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Como um casal católico e um terço fizeram este médico voltar à Igreja
Testemunhos

Como um casal católico e um terço
fizeram este médico voltar à Igreja

Como um casal católico e um terço fizeram este médico voltar à Igreja

“Quando cheguei à quinta dezena de Ave-Marias, comecei a chorar. Forte, compulsivamente, como uma criança desamparada.”

Equipe Christo Nihil Praeponere29 de Maio de 2018
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Este testemunho é de um aluno do nosso site, chamado Tiago, e foi enviado ao nosso suporte há pouco mais de dois anos, no dia 16 de maio de 2016, segunda-feira depois de Pentecostes. Na ocasião, ele acabara de receber o sacramento da Confirmação e estava prestes a se unir em santo Matrimônio.

Mesmo com a distância no tempo, achamos muito oportuna a publicação deste depoimento, não só porque pode ajudar muitas pessoas que se encontram no mesmo caminho, mas também porque ele ajuda a ilustrar muitas coisas que o próprio Padre Paulo Ricardo explica ao falar de como acontece uma conversão e como Deus se serve dos mais variados instrumentos para nos chamar à vida da graça.


Esta é a história da minha reconversão a Deus e volta à Igreja. Falo “reconversão” porque já acreditei em Deus fielmente durante a minha infância. Fui criado em uma família católica, batizado enquanto bebê. Aos 11 e 12 anos fiz catequese na Igreja e recebi o sacramento da Eucaristia.

Ao me tornar adolescente, aos poucos fui entrando na chamada “idade da razão”. Chamo assim por ser um período em que moldamos nossa personalidade, o que é comum a todos os adolescentes. É um tempo no qual buscamos nossa identidade, nos identificamos com certos grupos sociais e clamamos por reconhecimento da nossa individualidade. Para muitos é a idade da rebeldia, de contrariar os pais, a escola e as regras definidas pela sociedade. Onde todos os outros são quadrados e você é o legal da história. Não tive muito dessa fase. Ou seja, não fui um adolescente particularmente rebelde.

Por outro lado, conforme ia me moldando e buscando razões para as coisas, fui me distanciando de Deus. Afinal, estamos imersos em um mundo pautado por pautas equivocadas, nas quais a razão e ciência, teoricamente, entrariam em conflito com a religião. Na verdade, essa é uma das maiores mentiras que já me contaram, e ainda contam para a maioria das pessoas. Mas o porquê de isso ser uma mentira é papo para outra conversa. Junte-se a isso aquela busca por individualidade, racionalismo, prazeres recentemente descobertos e um total despreparo — por parte da maioria de nossos educadores, até mesmo dentro da Igreja — e você terá a fórmula perfeita para a gênese de um ateu, alguém que se distancia da Igreja, ou pior: as duas coisas.

No meu caso, inicialmente foi somente a distância da Igreja. Aos poucos fui me afastando, deixando de rezar, enxergando cada vez mais aquilo como errado, ultrapassado. Já mais próximo da idade adulta, a doutrinação de amigos mais velhos, da televisão, internet, e professores esquerdizados, me mostraram o óbvio naquele momento: somente sendo muito pouco inteligente para acreditar nas “ladainhas” da Igreja. Por certo deveria existir um Deus, onipotente, mas não seria o mesmo Deus da Igreja: retrógrada, dogmática, rígida.

Logo que entrei na faculdade, fui conhecendo pessoas e fazendo alguns amigos. Muitos deles, pessoas inteligentíssimas, que me ensinaram coisas pelas quais sou grato até hoje. Fiz faculdade de medicina, em universidade federal, o que, na época, era garantia de que você conviveria com algumas das mentes mais brilhantes (no sentido acadêmico), tendo em vista a dificuldade do vestibular. Minhas noções morais foram se adaptando e se moldando aos novos ensinamentos.

Graças a Deus, a maioria dos meus amigos eram pessoas retas e com padrões morais corretos. Porém, foi durante os primeiros anos da faculdade que comecei a questionar a existência de Deus. Como poderia um Deus todo-amor e onipotente ser conivente com tantas desgraças no mundo? Crianças de dois anos de idade com câncer no cérebro, malformações, pais de família morrendo enfermos com dois ou três filhos ainda a criar, guerras, assaltos, estupros, enfim…  Uma infinidade de tragédias que acontecem todos os dias. E a Igreja? Via muitos ditos “fiéis” saindo da missa ou culto (no caso dos protestantes) e no dia seguinte cometendo os mais variados pecados, variando desde uma mentira descarada até a traição da esposa. Portanto, seguiram-se vários anos de negação da fé.

