CNP
Christo Nihil Praeponere"A nada dar mais valor do que a Cristo"
Evangelize compartilhando!
Todos os direitos reservados a padrepauloricardo.org®
Onde está escrito que só a Bíblia vale?
Doutrina

Onde está escrito
que só a Bíblia vale?

Onde está escrito que só a Bíblia vale?

Cristo não disse aos Apóstolos: “Sentai-vos, escrevei ou viajai e distribui Bíblias”, mas sim: “Ide e pregai; quem vos ouve, a mim ouve”.

Pe. Leonel Franca6 de Novembro de 2017
imprimir

“A Bíblia, e só a Bíblia: eis a única regra de fé”. Verdade capital, fundamento de todo o cristianismo e que, por isso mesmo, se devera encontrar expresso com uma clareza insofismável na própria Escritura. No entanto, abro a Bíblia, percorro-a de cabo a rabo, e não a encontro uma só vez nem sequer acenada! Que terrível decepção! Para firmar a sua norma de fé, o protestantismo começa por violá-lo flagrantemente. A contradição irrompe logo pela primeira porta e crava-se no coração do sistema.

Lutero e os seus discípulos encalçados pela lógica dos católicos deram-se a folhear as Escrituras à cata de textos que os justificassem. Baldado esforço. Nenhum protestante instruído ousaria fazer gala das investigações exegéticas dos primeiro reformadores. Nem foram mais felizes os que lhes sucederam na desesperada empresa. Assim, da sua excursão pela imensa seara bíblica colheu o Sr. C. Pereira [1] não mais de três textos. Quereis ver-lhes a força demonstrativa?

O Pe. Leonel Franca, autor destas linhas.

O primeiro é de S. João (5, 39): “Examinai as Escrituras”. O seu significado nem de longe acena à tese protestante. Cristo num discurso apologético prova contra os seus adversários a divindade de sua missão. Invoca primeiro o testemunho do Padre, depois o do Precursor, apela em seguida para os seus milagres e finalmente num argumento ad hominem aduz a verificação das profecias escritas: “Vós examinais [2] as Escrituras cuidando ter nelas a vida  eterna; pois são elas que dão testemunho de mim”.

Ver nestas palavras — dirigidas não aos discípulos, mas aos adversários, propostas não como regra de fé do cristianismo, senão como prova apologética do seu messiado — uma confirmação da teoria protestante, é zombar da Escritura e insultar o bom senso dos leitores.

O segundo texto é tirado de S. Mateus (13, 43). Ao terminar a explicação da parábola do trigo e do joio diz Jesus: “Quem tem ouvidos de ouvir, ouça”. O Sr. C. Pereira vê aí toda a doutrina da Reforma: só a Bíblia é regra da fé; só o livre exame deve interpretá-la. Se, a grande esforço, não chegais a enxergar naquelas palavras todas estas importantíssimas verdades, a culpa é vossa. Falta-vos aquela agudeza de intuição que caracteriza a exegese do ilustrado gramático.

O Apocalipse de S. João subministra-lhe outro passo não menos peremptório: “Bem-aventurado aquele que lê e ouve as palavras desta profecia” (1, 3). O que diz o Discípulo amado, entende-se facilmente. Ler e ouvir a palavra inspirada é fonte de felicidade. A Igreja a lê todos os dias na sua liturgia e aconselha repetidamente a sua leitura aos fiéis. Mas daí à afirmação protestante vai um abismo que nem a hermenêutica mais atrevida é capaz de saltar.

Com estas infantilidades proferidas em tom de seriedade aruspicina, julga-se o Sr. C. Pereira no direito de concluir: “estes passos e muitos outros [3] da Sagrada Escritura importam em um reconhecimento formal do direito, e, ainda mais, do dever do livre exame e juízo privado no estudo do código divino”. Quem tem ouvidos de ouvir ouça... e pasme diante desta lógica de por aí além!

Mas se a Escritura, nem mesmo torturada, dá um só texto em favor do protestantismo, a sua origem, a sua índole, as suas declarações formais depõem concordemente contra ele.

Jesus Cristo só ensinou de viva voz, não escreveu uma só linha. E todo o cristianismo deveria apoiar-se num livro! E Cristo não nos deu este livro! E Cristo não disse aos seus apóstolos: “Sentai-vos, escrevei ou viajai e distribui Bíblias”; senão: “Ide e pregai; quem vos ouve, a mim ouve”. E os apóstolos foram fiéis à sua missão; poucos escreveram e pouco, todos pregaram e muito.

