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“Foi o Alcorão que me converteu ao Cristianismo”
Testemunhos

“Foi o Alcorão que me
converteu ao Cristianismo”

“Foi o Alcorão que me converteu ao Cristianismo”

De sacerdote muçulmano a missionário católico: conheça o incrível testemunho do indiano Mario Joseph, que descobriu Jesus Cristo lendo o Alcorão.

Equipe Christo Nihil Praeponere10 de Dezembro de 2015
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O indiano de ascendência turca Mario Joseph é o terceiro de uma família muçulmana de seis irmãos. Depois de uma gestação difícil, em que os médicos chegavam a temer por sua vida, Mario foi "dedicado" por sua mãe a Alá e, desde cedo, teve uma vida muito diferente da que seus irmãos levavam. Separado para o serviço religioso, ele cresceu sem ir à escola, até os 8 anos, quando começou a frequentar um colégio islâmico para assumir a função de " mawlana", uma espécie de clérigo do Islã. Antes de completar 18, Mario Joseph já era imã e chefe religioso de uma comunidade muçulmana na Índia.

O que ele não imaginava era que a sua vida virasse totalmente de ponta cabeça, depois que ele procurasse conhecer a fundo um dos profetas mencionados no Alcorão. Seu nome era Jesus Cristo.

Abaixo, excertos de uma entrevista concedida pelo agora missionário cristão Mario Joseph, à apresentadora Cristina Casado, do programa Cambio de agujas, do canal HM Televisión.

"Quem é Jesus?"

"Eu trabalhava em uma mesquita, como 'pároco', e um dia, enquanto eu pregava em minha comunidade que Jesus Cristo não era Deus – pois, para mim, Deus era apenas Alá e, como ele nunca se havia casado, não tinha nenhum filho –, alguém da multidão, talvez até um muçulmano, perguntou-me: 'Quem é Jesus?'. Eu estava pregando que ele não era Deus, mas a sua pergunta era: 'Quem é Jesus?'."

"Para saber quem ele era, li o Corão inteiro mais uma vez – 114 capítulos, 6.666 versículos. Quando li, encontrei o nome do profeta Maomé em 4 lugares, mas o nome de Jesus, eu achei em 25. A partir de então, comecei a ficar um pouco confuso. Por que o Alcorão dava mais preferência a Jesus?"

"Uma segunda coisa era que eu não conseguia ver o nome de nenhuma mulher no Corão, nem o da mãe de Maomé, nem o de sua esposa, nem o de suas filhas, nada. Lá, há um único nome de mulher que encontrei: Maria, mãe de Jesus, e nenhum outro. O capítulo 3 do Corão se chama 'Família de Maria' e o 19, simplesmente 'Maria'. Um capítulo todo dedicado a ela. Então, eu fiquei curioso para saber por que o Corão dizia todas aquelas coisas."

"Na surata III, versos de 45 a 55, há dez coisas que o Corão fala a respeito de Jesus: a primeira é 'Palavra de Deus'; a segunda, 'Espírito de Deus'; e a terceira, 'Jesus Cristo'. O Corão também diz que Jesus falou quando era pequeno, com 2 dias, logo depois de seu nascimento (v. 46); diz que ele criou um pássaro vivo a partir do barro, que ele pegou um pouco de lama, soprou e a lama se tornou um pássaro vivo (o que significava que ele podia dar vida, eu supunha); diz que ele curou um cego de nascença, um leproso etc (v. 49). Curiosamente, o Alcorão diz que Jesus dava a vida aos mortos, subiu aos céus, que ainda está vivo e que vai voltar de novo."

"Quando eu vi todas essas coisas, meu pensamento foi: e o que o Corão diz sobre Maomé? Sabe, de acordo com o Corão, o profeta não é nem Palavra de Deus, nem Espírito de Deus, não falou quando tinha 2 dias, nunca criou nenhum pássaro com barro, nunca curou nenhum doente, nunca ressuscitou nenhum morto – ele mesmo morreu e, segundo o Islã, não está vivo e não vai voltar. Então, há muita diferença entre esses dois profetas."

"Eu não chamava Jesus de Deus. Minha ideia era de que ele era um profeta, porém maior do que Maomé. Então, um dia, eu fui a um professor, que tinha me ensinado por 10 anos no colégio árabe, e perguntei-lhe: 'Professor, como Deus criou o universo?' Ele disse: 'Deus criou o universo por meio da palavra, através da Palavra'. E eu perguntei, então: 'A Palavra é criadora ou criatura?' Se ele dissesse que a Palavra de Deus era criadora, isso significaria que Jesus é criador e, portanto, os muçulmanos deviam fazer-se cristãos. Se ele dissesse que a Palavra é criação, ele cairia em contradição porque, se tudo foi criado pela Palavra, como Deus, então, teria criado a Palavra? Não podendo dizer que a Palavra é criadora nem criatura, ele, furioso, empurrou-me da sua sala e disse: 'A Palavra não é criadora, nem criatura, saia já daqui'."

"Lê a Bíblia"

"Então, eu disse ao meu professor: 'A Palavra não é criadora, nem criatura, e por isso os cristãos dizem que a Palavra é Filho de Deus'. Daí, ele me disse que, se há um filho de Deus, eu deveria mostrar-lhe a esposa de Deus. Sem esposa, impossível ter um filho. Mostrei-lhe um trecho do Corão, que diz que Deus pode ver, não tendo olhos; falar, não tendo língua; e ouvir, não tendo ouvidos. 'Se é assim, eu disse, ele pode ter um filho sem uma esposa.'"

"Nós tivemos uma grande discussão, e sabe o que eu fiz no final? Peguei meu Corão, abracei-o contra o meu peito e disse: 'Alá, dizei-me o que eu devo fazer. O vosso Corão diz que Jesus está vivo ainda e Maomé não está mais. Dizei-me qual deles eu devo aceitar.' Depois da minha oração, abri o Corão – sem perguntar a ninguém, apenas a Alá – e li o capítulo X, versículo 94, que dizia: 'Se tiveres alguma dúvida sobre esse Corão que te dou, lê a Bíblia ou pergunta ao seu povo, aqueles que leem a Bíblia'."

"Então, se você me perguntar quem me fez cristão, eu direi que não foi nenhum sacerdote, nenhuma religiosa, nenhum bispo, nenhum cardeal, nem mesmo o Papa. Foi o Corão que me converteu ao Cristianismo."

"Depois disso, então, eu decidi estudar a Bíblia e comecei a frequentar uma casa de retiros chamada Divine Retreat Center, na Índia. Enquanto eu fazia meus estudos bíblicos, houve muitos pontos da Bíblia que me tocaram. No primeiro dia, o padre leu o Evangelho de S. João, capítulo I, versículo 1 seguintes: 'No princípio, era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus, e a Palavra se fez carne.' O meu Corão dizia que Jesus era a Palavra de Deus, e agora a Bíblia também. Eu comecei a achar os dois livros muito parecidos e fiquei muito feliz em saber que eu precisava do Corão e da Bíblia, de ambos. Eu estava desse jeito: um dia me tornava cristão, no outro, muçulmano..."

