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Cristãos perseguidos na Europa: um relatório assustador

​Os cristãos na Europa enfrentam, atualmente, uma dupla perseguição: são alvo de extremistas islâmicos, muitas vezes vindo de fora, mas também dos próprios compatriotas, que não querem mais saber de Deus.

"Na Europa ocidental hoje, tanto a liberdade religiosa quanto a liberdade de consciência se encontram ameaçadas".

Embora não fizesse parte da discussão, nem fosse divulgado durante a coletiva de imprensa final, um documento distribuído aos bispos italianos pelo Cardeal Angelo Bagnasco, presidente da Conferência Episcopal Italiana e também do Conselho das Conferências Episcopais Europeias, põe o dedo sobre a ferida da perseguição religiosa na Europa. E isso a partir de um ponto de vista privilegiado: o do Observatório sobre a Intolerância e a Discriminação contra os Cristãos, sediado em Viena, na Áustria.

A preocupação do Cardeal Bagnasco não é nova. Já há algum tempo o Cardeal denuncia a construção de uma ordem mundial sem Deus, a qual se reflete, por exemplo, no recente caso de eutanásia infantil praticado na Bélgica. Essa sua preocupação traduziu-se no relatório entregue aos bispos italianos, provavelmente com o objetivo de alargar a visão dos problemas de todo o continente.

O documento contém uma síntese eficaz dos 1.800 casos de discriminação contra os cristãos na Europa, foi redigido por Martin Kugler, diretor do Observatório, e circulou entre os bispos que se reuniram em Roma, de 23 a 25 de janeiro passado, para o encontro de inverno do Conselho Episcopal Permanente.

Entre os episódios de discriminação religiosa relatados desde 2010, estão incluídos:

Martin Kugler nota que "as restrições às objeções de consciência religiosamente motivadas atingem sempre mais os profissionais médicos e os farmacêuticos em diversos Estados membros da União Europeia, entre os quais a França, a Noruega, o Reino Unido e a Suécia", e que a preocupação é que a adoção "de uma linha dura de imposição de posições relativistas termine inibindo, a longo prazo, uma adaptação razoável das crenças religiosas".

O relatório destaca alguns casos dignos de nota. Na Itália, destacam-se o furto e os atos de vandalismo ocorridos na Igreja de Santa Helena, em Messina, no último dia 3 de julho; e a estátua de São Petrônio em Bolonha pichada na sua base com as palavras "Allah Akbar", no dia 26 de junho.

Na França se assinalou, obviamente, o assassinato do padre Jacques Hamel, no último dia 26 de julho.

Na Alemanha, mencionem-se o furto, no mesmo mês de junho, da relíquia do Papa João Paulo II da Catedral de Colônia; os atos de vandalismo na Basílica de Bonn, onde um homem de 24 anos provocou grandes danos à cripta, ao tabernáculo e ao sarcófago dos santos Casio e Florenzio, patronos da cidade; a destruição de quatro cruzes de madeira postas em alguns pontos altos da região Bad Tölz-Wolfratshausen, em um período que vai de maio a agosto.

Na Espanha, apontam-se os dois incêndios dolosos ocorridos em duas igrejas de Narón, entre 10 e 11 de junho.

E, depois, há os casos que afetam o direito à objeção de consciência. Na Bélgica, um lar de idosos foi multado em 6 mil euros por ter negado a eutanásia a um homem de 74 anos que sofre de câncer no pulmão. Na Itália, uma Ordem religiosa feminina foi condenada a pagar 25 mil euros a um professor por ter suspenso o seu vínculo de trabalho com base na incompatibilidade de sua orientação sexual com o ethos da escola católica.

As discriminações afetam, contudo, também os refugiados cristãos. O Observatório sublinha que, na Suécia, refugiados convertidos do Islã ao cristianismo testemunham ter sofrido espancamentos, ameaças, atos de intimidação e exclusão social nos alojamentos para refugiados.

Na Alemanha, 14 jovens iranianos cristãos foram obrigados a fugir dos campos de refugiados de Schloss Holte-Stukenbrock, depois de serem ameaçados de morte durante meses por um grupo de muçulmanos que vivem na caravana.