Eu me bastava. Era o meu senhor. Médico, formado, com ótimo salário, desfrutando das coisas boas da vida. Tinha começado a namorar uma mulher incrível: linda, inteligentíssima e com princípios sólidos. Por sorte, estamos juntos até hoje, sendo que é minha noiva. Ela é católica, e sempre foi praticante. Em alguns momentos mais, noutros menos.

Lembro com pesar do quanto tentei dissuadi-la de sua fé. Durante uma conversa, cheguei a dizer claramente que não queria batizar meus filhos quando os tivesse. Que preferiria que eles atingissem a idade da razão para decidirem por eles mesmos. Afinal, eu era o senhor-razão, o cara que se bastava. Ela discordou frontalmente da minha argumentação, dizendo que fazia questão de batizar seus futuros filhos na Igreja Católica. Discordamos por mais algum tempo e, quando ambos cansaram de conflito, sem chegar num acordo, encerramos o assunto. Não conversamos mais sobre isso.

Em algumas ocasiões, fomos a casamentos de amigos. Tinha uma aversão cada vez maior a casamentos. Todo aquele ritual “chato” e “retrógrado” para uma festa de ostentação depois. Via, algumas vezes, casais que se separavam em menos de um ano após o casamento. Assistia a este espetáculo num misto de afirmação do que sentia e satisfação irônica — afinal, isso corroborava minha tese de que Deus não existia e que o casamento é uma “besteira”. Não me entendam mal. Eu acreditava na união de um casal. Só não acreditava nos valores de Deus e da Igreja: para a vida toda, indissolubilidade, etc… Gostava muito da máxima: que seja eterno enquanto dure.

Muitas vezes sentia um vazio, uma solidão, mesmo estando rodeado por muitas coisas e pessoas. Sempre encontrava a resposta em alguma coisa mundana, como uma nova viagem, uma roupa, um filme. Porém a resposta nunca saciava de verdade. Fingia que estava tudo bem, que logo iria passar. E realmente, às vezes passa. Pois mesmo em uma existência vazia e sem muito sentido, temos lampejos de felicidade. No geral, a vida era boa.

Sempre tive um grupo bem variado de amigos. Pelo fato de ter saído de casa para morar sozinho em outra cidade ainda com 18 anos de idade, aprendi a conviver com vários grupos e a respeitar as diferenças. Quando conversava com algum amigo religioso, sempre evitava tocar em assuntos sobre Deus. Quando falavam algo a respeito disso, me fechava no meu mundinho, sem dar abertura a qualquer palavra sobre isso. Minha posição era certa e irredutível.

Após ter mudado de cidade mais uma vez, dessa vez para morar com a minha namorada (na época), conheci outras tantas pessoas. Em especial, um casal de amigos que fizemos. Os dois eram católicos praticantes e pessoas maravilhosas. Estudavam (e ainda estudam) bastante sobre assuntos religiosos, sempre buscando se aprofundar na fé. Ao mesmo tempo, são pessoas inteligentíssimas, cultas e sábias. A amizade deles nos fazia muito bem, e nossos laços foram se estreitando. Aos poucos, minha armadura foi caindo. Bem lentamente, fui começando a escutar algumas colocações, opiniões e conclusões a que eles chegavam, mesmo discordando. São um casal exemplar, que demonstram amor a todo momento, sem falsidade. A forma como se olham causa emoção até no mais duro dos corações. Enfim, são um casal-modelo.

Certo dia, em um de nossos jantares, fui surpreendido pela visão de casamento do meu amigo: “Vemos o casamento da forma como a Igreja vê: no dia em que nos casamos, nos tornamos uma só carne, uma só pessoa”. Aquilo me tocou profundamente. Que coisa mais linda! Ao mesmo tempo, via com certa estranheza, pois parecia papo de maluco! Uma só carne? Impossível. Como esse mesmo amigo meu fala, acertadamente: “Quando estamos de fora, é muito difícil enxergar como quem está dentro. É, na maioria das vezes, incompreensível”.

