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Onde puseram o Menino Jesus?
Espiritualidade

Onde puseram o Menino Jesus?

Onde puseram o Menino Jesus?

Antes que comece o Natal, e as trocas de presentes em família, antes que todos comecem a fazer festa, permitam-nos apregoar em voz alta, permitam-nos colar cartazes com “procura-se”, permitam-nos denunciar: roubaram o Menino Jesus!

Equipe Christo Nihil Praeponere3 de Dezembro de 2019Tempo de leitura: 4 minutos
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Antes que comece o Natal, e as trocas de presentes em família, antes que todos comecem a fazer festa, permitam-nos apregoar em voz alta, permitam-nos colar cartazes com “procura-se”, permitam-nos denunciar que roubaram o Menino Jesus!

Gostaríamos muito que se tratasse apenas de uma anedota, como no tal Natal de Ângela, em que uma mocinha “rouba” de uma igreja a imagem do Divino Infante só porque achava, em sua inocência, que o menino estava com frio e precisava agasalhar-se. Mas não... Estamos diante de um roubo criminoso, sem arrependimento e intenção alguma de restituição. Roubaram o Menino Jesus e, poderíamos dizer com o Evangelho, “não sabemos onde o puseram” (Jo 20, 2).

Roubaram o Menino Jesus do ambiente público, no qual Ele sempre teve lugar de destaque, especialmente nesta época do ano. Os enfeites natalinos nas praças, comércios e repartições públicas incluem Papais Noéis, renas voadoras, árvores decoradas, mas o presépio cristão está cada vez mais difícil de encontrar. Em muitos lugares, especialmente na Europa, hoje tomada por muçulmanos, os termos natalinos cristãos são banidos em nome da tolerância e do respeito às outras religiões. O “Feliz Natal” de sempre há muito que se converteu em um vago e laico “Boas Festas” (ou Férias). O acontecimento histórico que deu origem à celebração foi reduzido a um artigo de fé meramente privada, de forma que, se uma pessoa quiser passar essa época do ano sem ouvir uma única vez o nome de Jesus (dependendo, é claro, dos ambientes que ela frequenta ou deixa de frequentar), o certo é que não terá muitas dificuldades em fazê-lo.

Roubaram o Menino Jesus do seio de nossas famílias trocando orações, novenas e idas à Missa por começões, bebedeiras e visitas ao shopping. O Natal se converteu quase que literalmente em uma “magia”: é preciso rir ainda que não se saiba por quê, é preciso festejar ainda que não se saiba o quê, é preciso seguir em frente ainda que não se saiba para onde. Pois foi roubado o Único que poderia dar real sentido à celebração, e verdadeira felicidade aos que celebram.

Roubaram o Menino Jesus de nossas casas, onde Ele deveria ocupar uma posição toda especial, ensinando às crianças que Deus, dois mil anos atrás, escolheu descer à baixeza e inocência delas. 

Mas que crianças, se também elas foram roubadas dos lares, antes mesmo de serem concebidas, trocadas pelas mais novas tecnologias do momento, pelo último lançamento de um carro e pelas viagens anuais à praia? Que crianças, se as famílias modernas decidiram não as ter e, se as tiveram, já cuidaram de sacrificá-las impiedosamente ao mundo, deixando que consumissem tudo o que ele lhes oferece, e que lhes fosse roubada desde cedo justamente a inocência que fazia delas crianças? Se todas as vezes que alguém recebesse uma criança, receberia o próprio Senhor, como Ele mesmo declarou (cf. Mt 18, 5), não é verdade que nossa aversão aos filhos é também uma aversão ao próprio Jesus? Que a recusa dos casais em serem fecundos impede que o próprio Menino Jesus nasça em suas casas?

Roubaram o Menino Jesus também de nossas igrejas, e isso nunca se poderá deplorar o suficiente. Primeiro, tiraram-no dos cibórios para o atirarem ao chão, porque não trataram com zelo o Santíssimo Sacramento. Depois, substituíram a celebração do Deus que se fez criança para nossa salvação por uma celebração grotesca do próprio “eu”. Nossas liturgias estão cada vez mais voltadas para o homem e menos centradas nEle. As pessoas sequer sabem direito o que estão fazendo na Missa, perdidas em meio aos teatros, às dancinhas e às músicas cada vez mais barulhentas dos “ministérios”, às criatividades cada vez mais absurdas dos celebrantes e às palmas cada vez mais efusivas do “auditório”. O padre fala com o povo, o povo fala com o padre, mas com Deus mesmo ninguém fala.

Roubaram o Menino Jesus, isso é triste; roubaram-no, mas ninguém se deu conta, e isso é pior ainda.

