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Consagração a Nossa Senhora, um caminho de santidade

Quem quer ser santo, mais que amar Nossa Senhora, deve devotar-lhe toda a sua vida.

Os verdadeiros devotos de Nossa Senhora devem amá-la não simplesmente com um amor humano, mas com amor teologal, amor caridade, por causa de Deus, de modo que, quando louvem Maria e contemplem suas virtudes, Deus seja amado e glorificado.

Mas, por que, afinal de contas, consagrar-se à Virgem Santíssima? É preciso lembrar que “consagração" é o nome curto dessa devoção, cujo nome completo é “consagração a Jesus Cristo, a Sabedoria encarnada, pelas mãos de Maria". Ou seja, a entrega é feita a Nosso Senhor, por meio de Sua mãe. Não se faz a consagração “diretamente" a Jesus porque Ele mesmo, na Cruz, inaugurou a mediação maternal de Maria, quando disse a São João: “Eis a tua mãe", e a Maria: “Mulher, eis o teu filho". O Autor Sagrado escreve que “a partir daquela hora, o discípulo a acolheu no que era seu", tomando-a intimamente para si (Jo 19, 27). Por isso, os cristãos se entregam de modo total a Maria, repetindo o que também foi o lema do pontificado de São João Paulo II: “Totus tuus ego sum, Maria, et omnia mea tua sunt – Sou todo teu, Maria, e tudo o que é meu pertence a ti".

Ao longo da história da Igreja, no entanto, começaram a aparecer devotos críticos e escrupulosos, tachando os piedosos atos de amor a Nossa Senhora de “indiscretos" ou “exagerados". Na França de São Luís de Montfort, os jansenistas chegaram a distribuir vários panfletos contendo “advertências" contra os “excessos" de amor à Mãe de Deus.

Para se defenderem, esses críticos dizem que o próprio Jesus tratava com desprezo Sua mãe [1]. Nada mais falso. Se é verdade que Nosso Senhor “quis humilhá-la e escondê-la durante a vida para favorecer a sua humildade" [2], como testemunham as próprias Escrituras (cf. Mt 19, 16-19), também é certo que, após ascender aos céus e glorificar Consigo Sua mãe, passou a cumprir-se a profecia do Magnificat de que “doravante, todas as gerações hão de chamar-me bem-aventurada" (Lc 1, 48), e também a visão do Apocalipse de São João: “Então apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida com o sol, tendo a lua debaixo dos pés e, sobre a cabeça, uma coroa de doze estrelas" (Ap 12, 1).

Jesus escondeu a Sua mãe nesta terra para elevá-la à glória no Céu. Assim fez Consigo e também assim fará conosco: quem, à imitação de Maria, for “cheio de graça" nesta vida, tanto mais glória possuirá no Céu.

Embora esteja de corpo e alma no Céu, Maria permanece na vida dos cristãos, por meio de uma presença virtual e de uma presença afetiva. A primeira consiste em uma presença “ativa". O termo “virtual" não tem nada que ver com computação gráfica. Em teologia, significa força, ação, atividade. Pelo maravilhoso mistério da comunhão dos santos, a Virgem Santíssima, mesmo estando gloriosa no Céu, está bem perto de nós. Quanto à sua presença afetiva, diz respeito ao amor que ela nos devota e ao qual nós devemos corresponder, por amor a Deus. De fato, quando se fala de santidade, fala-se de um crescimento generoso no amor, como explica acertadamente Santo Tomás de Aquino [3].

Por fim, importa falar sobre a obrigação da consagração a Nossa Senhora. Se, por um lado, ela não é necessária para quem quer salvar-se, é-o para quem quer chegar a ser perfeito. Quem deseja simplesmente salvar-se, pode contentar-se simplesmente com cumprir os Mandamentos, mas quem quer ser santo, além disso, devota-se inteiramente a Jesus, amando-O por meio de Sua santíssima mãe.

Referências

  1. Cf. RC 107: Pode ter Jesus desprezado a sua mãe?
  2. São Luís de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, 5
  3. Suma Teológica, II-II, q. 24, a. 9

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A vida de São Luís Maria Grignion de Montfort

A vida do apóstolo da Virgem Maria que se gloriou somente na Cruz de Cristo

Hoje, devido à mudança dos equipamentos do site para o novo estúdio, não teremos a transmissão do nosso tradicional programa ao vivo. Mas, nesta data especial, dia de São Luís Maria Grignion de Montfort, Pe. Paulo Ricardo gravou um áudio especial para você. Confira!

