| Categoria: Espiritualidade

Confirmação, o sacramento dos soldados de Cristo

Pelo sacramento da Confirmação, “nós nos convertemos em soldados de Cristo e, armados adequadamente, empenhamo-nos em lutar ao seu lado contra o mundo, a carne e o demônio”.

São Luís de França

Sexta-feira da Oitava de Pentecostes

O sacramento da Confirmação

Considerai antes de tudo que a Confirmação é um sacramento por cuja virtude o fiel, se devidamente disposto, recebe o Espírito Santo juntamente com todos os seus dons e graças, a fim de tornar-se um cristão forte e maduro. Os Apóstolos foram confirmados de um modo maravilhoso pela descida visível do Espírito Santo no dia de Pentecostes; os demais fiéis, no entanto, haviam de ser confirmados por seus ministros, sucessores dos Apóstolos, ou seja, pelos Bispos da Igreja de Deus: "Eles rezaram [...], impuseram-lhes as mãos e receberam o Espírito Santo" ( At 8, 15.17; cf. 19, 6).

Dai graças ao Senhor por esta sagrada instituição, da qual Ele se serve para perpetuar na Igreja o envio de seu Espírito e a comunicação de suas graças. Que dignidade! que alegria é receber o Espírito Santo, Senhor do céu e da terra, fonte inesgotável de toda graça! Ele, que é liberalíssimo em compartilhar os próprios tesouros, os leva consigo onde quer que sopre. Quantos, pois, fazem guerra a si mesmos, quer por rejeitarem este grande meio de receber o Espírito Santo, quer por dele se aproximarem sem as devidas disposições, privando-se assim dos seus benefícios, quer enfim por ousarem pervertê-lo em causa de condenação!

Considerai agora que a graça própria e peculiar deste sacramento é a transmissão de uma fortaleza celeste, quer dizer, de uma força espiritual, um valor e coragem que permitam nos mantenhamos fiéis a Deus e combatamos os inimigos, tanto visíveis como invisíveis, da nossa fé. Por força deste sacramento, convertemo-nos em soldados de Cristo; alistamo-nos nas fileiras desse grande Rei; pomo-nos sob a sua bandeira; somos marcados na fronte com o sinal da sua Cruz, emblema de todas as suas tropas; e, armados adequadamente, empenhamo-nos em lutar ao seu lado contra o mundo, a carne e o demônio.

Oh! quão glorioso é ostentar o título de soldado de Cristo! Quão gratificante é servi-lO! Mas o que lucramos em seguir a Cristo como nosso capitão e ter o seu Santo Espírito para nos guiar, fortalecer, animar e defender? Oh! nobre é a retribuição que um tão grande Rei dá aos que combatem ao seu lado! Pois é Ele mesmo a recompensa, e para todo o sempre: "Sê fiel até a morte", disse Ele, "e te darei a coroa da vida" ( Ap 2, 10).

Considerai por fim que no sacramento da Confirmação a alma é consagrada a Deus de um modo peculiar pela unção derramada por esse Santo Espírito, ao mesmo tempo que a fronte é ungida com o Santo Crisma, uma mistura de óleo e bálsamo solenemente consagrada na Quinta-feira Santa pelos Bispos da Igreja de Deus e guardada nas igrejas com toda a reverência, para ser utilizada apenas na consagração dos objetos mais solenemente dedicados a Deus ou mais estreitamente destinados ao culto divino. Por isso, a Igreja emprega este santo óleo na Confirmação para fazer-nos compreender que nela também nós somos santificados, oferecidos e consagrados solenemente a Deus para sermos templos do seu Espírito; pois assim como a unção e consagração do corpo são sinais externos da unção e consagração invisíveis da alma por obra do Espírito de Deus, assim também todos os demais sacramentos são sinais externos da graça interna.

Cristãos, que pensais dessa consagração de vossas almas? Já vos considerastes a vós mesmos um povo entregue de forma especial a Deus e santificado pelo unção do seu Espírito? Refletistes alguma vez que fostes santificados com a mesma consagração com que se dedicam ao serviço divino os altares e templos de Deus? De agora em diante não vos esqueçais disso, e permiti que vossas vidas manifestem que sois templos vivos do Deus vivo.

