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“Estudando para me tornar pastor, decidi voltar à Igreja Católica”
Testemunhos

“Estudando para me tornar pastor,
decidi voltar à Igreja Católica”

“Estudando para me tornar pastor, decidi voltar à Igreja Católica”

Por mais doloroso e difícil que fosse o retorno, “nenhum laço podia me deter por mais tempo. Eu estava convencido de ter encontrado a plenitude da Verdade e da salvação na Santa Igreja Católica.”

Equipe Christo Nihil Praeponere30 de Abril de 2018Tempo de leitura: 6 minutos
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O testemunho que publicamos a seguir dispensa introduções. Foi-nos enviado por um aluno, Igor Pires do Nascimento, que de muito bom grado nos escreveu, pedindo que o compartilhássemos  como “instrumento de esclarecimento” e, ao mesmo tempo, “fonte de motivação” para todos que se encontram fora da Igreja e hesitam em atravessar-lhe as portas.

Foi estudando num seminário protestante, a fim de se tornar “ministro presbiteriano”, que Igor passou a “estudar melhor a história da Igreja anterior à reforma protestante”, deparando-se com a doutrina da Igreja sobre a Sagrada Eucaristia. Desse encontro surgiu uma convicção: por mais doloroso e difícil que fosse abandonar a religião em que conhecera a Cristo, “nenhum laço podia me deter por mais tempo, porque estava convencido de que havia encontrado a plenitude da Verdade e da salvação na Santa Igreja Católica”.


Quando começou o meu retorno à Igreja Católica?

Acredito que teve início quando passei a me interessar pela história e pelas teologias da “reforma protestante”. Na época eu era um rapaz de aproximadamente dezoito anos que fazia parte de uma igreja pentecostal, cujo ensinamento possuía uma forte ênfase em “usos e costumes”, assim o classificava então. A “teologia dos reformadores”, com sua ênfase na Graça (o sola gratia), me atraiu, pois via nela a possibilidade de me desvencilhar de uma “piedade” que obscurecia a iniciativa do amor divino, no meu julgamento.

Todavia, sempre serei grato pelas bênçãos recebidas naquela igreja, desde os meus doze anos: a vida dos meus pais, a nossa vida, mudou radicalmente naquele tempo. Vícios foram abandonados, a vida profissional de meu pai melhorou muito, nossa convivência no lar ficou mais alegre e serena, além dos estudos passarem a ocupar um lugar mais importante em nosso cotidiano.

Naquela época, portanto, fui para uma igreja neopentecostal e, durante uns cinco anos, passei por outras duas igrejas desse tipo. Nelas encontrei certo alívio para o que me incomodava.

Todavia, quanto mais eu procurava conhecer a história e as teologias das igrejas da “reforma”, mais constatava o quanto as igrejas neopentecostais estão longe das suas origens no século XVI. Foi assim que em 2005 decidi me tornar presbiteriano, pois identificava numa de suas denominações (existem algumas denominações presbiterianas no Brasil) líderes e expoentes mais comprometidos com a tradição reformada calvinista. Julgava haver encontrado uma igreja onde eu pudesse ser não apenas “mais um evangélico”, mas um protestante com toda a coerência que minha capacidade permitisse.

No início de 2011 comecei a estudar num seminário denominacional a fim de me tornar ministro presbiteriano. Foi precisamente a partir daquele ano até o início de 2014 que começaria o meu retorno à Fé Católica. E, agora sim, esclareço porque foi um retorno: recebi o Sacramento do Batismo na infância.

Retomando o trajeto: foi no seminário que passei a estudar melhor a história da Igreja anterior à reforma protestante. Mesmo lendo historiadores evangélicos, fui chegando à conclusão de que a busca por um grupo que preconizasse a igreja protestante, numa linha histórica anterior ao surgimento do protestantismo, sempre me conduziria a movimentos heréticos e cismáticos.

Para resumir, ficava cada vez mais patente a importância da “Tradição da Igreja” para diversos aspectos essenciais da Fé que eu estava estudando em Cristologia, Eclesiologia, interpretação das Sagradas Escrituras... Nesse ponto, então, sentia falta de uma palavra final de esclarecimento, pois o princípio hermenêutico protestante de que “somente as Escrituras explicam as Escrituras” gerou (e continua gerando) confusões e divisões.

Buscando na Tradição, especialmente nos Padres da Igreja, o que ensinaram acerca da Eucaristia, por exemplo, fiquei cada vez mais convencido de que a Missa não era uma invenção medieval e cheia de corrupções. Dentre eles, o que finalmente me cativou e fez rever minha fé foi São Cirilo de Jerusalém. Permitam-me reproduzir um pequeno trecho, escrito por ele, da sua Quinta Catequese Mistagógica:

Após nos termos santificado por estes hinos espirituais, suplicamos a Deus, Amigo dos homens, que envie o Espírito Santo sobre as oblatas postas no altar, e faça o pão corpo de Cristo, o vinho sangue de Cristo. Pois tudo que o Espírito Santo atinge fica santificado e transmudado.

Depois de consumado o sacrifício espiritual, o culto incruento, rogamos a Deus, sobre aquela hóstia de propiciação, em favor da paz geral das igrejas, da estabilidade do mundo... pelos quais suplicamos e oferecemos este sacrifício.

Em seguida mencionamos os que já dormiram: primeiro, os patriarcas, profetas, apóstolos, mártires, para que Deus em virtude de sua preces e intercessões, receba nossa oração. Depois, rezamos… por todos os que já dormiram antes de nós. Acreditamos que esta oração aproveitará sumamente às almas pelas quais é feita, enquanto repousa sobre o altar a santa e temível vítima. [1]

Esse trecho do século IV colocava diante de mim, no século XXI, a mesma Missa celebrada atualmente! Mais ainda, confrontava-me com ensinamentos que sempre havia julgado como corrupções tardias. Na verdade, tive de admitir que as “corrupções tardias” foram introduzidas pelos chamados “pré-reformadores” e levadas às últimas consequências pelos reformadores protestantes.

Foi nesse período de estudos e descobertas que entrei em contato com o apostolado do Pe. Paulo Ricardo. Obviamente não foi um “contato amistoso”, pois, antes de conhecer seu site, vi um vídeo com o trecho de uma homilia sua: tratava-se de uma parte na qual ele expunha alguns erros do protestantismo — uma edição descontextualizada com o intuito de denegri-lo. Mas, assim que passei a assistir suas aulas, palestras e homilias, percebi que se tratava de um sacerdote sincero com grande capacidade apologética. Quanto mais assistia a seus vídeos, mais ficava convencido sobre a necessidade de voltar à Igreja Católica.

O retorno não foi fácil, festivo e rápido. Foi gradual, doloroso e difícil. Entre a primeira vez que mencionei tal intenção à minha esposa até a decisão dela, de retornar também, passou-se um ano e meio aproximadamente. Para a minha alegria, recebi do Senhor essa imensa graça e consolo: retornei à Igreja com minha esposa Mariana — também batizada na infância. Mas, assim que tranquei minha matrícula no seminário e decidimos tornar pública nossa decisão em meados de 2014, foram inevitáveis as grandes decepções que causamos.