Conheça a vida de São Luís de Montfort cuja doutrina sobre a Santíssima Virgem influenciou papas como Leão XIII, São Pio X, Pio XII e São João Paulo II. Alcançou, com apenas 16 anos de sacerdócio, uma estatura extraordinária: com sua pregação nada "politicamente correta", elevou verdadeiramente os corações dos homens ao alto. Ouça este áudio e descubra o que este grande servo de Deus tem a ensinar à Igreja e aos homens de hoje.

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São Luís de Montfort e o primado de Deus

“Para nos despojar de nós mesmos, é preciso morrer todos os dias”, diz São Luís de Montfort. O caminho da salvação continua sendo o caminho da Cruz.

O lema que inspirou a vida e o apostolado de São Luís Maria Grignion de Montfort resume-se em duas breves palavras: "Só Deus". Toda a sua existência – a ânsia de humilhações, desde muito cedo; o incansável ardor missionário, que o fez atravessar a pé grandes porções de terra; o amor à pobreza, que consagrou fazendo-se escravo de Maria Santíssima –, tudo apontava para o alto.

Para defender esse primado de Deus, São Luís não media palavras nem ficava "cheio de dedos": "Se a prudência consiste em não empreender nada de novo por amor de Deus e em não dar que falar, os Apóstolos cometeram um grande erro quando saíram de Jerusalém, São Paulo não devia ter viajado tanto nem São Pedro levantado a cruz no Capitólio" [1], dizia. Contra o respeito humano, ele ostentava, com coragem, o seu terço e um grande crucifixo, com os quais partia em missão França afora, pregando, levantando cruzeiros e reconstruindo igrejas.

Fiel às palavras de Jesus – "Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me" [2] –, não se gloriava em nada senão na Cruz de nosso Senhor. Assim como São Paulo que, tendo "muitas coisas grandiosas e divinas para recordar a respeito de Cristo, não disse que se gloriava dessas grandezas admiráveis (...), mas afirmou: "Quanto a mim, que eu me glorie somente na cruz do Senhor nosso, Jesus Cristo" [3], São Luís proclamava:

"Encontro-me mais que nunca empobrecido, crucificado, humilhado. Os homens e os demônios fazem-me uma guerra bem amável e bem doce. Que me caluniem, que escarneçam de mim, que despedacem a minha reputação, que me metam na cadeia: esses dons são preciosos para mim, esses manjares são deliciosos para mim! Ah! Quando serei crucificado e perdido para o mundo?" [4]

Para seguir a Cruz, o próprio Luís fazia questão de pregar-se ao madeiro com Cristo. E indicava o mesmo caminho aos seus filhos: " Para nos despojar de nós mesmos, é preciso morrer todos os dias. (...) Se não morrermos para nós mesmos, e se as nossas devoções mais santas não nos levam a esta morte necessária e fecunda, não daremos fruto que valha" [5]. E advertia aos que chamava de "amigos da Cruz": "Tende bem cuidado para não admitir em vossa companhia os delicados e sensuais, que temem a menor picadela, que se queixam de mínima dor, que nunca provaram a crina, o cilício, a disciplina e, entre as suas devoções em moda, misturam a mais disfarçada e refinada delicadeza e falta de mortificação" [6].

Devotíssimo da Virgem Maria, recebia seus favores desde a mais tenra infância. Na idade adulta, escreveu um livro no qual explicou, com piedade e clareza impressionantes, em que consiste o verdadeiro amor à Mãe de Deus. O hoje conhecido "Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem" ficou desconhecido por vários séculos. Como São Luís mesmo previu em seu livro – "muitos animais frementes virão em fúria para rasgar com seus dentes diabólicos este pequeno escrito (...) ou pelo menos procurarão envolver este livrinho nas trevas e no silêncio duma arca, a fim de que não apareça" [7] –, esta grande preciosidade permaneceu escondida por muito tempo.

Quando foi encontrada, porém, não só estimulou os fiéis a amarem mais Nossa Senhora, mas influenciou o magistério de pontífices como Leão XIII, São Pio X e, nos últimos anos, de São João Paulo II.

