O primeiro mandamento do Decálogo e a virtude da religião

A razão humana, quando reflete atentamente sobre a criação, percebe que é necessário admitir a existência de Deus, um Deus único, princípio e fim de todas as coisas. Porém, na busca racional pela existência de Deus, muitos erros foram cometidos: uns julgaram que havia muitos deuses, outros julgaram que os fenômenos naturais eram divinos, e assim por diante. E embora os grandes sábios como Sócrates, Platão e Aristóteles tenham alcançado muitas verdades sobre a natureza do Deus verdadeiro, mesmo neles há mistura de um e outro erro. Por isso, Deus mesmo se revelou ao homem: “Eu sou aquele que é” (Ex 3, 14).

O primeiro dos Dez Mandamentos preceitua: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, dessa casa da escravidão. Não terás outros deuses perante mim” (Ex 20, 2). É o Deus único e verdadeiro que se revela como nosso Criador e Senhor supremo. Sobre esse mandamento, Santo Afonso escreve:

Do ponto de vista afirmativo, a matéria própria desse preceito são os atos da virtude da religião. Esta é uma virtude moral pela qual se presta, interior e exteriormente, o culto devido a Deus. O ato interno dela é a submissão da alma, pela qual veneramos a infinita excelência de Deus. O ato externo é o meio pelo qual testemunhamos o interno, v.g.: a oração, o sacrifício etc. Do ponto de vista negativo, este preceito proíbe os vícios opostos à [virtude] da religião: e como estes vícios se opõem à principal virtude moral, são os mais graves pecados depois dos pecados contra as virtudes teologais, e são por natureza pecados mortais (Theologia Moralis, t. I, l. 3, t. I, initio).
“A Santíssima Trindade”, por José de Ribera.

Ora, se a razão humana, apoiada na Revelação divina, reconhece a existência de um único Deus verdadeiro, Ele é digno de toda a submissão e adoração das criaturas. Ele as criou gratuitamente, para que elas participassem de sua bondade em níveis variados. Portanto, decorre da lei natural o dever de cultuar o único Deus verdadeiro e ser submisso a Ele: “Não há outro Deus além de mim. Deus justo e salvador, não o há fora de mim. Convertei-vos a mim e sereis salvos, vós todos os povos da terra, porque eu sou Deus e não há outro” (Is 45, 21-22).

Como vimos no trecho de Santo Afonso, a virtude da religião preceitua atos internos e atos externos. Pelos atos internos reconhecemos interiormente nossa total dependência de Deus e adoramos sua majestade suprema; e pelos atos externos, manifestamos nossos sentimentos internos de submissão e adoração. E tudo isso é coerente com a nossa natureza: somos criaturas e Deus é criador; somos finitos e Deus é infinito; vivemos no tempo, mas Deus é eterno — nada mais natural que nos prostrarmos e adorarmos a majestade divina.

Deus é nosso fim último: por Ele fomos criados, a Ele devemos orientar nossa vida, para que no término dela possamos nos unir eternamente a Ele. Essa união se dá pela adesão à fé em seu Filho único, Jesus Cristo, único mediador entre Deus e os homens. Crendo em Jesus Cristo e recebendo o Batismo, somos feitos membros de seu Corpo místico, que é a Igreja. Mas não uma “igreja invisível” ou uma comunidade qualquer. Jesus Cristo, Filho eterno de Deus Pai, fundou sobre São Pedro uma única Igreja, católica, apostólica e romana, que guarda fielmente o depósito da fé recebido de Jesus Cristo e o transmite integralmente às gerações humanas.

Vimos que a razão reconhece a existência de um único Deus verdadeiro. Vimos que a Revelação nos atesta a existência deste único Deus verdadeiro. E pela fé apostólica sabemos que o único Deus verdadeiro é na verdade uma Trindade, três Pessoas coeternas, da qual uma se fez verdadeiro homem, morreu por nós e ressuscitou dos mortos. Portanto, ao reconhecer a veracidade da Revelação cristã, é razoável, é coerente, é natural admitir a necessidade da adoração e submissão ao Filho eterno de Deus, que é um só e único Deus com seu Pai eterno e com o Espírito Santo que procede de ambos.