Fazei, em conclusão, o propósito de ter em alta conta a graça de vossa Confirmação e de viver à altura do caráter com que fostes selados. Procurai comportar-vos sempre de modo a crescerdes na perfeição cristã e vos tornardes soldados de Cristo. Que não recebais inutilmente tão preciosa graça.

Por D. Richard Challoner — Liturgia Latina | Tradução: Equipe CNP

| Categoria: Espiritualidade

Como saber se o Espírito Santo está presente em minha alma?

Se são estas as tuas sinceras disposições e determinações, “o Espírito Santo está contigo; mas se, pelo contrário, não te vês assim decidida, não há em teu coração espaço para Ele, pois Satã o está ocupando”.

Quinta-feira da Oitava de Pentecostes

Os sinais da presença do Espírito Santo na alma

Considerai, em primeiro lugar, que a maneira mais segura de sabermos se o Espírito Santo está ou não presente à alma é por seus frutos. O Espírito de Deus nunca está ocioso; Ele é um fogo que sempre queima, sempre se move, sempre tende para o alto. Se nada disto vemos em nossa alma, temos bons motivos para crer que Ele não está em nós. Seus frutos são a caridade, a alegria, a paz, a paciência e muitos outros; ora, se não temos nenhum desses frutos, Ele não está conosco.

Ouve, pois, meu filho: como está a tua fé? firme? viva? Ou antes débil e morta? Ela se manifesta no dia-a-dia? Tens vivido por ela? Qual é a tua esperança? O que pensas das coisas eternas? Que cuidado tens das coisas do espírito? Como é a tua devoção? Como amas a Deus e ao próximo? Alimentas o desejo de progredir diariamente nas veredas de Deus? Se te examinares nestes pontos, ser-te-á fácil julgar se tens ou não o Espírito Santo ao teu lado. E não há mais seguro indício da presença divina do Espírito do que um constante e fervoroso desejo de amar a Deus cada dia mais, de O conhecer e cumprir-Lhe a vontade em todas as coisas. E tu, acaso encontras em ti o desejo de O amar e agradar? Se dizes que sim, então o Espírito de Deus não pode estar longe de ti.

Considerai agora que, sendo infinita a distância que separa o Espírito de Deus do pecado voluntário, outro dos sinais seguros de que o Espírito Santo habita nossa alma é a vontade firme e constante de evitar todo pecado deliberado, com a determinada determinação de nunca mais admitir, sob o aspecto que for, tudo quanto seja pecaminoso. Ó minh'alma, quais as tuas disposições a esse respeito? Estás tu inteiramente empenhada em ser, tanto na vida como na morte, fiel e leal ao teu Deus? Renuncias resolutamente, agora e para sempre, a Satanás e suas obras? É esta a tua constante e assentada decisão de nunca mais transgredir a lei sagrada e os Mandamentos de Deus, seja por honras mundanas ou prazer, por respeito humano, seja por amor ou medo a quanto o mundo pode dar ou subtrair, seja enfim por qualquer outro motivo? Se esta é a tua sincera disposição e determinação, o Espírito Santo está contigo; mas se, pelo contrário, não te vês assim decidida, não há em teu coração espaço para Ele, pois Satã o está ocupando.

Considerai, em terceiro lugar, que aonde quer que o Espírito Santo se dirija Ele convence "o mundo do pecado, da justiça e da sentença" ( Jo 16, 7). Ele convence, pois, a alma do pecado na medida em que a ilumina com a sua presença, fazendo-a compreender a feiúra do pecado, bem como o número e a gravidade de suas próprias faltas, e inspirando-lhe um horror por esse monstro infernal e um desejo de exterminá-lo pela penitência. O Espírito também a faz enxergar manchas onde ela julgava estar limpa, e humilha o seu orgulho convencendo-a de suas várias culpas. Ó alma, sabes já o que é estar convencido do pecado?

Com sua vinda o Espírito Santo convence-a também da justiça de Cristo e de sua lei celestial, da beleza das virtudes e da santidade, do prazer e da felicidade que se sentem ao servir a Deus de perto. Estás convencida, ó alma, disso tudo na prática? Preferes de fato o maná descido do Céu às lentilhas do Egito?

