Em toda a história do papado, nenhum bispo de Roma jamais havia escrito tanto sobre o martírio como o Papa João Paulo II. Sua encíclica Evangelium Vitae dedica mais de mil palavras à vocação ao martírio em nossa época.

Ele nos faz lembrar que a Revelação, do Antigo ao Novo Testamento, e desde o tempo de Cristo até os dias de hoje, é a história do martírio como testemunho da verdade.

Ele menciona Susana, que se recusou a ceder à luxúria e estava disposta a morrer para preservar a castidade. Falou de João Batista, que foi decapitado pelo rei Herodes por ter condenado o casamento adúltero do rei. Mas, sobretudo, identifica Jesus Cristo como o rei dos mártires, que morreu na Cruz como testemunha da verdade que fora enviado para proclamar ao mundo.

Portanto, a história da prática e da confissão corajosas da verdade já dura vinte séculos no cristianismo.

O padre jesuíta John Hardon, autor destas linhas.
O padre jesuíta John Hardon, autor destas linhas.

É comum nos referirmos aos primeiros trezentos anos da era cristã como a era dos mártires. Sem dúvida, dezenas de milhares de cristãos devotos sacrificaram as suas vidas, preferindo morrer a fazer concessões à sua fé cristã e à sua moral perante a cultura pagã em que viviam. Até o século IV, todos os Papas morreram como mártires.

Dessa forma, longe de esmagar o cristianismo ou destruir a Igreja fundada por Cristo, na verdade o martírio contribuiu para o crescimento de uma civilização cristã. A frase sanguis martyrum est semen Christianorum — “o sangue dos mártires é semente dos cristãos” — não era um aforismo piedoso. Era fato histórico objetivo. Quanto mais sangue os cristãos derramavam ao morrerem pela sua fé, mais o cristianismo se expandia por todo aquele mundo que outrora fora pagão.

Paganismo moderno. — Tudo o que foi dito até agora foi um prelúdio para a mensagem que desejo transmitir a vocês. O paganismo é tão antigo quanto a história da humanidade. Uma frase basta para defini-lo: o paganismo é uma cultura da falsidade. Ao longo dos dois mil anos que se seguiram ao Calvário, o cristianismo teve de lutar constantemente contra ideias e leis pagãs; em suma, contra uma cultura pagã que odiava o cristianismo pela mesma razão que crucificou a Verdade encarnada, que se fez homem para ensinar ao mundo como servir a Deus aqui na terra, a fim de possuí-lo numa eternidade bem-aventurada.

Porém, há diferenças entre um paganismo que nunca foi cristianizado e uma sociedade outrora cristã que tornou-se pagã.

Na minha opinião, é esta a situação em que se encontram os católicos que ainda têm fé, à medida que nos aproximamos do terceiro milênio. Num país como os Estados Unidos, que, nos primeiros anos deste século, foi considerado pela Suprema Corte uma nação cristã, os católicos estão cercados por um paganismo que é, literalmente, comandado pelo príncipe deste mundo. Trata-se de um paganismo cujo pai é o espírito maligno, a quem Cristo identificou como pai da mentira e homicida desde o princípio.

Existem, portanto, duas características desse paganismo moderno que ninguém pode negar racionalmente. Em primeiro lugar, ele é uma cultura da morte e, em segundo, é uma sociedade impregnada de falsidade. Será que alguém tem alguma dúvida de que a nossa sociedade é uma cultura da morte? Segundo as estatísticas mais conservadoras, já foram realizados cerca de 65 milhões de abortos em todo o mundo. Uma após outra, nações outrora civilizadas têm legalizado o aborto, não só dos nascituros, mas também dos recém-nascidos. O infanticídio faz agora parte das práticas aceitas nos Estados Unidos. A chamada eutanásia e o suicídio assistido são aceitos como parte da vida moderna. Em defesa da verdade, ninguém expressou melhor a situação atual do que Marshall McLuhan, o filósofo canadense de psicologia social. “Os meios de comunicação modernos”, escreveu McLuhan, “estão envolvidos numa conspiração luciferina contra a verdade”. Todos os dias, milhões de palavras são publicadas e ouvidas na rádio e na televisão. De forma consciente e deliberada, grande parte dessa comunicação escrita e falada não é verdadeira. Estima-se que 90% dos livros emprestados pelas bibliotecas americanas sejam de ficção. Nações inteiras vivem num mundo onírico criado pelos meios de comunicação, e esses sonhos são cientificamente calculados para impedir que a mente humana entre em contato com a realidade.