"Até que eu ouvi mais uma palavra: João, I, 12, uma palavra que eu acolhi com muita docilidade. Está escrito na Bíblia que, àqueles que aceitam Jesus, Ele dá-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Sabe, em todos os versos do Corão, Alá chama os seres humanos de escravos, e Alá é senhor. Mas o senhor não pode amar o seu escravo, nem o escravo amar o seu senhor, e eu não gosto de ser chamado por alguém de escravo. Mas, quando ouvi aquele versículo, eu imediatamente falei: 'Eu preciso de Jesus, porque eu quero ser um filho de Deus.' Foi então que eu comecei a chamar a Deus de pai porque, até então, não sabia que podia chamá-Lo de pai, assim como fez Jesus, ensinando a oração do Pai-Nosso. Se você me perguntar, eu não consigo expressar a minha alegria toda vez em que chamo a Deus de pai. Sempre que eu penso que o Criador do universo é meu pai, eu sinto uma alegria inexprimível, uma experiência que não consigo explicar. Foi ali que eu decidi aceitar Jesus."

"O meu pai só estava obedecendo ao Corão"

"Nessa época, eu estava fora de casa. Os meus pais pensavam que eu estava em minha mesquita, e o pessoal da mesquita achava que eu estava em minha casa. Quando eles se comunicaram, perceberam que eu não estava em nenhum dos dois lugares. Então, eles procuraram por mim em todo lugar, publicaram um aviso em vários jornais e na televisão, até finalmente me encontrarem em uma casa de retiros católica."

"Quando meu pai chegou lá, foi terrível. Ele me espancou muito, até eu sangrar pelo nariz e ficar inconsciente. Daí, ele me levou para casa. Eu não sei como, porque estava inconsciente, mas de alguma forma ele me levou. Quando voltei a mim, eu estava em uma sala pequena, sem roupas, completamente nu, com os meus braços e pernas acorrentados . Eu não podia nem mesmo falar porque havia pó de pimenta em minha boca, em meu nariz e em meus olhos, e, nonde quer que houvesse uma ferida em minha pele, eles também colocavam alguma pimenta, para me queimar. Eles fizeram tudo isso porque está escrito no Corão, em mais de 18 passagens, para lutar contra os infiéis – e está escrito, em alguns lugares, para matar quem rejeita o Islã. O meu pai só estava obedecendo à lei do Corão."

"Durante todos aqueles dias, eles não me deram nada para comer ou beber. Desidratado, eu tentava lamber um pouco do sangue que escorria, para molhar a minha garganta. Veio então o meu irmão e passou urina em minha boca. (Eles dizem que esse é o castigo que merece quem acredita em Cristo.) Depois de muitos dias sem água nem comida, meu estômago começou a se retorcer e meu corpo começou a ficar fraco. Eu era como um recém-nascido. Cheguei a perder até o meu poder de memória. Não conseguia nem mesmo pensar, por não ter o que comer ou beber. Parecia um cadáver."

"Não sei quantos dias passei naquela sala – acho que mais de 20 –, até que, um dia, meu pai entrou na sala e tirou minha corrente para saber se havia vida no meu corpo. Eu estava desacordado, mas ele apertou tão forte a minha garganta que eu não conseguia mais respirar. Quando abri os meus olhos, então, vi que ele tinha um facão na sua mão. Ele disse: 'Este é o seu último momento. Sem misericórdia. Se você precisa de Alá, eu permito que você viva. Se precisa de Jesus, eu o mato.' Eu conheço bem o meu pai. Ele realmente ia me matar."

"Quando percebi que aquele era o meu último momento de vida, pensei: 'Bom, Jesus morreu, mas Ele voltou; se eu morrer em Jesus, também devo conseguir a minha vida de volta.' Pensei comigo que seria um tipo de alegria morrer em Jesus. Decidi-me, então, e, de repente, uma luz caiu em minha testa, como um luar, e eu senti uma espécie de choque elétrico, uma descarga que atravessava as minhas veias. Eu estava energizado. De algum lugar, a energia passava pelo meu corpo e eu não conseguia me controlar, havia muita energia nos meus ossos."

"Então, eu empurrei as mãos de meu pai para baixo e gritei: 'JESUS!' Quando eu gritei, o meu pai caiu com a faca no chão. Assim que ele caiu, apareceu uma grande ferida em seu peito, que começou a sangrar. Uma espécie de espuma corria da sua boca, e ele gritava. Todos estavam chocados – meus irmãos, minha mãe e minhas irmãs. Ninguém sabia o que estava acontecendo. Eles pensaram que meu pai já estivesse morto. Pegaram-no, então, e correram com ele para o hospital."

"Ao sair, porém, eles esqueceram de trancar a porta do lado de fora. Eu, mesmo depois de tantos dias sem comer, como um recém-nascido, tinha uma energia que não sou capaz de explicar. Vesti, então, as roupas do meu pai, saí e corri para o ponto de táxi a fim de fugir para Potta. No caminho, o taxista, que era cristão e conhecia a minha história, comprou-me alguns doces e um suco. Ainda hoje, eu tenho contato com o taxista e ele é um bom amigo meu."

"Naquele dia, eu entendi que meu Jesus está vivo, mesmo agora. Quando clamei por Ele em minha necessidade, Ele salvou-me. Isso quer dizer que Ele está presente aqui, mesmo enquanto eu falo com você. Em todo lugar, eu sei que Ele está presente, porque, agora, 18 anos depois da minha conversão, eu jamais pensei que os muçulmanos me permitiriam viver por tanto tempo. Eu cheguei a pregar no Oriente Médio, os árabes vieram, mas nada aconteceu. Isso significa que meu Jesus está vivo e está me protegendo."

"Mesmo depois dessa experiência, já tentaram me matar muitas vezes. Na verdade, os meus pais simularam uma cerimônia de funeral para mim. Sabe o que é isso? Eles fizeram uma estátua minha, enterraram em um túmulo e escreveram a data do meu nascimento e o dia do meu falecimento, ou seja, o dia em que eu me fiz cristão, quando recebi o Batismo. Aquela é a data da minha morte para eles, e eles me enterraram. Então, eu tenho o meu próprio túmulo na minha cidade natal."

"Eu sei disso porque um dos meus amigos cristãos, quando passou por lá, tirou uma foto do túmulo e mandou para mim. Depois de tudo o que aconteceu, eu não tenho nenhum contato com minhas irmãs, que eu amo muito, nem com minha mãe... Eu realmente as amo, mas, sem chances. Humanamente falando, não tenho esperanças, mas Deus pode tocá-los um dia, então eu sigo rezando. Mesmo que eles não aceitem o Cristianismo, eu estou sempre dizendo: 'Jesus, por favor, leve-os ao Céu'. Onde quer que eu esteja, eu preciso deles, então essa é a minha oração sempre."

