que se tratava. Era uma forma de me sentir aceita e conectada."

Vícios, é claro, não podem jamais ser controlados. Eles sempre terminam controlando você: a menos que você se liberte antes… eles o destroem. Com o vício em pornografia não é diferente, e logo Jessica começou a se sentir arrastada para baixo. A pornografia começou a dominar a sua vida.

"Foi no final do ensino médio que aquilo realmente começou a fazer um grande estrago em minha vida", ela diz. "Era como se eu precisasse daquilo, então eu ficava acordada até tarde da noite… Comecei a ter dificuldades para manter a minha média na escola. Não conseguia dormir bem. Até nos dias em que eu não queria fazer aquilo, o meu corpo pedia mais. Eu dizia: 'Hoje não, hoje não, hoje não', e os meus pés caíam sobre o chão e caminhavam até o computador por conta própria — e eu odiava não estar mais no controle da situação."

Ela lutou para retomar o controle por todos os meios possíveis, e o desespero se transformou em pânico. A pornografia era poderosa. De fato, era mais poderosa do que ela poderia ter imaginado.

"Eu imprimia fotografias e ateava fogo nelas porque queria provar que era mais forte. Eu salvava imagens em disquetes — eles estavam em alta na época — e quebrava os discos ao meio de tanta raiva e frustração. Eu costumava usar uma tesoura também, porque eu queria provar que era mais forte. E quando isso não funcionava, eu começava a me machucar fisicamente. Se eu não conseguisse me segurar, se eu fosse para o computador e assistisse cinco horas de pornografia, ou o tempo que fosse enquanto eu estava em casa sozinha, eu ia até ao banheiro quando terminava e simplesmente batia a minha cabeça contra a banheira, de tão zangada que eu ficava. Eu pensava que, se conseguisse fazer aquilo doer, talvez eu conseguisse parar. Quando isso não funcionava, eu entrava no chuveiro escaldante até a minha pele ficar vermelha. Eu só queria que aquilo acabasse.

Quando eu finalmente decidi usar o Google e procurar ajuda para acabar com o vício da pornografia, mas vi que tudo era para homens, pela primeira vez me questionei o porquê daquilo. 'Espere um pouco', eu pensei, 'o que isto significa? Porque não existe nada para mulheres?' Depois comecei a procurar por mulheres em situação semelhante e não encontrei nada. Então eu meio que entrei em pânico porque, se não há ninguém para me ajudar, como eu vou sair dessa? Se não há ninguém falando sobre isso, se não há ninguém como eu, como vou sair disso?"

Para piorar, Jessica começou a ter uma sensação horrorosa: a de que ela era a única mulher com este problema. Só ela assistia a pornografia. Por isso não havia nenhum tipo de ajuda disponível — porque, aparentemente, ela era a única mulher que precisava daquilo! Em alguns sites antipornografia destinados para homens, ela leu como tudo aquilo era degradante e violento para as mulheres. O que há de errado comigo?, ela passou a se questionar. Quando partiu para a faculdade bíblica, o vício pornográfico acompanhou-a. Ali, ela pensava, certamente haveria ajuda para alguém como ela.

"Eu tinha rezado para que fosse pega, porque pensava que, se alguém tivesse recursos para ajudar, seriam pessoas como o reitor, ou algum funcionário da faculdade. Certamente eles já viram esse tipo de comportamento antes. Com certeza eu não sou a única mulher com este problema. Alguém vai me ajudar. Mas eu estava apavorada com a ideia de que fosse eu a iniciar essa conversa. Eu não queria entrar na sala da reitoria, me apresentar e dizer: 'Ah, e, por acaso, eu sou viciada em pornografia.'

Eu eventualmente fui pega algumas semanas depois de as aulas terem começado, e fui convocada a me apresentar na reitoria. Eles tinham o relatório com o histórico de Internet do meu login. Eles tinham imprimido tudo e sublinhado todos os sites que eram obviamente pornográficos. Naquela ocasião, eu já estava entregue a um tipo de pornografia muito obscura com fetiches depravados. Eu fui de coisas leves a coisas pesadíssimas, que até me assustavam quando eu assistia. Eles ficaram enojados e disseram: 'Isto é nojento. Isto é depravado. Quem vê essas coisas precisa de ajuda.' E eu estava pronta para assumir tudo, caso eles me perguntassem: 'Isso foi você?'. Mas isso não aconteceu. A conversa rapidamente evoluiu para: 'Bem, isso não foi você. Mulheres não têm estes problemas.' Eu fui repreendida por ter dado a senha do meu login para rapazes da faculdade. Eles pensaram que eu tinha dado a minha senha a uns amigos, para eles usarem como quisessem. Foi essa a minha acusação. Eles me fizeram assinar um contrato dizendo que eu jamais voltaria a dar a minha senha a alguém. Eu assinei, então, e voltei para o meu quarto."

Foi depois de deixar a sala da reitoria que Jessica finalmente desistiu. "Eu sentia que a única forma de conviver com aquilo, e comigo mesma, já que obviamente havia algo de muito errado comigo, era me juntar à indústria pornográfica, porque não fazia sentido eu ser a única mulher do mundo a me sentir assim", ela conta. "Obviamente devem existir outras, e essas outras devem ser as atrizes pornográficas, já que deve ser esse o motivo pelo qual elas escolheram essa profissão. Foi assim que pensei nessa profissão da indústria pornográfica. Esse foi o ponto a que cheguei. Fui do desejo de ser médica e tornar-me uma aluna nota 10 a uma pessoa que diz: 'Esqueça, não posso continuar vivendo assim, continuar fingindo que sou perfeita e que alcanço todos os objetivos almejados para ser bem sucedida enquanto me arrasto sozinha nessa situação. Se eu não consigo sair dessa, então a única maneira de lidar com isso é me juntando à indústria."

Harris resignou-se ao seu destino. Ela entrou em um relacionamento online com um rapaz e enviou-lhe fotos explícitas. Fez planos de se juntar à indústria pornográfica, onde ela achava que encontraria as únicas outras mulheres do mundo que a compreenderiam. Mas, como ela relata em seu site dedicado a ajudar mulheres e meninas que são viciadas em pornografia, algo mudou:

"No ano seguinte, depois de deixar aquela faculdade, eu estava em uma faculdade diferente, tentando viver a vida com este segredo horrível dentro de mim, e cogitando fortemente me juntar ao mundo pornô e acabar logo com tudo. Mas, durante uma reunião de mulheres no campus, um membro da equipe de reitoria tomou a palavra e disse, na frente de todos: ' Nós sabemos que algumas de vocês lutam contra o vício em pornografia, e nós vamos ajudá-las.' Aquele momento foi libertador. Pela primeira vez senti que não estava só, que minha luta não era anormal. Ainda existia esperança!

Os anos desde então têm sido uma jornada contínua de liberdade. Tudo isso é muito mais do que simplesmente não assistir a pornografia. Tem a ver com cura interior, com a descoberta de uma vida sem ter que carregar o peso esmagador da vergonha e do medo."