Repetimos acima a frase de Santa Maria Madalena, que não sabia onde haviam colocado o Senhor, mas agora não é o caso: nós sabemos onde o Menino Jesus está. A doutrina católica diz que, numa alma que crê e está em estado de graça, habita a Santíssima Trindade como um amigo. Pela fé, portanto, sabemos onde se esconde o Deus menino: Ele se encontra em toda alma que procura amá-lo e cumprir com os seus mandamentos. 

Talvez seja ao redor dessas almas que devamos celebrar o nosso Natal, ao redor de amigos que buscam a Deus. Mas se, infelizmente, as circunstâncias fazem com que nossas famílias, com quem passaremos esses dias, ainda estejam distantes de Cristo, que nossas conversas e nosso modo de viver possam despertar em seus corações a ânsia de procurar pelo Menino que há tanto tempo foi roubado de seus corações… sem que eles sequer lhe tenham notado a ausência.

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Uma reflexão sobre São João Maria Vianney
Santos & Mártires

Uma reflexão sobre
São João Maria Vianney

Uma reflexão sobre São João Maria Vianney

Embora os santos sejam a resposta para as crises do mundo, eles não ambicionam sê-lo — e provavelmente sequer se tornariam santos se o fizessem. O que eles querem é amar a Deus apaixonadamente, apesar das crises.

Michael PakalukTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere4 de Agosto de 2020Tempo de leitura: 5 minutos
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No dia 4 de agosto de 1859 morria, em sua vila na França, João Batista Vianney, aos 73 anos de idade. A isso se seguiria uma das mais rápidas beatificações e canonizações da modernidade (antes das reformas desses processos, realizadas pelo Papa João Paulo II): Pio X beatificou o Cura d’Ars em 1905, e Pio XI o canonizou em 3 de maio de 1925. 

Há uma famosa citação de São Josemaria Escrivá, de que as crises no mundo são crises de santos (cf. Caminho, 301). Podemos concordar entusiasticamente com a afirmação sem entender precisamente o que ela significa. Seu sentido parece variar tanto quanto podem variar o indivíduo, a crise e a própria santidade. Pensemos em exemplos pertinentes: São Juan Diego, São Thomas More, São John Henry Newman, Santa Teresa de Calcutá e São João Paulo II. Hoje, porém, vamos refletir sobre São João Maria Vianney.

Olhando para trás, Vianney parece ser um dos muitos grandes sacerdotes e religiosos educados logo após a Revolução Francesa e o Período do Terror. Ele testemunhou a execução de sacerdotes e o fechamento de igrejas sob ordens das autoridades civis. Para ele, no entanto, a necessidade de sacerdotes tornou-se mais palpável, não menos. E ele não estava só: entre os que foram ordenados ao diaconato com ele em Lyon estavam Marcelino Champagnat (canonizado por João Paulo II em 1999) e Jean-Claude Colin — fundador dos Maristas.

Embora os santos sejam a resposta para as crises, eles não ambicionam ser “respostas para crises” — e provavelmente sequer se tornariam santos se o fizessem. O que eles desejam é amar a Deus apaixonadamente, apesar das crises. O biógrafo de São João Vianney, Joseph Vianney, interpreta sob esse prisma os famosos esforços dele com o latim e a filosofia.

De uma perspectiva humana, diz Joseph, alguém poderia ter pensado que a crise na França teria sido enfrentada com mais eficácia por uma apologética brilhante na Sorbonne, ou por uma oratória atraente na catedral de Notre-Dame. Mas a Igreja precisava ainda mais de pastores do campo “para demonstrar com a santidade de suas vidas a verdade do Evangelho, no qual as pessoas já não acreditavam mais. A criança de Dardilly fora escolhida dentre todas as outras para ser o modelo daqueles sacerdotes santos, que são indispensáveis para a execução do plano divino”.

Posteriormente, um clérigo levou ao confessionário em Ars um complexo caso de consciência para pedir aconselhamento ao Cura. Ele viu, então, um problema, que havia deixado perplexos os maiores especialistas em teologia moral, ser resolvido de pronto pelo simples pastor, com elegância e persuasão. Questionado por seu irmão no sacerdócio sobre onde havia adquirido um conhecimento teológico tão perspicaz, o santo respondeu apontando para seu genuflexório.

O Cura estava profundamente convencido de suas indignidades, não recebia consolações por causa de sua virtude e orava com fervor para jamais ser alvo de atenção. Por exemplo, através de suas orações, milhares de peregrinos que se dirigiam a Ars eram curados de doenças físicas. Mas, aparentemente, em resposta às orações dele, as pessoas raramente eram curadas no local. Em vez disso, ele lhes dizia para retornarem a casa e fazerem a novena de Santa Filomena — e, no nono dia, elas ficavam curadas, sem alarde e estando bem longe de Ars.

