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A importância de Fátima na batalha pela vida e pela família

Nossa resposta à cultura perversa deste século é nossa renovação espiritual e conversão contínuas. Estamos sendo chamados à santidade.

"A mensagem de Fátima, no seu núcleo fundamental, é o chamamento à conversão e à penitência, como no Evangelho. Este chamamento foi feito nos inícios do século vinte e, portanto, foi dirigido, de um modo particular a este mesmo século. [...] O apelo à penitência é um apelo maternal; e, ao mesmo tempo, é enérgico e feito com decisão." [1]

(Papa São João Paulo II)

Por Pe. Shenan J. Bouquet — Neste ano de 2017, a Igreja celebra o Centenário dos milagrosos eventos ocorridos em Fátima, recordando a maravilhosa aparição de nossa Mãe do Céu e a mensagem de vida que Ela nos veio trazer. Considerando o significado desse acontecimento e o que ele tem a dizer ao mundo de hoje, lembro-me de algo que a Irmã Lúcia escreveu em uma carta ao Cardeal Caffarra:

" O confronto final entre o Senhor e o reino de Satanás será sobre a família e sobre o matrimônio", ela escreveu. "Não tenha medo, porque qualquer um que trabalhar pela santidade do matrimônio e da família será sempre combatido e contrariado de todos os modos, porque este é o ponto decisivo. No entanto, Nossa Senhora já lhe esmagou a sua cabeça."

Nas minhas muitas viagens, eu experimento em primeira mão as proféticas palavras da Ir. Lúcia quanto ao Matrimônio e à família. Essas instituições sagradas estão no coração da batalha porque se referem aos fundamentos mesmos da Criação, ou seja, à verdade sobre a relação entre o homem e a mulher, feitos à imagem e semelhança de Deus. Se essas instituições divinas são comprometidas, então se põe em perigo de ruir todo o edifício.

Não devemos ver a mensagem de Fátima meramente como um momento histórico, mas antes como uma mensagem viva propositadamente para os dias de hoje. A crise moral que vemos no mundo demanda de nossa parte orações, penitências e sacrifícios. Nossa resposta à cultura perversa deste século é nossa renovação espiritual e conversão contínuas. Estamos sendo chamados à santidade.

Pelo exemplo dos videntes Francisco, Jacinta e Lúcia, nós somos impelidos a oferecer atos de mortificação com virtude heroica. Do alto de suas inocências, as duas crianças mais jovens, Francisco e Jacinta, ofereceram-se como vítimas de expiação. A Ir. Lúcia, por sua vez, avisada de que teria pela frente uma longa vida, gastaria o resto de seus dias no serviço da oração e da mortificação pela salvação das almas. Tendo perguntado a Nossa Senhora, de fato, se ela os levaria para o Céu, a resposta recebida foi esta:

A Jacinta e o Francisco levo-os em breve, mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no Mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração. A quem a abraçar, prometo a salvação, e serão queridas de Deus estas almas, como flores postas por Mim a adornar o Seu trono.

— Fico cá sozinha? — disse, com tristeza [Lúcia].

— Não, filha. Eu nunca te deixarei. O Meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus. [2]

O apelo de Nossa Senhora para rezar e fazer penitência, ao qual as crianças responderam com alegria e completa obediência, também se aplica a nós. A luta pela santidade, através da mortificação dos nossos sentidos, torna-nos fervorosos na oração; dá-nos força interior para resistir às tentações; ajuda a nos desapegarmos de preocupações mundanas; e liberta o nosso coração, por fim, de vaidades terrenas. A busca da santidade aumenta a clareza de pensamento, fazendo-nos mais sensíveis ao discernimento do que é sagrado e do que é abominável aos olhos de Deus.

O inimigo também conhece o significado do Matrimônio e da família, e é por isso que os ataca — assim como atacou Adão e Eva, nossos primeiros pais. O Matrimônio é a única instituição que une os pais aos seus filhos, que reconhece o direito natural de uma criança a ter um pai e uma mãe. A família é a primeira célula da sociedade, a "Igreja doméstica", o primeiro governo, a primeira escola, o primeiro hospital, a primeira economia e a primeira instituição mediadora da sociedade. Dentro dessa escola primária, os filhos aprendem os valores da moral e do Evangelho, os quais dão forma, em última instância, às nossas culturas e sociedades. Toda a sociedade passa, afinal de contas, pela família, que é a primeira de todas as escolas.