Há uns 6 meses atrás, marcamos a data do nosso casamento. Já havia concordado em casar na Igreja, para satisfazer a minha noiva. Poderia casar na Igreja, tendo em vista que era batizado, recebi o sacramento da Eucaristia e nossa paróquia não exige o sacramento da Confirmação (Crisma) para casar. Fomos à nossa paróquia certo dia, para uma entrevista com o padre. Neste dia, minha vida começou a mudar.

O padre começou um questionário, para ver se cumpríamos os requisitos para realizar o Matrimônio na Igreja. No momento da questão se eu tinha recebido o sacramento da Confirmação, respondi a verdade, como em todas as outras perguntas: “Não”. O Padre respondeu: “Sem problema, meu filho. Hoje a Igreja não exige mais este sacramento como condição necessária ao Matrimônio”. Mas logo lançou uma pergunta no ar: “Mas você gostaria de fazer catequese e receber este sacramento, mesmo que fosse depois do seu casamento?” Pensei um pouco e respondi: “Padre, não vou mentir para o senhor. Não responderei que sim só da boca pra fora. Mas lhe prometo algo: que pensarei no assunto”. A entrevista continuou, e na sequência, fomos jantar com aquele casal de amigos dos quais falei antes.

A sementinha foi plantada. Aquilo não saía da minha cabeça. Parecia a coisa certa a ser feita. Durante o jantar, meus amigos me falaram sobre o site do Padre Paulo Ricardo, e sobre seus cursos. Quando cheguei em casa, prontamente acessei o site e vi os vários cursos lá presentes. Um deles me chamou a atenção: Catecismo da Igreja Católica. Me inscrevi, ganhei da minha noiva o livro do Catecismo e iniciei o curso.

Aos poucos, as aulas foram chamando minha atenção e dediquei cada vez mais tempo a elas. Estava admirado com tudo aquilo! Como esse padre falava bem, com uma oratória invejável e inteligência admirável. O que começou como uma aula ou duas por dia tomou conta de todo o meu tempo livre. Estava cativado por aqueles ensinamentos, apesar de ainda não estar totalmente aberto a aceitar Deus na minha vida.

Num belo dia, no quarto de repouso médico do hospital no qual trabalho, que nunca teve nenhum tipo de adereço religioso, apareceu um terço. Do nada. Até hoje não sei quem colocou ele lá. Como trabalho em emergência, e naquele momento estava sem pacientes para atender, decidi que rezaria o Terço. Mas um problema apareceu: além de não saber qual oração rezaria em qual tempo, muitas orações não conhecia de cor. Abri o celular e acessei um site que explicava o Terço. Me coloquei a rezar, de mente aberta.

Na quarta dezena de Ave-Marias, um fenômeno interessante se passou comigo: senti um calor muito forte nas mãos, e um formigamento que percorria meus braços. Continuei rezando, e aquela sensação se tornou mais e mais forte. Quando cheguei à quinta dezena de Ave-Marias, comecei a chorar. Forte, compulsivamente, como uma criança desamparada. Na verdade, era o que eu era, naquele momento: uma pessoa desamparada, certo da presença de Deus ali comigo, naquele momento. Envergonhado por todo esse tempo que eu tinha passado longe dEle e por todos os pecados cometidos sem reparação.

Tomei forças e terminei o terço. Depois disso, senti uma paz inexplicável, certo de que havia encontrado a resposta para minha vida dali em diante: Deus. Já não via mais o casamento como via anteriormente e, no curso de noivos que fizemos, passei a enxergá-lo como a Igreja vê e a desejar avidamente esse dia. Minha noiva estava muito satisfeita. Finalmente eu tinha me convertido. Que mulher paciente!

Continuei o estudo do Catecismo. As aulas do Padre Paulo já tinham terminado, tendo em vista que seu curso ainda não está completo: ia até os Sacramentos, faltando o Matrimônio e a terceira e quarta partes do livro do Catecismo. Teria que estudar sozinho o restante do livro. Enquanto fazia isso, fui tomado por uma vontade muito grande de receber o sacramento da Confirmação. Não me conformava com o fato de que receberia o sacramento do Matrimônio sem antes receber o belo e necessário sacramento da Confirmação do Batismo.