Jessica Harris agora se compromete em oferecer a outras mulheres e garotas essa mesma experiência de liberdade — aquele momento em que alguém finalmente percebe que não está só, que outras pessoas o compreendem, e que existe um caminho para a libertação. Ela viaja por toda a América do Norte, contando a sua história em auditórios, uma história que se conecta com mulheres em situações semelhantes, as quais pensavam estar absolutamente sozinhas, até que alguém ficou diante delas e prometeu entendê-las. As pessoas precisam tomar consciência, ela diz, que as mulheres têm mais dificuldades em assumir esse problema:

"Os homens tendem a confessar o problema quando ele começa a ameaçar o seu relacionamento ou quando flagrados por suas esposas. Eles tendem a se abrir em relação ao assunto quando se cansam de esconder ou simplesmente porque querem desabafar, enquanto as mulheres sempre escolhem a direção oposta. Elas vão fazer o máximo para esconder, pois sentem-se muito envergonhadas e isso que fazem diz muito sobre quem elas são. Ao mesmo tempo elas tentam se desvencilhar da situação e separá-la de si mesmas. Chegam a criar outra personalidade, uma imagem de mulher perfeita que têm tudo sob controle, ao mesmo tempo em que tentam de verdade ser essas mulheres. Eu tenho mulheres que me escrevem, esposas de pastores, missionárias, líderes espirituais, freiras. São mulheres que tentam com todas as forças manter uma imagem de pessoas emocionalmente equilibradas e convencer-se de que: 'Não, você não precisa ser como a mulher do vídeo. Você vale mais que isso. Você não precisa ser assim.' Elas vivem navegando, portanto, entre essas vidas duplas que levam. Uma mulher não pede ajuda a menos que esteja à beira de um colapso, ou que a situação supere o medo de alguém descobri-la. Ou seja, ela só pede ajuda quando está dominada pelo terror absoluto. Com os homens, esse assunto tem mais a ver com uma modificação comportamental; com a mulher, no entanto, trata-se de uma crise de identidade. Ajudá-las significa salvá-las de ir para onde elas acham que estão indo enquanto pessoas."

E quanto às estatísticas do site Covenant Eyes, eu perguntei a Jessica, elas estão corretas? Ou estão um pouco exageradas?

" Geralmente eu calculo que metade do meu público de alguma maneira tenha sido exposta à pornografia", ela respondeu. "Eu diria que, em uma sala com 100 pessoas, pelo menos 50 já tiveram algum tipo de exposição. E outra coisa para lembrar a respeito das mulheres, também, é que nós temos um alcance maior do uso de pornografia. Algumas, por exemplo, entram na literatura erótica e aquilo se torna o estímulo sexual delas. Elas entram em sites eróticos não tão explícitos — coisa com a qual os homens já não se preocupam, eles pulam essa parte. Por outro lado, também pode haver mulheres lutando bastante com o pornô pesado."

Uma pergunta final: como as mulheres que não sabem aonde ir iniciam o caminho para a libertação? Como mulheres universitárias, a exemplo de Jessica Harris, podem romper com esse vício que as domina?

" A primeira coisa que lhes quero dizer é que elas não estão só. É incrível, eu recebo emails e mais emails todas as semanas. Conheço mulheres sempre que vou dar uma palestra, e vejo que toda história, em certo ponto, é parecida com a minha. Sempre fico boquiaberta, mesmo quando estamos trabalhando com uma estatística de 20%, essas 20% sempre acham que são uma em seis bilhões, que são as únicas no mundo com aquelas dificuldades. Você não está sozinha, por isso não se martirize. Pare de achar que está só.

Você tem que destruir esse padrão duplo de vida. Você tem que se libertar, reconhecer o que está acontecendo. Sim, você pode ser uma exímia aluna, uma líder espiritual, mas você também é uma mulher que luta contra este vício, e não tenha medo de se conectar com pessoas que também sofrem deste mal para receber ajuda. O que eu descobri de maravilhoso, toda vez que conto a minha própria história ou encorajo outras garotas a darem o seu testemunho, é que, quando imaginamos que seremos cobertas de vergonha, o que acontece, na verdade, é uma efusão de graça. Tive moças que se libertaram contando para as colegas na faculdade o que as atormentava. E, para a surpresa delas, outras também revelavam ter problemas semelhantes e, no fim, elas acabavam criando grupos de apoio no campus. Isso tem acontecido em faculdades, em igrejas, com mulheres do meu trabalho, as quais eu simplesmente aconselhei, dizendo: 'Você tem que compartilhar isso com alguém.'"

O tsunami pornográfico não está arrastando apenas homens e crianças. Ele está levando mulheres também, e muitas delas estão se afogando porque ninguém tem consciência sequer de que elas estão na água, ninguém é capaz de escutar os seus gritos de socorro. Nós vemos as estatísticas, mas não conseguimos ver os rostos por trás delas. Mas, finalmente, uma mulher decidiu colocar uma história por detrás das estatísticas. A história de Jessica Harris é poderosa, sua mensagem é essencial e seus conselhos são necessários. Faria bem se todos ouvíssemos. A sua história é um coro para muitas que não encontraram a sua voz, e que ainda procuram trilhar o caminho da liberdade.

Fonte: LifeSiteNews.com | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

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Fui vendida por sexo centenas de vezes, até ficar grávida

Darlene passou muitos anos refém da indústria sexual, mas Deus, em sua providência, tinha outros planos para a vida dela.

Por Darlene Pawlik — Fui refém do tráfico sexual dos 14 aos 17 anos. Traficar pessoas não é como nenhum outro negócio regulamentado. Trata-se de uma anarquia total. Não existem regras.

Eu fui concebida durante um estupro brutal e fiquei sabendo disso quando era muito nova. Essa consciência, o abuso sexual que sofri do meu próprio pai e, mais tarde, de um tio materno, fizeram com que eu me sentisse vulnerável e inferior aos outros. Eu tinha 12 anos quando a minha mãe se divorciou pela segunda vez. Aos 13, eu já usava álcool e drogas, e costumava andar pelo meu bairro com um desses homens musculosos de academia, dentro de um Cadillac preto. Ele foi paciente ao me cortejar e manipular, até que eu parasse na cama dele.

Eu não estava presa ao tráfico por cadeados, barras ou algemas, mas por medo, ameaças e desespero. Eu não tinha esperanças que as autoridades me ajudassem. Um dos apartamentos em que fiquei estava alugado ao candidato a xerife de uma pequena cidade. Alguns dos compradores eram homens de negócios, deputados, profissionais, assim como delinquentes que tinham fetiche por dor e violência.

Ele me vendeu pela primeira vez no meu aniversário de 14 anos. Fiquei parada em quase 1 metro de neve, com meus sapatos cheios de água congelante, tremendo em frente a uma farmácia no final da rua onde eu morava, esperando que me buscasse um rapaz chamado "Ace". O comprador estava entusiasmado em saber que eu era tão nova, apesar de meu jeito um pouco estranho e assustado.

Ace me vendeu por sexo centenas de vezes até que, por fim, fui vendida a um outro homem que também fazia o mesmo. Vivi um lamaçal de abusos, estupros coletivos, tentativas de suicídio, insônias, noites mal dormidas em escadarias de igrejas e portarias, drogas, bebidas, prisões e abrigos, e fugindo de novo. Aos 17, fui vendida para um homem como "animal de estimação". Eu pensei que estaria mais segura — pelo menos eu só teria que servi-lo. Ele me vestia bem e me levava para comer em bons restaurantes. Eu tinha um emprego. Finalmente eu me sentia meio estável, meio normal.

Ele me disse no entanto que, caso eu engravidasse, eu teria que abortar. Isso me assustou, mas senti que não havia escolha.