É bastante conhecido o fato de que ele passava de 16 a 17 horas por dia no confessionário. Esse número já é, por si mesmo, impressionante o suficiente. Mas é preciso lembrar, também, de que não havia sistema de aquecimento em sua igreja. Ele costumava gracejar que, no fim do dia, durante o inverno, ele primeiro via os seus pés para só depois os sentir. Dizia ele que costumava apalpar os pés para ter certeza de que ainda estavam lá.

No calor intenso do verão, os peregrinos que esperavam na fila podiam sair da igreja por um momento a fim de tomar um pouco de ar fresco e não desmaiar. Ele, porém, ficava o tempo inteiro atrás de uma cortina, numa caixa, sentindo o hálito dos penitentes e muitas vezes o seu odor, já que a maioria deles era pobre.

E então ele se punha a escutar pecados por 16 ou 17 horas. Era essa a grande causa de seu sofrimento. “Sou tomado pela melancolia nesta terra miserável”, disse ele certa vez a um companheiro no sacerdócio, “minha alma se entristece até à morte. Meus ouvidos não escutam senão coisas dolorosas que me tomam o coração de tristeza”. Seu biógrafo compara a situação a São Pedro sendo obrigado a testemunhar a Paixão 17 horas por dia.

Ele dormia em tábuas por apenas algumas horas na noite e tinha de suportar uma dor crônica. Somente a graça e o amor podem explicar a energia que ele tinha ao longo do dia. Não era possível que uma pessoa sobrevivesse por meios naturais ingerindo uma quantidade tão pequena de comida. Numa etapa posterior de sua vida, por obediência ele passou a comer um pouco de pão e tomar um pouco de leite após a Missa. Seu biógrafo narra este incidente emblemático: “Irmão Jerônimo, que muitas vezes estava presente nessa ligeira refeição, logo percebeu que ele sempre comia primeiro o pão e depois tomava o leite. ‘Mas, senhor cura’, observou um dia quando notou a dificuldade com que o pão era engolido, ‘seria muito melhor se molhasse o pão no leite’. ‘Sim, eu sei’, foi a sua resposta gentil.” 

E era muito mais difícil para um pároco do que para um religioso, ele dizia: “Um sacerdote precisa de reflexão, oração e união íntima com Deus. O cura, no entanto, vive no mundo; ele conversa, envolve-se com política, lê os jornais, fica com a cabeça cheia deles; depois, lê o breviário e celebra a Missa, e infelizmente faz isso como se fosse uma coisa comum!”

De fato… infelizmente! As palavras dele se aplicam a leigos e a sacerdotes seculares. E “estas crises mundiais são crises de santos”.

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Cristãos “esquisitos”?
Sociedade

Cristãos “esquisitos”?

Cristãos “esquisitos”?

Incenso, véus, canto gregoriano e sacramentais estão de volta… E a iniciativa é justamente dos jovens! Mas de onde vem o interesse das novas gerações pela religião? E por que elas se sentem tão atraídas pelas formas tradicionais de culto?

John Horvat IITradução: Equipe Christo Nihil Praeponere4 de Agosto de 2020Tempo de leitura: 4 minutos
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Muitos autores de esquerda têm dificuldade em explicar a atração dos jovens pela religião, particularmente em suas formas mais tradicionais. Em tese, essa atração não deveria existir. Ela dá curto-circuito na lógica das narrativas prediletas da esquerda. Jovens deveriam sentir-se atraídos por narrativas revolucionárias que pregam o progresso e a igualdade. A história, dizem os esquerdistas, é uma sucessão de disputas de poder que dividem as pessoas entre exploradores e explorados. Jovens religiosos não se encaixam na narrativa porque buscam um Deus que é amor e perdão.

Quando esse autores não conseguem identificar a luta de classes nessa atração religiosa, resolvem elaborar uma ladainha de acusações, tachando os jovens crentes de “racistas”, “misóginos”, “homofóbicos” e até “elitistas”.

Recentemente, a jornalista Tara Isabella Burton causou alvoroço com um ensaio publicado em The New York Times, intitulado Christianity Gets Weird [“O cristianismo torna-se esquisito”]. Ela se identifica como uma jovem cristã tradicional, atraída pelas formas externas mais antigas. Ama incenso, véus, canto gregoriano e sacramentais. No entanto, como moça pós-moderna alheia às principais narrativas ocidentais, ela acha difícil explicar sua atração pelo esplendor medieval e pela “pompa histórica” do culto em latim.

Os liberais que acompanham a tendência sentem uma perplexidade semelhante. Eles tentam minimizar essa atração rotulando-a como uma “moda” da juventude. Dizem que a culpa disso é o apego superficial e fetichista a uma “estética sobrenatural”, que os deixa exasperados, e rotulam de “esquisito” aquilo que não conseguem entender. Isabella e muitos outros que se unem a ela online adotaram o rótulo com certa ironia.