Nesta obra, São Luís responde com força aos escrupulosos: "Maria ainda não foi suficientemente louvada e exaltada, honrada, amada e servida. Merece ainda muito maior louvor, respeito, amor e serviço" [8]. E aponta com insistência ao fundamento desta devoção: "Se a Devoção à Santíssima Virgem afastasse de Jesus Cristo, deveríamos repeli-la como uma ilusão do demônio" [9]. Mas, como pode a lua ofuscar o brilho do sol, se, ao contrário, é do próprio sol que vêm a sua glória e a sua majestade? Do mesmo modo, como pode Maria "obstruir" o caminho até Jesus, se é justamente em virtude d'Ele que Deus a preservou da mancha do pecado original e a cumulou de todas as graças? Se é justamente para melhor honrá-Lo e glorificá-Lo que se estabeleceu o seu culto na Igreja universal?

A devoção que ensinou São Luís não pretendia ser uma "nova revelação", mas simplesmente, nas palavras do próprio sacerdote francês, "uma renovação perfeita dos votos ou promessas do Santo Batismo" [10]. Recomendando a escravidão a Nossa Senhora, São Luís não pretendia criar uma "casta" de pessoas separadas e diferentes, mas tão somente apontar para as águas do Batismo, pelas quais todos aqueles que se tornam filhos de Deus devem passar; não pretendia inventar um caminho diferente, mas dar novo ânimo para que os fiéis pudessem trilhar a mesma estrada do Evangelho, rumo ao Calvário.

"Só Deus": isso basta. Eis a grande lição de São Luís de Montfort. Que ele nos ajude a amar, buscando a coroa de glória do Céu, mas sem rejeitar a coroa de espinhos que este "vale de lágrimas" nos reserva. Afinal, "nada existe que seja tão necessário, tão útil, tão doce ou tão glorioso quanto sofrer alguma coisa por Jesus Cristo" [11].

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Henri Daniel-Rops, A Igreja dos tempos clássicos (I). São Paulo: Quadrante, 2000. p. 299
  2. Lc 9, 23
  3. Santo Agostinho, Gloriemo-nos também nós na Cruz do Senhor!. Ofício das Leituras, Segunda-Feira Santa. Sermo Guelferbytanus 3: PLS 2, 545-546.
  4. Henri Daniel-Rops, A Igreja dos tempos clássicos (I). São Paulo: Quadrante, 2000. p. 299
  5. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, n. 81
  6. Carta aos Amigos da Cruz, n. 17
  7. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, n. 114
  8. Ibidem, n. 10
  9. Ibidem, n. 62
  10. Ibidem, n. 126
  11. Carta aos Amigos da Cruz, n. 20

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Carta aos Consagrados 2014 - Geração Totus Tuus

Venha a nós o Reino de Jesus Cristo, por meio do Reino de Maria!

Após quatro Campanhas Nacionais de Consagrações à Virgem Maria, através do método proposto por São Luis Maria Montfort, o número das Consagrações cresce ano após ano, aos milhares. Sabendo muito bem que nossa preocupação não é com o número de Consagrações, mas com a santidade que brota na vida daqueles que vivem a Consagração que fizeram, alegramo-nos por a Mãe de Deus ser mais conhecida e amada, e por meio Dela, Jesus Cristo, a própria Hóstia Consagrada (TVD n.48).

No ano passado, tivemos a Jornada Mundial da Juventude, com a visita do Papa Francisco ao Brasil. Nela, nós pudemos perceber o quanto a Consagração tem se propagado especialmente entre os jovens. A JMJ foi inspiração do próprio Beato João Paulo II, que se consagrou totalmente à Virgem Maria pelo método de São Luis, com o lema Totus Tuus, que significa “Todo Teu" (Todo de Maria).

Foi uma espera de anos, mas finalmente chegou o grande momento em que o João Paulo II será elevado à glória dos altares. Será canonizado juntamente com João XXIII, o Papa que convocou o Concílio Vaticano II e rezou pela renovação espiritual do Povo de Deus. A canonização de ambos será dia 27 de abril, providencialmente, véspera da Memória de São Luis Maria Montfort, talvez um sinal da ligação entre estes santos.

Recebemos, agora, toda esta herança de João Paulo II, que testemunhou a sua entrega a Cristo, por meio da Virgem Maria, denunciando aquilo que ele chamou de “cultura da morte" e do pecado, apresentando ao mundo a Teologia do Corpo.

Nós fazemos parte desta geração que, como João Paulo II, quer viver o “ Totus Tuus", seguindo o seu exemplo de Consagração Total. Somos desta geração formada por ele, e gerada pela Virgem Mãe. É a Geração Totus Tuus,

Temos agora, portanto, um momento de graça, para, a exemplo de João Paulo II, vivermos e propagarmos a Consagração, principalmente entre os jovens, que tanto João Paulo II buscou, e assim, continuar formando a Geração Totus Tuus. É da juventude que sairão as vocações ao Sacerdócio, à Vida Consagrada, à Vida Missionária e aos Matrimônios santos que geram filhos santos para Deus!