Depois de 4 meses, então, eu engravidei. Ele golpeava o braço de madeira do sofá, e gritava: "Eu não quero essa vida!" Foi aterrorizante. A voz dele ecoou pelo meu corpo todo. O homem era chefe de um pequeno grupo de criminosos. Ele me disse que ou eu abortava ou ele me mataria, e eu sabia que era verdade. Um dos seus capangas já tinha me traficado, batido e estuprado várias vezes. Eu marquei a consulta na presença dele.

Naquela tarde, eu literalmente ergui os braços aos céus e chorei enquanto rezava: "Deus, se você é real, por favor me ajude!" De alguma forma, eu adormeci e tive um sonho no qual presenciava um aborto, ao vivo e a cores, da perspectiva de dentro do útero. Na época eu não tinha conhecimento nenhum sobre aborto, mas agora eu sei que era de uma precisão pelo nível de desenvolvimento em grande detalhe. Aqueles pés e mãos pequenas, aquele rosto minúsculo, as costelas e o sangue… Foi horrível, especialmente para mim, que sempre quis e pensei em ser mãe.

Quando acordei, liguei para todo o mundo em que eu conseguia pensar, passando por velhos cartões de negócios que, vez ou outra, as pessoas me davam. Entrei em contato com uma assistente social que tinha tentado me ajudar a fugir no passado. Ela encontrou uma maternidade que me acolheria. Alguns amigos levariam as minhas coisas para serem armazenadas. Mas como eu iria fugir? Meu captor insistia para que fôssemos jantar depois da consulta para o aborto.

Então, o dia chegou. Eu saí e fiz os arranjos com a assistente social, mas ainda teria que voltar para me arrumar para o jantar. Eu estava com tanto medo que chorava quase histericamente o dia todo. Com a cara inchada, olhos vermelhos, tremendo e suspirando, eu entrei no carro. Estava extremamente nervosa e com a respiração ofegante. Eu gaguejava, enquanto lhe dizia que queria ir morar com uma prima que me prometera um emprego.

"Algo aconteceu comigo em cima daquela mesa", eu disse, "não quero mais ficar aqui". Eu pensei que ele entenderia, já que ele tinha me falado de outras garotas que ele obrigou a abortar, mas que tinha deixado irem embora. A noite toda, eu não conseguia me acalmar, com medo de que ele descobrisse. Ia ao banheiro com frequência durante o jantar para chorar, fingindo que estava com náuseas e dores. No caminho para casa, ele disse que eu poderia ir, desde que eu o procurasse, se voltasse para a cidade novamente.

Mudei-me rapidamente no dia seguinte. Prometi a Deus que educaria os meus filhos no temor e na lei de Deus, se meu bebê nascesse sem problemas. Ela nasceu perfeita, e eu mantive a minha promessa. As pessoas que me conhecem hoje não conseguem imaginar que eu tenha levado uma vida assim. E eu lhes explico, então, que salvar o meu bebê salvou a minha vida.

Fonte: LifeSiteNews.com | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

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Ela tomou uma pílula para abortar, mas mal sabia o que estava por vir

Não demorou muito para que Christina percebesse que tinha tomado a decisão errada. Mas, para o seu filho, abortado com ainda 9 semanas, infelizmente já era tarde demais.

Christina foi informada pela Planned Parenthood que o seu aborto por pílula seria "como uma menstruação mais forte". Ela não estava preparada para câimbras agonizantes, sangramento intenso, e muito menos para ver o corpo perfeitamente formado de seu bebê abortado.

Christina estava grávida de 9 semanas quando foi parar em uma clínica da Planned Parenthood por insistência do namorado. Ela já tinha um bebê de 4 meses em casa, e sua saúde estava precária. Christina descreve o tipo de "aconselhamento" que recebeu na Planned Parenthood:

A atendente me perguntava se eu estava sendo forçada a fazer aquilo. Perguntou-me também se a decisão era 100% minha. Ela me aconselhou a ter certeza de que era isto o que eu queria.

Ela então começou a me dizer que o processo era bem simples… e que eu não veria nada. Eles nunca usavam a palavra "bebê". Eles sempre diziam que era um "tecido" ou "um processo". Eles jamais diziam algo sobre o nível de desenvolvimento [da criança]. Disseram-me que ela seria muito pequena para se ver.

No vídeo abaixo, Dr. Anthony Lavatino descreve como age a pílula abortiva, geralmente receitada ainda no primeiro trimestre da gestação:

A Planned Parenthood também não lhe avisou da dor que o aborto iria causar. Depois de tomar os comprimidos, Christina escreve como o procedimento estava muito longe do que ela esperava:

A pílula não era de forma alguma aquilo que a Planned Parenthood disse-me que seria. Eles disseram que eu iria sentir como se fosse uma menstruação pesada. Mas foi infernal o que eu senti! Foi pior do que o parto do meu filho.

Mas o pior ainda estava por vir. Christina estava na 9.ª semana de gravidez, a contar de seu último período menstrual. Como a fecundação geralmente ocorre cerca de duas semanas depois, na ovulação, o que ela gestava era um bebê prematuro de 7 semanas.

Ela estava completamente despreparada para o choque de ver o corpo do seu filho:

Dentro de duas horas em que tomei a segunda dose de comprimidos, eu tive o bebê no toalete. Quando virei para trás lá estava o bebê intacto, dentro da bolsa e tudo. Estourei então a bolsa e segurei o pequeno bebê indefeso em minha mão. Eu chorei e senti como se tivesse acabado de tirar a vida de um inocente.

Christina percebeu que tinha tomado a decisão errada. Mas já era tarde demais.

Mesmo depois de perder o seu bebê no toalete, a provação de Christina não havia terminado. Dentro de alguns dias ela foi encaminhada, sangrando, para o departamento de emergência do hospital. Ela continuou a experimentar contrações extremamente dolorosas durante 2 semanas.

Christina sabe que foi enganada pela Planned Parenthood e ainda sofre com a perda do seu bebê.

Arrependi-me 100% do que fiz, depois daquela noite. Nada pode prepará-la verdadeiramente para um aborto, não importa o caminho que você tome. Ainda sofro muito e tenho pesadelos a toda hora. Sempre me pergunto: "E se eu jamais tivesse feito isso?"

Ela deseja que sua história ajude outras mulheres a tomarem a decisão certa, evitando assim a mesma experiência traumática por que ela passou:

Desde aquela noite eu me sinto horrível e envergonhada. Eu tenho outro filho, e o meu coração sangra em saber que eu poderia ter dois agora... Eu gostaria que todas as pessoas soubessem como se parece de fato um bebê de nove semanas. Apenas nove semanas!

Fonte: Live Action News | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

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Ex-pastor conta como se converteu à Igreja Católica

Ulf Ekman estava acostumado a conduzir um ministério pessoal, dentro da igreja que ele mesmo tinha fundado. Agora, é a Igreja Católica que o conduz.

Por Ulf Ekman — Quando eu anunciei, à congregação da mega-igreja evangélica à qual servia como pastor, desde que a fundei 30 anos atrás, que eu e minha esposa tínhamos decidido nos tornar católicos, o que se seguiu, mais do que uma simples agitação, foi um verdadeiro alvoroço — especialmente para o meu país, a Suécia, que permanece em sua esmagadora maioria protestante. O período que vai desde aquele 9 de março até 21 de maio de 2014, quando fomos acolhidos na Igreja Católica, foi marcado por contendas e debates intensos. Guardo comigo pastas cheias de artigos, comentários e reações que apareceram na mídia tradicional e na Internet.