Entendemos perfeitamente as razões pelas quais nossos amigos e familiares se decepcionaram, pois éramos estimados e estavam em questão a Verdade e a nossa salvação. Contudo, nenhum laço podia me deter por mais tempo, porque estava convencido de que havia encontrado a plenitude da Verdade e da salvação na Santa Igreja Católica, o Corpo Místico de Cristo. O único vínculo que ainda nos une aos nossos amigos e irmãos presbiterianos é a gratidão! Recebemos muito deles: presença fraterna em diversos momentos da nossa vida, boas formações nos estudos bíblicos e palestras e investimentos que nunca poderemos retribuir adequadamente, senão suplicando as bênçãos de Deus sobre todos!

Agradecemos a Deus, acima de tudo, por nos reconduzir à Sua Família. Ele, misericordiosamente, colocou pessoas muito especiais em nosso caminho, para nos ajudar nessa travessia em alto-mar para a Barca de Pedro. Fomos ajudados pela Prelazia do Opus Dei, especialmente por meu amigo Daniel Nascimento (cooperador da Obra) e por um sacerdote da Prelazia, hoje meu diretor espiritual. Na Obra minha esposa e eu temos recebido uma valiosa formação cristã por meio dos recolhimentos, círculos e retiros, além da preciosa convivência com seus membros que são responsáveis por essas formações.

Não poderia deixar de agradecer, também, ao Monsenhor Sergio Costa Couto, capelão da Imperial Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, que muito nos ajudou e tem acompanhado paternalmente; e também ao Pe. Geraldo Abílio Ribeiro, SSCC, pároco da Igreja dos Sagrados Corações na Tijuca, Rio de Janeiro — paróquia a que pertencemos atualmente. Foram estes os primeiros a nos dar as boas vindas à Santa Igreja.

Ofereço esse testemunho a Maria Santíssima, Nossa Mãe Imaculada, para que se sirva dele como instrumento de esclarecimento e transforme-o numa fonte de motivação para os que temem fazer o mesmo retorno, de fortalecimento para os tíbios e de edificação dos que amam a Santa Igreja.

Santa Maria, esperança nossa e sede da Sabedoria, rogai por nós!

Rio de Janeiro, 7 de janeiro de 2016
Igor Pires do Nascimento

Referências

  1. Excerto retirado do livro “Antologia dos Santos Padres”, Cirilo Folch Gomes, OSB, Edições Paulinas, 1979. Citado pelo próprio autor do testemunho.

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Como os escândalos serão punidos na outra vida?
Espiritualidade

Como os escândalos
serão punidos na outra vida?

Como os escândalos serão punidos na outra vida?

“Ai do mundo por causa dos escândalos!”: aqueles que tiveram a desventura de dar mau exemplo, ferir ou causar a perdição das almas por meio do escândalo devem procurar reparar tudo neste mundo, caso não queiram ficar sujeitos à mais terrível expiação no outro.

Pe. François Xavier SchouppeTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere8 de Julho de 2020Tempo de leitura: 7 minutos
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Esta não é a primeira publicação que fazemos contando fatos relativos às almas do Purgatório. Só deste livro do Pe. François Xavier Schouppe, O Purgatório: explicado pelas vidas e legendas dos santos, já traduzimos vários excertos: v.g., um sobre a duração das penas do Purgatório, um sobre o porquê dessas penas e outro sobre se as devemos temer, e também uma revelação privada a S. Francisca Romana, segundo a qual, a cada pecado mortal cometido nesta vida, corresponderiam sete anos de Purgatório.

Enquanto católicos, estamos obrigados a aceitar as verdades de fé em torno das quais giram essas histórias. Mas no conteúdo delas propriamente dito somos livres para crer ou não, sabendo discernir o que nelas “constitui um apelo autêntico de Cristo ou dos seus santos à Igreja” (Catecismo, n. 67).

No relato abaixo, em específico, o Pe. François Xavier Schouppe trata de um tema muitíssimo atual: o pecado de escândalo. Com o desenvolvimento das técnicas de difusão de imagens e vídeos, nunca foi tão fácil propagar a indecência e, com isso, fazer perder uma porção cada vez maior de pessoas. Por outro lado, a exposição assídua, generalizada e cada vez mais precoce a material desonesto funciona também como uma espécie de “anestésico”: estamos acostumados a ver e ouvir de tudo e, por isso, praticamente não há mais quem se escandalize com coisas que seriam, séculos atrás, impensáveis.

Fica o alerta, no entanto, para que cuidemos das almas alheias, especialmente as que estão sob o nosso cuidado. Parafraseando o próprio Pe. Schouppe, ao final de seu primeiro relato: se são estas as consequências de uma pintura imodesta, que pensar então dos maus filmes, dos maus seriados, dos maus vídeos, enfim, que com o advento da internet atingem milhões de pessoas em questão de pouquíssimo tempo?


Aqueles que tiveram a desventura de dar mau exemplo, ferir ou causar a perdição das almas por meio do escândalo devem procurar reparar tudo neste mundo, caso não queiram ficar sujeitos à mais terrível expiação no outro. Não foi em vão que Jesus Cristo clamou: “Ai do mundo por causa dos escândalos!... Ai do homem que os causa!” (Mt 18, 7).

Eis o relato do Pe. Rossignoli em sua obra Maravilhas do Purgatório. Certa vez, um pintor muito hábil e de vida exemplar em todos os aspectos pintou uma tela que não estava plenamente conforme às exigentes regras da modéstia cristã. Era uma daquelas pinturas que, sob o pretexto de serem obras de arte, são encontradas nas melhores famílias, e que levam à perda das muitas almas que as veem. A verdadeira arte é uma inspiração do Céu e eleva a alma a Deus; a arte profana, que apela somente aos sentidos, que não apresenta aos olhos nada além das belezas da carne e do sangue, não passa de uma inspiração do espírito maligno; por brilhantes que possam ser, suas obras não são artísticas, e o nome “arte” é falsamente atribuído a elas. São produções infames de uma imaginação corrompida [1].

O artista de que falamos deixou-se iludir neste aspecto por meio do mau exemplo. Porém, renunciando rapidamente ao seu estilo pernicioso, limitou-se à produção de pinturas religiosas, ou ao menos aquelas que eram perfeitamente irrepreensíveis. Finalmente, estava pintando uma grande tela no convento das carmelitas descalças quando foi acometido por uma doença mortal. Percebendo que estava prestes a morrer, pediu ao prior permissão para ser sepultado na igreja do mosteiro e deixou o seu salário para a comunidade, o qual correspondia a uma considerável quantia de dinheiro, encarregando os religiosos de oferecer Missas pelo descanso de sua alma. Ele morreu de forma piedosa, e alguns dias após o seu falecimento um religioso que permanecera no coro depois das Matinas o viu aparecer em meio a chamas e suspirar de modo comovente.

