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Qual o problema de governantes sem filhos?

Não parece insignificante que os encarregados de velar pelo futuro da Europa sejam pessoas que decidiram permanecer estéreis.

Por Juan Manuel de Prada — Após a vitória de Macron na França, um amigo me convida a refletir sobre um fato de não pequena importância: trata-se de um governante sem filhos — de mais um governante europeu sem filhos —, assim como a alemã Angela Merkel, assim como a britânica Theresa May, assim como o holandês Mark Rutte, assim como o italiano Paolo Gentiloni, assim como o sueco Stefan Löfven, assim como o luxemburgûes Xavier Bettel, assim como muitos outros mandatários europeus, incluído o nobilíssimo Jean-Claude Juncker.

Poder chamar com plena propriedade a todas estas personagens uma récua de mulas nos causa, por certo, uma enorme satisfação; mas, além disso, resulta ser muito inquietante que os governantes europeus sejam em sua maioria "filhos sem filhos". Não parece insignificante que os encarregados de velar pelo futuro da Europa e assegurar o porvir de nossos filhos sejam pessoas que decidiram permanecer estéreis.

O pensamento político clássico, ao explicar as obrigações do príncipe com respeito aos súditos, comparava-as com as de um pai com respeito aos filhos. O príncipe estava obrigado a zelar pelos súditos com a mesma diligência exigida de um pai de família, defendendo-os ao ponto de derramar o próprio sangue; e os súditos, por sua vez, estavam obrigados a prestar-lhe a obediência afetuosa e leal que um bom filho deve a seu pai.

Este cuidado amoroso que o príncipe devia a seus súditos encontrava sua melhor escola na própria instituição monárquica, que não à toa se fundamentava na continuidade familiar. Sempre que o príncipe tinha um filho, seus súditos celebravam o acontecimento com alvoroço, pois, além de garantir um sucessor, assegurava o porvir dos filhos de seus súditos, aos quais não faltaria um outro príncipe que os protegesse.

Ora, os governos do nosso tempo já não se baseiam na continuidade familiar; no entanto, que os governantes tenham ou não filhos não é uma questão ociosa. Como escrevia o cronista Juan de Lucena, em louvor a Isabel, a Católica: "Em tudo o que os reis façam, seja bom ou mau, procuramos imitá-los. Quando jogava o rei, tínhamos todos o vício do jogo; agora, como estuda a rainha, tornamo-nos todos estudiosos".

Com efeito, em meio ao inverno demográfico que vem assolando a Europa, seria alentador que os europeus pudessem olhar no espelho de alguns governantes que, com seu exemplo, convidam à procriação.

Há algo de muito grave ocorrendo quando um continente que atravessa a etapa mais próspera de sua história, que dispõe de meios para combater doenças e prolongar a vida, que parece ter-se livrado da ameaça das guerras, pragas e catástrofes que, em outras épocas, dizimaram sua população, nega-se, apesar de tudo, a gerar descendência.

Algo muito grave está acontecendo quando cada vez mais europeus se recusam a criar uma nova geração (ao mesmo tempo em que clamam farisaicamente contra a invasão muçulmana) e, não satisfeitos com isso, elegem governantes que os ratificam nesta decisão suicida.

A Europa tornou-se vítima do que Solzhenitsyn chamava uma "sanha de automutilação": o umbiguismo consumista, o egoísmo parasitário, o tédio vital de um continente que se afoga na náusea de sua própria esterilidade mereciam, de fato, que os governasse esta récua de mulas. E poderíamos perguntar-nos também, à luz do pensamento político clássico, se os "filhos sem filhos" são mesmo os mais idôneos para assumir tarefas do governo, para oferecer seu cuidado amoroso e lutar pelo futuro de nossos filhos.

A Europa não apenas carece de recursos morais para manter sua civilização; ela nem sequer possui governantes que a estimulem a prolongar sua existência. Talvez tenha chegado a hora de fechar a banca e esperar que cheguem os bárbaros.

Fonte: Actuall | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

| Categoria: Política

Duas orações pelo Brasil

Hoje, ante a efervescência política em que nós, brasileiros, nos encontramos, o mais urgente a fazer é orar.

Na época em que nasceu Jesus de Nazaré, dois mil anos atrás, "enquanto muitos se agitavam e se entregavam a uma efervescência político-religiosa na expectativa" da vinda do Messias, São José "considerava que o mais urgente era orar".

Também hoje, ante a efervescência política em que nós, brasileiros, nos encontramos, o mais urgente a fazer é orar. Se nos agitamos, porque a situação é grave, não deixemos também de rezar, com igual ou mesmo maior medida. Há uma grande providência de Deus em todos esses eventos difíceis estarem se dando justamente em um Ano Jubilar Mariano. Invoquemos a Virgem de Aparecida, para que venha em nosso auxílio neste momento, ajudando-nos a viver com fruto a crise por que passa esta Terra de Santa Cruz.

A seguir, deixamos aqui registradas duas orações: uma de consagração a Nossa Senhora da Conceição Aparecida e outra dirigida ao Anjo Protetor do Brasil. Paremos um pouco o que quer que estejamos fazendo e, com fé, elevemos juntos os nosso corações a Deus:

Ó Maria Santíssima, pelos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo, em vossa querida imagem de Aparecida, espalhais inúmeros benefícios sobre todo o Brasil.

Eu, embora indigno de pertencer ao número de vossos filhos e filhas, mas cheio do desejo de participar dos benefícios de vossa misericórdia, prostrado a vossos pés, consagro-vos o meu entendimento, para que sempre pense no amor que mereceis; consagro-vos a minha língua para que sempre vos louve e propague a vossa devoção; consagro-vos o meu coração, para que, depois de Deus, vos ame sobre todas as coisas.

Recebei-me, ó Rainha incomparável, vós que o Cristo crucificado deu-nos por Mãe, no ditoso número de vossos filhos e filhas; acolhei-me debaixo de vossa proteção; socorrei-me em todas as minhas necessidades, espirituais e temporais, sobretudo na hora de minha morte.

Abençoai-me, ó celestial cooperadora, e com vossa poderosa intercessão, fortalecei-me em minha fraqueza, a fim de que, servindo-vos fielmente nesta vida, possa louvar-vos, amar-vos e dar-vos graças no céu, por toda eternidade. Assim seja!

Santo Anjo do Brasil, vós fostes encarregado pelo Pai Eterno de guardar esta Terra de Santa Cruz e ajudá-la a crescer e desenvolver-se conforme Seus desígnios benevolentes.

Nós cremos no vosso poder junto de Deus e confiamos na vossa prontidão em socorrer-nos. Sede, pois, nosso guia para que cumpramos convosco a nossa missão no mundo.

Ajudai a Igreja no Brasil a anunciar Cristo com franqueza e alegria e penetrar toda a sociedade com o fermento do Evangelho.

Afastai, com a força da Santa Cruz, todos os poderes inimigos que ameaçam o povo brasileiro.