O Espírito Santo, ainda uma vez por sua vinda, convence a alma do falso juízo que ela até agora tem formado, ao seguir o mundo e o príncipe deste mundo, o qual já foi julgado e condenado, e do reto juízo que deve ter de todas as coisas, a fim de livrar-se do julgamento que, caso não o faça, Deus fará recair um dia sobre ela. E tu, ó minh'alma, te vês convencida desse julgamento? Estão os teus juízos acerca da verdade e do erro, da veracidade e da vaidade, do tempo e da eternidade, retificados pelo Espírito Santo? Não tens por acaso, por um perverso engano, seguido o príncipe deste mundo, em vez de Cristo; as máximas mundanas, que não passam de mentiras, em vez do exemplo dos santos, que ponderam todas as coisas na balança da santidade? Que o teu modo de julgar as coisas resista à prova do último grande Julgamento.

Concluí, pois, que é examinando os sinais como os aqui descritos que podeis discernir se o Espírito de Deus está ou não convosco. Se percebeis em vós algum dos indícios de sua presença, rendei-Lhe humildes ações de graças; não vos fieis, porém, de vós mesmos, a fim de não serdes ludibriados por vosso amor-próprio, ou separados do Espírito por causa do vosso orgulho. Se, por outro lado, não sois capazes de perceber as marcas de que Ele vos acompanha, chorai vossa miséria, e não vos deis nenhum descanso; chorai lágrimas de penitência, rezai com fervor, recorrei enfim a todos os meios de O trazer de volta às vossas almas, até que possais ter outra a vez a esperança de O terdes em vossos corações.

Por D. Richard Challoner — Liturgia Latina | Tradução: Equipe CNP

| Categoria: Doutrina

O ser humano deve ter medo de Deus?

O que quer dizer a expressão “temor de Deus”, tão repetida pelas Escrituras e pelos santos da Igreja? Por acaso devemos “sentir medo” de Deus? Não seria isso contrário ao mandamento do amor, que é o maior de todos os preceitos?

As Escrituras dizem que "o temor de Deus é o princípio da sabedoria" (Sl 110, 10) e a Igreja, por sua vez, enumera este como um dos sete dons do Espírito Santo.

A alguns ouvidos, porém, a expressão "temor de Deus" pode soar estranha. O que ela realmente significa? Por acaso devemos "sentir medo" de Deus? Não seria isso contrário ao mandamento do amor, que é o maior de todos os preceitos?

A resposta precisa a esses questionamentos todos podemos encontrar, como de costume, na obra de Santo Tomás de Aquino. Antes de apreciarmos o que o Aquinate diz a respeito desse assunto, no entanto, permita-nos compartilhar com vocês, leitores, a grande alegria de pertencer a esse edifício maravilhoso que é a Igreja de Cristo. Não é confortante descobrir que as dúvidas que encontramos em nossa caminhada na Fé já foram respondidas pelos místicos e doutores da Igreja, e que nós não precisamos "construir" nem "inventar" coisas novas? Que Deus não só inspirou os autores da Bíblia, mas também os seus intérpretes, para que pudéssemos chegar todos ao conhecimento da Verdade?

Como é bom viver na segurança da doutrina católica de dois mil anos!

Mas retomemos o fio da meada.

Em primeiro lugar, o testemunho das Escrituras é muito claro: Deus deve sim ser temido. Para confirmá-lo, Santo Tomás cita pelo menos dois versículos bíblicos: "Quem não te temerá, ó Rei das nações?" (Jr 10, 7) e "Se eu sou o Senhor, onde está o temor que me é devido?" (Ml 1, 6).

É óbvio que não vale, para contradizer essas passagens, dizer que elas "estão no Antigo Testamento", como se as palavras que Deus inspirou aos patriarcas e profetas valessem menos que as do Novo; ou como se o Deus de Abraão, Isaac e Jacó fosse diferente do Deus que se fez carne e veio fazer morada no meio dos homens — Jesus Cristo. O que precisamos fazer, como bons católicos, é ler em sintonia tanto as páginas do Velho quanto as do Novo Testamento. Se algo parece entrar em contradição — coisa que acontece não poucas vezes a quem tem o hábito de ler e meditar as Escrituras —, "mãos às obras" dos bons teólogos, que são os santos. Eles podem nos ajudar a compreender o que diz a Palavra de Deus.