Já a Igreja estava fundada, já o cristianismo se havia propagado e não havia ainda um livro do Novo Testamento! O primeiro evangelho de S. Mateus, escrito em aramaico, saiu na Palestina vários anos depois da ascensão do Senhor; o último, de S. João, veio à luz nos derradeiros anos do primeiro século. Durante este tempo a Igreja crescia e prosperava em todo o mundo. Qual era então a regra de fé dos cristãos? Qual o veículo da doutrina integral de Jesus? O ensino oral, vivo, autêntico dos apóstolos ou dos a quem eles confiaram o governo e a doutrina das cristandades [4].

Em que dia, em que ano, em que época cessou esta economia para dar lugar ao reino do livro? Só a Bíblia o deveria dizer. Di-lo? Não. Antes como depois da Bíblia, a Igreja continua sempre como a fundou Cristo, como a estabeleceram os apóstolos, afirmando o direito de ensinar de viva voz, de examinar e interpretar os livros que se apresentam como inspirados. Na história, nenhum vestígio de ab-rogação da antiga regra de fé.

Seria mesmo possível esta ab-rogação? Seria possível que a Igreja, mais tarde, substituísse outra norma de crer à que foi ensinada, praticada e inculcada pelo próprio Cristo e pelos apóstolos?

Mas, enfim, os apóstolos escreveram alguma coisa; escreveram  evangelhos e epístolas. Porventura pretenderam encerrar nestes escritos todo o cristianismo, todo o depósito das verdades reveladas? Basta considerar-lhes a índole e natureza para responder imediatamente e sem tergiversar: não.

S. Mateus escreve para provar aos hebreus que Jesus é o Messias prometido. Da vida do Salvador escolhe os fatos que lhe faziam ao intento e omite os outros. S. Marcos, que resume a pregação de S. Pedro, é ainda mais conciso e poucas notícias novas adianta às que já escrevera S. Mateus. Aos evangelistas anteriores S. Lucas acrescenta algumas parábolas, alguns milagres, alguns episódios da vida do Senhor. S. João, a pedido dos fiéis, toma a pena para pôr em maior relevo a divindade de Cristo, contra as heresias nascentes dos corintianos, ebionitas e nicolaítas.

E as epístolas? Escrevem-nas os seus autores, segundo a oportunidade, para corrigir um erro, extirpar um preconceito, expor uma doutrina, premunir contra uma heresia, dar um conselho, etc. Surgem escândalos na igreja de Corinto? Dirige-lhe S. Paulo duas epístolas veementes. Ilaqueiam os judaizantes a boa fé dos Gálatas? Escreve-lhes o apóstolo precavendo-os contra as suas insídias. A Timóteo, a Tito manda conselhos, exortações, instruções sobre o modo de governar a Igreja, etc.

Em todo o Novo Testamento não há um só compêndio ordenado da doutrina cristã, nada que se pareça com um manual, um código, um catecismo destinado a substituir o magistério vivo e ser para o futuro o canal exaustivo do ensinamento cristão. À vista deste caráter evidentemente ocasional de todos os livros inspirados do N.T., como afirmar que só a Bíblia é fonte de fé, que só nela se encerram todas as verdades religiosas?

Os Apóstolos na Ascensão do Senhor.

Há mais. Os próprios apóstolos que deixaram escritos e precisamente os que por último escreveram, são os primeiros a declarar que não escreveram tudo, são os primeiros a insistir em que se conserve a tradição do seu ensino oral. S. João remata o seu Evangelho advertindo que Jesus fez muitas outras coisas que não se acham escritas no seu livro nem em livro algum (cf. Jo 20, 30; 21, 25). O mesmo apóstolo termina as suas duas últimas epístolas dizendo expressamente que não quis confiar tudo à tinta e ao pergaminho, reservando para o comunicar de viva voz: os ad os loquemur (cf. 2Jo, 12; 3Jo, 14).

S. Paulo não se cansa de inculcar a necessidade da tradição oral. Aos tessalonicenses: “Estai firmes, irmãos, e conservai as tradições que aprendestes ou de viva voz ou por epístola nossa” (2Ts 2, 15). Na mesma carta: “Nós vos prescrevemos […] que vos aparteis de todos os irmãos que andem desordenadamente e não segundo a tradição que receberam de nós” (2Ts 3, 6). A Timóteo: “O que de mim ouviste por muitas testemunhas, ensina-o a homens fiéis que se tornem idôneos para ensinar aos outros” (2Tm 2, 2). Aí está claro o ensino vivo,  transmitido por tradição de uns a outros. O apóstolo já velho, nas vésperas do martírio, adverte a Timóteo a necessidade de prover quem continue o seu magistério. Nada de livre exame das Escrituras; sempre o ensino oral feito por mestres autorizados.