Algumas questões práticas:

  1. DATA DE CONCLUSÃO DA V CAMPANHA NACIONAL: A data da conclusão da V Campanha Nacional de Consagrações à Virgem Maria já está marcada: 12 de Dezembro de 2014, Memória das Aparições de Nossa Senhora em Guadalupe, padroeira da América.
  2. CONSAGRA-TE: Para que as Consagrações se propaguem, é importante realizarmos nas diversas cidades um encontro com o nome de “Consagra-te", onde se apresente a Consagração Total pelo método de São Luis, para que, a partir do encontro, sejam formados os grupos de preparação. Se visarmos a Consagração em 12 de Dezembro, sugerimos que estes encontros aconteçam até o início do mês de Outubro, para haver tempo hábil das pessoas estudarem o “Tratado" (em grupo ou individualmente) e realizarem as orações preparatórias.
  3. MEMÓRIA DE SÃO LUIS MONTFORT: Celebremos, solenemente, a memória de São Luis Maria de Montfort, no dia 28 de Abril. É importante lembrarmos-nos desta data em nossas Paróquias, Comunidades e Grupos, também como meio para propagarmos a Consagração Total.
  4. SÚPLICA PARA AO ANO MARIANO EM 2016-2017 e DOUTORIZAÇÃO DE SÃO LUIS: preparemo-nos para o Centenário das Aparições da Santíssima Virgem em Fátima, que celebraremos no ano de 2017, bem como para os 300 anos da morte de São Luis Montfort em 2016. Para isso, supliquemos a Deus e ao Papa Francisco a graça de um Ano Mariano em 2016-2017, bem como a elevação São Luis Montfort ao caráter de Doutor da Igreja.
  5. IMPORTANTE: Convocamos todos os Consagrados, dos vários grupos, movimentos e comunidades, para se unirem em oração conosco nestes empreendimentos, a oferecerem jejum e penitência a Deus por meio da Santíssima Virgem em vista que os Seus Planos se realizem e o Seu Imaculado Coração Triunfe, e para tomarem as devidas iniciativas para que estes eventos aconteçam em suas cidades.

Estas são as aspirações dos Representantes da Campanha Nacional de Consagrações à Virgem Maria, reunidos em nosso Encontro Nacional de Lideranças Católicas e Pró-Vida, realizado nos dias 16 a 19 de Janeiro de 2014, na cidade de Luziânia-GO.

Por Equipe Consagra-te | consagrate.com

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A participação da fé de Maria Santíssima

Os verdadeiros devotos da Santíssima Virgem participam de sua fé pura, firme e inquebrantável

Em um capítulo do excelente Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, São Luís de Montfort fala sobre os "maravilhosos efeitos desta devoção na alma que lhe é fiel" 01. O santo francês enumera e explica as maravilhas que são operadas naquelas almas que, totalmente entregues a Nossa Senhora, cultivam esta devoção, esforçando-se por colocá-la em prática. Estes efeitos são percebidos, sobretudo, "na alma", já que a verdadeira devoção mariana é interior: "parte do espírito e do coração"02.

O primeiro efeito do qual fala São Luís é o conhecimento e desprezo de si mesmo. De fato, quanto mais nos aproximamos de Deus, especialmente por meio da oração, mais conhecemos o quanto somos fracos, miseráveis e indignos. Nesta devoção, a luz do Espírito Santo revela ao homem o seu "fundo mau", a sua "corrupção e incapacidade para todo bem". Escreve São Luís: "Considerar-te-ás como um caracol, que tudo estraga com a sua baba, ou como um sapo, que tudo envenena com a sua peçonha, ou como uma serpente maliciosa, que só procura enganar".

Eis o verdadeiro caminho para chegar à humildade. Esta consiste em nada mais do que conhecer o que somos: "de barro somos feitos, (...) apenas somos pó" (Sl 102, 14). É, ao mesmo tempo, uma chave importante na luta contra o pecado: a desconfiança de nós mesmos. Quem confia demais em si mesmo, não duvidando das próprias disposições, dificilmente evitará as ocasiões de pecado e acabará por tornar-se presa fácil do demônio e de sua carne, tomada pela concupiscência. Ao contrário, quem conhece sua natureza decaída, sabendo de seu "fundo mau", evitará, resolutamente, o ócio, pelo qual advêm inúmeros maus pensamentos; a exposição a ambientes e ocasiões particulares de perigo; e as más companhias, "que corrompem os bons costumes" (1 Cor 15, 33).