Perguntemos, pois, de modo diferente: como deve Deus ser temido?

A resposta do Doutor Angélico é de uma clareza cristalina. O temor é algo colocado nos seres humanos para que eles fujam do mal. Ora, Deus é o sumo Bem, não devendo ser temido, portanto, como se fosse um assaltante ou uma pessoa má, mas só enquanto "podemos ser ameaçados de um mal, quer proveniente dele, quer relativamente a ele" [1]: quer um castigo nesta vida, portanto, quer a separação de Deus, que acontece quando caímos na desgraça do pecado mortal.

A melhor analogia para entendermos em que consiste o temor de Deus é considerar a obediência que devemos aos nossos pais, especialmente se ainda moramos na mesma casa que eles. Podemos temer uma punição que venha de suas mãos, caso façamos algo de errado (temor servil); ou mesmo temer que sejamos separados deles, já que os amamos e queremos bem (temor filial). Aquele primeiro temor, explica o pe. Royo Marín, "ainda que imperfeito, é bom em sua substância, já que nos faz evitar o pecado e se ordena a Deus como fim" [2]. Todos os cristãos, porém, precisamos sair desse estágio para vivermos plenamente nossa vocação de filhos de Deus, que cumprem os Mandamentos não simplesmente por temerem o chicote, mas principal e predominantemente por amarem a Deus.

É nesse sentido que São João afirma que "o perfeito amor lança fora o temor, pois o temor implica castigo, e aquele que teme não chegou à perfeição do amor" (1 Jo 4, 18); e que Santa Teresinha do Menino Jesus, já ao final de sua vida, confessa: "Não posso temer a um Deus que se fez tão pequenino por mim... Amo-o!... Pois ele é só Amor e Misericórdia!" [3].

O temor filial, no entanto, é um dom do Espírito Santo e integra o organismo espiritual que nos faz amigos de Deus. Por isso, os santos — todos eles, sem exceção — temeram ao Pai do Céu. Evidentemente, não com o temor de Adão e Eva, que se esconderam da face divina por verem nEle um inimigo ou um adversário (cf. Gn 3, 8). O sadio temor de Deus é o que tinha a Virgem Maria, que proclamou em seu Magnificat: "Sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem (timentibus eum)" (Lc 1, 50).

Santo temor de Deus é o que tinha São João Maria Vianney, quando rezava:

"Eu Vos amo, Senhor, e a única graça que Vos peço é a de amar-Vos eternamente.

Eu Vos amo, meu Deus, e desejo o céu para ter a felicidade de Vos amar perfeitamente.

Eu Vos amo, meu Deus infinitamente bom, e temo o inferno porque lá não haverá nunca a consolação de Vos amar." [4]

Santo temor a Deus possuía, por exemplo, São João de Ávila, a quem é atribuído este famoso soneto a Cristo crucificado:

Não me move, meu Deus, para querer-te
O céu que me hás um dia prometido;
E nem me move o inferno tão temido
Para deixar por isso de ofender-te.

Tu me moves, Senhor, move-me o ver-te
Cravado nessa cruz e escarnecido
Move-me no teu corpo tão ferido
Ver o suor de agonia que ele verte.

Moves-me ao teu amor de tal maneira,
Que a não haver o céu ainda te amara,
E a não haver o inferno te temera.

Nada me tens que dar porque te queira;
Que se o que ouso esperar não esperara,
O mesmo que te quero te quisera.

Essas orações, feitas por pessoas de grande caridade, mostram como o temor filial, ao contrário do servil, anda sempre de mãos dadas com o amor. Quem ama, afinal, está unido à pessoa amada — já que a união é o ato próprio do amor — e a coisa que mais teme é ver-se separado do objeto amado. Por isso, São Domingos Sávio, desafiando o mundo, assumia o compromisso de "antes morrer do que pecar", tão grande era o seu amor a Deus e o medo de perder a sua amizade pelo pecado.