Portanto, cristãos “esquisitos” estão aparecendo na cena cultural, muitas vezes em espaços na internet onde podem se reunir e compartilhar suas opiniões.

A jornalista afirma que “cada vez mais jovens cristãos, desiludidos com binarismos políticos, incertezas econômicas e com o vazio espiritual que define a América moderna, encontram alívio numa visão da fé claramente antimoderna”. 

Os membros das gerações Y e Z percebem o vazio do deserto cultural pós-moderno. Também rejeitam o vazio das principais igrejas protestantes, que atenuaram as verdades sobrenaturais e exaltaram trivialidades. Esses peregrinos online detestam os aspectos estéreis, feios e cruéis da vida moderna.

Eles anseiam por algo verdadeiro e profundo. Sua propensão a “voltar” à Idade Média e à fé tradicional é o pior pesadelo de um esquerdista. Este fica perturbado não apenas por causa da atração que esses jovens sentem por um cristianismo vigoroso, mas também por sua rejeição dos fundamentos antimetafísicos da ordem de esquerda, que foram intensificados pela desagregação política e econômica dessa ordem, provocada pelo coronavírus.

O problema dessa corrente contracultural é a sua dificuldade em se definir e se expressar. Seus seguidores jamais conheceram o mundo tradicional, e agora o admiram. São vítimas de uma cultura pós-moderna caótica, destituída de estrutura e estabilidade. Isabella afirma que uma rebeldia “punk” caracteriza o movimento, que parece ser contrário a tudo o que faz parte do establishment, inclusive a economia moderna.  

Esses jovens são movidos pela “ânsia de algo que está além do que a cultura americana contemporânea lhes pode oferecer, algo transcendente, politicamente significativo e pessoalmente desafiador”.

Eles não sabem exatamente o que estão a buscar, mas detectam algo que os fascina e se apegam a isso com paixão. Críticos superficiais rejeitam esse apego, pois acham que a adesão a aspectos externos pode levar a vários perigos.

Mas esses críticos estão errados.

Existe um nome para o que esses jovens cristãos buscam e encontram nas formas tradicionais de culto, como nas Missas em latim, no incenso e nas Vésperas solenes. Eles encontram uma beleza autêntica que toca e eleva sua alma, fazendo-os distanciar-se da feiura da modernidade. O pensamento filosófico ocidental chama essa beleza de sublime.

É com acerto que Edmund Burke considera o sublime a “emoção mais forte que a mente é capaz de sentir”. Ele consiste em coisas transcendentes que provocam fascínio por causa de sua magnificência. É algo que nos convida a superar o egoísmo e a autossatisfação e a olhar para coisas mais elevadas — o bem comum, a santidade e, em última análise, Deus —, coisas que dão sentido e propósito à vida.  

Quer se manifeste em obras de arte, em grandes feitos ou na liturgia religiosa, o sublime fomenta sentimentos de lealdade, dedicação e devoção que podem preencher o vazio do deserto pós-moderno. 

A Igreja se cerca de coisas sublimes, coisas que sem dúvida atraem e convertem as pessoas para o culto e o serviço a Deus (coisas que, infelizmente, foram abandonadas pelos progressistas). Elas são manifestações externas que revelam algo da própria grandiosidade de Deus. A natureza humana se sente naturalmente atraída por elas e por princípios e doutrinas que fascinam o intelecto, em razão de sua lógica e sabedoria.

Os jovens cristãos estão certos ao presumir que as coisas que provocam fascínio são parte de um modo de vida distinto daquele que encontram hoje no mundo. Também estão corretos em sua percepção do colapso irreversível da ordem esquerdista, que nada lhes oferece de sublime. Não há nada de “esquisito” em sua descoberta de uma ordem social cristã que trilha o caminho oposto das alternativas individualistas e estéreis, que são, elas sim, a verdadeira esquisitice na história humana.

Os esquerdistas pós-modernos não se sentem ameaçados quando o cristianismo tradicional aceita ser apenas mais um de tantos elementos no bufê cultural. Porém, quando as pessoas rejeitam a infraestrutura filosófica que sustenta o esquerdismo, eles perdem toda a tranquilidade. 

O problema, para esse sedentos jovens cristãos, não está no objeto de seu fascínio, mas em como dar os próximos passos que levariam, normalmente, a um aprofundamento de sua fé. É preciso ir além da “esquisitice” e abraçar com sinceridade o sublime, em toda a sua plenitude e autenticidade.

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Jejuar ainda? Por quê?
Espiritualidade

Jejuar ainda? Por quê?

Jejuar ainda? Por quê?

O jejum é um dos costumes religiosos mais antigos da história. Sua prática, no entanto, tem sido bastante desprezada por nossa sociedade consumista e sem autocontrole. Por que, então, mesmo assim, a Igreja continua a recomendá-la?