Certo dia, fui falar com o padre da minha paróquia. Expliquei a ele toda a minha história e falei que me sentia pronto e desejoso para o sacramento da Confirmação. O padre se comoveu, me parabenizou, deu as boas vindas e falou que consentiria em que eu recebesse este sacramento. Que dia feliz! Saí de lá muito emocionado. Marcamos a data para o próximo dia possível: um domingo de Pentecostes, 12 dias antes do meu casamento! Esse dia foi ontem. A cerimônia foi linda e emocionante. Neste dia percebi a missão que me aguarda daqui pra frente: a de estar ainda mais dentro da Igreja e mais próximo de Deus, assim como o meu dever de mostrar esse caminho a outras pessoas: evangelizar.

Por isso escrevi este texto. Já contei essa história a alguns amigos, e todos se emocionaram muito. Religiosos reforçaram sua fé, e os que não crêem talvez se abriram um pouco para a verdade. Nossa missão, como católicos, como cristãos, é difundir a palavra. Da forma falada e com exemplos — o mais importante. De nada adianta sermos cristãos e levarmos uma vida transviada, cheia de pecados graves.

Tenho plena consciência de que não estamos livres do pecado. Nossa condição humana, após o pecado original, nos torna pecadores por natureza. E é isso uma das bases do cristianismo: ter consciência dessa nossa natureza, olhar para o Céu e pedir a Deus Pai, todo-poderoso, que nos desvie do caminho do pecado. E quando inevitavelmente pecarmos, assumir nosso erro, repudiar o pecado do fundo do nosso coração, pedir um perdão sincero, suplicando a Deus — que na Igreja toma a forma do sacramento da Penitência — resolutos a não voltar a pecar. Fugir disso é o que nos torna como os animais: seres inconscientes, que só buscam o prazer, sem culpa.

Portanto, caros irmãos católicos, deixo um pedido aos que seguem uma vida reta e voltada para a verdade: não se furtem à sua missão. Não fujam da sua cruz. Nossa Igreja já está enfraquecida há algum tempo, tomada de fiéis que não vivem na plenitude a sua religiosidade. Vamos dar um basta nisso. Vamos mostrar, por atos e virtudes, que temos algo que vale a pena ser buscado e elevado à sua real posição de glória: Deus. Que mostremos, a todos que não crêem, os reais valores da Igreja Católica, e que consigamos restaurar a imagem deturpada que boa parte da sociedade, injustamente, tem da nossa Igreja.

Isso não se consegue em alguns meses, nem mesmo em alguns anos. É uma estrada longa e dolorosa. Mas cabe a nós tomar essa cruz, erguê-la e glorificá-la, para que sejamos ministros da palavra de Deus e da vida de Jesus Cristo, nosso Senhor!

Para encerrar, gostaria de agradecer profundamente o Padre Paulo Ricardo e toda a sua equipe, por terem tornado esse meu aprendizado o que ele foi: uma estrada fascinante, admirável e cativante!

Que Deus abençoe todos vocês!
Tiago.

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A amiga da Irmã Lúcia que “estará no Purgatório até o fim do mundo”
Doutrina

A amiga da Irmã Lúcia que “estará
no Purgatório até o fim do mundo”

A amiga da Irmã Lúcia que “estará no Purgatório até o fim do mundo”

Mais uma revelação de Nossa Senhora de Fátima muito útil para nos mover a trabalhar com mais afinco por Deus.

Equipe Christo Nihil Praeponere15 de Junho de 2018
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Das Memórias da Irmã Lúcia:

— E eu também vou para o Céu?
— Sim, vais.
— E a Jacinta? 
— Também. 
— E o Francisco? 
— Também, mas tem que rezar muitos terços.

Lembrei-me então de perguntar por duas raparigas que tinham morrido há pouco. Eram minhas amigas e estavam em minha casa a aprender a tecedeiras com minha irmã mais velha. 
— A Maria das Neves já está no Céu? 
— Sim, está.
Parece-me que devia ter uns 16 anos. 
— E a Amélia? 
Estará no purgatório até ao fim do mundo. [1]

Talvez a revelação da Virgem Santíssima à Irmã Lúcia assuste-nos um pouco. É de fato impressionante a ideia de uma alma sofrendo no Purgatório até a consumação dos tempos. Movidos pela curiosidade, podemos chegar a nos perguntar o que teria feito Amélia para merecer uma punição assim tão severa da justiça divina.