"Jesus está preparando uma grande mansão para mim"

"Nunca tive medo da morte, nem você deveria ter. Medo da morte é, na verdade, bobagem, porque todos os que nasceram deverão morrer um dia. Cem por cento. Com medo ou não, todos têm que morrer. Essa é a única coisa certa que você sabe na terra. Agora, enquanto falo com você, não tenho certeza se isso será transmitido, porque qualquer coisa pode acontecer. Não sei se jantarei hoje à noite, se voltarei para a Índia, se meus filhos farão bons estudos e conseguirão um diploma, não tenho certeza de nada, de nada. A única coisa certa que existe nesta terra é que eu morrerei. Tudo o mais é incerto."

"Então, nunca tema a morte. Esteja certo de que ela virá um dia. O que você pode fazer é pensar. Se você acredita em Maomé e morre, qual será a sua situação? O profeta Maomé morreu, as pessoas o enterraram e, depois, não sabemos para onde ele foi. Se eu morrer nele, não sei para onde irei. Todos os deuses hindus – existem tantos deuses e deusas em meu país! –, todos viveram, criaram história, morreram, as pessoas os enterraram, e não sabemos para onde eles foram. Então, se eu acredito em todos eles, não sei qual é o meu futuro. Mas Cristo, que morreu, voltou. Por isso, eu tenho a esperança de que, se eu morrer em Cristo, eu voltarei. É melhor, portanto, estar certo da morte e morrer em Cristo."

"Jesus diz bem claramente em João, XIV, 2-3: 'Na casa de meu Pai há muitas moradas. Vou preparar um lugar para vós. E depois que eu tiver ido e preparado um lugar para vós, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, estejais vós também.' Sabe, eu estou muito feliz por saber que Jesus está preparando uma grande mansão para mim no Céu porque, uma vez que terminada, Ele volta para me buscar. Eu acho que é uma mansão muito grande porque, nos últimos anos, os muçulmanos tentaram e não conseguiram me matar, o que significa que a construção ainda está em andamento e, quando tudo estiver pronto, Ele voltará para me buscar. Só então os muçulmanos poderão me matar. Até lá, ninguém pode."

"Então, eu não tenho medo da morte, isso é um fato. A única coisa em que penso é: e depois da morte, o que há? Para ter vida eterna, você precisa de Jesus, e não só isso, você precisa da Igreja Católica."

"Digo isso especificamente porque cada religião diz que a barreira entre Deus e o homem é o pecado. No Islã, para o pecado, há a oferta de animais. No hinduísmo, há a reencarnação. Mas só no Cristianismo o próprio Jesus remove o meu pecado e a minha punição e me faz puro para levar-me até o Céu. Jesus é meu Salvador. Ele é perfeito homem, porque sou homem, meu Salvador deve ser um homem; e Ele é perfeito Deus, porque eu preciso da vida eterna, e só Ele pode dar-me."

"É muito simples dizer-lhe por quê. A consequência do pecado é a morte. Assim como, para remover a escuridão, você deve trazer luz, para remover a morte, você deve trazer vida. Mas a vida de quem? No Antigo Testamento, eles davam a vida de um animal, porque acreditavam que a vida estava no sangue, e sangue animal. Os muçulmanos ainda estão fazendo isso. Mas, para remover minha morte, eu preciso ter vida eterna. Ora, de onde posso ter vida eterna? Só de Deus, e isso é dado por Jesus na Cruz."

"Por isso, quando eu participo de Seu corpo e sangue, eu estou participando de Sua vida, tomando parte de Sua vida. É por isso que Jesus me chama de 'irmão', e Jesus e nós, ambos, chamamos Deus de 'pai'. É uma união com Ele, na qual nós obtemos a vida eterna. Para receber isso sempre, você deve ser católico. Porque Jesus disse claramente: 'Se você come o meu corpo e bebe o meu sangue, nunca morrerá e, mesmo se morrer, eu o ressuscitarei' (cf. Jo, VI). Foi assim que eu decidi tornar-me cristão e, especialmente, católico."

Uma palavra à Europa

"Nós somos muito fracos em educar nossos filhos na fé. Somos muito fracos. E essa fraqueza originou-se em nós quando começamos a falar demais de 'liberdade'. Quando começamos a dar muitas liberdades que não são permitidas por Deus – como, por exemplo, 'casamento' gay, aborto e drogas, que são legalizados em todos os países agora –, ninguém tem o direito de questionar ninguém. Nem os pais têm o direito de questionar os filhos. Essa 'liberdade' é um verdadeiro obstáculo para transmitir a fé."

"Além disso, nessa 'liberdade', os pais são incapazes de mandar as crianças às aulas de Catecismo. No Islã, como se trata de uma religião política – eles tentam regular o mundo com a lei da sharía –, acaba-se obrigando as crianças a irem à escola. Desde a infância, eles são treinados em sua fé para serem fanáticos. Eu digo que devemos respeitar o ser humano, devemos dar-lhe total liberdade, mas, ao mesmo tempo, desde a infância, devemos educar as crianças no catolicismo. Se isso for possível, definitivamente a Europa mudará."

"Dois dias atrás, depois de chegar aqui, eu estava rezando pela Europa e perguntei ao Senhor qual era a mensagem que Ele tinha para esse continente, especialmente para a Espanha. A mensagem que eu recebi vinha do livro do Apocalipse, capítulo II, versículos de 2 a 4. Diz o Senhor: 'Sei o quão duro trabalhaste por mim.' A Espanha fez muitos trabalhos em nome de Jesus. 'E sei o quanto sofreste por mim.' Ela também passou por muitos sofrimentos por causa de Jesus. 'Sei como enfrentaste os falsos profetas.' A Espanha lutou contra falsos profetas por muitos anos. E Deus diz: 'Mas, agora, tenho uma queixa contra ti. Perdeste aquele primeiro amor. Perdeste aquele primeiro amor. Retorna àquele amor.' Então, para a Europa, Deus está dizendo apenas uma coisa: 'Retorna a esse amor', como os seus antepassados, 'retorna'."

"Todos nós rezaremos e trabalharemos por isso. Essa é a minha ambição, é a razão pela qual estou aqui. Não era meu desejo estar aqui, mas Deus mandou-me à Europa. Há muitos profetas que estão vindo para a Europa. E há tantos profetas e santos na Europa que passam despercebidos por nós. Com todos nós rezando e trabalhando juntos, no fim, as mudanças acontecerão."

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O incontestável primado de São Pedro
Doutrina

O incontestável primado de São Pedro

O incontestável primado de São Pedro

Não cabe dúvida alguma. Manifestamente, São Pedro aparece nos Evangelhos como o Apóstolo principal: entre os seus companheiros gozava de uma preeminência incontestável.

Pe. Leonel Franca18 de Julho de 2018
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A promessa e a entrega do primado a Pedro não é um fato isolado no Evangelho. Toda a narração histórica do ministério de Cristo conspira em atribuir no colégio dos Doze um lugar de preeminência ao futuro chefe da Igreja. Dir-se-ia que os evangelistas, tão sóbrios em informações sobre os outros Apóstolos, não perdem a oportunidade de falar de Pedro, de referir suas palavras, de registrar os sinais de predileção com que o distinguia o Salvador [1].