Pe. Blake BrittonTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere31 de Julho de 2020Tempo de leitura: 4 minutos
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O jejum é uma das práticas religiosas mais antigas da história. Hoje, porém, numa sociedade dominada pelo consumismo, pelo materialismo e por uma falta de autocontrole generalizada, a disciplina do jejum é bastante desprezada. A Igreja Católica ainda é uma das poucas instituições no mundo que defende a dignidade dessa prática e a sua importância para a vida espiritual. Portanto, devemos nos perguntar: por que a Igreja é tão “inflexível” a respeito desse antigo costume e quais as origens dele?

S. Basílio Magno, em suas homilias para a Quaresma, observa que o jejum é tão antigo quanto a humanidade. Na verdade, foi a primeira ordem que os seres humanos receberam de Deus: “Não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal” (Gn 2, 17). De acordo com S. Basílio, foi a incapacidade de jejuar que levou à Queda no Éden. O jejum como tal é um dos remédios para recuperar a dignidade original de nossa identidade como filhos de Deus: “Fomos banidos do Paraíso porque não jejuamos. Portanto, jejuemos para retornar a ele” (Hom. 1 sobre o jejum).

S. Basílio reconhece um duplo propósito nessa ordem primordial de jejuar. Primeiro, o jejum ajuda a alma a amadurecer. Qualquer psicólogo reconhecerá que a falta de disciplina e autocontrole são sinais claros de imaturidade. A incapacidade de ser paciente, tomar decisões sensatas e desfrutar com responsabilidade de comida, bebida ou relacionamentos representa uma grave lacuna no desenvolvimento humano. É por isso que a prática regular da autodisciplina por meio do jejum é tão crucial para a vida espiritual. Não se trata apenas de renunciar a algo porque a Igreja assim o determina. Quanto mais praticamos a abstinência, mais maduros nos tornamos, saindo da imaturidade da satisfação imediata para a maturidade do consumo regrado. Pois o jejum é o “companheiro da sobriedade e o artesão do autocontrole” (Ibid.).  

Portanto, o jejum nos ajuda a fomentar uma virtude específica — a saber, o autocontrole, uma qualidade não muito comentada em nossa época. São Paulo o identifica como um dos frutos do Espírito Santo: “O fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança” (Gl 5, 22–23). O termo grego usado por Paulo é enkrateia (ἐγκράτεια), que é composto de duas outras palavras: en (de dentro) e kratos (de uma raiz que significa “aperfeiçoar”). Portanto, ter autocontrole significa literalmente “aperfeiçoar-se desde dentro”. Essa definição nos ajuda a entender melhor a segunda afirmação de S. Basílio a respeito das consequências do jejum.

Para S. Basílio, o jejum feito de forma correta ordena os apetites do nosso corpo para o bem da alma: “Quanto mais negar a carne, mais radiante de saúde espiritual se tornará a alma” (Hom. 2 sobre o jejum). Aqui vemos a influência dos Padres do Deserto na espiritualidade de S. Basílio. Esses cristãos da Antiguidade eram inflexíveis quanto à reconquista da dignidade perdida por Adão no Éden. Reconheciam que o erro de Adão estava relacionado à falta de disciplina. Ele cedeu aos seus desejos mais básicos, perdeu de vista a elevada vocação da humanidade como imago Dei (a “imagem e semelhança de Deus”). Assim, monges como Abbá João (525 d.C.) fizeram o seguinte alerta: “Deveríamos sempre evitar o apego [às coisas terrenas], pois isso é prejudicial à alma”. 

Jesus mesmo ensina que “não só de pão vive o homem” (Mt 4, 4). Os seres humanos não são meros animais. Temos apetites que vão além do carnal. Nossa vontade não está orientada pelo instinto. Deve haver uma razão mais profunda para as nossas ações. Quando meu estômago ronca por causa do jejum, tenho nisso um lembrete da fome espiritual que a minha alma experimenta em todos os momentos da minha existência. Essa também é a lógica do jejum antes da recepção da Sagrada Eucaristia. Por meio do jejum eucarístico, meu corpo fica temporariamente “fundido” à fome da minha alma por Cristo no Santíssimo Sacramento.

A alma anseia constantemente pela misericórdia e bondade de Deus. Estamos alimentando esse desejo ou deixamos a nossa alma faminta? Estamos alimentando o nosso espírito com os alimentos nutritivos da Eucaristia, da Confissão, da Sagrada Escritura e da oração contemplativa? 

Sabemos que o jejum foi parte integrante da vida de Jesus, tanto que passou quarenta dias no deserto abstendo-se de alimento terreno. O Senhor não faz nada por acaso ou sem planejar. Todos os acontecimentos de sua vida nos ensinam algo profundo sobre a nossa própria existência como pessoas e a nossa vocação como cristãos. Encontramos no jejum de Cristo uma forma de participar da vida divina de Deus. Ao crescermos no autocontrole a partir dos nossos impulsos imaturos e ao alimentarmos a nossa alma de forma adequada por meio do jejum, sem dúvida cresceremos na intimidade com o Senhor, que nos ama.