Quanto a nós, procuremos trilhar o mesmo caminho de amor que seguiram os santos, determinando-nos a perder tudo para não ofendermos a Deus, que é o único verdadeiro Bem de nossas almas. Até que, no Céu, não nos reste senão o temor reverencial de criaturas, uma vez que estaremos permanentemente unidos a Deus, e desta vez para sempre, sem possibilidade nenhuma de separação.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Cf. Suma Teológica, II-II, q. 19, a. 1.
  2. Antonio Royo Marín, Teología de la Perfección Cristiana. Madri: BAC, 2015, p. 503.
  3. Santa Teresinha do Menino Jesus, Carta 266, para o Padre Bellière, de 25 de agosto de 1897. In: Escritos e Últimos Colóquios, São Paulo: Paulus, 2002, p. 500.
  4. Presbíteros, Oração Oficial para o Ano Sacerdotal.

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Novena de Pentecostes 9º dia - A inteligência e a sabedoria

Neste mundo, a compreensão dos mistérios da fé está totalmente voltada ao Amor.

No último dia de nossa novena, falaremos dos dons mais elevados do Espírito: a inteligência e a sabedoria.

Estes dons estão ligados ao fato de que nós, pela fé, ainda temos um conhecimento limitado de Deus. É a inteligência que nos dá a conhecer mais profundamente os mistérios da fé, diferentemente da ciência, que, como vimos, nos ajuda a perscrutar as realidades naturais. É possível perceber a sua ação quando, por moção da graça, em um momento específico de oração ou de escuta da Palavra de Deus, as realidades eternas de algum modo se abrem ante nossos olhos, fazendo-nos contemplar a grandeza do Amor.

É importante destacar que, neste mundo, a compreensão dos mistérios da fé está voltada justamente para o Amor. Quanto mais conhecemos a Deus, mais podemos amá-Lo. Quando, pela visão beatífica, contemplarmo-Lo face a face, conheceremos completamente, como somos conhecidos (cf. 1 Cor 13, 12), e esse conhecimento nos divinizará de tal modo que nosso amor estará totalmente em sintonia com o amor divino. Por isso, diversamente do que acontece aqui, no Céu, a faculdade de nossa inteligência será superior à da vontade.

Para aperfeiçoar a virtude da caridade, é necessário o dom da sabedoria. Do latim sapere, tem que ver com “saborear". Assim, por este dom, somos capazes de “sentir o gosto" das coisas divinas. Entramos de tal modo no conhecimento dos mistérios de Deus que ele, de algum modo, se torna operativo no amor.

Por isso, quando acontecem tragédias e crises na vida das pessoas, o sábio é capaz de enxergar nessas situações a mão providente do Senhor. Trata-se do sopro divino que transforma as tribulações em ocasiões extraordinárias para amar a Deus... e abraçar a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Com efeito, diz o Apóstolo, “nós (...) proclamamos Cristo crucificado, (...) loucura para os pagãos" (1 Cor 1, 23). O caminho da Cruz não é a exceção, mas a regra. Os santos, mesmo sentindo o drama do sofrimento – afinal, o próprio Cristo suou sangue no Monte das Oliveiras (cf. Lc 22, 44) –, conformavam-se à vontade de Deus, pois, pela sabedoria, eram capazes de enxergar nela o Seu amor e a Sua bondade.

Também nós somos chamados a seguir as pegadas dos santos, fortalecendo a nossa amizade com Deus, mais valiosa que todo o mundo natural. Para tanto, urge pedirmos ao Espírito Santo as graças atuais necessárias para amá-Lo e servi-Lo de todo o coração. Ao fim da caminhada, cremos poder repetir com o Apóstolo: “Eu vivo, mas não eu: é Cristo que vive em mim" (Gl 2, 20).

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Novena de Pentecostes 8º dia - A ciência, a fortaleza e o conselho

Como os dons do Espírito Santo iluminaram a vida dos santos e mártires da Igreja

Hoje, ainda sobre os dons do Espírito Santo, falaremos, sobre a ciência, a fortaleza e o conselho.