Nossa convicção de que precisávamos nos tornar católicos foi crescendo pouco a pouco, ao longo de vários anos, mas a decisão de dar esse passo demorou bastante, para dizer a verdade. Nossa pergunta era: como devemos anunciar isso? Era algo que realmente não podia ser feito no decorrer de um longo período de tempo, passo por passo. Isso teria causado muitas especulações e grande confusão, a nível nacional e internacional, em nossa ampla rede de igrejas. Ao longo dos últimos anos, nossos amigos e cooperadores perceberam que estávamos cada vez mais atraídos pela teologia, pela moral, pela liturgia e pela cultura católicas. Poucos deles, no entanto, perceberam que estávamos prestes a dar o passo da conversão. Nos meses e semanas que precederam o anúncio de nossa decisão, preparamos o conselho da igreja e alguns outros colegas, para que nos ajudassem no processo de transmitir essa notícia à nossa congregação.

Olhando agora para trás, não consigo ver nenhuma outra forma através da qual isso pudesse ser feito. Os pastores da Word of Life fizeram um excelente trabalho, ajudando os membros a processarem o que aconteceu e as diferentes consequências de tudo aquilo. Eles também fizeram um esforço para responder a várias questões sobre a fé católica. Além disso, houve muitas emoções envolvidas, críticas, bem como mágoas e sentimentos de perda e rejeição. Como eu, enquanto pastor, podia deixar meu rebanho? Não estava traindo a eles e ao meu próprio chamado? Não os considerava mais como cristãos? Tudo que eu havia ensinado antes estava errado, então? Muitos se perguntavam como eu, que tinha conseguido manter-me aparentemente forte por tantos anos, podia "cair" agora em uma decepção e uma mentira tão grandes. Acusações foram lançadas de todos os lados e as emoções ficaram à flor da pele. Algumas ainda estão.

Mesmo assim, houve muitos na congregação que conseguiram entender. Eles ficaram agradecidos por um novo pastor ter sido posto no meu lugar por mais de um ano. Esses membros respeitaram nossa decisão e entenderam que ela tinha se baseado no que percebíamos como um chamado de Deus. Não tínhamos sido enganados, mas conduzidos por Deus nessa matéria, ainda que eles não tenham entendido muito bem como nem por quê. Recebemos muitas cartas encorajadoras tanto de protestantes quanto de católicos.

Também recebemos, de alguns, uma abordagem curiosa e do tipo pós-moderna. Eles estavam dispostos a aceitar que Deus nos pudesse chamar para a Igreja Católica, mas não podiam aceitar as doutrinas da Igreja. Um pregador me disse assim: "Tudo bem, você se tornou católico, mas com certeza não acredita no que eles acreditam, não é?" Eles falavam como se eu realmente tivesse outra alternativa e pudesse ser seletivo em minha escolha. Quando respondi que acreditava em que tudo o que a Igreja Católica acredita e ensina, soou muito estranho para muitos de meus amigos protestantes. Foi difícil para eles entender que ser católico significa verdadeiramente crer como um católico, até mesmo para mim.

Para nós, a verdade era a única coisa que importava. Sempre acreditamos na Palavra de Deus e que há uma verdade absoluta, revelada por Ele. Então, cada vez mais, nós fomos abrindo os olhos para o fato de que há uma Igreja concreta e histórica fundada por Cristo, bem como um tesouro, um depósito de fé objetivo e vivo ao mesmo tempo. Isso atraiu-nos e levou-nos para a Igreja Católica. Se acreditávamos, portanto, que a plenitude da verdade é mantida e confirmada pela Igreja Católica, não tínhamos alternativa senão unir-nos inteiramente a ela.

Quando finalmente chegou o momento de sermos recebidos na Igreja, sentimo-nos mais que preparados, ansiosos para deixar essa "terra de ninguém". Era como se finalmente nos estivéssemos tornando o que realmente éramos. Finalmente o desejo de participar da graça sacramental chegava ao fim.

Tentamos explicar para nossos amigos que não estávamos rejeitando o que Deus nos tinha dado em nosso ambiente evangélico e carismático, mas, como diz o ditado, "ser evangélico não é o bastante". Ele não está errado em seu amor pelas Escrituras e em manter as verdades básicas do Evangelho e o seu fervor de evangelizar. Tudo isso é necessário, mas não é suficiente. A vida carismática, com sua ênfase no poder e na condução do Espírito Santo, é necessária e constitui um dom precioso. Mas não pode ser vivido em sua plenitude em um ambiente cismático e altamente individualista. Entender isso abriu-nos para a percepção da necessidade da Igreja em sua plenitude, com sua rica vida sacramental.

Nós não rejeitamos, portanto, nossa vida passada e as ricas experiências ministeriais que tivemos ao longo de tantos anos como fundadores e líderes da Word of Life. Seremos sempre gratos a Deus, por tudo o que Ele fez. Mas estamos imensamente felizes e agradecidos por agora entendermos que realmente precisamos da Igreja Católica para continuar a nossa vida e o nosso serviço ao Senhor.

Agora que começamos esta caminhada, há muito por explorar. Agora que todos os nossos antigos deveres, obrigações e posições se foram, nós podemos, pelo menos por enquanto, viver em um ritmo que nos permite uma vida mais reflexiva. Estávamos acostumados a conduzir o ministério, a nossa própria igreja. Agora, é a Igreja que nos conduz. Os sacramentos se tornaram uma realidade tangível em nossas vidas e eles nos sustentam de uma forma concreta. Algo — a graça, eu tenho certeza — está aqui de uma forma que nunca esteve antes. Uma brisa refrescante sopra sobre as nossas vidas. Não vemos a hora de explorar e identificar-nos completamente com tudo aquilo de que agora fazemos parte. É emocionante viver inteiramente por causa de Jesus Cristo — na Igreja Católica.

Ulf Ekman é ex-pastor da igreja "Word of Life", na cidade de Uppsala, na Suécia. Esse artigo foi publicado na edição impressa do jornal "The Catholic Herald", em 8 de agosto de 2014.

Fonte: Catholic Herald | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

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Juiz, católico e pai de nove filhos

“Um católico, um esposo e um pai, e um americano. Essas eram as coisas mais importantes para ele”. São as revelações de um sacerdote sobre o seu pai, o ministro norte-americano Antonin Scalia, no aniversário de um ano de seu falecimento.

O ministro da Suprema Corte dos Estados Unidos, Antonin Scalia — um homem de tremenda influência no país, especialmente no Poder Judiciário —, inesperadamente partiu desta vida para a eternidade no dia 13 de fevereiro de 2016, há pouco mais de um ano.

Na ocasião, foi o seu filho, padre Paul Scalia, da diocese de Arlington (Virginia), quem celebrou a sua Missa de Exéquias. Na Basílica do Santuário Nacional da Imaculada Conceição, em Washington, diante de familiares e amigos, e de uma audiência televisiva na nação e no mundo inteiro, o padre Scalia provou ser realmente filho de seu pai. Ele não escolheu focar o seu sermão nas impressionantes conquistas de seu pai. Ao invés, ele preferiu, como também o seu pai teria feito, focar em Cristo.

O padre Scalia conversou com Catholic Digest sobre "o que Deus fez por seu pai", em comemoração do aniversário de um ano do seu falecimento.

Padre, em nome de minha própria família — e tenho certeza que de muitas famílias católicas —, quero dizer-lhe que, quando ficamos sabendo da morte de seu pai, a primeira coisa que fizemos foi parar tudo para rezar pela alma dele.