Assim, os cristãos europeus — os poucos que ainda restam — estão como que "entre a cruz e a espada", por assim dizer: são ameaçados, de um lado, pelos inimigos que vêm de fora, trazendo uma outra cultura e colonizando o continente com uma nova religião; e são hostilizados, de outro, pelos seus próprios compatriotas, que abandonaram a fé cristã e querem vê-la cada vez mais extinta da esfera pública. Cumprem-se, de um novo modo, as palavras do Autor Sagrado: "Se eu saio para os campos, eis os mortos à espada; se eu entro na cidade, eis as vítimas da fome!" ( Jr 14, 18). Que Deus tenha misericórdia da Europa.

Com informações de ACI Stampa | Tradução e adaptação: Equipe CNP

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Estado Islâmico mata 25 em ataque a igreja no Egito

O atentado aconteceu durante a celebração da missa, em um templo ortodoxo copta, no centro do Cairo. O Estado Islâmico assumiu a autoria do ataque e prometeu “continuar a sua guerra contra os apóstatas”.

A notícia é da semana passada, mas vale a pena deixar o registro: no último dia 11 de dezembro, um atentado perpetrado pelo Estado Islâmico matou 25 cristãos em um templo copta do Cairo, capital do Egito. Trata-se de "um dos piores ataques contra os cristãos, que são minoria, na história recente do país", de acordo com o jornal The New York Times.

A missa dominical, celebrada pela manhã, estava terminando em uma capela próxima à Catedral de São Marcos, sede da antiquíssima Igreja Ortodoxa Copta, quando Magdy Ramzy, de 59 anos, disse que houve, repentinamente, "uma explosão devastadora como eu nunca tinha ouvido antes".

A explosão atravessou toda a capela no complexo da catedral, no centro do Cairo, matando 25 pessoas e ferindo outras 49, sendo a maioria mulheres e crianças. "Era como se o mundo tivesse ficado de ponta-cabeça", disse Ramzy, que ficou levemente ferido pelos estilhaços. Ele saiu rapidamente à procura de sua esposa, Sabah Wadie, mas veio a descobrir, depois, que ela havia sido morta, e sua nora e três netos seus ficaram feridos. "Esse é um daqueles atos de terror que costumávamos assistir na televisão. Agora, nós os estamos vendo com nossos próprios olhos", declarou.

O grupo terrorista Estado Islâmico assumiu na terça-feira, dia 13, a autoria do atentado e prometeu "continuar a sua guerra contra os apóstatas".

A fotografia acima, de uma religiosa chorando, foi tirada no interior da catedral do Cairo e publicada no site do jornal El País.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Cidade retomada por cristãos no Iraque ficou dois anos sem Missa

“Depois de dois anos e três meses de exílio, celebramos a Eucaristia na Catedral que os jihadistas quiseram destruir”, disse com satisfação o arcebispo sírio-católico de Mossul.

A notícia está perto de completar um mês, mas, mesmo assim, vale a pena deixar registrado que os sinos de uma igreja católica voltaram a repicar na cidade iraquiana de Qaraqosh, retomada das mãos do Estado Islâmico na segunda metade de outubro. Para se ter uma ideia da importância dessa conquista, é preciso considerar a proximidade entre Qaraqosh e Mossul, separadas por pouco mais de 30 quilômetros de distância — Mossul que, como se sabe, é considerada até o momento a "capital" dos jihadistas no Iraque.

Nesta que é a segunda maior cidade do país, não restou praticamente nenhuma família cristã. Em 2014, os muros de suas casas foram pichados com uma letra do alfabeto árabe, equivalente ao nosso "n", em referência a Jesus, o Nazareno. Aos seus proprietários três opções eram oferecidas: converter-se ao islamismo, pagar um imposto religioso ou morrer pelo fio da espada. A maioria arriscou o exílio.

No dia 30 de outubro, no entanto, os cristãos que ainda restam na região celebraram uma verdadeira vitória em Qaraqosh: a de rezar, em meio a paredes queimadas e um altar em ruínas, o santo sacrifício da Missa. A catedral em que os fiéis se reuniram é dedicada à Imaculada Conceição e a liturgia dominical foi presidida pelo arcebispo sírio-católico de Mossul, Yohanna Petros Mouche. "Depois de dois anos e três meses de exílio, celebramos a Eucaristia na Catedral que os jihadistas quiseram destruir", afirmou o prelado, em verdadeira ação de graças.