A verdade é definida como adequação da mente à realidade. Sob essa perspectiva, não deveríamos dizer que o espírito maligno consegue, de forma demoníaca, enganar nações inteiras, enchendo-lhes a mente de mentiras?

É necessário que haja mártires. — Dada a disseminação da cultura da morte e a epidemia de mentira em nossa época, é mesmo de admirar que os seguidores de Cristo tenham de pagar um preço elevado por sua lealdade ao Mestre, que se identificou como a vida e a verdade?

Não é possível permanecer fiel ao Salvador sem pagar o preço disso. Assim tem sido a história do cristianismo desde a primeira Sexta-feira Santa, quando Jesus foi crucificado por seus inimigos. Por que o crucificaram? Porque Ele ensinou que fomos criados para uma vida que nunca terá fim e porque não fez concessões quanto à verdade recebida do Pai.

Esse tem sido o veredito da história cristã desde então, e permanecerá o mesmo até o fim dos tempos. Aqueles que desejam permanecer fiéis a Jesus Cristo devem estar preparados para sofrer por serem testemunhas da Vida e da Verdade encarnadas, e o outro nome dado ao sofrimento por esse testemunho é “martírio”.

“O martírio de Santo André”, por Peter Paul Rubens.
“O martírio de Santo André”, por Peter Paul Rubens.

O que é o martírio? — A melhor descrição do martírio foi apresentada pelo próprio Cristo, pouco antes de ascender ao Céu. “Recebereis a virtude do Espírito Santo, que descerá sobre vós”, disse Ele aos discípulos, “e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia, na Samaria e até às extremidades da terra” (At 1, 8).

Resumimos aqui, numa única frase, a força motivadora do martírio, sua natureza e o seu propósito apostólico.

Em última análise, a fonte da força para sofrer por Cristo vem do Espírito Santo, conhecido por conceder poder. Na linguagem do Novo Testamento, esse é o mesmo tipo de poder por meio do qual é possível realizar milagres. O martírio consiste, na sua essência, em dar testemunho, mas quando Cristo falou aos discípulos, não disse: “Sereis as minhas testemunhas”, mas sim: “Sereis os meus mártires”, o que nos revela exatamente o que queremos saber. O mártir é essencialmente uma testemunha. E sabemos o que uma testemunha faz. Ela dá testemunho público de que algo que viu ou ouviu é verdade. Tem experiência de um fato ou de um acontecimento e, como testemunha, declara que aquilo que diz ou assina é verdade. Apresenta provas aos outros de que aquilo que testemunha deve ser considerado verdadeiro. Por quê? Porque sabe disso pessoalmente. 

​​É fácil não repararmos no pronome possessivo “meus” na frase “Sereis os meus mártires”. Este pronome é crucial. Os mártires são testemunhas de Cristo. Testemunham, se for preciso com o seu sangue, que aquilo em que acreditam é verdade, porque conheceram a Cristo. Isso implica que, para ser testemunha — mesmo até chegar ao martírio —, é preciso ter tido uma experiência pessoal com Cristo, de forma semelhante ao que Pedro disse aos primeiros cristãos: “Este Jesus, vós o amais, sem nunca o ter visto, credes nele sem o ver ainda, e exultais com uma alegria inefável e cheia de glória” (1Pd 1, 8).

Foi assim na era apostólica e é assim na nossa. Para dar testemunho de Cristo, temos de acreditar nele com uma convicção tão profunda a ponto de ficarmos cheios da sua alegria. Esta alegria, como explicou Pedro, não está, evidentemente, isenta de sofrimento.