Disse o religioso: “O quê?! Você tem de suportar tamanha dor depois de ter levado uma vida tão boa e de ter morrido de forma tão piedosa?” Ele respondeu: 

Infelizmente, é por causa do quadro imodesto que pintei há alguns anos. Quando apareci perante o tribunal do Juiz Supremo, uma multidão de acusadores veio testemunhar contra mim. Afirmaram que tiveram pensamentos impróprios e desejos malignos por causa de uma pintura feita por mim. Como consequência daqueles maus pensamentos, alguns estavam no Purgatório e outros no Inferno. Estes clamavam por vingança, dizendo que, por ter sido a causa de sua condenação eterna, eu merecia pelo menos a mesma punição. Então, fui defendido pela Santíssima Virgem e pelos santos que eu exaltara em minhas pinturas. Afirmaram perante o Juiz que aquela pintura infeliz fora obra de juventude e da qual eu havia me arrependido; que eu havia reparado o erro mais tarde por pinturas religiosas que foram uma fonte de edificação para as almas.

Tendo em conta esses e outros motivos, o Juiz Supremo declarou que, por causa do meu arrependimento e das minhas boas obras, ficaria livre da condenação; mas me condenou a estas chamas até que a pintura fosse queimada, a fim de não escandalizar mais ninguém.

Então, o pobre sofredor implorou ao religioso que tomasse as medidas para destruir a pintura. E acrescentou: “Eu imploro que vá em meu nome até o dono da pintura e conte a ele em que situação me encontro por ter cedido ao seu desejo de pintá-la, e exorte-o a sacrificá-la. Ai dele se recusar! Para provar que isto não é uma ilusão, e para puni-lo por sua própria culpa, diga-lhe que em breve perderá os seus dois filhos. Se ele se recusar a obedecer Àquele que nos criou, pagará por isso com uma morte prematura”.

O religioso não demorou a fazer o que a pobre alma lhe pedira, e foi até o dono da pintura. Este, ao escutar a história, tomou a tela e a atirou ao fogo. Não obstante, de acordo com as palavras do defunto, ele perdeu os seus dois filhos em menos de um mês. Depois, passou o resto de seus dias em penitência por ter encomendado aquela pintura imodesta e tê-la mantido em casa. 

Se essas são as consequências de uma pintura imodesta, qual não será a punição para os escândalos ainda mais devastadores que resultam dos maus livros, dos maus jornais, das más escolas e das más conversas? “Ai do mundo por causa dos escândalos!... Ai do homem que os causa!” (Mt 18, 7). 

O escândalo faz grandes estragos nas almas por meio da sedução da inocência. Ah! malditos sedutores! Terão de prestar contas de forma terrível a Deus por causa do sangue de suas vítimas. Eis o que lemos na na Vida do Padre Zucchi, escrita pelo Pe. Daniel Bartoli. 

O santo e zeloso Pe. Zucchi, que morreu em Roma no dia 21 de maio de 1670, conduzira três moças para uma vida de perfeição, as quais se consagraram a Deus no claustro. Antes de deixar o mundo, uma delas havia recebido a proposta de se casar com um jovem nobre. Depois de entrar para o noviciado, esse cavalheiro, em vez de respeitar-lhe a santa vocação, continuou a lhe enviar cartas por meio das quais desejava chamá-la de esposa e pedia-lhe desistisse do enfadonho serviço a Deus, como dizia, para abraçar novamente as alegrias da vida. O padre, encontrando-o um dia na rua, suplicou que ele parasse com aquela conduta. Disse ele: “Garanto-lhe que em breve você aparecerá perante o tribunal de Deus e que já é hora de você se preparar com uma sincera penitência”.

De fato, duas semanas depois, aquele jovem teve uma morte tão rápida, que deixou pouco tempo para que ordenasse as matérias de sua consciência. Havia, portanto, todos os motivos para temer pela salvação dele. Certa noite, enquanto as três noviças mantinham uma santa conversa, a mais jovem foi chamada a comparecer no salão. Lá encontrou um homem envolto num grosso manto, dando passos de forma cuidadosa no local. “Senhor”, disse ela, “quem é você? E por que mandou me chamar?” Sem responder, o estranho se aproximou e pôs de lado o manto misterioso que o cobria. Então, a religiosa reconheceu o infeliz falecido, e viu horrorizada que ele estava inteiramente envolto por correntes de fogo que lhe apertavam o pescoço, pulsos, joelhos e tornozelos. “Reze por mim!”, gritou ele, e desapareceu. 

Essa manifestação miraculosa mostrou que Deus tivera misericórdia dele no último momento e que, embora não tenha sido condenado, teve de pagar a sua tentativa de sedução com um terrível Purgatório.

Notas

  1. “Consideram-se gravemente obscenas as pinturas ou estátuas que representam pessoas adultas totalmente nuas ou cobertas tão-somente com um véu transparente, que excita talvez até mais a sensualidade, ou que representam cenas, posturas etc., gravemente provocativas para a maior parte das pessoas. São réus de grave escândalo os que as pintam ou esculpem, os que as exibem em público em escritórios, mostruários, jardins, cinemas etc., ou as vendem indistintamente a qualquer um, ainda que seja sob o pretexto de que são obras de arte. Nos museus devem colocar-se em salas à parte, com acesso restrito só aos profissionais ou técnicos artistas. Sem chegar a esse extremo de periculosidade, são também mais ou menos escandalosas as pinturas e estátuas que, por sua nudez parcial ou atitude provocativa, são aptas para excitar as paixões humanas” (Pe. Antonio Royo Marín, Teología moral para seglares, v. 1, 7.ª ed., Madri: BAC, 1996, p. 501).

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A Missa, a pandemia e o “novo normal”
Liturgia

A Missa, a pandemia e o “novo normal”

A Missa, a pandemia e o “novo normal”

Não podemos permitir que a pandemia se torne o último golpe do inimigo contra a Eucaristia. Do contrário, não precisaremos de uma “nova teologia” para um “novo normal”, porque não haverá mais espaço para o Reino de Deus. Apenas para o Anticristo.

Equipe Christo Nihil Praeponere7 de Julho de 2020Tempo de leitura: 11 minutos
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Diante das mudanças provocadas pela pandemia do coronavírus, muitos já falam de um “novo normal”. E a dificuldade que boa parte dos lugares está enfrentando para a reabertura da economia e de outras atividades traduz perfeitamente essa ideia, uma vez que somos obrigados a adaptar nossas vidas a um estilo bastante tecnocrático.

Tudo isso, certamente, não deixa de ter sua influência sobre a Igreja. Se para uma pandemia há uma “nova normalidade”, então, no sentir de alguns, para uma “nova normalidade” deveria haver também uma “nova teologia”. Um importante biblista comentou recentemente, por exemplo, que, ao contrário do trabalho, “sem a celebração da missa, sobrevivemos igualmente bem”, pois “há muitas pessoas que nunca participam da eucaristia e vivem assim mesmo”. Segundo ele, “a saúde das pessoas é mais importante do que uma missa”. 