É certo que defender a verdade sobre a vida, o Matrimônio e a família é uma tarefa custosa. As crianças de Fátima, por exemplo, sofreram bastante por causa das aparições. Familiares e amigos perseguiram-nas. Os jornais conduziram uma campanha implacável para desacreditar tanto as aparições quanto os videntes. Mesmo assim, apesar de todo o tratamento negativo, os três suportaram tudo com paciência e caridade, lembrando sempre do pedido de Nossa Senhora para que oferecessem os seus sacrifícios em favor dos pobres pecadores.

Ao entrarmos no bom combate sobre o Matrimônio e a família, entramos cientes de que também nós seremos cercados pelo ódio e pela rejeição. "Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro odiou a mim", lembra-nos Nosso Senhor. "Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como ama o que é seu; mas, porque não sois do mundo, e porque eu vos escolhi do meio do mundo, por isso o mundo vos odeia." (Jo 15, 18-19) Estamos diante de duas visões opostas: uma enraizada no caminho da obediência e da vida, e outra no da desobediência e da morte.

Sabemos também que os ataques contra o plano divino para o Matrimônio e a família não vêm só de fora da Igreja, mas também de dentro — nascidos dos pecados a que dão origem a desobediência, a divisão e a heresia. É por isso que a Igreja, povo de Deus, precisa da mensagem de Fátima como uma lembrança constante do chamado universal à penitência, à conversão e à renovação. Somente neste espírito, renovação de coração e de alma, poderemos ser o fermento na massa de que fala o Evangelho (cf. Lc 13, 18-21). "No amor não há temor. Ao contrário, o perfeito amor lança fora o temor" (1Jo 4, 18). Nós obtemos forças e conforto de Nossa Senhora de Fátima, que lembrou à Ir. Lúcia que ela não estaria sozinha nessa grande batalha — no seu Imaculado Coração nós encontramos refúgio.

Ainda temos muito a aprender com Nossa Senhora de Fátima. A sua mensagem é um sinal de esperança para um mundo destruído pelo confronto e pela discórdia. E nossa resposta aos ataques desferidos contra o Matrimônio, a família e a sociedade é a mesma hoje como 100 anos atrás: arrepender-nos de nossos pecados e obedecer à vontade de Deus.

Nossa Senhora de Fátima,
rogai por nós!

Fonte: Human Life International | Tradução e adaptação: Equipe CNP

Referências

  1. Homilia no Santuário de Nossa Senhora do Rosário, em Fátima, 13 de maio de 1982.
  2. Luís Kondor (org.), Memórias da Irmã Lúcia. Introdução e notas de Joaquín M. Alonso. 13. ed., Fátima: Secretariado dos Pastorinhos, 2007, p. 192.

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Qual o problema de governantes sem filhos?

Não parece insignificante que os encarregados de velar pelo futuro da Europa sejam pessoas que decidiram permanecer estéreis.

Por Juan Manuel de Prada — Após a vitória de Macron na França, um amigo me convida a refletir sobre um fato de não pequena importância: trata-se de um governante sem filhos — de mais um governante europeu sem filhos —, assim como a alemã Angela Merkel, assim como a britânica Theresa May, assim como o holandês Mark Rutte, assim como o italiano Paolo Gentiloni, assim como o sueco Stefan Löfven, assim como o luxemburgûes Xavier Bettel, assim como muitos outros mandatários europeus, incluído o nobilíssimo Jean-Claude Juncker.

Poder chamar com plena propriedade a todas estas personagens uma récua de mulas nos causa, por certo, uma enorme satisfação; mas, além disso, resulta ser muito inquietante que os governantes europeus sejam em sua maioria "filhos sem filhos". Não parece insignificante que os encarregados de velar pelo futuro da Europa e assegurar o porvir de nossos filhos sejam pessoas que decidiram permanecer estéreis.

O pensamento político clássico, ao explicar as obrigações do príncipe com respeito aos súditos, comparava-as com as de um pai com respeito aos filhos. O príncipe estava obrigado a zelar pelos súditos com a mesma diligência exigida de um pai de família, defendendo-os ao ponto de derramar o próprio sangue; e os súditos, por sua vez, estavam obrigados a prestar-lhe a obediência afetuosa e leal que um bom filho deve a seu pai.