De tudo isso vemos com clareza que devemos orientar todos os nossos pensamentos, todas as nossas ações para o culto de adoração e submissão a este único Deus verdadeiro, Jesus Cristo, que se revelou a nós e cuja doutrina conhecemos através da Santa Igreja Católica. E toda prática que nos desvia deste fim último, deve ser rejeitada como perniciosa, pois somente o que leva o homem à sua plena realização é que pode ser julgado bom.

O pecado de adivinhação segundo a moral católica

Para elucidar este tema tão amplo, colocamos a seguir uma tradução da obra Manuale Theologiæ Moralis, do teólogo dominicano Dominic Prummer, onde ele explica o que é adivinhação, quais as suas espécies e qual sua malícia [i]. (As frases entre parênteses são do próprio autor.)


Noção. Em sentido próprio, a adivinhação é a predição ou precognição de coisas futuras de modo indevido, isto é, através de meios não instituídos por Deus. Em sentido amplo, a adivinhação é frequentemente considerada como: o conhecimento ou a afirmação de qualquer coisa que não pode ser conhecida de modo natural nem foi revelada por Deus, e não somente coisas futuras mas também coisas ocultas. Como o conhecimento destas coisas não é alcançado através das potências naturais do homem, nem com auxílio de Deus, dos anjos bons ou dos santos (porque Deus não permite que os anjos e os santos manifestem coisas ocultas de modo indevido), conclui-se que toda adivinhação acontece, direta ou indiretamente, por obra dos demônios. Por essa razão, a adivinhação pode ser definida neste sentido amplo como: uma superstição em que se invoca explícita ou ao menos implicitamente o demônio para, com sua ajuda, conhecer coisas ocultas.

Do que o Doutor Angélico (cf. STh II-II 95 1c.) ensina sobre o conhecimento de coisas futuras e ocultas, deve-se notar o seguinte: As coisas futuras podem ser conhecidas de dois modos, a saber, em suas causas e em si mesmas. As causas dos eventos futuros são de três tipos: 

  1. Algumas causas produzem seus efeitos sempre e necessariamente, por exemplo: o movimento da Terra ao redor do Sol necessariamente produz as diversas estações do ano. 
  2. Algumas causas não produzem seus efeitos necessariamente e sempre, mas na maioria das vezes, por exemplo: de uma semente nasce uma árvore. 
  3. Por fim, algumas causas não estão determinadas a produzir um único efeito, mas podem produzir diversos efeitos, como por exemplo: a vontade humana pode produzir atos bons e atos maus. 

Portanto, se alguém prediz os efeitos do primeiro e segundo gênero de causas, não comete adivinhação, porque não prediz de modo indevido, mas é guiado pela reta razão. Porém, quem tenta predizer efeitos futuros das causas livres e contingentes (sem que Deus os tenha revelado), comete adivinhação porque age de modo indevido, usurpando para si o que pertence somente a Deus, i.e., o conhecimento de todos os futuros contingentes.

Os demônios não são capazes de conhecer os futuros contingentes, nem as coisas realmente ocultas, muito menos os segredos dos corações (cf. STh I 57 3 e 4). Porém, eles superam em muito a capacidade humana de conhecer outro tipo de coisas futuras e ocultas, e isto por várias razões: 

  1. porque a potência intelectiva natural dos anjos é muito mais perfeita que o intelecto do homem, e essa virtude intelectiva natural não diminuiu nos demônios por causa do pecado; 
  2. porque, com a experiência de tantos séculos, eles sabem o que costuma acontecer em certas circunstâncias, mesmo tratando-se de causas contingentes; 
  3. porque como são espíritos fortíssimos e astutos, podem, por permissão divina, influenciar causas livres a produzir certos efeitos (contudo, não com certeza absoluta).

Toda verdadeira adivinhação é feita por obra do demônio: a) pela expressa invocação dele, ou, como se diz, com pacto explícito com o demônio, a saber, quando o demônio é invocado com certas palavras para que então queira comunicar alguma informação, por exemplo: qual sorteio na loteria dará o prêmio máximo; b) pela invocação implícita, quando, para obter algum conhecimento, uma pessoa utiliza meios ineptos sabendo que eles não podem produzir o efeito pretendido, nem por sua capacidade natural, nem pela vontade de Deus ou da Igreja. O demônio se mete com prazer nestes meios ineptos, porque então o homem, tendo abandonado o culto de Deus, pouco a pouco cai em perniciosos erros.