Nas suas duas epístolas ao mesmo discípulo, insiste ainda São Paulo para que conserve o bom depósito: “bonum depositum custodi” (1Tm 6, 20; 2Tm 1, 14). Com os corintos, na sua primeira epístola, congratula-se porque haviam conservado as suas tradições orais: “sicut tradidi vobis, praecepta mea sustinetis” (1Cor 1, 14).

De todos estes textos o Sr. C. Pereira nem uma palavra! Em vez de cantar em todos os tons o mesmo estribilho: a Bíblia, e só a Bíblia, fora melhor que a patenteasse aos seus leitores e lhes dissesse sinceramente: “Julgai. Em todo o N.T. nem uma só vez se propõe explicitamente ou implicitamente a regra protestante.  Em mil lugares diversos se inculca a necessidade do ensino vivo, a importância de conservar a tradição, a insuficiência da Escritura, que, segundo afirma S. João, não encerra tudo o que ensinou o Salvador. Jesus Cristo nunca mandou aos seus discípulos que folheassem em um livro para achar a sua doutrina, mandou pelo contrário aos fiéis que ouvissem aos que Ele mandara pregar: Quem vos ouve, a mim ouve; se algum não ouvir a Igreja, seja considerado como infiel e publicano, isto é, não pertencente à minha Igreja; se algum não vos receber nem ouvir as vossas palavras, saindo da casa ou da cidade, sacudi o pó dos sapatos; Pai, oro, não só por esses (apóstolos), mas por todos os que hão de crer em mim mediante a sua palavra a fim de que sejam todos uma coisa só. Foi Jesus ainda quem prometeu o seu Espírito de Verdade, a sua assistência espiritual, todos os dias até à consumação dos séculos, para que os apóstolos, vivendo moralmente em seus sucessores, continuassem até ao fim dos tempos a ensinar sempre tudo o que Ele nos mandou. Eis, meus caros leitores, o que diz a Bíblia”.

Assim devera falar o Sr. C. Pereira, se desejasse ser sincero e realmente lhe interessasse o conhecimento exato e fiel das Escrituras. Mas é mais fácil repisar o estafadíssimo chavão: A Bíblia, só a Bíblia. É mais cômodo passar a esponja na história e continuar a escrever: Roma fecha a Bíblia; só a Reforma abriu aos povos o Livro da palavra de Deus.

Referências

  1. Trata-se de Eduardo Carlos Pereira (1855-1923), mineiro de origem que durante vários anos lecionou português e latim no estado de São Paulo. Foi uma das principais vozes do presbiterianismo em terras brasileiras no século XIX e inícios do século passado. Publicou, por volta de 1920, um estudo intitulado O Problema Religioso do América Latina, de tom marcadamente anti-católico. Foi contra as afirmações contidas nesta obra que o Pe. Leonel Franca escreveu, em 1922, o livro A Igreja, a Reforma e a Civilização, de cuja 5.ª edição são transcritas no presente artigo apenas alguns trechos (Equipe CNP. Todas as demais notas são do autor).
  2. O contexto mostra evidentemente que scrutamini é forma de indicativo, não de  imperativo.
  3. Que pena terem eles ficado no tinteiro do erudito pastor.
  4. Em duas admiráveis conversões relatadas por S. Lucas salienta-se com admirável relevo a necessidade do ensino oral. Saulo, prostrado no caminho de Damasco pergunta a Jesus: Senhor, que quereis que eu faça? — Levanta-te, entra na cidade, e aí te dirão o que deverás fazer. Act., IX, 6. Não lhe dá uma Bíblia. — Voltava de Jerusalém o eunuco  da rainha Candace de Etiópia e lia Isaías. Filipe, apóstolo, movido pelo Espírito Santo  aproxima-se e pergunta-lhe: crês porventura que entendes o que estás lendo? — E como o poderei entender, torna o eunuco, se não houver alguém que mo explique? Sobe então o apóstolo ao carro e, tomando ocasião do passo que acabara de ler, evangeliza-o e administra-lhe o batismo. Act., VIII, 26, sgs. — Onde a suficiência da Escritura interpretada pelo livre exame?

Notas

  • Transcrição de Pe. Leonel Franca, A Igreja, a Reforma e a Civilização. 5.ª ed., Rio de Janeiro, Vozes, 1948, pp. 212-217.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

Você é torre forte ou cata-vento?
Espiritualidade

Você é torre forte ou cata-vento?

Você é torre forte ou cata-vento?

O que você prefere ser: uma torre forte ou uma ventoinha? Escravo do medo do “que dirão?”, ou escravo da sua consciência?

Dom Tihamer Toth12 de Julho de 2018
imprimir

Nas pequenas cidades da Idade Média, encontram-se, não raro, vestígios de fortalezas e castelos; e, mesmo onde as construções estão reduzidas a algumas pedras, não é difícil achar quase intacta a alta torre do velho castelo.