Unimos as nossas preces às vossas. Apresentai-as diante do Trono de Deus, para que, unidas ao sacrifício de Jesus, oferecido diariamente em nossos altares, alcancem aquelas graças que mais precisamos nesta hora de combate espiritual.

E guardai-nos sempre debaixo do manto protetor de Nossa Senhora Aparecida, nossa Mãe e Rainha, para que permaneçamos fiéis no caminho de Jesus, o único que nos conduz da terra ao Céu. Lá na assembleia de todos os povos, unidos como uma só família de Deus, louvaremos e agradeceremos convosco ao Pai Eterno, com seu Filho e Espírito de Amor, por toda a eternidade. Amém.

Com informações de A12 | Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Saiba o que têm em comum os principais líderes da Europa

O que têm em comum os líderes de Alemanha, França, Itália e Inglaterra, as quatro maiores potências econômicas da Europa? O que une Merkel, Macron, Gentiloni e Theresa May?

O que têm em comum os líderes de Alemanha, França, Itália e Inglaterra, as quatro maiores potências econômicas da Europa? O que une Angela Merkel, Emmanuel Macron, Paolo Gentiloni e Theresa May?

Muitas coisas, sem dúvida, mas os quatro compartilham uma peculiaridade bastante significativa: nenhum deles tem filhos biológicos. A eles somam-se ainda o sueco Stefan Löfven e o primeiro-ministro holandês Mark Rutte.

A coincidência é extraordinária, especialmente com a onda de crise demográfica que vive a Europa, seguida de um envelhecimento acelerado da população. A pergunta é se, em igualdade de condições, importa ou não que os governantes das nações não sejam pais. Nós sabemos bem que, de acordo com a linha de pensamento oficial (politicamente correta), chamar a atenção para essa particularidade é ser "machista", "heteronormativo" e "odioso" — e a patrulha habitual sempre procura dissuadir-nos de notar o anômalo.

Por outro lado, não poucas pessoas fazem notar que o fato de não terem família permite a nossos representantes centrar-se mais intensamente nos assuntos públicos, sem preocupações alheias que os distraiam e sem as tentações de nepotismo que normalmente supõe uma descendência numerosa.

Nas redes sociais, porém, onde ainda subsistem (talvez não por muito tempo) pessoas que fogem da férrea ortodoxia que amordaça o jornalismo "de prestígio", alguém assinalou que não ter descendência supõe um menor interesse pessoal na posteridade — uma análise que me pareceu, também, bastante razoável.

Assim também pensa o filósofo alemão Rüdiger Safranski. "Para aqueles que não têm filhos, pensar em termos de gerações futuras é irrelevante", ele escreve. "É por isso que essas pessoas se comportam e se vêem cada vez mais como se fossem os últimos, como se estivessem situados no final da cadeia humana". E, se há uma mentalidade que agrava hoje todos os nossos problemas ao ponto de torná-los quase insolúveis, é essa mentalidade concentrada no curto prazo.

Quase tudo que aparentemente nos sobrevém como uma enchente ameaçando soterrar-nos é consequência do fato de as pessoas não pensarem mais além dos próximos poucos anos que virão. O próprio sistema de mandatos eleitorais, constantes de 4 e 5 anos, incentiva nos políticos, cuja meta primordial é exercer o poder e manter-se nele, a urgência de "tapar buracos" e, sobretudo, de evitar todo e qualquer sacrifício que, ainda que seja aconselhável para o futuro, possa traduzir-se, no horizonte imediato, em uma derrota eleitoral. Cite-se o que quiser: a falência programada da Previdência Social e do Estado de bem-estar social, de modo geral; a imigração massiva com o risco certo de substituição cultural e conflitos que vão muito além do mais trabalhoso de todos, que é o terrorismo; a desaceleração da inovação e criação de novas empresas (um trabalho que costumam empreender mais os jovens que os de idade avançada) etc.

O fato é que a cultura do imediato, mesmo que reforçada pelos mecanismos desse sistema, está absolutamente instalada em nossa mentalidade. E em nada se faz tão evidente esse suicídio gradual como no fato de não nos reproduzirmos. Não há sequer um país de peso no Ocidente que tenha filhos acima do nível de substituição — o mínimo para que se mantenha uma população, sem crescer nem diminuir — e, na imensa maioria dos casos, as nações se movem em médias das quais, advertem os demógrafos, nenhuma civilização na história conseguiu recuperar-se jamais.

A infertilidade dos líderes não passa, portanto, de um reflexo dos ventres da Europa. Se Merkel não tem filhos, 30% das mulheres alemãs tampouco os têm, e o número chega a 40%, no caso das que se graduaram nas universidades. O caso na Alemanha é de tal modo alarmante que a Ministra da Defesa, Úrsula von der Leyen, declarou recentemente que, a menos que as alemãs mudem essa tendência e comecem a gerar filhos, o país está prestes a "apagar as luzes".

Talvez, porém, o caso mais significativo e de maior atualidade seja o do recém-nomeado presidente da República Francesa, Emmanuel Macron. Aquilo que tanto alarma os franceses, e que levou Marine Le Pen ao segundo turno das eleições presidenciais, nomeadamente a islamização da França, não tira minimamente o sono do novo presidente. Mas Macron não precisa temer que seus descendentes vivam em uma França muçulmana, já que ele não deixa nenhum.

Sim, em meio a este vazio demográfico, é evidente quem herdará o continente europeu, e definitivamente não são os mesmos cujos valores o construíram. Os muçulmanos entendem muito melhor que nós como se ganha o jogo da história: o líder turco Erdogan animou recentemente os seus compatriotas na Alemanha a terem "cinco filhos" e os clérigos islâmicos não deixam de urgir os seus fiéis a que façam o mesmo.

O choque cultural que negam nossos líderes irresponsáveis é para os líderes muçulmanos uma razão chave para se prepararem com a melhor arma que se conhece (e de que eles já dispõem): a população.

Por Candela Sande — Fonte: Actuall | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

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Eleições e anticristianismo na França

Nesta despretensiosa análise política e histórica, saiba como a hostilidade à religião, e à fé católica em particular, está influenciando as eleições presidenciais na França.

Por Jean Duchesne [*] — No dia seguinte à vitória de François Fillon nas primárias republicanas da França, em novembro do ano passado, o título do jornal de esquerda Libération era: "Socorro, Jesus está voltando!" A razão para essa chamada de aflição? Fillon era conhecido como um católico praticante, marido fiel (aspecto nada comum entre os políticos contemporâneos) e visitante regular da Abadia de Solesmes, símbolo da restauração religiosa supostamente neomedieval e "reacionária" do século XIX. Pior, ele era apoiado por muitos dos militantes que organizaram, em 2013, as espetaculares e massivas (ainda que sem sucesso) manifestações contra a legalização do "casamento" gay — la Manif pour tous.