Muito obrigado, eu lhe agradeço por isso. Nem sempre foi fácil ter um pai que era uma figura pública, mas a maior consolação na hora de sua morte foi ter todos esses católicos no país e no mundo rezando espontânea e imediatamente por ele. Isso foi uma grande bênção.

Você mencionou os 55 felizes anos de matrimônio que tiveram os seus pais. Como está a sua mãe?

Ela está bem, na medida do possível. Trata-se de um processo, uma jornada longa, mas há também muito apoio. Ela tem nove filhos e muitos amigos.

O que fica para você do casamento de seus pais?

Eu acho que a simplicidade e a generosidade — a simplicidade do compromisso. Eles vieram de uma época em que, quando dois católicos se casavam, eles sabiam do que se tratava, sabiam que aquilo era por toda a vida. A importância dos ensinamentos da Igreja em todas essas coisas — não acho que esteja presente em muitos casamentos agora. Há a ideia de que você pode cair fora, de alguma forma. Mas havia a simplicidade dessa devoção pela própria vocação e a generosidade — eles tiveram nove filhos.

Como essa generosidade acontecia na vida do dia a dia?

Em uma família grande, essa generosidade é exigida de todos, porque você tem que compartilhar as coisas. Como comentaram alguns de meus irmãos durante o memorial um mês depois, nem sempre nós tivemos muito dinheiro. Minha mãe brincava que meu pai estava sempre à procura de um emprego que pagasse menos do que o que ele tinha. Lembro-me de que, quando vivíamos em Chicago, éramos sete ou oito crianças vivendo com o salário de um professor. Aquilo nos custava muito. E tinha uma generosidade ali. Havia também uma questão de fé em fazer essas coisas, em não limitar a vida, em não procurar um emprego de salário maior. Havia uma confiança. Eles vieram de uma época mais simples e era isso o que faziam. Como disse, a fé era muito central para o relacionamento conjugal deles.

Quando você discursou no funeral de seu pai, disse que seus pais deram vocês um ao outro. Fale-nos melhor sobre esse apoio mútuo.

Acredito que o que fica em nossas mentes, acima de tudo, é ver quão bonito foi podermos ter um ao outro na hora da morte dele e durante toda essa situação. Teria sido muito mais difícil passar por isso sem os meus irmãos. Todos nós nos reunimos e compartilhamos juntos as coisas. Pareceu tão natural e nós pudemos enfrentar unidos tudo o que aconteceu. Foi uma grande bênção. Depois do funeral, uma jovem mulher se virou para o seu marido e disse: "Eu quero nove filhos".

O bispo Alexander Salazar disse certa vez que o primeiro seminário do padre é o seu lar. O que a formação que você recebeu de seu pai significou para o seu sacerdócio?

Que eu recebi não apenas dele, é claro, mas de meu pai e de minha mãe, juntos. É o que as crianças precisam. É assim que é estruturada a família. Meu pai tinha uma convicção muito forte da verdade da doutrina católica. Foi isso o que ele me deu. E isso também ajudou a nos confirmar em uma identidade. Que crianças não querem uma identidade — saber quem elas são, de onde vieram e para onde estão indo? Só a convicção da fé católica, que meu pai tinha, estabeleceu em nós esta identidade: nós somos católicos, não somos como todo o mundo, e não devemos esperar fazer as coisas que todo o mundo faz. Nos tempos obscuros das décadas de 1970 e 1980, meu pai fazia viagens relativamente longas a fim de encontrar para nós uma igreja que fosse sólida em sua doutrina e em sua liturgia, porque naqueles dias havia muitas loucuras acontecendo. Nós brincávamos que, quando vivíamos em Chicago, nosso pai gastava meia-hora para levar-nos a uma igreja que estava a 45 minutos de distância. Isso era um compromisso. Em 2008, fui designado para assumir a paróquia de nossa casa, e nós tínhamos a Missa tradicional em latim, na Forma Extraordinária, e meu pai começou a participar. Foi uma grande bênção porque, juntos, nós pudemos apreciar a beleza da tradição e da liturgia da Igreja.

Conte-me mais sobre a personalidade de seu pai. O ex-presidente Bill Clinton dizia que, mesmo quando discordava de seu pai, ele gostava dele porque Scalia nunca pretendia ser alguém que ele não era.

Isso é verdade — e é provavelmente a primeira coisa que eu ouço de Bill Clinton com a qual eu concordo. Acho que é por isso que meu pai se dava bem com tantas pessoas. Elas sabiam quem ele era. Ele não era uma coisa hoje e outra amanhã, como são muitas pessoas, especialmente na capital federal. Muito disso tinha a ver com sua fé, e outra parte também era o seu temperamento — quem ele era.

O senhor fez uma referência a São Thomas More em sua homilia: the king's good servant but God's first, "o fiel servidor do rei, mas de Deus primeiro".

Porque ele era de Deus primeiro.

São Thomas More foi advogado e homem de alta posição abaixo do rei. Seu pai o teve como especial santo padroeiro?

Ele tinha uma grande devoção por São Thomas More. Absolutamente. Ele brincava que, quando o Vaticano nomeou São Thomas More, que já há muitos anos era padroeiro dos advogados, como santo padroeiro dos políticos, aquela não era uma promoção. Acredito que meus pais assistiram ao filme A Man for All Seasons ("O homem que não vendeu sua alma") quando estavam viajando para a Europa depois de seu casamento. Paul Scofield estava certamente atuando. Ele certamente tinha uma grande admiração e devoção por São Thomas More — a integridade do homem, a astúcia, a sua piedade.

Seu pai também usava um cilício?

Não vou revelar as mortificações de meu pai. Ele tinha nove filhos; isso já era mortificação suficiente.

Conte-nos sobre uma das citações favoritas de seu pai: "Tenha a coragem de ter a sua sabedoria considerada como estupidez."

Meu pai obviamente tirou isso do Apóstolo, São Paulo: "Nós somos considerados tolos por causa de Cristo" ( 1 Cor 4, 10). Um católico que atua na esfera pública deve estar disposto a enfrentar o ridículo. É uma das coisas que meu pai gostava de destacar a respeito de São Thomas More: não é possível admirá-lo realmente, a menos que apreciemos o fato de ele parecer ridículo. Todos os demais, todos os seus companheiros, seguiram o rei. Todos os bispos da Inglaterra, com a exceção de um, seguiram o rei. Então ele parecia absurdo. Parecia um idiota. Esse é um tema da vida dos santos em geral.

Nosso Senhor mesmo foi ridicularizado. Então por que deveríamos imaginar-nos melhores que ele? Era um dos discursos favoritos que meu pai costumava fazer. Ele contrastava isso com Thomas Jefferson — um conto de dois Thomas. Thomas Jefferson, que ficou famoso por recortar a Bíblia, compôs a sua própria retirando todos os milagres dela porque, evidentemente, aqueles milagres, de acordo com o homem de sabedoria mundana, não são possíveis, então você não os pode ter. Por isso, você se livra deles. Ele considerava a Bíblia algo pouco sofisticado.

Os contemporâneos de Jesus pensavam o mesmo dEle. Para que ele cuspiu no chão e aplicou o barro nos olhos daquele homem (cf. Jo 9, 6)?