As fotos tiradas na ocasião já circularam por toda a Internet e dispensam comentários. De qualquer modo, uma breve reflexão se faz necessária. Ao vermos com que alegria esses homens celebram a santa liturgia, arriscando para isso as suas próprias vidas, é inevitável pensarmos na falta de consideração, no desleixo e na preguiça com que tantas vezes tratamos o mistério eucarístico em nossas vidas. Enquanto a fé cristã se tornou, no Oriente Médio, questão de vida ou morte, o Ocidente está paralisado pela incredulidade, pelo afastamento de Deus, pela inércia. Temos tempo para tudo, menos para participarmos da Santa Missa; tempo para todo tipo de lazeres, menos para rezar. E ainda queremos arranjar desculpas para a nossa falta de compromisso!

É duro dizer isto, mas felizes são os cristãos do Iraque e da Síria! Sim, verdadeiramente bem-aventurados são eles (cf. Mt 5, 4. 10), porque, embora muitas de suas igrejas estejam em ruínas, suas almas estão em Deus, Aquele que constitui o único tesouro que devemos preocupar-nos em acumular. Enquanto isso, nossos templos, que parecem intactos, conservam de pé apenas a sua fachada, tal como a Basílica de São Bento em Núrsia, na Itália, recentemente atingida por um forte terremoto. Grande sinal é a ruína dessa igreja, devastada não por artifícios humanos, mas pelas mãos do próprio Deus — Ele que fala pelos acontecimentos da história e que realmente castiga, porque nos ama e deseja a nossa conversão. Oxalá ouvíssemos hoje a sua voz (cf. Sl 94, 8) e transformássemos os nossos corações em verdadeiros templos onde habitam a Santíssima Trindade!

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Reveladas últimas palavras do padre degolado por terroristas na França

Durante o funeral do padre francês Jacques Hamel, assassinado pelo Estado Islâmico há uma semana, o bispo de Rouen tornou públicas as palavras finais que pronunciou o sacerdote, antes de ser martirizado.

O arcebispo de Rouen, na França, Dominique Lebrun, celebrou uma Missa solene nesta terça-feira, dia 2 de agosto, em memória do padre Jacques Hamel, degolado há uma semana por dois terroristas do Estado Islâmico.

Durante a cerimônia, os fiéis presentes foram agraciados com a revelação das últimas palavras que o sacerdote disse a seus assassinos, enquanto, deitado no chão, tentava afastá-los com os pés. Antes que os agressores o degolassem sobre o altar da igreja, o padre de 86 anos ordenou: " Va-t'en, Satan!", que quer dizer: "Afasta-te, Satanás!".

Centenas de padres, bispos e leigos lotaram a imponente Catedral de Rouen durante a cerimônia. Foi no momento da homilia que o bispo tornou públicas as palavras finais de Jacques antes da morte:

"O mal é um mistério, e ele atinge sumos de horror que nos fazem sair do humano. Não foi o que tu quiseste dizer, Jacques, com tuas últimas palavras? Caído ao chão depois dos primeiros golpes do cutelo, tu tentaste repelir teus agressores com os pés, e disseste: 'Afasta-te, Satanás'. E repetiste: 'Afasta-te, Satanás'."

Hoje, 4 de agosto, providencialmente, a mesma França que acolheu o sacrifício do padre Jacques Hamel celebra a memória do Santo Cura d'Ars, João Maria Vianney. Peçamos a sua intercessão, neste dia, pelos sacerdotes do mundo inteiro, para que sejam fiéis à sua missão e vivam no dia a dia o martírio reservado aos que amam ao único e verdadeiro Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo.

São João Maria Vianney,
rogai por nós!

Com informações de The Blaze | Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Bispo iraquiano profetizou terrorismo na Europa

Depois que Mossul foi invadida pelo Estado Islâmico, não restou nenhum cristão na cidade para contar história. De seu exílio, porém, o bispo do lugar deixou um recado claríssimo para o Ocidente.