Sinais dos tempos. Os detalhes da polêmica sobre as decisões sanitárias para o combate ao vírus deixamos às mentes mais capazes. Já falamos em outro texto dos problemas que vemos nesse imbróglio todo. A questão agora mais importante é outra: trata-se de saber o que restará da fé católica depois disso tudo e se nós, discípulos de Jesus, teremos a coragem de confessá-la, ainda que as autoridades queiram nos convencer do contrário. 

Sim, defendemos a vida — quem ousaria duvidar disso? —, mas, além desta, há outra vida mais importante, cuja existência nunca esteve tão ameaçada. O trabalho nos garante a sobrevivência nesta terra, obviamente. No entanto, apenas a Eucaristia nos dá o Pão da eternidade. E é por isso que jamais poderemos aceitar um “novo normal” ou uma “nova teologia” que nos diga que a Santa Missa, o sacrifício eucarístico de Nosso Senhor Jesus Cristo, é algo simplesmente irrelevante para o bem dos cristãos. Sine Dominico non possumus.

Por essa verdade muitos católicos morreram martirizados na história do cristianismo. Portanto, é esse exemplo que devemos imitar. A piedade eucarística precisa manter-se acesa em nossos corações, assim como se manteve para os católicos japoneses, por exemplo, quando a autoridade política do seu país, por ódio a Cristo e à moral, varreu do mapa todos os sacerdotes do arquipélago. Para eles, não restou sequer Missa televisionada — o que os torna ainda mais admiráveis. Era só a própria memória que eles podiam acessar, se quisessem assistir de algum modo ao banquete do Cordeiro.

Mas se a pandemia serviu de alguma coisa, até agora, foi para escancarar de vez a nossa impiedade. O véu de uma catequese malsucedida rompeu-se de cima abaixo, revelando o que olhos mais atentos já observavam: os católicos deixaram de ser católicos. Eles já não creem mais nos mesmos artigos de fé do Credo dos Apóstolos, nem se importam com a preservação do “estado de graça”. Para 80% dos católicos americanos, Jesus não está verdadeira, real e substancialmente presente na Eucaristia, o que concorda com a situação de muitas dioceses no Brasil, onde a frequência à Missa dominical não chega a 5% dos batizados. Dados alarmantes, sem dúvida, e pelos quais, diz Dom Robert Barron, bispo auxiliar de Los Angeles (EUA), “somos todos culpados”: bispos, padres e qualquer um que tenha o dever de evangelização.

Poderíamos aludir a vários fatores para explicar essa crise de fé, mas um deles, de impacto amplamente subestimado, é a banalização dos sagrados mistérios e a deformação, lenta e gradual, da liturgia católica. O vínculo pode até parecer “forçado” à primeira vista, mas a verdade é que lex orandi, lex credendi, ou seja, a lei da oração é a lei da fé. A Missa, que é a oração mais excelente do cristão, é o principal lugar da catequese da Igreja. O modo como rezamos e tomamos parte no culto eucarístico repercute diretamente em nossa profissão de fé, bem como em nosso estilo de vida. Por isso, se a nossa participação na Missa é como a de uma plateia num programa de auditório, não é muito difícil imaginar o tratamento que dispensaremos aos mistérios da nossa religião.

A afirmação, hoje, de que a Missa é algo “irrelevante” para o bem dos cristãos, e que sem ela podemos viver tranquilamente, não veio do nada; insere-se num crescendo de décadas em que o culto eucarístico foi vilipendiado, modificando a fé e a vida dos católicos. De fato, a forma como se levou a cabo a reforma litúrgica de 1969 permitiu que, em muitos lugares, a pretexto do clima reformista, a celebração eucarística passasse a ser vivida como um workshop, onde a comunidade tinha autoridade para experimentar todo tipo de inovações, sem qualquer sentido para a natureza da liturgia.

A própria Santa Sé reconheceu isso em anos recentes: “Podemos dizer que se está geralmente de acordo em observar um forte aumento dos abusos no campo celebrativo depois do Concílio”. E como a norma da oração (lex orandi) rege a norma da fé (lex credendi), a Missa deixou de ser crida como um dom recebido de Nosso Senhor, o sacrifício do Cordeiro, para converter-se num culto banal, onde as pessoas se reúnem habitualmente para celebrar alguma coisa, mas do qual podem apartar-se sem maiores problemas. Por isso, o que vemos acontecer agora, em tempos de pandemia, é apenas o clímax de uma atitude que foi gestada lá atrás.

Que essa tenha sido a intenção manifesta de monsenhor Annibale Bugnini, arquiteto da reforma litúrgica, é coisa discutível. O fato, porém, é que ele mesmo dizia que seu trabalho tinha “prazo de validade” para talvez 20 ou 30 anos, indicando, com isso, uma estranha contradição com o princípio de continuidade dentro de um orgânico e desejável desenvolvimento litúrgico [1]. Se se entende a liturgia como uma “massa de modelar” que pode ser modificada arbitrária e provisoriamente segundo o sabor do tempo, a consequência lógica é que a ars celebrandi dos sacerdotes se torne bastante avessa a qualquer rubrica, a fim de satisfazer a “interesses pastorais”. E isso explica a existência de tantos abusos, que fazem da Missa uma pantomima, sempre uma “novidade” — coisa que a Santa Sé já tentou coibir várias vezes, infelizmente sem sucesso.

Ora, a dinâmica das leis eclesiásticas, mutatis mutandis, não é muito diferente da das leis civis: ambas têm consequências sobre os costumes. Daí a cautela que Santo Tomás de Aquino recomenda aos legisladores antes de uma mudança nas leis, para que isso não redunde numa perda à comunidade. “No constituir uma nova ordem de coisas”, explica o Doutor Angélico, “deve ser evidente a utilidade para nos afastarmos da lei tida diuturnamente como justa” (STh I-II 97, 2). De outro jeito, a comunidade terá grande prejuízo no discernimento acerca das coisas que contribuem para o bem comum, pois o que antes se fazia com toda a certeza de bondade é ab-rogado por uma nova ordem que, de algum modo, é sugerida como contrária à anterior. Daí se vê a perplexidade com que muitos católicos receberam o novo Missal e como isso, ainda hoje, é um tema deveras espinhoso.

Na história da liturgia católica, jamais se aceitou um movimento de ruptura radical em que o passado fosse rejeitado com desprezo e desdém em favor de um novo rito que se apresentasse como provisório e, aparentemente, aberto a várias interpretações. Como mostra Dom Alcuin Reid em seu livro The organic development of the liturgy (ainda sem tradução para o português), os princípios de todo desenvolvimento da liturgia ao longo do tempo foram:

  1. o senso claro de que é algo recebido, e não simplesmente construído de acordo com os gostos particulares;
  2. o reconhecimento de que a celebração é uma realidade viva, um organismo capaz de desenvolvimento; e
  3. a preocupação em manter a continuidade e a harmonia com a Tradição. 