Este cuidado amoroso que o príncipe devia a seus súditos encontrava sua melhor escola na própria instituição monárquica, que não à toa se fundamentava na continuidade familiar. Sempre que o príncipe tinha um filho, seus súditos celebravam o acontecimento com alvoroço, pois, além de garantir um sucessor, assegurava o porvir dos filhos de seus súditos, aos quais não faltaria um outro príncipe que os protegesse.

Ora, os governos do nosso tempo já não se baseiam na continuidade familiar; no entanto, que os governantes tenham ou não filhos não é uma questão ociosa. Como escrevia o cronista Juan de Lucena, em louvor a Isabel, a Católica: "Em tudo o que os reis façam, seja bom ou mau, procuramos imitá-los. Quando jogava o rei, tínhamos todos o vício do jogo; agora, como estuda a rainha, tornamo-nos todos estudiosos".

Com efeito, em meio ao inverno demográfico que vem assolando a Europa, seria alentador que os europeus pudessem olhar no espelho de alguns governantes que, com seu exemplo, convidam à procriação.

Há algo de muito grave ocorrendo quando um continente que atravessa a etapa mais próspera de sua história, que dispõe de meios para combater doenças e prolongar a vida, que parece ter-se livrado da ameaça das guerras, pragas e catástrofes que, em outras épocas, dizimaram sua população, nega-se, apesar de tudo, a gerar descendência.

Algo muito grave está acontecendo quando cada vez mais europeus se recusam a criar uma nova geração (ao mesmo tempo em que clamam farisaicamente contra a invasão muçulmana) e, não satisfeitos com isso, elegem governantes que os ratificam nesta decisão suicida.

A Europa tornou-se vítima do que Solzhenitsyn chamava uma "sanha de automutilação": o umbiguismo consumista, o egoísmo parasitário, o tédio vital de um continente que se afoga na náusea de sua própria esterilidade mereciam, de fato, que os governasse esta récua de mulas. E poderíamos perguntar-nos também, à luz do pensamento político clássico, se os "filhos sem filhos" são mesmo os mais idôneos para assumir tarefas do governo, para oferecer seu cuidado amoroso e lutar pelo futuro de nossos filhos.

A Europa não apenas carece de recursos morais para manter sua civilização; ela nem sequer possui governantes que a estimulem a prolongar sua existência. Talvez tenha chegado a hora de fechar a banca e esperar que cheguem os bárbaros.

Fonte: Actuall | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

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Saiba o que têm em comum os principais líderes da Europa

O que têm em comum os líderes de Alemanha, França, Itália e Inglaterra, as quatro maiores potências econômicas da Europa? O que une Merkel, Macron, Gentiloni e Theresa May?

O que têm em comum os líderes de Alemanha, França, Itália e Inglaterra, as quatro maiores potências econômicas da Europa? O que une Angela Merkel, Emmanuel Macron, Paolo Gentiloni e Theresa May?

Muitas coisas, sem dúvida, mas os quatro compartilham uma peculiaridade bastante significativa: nenhum deles tem filhos biológicos. A eles somam-se ainda o sueco Stefan Löfven e o primeiro-ministro holandês Mark Rutte.

A coincidência é extraordinária, especialmente com a onda de crise demográfica que vive a Europa, seguida de um envelhecimento acelerado da população. A pergunta é se, em igualdade de condições, importa ou não que os governantes das nações não sejam pais. Nós sabemos bem que, de acordo com a linha de pensamento oficial (politicamente correta), chamar a atenção para essa particularidade é ser "machista", "heteronormativo" e "odioso" — e a patrulha habitual sempre procura dissuadir-nos de notar o anômalo.

Por outro lado, não poucas pessoas fazem notar que o fato de não terem família permite a nossos representantes centrar-se mais intensamente nos assuntos públicos, sem preocupações alheias que os distraiam e sem as tentações de nepotismo que normalmente supõe uma descendência numerosa.

Nas redes sociais, porém, onde ainda subsistem (talvez não por muito tempo) pessoas que fogem da férrea ortodoxia que amordaça o jornalismo "de prestígio", alguém assinalou que não ter descendência supõe um menor interesse pessoal na posteridade — uma análise que me pareceu, também, bastante razoável.