Mas é genuína e inconfundível. É também profundamente contagiante. De fato, um dos paradoxos do martírio é a felicidade real que um seguidor de Cristo profundamente comprometido sente ao sofrer por Ele. Isto é realçado de forma dramática por São Lucas ao descrever a segunda convocação dos Apóstolos perante o Sinédrio, depois de terem sido advertidos para não pregarem sobre o Salvador. Os Apóstolos foram açoitados e advertidos novamente para que não falassem em nome de Jesus. Ao saírem da prisão onde haviam sido açoitados, ficaram “contentes por terem sido achados dignos de sofrer afrontas pelo nome de Jesus” (At 5, 40-41).

“Paulo e Silas deixando a prisão em Filipos”, por Nicolas de Plattemontagne
“Paulo e Silas deixando a prisão em Filipos”, por Nicolas de Plattemontagne

O martírio pela perseguição. — Nem todos os fiéis que sofrem por Cristo também morrem por Ele. A oposição à fé cristã e ao modo de vida cristão nem sempre culmina numa morte violenta para as vítimas perseguidas.

Consequentemente, convém distinguir entre o que se pode chamar de martírio de sangue e o martírio de oposição, que, de fato, não envolve derramamento de sangue, mas não é menos doloroso de suportar — às vezes, é até mais doloroso.

Nem todas as vítimas de perseguição morrem pelas mãos de um governo sem Deus. Outros milhões estão, aparentemente, livres para andar nas ruas e ter um lar. No entanto, na prática, essas pessoas são privadas de todas as liberdades humanas para praticar a sua religião e servir a Cristo de acordo com a sua fé. Se ensinarem o catecismo aos seus filhos, os pais são impedidos de usufruir de privilégios como moradia digna ou qualquer tipo de emprego qualificado. Se forem vistas frequentando a igreja, são primeiro advertidas, depois ameaçadas e, por fim, penalizadas — chegando mesmo a perder os seus bens.

E assim continua essa triste história, que se repete há anos, apesar da conspiração de silêncio da nossa imprensa americana.

Mas isso não é tudo. Temos de abrir os olhos para o fato de que o nosso país vive uma situação de perseguição. Ela não é menos real por ser sutil, nem menos dolorosa por ser praticada em nome da democracia.

O que quero dizer com isso? Que qualquer sacerdote ou religioso, qualquer pessoa casada ou solteira nos Estados Unidos que deseje viver de forma sincera e plena o seu compromisso com a fé católica, encontra inúmeros obstáculos em seu caminho e enfrenta dificuldades incontáveis que, somadas, exigem uma fortaleza heroica para serem superadas e suportadas.

Basta colocarmos as oito bem-aventuranças numa coluna e as oito atitudes que lhes correspondem em nossa cultura numa outra coluna, e compararmos as duas: 

  • Enquanto Cristo defende a pobreza, o mundo despreza os pobres e canoniza os ricos. 
  • Enquanto Cristo elogia a mansidão, o mundo menospreza a humildade e exalta aqueles que alcançam o sucesso esmagando quem quer que se coloque em seu caminho. 
  • Enquanto Cristo pede que lamentemos e nos arrependamos do pecado, o mundo deleita-se no prazer e no barulho dos risos vazios. 
  • Enquanto Cristo promete alegria apenas àqueles que procuram a justiça e a santidade, o mundo oferece satisfação no prazer do pecado. 
  • Enquanto Cristo nos exorta a perdoar e a mostrar misericórdia para com aqueles que nos ofenderam, o mundo busca vingança e os seus tribunais estão repletos de pedidos de retratação. 
  • Enquanto Cristo abençoa aqueles que são puros de coração, o mundo zomba da castidade e transforma o sexo numa divindade. 
  • Enquanto Cristo diz aos pacíficos que serão recompensados, o mundo ensina exatamente o contrário, por meio da rebelião e da violência constantes, bem como da preparação em grande escala para a guerra. 
  • E enquanto Cristo ensina a incrível doutrina de aceitar a perseguição com paciência e resignação à vontade de Deus, o mundo nada teme mais do que a crítica e a rejeição; e o respeito humano, ou seja, o desejo de ser aceito pela sociedade, é a norma moral.