Pela primeira vez apresenta-se a Cristo o humilde pescador da Galileia: “Tu és Simão”, diz-lhe Jesus, “tu te chamarás Cefas, isto é, Pedra” (Jo 1, 42). Era a imposição de um nome novo, conforme o costume de Deus [2], rica de significados e de promessas.

Durante sua pregação apostólica, é a barca de Pedro a preferida por Cristo para doutrinar as turbas (cf. Lc 5, 1-4); se se demora em Cafarnaum, na casa de Pedro é que se hospeda (cf. Mt 8, 14; Mc 1, 29; Lc 4, 38); é Pedro quem, quase sempre, fala em nome dos Apóstolos; é a Pedro, como o principal do grupo, que se dirigem os coletores de impostos para saber se o Mestre pagava o tributo do Templo, e Jesus paga a taxa legal por si e por Pedro (cf. Mt 17, 24-27).

Ao escrever suas memórias, em tempos posteriores, são os próprios evangelistas que se empenham em salientar este lugar preponderante de Simão no colégio apostólico. Quatro catálogos dos Apóstolos oferece-nos o Novo Testamento (cf. Mt 10, 2-4; Mc 3, 16-19; Lc 6, 14-16; At 1, 13). A ordem em que se sucedem os outros nomes varia de um para outro; mas em todos eles, assim como Judas, o traidor fecha sempre a enumeração, assim também Pedro, invariavelmente, ocupa o primeiro lugar: o lugar de honra.

Nem é casual coincidência. S. Mateus observa expressamente: “Primeiro, Simão que se chama Pedro”. Primeiro em quê? Em idade? Nenhum indício positivo o insinua, nem a velhice foi certamente o critério adotado pelos historiadores sagrados, que alteram a ordem dos outros nomes e mencionam João antes de outros Apóstolos mais idosos. Prioridade de vocação? Tampouco. A eleição para o apostolado foi simultânea para os Doze (cf. Mt 10, 1; Mc 3, 13-15). A vocação inicial de Pedro para discípulo, se foi anterior à de muitos Apóstolos, não foi absolutamente a primeira. André e outro discípulo seguiram antes os passos do Messias (cf. Jo 1, 35-42). Um segundo chamado de Cristo feito nas bordas do lago Tiberíades e narrado pelos Sinóticos apresenta para os quatro Apóstolos Simão, André, João e Tiago uma simultaneidade moral que não permite estabelecer nenhuma prioridade cronológica.

Voltemos ainda ao ministério de Cristo. Quando, nas circunstâncias mais solenes de sua vida — na ressurreição da filha de Jairo, manifestação de sua onipotência; na Transfiguração do Tabor, irradiação de sua glória; na agonia do jardim das oliveiras, mistério de suas dores —, Jesus escolhe como testemunhas a três dos seus Apóstolos, Pedro é ainda invariavelmente nomeado em primeiro lugar (cf. Mc 5, 37; 9, 12; 14, 33 e lugares paralelos). Às vezes todo o colégio apostólico é compreendido pelo historiador sagrado numa expressão coletiva; só Pedro é singularmente designado: “Pedro e os que o acompanhavam” (Mc 1, 36), nem mais nem menos como dizem de um rei e o seu séquito, de um chefe militar e de sua escolta: “Davi e os que o seguiam” (Mc 2, 25); “O centurião e os que o  acompanhavam” (Mt 27, 54) [3].

Não cabe, pois, dúvida alguma. Manifestamente, S. Pedro aparece-nos como o Apóstolo principal: entre os seus companheiros gozava de uma preeminência incontestável. Era este um simples fato ou também um direito? Era uma simples ascendência moral, devida às qualidades do seu caráter e análoga ao “primado moral que exercem espontaneamente os leaders das câmaras deliberativas, ou os deputados que se impõem pelo seu caráter e influência”? Ou era, pelo contrário, uma superioridade querida por Cristo, sancionada por livre vontade, firmada nas suas promessas? Abramos o Evangelho e saibamos ler.

Evidentemente, não se deve falar aqui de uma supremacia de jurisdição efetivamente exercida por Pedro durante a vida mortal do divino Mestre. Jesus, vivo e presente entre os discípulos, era o seu único e natural superior. O que importa determinar é se Cristo havia prometido um verdadeiro primado de jurisdição a algum dos Doze e se as expressões registradas pelos evangelistas não são mais do que os reflexos dos raios desta futura primazia.

“Impossível”, dizem os adversários do Papado que, sem perder tempo, já o querem impugnar no primeiro dos papas. “Uma ascendência jurídica prometida pelo Mestre”, continuam, “não se concilia com as brigas dos discípulos sobre qual deles era o maior, menos ainda se harmoniza com os ensinamentos explícitos do Salvador, que condena qualquer prelazia no colégio apostólico”.

Um fato e uma doutrina — eis o que nos opõem. Analisemos o fato e expliquemos a doutrina.

O fato: a disputa pelos primeiros lugares

Como harmonizar a disputa dos discípulos com a promessa de uma primazia feita por Cristo a Pedro? Uma questão resolvida pelo Salvador podia ainda ser objeto de controvérsia entre os Doze? Seria necessário não conhecer a rudeza dos Apóstolos para ver aí uma séria dificuldade. Quantos ensinamentos ouviram eles, claros, repetidos uma e muitas vezes, sem compreender! Quantas vezes não insistiu o Messias no caráter espiritual do seu reino! E poucos momentos antes da Ascensão não se sai um dos discípulos com a pergunta impertinente: “É agora, Senhor, que ides restituir o reino de Israel?” (At 1, 6).

“Cristo aparece a S. Pedro na via Ápia”, por Annibale Carracci.

Haverá no Evangelho profecia menos equívoca, mais compreensível, mais repetida pelo Salvador, que a de sua Paixão e Morte? “É necessário que o Filho do Homem sofra, que seja reprovado pelos anciãos, príncipes dos sacerdotes e escribas, que seja morto e ao terceiro dia ressuscite” (Lc 9, 22.44; 18, 31-33). A predição foi renovada insistentemente em outras ocasiões, iluminada em mil lugares diversos. Mas aquelas almas rudes, que sonhavam com os triunfos temporais do messianismo popular, eram resistentes ao escândalo da cruz. Quando se realizaram os prenúncios do Mestre, perturbadas e abatidas, no que deveria ser um reforço de prova da divindade do Messias viram só o naufrágio de todas as suas esperanças. A mensagem pascal da Ressurreição encontrou-os ainda humilhados e incrédulos: “Stulti et tardi corde ad credendum” — “Ó estultos e lentos do coração para crer” (Lc 24, 25).