Por isso, diz o liturgista Cyrille Vogel, “as liturgias nunca foram simplesmente substituídas umas pelas outras; elas se influenciaram e modificaram mutuamente, e até a liturgia romana dominante resultou de um processo de mudança e enriquecimento” [2].

A própria liturgia romana “resultou de um processo de mudança e enriquecimento”.

Pois bem. A decisão de Bento XVI, de estabelecer o “uso extraordinário” do Missal de S. Pio V, seguiu exatamente esses princípios, julgando que “as duas formas do uso do rito romano podem enriquecer-se mutuamente”, de um lado, com a inserção de novos santos e prefácios para o rito pré-conciliar e, do outro, na celebração do Missal de Paulo VI, manifestando, “de maneira mais intensa do que frequentemente tem acontecido até agora, aquela sacralidade que atrai muitos para o uso antigo”. O Santo Padre explicou que “a garantia mais segura que há de o Missal de Paulo VI poder unir as comunidades paroquiais e ser amado por elas é celebrar com grande reverência em conformidade com as rubricas”, porque “isto torna visível a riqueza espiritual e a profundidade teológica deste Missal”. 

O Papa tem a prerrogativa de confirmar os irmãos e cuidar para que a Sagrada Liturgia sempre manifeste mais claramente “o mistério de Cristo e a autêntica natureza da verdadeira Igreja”, conforme afirma a Constituição Sacrosanctum Concilium (n. 2). Ele “não é um monarca absoluto cuja vontade é lei”, como esclarece Ratzinger, “mas, sim, o guardião da autêntica Tradição e, por isso, o primeiro fiador da obediência” [3].

Dentro dessa perspectiva, por exemplo, o caso da reforma do breviário realizada pelo cardeal Francisco de Quiñones, em 1529, é bastante instrutivo para os nossos tempos. Para o cardeal Quiñones, a tarefa recebida do Papa Clemente VII era a de organizar as horas canônicas de tal modo que se aproximassem mais da forma antiga, segundo o modelo dos Santos Padres, e se retirasse todo excesso e detalhes confusos, a fim de que os sacerdotes não pudessem mais fugir do dever da oração. Mas o que se seguiu, ao fim e ao cabo, foi uma reforma baseada no antiquarianismo — isto é, o desejo de voltar ao antigo, sem uma consideração devida da Tradição e dos desenvolvimentos litúrgicos — e no humanismo renascentista, com apelo a uma questão pastoral bastante controvertida. Assim mesmo, o Breviário de Quiñones foi publicado com a pretensão de ser o “breviário das pessoas ocupadas”.

O historiador Pe. Pierre Batiffol destaca que o novo breviário de Quiñones aboliu os responsórios, bem como a distribuição tradicional dos salmos, rearranjando-os “num novo plano, numa ordem que era inegavelmente prática, fácil e atrativa, mas desconhecida para a Igreja antiga” [4]. A sua recepção, consequentemente, não se deu de forma tranquila, com contestação desde os teólogos da Sorbonne, na França, que o acusaram de romper com a Tradição, aos fiéis de Saragoça, na Espanha, que, suspeitando da ortodoxia dos novos cânones, acudiram alvoroçados à Catedral quase exigindo um auto da fé. “Este povo defendeu à sua maneira os justos direitos da Tradição litúrgica”, justifica padre Batiffol [5]. Todo esse furor, no fim das contas, impressionou a Santa Sé. 

O Breviário de Quiñones acabou proscrito por São Pio V, que levou a termo a reforma do Concílio de Trento. Para Dom Alcuin Reid, esse fato é “a principal demonstração, na história litúrgica, da prioridade de que goza o desenvolvimento orgânico sobre a aprovação da autoridade competente” [6]. Das lições que deveríamos tirar desse episódio, segundo Dom Prosper Guéranger, destaquemos estas três:

  1. a reforma da liturgia, para que dure, deve ser realizada não pelos eruditos, mas com a devida reverência e pelos investidos pela autoridade competente;
  2. é preciso resguardar-se do espírito da novidade; e 
  3. abreviar não é reformar: a duração da liturgia não deveria ser um problema aos olhos de quem deveria dedicar a vida à oração [7].

Todo esse zelo é necessário porque a Missa não é só uma recordação da Paixão de Cristo, “mas é um verdadeiro e próprio sacrifício, no qual, imolando-se incruentamente, o sumo Sacerdote faz aquilo que fez uma vez sobre a cruz, oferecendo-se todo ao Pai, vítima agradabilíssima” (Pio XII, Mediator Dei, n. 61). Os ritos litúrgicos, consequentemente, precisam expressar esse mistério mais profundo da fé católica, a fim de que possamos oferecer Deus nossa adoração, ação de graças, súplica e arrependimento (lex orandi, lex credendi, lex vivendi). Os fiéis são chamados a participar “do santo sacrifício eucarístico, não com assistência passiva, negligente e distraída, mas com tal empenho e fervor que os ponha em contato íntimo com o sumo Sacerdote [...], oferecendo com ele e por ele, santificando-se com ele”  (id., n. 73). 

Essas verdades devem estar bem visíveis diante de nossos olhos, sobretudo no contexto atual, em que já se sugere uma relativização da Eucaristia como nunca antes. Sem dúvida, a saúde das pessoas precisa ser preservada e os cristãos devem colaborar para que se forme um ambiente justo e saudável ao convívio social, em meio a uma situação tão adversa. Mas toda atividade caritativa da Igreja tem sua fonte justamente no banquete eucarístico, do qual ela se alimenta e vive (Ecclesia de Eucharistia). Todos os santos conhecidos por sua atenção aos humildes (São Francisco, São João Maria Vianney, Santa Teresa de Calcutá etc.) foram grandes amantes da Eucaristia. Tratá-la como coisa secundária e até descartável é ir contra as palavras de Nosso Senhor no Evangelho: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu [...] e o pão que eu darei é minha carne para a vida do mundo” (Jo 6, 51). 

Não podemos permitir que a pandemia se converta no último golpe do inimigo contra o Santíssimo Sacramento do Corpo e do Sangue de Cristo, depois de uma série de ataques e abusos que ele já sofreu ao longo das últimas décadas, causando a debandada de inúmeros batizados. Do contrário, não precisaremos de uma “nova teologia” para um “novo normal”, porque não haverá mais espaço para o Reino de Deus. Apenas para o Anticristo.