O dom da ciência permite-nos enxergar a realidade das coisas, de modo sobrenatural. Pelo pecado original, corremos o perigo de cair em uma ilusão, não enxergando a realidade como ela é de fato. Então, Deus sopra na vela da ciência, a fim de olharmos as coisas como elas são. Neste dom, há um lado positivo, que é enxergar nas criaturas as pegadas do Criador, como fez São Francisco de Assis, e um lado negativo, que é olhar para o mundo criado e perceber o quanto tudo é vazio e sem sentido sem a presença de Deus.

Os santos, impulsionados pelo dom da ciência, também conseguiam enxergar a gravidade do pecado, em todo o seu horror. Não tinham essa percepção por conta de um “complexo de culpa" – afinal, estavam em estado de graça e já tinham sido perdoados por seus pecados –, mas pelo grande amor que tinham para com Deus.

O dom da fortaleza é um aperfeiçoamento da virtude da fortaleza. Nesta, é a pessoa que tem a coragem de enfrentar os males com a graça cooperante de Deus; naquela, é Deus quem passa a ser forte nela, operando diretamente em sua alma. Sem dúvida, os mártires, como Santa Inês e Santa Maria Goretti, só conseguiam entregar a sua vida por causa deste dom. A debilidade humana não poderia justificar tamanho destemor. Pode-se dizer, então, que é verdadeiramente Cristo quem morre nos mártires.

Para descobrir o ponto de equilíbrio da fortaleza, surge o dom do conselho, que é um aperfeiçoamento da virtude da prudência. Por esta, somos capazes de discernir o modo certo de agir. No entanto, a própria virtude infusa é insuficiente para julgar tudo. Por isso, o Espírito vem em nosso socorro, atentando-nos à advertência de Cristo: “Sede, portanto, prudentes como as serpentes e simples como as pombas" (Mt 10, 16).

Quando rezamos e recebemos uma inspiração divina dizendo para onde devemos ir, é o Espírito soprando na vela do conselho, a fim de iluminar as nossas decisões.

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Novena de Pentecostes 7º dia - A piedade e o temor de Deus

Quem ama de fato o Senhor confia em sua providência e teme perder a sua amizade.

A origem dos “dons do Espírito Santo" é retirada das próprias Sagradas Escrituras: “Um broto vai surgir do tronco seco de Jessé, das velhas raízes, um ramo brotará. Sobre ele há de pousar o espírito do Senhor, espírito de sabedoria e compreensão, espírito de prudência e valentia, espírito de conhecimento e temor do Senhor" (Is 11, 1-3). No texto original hebraico, a palavra “piedade" é a mesma de que vem o dom do “temor do Senhor".

O temor do Senhor, diz o salmista, é “o princípio da sabedoria" (Sl 110, 10). Este dom, no entanto, não se trata do temor mundano, o “respeito humano" que geralmente guia a conduta dos pecadores, nem do temor servil, que aqueles que se convertem têm no início de sua caminhada, deixando de pecar por medo das penas do inferno. É, antes, um medo de ofender a Deus com o pecado. Quem ama de fato o Senhor teme perder a Sua amizade. Além disso, treme diante de Sua majestade e de Sua grandeza. Quando, na oração, começa perceber o abismo que existe entre si e o Criador, envereda pela senda do temor.

Esse mesmo temor – que se pode chamar filial, pelo fato de o próprio Filho de Deus o possuir em Sua humanidade – manifesta-se também no dom da piedade, que consiste em uma devoção para com o Pai, uma devoção que se dispõe a passar pelo “vale escuro" (Sl 23, 4) sem desistir d'Ele.

Estes dois dons são, então, “dois lados da mesma moeda": unem o temor filial que sabe adorar ao coração dócil que sabe confiar, mesmo em meio à tempestade e à provação.

Peçamos a Deus, neste dia, que nos faça passar rapidamente pela via purgativa e sopre em nós o Espírito, a fim de compreendermos a gravidade do pecado e a grandeza da majestade e do amor de Deus, aos quais devemos corresponder.