O que mais nos aproveita, porém, é pensar que todos nós podemos muito bem ter a mesma sorte dessa amiga da Irmã Lúcia, caso levemos uma vida medíocre, “mais ou menos”, sem peso; caso não queiramos pagar, nesta existência, o alto preço do amor. O Purgatório é, afinal, o lugar para onde vão as almas que, embora se tenham salvo, não quiseram se entregar totalmente a Deus; embora se tenham salvo, ainda estavam muito apegadas às coisas deste mundo.

A pena de Amélia leva-nos a lembrar, também, daquela visão de Santa Francisca Romana, segundo a qual “por cada pecado mortal perdoado”, restaria “à alma culpada passar por um sofrimento de sete anos” no Purgatório. A amiga da Irmã Lúcia talvez tenha sido uma dessas almas que acumularam em vida inúmeros pecados mortais, dos quais se arrependeram, sem que tenham tido tempo, no entanto, para repará-los nesta vida.

Com revelações como essa, Deus quer fazer um apelo à nossa indiferença, dar um grito para romper a nossa surdez. Não se entra no Céu senão por meio de muitos sofrimentos (cf. At 14, 22). Se não quisermos sofrer aqui, teremos de sofrer no outro mundo. E daí não saíremos enquanto não houvermos pago “até o último centavo” (Mt 5, 26).

Cumpre dizer, de outro lado, para não retratar o Purgatório com cores demasiado duras, que evidentemente é bem mais consoladora a sorte de Amélia que a das inúmeras almas que os pastorinhos de Fátima viram precipitando-se no Inferno. É evidente que os dois estados não podem ser equiparados, por mais doloroso e duradouro que seja o Purgatório.

O problema de muitos de nós é o quão longe estamos da meta, o quão mesquinha é muitas vezes a lógica com que vivemos a nossa fé. Quantas vezes não pensamos, por exemplo, ou até dizemos: “Se eu chegar ao Purgatório, já me darei por satisfeito”, ou: “Se for ao Purgatório, já estarei no lucro”?

Não que isso não seja verdade, mas é uma verdade contada pela metade. É como a história do jovem rico (cf. Mc 10, 17-27), que poderia ser um grande discípulo de Cristo, e não foi.

Poderíamos até nos perguntar se essa personagem anônima dos Evangelhos, da qual não mais tivemos notícia, realmente se salvou. Talvez até tenha tido a “sorte” de passar o Purgatório com Amélia até o fim do mundo. Talvez já esteja no Céu agora, tendo passado por um brevíssimo Purgatório. A verdade é que, do jeito como ele deixou a famosa cena do Evangelho, seu lugar ainda não era o Céu. Porque o Céu não é simplesmente o lugar de quem não tem pecados (como o jovem rico parecia não ter); o Céu é o lugar dos que amam, dos que querem se unir a Deus mais do que qualquer coisa nesta vida.

Mas e nós, queremos isso? Queremos amar a Deus de todo o coração, ou nos contentaremos com garantir nossa salvação? Queremos viver plenamente o chamado de Deus para nós ou nos bastará “garantir uma vaga” no Purgatório?

Ninguém pense que se trata de desejos vãos. O quanto quisermos indicará a medida com que trabalharemos. Quem pensa em atingir o Purgatório, se esforçará o necessário para chegar aí. Se trabalharmos para o Céu, no entanto, tudo mudará. Inclusive nossa sorte na outra vida.

Que o exemplo dessa amiga da Irmã Lúcia nos ajude a imitar os pastorinhos de Fátima, que viveram sua vocação com heroísmo e, como recompensa, foram acolhidos sem demora no Reino dos Céus. Quanto à alma de Amélia, só o que lhe resta é contar com as nossas orações… “até ao fim do mundo”.

Referências

  1. Aparição de 13 de maio de 1917. Em: Memórias da Irmã Lúcia. 13.ª ed. Fátima: Secretariado dos Pastorinhos, 2007, p. 173.

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Obrigado, Padre Paulo Ricardo!
Padre Paulo Ricardo

Obrigado, Padre Paulo Ricardo!

Obrigado, Padre Paulo Ricardo!