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A justiça social, explicada por um Papa
Doutrina

A justiça social, explicada por um Papa

A justiça social, explicada por um Papa

Um dos maiores pensadores da modernidade, o Papa Leão XIII esboçou para o mundo moderno uma filosofia do homem e da sociedade singularmente católica. Visite neste texto alguns excertos de suas atualíssimas encíclicas.

Piers ShepherdTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere30 de Julho de 2020Tempo de leitura: 10 minutos
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O Papa Leão XIII, cujo nascimento completa 210 anos neste ano, é talvez mais conhecido por seu marianismo. Ele foi um dos maiores promotores do Santo Rosário e foi o primeiro Pontífice a aplicar o título de Medianeira a Nossa Senhora. Porém, ele foi um dos maiores pensadores da modernidade, tendo esboçado para o mundo moderno uma filosofia do homem e da sociedade singularmente católica.

Antes de debatermos os escritos de Leão XIII, é necessário analisar o contexto em que foram elaborados. O nome de batismo de Leão XIII era Vicente Joaquim Pecci. Ele nasceu em 1810, numa Itália em que o Papa era mantido prisioneiro por Napoleão. Apesar da posterior derrota de Napoleão e da restauração dos Estados Pontifícios, as sementes da revolução já haviam sido lançadas, e durante as décadas seguintes a Igreja sofreria constantes ataques dos que buscavam unificar a Itália sob um governo liberal laico. Em 1870, Roma foi ocupada pelo novo Estado italiano. Pela primeira vez em mais de mil anos, o Papa não tinha posses temporais. Quando Leão XIII foi eleito em 1878, foi o primeiro Papa em séculos a não exercer nenhum poder temporal e a ficar integralmente à mercê de um Estado hostil. Leão XIII foi o primeiro Papa a passar seu pontificado inteiro atrás dos muros do Vaticano, impossibilitado de sair, para que não se tornasse vítima de uma agressão secular.

Embora a perda dos Estados Pontifícios tenha sido uma tragédia, ela permitiu que o Papa voltasse sua atenção para assuntos espirituais e para o ensino dos fiéis. Foi nesse contexto que Leão XIII desenvolveu seu grande corpus doutrinal, que procurou abordar os problemas centrais da sua e da nossa época.

As encíclicas de Leão XIII parecem ter sido escritas hoje e lidam com problemas que ainda perturbam a mente da sociedade moderna. Primordiais entre eles estão o papel da religião na sociedade e o problema do indiferentismo religioso, o papel do matrimônio e da família, o problema da criação de uma sociedade justa, e as ideologias que militam contra uma visão cristã da sociedade. 

Na modernidade, estamos acostumados a viver numa sociedade secular que exila a religião para a esfera privada. “Não falamos de Deus”, proclamou há alguns anos um político britânico de destaque. Nada poderia se opor mais à visão católica da sociedade tal como enunciada por Leão, particularmente em sua encíclica Immortale Dei. Embora a Igreja não tenha preferência por nenhum tipo de governo, toda autoridade na sociedade tem origem em Deus e está sujeita à lei divina

Apesar de Igreja e Estado serem domínios com funções distintas, Leão XIII afirma: 

Necessário é, pois, que haja entre os dois poderes um sistema de relações bem ordenado, não sem analogia com aquele que, no homem, constitui a união da alma com o corpo...: um tem por fim próximo e especial ocupar-se dos interesses terrenos, e o outro proporcionar os bens celestes e eternos (n. 19).

Portanto, é terrível para a Igreja defender um conjunto de valores enquanto o Estado arvora-se em princípios completamente opostos aos dela. Na sociedade moderna, todas as religiões são tratadas igualmente como verdadeiras, falsas ou com indiferença. A perspectiva da Igreja é radicalmente diferente. Leão XIII afirma que a obrigação de seguir a verdadeira religião vincula indivíduos e Estados: 

O maior de todos os deveres é abraçar de espírito e de coração a religião, não aquela que cada um prefere, mas aquela que Deus prescreveu e que provas certas e indubitáveis estabelecem como a única verdadeira entre todas. Assim também as sociedades não podem sem crime comportar-se como se Deus absolutamente não existisse, ou prescindir da religião como estranha e inútil, ou admitir uma indiferentemente, segundo seu beneplácito (n. 11). 

O Estado moderno, diz Leão:

não se julga jungido a nenhuma obrigação para com Deus, não professa oficialmente nenhuma religião, não é obrigado a perquirir qual é a única verdadeira entre todas, nem a preferir uma às outras, nem a favorecer uma principalmente; mas a todas deve atribuir a igualdade em direito, com este fim apenas, de impedi-las de perturbar a ordem pública (n. 32).