Assim também pensa o filósofo alemão Rüdiger Safranski. "Para aqueles que não têm filhos, pensar em termos de gerações futuras é irrelevante", ele escreve. "É por isso que essas pessoas se comportam e se vêem cada vez mais como se fossem os últimos, como se estivessem situados no final da cadeia humana". E, se há uma mentalidade que agrava hoje todos os nossos problemas ao ponto de torná-los quase insolúveis, é essa mentalidade concentrada no curto prazo.

Quase tudo que aparentemente nos sobrevém como uma enchente ameaçando soterrar-nos é consequência do fato de as pessoas não pensarem mais além dos próximos poucos anos que virão. O próprio sistema de mandatos eleitorais, constantes de 4 e 5 anos, incentiva nos políticos, cuja meta primordial é exercer o poder e manter-se nele, a urgência de "tapar buracos" e, sobretudo, de evitar todo e qualquer sacrifício que, ainda que seja aconselhável para o futuro, possa traduzir-se, no horizonte imediato, em uma derrota eleitoral. Cite-se o que quiser: a falência programada da Previdência Social e do Estado de bem-estar social, de modo geral; a imigração massiva com o risco certo de substituição cultural e conflitos que vão muito além do mais trabalhoso de todos, que é o terrorismo; a desaceleração da inovação e criação de novas empresas (um trabalho que costumam empreender mais os jovens que os de idade avançada) etc.

O fato é que a cultura do imediato, mesmo que reforçada pelos mecanismos desse sistema, está absolutamente instalada em nossa mentalidade. E em nada se faz tão evidente esse suicídio gradual como no fato de não nos reproduzirmos. Não há sequer um país de peso no Ocidente que tenha filhos acima do nível de substituição — o mínimo para que se mantenha uma população, sem crescer nem diminuir — e, na imensa maioria dos casos, as nações se movem em médias das quais, advertem os demógrafos, nenhuma civilização na história conseguiu recuperar-se jamais.

A infertilidade dos líderes não passa, portanto, de um reflexo dos ventres da Europa. Se Merkel não tem filhos, 30% das mulheres alemãs tampouco os têm, e o número chega a 40%, no caso das que se graduaram nas universidades. O caso na Alemanha é de tal modo alarmante que a Ministra da Defesa, Úrsula von der Leyen, declarou recentemente que, a menos que as alemãs mudem essa tendência e comecem a gerar filhos, o país está prestes a "apagar as luzes".

Talvez, porém, o caso mais significativo e de maior atualidade seja o do recém-nomeado presidente da República Francesa, Emmanuel Macron. Aquilo que tanto alarma os franceses, e que levou Marine Le Pen ao segundo turno das eleições presidenciais, nomeadamente a islamização da França, não tira minimamente o sono do novo presidente. Mas Macron não precisa temer que seus descendentes vivam em uma França muçulmana, já que ele não deixa nenhum.

Sim, em meio a este vazio demográfico, é evidente quem herdará o continente europeu, e definitivamente não são os mesmos cujos valores o construíram. Os muçulmanos entendem muito melhor que nós como se ganha o jogo da história: o líder turco Erdogan animou recentemente os seus compatriotas na Alemanha a terem "cinco filhos" e os clérigos islâmicos não deixam de urgir os seus fiéis a que façam o mesmo.

O choque cultural que negam nossos líderes irresponsáveis é para os líderes muçulmanos uma razão chave para se prepararem com a melhor arma que se conhece (e de que eles já dispõem): a população.

Por Candela Sande — Fonte: Actuall | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

| Categoria: Espiritualidade

Por que o Filho de Deus quis ter um pai humano?

Longe de representar uma simples “adoção”, a paternidade de São José foi para o menino Jesus uma verdadeira “escola de virilidade”.

São José foi verdadeiramente pai de Jesus: não pai biológico, porque não lhe deu a vida natural; mas também não simplesmente "pai adotivo" ou "pai nutrício", como se simplesmente lhe outorgasse um nome, um abrigo, alimentos e só. Muito mais do que isso, convinha que Cristo, humano que era, fosse realmente educado por um homem [1], inspirando-se em seu exemplo de masculinidade e paternidade para amadurecer totalmente e, chegando à idade adulta, entregar-se pela redenção da humanidade inteira.