Pode vir algo bom da Galileia? A Galileia era um lugar desvalorizado. Devo dizer que meu pai se divertia com a ironia aqui. Ele era um homem muito sofisticado, e realmente representava o melhor do que tinham os jesuítas antigamente. Com todo o respeito, ele tinha mais cultura que muitos de seus pares em termos de literatura, música, arte e turismo. Não é minha intenção vangloriar-me, mas ele era mais sofisticado e creio que se divertia em estar no meio daquelas pessoas e dizer: "Devemos estar dispostos a parecer idiotas".

Há um vídeo no YouTube, do comediante Stephen Colbert tirando sarro dele durante o Jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, em 2006. Seu pai achou a brincadeira hilária. Ele gostava de rir de si mesmo?

Absolutamente. Quem o conhecia sabia que provocá-lo era a melhor forma de conseguir o melhor dele.

Era esse o segredo de sua amizade com a ministra Ruth Bader Ginsburg, de quem ele tanto discordava?

Deve ter sido, em parte. Mas acho que isso se devia ao que ele e ela eram. Não havia nenhuma pretensão. Ele podia respeitá-la. Ele podia discordar dela, mas ela era consistente. Ainda que houvesse desacordo, havia respeito pela integridade do seu pensamento, da sua palavra, e por quem ela era. Penso que muito disso se deve à sua criação em Nova Iorque. A cidade de Nova Iorque, especialmente nas décadas de 1940 e 1950, era aquele lugar em que tudo acontecia. Você tinha todo tipo de pessoas. Era impossível viver em uma bolha. Você tem que aprender a lidar com todo o mundo. A menos que você queira uma vida miserável, é preciso haver um apreço pelas diferenças entre as pessoas.

Em sua homilia durante o funeral de seu pai, você falou, entre outras coisas, sobre rezar pelos mortos, não roubando deles as nossas orações pressupondo que eles já estivessem no céu. Isso parece muito o seu pai.

Meu pai odiava a palavra "homilia". Ele a achava carregada de modernismo. Ele preferia "sermão". Um ponto que eu sempre recordo quando faço um funeral é: esse é o modo como podemos continuar a fazer o bem pela pessoa que amamos. É necessário um sentido sobrenatural para nos mantermos firmes e aceitarmos. Todos querem pensar que está tudo bem. Todos querem chegar ao final feliz sem grande esforço.

Você também falou de quão tênue é o véu a separar o tempo e a eternidade, e do chamado ao arrependimento. Qual foi a resposta das pessoas a isso?

Graças a Deus e a Nossa Senhora que Ele usou esse discurso para o bem. Talvez isso seja tão simples quanto o fato de que sua morte fez as pessoas focarem na eternidade, coisa à qual elas tipicamente não dão importância alguma. Muitas pessoas se perguntavam: porque o ministro Scalia morreu neste momento da história dos Estados Unidos, quando parece que nós realmente precisamos tanto dele?

"O cemitério está cheio de homens indispensáveis."

Meu pai amava essa frase. Ele a amava. Foi dele que a ouvi pela primeira vez. Ele atribuía essa citação a Charles de Gaulle, por isso a repetia com um sotaque francês.

Seu pai era um artista?

Ah, com certeza ele era. Ele atuava quando era mais novo. Sim, ele era um ator. Ele era bom de piadas, de histórias.

Olhando para este ano que se passou, o que você espera que as pessoas se lembrem a respeito dele?

Seu catolicismo era o que ele era. Ele viveu a vida ao máximo. Tinha uma variedade de interesses e de amigos, mas o núcleo era composto de basicamente três componentes: ele era um católico; um esposo e um pai; e um americano. Essas eram as coisas mais importantes para ele.

Fonte: Catholic Digest | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

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Uma artista contra a corrente

Em meio a tantos divórcios de famosos em 2016, o exemplo de Celine Dion irradia a beleza do verdadeiro sentido do matrimônio.

O ano que se passou não se resumiu a crises no campo da política e da economia mundial. 2016 também experimentou o gosto amargo do divórcio, como anunciaram as manchetes dos grandes jornais. De repente, casais famosos terminaram suas relações e puseram um fim em suas promessas matrimoniais — tristes decisões que não deixam de provocar angústia na sociedade e também na Igreja, levando muitos até mesmo a questionar se valeria a pena a luta pela indissolubilidade do matrimônio.

"Não nos podemos deixar vencer pela mentalidade divorcista", exortou São João Paulo II certa vez, em um discurso ao Tribunal da Rota Romana [1]. Apesar de parecer absurdo, é verdade que muitos católicos, mesmo crendo na indissolubilidade do matrimônio, desistem de defender publicamente a fé, por considerá-la apenas um ideal cristão, sem significado para o mundo moderno. Contra esse estado de tibieza, o Santo Padre pedia uma "confiança nos dons naturais e sobrenaturais de Deus ao homem" [2]. De fato, somente essa confiança pode impedir a proliferação da chaga do divórcio e de suas consequências nefandas para a sociedade.

É preciso também desmascarar certa propaganda midiática, cujo forte apelo sobre o público tende a desesperá-lo da graça na vida familiar. Não é verdade que o matrimônio indissolúvel seja apenas uma doutrina católica. Trata-se, antes, de uma norma jurídica natural que, quando vivida de maneira aberta ao verdadeiro amor e sacrifício pelo cônjuge e pelos filhos, se torna acessível a todos, mesmo para aqueles que ainda não vivem plenamente a fé cristã. É o que se pode observar, em alguns casos particulares, no próprio meio midiático.

No início de 2016, a cantora canadense Celine Dion emocionou seus fãs ao testemunhar sua dor pela perda do marido, o produtor René Angelil, morto em decorrência de um câncer na garganta.

Angelil teve de lutar contra a doença por dois longos períodos antes de vir a falecer, em 14 de janeiro do ano passado. Celine Dion estava no auge de seu sucesso — a cantora acabara de gravar My Heart Will Go On, tema do filme Titanic —, quando o marido foi diagnosticado com câncer pela primeira vez, em 1999. Preocupada com ele, a cantora decidiu interromper sua carreira para cuidar da família, retornando aos palcos somente em 2002.

Celine Dion sempre demonstrou uma devoção maior pela família do que pela carreira. O retorno à música teve uma condição: permanecer ao lado do marido e do filho, isto é, sem grandes turnês internacionais. A cantora, então, assinou um contrato para shows apenas em Las Vegas, nos Estados Unidos, onde se apresentou durante seis anos no seu próprio Coliseu, o Caesars Palace.

Depois de um tempo de recuperação, René Angelil foi novamente diagnosticado com câncer, em 2014. E outra vez Celine interrompeu os shows para se dedicar integralmente ao marido. Após a morte dele, a artista deu uma entrevista comovente à jornalista da TV CBS, Katie Couric, na qual disse que a maior conquista de sua vida não era a carreira, mas sua família. "Agora, talvez outra pessoa poderia fazê-la feliz de uma maneira diferente?", perguntou-lhe a jornalista. "Ele foi o único homem que eu beijei na minha vida, que eu namorei, então, hoje, eu diria que não", respondeu a cantora canadense.

De fato, Celine Dion não é uma santa nem uma exímia católica. Pode-se questionar muitas de suas atitudes. Mas seu belo testemunho de respeito e amor à família devem ser louvados, sobretudo agora em que se exalta tanto o oposto entre o meio artístico. E isso se torna ainda mais imperioso quando se descobre a origem desse zelo de Celine Dion: ela o aprendeu da mãe, que lhe deu a vida e o exemplo do amor incondicional.