Relativamente à religião, pensar que é indiferente tenha ela formas disparatadas e contrárias equivale simplesmente a não querer nem escolher nem seguir qualquer delas (n. 37).

Esses ensinamentos parecem severos aos ouvidos modernos, mas realçam uma verdade essencial. A religião é importante. A religião professada por uma pessoa é importante. A religião professada pelos nossos governante é importante. Ela não é um assunto puramente neutro ou privado.

Igualmente inaceitável para o Papa Leão XIII é a prática — tão comum entre os políticos modernos! — de expressar em privado um conjunto de convicções religiosas e morais e outro em público. Como se estivesse prevendo a existência dos políticos contemporâneos [1], Leão XIII escreve o seguinte: 

Não é, tampouco, permitido ter duas maneiras de proceder: uma em particular e outra em público, de modo a respeitar a autoridade da Igreja na vida privada e a rejeitá-la na vida pública; isso seria aliar juntos o bem e o mal e pôr o homem em luta consigo mesmo (n. 59).

É necessário que um Estado tenha sólidos fundamentos religiosos. Mas isso não é tudo o que é necessário a uma ordenação adequada da sociedade. Um dos alicerces de qualquer sociedade estável e civilizada é a família baseada no casamento. A encíclica de Leão XIII Arcanum tinha por objetivo a defesa da união conjugal contra as ingerências de um Estado secular que a considerava apenas um contrato que poderia ser dissolvido como qualquer outro. Na encíclica Rerum Novarum, Leão XIII descreve a família como uma sociedade mais antiga que o Estado, que tem “certos direitos e certos deveres absolutamente independentes do Estado” (n. 6).

Na Arcanum, ele chama ao casamento base da união familiar, seu “início” e “fundamento”. Diz Leão XIII que o casamento “se deve dar somente entre dois, isto é, o homem e a mulher”; e que, “por vontade de Deus, o vínculo nupcial é tão íntima e fortemente unido, que ninguém entre os homens pode desfazê-lo ou rompê-lo” (n. 7). 

Essa afirmação pode não ter sido muito controversa em 1880, mas hoje Leão XIII seria denunciado por “discurso de ódio”. Numa época, porém, em que o “casamento gay” é autorizado pelo Estado e na qual já se fala em normalizar a chamada “não-monogamia consensual” [2], as palavras dele são mais relevantes e revigorantes do que nunca. 

O casamento é mais do que um contrato cujos termos podem ser ajustados para se adequar às preferências modernas. Nas palavras de Leão XIII: “Como o matrimônio seja, naturalmente, por sua própria natureza e força, uma coisa sagrada em tudo, é bem justo que seja regulado e moderado não pelo poder dos príncipes” (n. 29). Em outro ponto ele lança um alerta: “Ninguém se deve deixar impressionar por aquela distinção tão celebrada pelos regalistas com a qual distinguem o contrato nupcial do casamento, com a intenção de deixar o contrato em poder e arbítrio dos chefes de Estado, reservando para a Igreja as razões do sacramento” (n. 35). 

Antevendo a miséria que as leis de divórcio liberais causariam na sociedade, Leão XIII lamentou: 

Em verdade, é custoso ter necessidade de dizer quantas consequências funestíssimas encerra em si o divórcio. Pois por seu meio, tornam-se instáveis os matrimônios; diminui-se a benevolência mútua; prestam-se incitamentos perniciosos à infidelidade; causam-se prejuízos ao bem-estar e à educação dos filhos; dá-se ocasião à dissolução das sociedades domésticas; semeiam-se as sementes da discórdia entre as famílias... Por isso é claro que é um absurdo e uma loucura esperar a salvação pública dos divórcios, que levarão a sociedade à ruína certa (n. 46.54).

Deveríamos prestar atenção nessas palavras, pois as leis de divórcio sem culpa têm se tornado onipresentes em nações outrora conhecidas como cristandade. 

A verdadeira religião e a família fundada no matrimônio são base essencial para uma sociedade que busca o bem comum. Religião e família, porém, são cultivadas de forma mais eficaz no seio de uma sociedade justa do ponto de vista social. Hoje, o termo “justiça social” evoca imagens de esquerdistas agressivos promovendo uma agenda marxista que considera injusta a propriedade privada. Mas a perspectiva marxista ou socialista da propriedade coletiva é inteiramente contrária à imaginada por Leão XIII.