O segundo efeito da verdadeira devoção é a participação da fé de Maria Santíssima. Quando aqueles que viveram de maneira virtuosa nesta vida partem à glória do Céu, já não precisam da fé, pois, entrando na plena posse de Deus, já contemplam face a face Aquele em que creram sem ter visto (cf. 1 Pd 1, 8). Com Maria, no entanto, aconteceu de modo diferente, diz São Luís: Deus preservou a sua fé, "a fim de conservá-la na Igreja militante para os Seus mais fiéis servos e servas". A fé de Maria é uma joia preciosa entesourada por Deus para a comunhão dos santos.

Aqueles que viverem fielmente esta devoção participarão da fé de Nossa Senhora: terão uma fé viva e animada de caridade – que fará a alma empreender todas as coisas pura e simplesmente por amor –, firme e inquebrantável – que não esmorece diante das dificuldades –, ativa e penetrante – capaz de perscrutar os mistérios do coração de Deus – , corajosa e reluzente – uma fé missionária que, tomada pelas graças de Deus por mediação de Maria, levará a outros a boa nova da salvação – e, por fim, uma fé pura, isto é, que não se preocupa "com o que é sensível e extraordinário".

Esta fé pura da qual fala São Luís é uma fé que escolhe "a melhor parte" (Lc 10, 42), por assim dizer. Com efeito, muitos escravos da Virgem permanecem na exterioridade desta devoção. "Se não experimentam prazer sensível nas suas práticas, julgam que já não fazem nada, desorientam-se, abandonam tudo, ou fazem as coisas precipitadamente"03, escreve o santo. Os verdadeiros devotos de Nossa Senhora, por outro lado, ainda que não sintam grandes coisas ou presenciem fatos extraordinários, permanecem em vigilância e oração. Eles têm consciência de que a vida aqui é um "vale de lágrimas", que Maria Santíssima não promete aos seus servos nenhuma felicidade plena neste mundo e que é preciso amar menos as consolações de Deus que o próprio Deus das consolações.

Aqueles que recorrem à bem-aventurada Virgem Maria com confiança granjeiam de nosso Senhor Jesus Cristo este precioso dom que é o de permanecer em contínua comunhão Consigo, com o desejo ardente de orar e falar-Lhe ao coração. Com a fé pura de Nossa Senhora, entregam-se à meditação e às coisas celestes não raras vezes sacrificando a própria vontade e oferecendo ao Senhor um sacrifício verdadeiramente agradável a Seus olhos.

Para mostrar a importância da pureza da fé, do não se preocupar "com o que é sensível e extraordinário", São Josemaría Escrivá responde à pergunta "Se não sinto vontade, não é autêntico?":

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, cap. 7
  2. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, n. 106
  3. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, n. 96

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A mediação de Maria contra o escândalo do mal

A intercessão de Nossa Senhora é uma das principais armas do cristão contra o flagelo do pecado

A recente decisão do Papa Francisco de repetir o gesto de seus predecessores, consagrando novamente o mundo ao Imaculado Coração de Maria, reacende no coração dos católicos a necessária devoção mariana, já que "não há fruto da graça na história da salvação que não tenha como instrumento necessário a mediação de Nossa Senhora"01. Ela, a Tota Pulchra, a Virgem Puríssima cuja maternidade divina se estende desde o céu a toda a humanidade, é quem prodigaliza as bênçãos da paixão, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, repartindo-as de bom grado entre cada um de seus filhos, sobretudo entre aqueles que souberem optar pelo sim total ao seu dulcíssimo coração.

O vale de lágrimas no qual se transformou os países do Oriente Médio, em especial, o Egito, onde centenas de milhares de cristãos estão sofrendo, vítimas da perseguição de extremistas islâmicos, provoca, obviamente, dor, desespero e indignação. A experiência daqueles que, de sobressalto, veem-se mergulhados numa esfera de terror e medo, como é a dessas nações neste momento, suscita as palavras de Cristo na cruz: "Eli, Eli, lammá sabactáni? - o que quer dizer: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?" (Cf. Mt 27, 46). Por outro lado, ao longo desses dois milênios de Cristandade, a intercessão da Virgem Maria pelos filhos da Igreja sempre foi um refúgio seguro para defesa da fé. Com efeito, cada fiel é novamente convidado a recorrer à proteção da Mãe de Deus, tida pela Tradição como a Auxilium Christianorum, sempre que o bem da causa de Cristo estiver em jogo, como o está agora.