Ora, essas torres que viram desaparecer tantos séculos e que a seus pés contemplam, com olhar impassível, o turbilhão da vida moderna, como dão bem uma ideia do caráter firme! Ao lado delas, tudo muda, tudo se transforma, tudo evolui: vende-se e compra-se; delas, porém, nada nem ninguém pode alterar o granito.

Antigas torres são o símbolo do caráter inabalável do homem que cumpre o seu dever virilmente. Outrora, a torre era o melhor refúgio dos habitantes do castelo; hoje, o homem de caráter firme é o melhor sustentáculo da sociedade. “Nunca abandone o lugar em que a vocação o colocou, e cumpra-lhe todos os deveres”, parecem nos dizer aquelas pedras mudas. “Considere o número de anos exigidos para a minha construção, quantas pedras foram necessárias, quanto trabalho, quanta boa vontade e quanto suor! Mas tudo isso não foi em vão. Sobrevivo a centenas e centenas de anos!”.

Por acaso, meu jovem, não se deixa desalentar facilmente na sua boa vontade? Quantas vezes não se arrojou pelo bom caminho, cheio de ardor juvenil? Quantas vezes não prometeu trabalhar seriamente no desenvolvimento do seu caráter? Mas, depois de algumas horas, de alguns dias, quando muito, a chama do entusiasmo apagava, o ardor desaparecia, e você tornava a ser o mesmo, não é verdade? Foram precisos anos, dezenas de anos talvez, para levantar a torre; e você, quereria se tornar homem de caráter num só dia!

Bem sabe, todavia, que se o caminho do pecado é agradável e semeado de flores deliciosas no começo, logo desilusão terrível nele aguarda o pecador; e que, se é difícil ser virtuoso no início, esse caminho em breve se torna cada vez menos duro, e sempre, no seu final, se acha a paz de uma consciência tranquila.

Mas, que é que eu vejo lá, no cume daquela velha torre? Aquela coisa que nunca fica no lugar, que vira para a direita e para a esquerda? Um cata-vento! Não tem direção fixa nem base estável. Vejo-me quase tentado a dizer que ela não tem princípios nem caráter, porque, se os tivesse, por mais que o vento soprasse, ela não lhe obedeceria.

Abandonar seus princípios, agir contra as próprias convicções, por ser mais cômodo, porque isso assegura uma carreira melhor, porque, em volta de si, o vento sopra de outro lado, é próprio de cata-vento. Mas me diga, amigo, merece o nome de homem aquele que nas suas ações, princípios e convicções se deixa guiar pelas circunstâncias exteriores e pelos conselhos de “companheiros”?

E, no entanto, quantos desses jovens não há! Você conhece dúzias deles, e eu também. São todos os que não sabem andar com os próprios pés, que espiritualmente são menores ainda, que olham sempre à direita e à esquerda para ver o que o vizinho faz.

Eis aqui um a quem a consciência avisa: “Não leia esse livro, ouvi dizer que ele é cheio de imundície moral. Por que deixaria a veste branca da sua alma se arrastar na água podre desse pantanal infecto?”. “Está bem, não o lerei”. Chega, porém, um colega: “Oh! Santinho do pau oco, criança!”, escarnece. “Eu, criança?”, e pega o livro, e o lê até a última linha e emporcalha a alma na lama que ele traz.

Agora outro, a quem a consciência diz ainda: “Não vá à exibição de tal peça, de tal filme! Deixe tal companhia perigosa!”. “Como fazer? Os outros vão lá; eles assim se divertem bastante. Serei o único contrário?”.

Ora, meu filho, é exatamente esse o modo de pensar e de agir dos cata-ventos.

Pois bem, escolha. O que prefere ser: uma torre forte ou uma ventoinha? Escravo do medo do “que dirão?”, ou escravo da sua consciência?

Escravo da própria consciência! Este título se lê como se fosse um romance de detetives”, você pensa. Mas se engana. Quando se pode dizer de um jovem que ele é senhor da sua vontade e escravo da própria consciência é a maior honra que se lhe pode fazer. Se é capaz de ser contínua e invencivelmente fiel a tudo o que a consciência manda, você é um jovem de nobre caráter.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

Os pais são culpados dos pecados de seus filhos?
Educação

Os pais são culpados
dos pecados de seus filhos?

Os pais são culpados dos pecados de seus filhos?

Os maus pais, diz São João Crisóstomo, são “piores que os assassinos de seus próprios filhos”, pois, enquanto estes “separam a alma do corpo, aqueles lançam-lhes corpo e alma no fogo do Inferno”.