Em sua histórica encíclica Rerum Novarum, Leão XIII defendeu o direito fundamental do homem à propriedade, um direito resguardado pela lei natural. Porém, ele também deixa claro que é desejável que a propriedade seja distribuída da forma mais ampla possível e que, quanto maior o número de proprietários, melhor. A propriedade privada é necessária ao desenvolvimento da família, e todas as famílias devem adquirir propriedade a fim de transmiti-las aos filhos. No entanto, o Papa reconheceu que, na economia moderna, a aquisição de propriedade pode não ser fácil e que um homem, caso queira obter propriedade, deve receber um salário suficiente. Por isso, encorajou os empregadores a pagarem um salário justo para que o trabalhador pudesse garantir uma vida digna para si e para sua família:

O operário que receber um salário suficiente para ocorrer com desafogo às suas necessidades e às da sua família, se for prudente, seguirá o conselho que parece dar-lhe a própria natureza: aplicar-se-á a ser parcimonioso e agirá de forma que, com prudentes economias, vá juntando um pequeno pecúlio, que lhe permita chegar um dia a adquirir um modesto patrimônio. Já vimos que a presente questão não podia receber solução verdadeiramente eficaz, se se não começasse por estabelecer como princípio fundamental a inviolabilidade da propriedade particular. Importa, pois, que as leis favoreçam o espírito de propriedade, o reanimem e desenvolvam, tanto quanto possível, entre as massas populares (n. 28).

Leão XIII acrescenta:

O homem é assim feito: o pensamento de que trabalha em terreno que é seu redobra o seu ardor e a sua aplicação. Chega a pôr todo o seu amor numa terra que ele mesmo cultivou, que lhe promete a si e aos seus não só o estritamente necessário, mas ainda uma certa fartura. Não há quem não descubra sem esforço os efeitos desta duplicação da atividade sobre a fecundidade da terra e sobre a riqueza das nações. A terceira utilidade será a suspensão do movimento de emigração; ninguém, com efeito, quereria trocar por uma região estrangeira a sua pátria e a sua terra natal, se nesta encontrasse os meios de levar uma vida mais tolerável (n. 28).

Numa época em que muitos podem considerar difícil obter propriedade para si e em que ocorre imigração em massa entre países, as palavras de Leão XIII são especialmente relevantes.

Na Rerum Novarum, Leão XIII apresentou uma perspectiva de justiça social verdadeira. Porém, milita contra essa perspectiva a ideologia moderna do socialismo. Os socialistas, encorajados por uma falsa noção de igualdade, endossam a apreensão estatal da propriedade em nome da justiça para todos. Leão XIII denuncia isso de forma inequívoca, afirmando que “nem a justiça nem o bem público consentem que se danifique alguém na sua fazenda nem que se invadam os direitos alheios sob pretexto de que não há igualdade” (n. 21).

Dado que em 1891, ano da publicação da Rerum Novarum, ainda não havia existido um governo socialista, é bastante profética a previsão de Leão XIII a respeito do fracasso do socialismo na passagem abaixo:

Mas, além da injustiça do seu sistema, vêem-se bem todas as suas funestas consequências, a perturbação em todas as classes da sociedade, uma odiosa e insuportável servidão para todos os cidadãos, porta aberta a todas as invejas, a todos os descontentamentos, a todas as discórdias; o talento e a habilidade privados dos seus estímulos, e, como consequência necessária, as riquezas estancadas na sua fonte; enfim, em lugar dessa igualdade tão sonhada, a igualdade na nudez, na indigência e na miséria (n. 7).

Do mesmo modo, Leão XIII também critica o liberalismo laissez-faire, particularmente sua hostilidade à religião e às necessidades morais do trabalhador. 

No século XXI, a religião é considerada irrelevante e o casamento, reduzido a uma “preferência de estilo de vida”; condições sociais e econômicas tornam cada vez mais difícil a obtenção de propriedade, enquanto as ideologias liberal e socialista continuam a atacar os valores da civilização cristã. Neste contexto, não podemos senão restabelecer a ligação com os valores apresentados por Leão XIII, os quais poderiam formar a base para a reconstrução de nossa sociedade destroçada e lançar as sementes de uma contrarrevolução cristã.

Notas

  1. No texto original, o autor cita, nesta passagem, duas personalidades políticas de seu país: Nancy Pelosi e Joe Biden, ambos do Partido Democrata norte-americano. Preferimos omitir os nomes por se tratar de uma crítica específica do contexto dos Estados Unidos. Mas os leitores brasileiros podem fazer uma rápida pesquisa na internet sobre essas figuras e fazer os devidos paralelos com o que temos aqui (n.d.t.).
  2. Também aqui, o autor cita a iniciativa de um conselho profissional dos EUA, a Associação Americana de Psicologia (American Psychological Association), que dirige um grupo de trabalho sobre a “não-monogamia consensual”. Como o termo, infelizmente, também tem as suas ocorrências na língua portuguesa, preferimos manter a expressão e omitir o fato que, mais uma vez, só tem sentido dentro do contexto específico norte-americano (n.d.t.).

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