Divisões. A adivinhação divide-se em duas: a) adivinhação com expressa invocação do diabo; b) adivinhação com implícita invocação do diabo. Ambas as espécies são subdivididas em muitas partes, que aqui enumeramos de modo breve:

a) Há nove tipos de adivinhação onde o diabo é expressamente invocado (cf. STh II-II 95 3c.):

A cristalomancia é feita a partir de pedras e cristais.

1. Prestígio (aparição do diabo), quando o próprio demônio aparece sob aspecto sensível, como se lê no Evangelho acerca da tentação do próprio Cristo, e nas vidas de muitos santos.

2. Oniromancia (interpretação dos sonhos) ou adivinhação dos sonhos, quando o diabo é invocado e, no sonho, revela o que lhe foi pedido. Santo Tomás (cf. STh II-II 95 6c.) ensina que são quatro as causas dos sonhos, duas internas e duas externas.

A primeira causa interna é animal, a saber, um pensamento ou um vivo sentimento experimentado na vigília. Pois consta pela experiência que frequentemente o homem sonha com coisas nas quais pensou intensamente antes do sono. A segunda causa interna é corporal, a saber, a disposição interna do corpo, por exemplo: certas emoções do coração produzem sonhos de temor, uma excitação nas partes genitais produz sonhos libidinosos.

A primeira causa externa é corporal, a saber, as influências materiais causadas de fora durante o sonho, por exemplo: quem dorme num lugar fedido, sofre com sonhos tediosos ou incômodos; a Lua resplendente excita alguns homens a sonhos particulares (ao sonambulismo). Outra causa externa é Deus ou o diabo. É evidente que Deus algumas vezes envia sonhos, como o provam muitos exemplos da Sagrada Escritura (cf. Gn 28, 12; Jz 7, 13; 1Sm 3, 10; Dn 2, 19; Mt 1, 20 e 2, 12). Também é certo que o diabo pode causar sonhos, já que ele pode excitar a imaginação do homem; pois a imaginação é uma potência corporal na qual o diabo pode exercer sua influência. Quando Deus envia sonhos (o que parece raro em nossos tempos), costuma simultaneamente enviar sinais indubitáveis de que Ele é o autor destes sonhos. Tais sinais são: a) se a coisa percebida no sonho é boa, digna de Deus e incentivadora da virtude; b) se a alma fica tranquila e inclinada à piedade, sem perturbação e obstinação em seus propósitos.

Quando há dúvida se um sonho vem de Deus ou não, consulte-se o legítimo superior eclesiástico. E se houver certeza de que Deus enviou o sonho, deve-se obedecer diligentemente às orientações recebidas no sonho. Mas em todos os outros casos não é lícito confiar nos sonhos, tanto os que procedem de causas naturais quanto os que procedem do diabo, porque isso seria conhecer coisas ocultas através de um meio indevido e expressamente proibido por Deus. Já no Antigo Testamento era proibido interpretar os sonhos (cf. Dt 18, 10; Jr 29, 8). Donde gravemente peca quem deseja ser ensinado em sonho pelo demônio, ou (o que é muito pior) quem utiliza certos sinais externos ou determinada posição do corpo para receber no sonho a ação do diabo. Na prática, todos devem ser afastados da interpretação de sonhos, mesmo os que expressamente excluem qualquer intervenção diabólica. Geralmente os que creem em sonhos não cometem pecado grave, seja porque agem de boa-fé, seja por tratar-se de coisas bobas, por exemplo: alguém que não quer montar seu cavalo porque na noite passada sonhou que cairia do cavalo; tal pessoa pode ser corrigida de seu vão temor, mas não deve ser acusada de pecado grave.

3. Necromancia: adivinhação em que se pede ao diabo que queira fazer surgir algum morto, para que este responda às questões. Semelhante a isto é o moderno espiritismo [...].

4. Pitonismo: quando o demônio manifesta coisas ocultas por meio de homens vivos possuídos por ele, como se lê no caso em que Saul foi à pitonisa de Endor (cf. 1Sm 28, 7ss).

5. Geomancia: adivinhação em que o demônio ensina por figuras ou sinais que aparecem nalgum corpo terrestre, como a madeira, o ferro ou uma pedra brilhante. Incluem-se na geomancia: a) o oráculo, quando o demônio é consultado e responde pelos ídolos; b) as mesas giratórias, quando o demônio dá respostas mediante mesas que giram [...].