Obrigado, Padre Paulo Ricardo, por se esvaziar de si mesmo e ser para nós, neste mundo, “um testemunho do Deus invisível”.

Equipe Christo Nihil Praeponere14 de Junho de 2018
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Reverendíssimo Padre Paulo Ricardo,

Em 1959, por ocasião do primeiro centenário da morte de São João Maria Vianney, o Papa São João XXIII escrevia que, “hoje, os cristãos fervorosos esperam muito do padre. Querem ver nele, neste mundo onde triunfa com frequência o poderio do dinheiro, a sedução dos sentidos, o prestígio da técnica, um testemunho do Deus invisível, um homem de fé, esquecido de si mesmo e cheio de caridade” [1].

Essa descrição de sacerdócio — que, digamo-lo mais claramente, não é apenas a expectativa dos cristãos de hoje, mas o desejo constante de Deus para os padres — vem bem a calhar neste dia 14 de junho de 2018, em que o senhor completa 26 anos de ministério sacerdotal.

Não porque o senhor seja santo, nem porque queiramos adulá-lo — o senhor nunca permitiu que o tratássemos dessa forma —, mas porque é justamente essa visão de sacerdócio que o senhor promove com suas pregações e, dia após dia, também com seu exemplo.

Nenhum de nós que convivemos com o senhor pode negar, por exemplo, que o senhor é “um homem de fé”. Sem se apegar a opiniões próprias, o que o senhor quer nos dar é “A Resposta Católica”. Sem querer ser “original”, a fé que o senhor (tanto!) nos ensina a pedir é “em tudo o que crê e ensina a Santa Igreja Católica”. Nada mais, nada menos.

Por isso, só por isso já receba, Padre Paulo Ricardo, a nossa mais profunda gratidão, pois sabe Deus o que seria de nós, por que vales tenebrosos estaríamos errando, a que ideias mirabolantes estaríamos servindo, não fosse o senhor a emprestar humildemente a sua voz à de Nosso Senhor e conduzir-nos ao aprisco da Santa Igreja Católica.

Obrigado, Padre, porque a doutrina que o senhor nos ensina não é sua, mas de Jesus Cristo.

Nenhum de nós pode negar também que, como um verdadeiro pai, o senhor vive “esquecido de si mesmo” — e ainda nos ensina a fazer o mesmo, para que a nossa vida realmente ganhe sentido!

Com uma história que o senhor vive repetindo (e que não nos cansamos de escutar), nós aprendemos, por exemplo, que “nós não temos vida” para nós mesmos, que “a nossa vida é para os outros”! E isso, justamente por ser algo que nos perturba e inquieta, é também algo que nos encoraja, que nos faz querer ser grandes, que nos motiva na busca da santidade!

Por isso, obrigado, Padre, obrigado por nos apresentar a medida do amor, que é amar sem medidas. Obrigado por nos ensinar que há vida para além do “salário mínimo” de nossas obrigações; por nos ensinar que a santidade não consiste em não pecar, mas em amar a Deus de todo o coração, com toda a nossa alma e todo o nosso entendimento!

Ninguém pode negar, enfim, Padre, que o senhor é um homem “cheio de caridade”. É o que vemos em suas meditações, tantas vezes embargadas de emoção, ao falar de Nosso Senhor. É o que vemos em suas exortações insistentes para que tenhamos vida de oração e amemos nosso Salvador, escondido no íntimo de nosso coração.

Por isso, obrigado, Padre, obrigado por nos recordar constantemente a importância da oração!

Quantos vivem no mundo, angustiados por não saber o que lhes falta! Aparentemente têm tudo: um lugar para morar, uma companhia com que passar o resto de seus dias, um automóvel para ir aonde quiserem, uma conta gorda no banco… Mas vivem infelizes, e sequer sabem onde procurar! “Ó Israel, felizes somos nós, porque nos é dado conhecer o que agrada a Deus” (Br 4, 4). Felizes somos nós porque sabemos a razão dessa inquietude em nosso ser: e sabemos onde saná-la. E tantos de nós só aprendemos isso porque o ouvimos do senhor!

Por isso, Padre Paulo Ricardo, muito obrigado! Obrigado por se esvaziar de si mesmo e ser para nós “um testemunho do Deus invisível”. Que Deus o continue guardando no Coração Eucarístico de Jesus, para que o senhor não deixe nunca de nos apontar, com suas palavras e com seu exemplo, o caminho do Céu!