O assassinato brutal do padre francês Jacques Hamel, por dois agentes do Estado Islâmico, dentro de uma igreja católica e em pleno território europeu, acontecido no último dia 26 de julho, é ocasião propícia para recordamos um alerta que, dadas as circunstâncias em que nos encontramos hoje, tornou-se uma autêntica profecia.

O autor dela é o bispo católico Amel Shimoun Nona, responsável pela arquieparquia caldeia de Mossul, no Iraque. (Eparquias são as circunscrições eclesiásticas no Oriente, semelhantes ao que aqui chamamos de "dioceses". Os católicos caldeus rezam em outra língua, possuem uma tradição teológica e litúrgica diferente, mas estão unidos a Roma e pertencem plenamente à Igreja Católica.)

Há pouco menos de 2 anos, esse prelado iraquiano foi exilado de sua de sua terra e perdeu sua igreja para os combatentes do Estado Islâmico (EI). Em Mossul, onde ele é bispo, não há mais cristãos. Os poucos que ainda restavam fugiram todos, vítimas de perseguição religiosa.

Após a tomada de Mossul pelo EI, o jornal italiano Corriere della Sera entrevistou o bispo Amel Nona, exilado em Arbil, a 87 quilômetros de Mossul, e recebeu dele a seguinte e impressionante declaração:

" Os nossos sofrimentos de hoje são o prelúdio daqueles que sofrereis vós, europeus e cristãos ocidentais, no futuro próximo.

[...]

Perdi a minha diocese. O lugar físico do meu apostolado foi ocupado por radicais islâmicos que nos querem ou convertidos ou mortos. Mas a minha comunidade ainda está viva.

[...]

Por favor, procurai compreender-nos. Vossos princípios liberais e democráticos aqui não têm valor algum. É preciso que reconsidereis nossa realidade no Oriente Médio, porque estais acolhendo em vossos países um número sempre crescente de muçulmanos. Também vós estais em perigo. Devei tomar decisões fortes e corajosas, ainda que para isso devais contradizer vossos princípios. Vós pensais que os homens são todos iguais, mas não é verdade. O Islã não diz que os homens são todos iguais. Os vossos valores não são os deles. Se não o compreenderdes a tempo, tornar-vos-eis vítimas do inimigo que acolhestes em vossa casa."

Não se trata exatamente do que está acontecendo na Europa nos últimos dias? Quantos ataques já não foram realizados por terroristas islâmicos de 2014 até hoje? Quantas vítimas já não foram feitas, desde o atentado de 11 de setembro, pelos mesmos motivos, pelos mesmos atores e com as mesmas justificativas? Até quando perdurará a inércia das autoridades políticas ocidentais, incapazes de reagir efetivamente à altura aos sérios ataques de um grupo que sequestra, estupra e mata cruel e covardemente quem quer que se oponha a seu projeto político e religioso de domínio mundial?

Rezemos e convertamo-nos, enquanto é tempo, atentos aos apelos incessantes de Jesus nos Evangelhos e aos chamados de sua mãe, a Virgem Maria. "Os tempos são maus", disse Nossa Senhora da Medalha Milagrosa. Mas ela também prometeu a Santa Catarina Labouré: "Quando tudo parecer perdido, lá eu estarei convosco". Se a perseguição e a guerra se abaterem sobre nós, aferrados a Jesus e Maria, nada perderemos.

Sede, ó dulcíssimo coração de Maria, a nossa salvação!

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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A freira que não recuou diante da guerra

A irmã Maria de Guadalupe Rodrigo está em missão na Síria desde que a guerra começou. E não tem nenhuma pretensão de sair de lá.

A crise na Síria é uma das mais graves das últimas duas décadas, com milhões de pessoas desabrigadas e mais de 210 mil mortos.

"Eu não sabia o que era a guerra", revela à agência Zenit a freira Maria de Guadalupe Rodrigo. "Não é possível imaginar o seu alcance até que a vivamos na pele. É o flagelo mais horroroso que pode sofrer um povo."

Vivendo desde 2011 na cidade de Alepo, a mais atingida pelo conflito, essa missionária argentina entrou para a vida religiosa com apenas 18 anos, em uma congregação relativamente nova, o "Instituto do Verbo Encarnado". Ao fazer sua profissão, essa servidora "do Senhor e da Virgem de Matará" (SSVM) — o ramo feminino da comunidade — abandonou o nome de batismo, Jimena, para chamar-se María de Guadalupe. A troca, no entanto, não lhe tirou o sobrenome Rodrigo, herdado de seu avô espanhol.