Referências

  1. Cardeal Joseph Ratzinger, “Réponse du Cardinal Ratzinger au Père Gy”. In: La Maison-Dieu 230.2 (2002) 113–20.
  2. Cyrille Vogel, Medieval Liturgy, 6004.ª ed., Pastoral Pr, 1983, p. 3.
  3. Prefácio do Cardeal Ratzinger ao livro de Dom Alcuin Reid, The organic development of the liturgy, San Francisco: Ignatius Press, 2005, versão eletrônica.
  4. Pe. Pierre Batiffol, History of the Roman Breviary, 1912, p. 241.
  5. Idem.
  6. Dom Alcuin Reid, op. cit., versão eletrônica.
  7. Dom Prosper Guéranger, Institutions liturgiques, 1878 (trad. e adapt. de Dom Alcuin Reid, The organic development of the liturgy, versão eletrônica).

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Medo certo, medo errado
Espiritualidade

Medo certo, medo errado

Medo certo, medo errado

O pânico quase mundial sobre o coronavírus, reconhecidamente sério, parece estar fora de proporção com a ameaça real que ele representa. Parece que perdemos a coragem. Muitos querem esperar por um mundo que não existe: um no qual todas as ameaças se foram.

Mons. Charles PopeTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere6 de Julho de 2020Tempo de leitura: 5 minutos
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As leituras da Terça-feira da 13.ª Semana do Tempo Comum, ano par, falam sobre os tipos certo e errado de medo. O errado é ilustrado no texto do Evangelho:

Subiu ele a uma barca com seus discípulos. De repente, desencadeou-se sobre o mar uma tempestade tão grande, que as ondas cobriam a barca. Ele, no entanto, dormia. Os discípulos achegaram-se a ele e o acordaram, dizendo: “Senhor, salva-nos, nós perecemos!” E Jesus perguntou: “Por que este medo, gente de pouca fé?” Então, levantando-se, deu ordens aos ventos e ao mar, e fez-se uma grande calmaria. Admirados, diziam: “Quem é este homem a quem até os ventos e o mar obedecem?” (Mt 8, 23-27).

O mundo em que vivemos está cheio de perigos. Alguns vêm da natureza: inundações, fomes, terremotos, pragas e assim por diante. Também existem perigos em termos de finanças, reputação e segurança física. Muitas vezes temos medo dessas coisas, mas Jesus disse: “Por que este medo, gente de pouca fé?

Sim, o mundo é perigoso, mas em algum momento, de qualquer maneira, temos de vestir nossas “calças de gente grande”, sair por aí e viver nossas vidas. A pior coisa que este mundo pode fazer é matá-lo. Se você morrer fiel, será elevado deste mundo louco para um lugar de alegrias indizíveis e glórias incontáveis.

Ainda assim, nós nos acomodamos e preocupamos com tantas coisas. A COVID-19 não apenas testou nossos corpos; também pôs em teste nossas almas. O número de mortos tem sido alto, mas não tão alto quanto o de outras pragas ou mesmo em causas comuns de morte, como doenças cardíacas e câncer. E, por certo, não foi tão alto quanto o número de abortos. Dos que pegam o vírus, menos de 1% morrerá, e um pouco mais ficará gravemente doente; a maioria, no entanto, ficará apenas moderadamente doente e não precisará de hospitalização. O pânico quase mundial sobre esse vírus, reconhecidamente sério, parece estar fora de proporção com a ameaça real que ele representa. Parece que perdemos a coragem; muitos querem esperar por um mundo que não existe: um mundo no qual todas as ameaças se foram. Mesmo que um tratamento satisfatório para a COVID-19 venha a ser desenvolvido, ainda existem muitos outros vírus e bactérias ao nosso redor. “Não temas, pequeno rebanho; foi do agrado do Pai nos dar um sistema imunológico que funciona muito bem na maioria das vezes, mas não o tempo todo”. Um mundo livre de ameaças não existe.

Voltemos à pergunta do Senhor: “Por que este medo?” Na pior (e menos provável) das hipóteses, você morre; mas, para um cristão, a morte tem um sentido e “morrer é lucro” (Fl 1, 21). Será que nos preocupamos tanto por nossas almas quanto por nossos corpos?

Agora, vejamos o tipo “certo” de medo, discutido na primeira leitura de terça-feira. Amós adverte as pessoas quanto à chegada do dia do julgamento, que devem temer e se preparar com reverência. Infelizmente, havia muitos pecadores impenitentes em sua época que não se preocupavam com o estado de suas almas. Eles não seriam capazes de suportar o julgamento vindouro e o encontro com Deus:

Ouvi, israelitas, o oráculo que o Senhor pronunciou contra vós, […] vos castigarei por todas as vossas iniquidades. […] Rugirá por acaso o leão na floresta, sem que tenha achado alguma presa? […] Tocará o alarme na cidade sem que o povo se assuste? […] O leão ruge, quem não temerá! O Senhor Javé fala: quem não profetizará! […] Causei no meio de vós uma confusão semelhante ao cataclismo divino de Sodoma e de Gomorra; ficastes como um tição que se tira do fogo, mas não vos voltastes para mim — oráculo do Senhor. Por isso, Israel, eis o que te infligirei; e porque te farei isso, prepara-te, Israel, para sair ao encontro de teu Deus (Am 3, 1–8; 4, 11–12).

Israel estava perdido em sua riqueza e injustiça, apegando-se teimosamente ao pecado. Profeta após profeta alertaram para a ruína, mas foram ignorados, perseguidos e até mortos. Em 721 a.C., o tempo finalmente acabou e a balança da justiça pendeu para o desastre. O reino de Israel caiu sob os assírios, e dez das doze tribos de Israel foram praticamente perdidas nas brumas das história.

Eis uma coisa apropriada a se temer: o pecado e o que ele faz conosco, individual e coletivamente. Por enquanto, Deus nos envia profetas, graças, sacramentos, a sua Palavra e outros avisos, quando a sua voz ecoa em nossas consciências. Chegará o dia em que a pergunta será feita: “Você quer meu reino e seus valores, ou não?” Sim, este é um medo adequado: a proximidade do dia de nosso julgamento. Prepare-se para encontrar seu Deus, ó pecador.

Muitos não prestam atenção nisso. Correm para os negócios e vivem despreocupados sobre onde passarão a eternidade. Temem perder a saúde, a ruína financeira e o envelhecimento, coisas sobre as quais o Senhor diz: “Não temas”. Preocupam-se com seus corpos, mas não com suas almas. E deixam de temer a única coisa que deveriam: a proximidade do dia do juízo.

Depois, no Evangelho segundo S. Mateus, Jesus disse: “Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei antes aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena” (Mt 10, 28). “Aquele”, é claro, é o próprio Jesus, pois o Pai não julga ninguém, mas entregou todo o julgamento ao Filho para que o mundo o reverencie (cf. Jo 5, 22). Reverenciar Jesus significa tributar-lhe honra e santo temor.

À medida que amadurecemos na fé, esse temor por Jesus deve passar a ser um medo amoroso, pelo qual O temos em grande estima, em vez de nos encolhermos com pavor da punição. Mas se o temor servil é tudo o que você tem, vá em frente, pois este é muito melhor do que a presunção tola que muitas pessoas têm hoje.