Celine é a 14ª filha de Ademar Charles e Teresa Dion. A cantora revelou em 2002 que quase foi abortada. Quando sua mãe Teresa ficou aflita por saber que estava grávida, ela foi até um padre para aconselhar-se. "Ele lhe disse que ela não tinha direito de ir contra a natureza. Então, eu tenho que admitir que de um jeito, eu devo minha vida àquele padre", contou Celine Dion, explicando que "uma vez que o aborto estava fora de questão, sua mãe a amou apaixonadamente". E esse amor por crianças e pela família lhe foi transmitido. Em uma outra entrevista de 2012, a cantora afirmou que sua vida é ser mãe: "É o meu maior prêmio. Eu me arrisco com a música, mas não com minha família".

Esse testemunho, sem dúvida, responde à pergunta inicial deste texto: sim, vale a pena lutar pela família indissolúvel, pois, como explicava São João Paulo II, "este bem encontra-se precisamente na base de toda a sociedade, como condição necessária da existência da família" [3]. Neste sentido, "a sua ausência tem consequências devastadoras, que se difundem no tecido social como uma chaga [...] e influenciam negativamente as novas gerações, perante as quais é obscurecida a beleza do verdadeiro matrimônio" [4]. Provado está que o casamento não é somente um ideal cristão, mas uma verdade natural, acessível a todos os homens de boa-vontade, até que a morte os separe. Tenhamos a coragem de nós também testemunharmos isso.

Com informações de LifeSiteNews.com | Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. São João Paulo II, Discurso aos prelados auditores, oficiais e advogados do Tribunal da Rota Romana na inauguração do Ano Judiciário (28 de janeiro de 2002), n. 5.
  2. Ibidem.
  3. Idem, n. 8.
  4. Ibidem.

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Cidade retomada por cristãos no Iraque ficou dois anos sem Missa

“Depois de dois anos e três meses de exílio, celebramos a Eucaristia na Catedral que os jihadistas quiseram destruir”, disse com satisfação o arcebispo sírio-católico de Mossul.

A notícia está perto de completar um mês, mas, mesmo assim, vale a pena deixar registrado que os sinos de uma igreja católica voltaram a repicar na cidade iraquiana de Qaraqosh, retomada das mãos do Estado Islâmico na segunda metade de outubro. Para se ter uma ideia da importância dessa conquista, é preciso considerar a proximidade entre Qaraqosh e Mossul, separadas por pouco mais de 30 quilômetros de distância — Mossul que, como se sabe, é considerada até o momento a "capital" dos jihadistas no Iraque.

Nesta que é a segunda maior cidade do país, não restou praticamente nenhuma família cristã. Em 2014, os muros de suas casas foram pichados com uma letra do alfabeto árabe, equivalente ao nosso "n", em referência a Jesus, o Nazareno. Aos seus proprietários três opções eram oferecidas: converter-se ao islamismo, pagar um imposto religioso ou morrer pelo fio da espada. A maioria arriscou o exílio.

No dia 30 de outubro, no entanto, os cristãos que ainda restam na região celebraram uma verdadeira vitória em Qaraqosh: a de rezar, em meio a paredes queimadas e um altar em ruínas, o santo sacrifício da Missa. A catedral em que os fiéis se reuniram é dedicada à Imaculada Conceição e a liturgia dominical foi presidida pelo arcebispo sírio-católico de Mossul, Yohanna Petros Mouche. "Depois de dois anos e três meses de exílio, celebramos a Eucaristia na Catedral que os jihadistas quiseram destruir", afirmou o prelado, em verdadeira ação de graças.

As fotos tiradas na ocasião já circularam por toda a Internet e dispensam comentários. De qualquer modo, uma breve reflexão se faz necessária. Ao vermos com que alegria esses homens celebram a santa liturgia, arriscando para isso as suas próprias vidas, é inevitável pensarmos na falta de consideração, no desleixo e na preguiça com que tantas vezes tratamos o mistério eucarístico em nossas vidas. Enquanto a fé cristã se tornou, no Oriente Médio, questão de vida ou morte, o Ocidente está paralisado pela incredulidade, pelo afastamento de Deus, pela inércia. Temos tempo para tudo, menos para participarmos da Santa Missa; tempo para todo tipo de lazeres, menos para rezar. E ainda queremos arranjar desculpas para a nossa falta de compromisso!

É duro dizer isto, mas felizes são os cristãos do Iraque e da Síria! Sim, verdadeiramente bem-aventurados são eles (cf. Mt 5, 4. 10), porque, embora muitas de suas igrejas estejam em ruínas, suas almas estão em Deus, Aquele que constitui o único tesouro que devemos preocupar-nos em acumular. Enquanto isso, nossos templos, que parecem intactos, conservam de pé apenas a sua fachada, tal como a Basílica de São Bento em Núrsia, na Itália, recentemente atingida por um forte terremoto. Grande sinal é a ruína dessa igreja, devastada não por artifícios humanos, mas pelas mãos do próprio Deus — Ele que fala pelos acontecimentos da história e que realmente castiga, porque nos ama e deseja a nossa conversão. Oxalá ouvíssemos hoje a sua voz (cf. Sl 94, 8) e transformássemos os nossos corações em verdadeiros templos onde habitam a Santíssima Trindade!

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Um noivado preparado por Deus

Este casal de noivos vive um momento de grande graça em suas vidas: a oportunidade de viverem um relacionamento casto, de acordo com os planos de Deus.

O testemunho a seguir foi enviado no dia 14 de outubro de 2016 ao nosso suporte. Conta a história de um casal de noivos que atribui bondosamente ao nosso trabalho de evangelização o momento de profunda graça que vêm experimentando em suas vidas: a oportunidade de viverem um relacionamento casto, de acordo com os planos de Deus.


Assista às aulas de nosso curso "Como Namorar Bem?" e aprenda você também a viver um namoro santo e de acordo com a doutrina perene da Igreja!


Os nomes Marcela e Mateus são fictícios, mas os corações que se unem para narrar esse belo relato de conversão são reais e pulsam de verdadeira caridade. A todos os que passarem por aqui, rezem uma Ave-Maria por esse casal, a fim de que descubram sempre mais, no afeto que manifestam um pelo outro, a resposta de amor que todos devemos a Cristo, Noivo das almas.

Querido Padre Paulo Ricardo,

Meu nome é Marcela, tenho 31 anos, e tenho muito a agradecer a Deus por sua vida e seu ministério, padre. Vou lhe contar uma grande graça que estou vivendo, e o senhor entenderá melhor essa gratidão.

Um dos grandes desafios das mulheres que sonham com um santo namoro é acreditar que podem encontrar homens que aceitem viver a castidade e aguardar em Deus, principalmente na minha idade. Existe uma cultura que supervaloriza o sexo e faz dos namoros verdadeiros "casamentozinhos" disfarçados. Existe um mito de que as pessoas, principalmente os homens, são incapazes de passar muito tempo sem sexo e, também, de que no pacote de todo namoro estão as relações sexuais.

Parece-me que a maioria dos homens solteiros, ainda que católicos e até frequentadores da missa, ignoram a castidade; as mulheres, em geral, seguem na mesma linha. Eu também fiz parte desse rol por alguns anos, mas, há quase 10 anos, eu tive um encontro profundo com Cristo que mudou a minha vida e um dos frutos do Espírito Santo na minha alma foi eu ter passado a viver uma vida casta desde essa época.