6. Hidromancia, se o demônio ensina por sinais na água. Hoje não é raro o uso da assim chamada cristalomancia, quando alguém observa figuras incomuns num cristal ou na água.

7. Aeromancia, se o demônio ensina por sinais no ar.

8. Piromancia, se o demônio ensina por sinais no fogo.

9. Aruspício, se o demônio ensina por sinais que aparecem nas vísceras de animais sacrificados nos altares dos demônios, como acontecia entre os antigos romanos.

b) Há sete modos de adivinhação em que o diabo é implicitamente invocado:

Cartas de tarô.

1. Astrologia judiciária, quando alguém tenta conhecer coisas futuras através da consideração do movimento e da posição dos astros. Aqui incluem-se os genetlíacos ou examinadores do horóscopo (horóscopo ou mapa astral). Esta astrologia judiciária nada tem a ver com a astrologia ou astronomia científica.

2. Augúrio, quando alguém adivinha através das vozes das aves.

3. Auspício, quando alguém prediz o futuro através do voo das aves.

4. Agouro, quando, baseando-se num evento fortuito, alguém afirma que certas coisas acontecerão, por exemplo: por ocasião de um funeral, por estarem reunidas 13 pessoas na mesa.

5. Quiromancia, se alguém pratica adivinhação através das linhas da mão, como acontece hoje frequentemente entre os ciganos.

6. Fisiognomonia, se a adivinhação é feita através dos traços do rosto ou de outro membro do corpo.

7. Sortilégio, se alguém presume conhecer coisas futuras por meio de sinais escolhidos arbitrariamente, por exemplo: das cartas, dos dados, de figuras no chumbo derretido etc [...].

Malícia moral. 1) A adivinhação feita com expressa invocação do demônio é pecado mortal em todas as suas espécies. E isto por três motivos: a) porque com tal adivinhação presta-se um culto divino ao diabo; b) porque deste modo estabelece-se um evidente comércio com o inimigo declarado de Deus; c) porque facilmente surge o perigo de apostasia ou de outros pecados graves, e até de condenação eterna; pois, assim como a convivência com os anjos é um começo da vida eterna, o comércio com o diabo é um início da condenação eterna.

2) A adivinhação feita com implícita invocação do demônio é certamente pecado mortal em todas as suas espécies, por tratar-se de um comércio com o diabo. Contudo, pode tornar-se pecado venial: a) por ignorância e simplicidade do agente; b) se for praticada por gozação e não a sério; c) por não se ter acreditado firmemente nestes vãos sinais.

Por essa razão os fiéis devem ser insistentemente advertidos a não procurar adivinhos que praticam quiromancia, sortilégio etc.; porém não devem ser tão facilmente acusados de haver pecado gravemente.

Malícia específica da adivinhação. Comumente os teólogos ensinam que todas as diversas adivinhações, tanto as feitas com explícito ou implícito pacto com o diabo, não se distinguem especificamente no gênero, porque todas são reduzidas ao culto de um falso deus. Não obstante, deve-se declarar na confissão se a adivinhação foi praticada com pacto explícito com o diabo ou não, e isto por duas razões: 1) porque assim o confessor pode julgar mais facilmente se o pecado cometido foi grave ou não, já que a adivinhação com pacto explícito é sempre pecado mortal, como foi dito; 2) porque na adivinhação com expressa invocação do diabo é comum haver muitos outros pecados, por exemplo: de blasfêmia, sacrilégio, abuso das coisas sagradas etc.


Conclusão

Como visto, há inúmeras modalidades de adivinhação, mas todas elas têm algo em comum: o contato explícito ou implícito com poderes desconhecidos e ocultos. E é por isso que o Catecismo condena fortemente todas as práticas adivinhatórias:

Todas as formas de adivinhação hão de ser rejeitadas: recurso a Satanás ou aos demônios, evocação dos mortos ou outras práticas que erroneamente se supõe “descobrir” o futuro. A consulta aos horóscopos, a astrologia, a quiromancia, a interpretação de presságios e da sorte, os fenômenos de visão, o recurso a médiuns escondem uma vontade de poder sobre o tempo, sobre a história e, finalmente, sobre os homens, ao mesmo tempo que um desejo de ganhar para si os poderes ocultos. Essas práticas contradizem a honra e o respeito que, unidos ao amoroso temor, devemos exclusivamente a Deus (Catecismo da Igreja Católica, § 2116).