Olhando retrospectivamente, o "pedido de socorro" do jornal Libération, longe de causar pânico entre os secularistas, o que fez foi anunciar a determinação deles de acabar com a candidatura de Fillon. Dentro de semanas, ele foi acusado pela imprensa de fazer o que a maioria dos políticos, em todos os partidos, fazem: colocar a mulher e os filhos, que trabalhavam duro para ele, em cargos assalariados — o que é ilegal apenas se, de fato, nenhum trabalho é realizado. Um promotor público foi rapidamente apontado pelo governo socialista, e de maneira previsível, para acusar o líder da oposição conservadora. As acusações permanecem abertas, para dizer o mínimo. Não houve relatório algum nem de instituições públicas nem de instituições privadas que tivessem pago salários a membros da família Fillon. Detalhes da investigação preliminar foram vazadas para a mídia, que depois acrescentou novas acusações.

Fillon reconheceu que contratar membros de sua família tinha sido imprudente, e desculpou-se por isso. Mas ele foi incapaz de se desvincular das suspeitas de desonestidade. Antes do escândalo, ele estava em primeiro lugar nas pesquisas para a presidência da França; depois de tudo, ele caiu para o terceiro lugar, ficando atrás de Le Pen e do centrista Emmanuel Macron — e fora do segundo turno.

A acusação de corrupção contra Fillon não foi apenas um golpe político sujo. Foi também um ato motivado por ideologia, e reflete a hostilidade ao Cristianismo presente em vários círculos onde a religião em geral, e a fé católica em particular, é vista como uma doença infantil. Essa não é a ideia só de marxistas meio arrependidos, ainda ansiosos para protestar contra "o ópio das massas", ou de outros adeptos da esquerda materialista. A aversão ao Cristianismo também pode ser encontrada na extrema direita política, com o seu misticismo avesso ao amor e à misericórdia, e entre centristas cuja moderação assimila a fé ao fanatismo religioso.

Marine Le Pen, a candidata populista da Frente Nacional, também é acusada de incluir membros do seu partido na folha de pagamento do Parlamento Europeu, no qual ela detém um mandato eletivo. Apesar disso, ela não foi ferozmente perseguida como Fillon. Uma das razões é que ela aparentava ser, de acordo com as previsões da grande mídia, uma ameaça menor que o candidato republicano. Mas a razão principal por que a mídia caçou Le Pen com menos ferocidade que Fillon é que ela não é considerada uma inimiga do "progresso" na área de maior importância para as pessoas "iluminadas": a assim chamada liberação sexual. Le Pen já se divorciou por duas vezes e é simpatizante da causa gay. Ela não se comporta nem se define como uma boa católica.

A hostilidade à Igreja não é algo novo na França. Alguns historiadores chegam a dizer que o país nunca foi evangelizado por completo. Missões nas províncias foram necessárias até o século XIX, quando o secularismo crescente forçou o clero a se retirar para posições defensivas. Depois do batismo de Clóvis, rei dos francos, pelo bispo São Remígio de Reims, em 496 (considerado o ano de nascimento da nação), a Igreja tendia a confiar no poder real, proporcionando à monarquia, em retorno, uma aura de sacralidade (algumas vezes contrária ao Papa, em tempos de "galicanismo") e súditos obedientes. A aliança fundante entre o trono e o altar foi desafiada, primeiro durante a Reforma (quando aristocratas protestantes ameaçaram a união nacional, conquistada com suor pelos reis durante a Idade Média), e depois mais seriamente nos séculos XVII e XVIII, com a ascensão da burguesia, a nova classe de mercadores abastados.

A Revolução Francesa não faz sentido sem o preexistente peso dos novos ricos na sociedade e o seu ódio tanto ao regime quanto à Igreja. Porque eles não eram autorizados a frequentar a classe alta (como foi o caso da Inglaterra, por exemplo), os novos ricos financiavam intelectuais do livre pensamento. Esses escritores produziram histórias, peças e panfletos que espalharam entre as classes mais baixas a noção de que a pobreza e a fome eram devido à ordem social injusta mantida pela religião oficial. Em setembro de 1792, uma gangue invadiu o convento de Paris, quando centenas de padres e monges foram detidos como "inimigos da nação" e assassinados. Essa gangue, evidentemente, não tinha vindo do nada. Tampouco a multidão que aplaudia enquanto freiras inofensivas eram guilhotinadas sem motivo, a não ser os seus votos religiosos.

Napoleão, que inesperadamente emergiu do caos revolucionário, comprou a paz ao reconhecer o Catolicismo como "a religião da maioria dos franceses". Mas ele também concedeu reconhecimento oficial a judeus e protestantes, a fim de melhor mantê-los sob o seu controle. Isso fez com que fosse fácil, para os secularistas que tomaram o poder um século depois, denunciar e revogar a Concordata que ele havia assinado com a Santa Sé. É claro que, desde a Revolução, o clero e o seu rebanho tinham sido notavelmente persistentes em apostar nos cavalos políticos errados. Eles apoiaram todos os sucessivos regimes do século XIX, antes de se voltarem contra os mesmos, ora por serem muito autoritários, ora por serem muito liberais: sucessivamente, o império napoleônico, uma monarquia restaurada e então menos absolutista, uma segunda república, um segundo império…

Depois que um enfraquecido Napoleão III perdeu, em 1870, a guerra que os prussianos lhe tinham armado, os católicos prefeririam uma segunda restauração, mas uma terceira república, baseada nos ideais da Revolução de 1789, finalmente prevaleceu no voto popular. Eles se recusaram a aceitar isso (ainda que o Papa Leão XIII lhes aconselhasse o contrário), e a separação do Estado e da Igreja, em 1905, foi facilitada por duas crises simultâneas: os católicos estavam mais uma vez do lado errado no caso Dreyfus, que rachou o país no meio, e a repressão da exegese e da teologia "modernistas" passava a ideia de que a fé era incompatível com a razão e a ciência.

Como eram patriotas, os católicos franceses lutaram na Primeira Guerra Mundial, ignorando o Papa Bento XV; mas eles continuaram perdendo terreno político e cultural, até que os alemães voltassem em 1940 e implantassem o regime antissemita de Vichy, que muitos do clero e do laicato acolheram, mais uma vez erroneamente. Eles não gostavam muito de De Gaulle (ainda que ele fosse um deles) e foram lentamente marginalizados após a Segunda Guerra Mundial, conforme o crescimento econômico e a urbanização minavam as estruturas rurais da Igreja, e Marx, Nietzsche e Freud se tornavam os novas referências intelectuais, confirmando que o Cristianismo estava condenado.

Em décadas recentes, a crença de que o Catolicismo não só está fora de moda, como também é nocivo, vai baseada em questões mais sexuais que políticas. A modernidade considera que suas lutas pelo divórcio, pela contracepção e pelo aborto definitivamente ganharam, e agora busca impor a aceitação de todos os tipos de atividade sexual em nome dos direitos das minorias. Nestas circunstâncias, a Igreja é mais do que nunca a inimiga.

A maioria dos cidadãos franceses não são ativamente hostis ao Cristianismo. Eles são simplesmente indiferentes a uma religião que conhecem pouco e cada vez menos. Mas existem uns quantos lobbies efetivos ansiosos para desacreditar a Igreja. Essa pressa para eliminar a religião agora vai de encontro ao imprevisto da expansão islâmica, que nega formalmente a irreversibilidade da secularização. Mas isto não é razão para poupar a fé católica, já que ela não consegue controlar o fanatismo islâmico e continua sendo um alvo mais fácil.