São João Crisóstomo12 de Julho de 2018
imprimir

Saibamos que Deus não suportará de boa mente a negligência com que são tratados aqueles por quem tanto se preocupa. Pois Ele mesmo não pode ter feito tanto para salvá-los e, ao mesmo tempo, pouco se importar que os negligenciem. Não, Deus não dará de ombros, mas se ofenderá e irritará veementemente.

Por isso, o bem-aventurado Paulo continuamente nos exorta, dizendo: “Pais, criai vossos filhos na disciplina e correção do Senhor” (Ef 6, 4). Porque, se estamos obrigados a zelar pelas almas deles como quem há de prestar contas por elas (cf. Hb 13, 17), com maior razão o está o pai que os gerou, que os criou, que convive com eles sob o mesmo teto.

Ora, assim como o pai não tem escapatória nem desculpa dos próprios delitos, tampouco o tem em relação aos dos filhos. E isto, é mais uma vez o bem-aventurado Paulo quem no-lo esclarece. Com efeito, ao determinar como devem ser os que hão de mandar nos outros, entre todas as qualidades que diz lhes serem necessárias, exige também o do cuidado dos filhos (cf. 1Tm 3, 4), insinuando que um pai já não pode ter esperança alguma de perdão se seus filhos se perderem.

E justamente. De fato, se os homens fossem viciosos por natureza, poderiam com razão desculpar-se de seus atos; mas como nos tornamos bons ou maus por livre escolha, que justificativa, afinal, poderá alegar o pai que permite que se extravie e corrompa aquele a quem ama mais do que tudo?

Dirá acaso que não quis fazê-lo bom? Mas quem, sendo pai, diria semelhante coisa, já que a própria natureza o desperta e move para cumprir esse dever?

Dirá talvez que não o pôde? Tampouco, porque, tendo-o no colo desde pequeno, posto sob seus cuidados e sua primeira e única autoridade, vivendo ainda na mesma casa, poderia facilmente e sem dificuldade tê-lo educado.

De sorte que não se pode achar outra origem para o extravio dos filhos que o louco afã dos pais pelos bens mundanos. O não olhar senão para eles, o não julgar nada preferível a eles, obriga-os a descuidarem tanto da própria alma como da dos filhos.

A estes pais — e ninguém pense que é a ira que me leva a dizê-lo —, eu não recearia qualificá-los como piores que os assassinos de seus próprios filhos. Estes, com efeito, separam a alma do corpo; aqueles, porém, lançam-lhes corpo e alma no fogo da Geena. Àquela morte todos, por lei natural, se devem submeter; mas esta última seria possível evitar, se não a acarretasse a negligência dos pais.

Acrescente-se a isso que a morte do corpo será rapidamente destruída com a chegada da ressurreição; mas a morte da alma, ao contrário, não terá consolo, porque não só não a espera mais salvação alguma, senão que terá ainda de sofrer forçosamente tormentos eternos. Daí que tenhamos dito, não sem razão, que tais pais são piores que os assassinos de seus filhos.

Não, não é crime tão horrível amolar a espada, pô-la em riste e umedecê-la na garganta do próprio filho quanto perder e corromper uma alma, pois nada, de fato, se compara a tamanho atentado.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

Para que serve a infalibilidade da Igreja?
Doutrina

Para que serve
a infalibilidade da Igreja?

Para que serve a infalibilidade da Igreja?

O bem-aventurado Cardeal Newman explica em que consiste a infalibilidade da Igreja e faz uma profissão de fé por todos os católicos do mundo.

Beato John Henry Newman12 de Julho de 2018
imprimir

Na sua plenitude, o poder da infalibilidade da Igreja é tão formidável quanto o mal gigantesco que o fez nascer. Pretende, quando exercido de modo legítimo (porque de outro modo deveria, naturalmente, ficar inerte) conhecer com certeza e nos menores detalhes o sentido exato de todas as partes da mensagem divina que Nosso Senhor confiou aos Apóstolos.

Pretende conhecer seus próprios limites e decidir o que pode ou não pode decidir, de modo absoluto. Pretende, além disso, defender questões que não são diretamente religiosas, pelo menos para determinar se elas implicam alguma relação indireta com a religião e, em certos casos particulares, para julgar de modo absoluto se vão de acordo com a verdade revelada.

Reivindica a autoridade de decidir como mestre, de modo infalível ou não, se tais ou quais afirmações, no seu espírito ou nas suas consequências, são de natureza a prejudicar o depósito da fé e, segundo o caso, de as autorizar, interdizer ou condenar.

O Cardeal Newman, em pintura de John Everett Millais.