No nosso caso, a explicação é ainda mais simples. As palavras de Cristo a Pedro (cf. Mt 16, 18s) continham apenas, como veremos, uma promessa. Seguiu-as, logo em seguida, uma grave repreensão do Senhor ao mesmo Apóstolo, que, voltando a pensamentos humanos, tentava dissuadi-lo das humilhações da cruz. O que seria mais natural, portanto, do que pensarem os outros que se tratava apenas de uma promessa condicionada, revogada logo pela severa repreensão de Cristo? A sucessão do primado achava-se, assim, novamente aberta às suas ambiciosas esperanças.

Oh! Como transparece aqui a psicologia da nossa frágil natureza humana! Somos espontaneamente inclinados a crer em tudo quanto agrada e lisonjeia as nossas ambições secretas. A mesma evidência, quando contraria os sonhos dos nossos íntimos desejos, não consegue entrar-nos na alma. Imbuídos de preconceitos judaicos sobre a temporalidade do reino messiânico, os discípulos alimentavam com amor a esperança das honras e do poderio terreno. Preferidos aos demais pelo Messias, nenhum, talvez, havia entre eles que, de si para si, não tivesse sonhado com alguma dignidade futura, com alguma “pasta ministerial” do reino restaurado de Davi. E um dia, quando a mãe de João e Tiago, na simplicidade indelicada do seu afeto materno, ousou abertamente pedir ao Senhor que reservasse para os filhos os dois primeiros lugares ao lado do seu trono, levantou-se entre os companheiros um rumor geral de indignação e protesto (cf. Mt 20, 24). A petição imprudente ferira vivamente as ambições rivais que mais de um nutria com secreta complacência.

Não surpreende, pois, que as promessas do primado, encontrando naquelas almas ainda não visitadas pelo divino Espírito tão resistente barreira psicológica, fossem pouco a pouco negligenciadas e esquecidas a ponto de, ainda na Última Ceia, se acenderem novamente entre os discípulos discussões sobre o primado. Descerá mais tarde sobre eles o Espírito Santo, Espírito de verdade e de amor, de luz e de caridade, prometido por Cristo aos seus Apóstolos para sugerir-lhes tudo quanto “lhes havia ensinado”. Depois da vinda do Paráclito já não haverá entre os Doze rivalidades nem brigas sobre “qual deles será o maior”. Apóstolos e fiéis serão um só coração e uma só alma sob o poder supremo de Pedro.

A doutrina: Jesus condena a prelazia no colégio apostólico?

Mais simples ainda é a explicação da doutrina de Cristo. Entre os gentios, os reis exercem dominação sobre os súditos. Entre vós não há de ser assim; antes, o que é maior entre vós faça-se como o mais pequeno e o que manda [logo, há de haver quem manda!] como o que serve (Lc 22, 25-26) [4]. Por acaso quis Cristo, com estas palavras, excluir qualquer jurisdição entre os Apóstolos? De modo nenhum. O que elas contêm, sim, é um ensinamento novo, um ensinamento profundo sobre a noção de autoridade.

Para os pagãos, a soberania era uma ostentação honorífica, uma distinção mundana, uma dominação férrea sobre os súditos escravizados. Nada disso há de ser o poder em mãos cristãs. A autoridade é um ministério, um serviço público: é, antes de tudo, um dever, o dever de consagrar-se como servo ao bem comum dos governados. Longe, pois, a ostentação; longe as honrarias vãs que só lisonjeiam a vaidade e o orgulho de quem as recebe. O autoritarismo pagão, isto é, a pretensão de impor a todo custo o próprio capricho, deve ceder o lugar à verdadeira autoridade, que só tem razão de ser nas necessidades e exigências do bem público [5]. Eis o novo e profundo conceito ensinado pelo divino Mestre.

Equivalem estas palavras a eliminar o poder de jurisdição numa sociedade legitimamente constituída? Já o dissemos: de modo nenhum. Quereis a prova? Lede alguns versículos abaixo e vereis que Cristo promete aos Doze uma situação privilegiada entre os fiéis: os Doze se assentarão um dia em doze tronos para julgar as tribos de Israel (cf. Lc 22, 30). Continuai a ler algumas linhas e ouvireis o mesmo Cristo conferir a um só a missão de confirmar os seus irmãos na fé (Cf. Lc 22, 32). É uma autoridade no sentido cristão da palavra: um ministério para o bem público dos fiéis. E, no entanto, é uma prerrogativa concedida a um só. O discípulo privilegiado é Pedro.

Duvidais ainda? No mesmo trecho de S. Lucas, a fim de exemplificar a lição que acabara de dar, Jesus aplica a si mesmo a regra da humildade: “Qual é maior, o que está à mesa ou o que serve? Não é porventura o que está à mesa? Eu, porém, estou no meio de vós como aquele que serve” (Lc 22, 27). O Jesus que assim fala é o mesmo que afirmou categoricamente: “Vós me chamais Mestre e Senhor e dizeis bem: porque o sou” (Jo 13, 13). Dirá agora o nosso protestante que no Filho de Deus não havia verdadeira autoridade, mas só “a superioridade moral do mais humilde”?

A supremacia de Pedro no colégio apostólico é, portanto, uma realidade evidente. Só uma investidura assegurada pela promessa de Cristo pode explicar como, no seio das ambições rivais dos discípulos, Pedro gozasse daquela preeminência atestada unanimemente por toda a história da vida de Jesus. Reconhece-o a própria crítica liberal de Alfred Loisy:

Entre os Doze, havia um que era o primeiro, não apenas por conta da prioridade de sua conversão ou do ardor de seu zelo, mas devido a uma espécie de nomeação do Mestre, que foi aceita e cujas consequências se fazem ainda sentir na história da comunidade apostólica. Esta foi uma situação, de fato, criada aparentemente pelos agitados momentos do ministério galileu, mas que, pouco antes da Paixão, se figura como aceita e ratificada por Jesus [6].

Ainda que não houvesse outros motivos, já nos seria lícito supor com grande probabilidade uma designação de Pedro para futuro chefe da Igreja, feita pessoalmente pelo próprio Salvador. Mas temos textos formais e explícitos que excluem toda a dúvida.

O que até aqui dissemos tem por finalidade ilustrar a verossimilhança desta promessa, deduzida de toda a narração evangélica e, ao mesmo tempo, mostrar como a perícope de S. Mateus que passaremos logo a estudar (cf. Mt 16, 16-19), longe de se achar “em manifesto antagonismo com todo o Novo Testamento” ou “bloqueada pelo silêncio universal das Escrituras Sagradas”, enquadra-se muito naturalmente contexto geral dos evangelhos, formando um todo harmônico, homogêneo e coerente.