A França não é uma exceção entre nações que já foram cristãs. O ódio anticlerical fez milhares de homicídios no México e durante a Guerra Civil Espanhola. E a recusa da União Europeia em reconhecer quaisquer raízes espirituais para o continente mostra que o anticristianismo não está limitado ao militantes dogmáticos, mas vai espalhado também entre as elites "iluminadas" do Velho Mundo.

Circunstâncias como essas não justificam o pessimismo. Artistas cristãos de renome mundial podem até sentir falta do apoio de uma civilização onde a fé era onipresente e provia um ambiente favorável e uma fonte de inspiração. Mas Igrejas nacionais em apuros, não menos que as triunfantes, também produzem missionários, santos e teólogos. Na França, a ascensão do secularismo durante o ano 1900 coincidiu com Santa Teresinha de Lisieux e as conversões de Péguy, Claudel e Maritain. O totalitarismo do século XX coexistiu com Bernanos, de Lubac, Daniélou, Congar e Bouyer. Alguns dos filósofos franceses mundialmente conhecidos de hoje (Jean-Luc Marion, Rémi Brague) também são católicos. Ou seja, a Igreja gera frutos também quando é incompreendida e desprezada. Ela não será aprovada por unanimidade até o final dos tempos. É essa uma das lições da Cruz de Cristo.

Fonte: First Things | Tradução e adaptação: Equipe Christo Nihil Praeponere

Nota do Tradutor

[*] A análise histórica apresentada no texto não reflete necessária e integralmente, em todas as suas particularidades, a opinião do Padre Paulo Ricardo ou da equipe do site. Esse texto foi escolhido para tradução principalmente pela atualidade do tema e pela perspicácia em apontar o anticristianismo notável não só nas eleições francesas, mas em qualquer corrida política que aconteça hoje, em qualquer lugar do mundo. A leniência para com os atentados ao direito natural, a "fobia" midiática diante de candidatos religiosos ou conservadores e, por fim, as lições do autor para uma Igreja cada vez mais confinada às sacristias, são aspectos que todos podemos aproveitar, desse texto, para a nossa própria situação política e espiritual.


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O STF não tem competência para descriminar o aborto no Brasil!

Relembre o dia em que dois juízes da Suprema Corte reconheceram, com honestidade, que é impossível legalizar o aborto por via judicial sem que se cometa um grave atentado à Constituição.

Mais de 75% dos brasileiros não querem que o aborto seja descriminado.

O Congresso Nacional, igualmente, como mandatário do povo, não está minimamente a fim de avançar um projeto desse gênero.

Mas os militantes da causa contrária não se consolam. Eles querem ver o aborto legalizado no Brasil, custe o que custar. Por isso, trabalham dia e noite, dentro e fora das instituições, para encontrar alguma forma alternativa de vencer, já que nem a população nem o Poder Legislativo estão do seu lado.

Aparentemente, eles encontraram uma saída. Tendo como respaldo o voto do ministro Barroso ( proferido durante o julgamento de um habeas corpus, dezembro passado) que questionou a criminalização do aborto no primeiro trimestre de gravidez, o PSOL — que leva no nome a curiosa antítese "Socialismo e Liberdade" — acaba de ingressar no Supremo Tribunal Federal com uma ação solicitando "a legalização ampla do aborto para qualquer gestação com até 12 semanas". O instrumento processual em questão é a ADPF, sigla para "Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental". Trata-se de mais uma ação do complexo controle de constitucionalidade brasileiro, de competência do STF e com efeitos erga omnes, isto é, válidos para todos.

Para quem conhece um pouco a história das últimas tentativas institucionais para facilitar o acesso ao aborto no Brasil, a sigla ADPF não é nova. Foi com uma ação assim — a ADPF de n.º 54 — que o STF despenalizou, em 2012, o abortamento de bebês com anencefalia. Na ocasião, o argumento dos ministros favoráveis à causa era muito parecido com o de hoje: criminalizando o aborto de fetos anencefálicos por meio de seu Código Penal, o Estado estaria a violar "preceitos fundamentais", tais como a "dignidade da pessoa humana", os princípios da "legalidade, liberdade e autonomia da vontade" e o "direito à saúde".

Em meio à pane geral de que foi alvo o Supremo naquela oportunidade (uma constante hoje, para dizer a verdade), duas vozes corajosas se levantaram contra o que estava acontecendo: foram os ministros Ricardo Lewandowski e Cezar Peluso (hoje aposentado). Os magistrados foram os únicos a afirmar, honesta e abertamente, o óbvio que se depreende do princípio da separação dos Poderes: o STF simplesmente não tem competência para descriminar o aborto no Brasil.

O voto do ministro Ricardo Lewandowski

Foi nessa afirmação que se sustentou de modo particular o voto do ministro Lewandowski, com alguns trechos que merecem menção integral:

"Caso o desejasse, o Congresso Nacional, intérprete último da vontade soberana do povo, considerando o instrumental científico que se acha há anos sob o domínio dos obstetras, poderia ter alterado a legislação criminal vigente para incluir o aborto de fetos anencéfalos, dentre as hipóteses de interrupção da gravidez isenta de punição. Mas até o presente momento, os parlamentares, legítimos representantes da soberania popular, houveram por bem manter intacta a lei penal no tocante ao aborto, em particular quanto às duas únicas hipóteses nas quais se admite a interferência externa no curso regular da gestação, sem que a mãe ou um terceiro sejam apenados."

[...]

" Não é lícito ao mais alto órgão judicante do País, a pretexto de empreender interpretação conforme a Constituição, envergar as vestes de legislador positivo, criando normas legais, ex novo, mediante decisão pretoriana. Em outros termos, não é dado aos integrantes do Poder Judiciário, que carecem da unção legitimadora do voto popular, promover inovações no ordenamento normativo como se parlamentares eleitos fossem."

Com uma fina ironia, o ministro Lewandowski ainda cita, para fundamentar seu entendimento, uma citação de ninguém menos que… Luís Roberto Barroso, o atual ministro do STF que, à época, era apenas o advogado da causa julgada. "Deveras, foi ao Poder Legislativo, que tem o batismo da representação popular e não o Judiciário, que a Constituição conferiu a função de criar o direito positivo e reger as relações sociais" — lição do livro "Interpretação e aplicação da Constituição", de Barroso, o qual parece não pensar o mesmo que ensina nos momentos em que julga.

O voto contundente do ministro Cezar Peluso

Ficou para o fim do julgamento, no entanto, o voto magistral do ministro Cezar Peluso — então presidente da casa —, o qual fulminou, de uma só vez, não só os partidários do "ativismo judicial", mas também os promotores da causa do aborto. Todos aqueles que estudam o Direito têm, na verdade, a obrigação de ler esta que é uma verdadeira aula de bioética (ressalvadas algumas considerações iniciais do ministro, relativas às células-tronco embrionárias, todo o resto se aproveita muitíssimo bem).