Referências

  1. Papa S. João XXIII, Carta Encíclica Sacerdotii Nostri Primordia (1.º de agosto de 1959), n. 61.

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Formulário para a Missa do Coração Eucarístico de Jesus
Liturgia

Formulário para a Missa
do Coração Eucarístico de Jesus

Formulário para a Missa do Coração Eucarístico de Jesus

Embora não conste em nosso Missal, existe um formulário para os sacerdotes que desejam celebrar, nesta quinta-feira, a festa em honra ao Coração Eucarístico de Nosso Senhor.

Equipe Christo Nihil Praeponere13 de Junho de 2018
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Existe um formulário para os sacerdotes que desejam celebrar, amanhã, a festa do Coração Eucarístico de Jesus. Para acessá-lo, basta clicar aqui.

Substancialmente, o culto prestado pela Igreja ao Coração Eucarístico de Jesus é o mesmo que ela tributa ao seu Sacratíssimo Coração. Todos os fiéis — e, de um modo particular, os sacerdotes — são convidados a venerar com respeito, amor e gratidão, o símbolo do amor supremo pelo qual Jesus Cristo instituiu o sacramento da Eucaristia, para permanecer conosco permanentemente. Com todo o direito se venera, com culto especial, esse adorável desígnio do Coração de Jesus Cristo, demonstração suprema de seu amor.

Por isso, o Papa Leão XIII erigiu na igreja de São Joaquim, em Roma, confiada à Congregação do Santíssimo Redentor, uma arquiconfraria sob o título de Coração Eucarístico de Jesus. E é também no Missal próprio dos redentoristas que consta, ainda hoje, o formulário para esta festa, instituída pelo Papa Bento XV, em 1921.

O formulário que tornamos disponível acima pode ser usado tranquilamente pelos padres que celebram na Forma Ordinária do Rito Romano. Aos que rezam a Missa na Forma Extraordinária, basta acessar o formulário da Missa aqui.

O mais importante, de qualquer modo, é que todos possamos meditar, com a vida, a grandeza do mistério que a liturgia nos coloca diante dos olhos. Para tanto, não deixem de assistir ao episódio abaixo, de nosso programa "Ao vivo com Padre Paulo Ricardo", sobre o Coração Eucarístico de Nosso Senhor:

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Por que Santo Antônio está abraçando o Menino Jesus?
Santos & Mártires

Por que Santo Antônio
está abraçando o Menino Jesus?

Por que Santo Antônio está abraçando o Menino Jesus?

Estando em pregação numa certa cidade, Santo Antônio encontrou pousada na casa de um generoso fidalgo. Ali, recolhido a sós em seu aposento, o santo de Lisboa teve uma surpresa…

13 de Junho de 2018
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Santo Antônio entrou certa vez numa cidade para lá pregar, e o senhor fidalgo que ali o acolheu reservou-lhe um aposento bem retirado, a fim de não o perturbarem no estudo e na oração.

Estava o santo recolhido e a sós em seu quarto quando o senhor fidalgo, andando pela casa a tratar de seus assuntos, achou-se por acaso diante do aposento de Antônio e, levado por devota curiosidade, espreitou pela porta, às escondidas, através de uma fresta que dava para o lugar em que o santo descansava. E o que haviam de ver os seus olhos! Um Menino muito belo e alegre nos braços de Santo Antônio, e este a contemplar-lhe o rosto, a apertá-lo ao peito e a cobri-lo de beijos.

O fidalgo, maravilhado com a beleza do Menino, ficou espantado, sem saber como explicar donde teria vindo aquela Criança tão bela e graciosa.

O Menino, que não era senão Nosso Senhor Jesus Cristo, revelou a Santo Antônio que o seu hospedeiro o estava espiando pela porta.

Por causa disso, Santo Antônio, após terminar uma longa oração, chamou o senhor fidalgo e humildemente lhe pediu que, enquanto ele estivesse vivo, a ninguém revelasse a visão que tivera.

Foi só depois da morte do santo que o senhor fidalgo, com lágrimas santas, contou o milagre que os seus olhos indiscretos tinham contemplado. Em louvor de Cristo. Amém.

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