Defende para si o direito de impor silêncio em todas as matérias e controvérsias doutrinais, que, em virtude do seu próprio ipse dixit, declara perigosas, inúteis ou inoportunas. Qualquer que seja o modo de ver dos católicos sobre tais atos, proclama que eles os devem aceitar com os sinais de respeito, de submissão e fidelidade que os ingleses, por exemplo, tributam ao rei; sem os criticar, sob pretexto de serem inoportunos no fundo, violentos ou severos na forma.

Reclama, por fim, o direito de infligir castigos espirituais, de cortar os habituais socorros de vida divina e, simplesmente, de excomungar os que recusam submeter-se às suas declarações formais.

Tal é, vista no seu aspecto exterior, revestida e cercada pelos atributos da alta soberania, a infalibilidade que reside na Igreja Católica. Repetindo o que acima afirmei, trata-se de um poder supereminente e prodigioso, enviado à terra para combater e dominar um mal gigantesco.

Agora, após descrevê-lo, professo minha absoluta submissão às suas exigências. Creio no conjunto do dogma revelado como foi ensinado pelos Apóstolos, confiado por eles à Igreja e por ela imposto à minha inteligência. Aceito-o baseado na interpretação infalível da autoridade a quem foi confiado por Deus e (implicitamente) tal qual for interpretado pela mesma autoridade até o fim dos tempos. Submeto-me também às tradições da Igreja universalmente aceitas, que contêm a matéria das novas definições dogmáticas feitas no decurso dos séculos e que em todas as épocas constituem, por assim dizer, o revestimento e a ilustração do dogma católico já definido.

Submeto-me, igualmente, às outras decisões da Santa Sé, quer teológicas, quer não, transmitidas pelos órgãos competentes que, mesmo sem levar em conta a questão da infalibilidade, por títulos mais modestos, exigem o meu assentimento.

Considero ainda que, pouco a pouco, no curso do tempo, as investigações da verdade católica tomaram verdadeira ciência com método e vocabulário próprios, sob a direção intelectual dos grandes espíritos de Santo Atanásio, Santo Agostinho e Santo Tomás. De nenhum modo sinto a tentação de reduzir a frangalhos esta grande herança de pensamento, que nos foi assim transmitida para os dias atuais.

Tal é a profissão de fé que faço ex animo por mim e por todos os católicos do mundo.

A primeira reflexão que virá ao espírito é que a inteligência irriquieta da humanidade comum, todo esforço pessoal e toda ação independente serão reprimidos; se for este o meio de pô-la em ordem, não se manterá na ordem senão para ser destruída. Mas este está longe de ser o resultado real, longe do que é, a meu ver, a intenção da sublime providência que nada mais pretendia do que um grande remédio para um grande mal.

Não é isto, com efeito, o que ressalta historicamente do conflito, no passado, entre a infalibilidade e a razão, nem a perspectiva do que será no futuro. A energia da inteligência humana “cresce na razão direta da oposição”; desenvolve-se com alegria, com um vigor rude e flexível sob os terríveis golpes da arma forjada pela mão divina e nunca se acha tanto na posse de si mesma como quando acaba de ser derrotada.

Costumam pensar os escritores protestantes que há dois grandes princípios que exercem influência na história da religião, a autoridade e o livre exame, sendo-lhes atribuído este último enquanto nós herdamos o primeiro para sermos por ele esmagados. Não é assim; é o mesmo grande corpo católico, somente ele, que pode fornecer o campo aos dois combatentes para esse duelo terrível e sem fim.

Monumento retratando o Papa Pio VII, na Basílica de S. Pedro.

Para a vida mesma da religião, encarnada nas suas grandes obras e na sua história, é necessário que esta guerra continue sem interrupção. Todo exercício da infalibilidade é provocado por uma atividade intensa e multiforme da razão, ora sua aliada, ora sua irredutível adversária. Mesmo terminada a sua tarefa, provoca reações da razão. Como no governo civil o Estado vive e sustenta-se pelo entrechoque dos partidos e das rivalidades, pela alternativa de triunfos e de derrotas, a cristandade oferece-nos aos olhos, não um simples quadro de absolutismo religioso, mas, à semelhança da maré, o espetáculo do fluxo e refluxo da autoridade e do livre exame.

É uma vasta reunião de seres humanos dotados de inteligência rebelde e movidos por paixões selvagens que se fundem em um todo, graças à beleza e a majestade de um poder sobre-humano; reunidos no que se poderia chamar uma grande escola de correção e de aperfeiçoamento; não como em algum hospital revolvendo-se no leito de enfermo, ou sepultados vivos em alguma prisão mas, se me é permitido mudar de metáfora, como em uma oficina moral destinada a fundir, a purificar e a moldar, por um processo contínuo e ruidoso, a matéria bruta da natureza humana, perigosa mas excelente e capaz de realizar os desígnios de Deus.