Tendo partido em missão com 23 anos de idade, Maria de Guadalupe já se instalou em muitos países do Oriente Médio e do norte da África, como Palestina, Egito, Jordânia e Tunísia. Ainda que as condições variem muito de um lugar para o outro, a freira garante que "o cristão sofre perseguição e discriminação em todos esses países".

Antes de que explodisse a chamada "Primavera Árabe" e começasse o conflito armado na Síria, porém, ela conta que "a tranquilidade e a paz que se vivia" ali "eram totalmente atípicas para o resto dos países" que ela havia conhecido:

"Se havia algo que não se esperava na Síria era que se conflagrasse uma guerra, tal era o ambiente de tranquilidade e convivência pacífica que se vivia entre cristãos e muçulmanos. Mas, uma vez que esses grupos extremistas irromperam no país, era de esperar-se a entrada do Estado Islâmico.

[...]

A morte violenta dos entes queridos; o risco cotidiano de morte; o exílio de perder casa, trabalho e futuro; o medo, a fome, o frio e a sede, e tudo somado a uma longa agonia de anos, fazem da guerra o flagelo mais horroroso que um povo possa sofrer."

A olhos humanos, está claro que não existe previsão de melhora. "Ainda que por vezes a Síria deixe de aparecer nas manchetes, a situação é essencialmente a mesma", relata a irmã. "Continuam os enfrentamentos, morrem cristãos todos os dias e o Estado Islâmico está muito longe de ser derrotado."

Aos cristãos desarmados e desamparados, o que resta é viver cada dia como se fosse o último.

E eles vivem! Intensamente.

Perguntada sobre como os sírios que crêem em Cristo vivem a sua fé, a religiosa louva neles "a sabedoria que têm para compreender e aceitar a dor":

"Não culpam a Deus, muito pelo contrário. Ao perder tudo, agarram-se ainda mais a Ele. Um senhor me dizia: 'Nós necessitávamos desta grande prova. Nosso cristianismo estava demasiado distraído com as coisas do mundo'. A fé faz com que eles descubram que Deus sabe tirar bens dos males. É isso o que leva uma jovem que por causa da guerra se aproximou de Deus e da vida paroquial a dizer: 'Vocês não vão acreditar, mas estes anos têm sido os mais felizes da minha vida!'.

[...]

Pode parecer um disparate... mas, compartilhando a vida com esse povo que está sofrendo atrozmente, o que mais me marcou foi a sua alegria. A gente vê eles sorrirem mais do que antes! E festejar porque chegou a eletricidade (durante uma ou duas horas diárias) ou porque conseguiram tomar banho (a água chega a cada oito dias), agradecendo cada pequeno dom de Deus.

Assim vivem eles, e isso contagia. O contato tão próximo com a morte faz com que a vida tome outro sentido, e que se viva plenamente. Não há tempo para perder, este pode ser meu último dia, como quero vivê-lo? Não é a alegria superficial e vã, mas aquela quase infinita de quem já tem os olhos postos no Céu."

A freira argentina já deu seu precioso testemunho em muitos lugares. Uma vez, na Espanha, em evento promovido pela instituição "Ajuda à Igreja que sofre", a sua fala foi gravada e tornada disponível na íntegra via Internet. Trata-se de uma oportunidade única de conhecer o dia a dia da Igreja dos mártires que sofre e derrama o seu sangue por Jesus ainda nos dias de hoje:

Nessa verdadeira via crucis que enfrentam, os cristãos de Alepo contam com a presença e a determinação dessa freira, que assegura a sua permanência no país, mesmo com toda a situação adversa por que passa:

"É justamente isso o que me anima a seguir! Pode haver melhor ocasião para viver em plenitude nossa vocação de serviço e de entrega?

[...]

Recordo que admirava as missionárias de nosso Instituto que se ofereciam para ir a lugares em guerra. 'Que coragem! — pensava — Eu não seria capaz...'. E acontece que me encontro vivendo em meio à guerra há quatro anos sem sequer haver cogitado de ir embora. Creio que é a graça de Deus, e que nos vem dada também como mérito por tantos que nos sustentam com suas orações."