Vejamos, primeiro, o que diz Peluso ao adentrar no mérito da questão:

"Mui diversamente do que se aduz na inicial, o aborto provocado de feto anencefálico é conduta vedada, e vedada de modo frontal, pela ordem jurídica. E, a despeito dos esforços retóricos da autora, aparece, por conseguinte, de todo inócuo o apelo para a liberdade e a autonomia pessoais, fundado na pressuposição errônea de inexistência de proibição jurídico-normativa da conduta. Não há como nem por onde cogitar, sem contraste ostensivo com o ordenamento jurídico, de resguardo à autonomia da vontade, quando esta se preordena ao indisfarçável cometimento de um crime. Não se concebe nem entende, em termos técnico-jurídicos, únicos apropriados ao caso, direito subjetivo de escolha, contra legem, de comportamento funestamente danoso à vida ou à incolumidade física alheia e, como tal, tido por criminoso. É coisa abstrusa!"

" A conduta censurada transpõe a esfera da autonomia e da liberdade individuais, enquanto implica, sem nenhum substrato de licitude, imposição de pena capital ao feto anencefálico. E, nisso, atenta ainda contra a própria idéia de 'um mundo diverso e plural', que os partidários da arguente, como Débora Diniz e seu próprio patrono [Barroso], alegam defender."

"É que, nessa postura dogmática, ao feto, reduzido, no fim das contas, à condição de lixo ou de outra coisa imprestável e incômoda, não é dispensada, de nenhum ângulo, a menor consideração ética ou jurídica, nem reconhecido grau algum da dignidade jurídica e ética que lhe vem da incontestável ascendência e natureza humanas. Essa forma odiosa de discriminação, que a tanto equivale, nas suas consequências, a formulação criticada, em nada difere do racismo, do sexismo e do chamado especismo. Todos esses casos retratam a absurda defesa e absolvição do uso injusto da superioridade de alguns (em regra, brancos de estirpe ariana, homens e seres humanos) sobre outros (negros, judeus, mulheres e animais, respectivamente). No caso do extermínio do anencéfalo, encena-se a atuação avassaladora do ser poderoso superior que, detentor de toda a força, inflige a pena de morte ao incapaz de pressentir a agressão e de esboçar-lhe qualquer defesa. Mas o simples e decisivo fato de o anencéfalo ter vida e pertencer à imprevisível espécie humana garante-lhe, em nossa ordem jurídica, apesar da deficiência ou mutilação - apresentada, para induzir horror e atrair adesão irrefletida à proposta de extermínio, sob as vestes de monstruosidade -, que lhe não rouba a inata dignidade humana, nem o transforma em coisa ou objeto material desvalioso ao juízo do Direito e da Constituição da República."

[...]

"A vida intrauterina, ainda quando concebível como projeto de vida, é objeto da tutela jurídico-normativa por várias formas. É-o por normas infraconstitucionais, mas também, e sobretudo, por força da própria lei penal, cujo sentido primário de proibição do comportamento tipificado é expressão da tutela dessa vida intrauterina, a qual guarda, por conseguinte, o significado indiscutível de bem jurídico, que como tal merece a proteção da ordem jurídica. A história da criminalização do aborto mostra que essa tutela se fundamenta na necessidade de preservar a dignidade dessa vida intrauterina, independentemente das eventuais deformidades que o feto possa apresentar, como tem apresentado no curso de história. As deformidades das vidas intrauterinas não são novidade fenomênica. Novidade são hoje os métodos científicos de seu diagnóstico. A consciência jurídica jamais desconheceu a possibilidade de que de uma gravidez possa não resultar sempre nascimento viável. No instante em que o transformássemos [o feto anencéfalo] em objeto do poder de disposição alheia, essa vida se tornaria coisa ( res), porque só coisa, em Direito, é objeto de disponibilidade jurídica das pessoas. Ser humano é sujeito de direito."

[...]

" A vida humana, imantada de dignidade intrínseca, anterior ao próprio ordenamento jurídico, não pode ser relativizada fora das específicas hipóteses legais, nem podem classificados seus portadores segundo uma escala cruel que defina, com base em critérios subjetivos e sempre arbitrários, quem tem, ou não, direito a ela. Havendo vida, e vida humana – atributo de que é dotado o feto ou o bebê anencéfalo –, está-se diante de valor jurídico fundante e inegociável, que não comporta, nessa estima, margem alguma para transigência. Cuida-se, como já afirmei, 'do valor mais importante do ordenamento jurídico'."

"A curta potencialidade ou perspectiva de vida em plenitude, com desenvolvimento perfeito segundo os padrões da experiência ordinária, não figura, sob nenhum aspecto, razão válida para obstar-lhe à continuidade. A ausência dessa perfeição ou potência, embora tenda a acarretar a morte nas primeiras semanas, meses ou anos de vida, não é empecilho ético nem jurídico ao curso natural da gestação, pois a dignidade imanente à condição de ser humano não se degrada nem decompõe só porque seu cérebro apresenta formação incompleta. Faz muito, a civilização sepultou a prática ominosa de sacrificar, segregar ou abandonar crianças recém-nascidas deficientes ou de aspecto repulsivo, como as disformes, aleijadas, surdas, albinas ou leprosas, só porque eram consideradas ineptas para a vida e improdutivas do ponto de vista econômico e social!"

[...]

"A dignidade fundamental da vida humana, como suposto e condição transcendental de todos os valores, não tolera, em suma, barateamento de sua respeitabilidade e tutela jurídico-constitucional, sobretudo debaixo do pretexto de que deformidade orgânica severa, irremissibilidade de moléstia letal ou grave disfunção psíquica possam causar sofrimento ou embaraço a outro ser humano. Independentemente das características que assuma na concreta e singular organização de sua unidade psicossomática, a vida vale por si mesma, mais do que bem humano supremo, como suporte e pressuposição de todos os demais bens materiais e imateriais, e nisto está toda a racionalidade de sua universal proteção jurídica. Tem dignidade, e dignidade plena, qualquer ser humano que esteja vivo (ainda que sofrendo, como o doente terminal, ou potencialmente causando sofrimento a outrem, como o anencéfalo). O feto anencéfalo tem vida, e, posto que breve, sua vida é constitucionalmente protegida."

Mencione-se, por fim, o " non possumus" do magistrado, dado já ao final de seu voto, quando ele declara expressamente a "competência exclusiva do Congresso Nacional para normatizar" o tema em debate e a "impropriedade da atuação do STF como 'legislador positivo'":

"Essa tarefa é própria de outra instância, não desta Corte, que já as tem outras e gravíssimas, porque o foro adequado da questão é do Legislativo, que deve ser o intérprete dos valores culturais da sociedade e decidir quais possam ser as diretrizes determinantes da edição de normas jurídicas. É no Congresso Nacional que se deve debater se a chamada 'antecipação do parto', neste caso, deve ser, ou não, considerada excludente de ilicitude."

[...]