Notas

  1. S. Pedro é nomeado no Novo Testamento 171 vezes; depois vem S. João, 46 vezes. A observação é de Vladimir Soloviev (cf. La Russie et l'Église universelle, Paris, 1889, p. 154, nota 2), o maior filósofo russo do século passado, convertido ao catolicismo.
  2. Três vêzes em toda a Escritura mudou Deus o nome dos homens e em todas três se tratava de elevar um particular à dignidade de chefe dos eleitos. Mudou-o a Abraão, “quia patrem multaram gentium constitui te” (Gn 17, 5); mudou-o a Jacó, “appellavit eum Israel dixitque ei... Gentes et populi nationum ex te erunt” (Gn 35, 10). Mudou-o finalmente a Pedro: “Tu es Petrus et super hanc petram aedificabo Ecclesiam meam” (Mt 16, 18).
  3. Simon et qui cum illo erant” (Mc 1, 36); “David et qui cum eo erant” (Mc 2, 25); “Centurio et qui cum eo erant” (Mt 27, 54); cf. Lc 8, 45; 9, 32; At 2, 14; 5, 29; Mc 16, 7.
  4. Na hipótese protestante, Cristo houvera posto muito mais simplesmente termo à contenda entre os discípulos, dizendo-lhes: sereis todos iguais. Em vez, porém, de insinuar a paridade, Cristo insiste sobre a primazia: o que é maior. E aduz a comparação consigo mesmo.
  5. A S. Pedro aproveitou a lição divina de Jesus. Vede como ele nos descreve o múnus do superior eclesiástico: “Apascentai o rebanho de Cristo que vos foi confiado, tende cuidado nele, não por força, mas espontaneamente segundo Deus, nem por amor do lucro vergonhoso, mas de boa vontade, nem como se quisésseis ter domínio sobre a herança do Senhor, mas fazendo-vos de boa vontade o modelo do rebanho. E quando aparecer o príncipe dos pastores recebereis a coroa incorruptível da glória” (1Pe 5, 2-4).
  6. Alfred Loisy, L’Évangile et l’Église, Paris, 1902, p. 90.

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A assombrosa luta épica entre o Padre Pio e Satanás
Santos & Mártires

A assombrosa luta épica
entre o Padre Pio e Satanás

A assombrosa luta épica entre o Padre Pio e Satanás

O demônio tenta a todos os cristãos, mas “o caso do Padre Pio é especial porque sua luta não era apenas espiritual, mas tinha também momentos extremamente físicos”.

Pablo J. Ginés,  Religión en LibertadTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere16 de Julho de 2018
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A história do Padre Pio contra o demônio “é uma saga épica, um corpo a corpo entre um monge e seu adversário” — palavras do veterano vaticanista Marco Tosatti, autor de Padre Pio contro Satana: la battaglia finale (ainda sem tradução para o português).

A fonte principal do jornalista foram as cartas das pessoas que conheceram o santo de Pietrelcina e as que este escrevia, bem como todos os textos da Positio para a sua canonização.

Por ocasião do lançamento de uma versão espanhola do livro, o site Religión en Libertad pôde conversar um pouco com Tosatti a respeito da importância do santo e de sua luta peculiar, única, com o Maligno.

Marco Tosatti explica a importância “épica” da luta do Padre Pio para a nossa época.

— Por que é tão popular e relevante a figura do Padre Pio de Pietrelcina?

— Sem dúvida, na Itália ele é um dos santos mais amado pelo povo. É difícil entrar em uma loja, em um restaurante, em um lugar público e não encontrar imagens dele. Creio que isso se deve a que o Padre Pio é um dos santos da história que mais graças e intercessões realizou.

Li os oito volumes da Positio, a compilação de documentos sobre ele que serviram para o processo de canonização, e existem centenas de testemunhos de pessoas, da Itália e de outros países, que receberam favores extraordinários. Foi protagonista de fenômenos assombrosos: bilocação, curas, leitura de almas com um simples olhar e coisas do tipo… Isto o torna extraordinário, diferente dos outros santos, e muito popular. Ao redor de todo o mundo se criam hoje grupos de oração inspirados no Padre Pio.

— E o que tem de especial a relação do Padre Pio com o demônio? Afinal de contas, o demônio não tenta a todos os cristãos?

— O caso do Padre Pio é especial porque sua luta não era apenas espiritual, mas tinha também momentos extremamente físicos. Tanto é que os frades que com ele viviam escutavam os barulhos da luta vindos de sua cela e, na manhã seguinte, encontravam os ferros da cama retorcidos, como se uma força sobrenatural os tivesse dobrado. Viam ainda o Padre Pio com contusões e golpes, como se o tivessem espancado.

O superior chegou a pedir-lhe, quando ele ainda era um jovem frade, antes de ser enviado a San Giovanni Rotondo, que rezasse ao Senhor pedindo que não permitisse ao demônio fazer tantos ruídos, já que os outros irmãos ficavam apavorados. Era algo muito visível. Isso acontecia com o Padre Pio quando ele lutava para arrancar almas das mãos do demônio. De fato, houve muitos santos que lutaram com o demônio, mas o Padre Pio é especial porque sua luta foi contínua, física, evidente, a ponto de a verem inclusive outras pessoas…

Além disso, do meu ponto de vista enquanto jornalista e escritor, vejo como épica a batalha entre o Padre Pio e o demônio, a qual, encarada até mesmo sem a perspectiva da fé, se reveste de um valor literário muito grande. E isso desde que ele era criança, quando teve a visão de um homem muito grande, um homem perverso, que era o demônio e queria combatê-lo.

— O que significa para nós, para os nossos tempos, esta experiência do Padre Pio?

— Não sou um milenarista, mas acredito, sim, que é possível estarmos em uma época especial. A Virgem de Fátima dizia que nos encontramos em uma batalha decisiva entre as forças do bem e o demônio, forças que atacam a família e os valores naturais básicos. Parece que Deus quer, por meio do Padre Pio, dar um sinal de que esta batalha já começou e é também sobrenatural.

— Mas os pecados sexuais, pessoas com uma vida familiar ruim, maus pais, adultérios… Tudo isso sempre existiu. Qual é, então, a novidade?

— Sim, pecados sexuais e contra a família sempre existiram; mas, por exemplo, quando havia algum Papa ruim, pérfido, criminoso, como Alexandre Borgia, ele cometia essas coisas, mas não alterava a doutrina, não dizia que esses pecados eram normais. A novidade dos últimos séculos é o individualismo desenfreado, que busca não só pôr a fé em dúvida, mas ainda convencer o homem de que ele é seu próprio “legislador”, seu próprio “deus”, que não precisa descobrir o bem para cumpri-lo, pois pode criar para si mesmo sua própria “lei”.

— Seu livro contém uma segunda parte com exemplos de outros santos que tiveram também um contato muito próximo com o demônio, como Eustáquia de Pádua, Cristina de Stommeln e Mariam Baouardy. Por quê?

— São santos que selecionei porque creio ilustrarem que, embora tenha um amplo campo de ação, o demônio está limitado por Deus. Por exemplo, o que sabemos de Mariam Baouardy está atestado em documentação científica da época. Assim como muito do que sabemos sobre o Padre Pio. É como se o mundo quisesse fechar os olhos para o sobrenatural, mas o sobrenatural não se deixa esconder. Vemos que Deus se serve do demônio, de forma misteriosa, como um instrumento, um instrumento estranho, vá lá, mas que serve à santificação das pessoas.