Ainda em entrevista a Zenit, a irmã Maria de Guadalupe pede, para a resolução do conflito na Síria, a ação efetiva do Ocidente e, sobretudo, as orações da Igreja em todo o mundo. "As dimensões desta guerra fazem pensar que só um milagre poderia detê-la, mas se há algo que aprendemos vivendo na Síria é que os milagres são mais recorrentes do que se pensa", confirma a religiosa. "Não deixemos de rezar pela paz! Roguemos incansavelmente a Deus, nosso Senhor, o único que pode dobrar e converter os corações."

Com informações de AIS/Zenit | Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Padre é degolado enquanto rezava Missa na França

O martírio do padre Jacques Hamel, de 84 anos, aconteceu esta manhã, em uma igreja da região da Normandia, norte da França. O Estado Islâmico já assumiu a autoria do ataque.

Aconteceu esta manhã, em uma igreja da cidade de Saint-Etienne-du-Rouvray, no norte da França:

Dois homens armados com facas fizeram reféns um padre, duas freiras e dois fiéis em uma igreja de Saint-Etienne-du-Rouvray, na região da Normandia, no norte da França, na manhã desta terça-feira (26). O padre de 84 anos foi morto. Outros três reféns ficaram feridos - um em estado grave.

O Estado Islâmico reivindicou a autoria do atentado, que terminou após a polícia matar os dois terroristas. "Eles responderam aos chamados para atacar os países da coalizão internacional [luta contra o EI no Iraque e na Síria]", segundo a Amaq.

Poucos minutos antes, o presidente francês, François Hollande, já tinha declarado que os criminosos disseram pertencer ao grupo terrorista. Hollande, que foi até o local do crime, qualificou o ato como "um ignóbil atentado".

De acordo com o jornal francês "Le Figaro", os dois homens armados entraram na igreja durante uma missa. Fontes policiais informaram que pelo menos um deles usava barba e espécie de gorro de lã utilizado por muçulmanos.

[...]

O primeiro-ministro, Manuel Valls, expressou seu horror por este "ataque bárbaro contra uma Igreja". "Toda a França e todos os católicos estão feridos. Permaneceremos juntos", escreveu no Twitter.

Pouco menos de duas semanas depois do atentado que vitimou mais de 80 pessoas em Nice, no sul da França, o continente europeu conhece um novo mártir: o padre Jacques Hamel. Ele estava celebrando a Santa Missa no momento em que dois homens armados, cooptados pelo Estado Islâmico, invadiram a igreja e derramaram o seu sangue com uma lâmina.

Mal sabia esse sacerdote que, na manhã de hoje, ao levantar-se para oferecer o sacrifício do corpo e sangue do Senhor, ele acabaria entregando a própria vida em sacrifício e se configurando perfeitamente ao Crucificado. Quantos santos não aspiraram a vida inteira por esse ato de heroísmo! Que alegria tremenda não deve ser morrer por causa de nosso Senhor! Rezemos para que Cristo receba este sacerdote na glória do Céu, dê a ele o descanso eterno e nos conceda a graça de sua intercessão.

Rezemos também, neste dia trágico, por todos os franceses, para que redescubram depressa a alegria de serem católicos, unindo-se à Igreja dos mártires que sofre em todo o Oriente Médio. Seja o sangue desse sacerdote mártir a semente de novos cristãos.

Aproveitemos esta oportunidade, de nossa parte, para fazermos uma verdadeira meditação.

Não deixem de ler e assistir ao belíssimo testemunho da irmã Maria de Guadalupe Rodrigo, missionária no Oriente Médio, que pinta um retrato impressionante da guerra na Síria e nos convida a levarmos a sério a nossa fé, porque, no fim das contas, ela é a única coisa que não nos pode ser tirada.

Hoje, mais do que em outros dias, que essa verdade se grave particularmente em nosso coração, devolvendo-nos aquilo que nunca deveríamos perder: a têmpera dos mártires.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Mosteiro destruído por ISIS na Síria abrigava relíquias dos primeiros séculos da Igreja

O mosteiro católico de Santo Elias foi devastado pelo Estado Islâmico em 2015, mas só agora, com o território provisoriamente retomado, está sendo possível avaliar os estragos causados pelos terroristas.