Essas leituras da liturgia fornecem ótimas instruções sobre os tipos certo e errado de medo. O que você mais teme? A quem você mais teme? Seja honesto consigo mesmo ao responder a essas perguntas. Peça ao Senhor que o ajude a colocar o seu medo no lugar certo e no Único certo, a saber, Aquele a quem até os ventos e o mar obedecem!

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Racismo e marxismo
Sociedade

Racismo e marxismo

Racismo e marxismo

A cura para a manipulação marxista do racismo não está em negar a existência do próprio racismo, pois ele é tão velho quanto a Bíblia. Está, ao contrário, no esforço por proclamar o Evangelho a todos, praticando a misericórdia com os pobres e a virtude da justiça.

Timothy FlandersTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere6 de Julho de 2020Tempo de leitura: 9 minutos
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A primeira heresia que ameaçou a Igreja tinha a ver com raça. Ela ficou conhecida como “judaizante”. Tratava-se do cristão batizado que havia nascido judeu e observava todos os mandamentos da Lei de Moisés (além da de outros rabinos), mas procurava impô-la aos gentios convertidos à fé e não circuncidados.

O impulso era natural. A Sagrada Escritura menciona que, no dia de Pentecostes, junto do grupo de judeus de diversos lugares do mundo romano, estavam também alguns prosélitos (At 2, 11): eram circuncidados e seguidores da Lei de Moisés. Os judaizantes, portanto, davam continuidade a uma prática já existente antes da vinda de Cristo. Contudo, os que nasciam judeus — isto é, os que pertenciam à raça judaica — defendiam que todos os homens deveriam conformar-se às suas leis, inclusive as modificações corporais prescritas por Deus no Antigo Testamento (v.gr., a circuncisão).

Mas Nosso Senhor já havia predito por meio de uma imagem que, no Novo Testamento, haveria uma grande mudança, que alteraria a relação entre Deus e o homem. Num famoso episódio em que o nosso Rei se dirige a uma mulher da odiada raça dos samaritanos — com quem a maioria dos judeus se recusava a conversar —, encontramos o seguinte:

“Senhor” — disse-lhe a mulher —, “vejo que és profeta! Nossos pais adoraram neste monte, mas vós dizeis que é em Jerusalém que se deve adorar”. Jesus respondeu: “Mulher, acredi­ta-me, vem a hora em que não adorareis o Pai, nem neste monte nem em Jerusalém. Vós adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade, e são esses adoradores que o Pai deseja. Deus é espírito, e os seus adoradores devem adorá-lo em espírito e verdade”. Respondeu a mulher: “Sei que deve vir o Messias (que se chama Cristo); quando, pois, vier, ele nos fará conhecer todas as coisas”. Disse-lhe Jesus: “Sou eu, quem fala contigo” (Jo 4, 19–26).

Jesus finalmente se revela como o Rei prometido; mas, surpreendentemente, afirma que o seu Reino abraçará também a odiada raça dos samaritanos — e, de fato, o mundo inteiro. Por isso, o culto devido a Deus em seu Reino, não estará circunscrito a este ou àquele lugar, mas se há de estender a todos os lugares, pois o seu Reino estará em todos os lugares. Em seu comentário a essa passagem, o famoso exegeta Cornélio a Lápide († 1637) explica a fala de Nosso Senhor da seguinte maneira:

Chegou o tempo da minha lei evangélica, na qual os verdadeiros adoradores, isto é, os cristãos, provenham eles quer dos judeus, quer dos samaritanos, hão de adorar a Deus não neste monte nem apenas em Jerusalém, com sacrifícios de animais, como fazem os judeus e os samaritanos, mas em todos os lugares, em espírito e verdade [1].

De acordo com os Padres da Igreja, “espírito e verdade” diz respeito, em primeiro lugar, ao Espírito Santo e ao Filho, que é a Verdade; em segundo lugar, ao culto ortodoxo em vez do herético; e, em terceiro lugar, ao entendimento “espiritual” em lugar do “entendimento carnal” dos judeus. Esse último contraste entre carne e espírito viria a ser distorcido mais tarde pelos hereges protestantes para fazê-lo servir aos seus propósitos. No contexto, porém, dos SS. Padres, essa dicotomia se refere particularmente à heresia judaizante. Retornarei a esse ponto em breve.

“Pentecostes”, do frei Juan Bautista Maíno.

O Novo Testamento estabelecido pelo Espírito Santo em Pentecostes, após a Ascensão de nosso Rei ao seu trono, não se basearia em uma característica física dos corpos — circuncisão, nascimento ou raça. No dia de Pentecostes, o Espírito Santo deu aos Apóstolos o poder de falarem em línguas, para que três mil homens ouvissem o Evangelho em sua própria língua e se convertessem (cf. At 2, 41). Isso é sinal da universalidade do Reino de Deus, que acabara de ser fundado.

Eles não eram circuncidados, contra o que fariam os judaizantes, mas eram batizados e integrados ao Corpo de Cristo. Como rito, o Batismo não modifica o corpo da pessoa; ele é antes adoração em espírito e verdade. Em espírito, porque purifica a alma por meio do corpo, modificando-lhe o coração, diferentemente dos antigos ritos externos, que apenas purificavam a carne (cf. Hb 9, 13). Em verdade, porque tampouco despreza o corpo — como os hereges protestantes fariam mais tarde —, mas o utiliza para produzir uma verdadeira mudança espiritual: a expulsão do pecado original e a incorporação do batizado ao Corpo místico de Cristo. Nenhum homem precisa modificar o corpo para se tornar cristão. Nem sequer é necessário mudar de língua, fundamento de toda cultura. Seu idioma e seu corpo permanecem intactos. Logo, sua raça e sua cultura são, como tais, aceitas, mas batizadas. Por isso, tudo o que nelas for contrário a Deus deve ser abandonado; mas isso não inclui a raça e a cultura como tais.

Em sua maior carta contra a heresia judaizante, S. Paulo apresentou o princípio fundamental da natureza sacramental e espiritual do Novo Testamento: “Todos vós que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo. Já não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3, 27-28). E noutro lugar: “Aí não haverá mais grego nem judeu, nem bárbaro nem cita, nem escravo nem livre, mas somente Cristo, que será tudo em todos” (Col 3, 11). Aqui, S. Paulo se refere às divisões de raça e etnia, classe e sexo, de sua época. Por meio do Batismo, todos, homens e mulheres, de todas as raças e línguas, recebem a plena dignidade de herdeiros da vida eterna (cf. Gl 3, 29) [2].

Vemos, assim, a primeira verdade importante a respeito da pessoa humana e o Novo Testamento: a dignidade da vocação para a vida eterna e a pregação do Evangelho não se restringem à raça ou ao nascimento. Deste modo, é pecado de racismo afirmar que qualquer pessoa nascida de mulher (cf. 14, 1) não deveria ser batizada ou é de algum modo subumana. Ao contrário, o mandamento é batizar todas as nações (cf. Mt 28, 19).