" A ADPF não pode ser transformada em remédio absoluto que franqueie ao STF a prerrogativa de resolver todas as questões cruciais da vida nacional, responsabilizando-se por inovação normativa que a arguente e os adeptos de sua tese sabem muito bem que, na via própria da produção de lei, talvez não fosse adotada pelo Congresso Nacional, como intérprete autorizado dos interesses e das aspirações da maioria silenciosa do povo, que representa!"

Essas últimas palavras, em particular, nunca foram tão apropriadas como agora, quando grupos progressistas querem, mais uma vez, impor judicialmente a sua agenda de morte a uma nação inteira, desconsiderando, para tanto, instituições caríssimas de nossa democracia, tais como o princípio da separação dos Poderes e o direito fundamental à vida desde a concepção — este consagrado por pactos internacionais ( Convenção Americana sobre Direitos Humanos, art. 4), pela Constituição brasileira (art. 5.º, caput) e pelo próprio Código Civil (art. 2.º).

Nas condições normais de uma democracia, os juízes respeitam as leis e são responsabilizados se falham nesse mister. Mas, no Brasil, como já disse um ministro do STF!, eles não devem satisfação "depois da investidura a absolutamente mais ninguém".

A impressão é que vivemos em uma terra sem lei, governada tão-somente pelo arbítrio dos homens de toga. Irrefreáveis. Onipotentes. E, segundo eles mesmos, irresponsáveis. É como se a "morada dos deuses" tivesse mudado: do Monte Olimpo… para o Planalto Central.

Que Deus tenha misericórdia de nossa nação.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

P.S.: Nós já tínhamos esses dois votos, de Peluso e Lewandowski, preparados há muito tempo para uma matéria, mas só decidimos produzi-la de vez depois de lermos um excelente artigo do Felipe Moura Brasil sobre o assunto, do qual recomendamos vivamente a leitura.

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O fim do mito sobre o “Papa de Hitler”

Por 60 anos, a verdade sobre a batalha do Papa Pio XII contra o nazismo tem sido suprimida. Mas novas evidências tornam inegável o seu heroísmo.

Passou despercebido pela imprensa mundial, mas uma notável reviravolta ocorreu recentemente nos estudos sobre o Holocausto. Quase dois anos atrás, a Fundação Internacional Wallenberg, um instituto de pesquisa histórica, iniciou um "projeto modesto": marcar as "Casas da Vida" — lugares onde judeus eram protegidos durante a guerra — com uma placa memorial. Foram encontradas mais de 500 casas como essas na Itália, França, Hungria, Bélgica e Polônia. Eduardo Eurnekian, presidente da fundação, escreveu que, "para nossa surpresa, descobrimos que a esmagadora maioria das Casas da Vida eram instituições relacionadas à Igreja Católica, incluindo conventos, mosteiros, internatos, hospitais etc".

Em Roma apenas, quase 4.500 pessoas encontraram refúgio em igrejas, conventos, mosteiros e internatos. Em Varsóvia, a Igreja de Todos os Santos protegeu judeus. Isso é notável porque a pena para poloneses que abrigassem judeus era o campo de extermínio ou, mais provavelmente, a execução sumária.

Que uma fundação nomeada após Raoul Wallenberg encontre uma colaboração católica tão ampla para salvar a vida de judeus, é coisa muitíssimo apropriada. Wallenberg foi um diplomata sueco em Budapeste durante a guerra. Ele e Angelo Rotta, o núncio papal, salvaram 120 mil dos 150 mil judeus da cidade. Wallenberg foi preso pela Guarda Vermelha e nunca mais visto.

As notícias sobre as Casas da Vida só são surpreendentes porque a verdade sobre a Igreja e o povo judeu na II Guerra Mundial tem sido escondida. Vários ajudantes do Papa da época da guerra, Pio XII, reconhecem que trabalharam para resgatar judeus sob instruções diretas do pontífice. Eles ainda incluíram dois futuros papas — Mons. Angelo Roncalli (João XXIII) e Mons. Giovanni Battista Montini (Paulo VI). Pio XII mesmo protegeu judeus tanto no próprio Vaticano como em Castel Gandolfo.

Este é um bom momento para marcar o testemunho da Igreja contra o nazismo. Oitenta anos atrás, a 14 de março de 1937, Pio XI publicou Mit Brennender Sorge ("Com grande preocupação), uma encíclica, propositalmente escrita em alemão, condenando o nazismo. "Quem quer que exalte a raça, ou o povo, ou o Estado, e divinize-os a um nível idolátrico, perverte a ordem do mundo criado por Deus", escreveu o Papa.

O secretário de Estado de Pio XI era o Cardeal Pacelli, futuro Pio XII. Ele distribuiu secretamente o texto, que ajudara a redigir, dentro da Alemanha. Quatro anos antes, ele havia negociado uma concordata entre a Santa Sé e a Alemanha, não para apaziguar o nazismo, mas para ter algum meio de conter os nazistas através de um tratado internacional. O regime referia-se a ele como um "amante de judeus". Pacelli fez mais de 50 protestos contra a política nazista, nos dias que antecederam a aprovação da Lei de Concessão, que garantiu a Hitler o poder para decretar leis sem a aprovação do Reichstag. Pacelli foi considerado tão anti-nazista que o III Reich tentou impedir a sua eleição como papa em 1939.

A história pessoal de Pacelli é importante. Ele era um amante da cultura germânica — e, igualmente, da cultura judaica — desde sua juventude. Como núncio na Bavária durante a breve república comunista de 1919, demonstrou sua coragem pessoal, permanecendo em seu posto. Sua simpatia e amizade com judeus, incluindo o grande maestro Bruno Walter, era bem conhecida, e ele concedeu auxílios discretos a muitos. A pedido de Walter, conseguiu a liberdade de um músico, Ossip Babrilowitsch, preso em um massacre (pogrom) enquanto a Bavária estava sob o domínio comunista. Em segurança na América, Gabrilowitsch tornou-se o diretor e fundador musical da Orquestra Sinfônica de Detroit. Walter, por sua vez, tornou-se católico.

Antes da guerra, Pacelli assumiu riscos extraordinários para ajudar a oposição alemã. Ele sabia que os generais estavam planejando um ataque contra Hitler, e fez com que notícias de suas intenções chegassem ao governo britânico.

Em uma situação de grande dificuldade, Pio XII fez o que ninguém mais fez para salvar a vida de judeus durante a guerra. Ele bem sabia o que realmente estava acontecendo ao povo judeu. Naquela época, muitos estavam na defensiva, incluindo um diplomata britânico que escreveu sobre "estes judeus queixosos". Nem o Reino Unido, nem a América facilitaram a fuga de judeus para o exílio — o Kindertransport foi uma abençoada exceção.

Nos anos da guerra, Pio XII atuou diretamente na Itália e por meio de diplomatas papais na Romênia, Hungria, Eslováquia e outros lugares. Não surpreendentemente, dadas as circunstâncias, não há nenhum número exato daqueles que foram salvos pelo Papa ou pela Igreja de um jeito ou de outro. Talvez tenha sido algo entre 500 e 860 mil.