Recorda o Papa Leão XIII, na sua Encíclica Augustissimae Virginis Mariae acerca da récita do rosário, que "a história da Igreja atesta a força e a eficácia destas orações, recordando-nos a derrota das forças turcas na batalha naval de Lepanto, e as esplêndidas vitórias alcançadas no século passado sobre os mesmos Turcos em Temesvar, na Hungria, e perto da ilha de Corfu" (Cf. 09). Alçada pela vontade de Deus à graça de cooperar na obra da salvação, Maria, sempre que invocada por seus filhos, não os abandonou à própria sorte, antes, agiu de forma decisiva para o êxito da Igreja e para glória do nome de seu filho, Nosso Senhor e Salvador.

Inúmeros são os testemunhos dos santos que, abandonando-se à proteção maternal de Maria, puderam antegozar na terra o paraíso que os aguardava no céu. Ora, e não há um sequer que tenha chegado à glória dos altares sem antes ter-se formado no cenáculo da Beatíssima Virgem, o qual também formou Jesus durante 30 anos, período em que viveu servindo-a em silêncio e recolhimento antes da sua revelação pública. Tamanha é a pureza de Maria, diz São Luís Maria Grignion de Montfort, "que Ela glorificou mais Deus pela mínima das suas obras (por exemplo: fiar na sua roca ou dar alguns pontos de costura com agulha), do que São Lourenço pelo cruel martírio que sofreu na grelha, e mesmo do que todos os santos pelas suas mais heróicas ações".

Na condição de criatura escolhida por Deus para dar à luz o seu próprio filho, Maria teve a nobre missão de ensinar a Palavra de Deus a falar, uma vez que era Ele "semelhante a nós em tudo, exceto no pecado" (Cf. CIC, n.470). Se, portanto, Deus, para redimir o gênero humano, se submeteu aos cuidados de uma mulher, acolhendo-a por mãe, que resta à humanidade senão ir ao encontro dessa mesma mulher em caráter verdadeiramente filial? Ora, se Deus a amou como Filho, como não amá-la e servi-la também?

Ocorre que, perante o flagelo da humanidade pelo pecado e pela ação destruidora do mal, é exatamente neste momento - lembra Bento XVI - "que teremos em Nossa Senhora a melhor defesa contra os males que afligem a vida moderna". Com efeito, faz-se mais do que urgente a consagração total ao Imaculado Coração de Maria, porquanto "foi pela Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por Ela que deve reinar no mundo".02

Por: Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Missa e Canonização de Frei Antônio de Sant'Anna Galvão, OFM
  2. Cf. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, n. 01

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Consagra-te! Cuiabá 2012

No dia 17 de Junho de 2012, foi realizado o II "Consagra-te" em Cuiabá-MT, abrindo a nossa III Campanha Nacional de Consagrações a Virgem Maria.

A finalidade é a propagação da Consagração Total a Virgem Maria, pelo método que São Luis Maria Montfort ensina no "Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem". Este foi o livro de cabeceira do Beato João Paulo II, que tão bem viveu e testemunhou esta Consagração com o lema de "Totus Tuus" ("Todo Teu", Todo de Maria...).

Por isso, o tema do evento foi "Nos passos de João Paulo II", e contou com pregações do Pe. Paulo Ricardo e do Pe. Overland, ambos da Arquidiocese de Cuiabá.

Assista abaixo as pregações do Consagra-te! - Cuiabá 2012.

1. O Papa de Maria

2. Testemunho de um sacerdote consagrado

3. Levar Maria consigo

4. O triunfo do Imaculado Coração de Maria

O primeiro passo para fazer a Consagração Total a Santíssima Virgem é ler o "Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem".

Você poderá baixá-lo no formato PDF gratuitamente clicando aqui.

O Tratado também pode ser adquirido no formato impresso através do site da
Arca de Maria.

O texto oficial da III Campanha Nacional de Consagrações a Santíssima Virgem, visando a Consagração ou renovação da Consagração no dia 08 de Dezembro de 2012 (Solenidade da Imaculada Conceição), será publicado no dia 15 de Agosto de 2012 (Solenidade da Gloriosa Assunção da Santíssima Virgem ao Céu)

Site oficial da Campanha Nacional de Consagrações a Santíssima Virgem: http://consagrate.com