Dada portanto a nobre e difícil missão que tinha diante de si, é razoável imaginar o patriarca da Sagrada Família como um homem jovem, na plenitude de suas forças físicas, de modo que, "se parte da iconografia mais recente tende a representá-lo com os traços de um velho, devemos pensar que é menos para sublinhar o número dos seus anos do que para dar uma idéia das suas virtudes, em especial da sua prudência e da maturidade do seu caráter" [2].

Tampouco se deve pensar em São José como um homem de aspecto efeminado, como se a virgindade e a pureza de alma fossem incompatíveis com a virilidade masculina. Ao contrário — ensina-nos a experiência —, só um homem verdadeiramente forte, capaz de submeter as suas paixões ao império da razão, pode enfrentar com igual vigor os grandes desafios e as lidas do dia-a-dia.

Olhando para a personalidade de Jesus Cristo, essas verdades tornam-se-nos ainda mais claras. De fato, só um homem de coragem é capaz de tecer um chicote com suas próprias mãos e servir-se dele para expulsar os vendilhões da casa de Deus (cf. Jo 2, 13-17); só um homem varonil pode suportar, como Cristo suportou, a traição dos próprios amigos, a flagelação na carne, os espinhos na cabeça e os cravos nos membros. Com quem o Filho de Deus encarnado aprendeu a ser homem assim, de modo perfeito, senão com o seu pai virginal, São José?

Nestes tempos em que a masculinidade experimenta uma grande crise, peçamos urgentemente a intercessão do carpinteiro de Nazaré, para que, imitando o seu exemplo, os homens possam enfrentar sem temor o desafio da paternidade, assumir o compromisso de formar os seus filhos e ver, enfim, coroados os seus esforços, nos frutos da boa educação que ministraram.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Notas e Referências

  1. A natureza humana exige que as pessoas sejam criadas por um pai e por uma mãe, desenvolvendo-se a partir da complementaridade dos dois sexos. O fato de as famílias ditas "monoparentais" se terem tornado uma realidade comum não as torna normais. Tampouco a chancela do Estado às chamadas "uniões homossexuais" faz com que elas estejam aptas a educar uma criança. "Inserir crianças nas uniões homossexuais através da adoção significa, na realidade", explica o Cardeal Joseph Ratzinger, "praticar a violência sobre essas crianças, no sentido que se aproveita do seu estado de fraqueza para introduzi-las em ambientes que não favorecem o seu pleno desenvolvimento humano" (Considerações sobre os projetos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais, n. 7). E não é apenas a Igreja Católica que o reconhece. Em 2015, os estilistas criadores da marca Dolce & Gabanna, assumidamente homossexuais, deram declarações públicas contra a adoção de crianças por pares gays.
  2. Michel Gasnier. José, o silencioso. São Paulo: Quadrante, 1995, p. 46.

| Categoria: Testemunhos

Juiz, católico e pai de nove filhos

“Um católico, um esposo e um pai, e um americano. Essas eram as coisas mais importantes para ele”. São as revelações de um sacerdote sobre o seu pai, o ministro norte-americano Antonin Scalia, no aniversário de um ano de seu falecimento.

O ministro da Suprema Corte dos Estados Unidos, Antonin Scalia — um homem de tremenda influência no país, especialmente no Poder Judiciário —, inesperadamente partiu desta vida para a eternidade no dia 13 de fevereiro de 2016, há pouco mais de um ano.

Na ocasião, foi o seu filho, padre Paul Scalia, da diocese de Arlington (Virginia), quem celebrou a sua Missa de Exéquias. Na Basílica do Santuário Nacional da Imaculada Conceição, em Washington, diante de familiares e amigos, e de uma audiência televisiva na nação e no mundo inteiro, o padre Scalia provou ser realmente filho de seu pai. Ele não escolheu focar o seu sermão nas impressionantes conquistas de seu pai. Ao invés, ele preferiu, como também o seu pai teria feito, focar em Cristo.

O padre Scalia conversou com Catholic Digest sobre "o que Deus fez por seu pai", em comemoração do aniversário de um ano do seu falecimento.

Padre, em nome de minha própria família — e tenho certeza que de muitas famílias católicas —, quero dizer-lhe que, quando ficamos sabendo da morte de seu pai, a primeira coisa que fizemos foi parar tudo para rezar pela alma dele.