Diz São Paulo que o poder apostólico não lhe foi dado para a destruição, mas para edificação. É o que melhor define o papel da infalibilidade da Igreja. É um suplemento às necessidades e não vai além. Seu objetivo e sua eficácia não são de enfraquecer a liberdade ou o vigor do pensamento humano nas especulações religiosas, mas de conter e controlar as extravagâncias. Quais as suas grandes realizações no domínio da teologia? Jazem aniquilados o arianismo, o eutiquianismo, o pelagianismo e o maniqueísmo, o luteranismo e o jansenismo. Tal a amplidão do resultado conseguido no passado.

Venhamos agora às garantias que nos oferece para o futuro.

Em primeiro lugar, a infalibilidade não pode sair de um domínio de ideias bem determinado, e, em todas as decisões ou definições (como são chamadas), deve deixar bem claro que não foge a estes limites. As grandes verdades da lei moral, da religião natural e da fé apostólica são ao mesmo tempo seus limites e seus fundamentos. Não os pode ultrapassar e a eles deve sempre referir-se.

Seu objeto e os artigos deste objeto lhe são fixados. Deve declarar-se sempre guiada pela Escritura e pela Tradição. Deve submeter-se às verdades que põe em relevo ou, segundo o termo mais corrente, que ela define. No futuro nada me pode ser proposto como fazendo parte da fé senão o que eu já admito; se o não admitia antes, é porque ainda não fizera meu esse aspecto da fé. Nada de natureza diversa e muito menos contrária me pode ser imposto.

A nova verdade promulgada, se é que se pode chamar nova, deve ser, pelo menos, homogênea, análoga e estar de modo implícito na antiga verdade. Deve ser tal, que eu mesmo a possa supor ou desejá-la compreendida na revelação apostólica; enfim, deve ser tal que meus pensamentos concordem com ela ou a ela se incorporem, apenas acabe de ouvi-la.

É possível que, como eu, outros tenham sempre admitido esta verdade novamente promulgada e a única coisa que se decidiu a meu favor foi que, daqui por diante, posso ter a satisfação de saber que sempre considerei verdadeiro somente o que os Apóstolos creram antes de mim.

Referências

  • John Henry Newman. Apologia pro vita sua, ou História das minhas Opiniões Religiosas (trad. port. de F. Machado da Fonseca). São Paulo: Paulinas, 1963, pp. 323-327.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

Maria Goretti, “um anjo em carne humana”
Santos & Mártires

Maria Goretti, “um
anjo em carne humana”

Maria Goretti, “um anjo em carne humana”

“Sustentada pela graça celeste, à qual correspondeu com vontade forte e generosa, Santa Maria Goretti entregou a vida sem perder a glória da virgindade.”

Papa Pio XIITradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere5 de Julho de 2018
imprimir

Deus sapientíssimo, querendo remediar a inconstância de muitos jovens dos nossos tempos, dignou-se enviar à Igreja logo no início do século passado um exemplo preclaro de amor à pureza e fortaleza constante na fidelidade a Cristo.

Trata-se de Santa Maria Goretti, cuja memória litúrgica celebramos amanhã, dia 6 de julho, e que, apesar de sua origem humilde e desconhecida, mereceu ser chamada durante seu processo de canonização um “grande e estupendo milagre” e “espetáculo digno do céu”.

A fim de render as homenagens que merece esta santa menina, cujo corpo frágil, resistindo até a morte, pôde manter com heróica fortaleza a integridade da alma, transcrevemos abaixo a homilia pronunciada em 1950 pelo Venerável Papa Pio XII [1] um dia após declará-la solenemente santa.


Veneráveis irmãos e filhos diletos:

A virgindade é um gênero de vida angélico” [2], que a religião cristã elevou a tão excelso grau de beleza que se nos afigura algo maior do que a terra e digno do céu; e se lhe acrescentamos a palma do martírio, torna-se algo que à suavidade e pureza da graça vem juntar uma inabalável fortaleza; e, contemplando-a, somos levados à prática daquelas virtudes, daqueles atos heróicos a que nos obrigam os mandamentos cristãos. Tudo isso, pois, vemo-lo na virginal menina Maria Goretti, a quem Nos foi dado coroar ontem com a glória dos santos do céu.

Maria Goretti nasceu em uma família pobre, que, para alimentar com trabalho honesto a crescente prole, teve de abandonar a pequena cidade natal e migrar para a região do Lácio, onde, pelo cultivo do campo, proveria aos filhos um pouco de sustento.

Criança reza em frente às relíquias de Santa Maria Goretti.

Como fosse dotada de pureza de alma, unida a certa prontidão para o trabalho, desde pequena Maria Goretti se portou de tal modo que não só se distinguia pelos bons costumes, mas também se destacava pela diligente e incansável dedicação com que, solícita e serena, assistia a mãe nos cuidados domésticos.