As declarações de Pio XII tanto antes como durante a guerra eram inequivocamente hostis ao nazismo. Os Aliados podiam querer mais, mas o preço seria o fim de todo o bem que o Papa podia fazer. Os nazistas entendiam os pronunciamentos dele muito bem. Um plano para sequestrá-lo em 1944 foi apenas evitado pela improvável intervenção do general da SS Karl Wolff.

O Papa foi também completamente claro sobre os males do comunismo e da viciosa perseguição religiosa dos stalinistas. Mas não disse nada sobre isso durante a guerra. Os diplomatas aliados no Vaticano entenderem isso, pois só preservando a neutralidade da Santa Sé o Papa podia conceder refúgio a milhares de judeus em casas religiosas na Itália e mesmo no Vaticano. Isso também lhe permitiu manter contatos a fim de que informações sobre os prisioneiros de guerra e do Holocausto pudessem chegar aos Aliados.

Tudo isso era conhecido durante e após a guerra, inclusive por judeus. Albert Einstein, que escapou do regime nazista, disse em 1940: "Somente a Igreja permaneceu firmemente do outro lado da campanha de Hitler para suprimir a verdade… Eu sou obrigado, portanto, a confessar que agora louvo sem reservas o que uma vez eu desprezei".

Chaim Weizmann, primeiro presidente de Israel, e Isaac Herzog, líder dos rabinos de Israel, prestaram igualmente generosos tributos a Pacelli. Israel Zolli, chefe dos rabinos de Roma, tornou-se católico e, em homenagem ao Papa, tomou o nome cristão de "Eugênio". Depois da morte de Pio XII em 1958, Golda Meir, então ministra israelita das relações exteriores, escreveu: "Nós choramos um grande servo da paz".

Os nazistas odiavam a Igreja. Milhares de padres católicos foram aprisionados, especialmente em Dachau, o "campo dos padres". É verdade que alguns bispos seguiram uma política de apaziguamento: o Cardeal Adolf Bertram de Breslau supostamente teria ordenado um missa de Requiem para Hitler, em 1945. Alguns católicos traíram judeus e chegaram a massacrá-los, como em Jedwabne, em 1941. Mas outros, notavelmente o bispo Clemens August von Galen, de Münster, e o bispo Konrad von Preysing, de Berlim, fizeram tudo que podiam para resistir ao nazismo. O agente de Preysing e cura da Catedral de Berlim, Bernhard Lichtenberg, foi judicialmente morto e agora é reconhecido como um mártir.

Passados quase 60 anos, no entanto, desde a morte de Pio XII, sua reputação tem sido manchada. Exemplo recente foi uma reportagem da BBC que relacionou a oração silenciosa do Papa Francisco em Auschwitz a um ato de reparação pelo silêncio da Igreja Católica. A corporação estava simplesmente repetindo aquilo que se tornou a visão comum sobre Pio XII e a Igreja durante a guerra. (Como se chegou a esse equívoco é uma longa história, que já foi contada aqui no site outras vezes.)

Deixemos, entretanto, a última palavra para o próprio Papa Pio XII. Em 1943, ele escreveu: "Chegará o momento em que documentos não publicados sobre esta terrível guerra serão tornados públicos. Então, a tolice de todas as acusações se tornarão tão claras como a luz do dia. Sua origem não é a ignorância, mas o desprezo pela Igreja". Naquela época, o Papa estava se referindo à propaganda nazista. Mas suas palavras se aplicam igualmente bem às calúnias maliciosas contra ele lançadas nos últimos 60 anos.

Fonte: Catholic Herald | Tradução e adaptação: Equipe Christo Nihil Praeponere

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Abortoduto: tudo que você precisa saber (e fazer)

Saiba o que você pode fazer, ainda hoje, para barrar a lei do “abortoduto” no Brasil.

O que está acontecendo?

Para entender do que se trata o projeto em questão, recomendamos vivamente a todos que assistam ao seguinte material:

O que você pode fazer hoje para barrar a lei do "abortoduto"?

Apesar de serem contrários ao aborto, assim como maioria da população brasileira, nossos deputados têm dificuldade em entender por que o Projeto 7371, que fala apenas em fundos para comprar equipamentos e custear treinamento de "combate à violência contra as mulheres", está se referindo à implantação de um programa semelhante ao das "Iniciativas Sanitárias" uruguaio, que levou à legalização do aborto naquele país.

Você pode ajudar, e muitíssimo, para impedir a aprovação do PL 7371/2014 através do seguinte:

  1. Divulgue como puder as referências acima, para que as pessoas entendam o que está acontecendo.
  2. Ligue para os gabinetes dos principais deputados líderes de bancada (telefones listados abaixo), explique o que está acontecendo e peça que não pautem o PL 7371/2014 para votação.
  3. Escreva para os e-mails dos deputados federais (também a seguir), explique o que está acontecendo e peça que votem pela rejeição do PL 7371/2014.

Devido à urgência da situação, é imprescindível que cada um escreva alguma mensagem com suas próprias palavras, ao invés de mandar uma mensagem previamente padronizada. Aqueles que participam de alguma igreja ou religião, não se manifestem como religiosos, mas como cidadãos ou profissionais.

Lista de lideranças com as quais entrar em contato

1. ANDRE MOURA
http://bit.ly/2mMkGiL
http://bit.ly/2mMrw7S
(61) 3215-9001
lid.govcamara@camara.leg.br

2. BALEIA ROSSI
http://bit.ly/2mMiIiy
http://bit.ly/2mMftHQ
(61) 3215-9181/80
lid.pmdb@camara.leg.br

3. RICARDO TRIPOLI
http://bit.ly/2mWWbMT
http://bit.ly/2mWQTRs
(61) 3215-9345/9346
lid.psdb@camara.leg.br

4. ARTHUR LIRA
http://bit.ly/2mWW9Vh
http://bit.ly/2mMsmll
(61) 3215-9426
lid.pp@camara.leg.br

5. AELTON FREITAS
http://bit.ly/2mWWbwn
http://bit.ly/2mX9vRi
(61) 3215-9550
lid.pr@camara.leg.br

6. MARCOS MONTES
http://bit.ly/2mMx2Yj
http://bit.ly/2mWX5bW
(61) 3215-9060/9070
lid.psd@camara.leg.br

7. EFRAIM FILHO
http://bit.ly/2mWRx1n
http://bit.ly/2mMu0n2
(61) 3215-9265/9281
lid.dem@camara.leg.br

8. EROS BIONDINI
http://bit.ly/2mX5GvB
http://bit.ly/2mMu06w
(61) 3215-9990
lid.pros@camara.leg.br

9. CLEBER VERDE
http://bit.ly/2mX5Gf5
http://bit.ly/2mMiKXI
(61) 3215-9880/9882/9884
lid.prb@camara.leg.br

10. WEVERTON ROCHA
http://bit.ly/2mMyZ7f
http://bit.ly/2mWTjQ4
(61) 3215-9700/9701/9703
lid.pdt@camara.leg.br

11. JOVAIR ARANTES
http://bit.ly/2mWVkvH
http://bit.ly/2mXgzNF
(61) 3215-9502/9503
lid.ptb@camara.leg.br

12. AUREO
http://bit.ly/2mMyWIB
http://bit.ly/2mX2fVE
(61) 3215-3212
lid.solidariedade@camara.leg.br

13. ALEXANDRE BALDY
http://bit.ly/2mMuw4d
http://bit.ly/2mWOnup
(61) 3215-8900
lid.ptn@camara.leg.br

14. PROFESSOR VICTÓRIO GALLI
http://bit.ly/2mMvOMu
(61) 3215-9762/9771/9761
lid.psc@camara.leg.br

15. DIEGO GARCIA
http://bit.ly/2mMqnxc
http://bit.ly/2mMnX1D
(61) 3215-8875
lid.phs@camara.leg.br

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Pânico na Planned Parenthood: corte de verbas ameaça império da morte

Para salvar império da morte, Cecile Richards, presidente da Planned Parenthood, inventa acusações contra Donald Trump.