Muito obrigado, eu lhe agradeço por isso. Nem sempre foi fácil ter um pai que era uma figura pública, mas a maior consolação na hora de sua morte foi ter todos esses católicos no país e no mundo rezando espontânea e imediatamente por ele. Isso foi uma grande bênção.

Você mencionou os 55 felizes anos de matrimônio que tiveram os seus pais. Como está a sua mãe?

Ela está bem, na medida do possível. Trata-se de um processo, uma jornada longa, mas há também muito apoio. Ela tem nove filhos e muitos amigos.

O que fica para você do casamento de seus pais?

Eu acho que a simplicidade e a generosidade — a simplicidade do compromisso. Eles vieram de uma época em que, quando dois católicos se casavam, eles sabiam do que se tratava, sabiam que aquilo era por toda a vida. A importância dos ensinamentos da Igreja em todas essas coisas — não acho que esteja presente em muitos casamentos agora. Há a ideia de que você pode cair fora, de alguma forma. Mas havia a simplicidade dessa devoção pela própria vocação e a generosidade — eles tiveram nove filhos.

Como essa generosidade acontecia na vida do dia a dia?

Em uma família grande, essa generosidade é exigida de todos, porque você tem que compartilhar as coisas. Como comentaram alguns de meus irmãos durante o memorial um mês depois, nem sempre nós tivemos muito dinheiro. Minha mãe brincava que meu pai estava sempre à procura de um emprego que pagasse menos do que o que ele tinha. Lembro-me de que, quando vivíamos em Chicago, éramos sete ou oito crianças vivendo com o salário de um professor. Aquilo nos custava muito. E tinha uma generosidade ali. Havia também uma questão de fé em fazer essas coisas, em não limitar a vida, em não procurar um emprego de salário maior. Havia uma confiança. Eles vieram de uma época mais simples e era isso o que faziam. Como disse, a fé era muito central para o relacionamento conjugal deles.

Quando você discursou no funeral de seu pai, disse que seus pais deram vocês um ao outro. Fale-nos melhor sobre esse apoio mútuo.

Acredito que o que fica em nossas mentes, acima de tudo, é ver quão bonito foi podermos ter um ao outro na hora da morte dele e durante toda essa situação. Teria sido muito mais difícil passar por isso sem os meus irmãos. Todos nós nos reunimos e compartilhamos juntos as coisas. Pareceu tão natural e nós pudemos enfrentar unidos tudo o que aconteceu. Foi uma grande bênção. Depois do funeral, uma jovem mulher se virou para o seu marido e disse: "Eu quero nove filhos".

O bispo Alexander Salazar disse certa vez que o primeiro seminário do padre é o seu lar. O que a formação que você recebeu de seu pai significou para o seu sacerdócio?

Que eu recebi não apenas dele, é claro, mas de meu pai e de minha mãe, juntos. É o que as crianças precisam. É assim que é estruturada a família. Meu pai tinha uma convicção muito forte da verdade da doutrina católica. Foi isso o que ele me deu. E isso também ajudou a nos confirmar em uma identidade. Que crianças não querem uma identidade — saber quem elas são, de onde vieram e para onde estão indo? Só a convicção da fé católica, que meu pai tinha, estabeleceu em nós esta identidade: nós somos católicos, não somos como todo o mundo, e não devemos esperar fazer as coisas que todo o mundo faz. Nos tempos obscuros das décadas de 1970 e 1980, meu pai fazia viagens relativamente longas a fim de encontrar para nós uma igreja que fosse sólida em sua doutrina e em sua liturgia, porque naqueles dias havia muitas loucuras acontecendo. Nós brincávamos que, quando vivíamos em Chicago, nosso pai gastava meia-hora para levar-nos a uma igreja que estava a 45 minutos de distância. Isso era um compromisso. Em 2008, fui designado para assumir a paróquia de nossa casa, e nós tínhamos a Missa tradicional em latim, na Forma Extraordinária, e meu pai começou a participar. Foi uma grande bênção porque, juntos, nós pudemos apreciar a beleza da tradição e da liturgia da Igreja.

Conte-me mais sobre a personalidade de seu pai. O ex-presidente Bill Clinton dizia que, mesmo quando discordava de seu pai, ele gostava dele porque Scalia nunca pretendia ser alguém que ele não era.