Vemos gente de grande santidade pessoal, mas que sofre sob o poder do demônio, às vezes até mesmo possessos, durante um tempo, embora mantendo-se livres na alma e na vontade. Sempre me chamou a atenção a familiaridade com que o demônio, no Livro de Jó, se aproxima do trono de Deus, e Ele o recebe tranquilamente, e conversam… O demônio não passa de outro instrumento de Deus!

— Do mal Deus tira coisas boas. É um mistério…

— Sim, é um mistério. É como ver um bordado pela parte de trás: parece-nos um caos, um emaranhado de fios e cores. Mas o bordador, que o vê de cima, costurando o desenho, sabe bem o que faz.

— Nas últimas décadas, multiplicou-se o número de exorcistas na Igreja Católica, com cursos, formações, e eles se mantêm em contato pela internet.

— Sim, dado que o povo tem pedido exorcistas com insistência… Escrevi um livro de entrevistas com o padre Amorth (Memórias de um exorcista, 2010). Ele me explicou que há trinta anos, na França, Bélgica, Áustria e Alemanha, não havia um único exorcista. Os bispos não acreditavam no demônio. Mas viram tantos casos, tantos pedidos, que agora há quatro exorcistas em Turim, vários em Paris… Sem contar esses cursos para centenas de sacerdotes, que chegam até os Estados Unidos.

— E há algo que estejamos aprendendo, algo de novo sobre o diabo no século XXI?

O demônio está sempre à procura de almas, disse-me o padre Amorth. E essa é a sua grande batalha. Mas ele faz o seu principal trabalho sem chamar atenção, de forma ordinária. O diabo não quer se manifestar. Inclusive para os exorcistas é difícil discernir muitos casos, porque demônio tenta se ocultar. Isso é interessante. Já dizia Baudelaire: a melhor estratégia do demônio é fazer-nos crer que ele não existe.

— Mas tampouco é saudável enxergar o demônio em todo e qualquer lugar…

— De fato, é preciso manter um equilíbrio. O padre Amorth dizia: “De todos os que me procuram com problemas, apenas um por cento precisa mesmo de um exorcista”. Creio que essa é a medida. Sim, o demônio trabalha de forma ordinária e eficaz, sem fenômenos extraordinários, mediante as guerras, o ódio, destruindo as famílias, com o aborto… Também aí precisamos estar presentes.

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Nossa Senhora do Carmo, padroeira e mestra da vida interior
Espiritualidade

Nossa Senhora do Carmo,
padroeira e mestra da vida interior

Nossa Senhora do Carmo, padroeira e mestra da vida interior

Os que desejam viver plenamente a devoção a Nossa Senhora do Carmo devem seguir Maria nas profundezas da sua vida interior.

Pe. Gabriel de S. M.ª Madalena16 de Julho de 2018
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Ó Maria, formosura do Carmelo, tornai-me digno da vossa proteção, revesti-me com a vossa veste, sede a mestra da minha vida interior.

A Santíssima Virgem é a Mãe que nos reveste de graça, que toma sob a sua proteção a nossa vida sobrenatural até garantir o seu pleno desabrochar na vida eterna. Ela, a toda pura, cheia de graça desde o primeiro instante da sua conceição, toma as nossas almas manchadas pelo pecado, e com um gesto maternal, lava-as no Sangue de Cristo, reveste-as da graça que, juntamente com Ele, nos mereceu. Bem podemos dizer que a veste da graça foi tecida pelas mãos benditas de Maria que, dia a dia, momento a momento, se deu inteiramente a si mesma, em união com o seu Filho, pela nossa redenção.

A lenda fala da túnica inconsútil que a Virgem teceu para Jesus; mas para nós fez realmente muito mais: cooperou para nos conseguir a veste da nossa salvação eterna, veste nupcial com que seremos introduzidos na sala do banquete celeste. Oh! como Ela quereria que esta veste fosse imperecível! Desde o momento em que a recebemos, Maria nunca deixou de nos seguir com o seu olhar maternal para proteger em nós a vida da graça. Cada vez que nos convertemos a Deus, nos levantamos de uma culpa — grande ou pequena — ou progredimos na graça, sempre o fazemos por intermédio de Maria.

O escapulário que a Senhora do Carmo nos oferece não é mais do que o símbolo exterior desta sua incessante solicitude maternal; símbolo, mas também sinal e penhor de salvação eterna. “Recebe, amado filho — disse a Virgem a S. Simão Stock — este escapulário… quem morrer com ele não padecerá o fogo eterno”. A Virgem assegura a graça suprema da perseverança final a todos os que usarem dignamente o seu escapulário.

“Quem usa o escapulário — disse Pio XII — faz profissão de pertencer a Nossa Senhora”; precisamente por lhe pertencermos, a Virgem tem um cuidado especialíssimo com as nossas almas: o que é seu não se pode perder, não pode ser tocado pelo fogo eterno. A sua poderosa intercessão maternal dá-lhe direito a repetir em nosso favor as palavras de Jesus: “Pai Santo... conservei os que me deste e nenhum deles se perdeu” (Jo 17, 12).

A devoção à Virgem do Carmo é também um premente apelo à vida interior, a essa vida que foi de modo especialíssimo a vida de Maria. A Virgem quer que sejamos muito mais semelhantes a Ela no coração e no espírito do que no hábito exterior. Se penetrássemos na alma de Maria, veríamos que a graça produziu nEla uma imensa riqueza de vida interior: vida de recolhimento, de oração, de ininterrupta doação a Deus, de contato contínuo, de união íntima com Ele. A alma de Maria é um santuário reservado só para Deus, onde nenhuma criatura humana jamais imprimiu a sua forma, onde reina o amor e o zelo pela glória de Deus e pela salvação dos homens.

“Nossa Senhora do Monte Carmelo”, por Pietro Novelli.

Os que desejam viver plenamente a devoção a Nossa Senhora do Carmo devem seguir Maria nas profundezas da sua vida interior. O Carmelo é o símbolo da vida contemplativa, vida toda dedicada à busca de Deus, toda dirigida para a intimidade divina; e quem melhor realizou este ideal altíssimo foi a Virgem, Regina decor Carmeli. “No deserto habitará a equidade, e a justiça terá o seu assento no Carmelo. A paz será a obra da justiça e o fruto da justiça é o silêncio e a segurança para sempre. O meu povo repousará na mansão da paz, nos tabernáculos da confiança”.

Estes versículos de Isaías (cf. 32, 16-18) reproduzidos no Ofício próprio de Nossa Senhora do Monte Carmelo esboçam muito bem o espírito contemplativo e são, ao mesmo tempo, um belo retrato da alma de Maria, verdadeiro “jardim” (Carmelo em hebreu significa jardim) de virtudes, oásis de silêncio e de paz, onde reina a justiça e a equidade, oásis de segurança, todo envolto na sombra de Deus, todo cheio de Deus.