Quanto ao lado sangrento, o nosso século teve um número maior de cristãos martirizados pela fé em Cristo do que todos os outros séculos, desde o Calvário até o ano de 1900, inclusive. Sei bem disso, porque não foram poucos os meus próprios familiares, que viviam do outro lado da cortina de ferro, que derramaram o sangue por Cristo em vez de renegar a sua fé católica.

Até os dias de hoje, inúmeros católicos estão morrendo por causa de sua fé pelas mãos de muçulmanos, que, segundo o Alcorão, devem ou converter os cristãos da sua idolatria de adorar o homem Jesus como se fosse Deus, ou matá-los.

Mas o meu foco aqui é o nosso próprio país. Podemos chamar a situação atual de martírio sem derramamento de sangue. Mas não tenham dúvida de que viver uma vida católica autêntica nos Estados Unidos hoje em dia é viver uma vida de mártir.

Este é o meu quinquagésimo ano de sacerdócio, e posso atestar cada sílaba da seguinte frase: só bispos, padres, religiosos, pais e mães, e fiéis heroicos conseguem sobreviver à perseguição em grande escala de que a Igreja Católica é alvo hoje em nosso país. Nós o chamamos de “Terra da Liberdade”, mas a única liberdade concedida aqui é a de fazer a própria vontade. “Pró-escolha” [pro-choice] não é apenas uma frase engenhosa. É a marca distintiva de uma cultura em que milhões escolheram fazer o que querem e tornam a vida humanamente impossível para aqueles que optam por fazer o que Deus quer.

O martírio pelo testemunho. — Ainda nos resta um tipo de martírio sobre o qual devemos refletir e que é, de certa forma, o mais comum de todos, pois nenhum seguidor de Cristo pode escapar dele. Trata-se do martírio pelo testemunho.

O que entendemos por martírio pelo testemunho e em que ele difere dos outros dois? Difere deles na medida em que, mesmo na ausência de oposição ativa, a imitação de Cristo tem de enfrentar sempre uma oposição passiva. Por parte de quem? Por parte daqueles que não têm uma visão clara do Salvador ou que, apesar de já a terem tido, abandonaram o antigo comprometimento com Cristo. Tudo o que vimos sobre o martírio por violência aplica-se também aqui, mas o método de oposição é diferente. Nesse caso, aquele que crê firmemente na autoridade magisterial da Igreja; o servo devoto do papado; o pastor convicto que insiste na sã doutrina perante o seu rebanho; o religioso dedicado que deseja permanecer fiel aos seus votos de autêntica pobreza, castidade honesta e obediência sincera; os pais firmes que se preocupam com a formação religiosa e moral dos seus filhos e estão dispostos a sacrificar-se generosamente para construir e cuidar de uma família cristã — natural ou adotiva —; tais pessoas também não serão poupadas de críticas agressivas e oposição aberta. Mas devem estar especialmente preparadas para viver numa atmosfera de indiferença em relação às suas convicções mais profundas.

“Família de camponeses à mesa”, quadro de Jozef Israëls.
“Família de camponeses à mesa”, quadro de Jozef Israëls.

Em certas ocasiões, quase poderiam desejar que a oposição fosse mais evidente e que até mesmo a perseguição fosse uma alternativa bem-vinda. Trata-se da indiferença deliberada de pessoas que conhecem e amam, de membros da sua própria família biológica ou religiosa, de homens e mulheres cuja inteligência respeitam e cujo respeito lhes é caro.

Essa apatia pode ser desmoralizante e, a menos que seja amenizada, poderá ser devastadora.

Continuar a viver uma vida à imagem de Cristo nesse tipo de ambiente é praticar o martírio pelo testemunho. Por que dar testemunho? Para mostrar as nossas profundas convicções religiosas, mesmo quando todos ao nosso redor fazem o contrário.