Há pouco mais de quatro meses, eu conheci o grande amor da minha vida, chamado Mateus. Desde quando nos conhecemos, nos identificamos bastante, pois ele é católico como eu, além de ser um rapaz sério, inteligente, sensível; gostamos das mesmas coisas, temos os mesmos propósitos de vida, nos alegramos com coisas simples. Mateus tem 33 anos.

Um dos momentos mais belos que vivemos aconteceu no quarto dia em que nos encontramos. Corremos em um parque e depois nos sentamos em um banco para tomar água de côco e conversar. Foi quando ele comentou sobre as viagens que poderíamos fazer juntos. Ele já tinha falado algo parecido antes, mas, naquele momento, senti que eu deveria abrir o jogo sobre aquilo que sempre havia sido o problema mais sério dos meus namoros anteriores e que sempre me dava ansiedade ao iniciar relacionamentos: a castidade.

Embora no fundo eu já soubesse que ele era um rapaz diferente e algo me dissesse que isto não seria problema desta vez, pela primeira vez, ao lado dele, me entristeci. Comecei a pensar nas palavras, escolher a forma de falar, disse que eu tinha uma coisa para contar a ele. Sempre que queremos dizer algo que nos é difícil manifestar ou sabemos que será complicado para o outro ouvir e entender, soltamos o velho clichê introdutório: "Preciso te contar uma coisa…".

Chamei-o para nos sentarmos em outro banco, pois ali onde estávamos fazia muito barulho. Enquanto caminhávamos, estava ansiosa, sentia medo de estragar, tão cedo, aqueles momentos agradáveis de descobertas e identificação que estávamos vivendo. Quando nos sentamos novamente, não tive mais como voltar atrás e adiar a conversa.

Comecei expondo que, no meu tempo de faculdade, eu conheci um Grupo de Oração Universitário, da Renovação Carismática Católica. Minha vida interior passou por uma absoluta guinada naquela época. Desde minha infância e adolescência, eu tinha uma busca espiritual que me impulsionava e me angustiava. Apesar de eu ser de família católica, frequentar a missa aos domingos, com meus pais, durante toda minha infância e parte da minha adolescência (obrigada por eles nesta última fase), somente quando me tornei adulta, depois de conhecer e viver muitas coisas, que minha fé em Jesus Cristo se estabeleceu de forma inequívoca dentro de mim. Uma profunda alegria e confiança na religião católica me trouxeram a paz espiritual que eu sempre buscara.

Expliquei ao Mateus que, desde esse tempo, eu optara por não ter relações sexuais com os homens com os quais eu me envolvesse. Decidi que teria sexo apenas com uma pessoa: aquele que viesse a se tornar o meu marido. Achei importante ressaltar que não se trata de uma forma de pressão para o casamento ou qualquer outra coisa, mas de uma decisão que está completamente relacionada à minha fé. Disse, ainda, que essa opção de vida me custa, que não é fácil, e inclusive está se tornando cada vez mais difícil de manter.

Quando terminei de contar todas essas coisas, perguntei se ele aceitava a situação e ainda queria continuar comigo aquele processo de conhecimento um do outro em que estávamos. Ele então me abraçou e disse que aquilo que eu acabara de dizer era a coisa mais linda que ele já tinha ouvido… Ele estava emocionado, parecia diante de algo que não esperava, não conhecia, ficando comovido. Além disso, fez questão de me dizer que ele nunca havia vivido a castidade e me perguntou se estava tudo bem. Eu disse que não tinha problema algum, desde que ele concordasse em viver de forma diferente, a partir daquele momento…

Alguns dias depois, Mateus descreveu que eu estava extremamente constrangida ao contá-lo sobre a minha castidade; estava nervosa, envergonhada, tinha a voz embargada. Disse que sentiu vergonha dele mesmo e de todos homens, pois não é certo que uma mulher se sinta amargurada por se preservar e ter princípios... Comentou que está tudo invertido, que os homens é que deveriam se envergonhar.

No próximo encontro, depois deste dia, fomos à missa, numa paróquia onde é possível confessar-se em qualquer dia da semana, especialmente antes e durante as missas, e as pessoas formam filas para se reconciliar com Deus. Fomos os dois para a fila da confissão. Desde as primeiras conversas que tivemos, eu havia convidado o Mateus para ir à missa e ele dito que precisava confessar-se para ir comigo e poder comungar. Naquele mesmo dia, na porta da igreja, ele me pediu em namoro.

Nunca me esquecerei daqueles dias… Deus me mostrou de forma maravilhosa sua presença e ação na minha vida. Pedi perdão por todas as vezes que questionei e até duvidei se seria possível, para mim, viver o que Ele me pedia e a Igreja me orientava, pelos diversos motivos mundanos que eu elencava. O Senhor não só me deu a graça de ter a oportunidade de viver um namoro santo, como me deu ainda mais motivos para que eu me esforce nessa meta. Todas as conversas e aquele dia mágico que vivi com meu namorado tornaram-se novos estímulos para que eu resista e o ajude na intenção de vivermos a castidade.

Claro que não é fácil. Amamo-nos muito, confiamos um no outro, falamos desde o início em nos casar (ficamos noivos há duas semanas!). Não somos naturais da cidade onde habitamos; ele mora sozinho e eu também; gostamos muito de estar juntos… Tudo isso torna a luta mais intensa, mas a vitória de cada dia, também, tem sido ainda mais gratificante.

Embora meu noivo já fosse batizado, tivesse feito a primeira comunhão e tivesse grande apreço e vivência dos princípios cristãos antes de me conhecer, ele não frequentava a missa ou participava de qualquer movimento da Igreja. O principal contato que ele tinha com a religião católica, antes de me conhecer, era por meio de sua obra, querido Padre Paulo Ricardo. Ele é seu aluno virtual há um bom tempo. Faz cursos, assiste a vídeos, gosta muito das suas homilias.

Tenho pleno entendimento de que o Senhor preparou meu noivo por meio de você, padre. Tudo o que eu propus e que ele aceitou com tanta abertura; toda a sede de Deus dele, que se juntou à minha, para passarmos a viver juntos uma vida tão voltada para a Igreja; a real mudança de vida dele; tudo isso é fruto do Espírito Santo e iniciou-se com o acesso que ele teve à sua obra, padre.

Tenho profunda gratidão a Deus pela sua vida, Padre Paulo Ricardo. Ir à missa e assistir a seus vídeos e cursos é parte da nossa rotina de casal desde o início do nosso namoro. Entre outros, estamos sempre assistindo os relacionados à pureza, temática que ele me confessou sempre evitar em seus cursos anteriormente... Queremos nos manter firmes no propósito que não é só meu, é dele também, de vivermos a castidade.

Meu noivo e eu admiramos profundamente sua inteligência, seu caráter, sua sinceridade, sua dedicação e seus conhecimentos da doutrina da Igreja e dos santos, de filosofia, da Bíblia... Jesus continua falando a nós por meio das suas palavras. Rezamos por você, pedimos que o Senhor o proteja e lhe dê a graça de seguir cada dia para mais perto dEle, ajudando a nós e a tantos outros a trilhar o mesmo caminho.

Deixo aqui um grande abraço ao senhor! Que Nossa Senhora e Santa Teresinha o protejam e lhe deem muitas graças, todas as que o senhor ora pedindo ou seu coração pede secretamente.

Com admiração e carinho,
Marcela.