Toda a alma de vida interior, embora vivendo no meio do ruído do mundo, há-de esforçar-se por alcançar esta paz, este silêncio interior que tornam possível o contato contínuo com Deus. São as paixões e os apegos que fazem barulho dentro de nós, perturbando a paz do nosso espírito e interrompendo o trato íntimo com o Senhor. Só a alma completamente desprendida e que domina inteiramente as suas paixões, poderá, como Maria, ser um “jardim” solitário e silencioso, onde o Senhor encontre as Suas delícias. É esta a graça que hoje devemos pedir à Senhora, escolhendo-a para padroeira e mestra da nossa vida interior.

Colóquio — “Ó Maria, flor do Carmelo, vinha florida, esplendor do céu, Virgem fecunda e singular, Mãe bondosa e intacta, aos vossos filhos dai privilégios, Estrela do mar!” (S. Simão Stock).

“Ó Virgem bendita, quem vos invocou nas suas necessidades, sem que tenha recebido o vosso socorro? Nós, vossos pobres servos, regozijamo-nos convosco por todas as vossas virtudes, mas pela vossa misericórdia regozijamo-nos conosco. Louvamos a virgindade, admiramos a humildade, mas para quem é miserável, a misericórdia tem um sabor muito mais doce. Abraçamos a misericórdia com maior ternura, lembramo-la muitas vezes, invocamo-la com mais frequência.

Com efeito, foi a vossa misericórdia que obteve a redenção do mundo e que, juntamente com as vossas orações, conseguiu a salvação de todos os homens. Portanto, ó bendita, quem poderá medir o comprimento e a largura, a altura e a profundidade da vossa misericórdia? A sua extensão chega até ao fim dos tempos para socorrer todos os que vos invocam; a sua largura envolve o mundo inteiro, de modo que toda a terra fica cheia da vossa bondade. A altura da vossa misericórdia abriu as portas da cidade celeste e a sua profundidade obteve a redenção dos que habitam nas trevas e nas sombras da morte.

Por vós, ó Maria, enche-se o céu, o inferno esvazia-se, os que se extraviavam regressam ao bom caminho. Assim a vossa poderosíssima e piissima caridade derrama-se sobre nós com um amor compassivo e auxiliador” (S. Bernardo).

Referências

  • Extraído e levemente adaptado de “Intimidade Divina: Meditações sobre a Vida Interior para Todos os Dias do Ano”, 2.ª ed., Porto: Edições Carmelitanas, 1967, pp. 1464-1467.

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Você é torre forte ou cata-vento?
Espiritualidade

Você é torre forte ou cata-vento?

Você é torre forte ou cata-vento?

O que você prefere ser: uma torre forte ou uma ventoinha? Escravo do medo do “que dirão?”, ou escravo da sua consciência?

Dom Tihamer Toth12 de Julho de 2018
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Nas pequenas cidades da Idade Média, encontram-se, não raro, vestígios de fortalezas e castelos; e, mesmo onde as construções estão reduzidas a algumas pedras, não é difícil achar quase intacta a alta torre do velho castelo.

Ora, essas torres que viram desaparecer tantos séculos e que a seus pés contemplam, com olhar impassível, o turbilhão da vida moderna, como dão bem uma ideia do caráter firme! Ao lado delas, tudo muda, tudo se transforma, tudo evolui: vende-se e compra-se; delas, porém, nada nem ninguém pode alterar o granito.

Antigas torres são o símbolo do caráter inabalável do homem que cumpre o seu dever virilmente. Outrora, a torre era o melhor refúgio dos habitantes do castelo; hoje, o homem de caráter firme é o melhor sustentáculo da sociedade. “Nunca abandone o lugar em que a vocação o colocou, e cumpra-lhe todos os deveres”, parecem nos dizer aquelas pedras mudas. “Considere o número de anos exigidos para a minha construção, quantas pedras foram necessárias, quanto trabalho, quanta boa vontade e quanto suor! Mas tudo isso não foi em vão. Sobrevivo a centenas e centenas de anos!”.

Por acaso, meu jovem, não se deixa desalentar facilmente na sua boa vontade? Quantas vezes não se arrojou pelo bom caminho, cheio de ardor juvenil? Quantas vezes não prometeu trabalhar seriamente no desenvolvimento do seu caráter? Mas, depois de algumas horas, de alguns dias, quando muito, a chama do entusiasmo apagava, o ardor desaparecia, e você tornava a ser o mesmo, não é verdade? Foram precisos anos, dezenas de anos talvez, para levantar a torre; e você, quereria se tornar homem de caráter num só dia!

Bem sabe, todavia, que se o caminho do pecado é agradável e semeado de flores deliciosas no começo, logo desilusão terrível nele aguarda o pecador; e que, se é difícil ser virtuoso no início, esse caminho em breve se torna cada vez menos duro, e sempre, no seu final, se acha a paz de uma consciência tranquila.

Mas, que é que eu vejo lá, no cume daquela velha torre? Aquela coisa que nunca fica no lugar, que vira para a direita e para a esquerda? Um cata-vento! Não tem direção fixa nem base estável. Vejo-me quase tentado a dizer que ela não tem princípios nem caráter, porque, se os tivesse, por mais que o vento soprasse, ela não lhe obedeceria.

Abandonar seus princípios, agir contra as próprias convicções, por ser mais cômodo, porque isso assegura uma carreira melhor, porque, em volta de si, o vento sopra de outro lado, é próprio de cata-vento. Mas me diga, amigo, merece o nome de homem aquele que nas suas ações, princípios e convicções se deixa guiar pelas circunstâncias exteriores e pelos conselhos de “companheiros”?

E, no entanto, quantos desses jovens não há! Você conhece dúzias deles, e eu também. São todos os que não sabem andar com os próprios pés, que espiritualmente são menores ainda, que olham sempre à direita e à esquerda para ver o que o vizinho faz.

Eis aqui um a quem a consciência avisa: “Não leia esse livro, ouvi dizer que ele é cheio de imundície moral. Por que deixaria a veste branca da sua alma se arrastar na água podre desse pantanal infecto?”. “Está bem, não o lerei”. Chega, porém, um colega: “Oh! Santinho do pau oco, criança!”, escarnece. “Eu, criança?”, e pega o livro, e o lê até a última linha e emporcalha a alma na lama que ele traz.

Agora outro, a quem a consciência diz ainda: “Não vá à exibição de tal peça, de tal filme! Deixe tal companhia perigosa!”. “Como fazer? Os outros vão lá; eles assim se divertem bastante. Serei o único contrário?”.

Ora, meu filho, é exatamente esse o modo de pensar e de agir dos cata-ventos.

Pois bem, escolha. O que prefere ser: uma torre forte ou uma ventoinha? Escravo do medo do “que dirão?”, ou escravo da sua consciência?

Escravo da própria consciência! Este título se lê como se fosse um romance de detetives”, você pensa. Mas se engana. Quando se pode dizer de um jovem que ele é senhor da sua vontade e escravo da própria consciência é a maior honra que se lhe pode fazer. Se é capaz de ser contínua e invencivelmente fiel a tudo o que a consciência manda, você é um jovem de nobre caráter.

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