Um fiel católico que praticasse a adivinhação em qualquer das modalidades mencionadas na tradução supracitada, poderia pecar contra quatro virtudes:

1. Contra a virtude da religião. Como somente Deus tem o poder de conhecer os futuros contingentes e os mistérios ocultos, quem atribui esse poder às coisas está prestando a elas um culto devido somente a Deus. Portanto, comete um pecado mortal contra o primeiro mandamento: 

Porque, conhecendo a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças. Pelo contrário, extraviaram-se em seus vãos pensamentos, e se lhes obscureceu o coração insensato. Pretendendo-se sábios, tornaram-se estultos. Mudaram a majestade de Deus incorruptível em representações e figuras de homem corruptível, de aves, quadrúpedes e répteis. Por isso, Deus os entregou aos desejos dos seus corações, à imundície, de modo que desonraram entre si os próprios corpos. Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador (Rm 1, 21-25).

2. Contra a virtude da temperança. Por curiosidade, ao transpor os limites que a divina Revelação impôs ao conhecimento humano: 

Não procures saber o que excede a tua capacidade, e não especules o que ultrapassa as tuas forças, mas pensa sempre no que Deus te mandou, e não tenhas a curiosidade de conhecer demasiado número das suas obras. Porque não te é necessário ver com os teus olhos o que está escondido (Eclo 3, 22-23). 

3. Contra a virtude da fé. Por credulidade, ao acreditar levianamente em predições meramente conjecturais: “Aquele que é crédulo demais, tem um coração leviano; sofrerá prejuízo e será tido como pecador contra si mesmo” (Eclo 19, 4).

4. Contra a virtude da esperança. Ora, Jesus Cristo é uma Pessoa divina, que se fez Homem, morreu por nós e nos ama; sabe de tudo quanto precisamos e é suficientemente poderoso para nos enriquecer com seus dons. Portanto, quem deseja alcançar dos astros, dos sonhos, dos mortos as respostas e soluções de sua vida, consequentemente diminui a esperança de receber de Jesus Cristo as graças que Ele nos prometeu: 

Bem-aventurado o homem que confia no Senhor, e de quem o Senhor é a esperança. É como a árvore plantada sobre as águas, a qual estende as suas raízes para a corrente: não teme a secura quando vem o calor; fica sempre verde a sua folha; um ano de seca não a inquieta, não deixando ela, por isso, de dar fruto (Jr 17, 7-8).

A Carta aos Hebreus diz: “Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam” (Hb 11, 6). E não basta apenas crer uma vez, é preciso alimentar a fé para que ela cresça, porque “o justo viverá pela fé” (Rm 1, 17). Portanto, um verdadeiro cristão deve nutrir sua fé e protegê-la dos inimigos da salvação:

O mesmo preceito que obriga diretamente o fiel a conservar a fé, também o obriga indiretamente a protegê-la de qualquer ruína e, consequentemente, livrá-la de todo perigo. Esta obrigação é maximamente urgente em nosso tempo, onde a fé diminui a cada dia justamente por falta de precaução quanto aos perigos [ii].

Sendo assim, quem deseja seriamente crescer na fé em Nosso Senhor Jesus Cristo para ser um dia admitido por Ele no Reino dos céus, deve afastar-se de todas as práticas adivinhatórias, para evitar que sua fé no divino Salvador seja atacada pela astúcia demoníaca e contaminada por falsas doutrinas. Pois, como diz a Imitação de Cristo (I 3 1): “De que serve a especulação sutil sobre coisas ocultas e obscuras, se, por ignorá-las, não seremos acusados no dia do juízo? Grande loucura é desprezarmos as coisas úteis e necessárias, para nos aplicarmos com gosto às curiosas e nocivas. Tendo olhos, não vemos!”

Referências

  1. Dominic Prummer, Manuale Theologiæ Moralis, t. II. Friburgi: Herder, 14.ª ed., 1960, pp. 412-416.
  2. Aertnys-Damen, Theologia Moralis, t. I. Taurini: Marietti, 17.ª ed., 1956, p. 312.