Analfabeta, foi dela que Maria Goretti aprendeu os rudimentos da doutrina cristã, que ela cuidadosamente buscava gravar no coração; e nada lhe era mais grato, nada mais doce do que ir sempre que possível à igreja, longe de casa, para ali ser instruída na religião católica e, aos pés do do altar de Deus e da bem-aventurada Virgem Maria, fazer suas abrasadíssimas orações.

Quando enfim se lhe permitiu aproximar-se da mesa eucarística e nutrir-se com a pastagem celeste, ela o fez com tão zelosa piedade, com tão flagrante caridade, que, mais do que uma menina, parecia um anjo em carne humana. Dali mesmo hauriu a força divina pela qual, poucos meses mais tarde, antes de completar doze anos, pôde lutar vitoriosamente até a morte, a fim de preservar intacto e incontaminado o alvo lírio de sua inocência e apresentá-lo, purpurado com o sangue do martírio, ao divino Autor de sua vida virginal.

Foi acérrima a batalha, como todos sabem, que esta inofensiva virgem teve de enfrentar; uma agitada e cega procela despenhou-se repentinamente sobre ela, procurando-lhe manchar e violar a angélica pureza. Mas, apesar do gravíssimo perigo em que se encontrava, ela pôde repetir ao Redentor essas palavras do célebre livro A imitação de Cristo: “Ainda que eu seja tentado e vexado com muitas tribulações, nada temerei, enquanto estiver comigo a vossa graça. Ela é a minha fortaleza; ela me dá conselho e amparo. Ela é mais poderosa do que todos os inimigos” (l. III, c. 55). Assim, sustentada pela graça celeste, à qual correspondeu com generosa e forte vontade, Maria Goretti entregou a vida sem perder a glória da virgindade.

Na vida desta humilde menina, que esboçamos em linhas gerais, é-nos permitido entrever um espetáculo, veneráveis irmãos e filhos queridos, não só — como dissemos — digno do céu, mas digno ainda de ser contemplado com admiração e veneração por este nosso século. Aprendam os pais e mães de família o quanto é importante educar reta, santa e corajosamente os filhos que Deus lhes confiou e conformá-los às leis da religião católica, de tal maneira que, quando lhes for provada a virtude, eles possam, com o auxílio da graça divina, sair ilesos, íntegros e imaculados.

Aprenda a jovial infância, aprenda a animada juventude, não a precipitar-se em alegrias vãs e passageiras, nos prazeres enganadores do vício — que destroem a pura inocência, que geram uma terrível tristeza, que debilitam antes do tempo as forças da alma e do corpo —, mas antes a lutar vivamente, enfrentando embora desafios árduos e difíceis, por aquela perfeição moral cristã que todos nós, com vontade firme, ajudada com os dons celestes, esforço, trabalho e oração, podemos alcançar um dia.

Aprenda enfim este débil mundo, excessivamente propenso às coisas mais baixas, a venerar e imitar a invencível fortaleza desta virginal menina. Olhai todos para este lírio do campo, rescendendo suavíssimo odor, para estas fulgentes palmas do martírio, e compreendei o quanto os valores cristãos são capazes de moderar e educar devidamente os homens e o quanto as alegrias celestes — conquistadas ao preço da inocência de vida, preservada incólume, e da virtude laboriosamente adquirida — superam e excedem as vãs concupiscências, visto que apenas Deus pode domar e tranquilizar a alma humana e satisfazer suas infinitas aspirações.

Nem todos, é verdade, estão chamados a encarar o martírio; todos, porém, somos chamados a adquirir a virtude cristã. A virtude, no entanto, requer força, a qual, se bem não atinja o cume da fortaleza desta angélica menina, nos exige contudo esforço diuturno, diligentíssimo e incessante até o fim da vida. Esforço que, por isso mesmo, pode chamar-se um lento e contínuo martírio, para cuja realização nos adverte essa divina sentença de Jesus Cristo: “O Reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam” (Mt 11, 12).

A este fim, pois, dirijamos os nossos esforços, apoiando-nos na graça divina; a isto nos excite o exemplo da santa virgem e mártir Maria Goretti; e que ela, do trono celeste donde goza a eterna bem-aventurança, por suas preces nos alcance do divino Redentor que todos nós, cada um em sua própria e peculiar condição de vida, sigamos alegres, prontos e operantes os seus memoráveis passos.

Referências

  1. Cf. Pio XII, Homilia de 24 jun. 1950, por ocasião da solene canonização de S. Maria Goretti (AAS 42 [1950] 580-582).
  2. S. João Damasceno, De fide orthod., 1.4.24 (PL 94, 1210).

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.