Os ossos de um mártir foram encontrados entre as ruínas do Mosteiro de Santo Elias, na cidade síria de Al-Qaryatain, retomada das mãos do Estado Islâmico no último domingo (3). Fotos tiradas no local mostram um sarcófago destruído contendo ossos e um crânio.

As imagens, tiradas por uma repórter britânica, mostram as relíquias amontoadas no chão em meio aos destroços. Acredita-se que elas pertençam justamente ao santo que deu nome ao convento: o médico Elias, natural de Emessa (atual cidade de Homs), que foi martirizado em 284 d.C. por se recusar a negar a própria fé. A história diz que o santo foi cruelmente torturado e morto pelo próprio pai, que era um oficial romano.

Partes do Mosteiro de Santo Elias tinham 1.500 anos e, por hospedar os restos mortais de um santo, o local já foi destino de muitas peregrinações. No último dia 20 de agosto de 2015, porém, o lugar sagrado foi devastado por tropas do ISIS.

Capturado três meses antes pelos jihadistas, o padre Tiago Murad, então prior do convento, considerou um verdadeiro "milagre" ter sobrevivido e escapado das mãos de seus perseguidores:

Ainda que os cristãos no Oriente Médio nunca tenham experimentado tempos tão difíceis, a jihad islâmica contra os seguidores de Cristo existe desde os tempos de Maomé. O Islã chama os territórios em que ainda não vigora a lei da xariá dar al-harab, isto é, "casa da guerra": o combate dura até que os "infiéis" se convertam, paguem um imposto religioso ou pereçam pelo fio da espada.

O mosteiro católico de Al-Qaryatain, na Síria, não foi o único a ser destruído pelos terroristas do Estado Islâmico. No Iraque, uma comunidade antiquíssima, de mesmo nome, foi devastada na cidade de Mosul, em 2014. O crime só foi detectado por imagens de satélite.

Imagens do interior do mosteiro na Síria foram divulgadas pelo grupo Estado Islâmico.

É digno de nota que o monastério em cujas ruínas foram encontradas as supostas relíquias de Santo Elias esteja construído sobre o exato lugar em que ele provavelmente ofereceu a sua vida a Deus. A terra que recebeu o sangue dos primeiros mártires da Igreja continua testemunhando o escândalo da nossa fé. Ainda que as circunstâncias sejam outras e os perseguidores sejam diversos, o sangue que se derrama sobre o Oriente Médio é o mesmo que Tertuliano chamou de "semente de novos cristãos". O que pode explicar, afinal, tantas conversões de muçulmanos a Cristo na Europa, quando nem os próprios europeus sabem mais o que significa ser cristão?

À luz do mistério do Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja, podemos ir além e dizer que o sangue dos mártires feitos pelo ISIS realmente atualiza e continua o sacrifício redentor da Cruz. Nós sabemos, pela fé na comunhão dos santos, que os sofrimentos desses homens e mulheres de Deus não são em vão, mas redundam em benefício de todas as pessoas unidas pelos laços da fé e da caridade fraterna. A exemplo de São Paulo, elas completam em sua carne o que falta à paixão de Cristo (cf. Cl 1, 24).

Do mesmo modo, as relíquias de Santo Elias de Emessa têm um valor inegável. Agora, elas estão misturadas aos destroços de um mosteiro que talvez nunca mais venha a existir. Pela fé, no entanto, nós sabemos que o dono desses ossos ressuscitará dos mortos, e esses mesmos restos que hoje são profanados sobre o pó da terra serão transformados e elevados à glória do Céu — viverão para sempre! As relíquias preciosas que hoje beijamos e veneramos participarão, no fim dos tempos, da bem-aventurança eterna!

Rezemos, pois, para que cesse de vez a profanação das relíquias e dos lugares santos no Oriente. Que o respeito que os muçulmanos têm pela Virgem Santíssima os conduza ao seu divino Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em quem reside toda a razão da nossa esperança.

Com informações de Catholic Herald | Por Equipe Christo Nihil Praeponere