A conversão da sociedade ao Evangelho. — A história do cristianismo é a história da luta para batizar todas as raças e assim conformar a sociedade ao Reino de Cristo. Isso significa que a verdade sobre a identidade batismal de todas as nações, vista na máxima de São Paulo, deve perpassar toda a sociedade. Os erros que exacerbavam a animosidade entre classes e raças foram abolidos na mensagem evangélica pela força da verdade, que foi transformando pouco a pouco essas tensões violentas em relações de direitos e deveres hierárquicos, impregnados de caridade cristã. A maior conquista da cristandade no âmbito das etnias foi a formação de uma cultura a partir de diversos idiomas e raças que compartilhavam a mesma dignidade no Batismo. Essa cultura ainda não havia alcançado os seus ideais — embora estivesse progredindo em direção a eles — quando um novo ódio racial surgiu como consequência do colonialismo.

A história do colonialismo levou a novas terras a luta de Cristo Rei. A ela se opuseram alguns dos homens mais brutais e iníquos da sociedade cristã — inventores de um novo racismo, meio de justificar o seu cruel comércio de escravos —, contra os inúmeros pregadores do Evangelho que protegeram da injustiça a índios e africanos. Foi necessária uma guerra civil multissecular no seio da cristandade para que enfim caísse a ficha sobre a verdade do Evangelho na sociedade. 

Foi por isso que o Papa Eugênio condenou a nova escravidão colonial em 1435, embora os seus sucessores hesitassem aqui e ali em relação ao assunto. Foi por isso que a Nova Espanha discutiu os direitos dos índios na década de 1550, e S. Pedro Claver batizou milhares de africanos. Foi por isso que os jesuítas defenderam os índios durante séculos, até serem traídos pelo Papa [3]. Foi por isso que, mesmo enquanto o novo racismo seduzia as elites hispânicas de sangue puro na Nova Espanha (fazendo-as crer que eram superiores por causa de sua origem), uma nova raça de mestiços e crioulos surgiu dentro dela. Apesar de tantos abusos e crimes motivados pela questão racial, o Batismo deu origem a uma nova identidade comum. Dessa forma, o casamento interracial se tornou a norma cultural. O primeiro matrimônio cristão conhecido e registrado nos Estados Unidos continentais (então Nova Espanha) foi entre um espanhol de sangue puro, Miguel Rodríguez, e uma africana, Luísa de Abrego — na Flórida católica, em 1565. 

Os erros da Rússia. — A tragédia é que a civilização verdadeiramente cristã não conquistou o domínio cultural no mundo. Ao invés, os vendedores de escravos, agiotas e barões migraram da escravidão racial para a escravidão salarial no séc. XIX. Em reação a essas injustiças, surgiu uma força que destruiria tudo o que tocasse: o marxismo. Como debati em outro lugar, essa força procurou apossar-se de uma verdadeira injustiça para manipular as pessoas, levando-as a cometer atos violentos e carnificinas para conquistar poder político. O marxismo era muito pior do que qualquer racismo, escravidão ou injustiça, porque procurava usar os pobres, os africanos e os índios, incitando-lhes as paixões para massacrarem os seus opressores, enquanto os marxistas obtinham mais e mais poder político.

O marxismo tenta provocar as vítimas do ódio racial, levando-as a odiarem os seus opressores. Existe na história da humanidade alguma força mais nefasta do que essa, que usa e abusa das pessoas em benefício das elites? A própria Mãe de Deus desceu do céu para se opor aos “erros da Rússia”

A personagem fundamental do marxismo americano explicou a tática num livro dedicado a Lúcifer e elogiado por inúmeros políticos. Sua 13.ª regra descreve como incitar o ódio do grupo oprimido por meio da identificação de um inimigo a ser culpado: “Escolha o alvo, concentre-se nele, personalize-o e polarize-o” [4]. Dessa forma, o marxista não deseja libertar os oprimidos por meio da justiça. Pelo contrário, ele encoraja as vítimas de injustiça a cometer uma injustiça ainda maior. Isso acontece porque, para o marxista, o fim justifica os meios, de maneira que o marxista “organizador de comunidades” pode surrupiar doações e até convencer a si mesmo de que é um salvador. O marxista usa os pobres para atingir seus próprios fins, enquanto se disfarça de altruísta. É como Satanás disfarçado de anjo de luz (cf. 2Cor 11, 14).

A cura para a manipulação marxista do racismo não está em negar a existência do próprio racismo — ele é tão velho quanto a Bíblia. Está no esforço por proclamar o Evangelho a todas as nações e convertê-las, praticando a misericórdia com os pobres e a virtude da justiça, duas coisas que S. Pedro exortou o maior dos Apóstolos a fazer (cf. Gl 2, 9–10). Isso silenciará o marxista que afirma falsamente que a Igreja é “opressora”. Afirmação ridícula. Os milhares de orfanatos, hospitais e ministérios dedicados a todos os tipos de pessoas oprimidas ao longo da história refutam, silenciosamente, tamanha ignorância. Isso deixará o marxista desarmado, já que o seu poder reside na manipulação das vítimas de injustiça para que recorram à violência. Por fim, isso converterá o marxista, já que ele será confrontado com aquilo que mais odeia: a realidade.

Façamos sem cansar atos de caridade com os pobres e contra o racismo, e proclamemos sem medo que só há um Nome pelo qual somos salvos: o de nosso Rei e Senhor, Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro.

Notas

  1. Cornélio a Lapide, Commentaria in S. Scripturam. Lugduni, 1839, vol. 8, p. 929b, v. 23.
  2. O que não destrói a natureza de cada pessoa, já que a graça a aperfeiçoa. Permanece, porém, uma determinada hierarquia — particularmente entre homem e mulher —, a qual se vê transformada em uma relação de caridade cristã.
  3. O autor do texto se refere aqui, certamente, à supressão da Companhia de Jesus em fins do século XVIII, por ato do Papa Clemente XIV. O juízo histórico do autor reflete, em grande parte, as opiniões dos mais abalizados autores de História da Igreja. Sobre esse difícil e intrincado episódio histórico, cf., em português, Prof. Felipe Aquino, História da Igreja: A Supressão da Companhia de Jesus, e Henri Daniel-Rops, A Igreja dos templos clássicos, v. II, trad. de Henrique Ruas, São Paulo: Quadrante, 2001, pp. 248–258. Cf. ainda, em inglês, John Hungerford Pollen, The Supression of the Jesuits, de cujo texto uma citação atribuída a S. Afonso de Ligório pode ajudar-nos a pensar: “Pobre Papa! Que mais poderia ele ter feito nas circunstâncias em que foi colocado, com todos os soberanos conspirando por exigir essa supressão? Quanto a nós, importa manter silêncio, respeitar os juízos ocultos de Deus e conservar-nos em paz” (Nota da Equipe CNP).
  4. Saul Alinsky, Rules for Radicals. Random House, 1971, p. 130.

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