Cecile Richards, a presidente da maior rede de abortos dos Estados Unidos, a poderosa Planned Parenthood, está preocupadíssima com os rumos de sua ONG aborteira agora que o governo Trump decidiu abrir fogo contra a "cultura da morte". Dias atrás, em um apelo desesperado por novas doações financeiras, Richards conclamou os defensores do aborto à "batalha de nossas vidas" contra o que chamou de "a maior ameaça aos direitos reprodutivos da mulher que esta nação jamais enfrentou".

A retórica é pulsante e não podia ser diferente. Acostumada a receber quase US$ 530 milhões anuais do Estado para abortar cerca de 324 mil bebês ao ano, a Planned Parenthood viu sua mina de ouro evaporar quando, no início deste ano, o presidente americano Donald Trump assinou uma medida contra o financiamento de ONGs pró-aborto que atuam em países de terceiro mundo. E as coisas devem ficar ainda mais complicadas nos próximos meses, caso o Congresso decida finalmente transferir os fundos, até então dedicados a ela, para outras clínicas de saúde feminina, que não praticam abortos.

É claro, portanto, que Cecile Richards não poderia assistir passivamente à derrocada da Planned Parenthood sem que fizesse algo para defender o chamado "direito à escolha" da mulher de matar ou não seus filhos. Escolhidas as armas, hora do ataque: "Lutemos contra as racistas, homofóbicas, xenofóbicas, transfóbicas políticas da administração Trump", disparou a líder feminista, repetindo os já conhecidos jargões da grande mídia contra o atual governo americano. E o objetivo é claro: construir um monstro luciferino contra o qual a Planned Parenthood possa posar de vítima e heroína ao mesmo tempo. Trata-se do expediente mais antigo dos revolucionários, que raciocinam não a partir do senso comum, no sentido aristotélico do termo, mas a partir do seu mundinho das ideias, ao qual todos devem se submeter.

Uma vez, discorrendo sobre o surrealismo dos esquerdistas, Gustavo Corção fez a seguinte colocação:

Não, a esquerda propriamente dita jamais lutou contra a injustiça ou pela justiça; mas freqüentemente lutou contra os que, por assim dizer, lhe fazem o favor de praticar certas injustiças. É melhor usar o termo próprio: as esquerdas aproveitam as injustiças, vivem das in­justiças, para manter em movimento os dois cilindros da motocicleta do progresso na direção da luta de classes. [1]

A descrição não poderia ser mais fiel ao que se pode observar no modus operandi da Planned Parenthood, especialmente na fala de sua presidente. Ao apelar para os jargões preconceituosos contra Donald Trump, Cecile Richards não está defendendo nem as mulheres, nem os imigrantes, nem os homossexuais. Ela está apenas se alimentando do impacto que essas palavras causam no imaginário popular para manobrar uma massa de inocentes úteis que assegurem o seu depósito governamental ao fim do mês. Não é com a injustiça contra negros e homossexuais que Richards está preocupada, mas com o "injusto" corte de verbas que o governo Trump lhe fez o favor de conceder.

É assim que Cecile Richards jura escandalizar-se com os, sim, deploráveis comentários de Donald Trump sobre as mulheres, mas nada diz de sua candidata, Hillary Clinton, ter achado graça no fato de seu cliente estuprador ter conseguido enganar o detector de mentiras. É assim que Cecile Richards, à la Monalisa Perrone, inventa um suposto racismo ou preconceito homofóbico de Donald Trump sem ele nunca ter dito qualquer palavra contra esses grupos sociais. É que "não há mais violenta paixão do que essa de ver realizada, materializada, e funcionando, uma Idéia emanada de nossa mente criadora" [2]. Trata-se da "vontade de poder", como diria Gustavo Corção: "uma paixão de impor ao mundo uma forma nova, uma Idéia" [3]. Não importa se essa ideia contraria a lei natural e a razão. A lógica é esta: se o remédio não funciona, mudemos o paciente. Vale tudo para manter a "cultura da morte". Até mentir.

Acontece que a International Planned Parenthood Federation, a multinacional da morte, foi criada em 1916, pela ativista Margaret Sanger, com um objetivo muito claro: dizimar as populações negras e de imigrantes por meio da esterilização e da promoção do aborto. Sanger, aliás, era muito querida entre os círculos da Ku Klux Klan, para a qual chegou a ministrar uma palestra, devido às suas posições eugenistas e racistas. Na sua visão revolucionária, negros, imigrantes e pobres seriam o tipo de "seres humanos que nunca deveriam ter nascido".

E enganar-se-ia quem pensasse que esse racismo é algo do passado, com o qual a Planned Parenthood não tem mais nada a ver. Recentemente, em outra daquelas séries de vídeos escandalosos sobre as suas, por assim dizer, políticas econômicas, um doador aparece oferecendo uma quantia generosa à instituição desde que esta se comprometa a realizar um aborto em um bebê negro. "Por qualquer motivo aceitarão o dinheiro", responde a atendente.

Desde o tráfico de órgãos à negação de exame pré-natal, é a isto, e nada mais, que se resume a tal saúde reprodutiva da Planned Parenthood: aborto. Eles querem abortar e vão inventar qualquer artimanha para continuar a sacrificar vidas inocentes noaltar do globalismo, do qual são um fiel aliado.

Cecile Richards tem razão, porém, quando afirma que os direitos da mulher estão em perigo. Certamente, a política pró-aborto da Planned Parenthood é um perigo grave à saúde da mulher, sobretudo se essa mesma ONG continuar a ditar as regras do jogo através do financiamento público. O seu currículo está aí para provar: uma fundadora eugenista, cujo objetivo era eliminar os negros dos Estados Unidos, e que encontra sucessores ainda hoje dentro da sua instituição, cumprindo engenhosamente cada item de sua cartilha antinatalista. Que caia logo a Babilônia!

*

No Brasil, que coincidência!?, uma nova lei quer agora criar um fundo para… o "Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres". Você já sabe onde essa história vai terminar.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. CORÇÃO, Gustavo. O século do nada. São Paulo: Record, 1973, p. 97.
  2. Ibidem.
  3. Ibidem.