E isso significa dar testemunho duas vezes: uma vez em nosso próprio nome, como expressão exterior daquilo em que acreditamos interiormente, e outra vez em nome dos outros, cuja conduta não só é diferente da nossa, mas também a contradiz.

Em que consiste o martírio? Consiste em estarmos privados do bom exemplo dos nossos contemporâneos e em praticar a virtude cristã na solidão, porque aqueles que testemunham o que fazemos são maioria — numérica ou psicologicamente —, e sabemos que se sentem incomodados e envergonhados diante do nosso testemunho. É verdade que damos testemunho diante deles, mas eles não ficam contentes ao testemunhar quem somos, o que defendemos, o que dizemos ou o que fazemos.

Não obstante tudo isso, cabe a nós olhar para o lado positivo da situação. Temos de nos lembrar de que o nosso testemunho não é tão estéril como poderíamos supor; muito pelo contrário. Embora possamos estar, ou pelo menos sentir-nos, muitas vezes completamente sozinhos, isso não significa de forma alguma que estejamos sozinhos. Não é raro que os nossos críticos mais severos se tornem os nossos maiores admiradores. Seja como for, o testemunho que damos ao viver de acordo com a convicção da nossa fé é, sem dúvida, exigente para a natureza humana. É por isso que o chamamos de martírio. Mas é um testemunho da verdade e a graça de Deus está sempre presente nos corações de todos aqueles com quem nos cruzamos.

“São Pedro pregando em Pentecostes”, quadro de Benjamin West.
“São Pedro pregando em Pentecostes”, quadro de Benjamin West.

Se quisermos conhecer o poder do martírio pelo testemunho, basta lermos os relatos da Igreja primitiva. O pequeno grupo de crentes que Pedro batizou no Domingo de Pentecostes (cf. At 2, 41ss) era como uma gota na vasta cultura em torno do Mar Mediterrâneo. No entanto, vejam o que aconteceu. Esse pequeno grupo de fiéis convictos conseguiu, em menos de trezentos anos, reverter a corrente do paganismo no Império Romano. Durante muito tempo, foram privados até mesmo dos direitos civis básicos concedidos aos outros cidadãos. Eram frequentemente perseguidos como animais, e as catacumbas evidenciam que tinham de se esconder para celebrar a Liturgia e ocultar os túmulos dos seus entes queridos.

Mas a paciência e a mansidão deles acabaram prevalecendo. Mas só porque foram sustentadas por uma coragem que não conhecia limites, nascida não da sua própria força, mas do poder que Cristo prometeu dar a todos os seus seguidores que dariam testemunho do seu nome em todos os lugares. Essa promessa continua válida até hoje. Só precisamos confiar no Espírito que possuímos e nunca desistir de dar testemunho da graça que recebemos.

Era disso que Cristo estava falando quando nos disse que não deveríamos esconder as nossas virtudes, mas sim permitir que fossem vistas publicamente, como uma vela num castiçal ou uma cidade no cume de uma montanha. Ao tornar visíveis as nossas boas obras, não devemos pensar que seremos preservados da vaidade. Não devemos temer que, ao tornar visíveis as nossas boas obras, fiquemos protegidos da vanglória graças à humilhação que inevitavelmente acompanha o testemunho de uma vida santa. É preciso que tenhamos abandonado o nosso ego e ignorado o respeito humano o bastante para não nos orgulharmos das nossas boas ações. Deus se encarregará disso. Da nossa parte, temos de estar dispostos a pagar o preço do sofrimento por fazer o bem, o que significa ser um mártir vivo, ou seja, uma testemunha corajosa da vida de Cristo no mundo de hoje.

Oração. — Maria, Mãe do nosso Redentor, queremos ser fiéis aos ensinamentos dele e nunca fazer concessões à nossa fé. Mas somos fracos. Obtende para nós, de Jesus, a força para vivermos uma vida de martírio no mundo moderno. Se for vontade de Deus, pedimos uma morte de mártir. Ajudai-nos, vos pedimos, a enfrentar a oposição daqueles que rejeitam o vosso Filho. Maria, Rainha dos mártires, rogai por nós.