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Novena de Pentecostes 6º dia - O combate dos pecados veniais

Para progredir no caminho espiritual, é preciso determinar-se em não ofender a Deus nem mesmo com os pecados veniais

No quinto dia de nossa novena, diferenciamos a graça cooperante, que atua em nossas virtudes, da graça operante, que age nos dons do Espírito Santo. Sobre esta última, o pe. Reginald Garrigou-Lagrange faz um questionamento importante, ao qual se segue uma resposta ainda mais importante para nossa vida espiritual:

“Como é possível que muitas pessoas, depois de ter vivido quarenta ou cinquenta anos em estado de graça e recebido com frequência a santa comunhão, quase não deem sinal da presença dos dons do Espírito Santo em sua conduta e em seus atos, se irritem por qualquer besteira, e levem uma vida completamente fora do sobrenatural? Tudo isto provém dos pecados veniais que com frequência cometem sem nenhuma preocupação; estas faltas e as inclinações que daí derivam tornam estas almas inclinadas à terra e mantêm como que atados os dons do Divino Espírito, assim como asas que não se podem abrir." [1]

A dificuldade que temos em crescer nas virtudes está no fato de cairmos no pecado mortal. Para que se manifestem os dons em nós, no entanto, é preciso que lutemos também contra as faltas veniais. Se não nos determinarmos a isso, os dons do Espírito estarão em nós apenas habitualmente e não em atos.

O combate ao pecado venial, não por um “moralismo neurótico", mas por amor a Deus, faz parte da via purgativa da vida interior. Para progredir no caminho espiritual, é preciso ser generoso, seguir com uma “determinada determinación" [2] de não ofender a Deus nem mesmo com os pecados veniais. Assim, subiremos ao Céu, mais do que à força de remos, pelo sopro do Espírito nas velas de nossa alma.

Referências

  1. Las Tres Idades de La Vida Interior, II, 3, 22. Arquivo em PDF, p. 261
  2. Santa Teresa de Jesus, Camino de Perfección, 21, 2

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Novena de Pentecostes 5º dia - A mediação da Rainha dos Anjos

As graças atuais, ao vir a nós, passam pelas mãos de Nossa Senhora, medianeira de todas as graças, e de nossos anjos da guarda.

Como vimos em outros dias de nossa novena de Pentecostes, o nosso organismo espiritual recebe de Deus as virtudes infusas – que são a fé, a caridade, a esperança, a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança – e também os sete dons do Espírito Santo – que são a fortaleza, a sabedoria, a ciência, o conselho, o entendimento, a piedade e o temor de Deus. Vimos também, na analogia com o barco, que as virtudes são como os remos; e os dons, como as velas. Aquelas são operadas por nós e o Senhor, com a graça cooperante, nos ajuda; estes são inflamados pela graça operante de Deus, carecendo tão somente de nossa docilidade para produzir efeitos.

É importante notar, ainda falando sobre a graça atual, que esta não age na alma somente para as virtudes e os dons, mas em todas as ocasiões. É a mesma graça que recebemos para manter o estado de amizade com Deus, para crescer na vida espiritual e, ainda, para nos arrependermos de nossos pecados. Quando, por infelicidade, perdemos a graça santificante, são as graças atuais que nos fazem confiar na misericórdia de Deus, ter medo do inferno, desejar a recompensa do Céu e procurar o sacramento da Confissão. Isto pode acontecer seja por moções interiores, seja por realidades externas, como aconteceu ao filho pródigo, que só se voltou a si mesmo quando tentou experimentar a lavagem dos porcos (cf. Lc 15, 11-32).

É certo, também, que as graças atuais que pedimos a Deus sempre vêm a nós pelas mãos de Nossa Senhora, medianeira de todas as graças, e de nossos santos anjos da guarda. Não se pode separar do “mediador entre Deus e a humanidade (...) Jesus" (1 Tm 2, 5) os membros de Seu Corpo. Por isso, Maria Santíssima participa da dispensação das graças divinas a todos os homens.

Ao invocarmos o Espírito Santo, então, façamo-lo por meio da poderosa intercessão do Imaculado Coração de Maria, Sua amadíssima esposa, e dos santos anjos, que estão a serviço de Deus para a nossa salvação.

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