Isso é verdade — e é provavelmente a primeira coisa que eu ouço de Bill Clinton com a qual eu concordo. Acho que é por isso que meu pai se dava bem com tantas pessoas. Elas sabiam quem ele era. Ele não era uma coisa hoje e outra amanhã, como são muitas pessoas, especialmente na capital federal. Muito disso tinha a ver com sua fé, e outra parte também era o seu temperamento — quem ele era.

O senhor fez uma referência a São Thomas More em sua homilia: the king's good servant but God's first, "o fiel servidor do rei, mas de Deus primeiro".

Porque ele era de Deus primeiro.

São Thomas More foi advogado e homem de alta posição abaixo do rei. Seu pai o teve como especial santo padroeiro?

Ele tinha uma grande devoção por São Thomas More. Absolutamente. Ele brincava que, quando o Vaticano nomeou São Thomas More, que já há muitos anos era padroeiro dos advogados, como santo padroeiro dos políticos, aquela não era uma promoção. Acredito que meus pais assistiram ao filme A Man for All Seasons ("O homem que não vendeu sua alma") quando estavam viajando para a Europa depois de seu casamento. Paul Scofield estava certamente atuando. Ele certamente tinha uma grande admiração e devoção por São Thomas More — a integridade do homem, a astúcia, a sua piedade.

Seu pai também usava um cilício?

Não vou revelar as mortificações de meu pai. Ele tinha nove filhos; isso já era mortificação suficiente.

Conte-nos sobre uma das citações favoritas de seu pai: "Tenha a coragem de ter a sua sabedoria considerada como estupidez."

Meu pai obviamente tirou isso do Apóstolo, São Paulo: "Nós somos considerados tolos por causa de Cristo" ( 1 Cor 4, 10). Um católico que atua na esfera pública deve estar disposto a enfrentar o ridículo. É uma das coisas que meu pai gostava de destacar a respeito de São Thomas More: não é possível admirá-lo realmente, a menos que apreciemos o fato de ele parecer ridículo. Todos os demais, todos os seus companheiros, seguiram o rei. Todos os bispos da Inglaterra, com a exceção de um, seguiram o rei. Então ele parecia absurdo. Parecia um idiota. Esse é um tema da vida dos santos em geral.

Nosso Senhor mesmo foi ridicularizado. Então por que deveríamos imaginar-nos melhores que ele? Era um dos discursos favoritos que meu pai costumava fazer. Ele contrastava isso com Thomas Jefferson — um conto de dois Thomas. Thomas Jefferson, que ficou famoso por recortar a Bíblia, compôs a sua própria retirando todos os milagres dela porque, evidentemente, aqueles milagres, de acordo com o homem de sabedoria mundana, não são possíveis, então você não os pode ter. Por isso, você se livra deles. Ele considerava a Bíblia algo pouco sofisticado.

Os contemporâneos de Jesus pensavam o mesmo dEle. Para que ele cuspiu no chão e aplicou o barro nos olhos daquele homem (cf. Jo 9, 6)?

Pode vir algo bom da Galileia? A Galileia era um lugar desvalorizado. Devo dizer que meu pai se divertia com a ironia aqui. Ele era um homem muito sofisticado, e realmente representava o melhor do que tinham os jesuítas antigamente. Com todo o respeito, ele tinha mais cultura que muitos de seus pares em termos de literatura, música, arte e turismo. Não é minha intenção vangloriar-me, mas ele era mais sofisticado e creio que se divertia em estar no meio daquelas pessoas e dizer: "Devemos estar dispostos a parecer idiotas".

Há um vídeo no YouTube, do comediante Stephen Colbert tirando sarro dele durante o Jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, em 2006. Seu pai achou a brincadeira hilária. Ele gostava de rir de si mesmo?

Absolutamente. Quem o conhecia sabia que provocá-lo era a melhor forma de conseguir o melhor dele.

Era esse o segredo de sua amizade com a ministra Ruth Bader Ginsburg, de quem ele tanto discordava?

Deve ter sido, em parte. Mas acho que isso se devia ao que ele e ela eram. Não havia nenhuma pretensão. Ele podia respeitá-la. Ele podia discordar dela, mas ela era consistente. Ainda que houvesse desacordo, havia respeito pela integridade do seu pensamento, da sua palavra, e por quem ela era. Penso que muito disso se deve à sua criação em Nova Iorque. A cidade de Nova Iorque, especialmente nas décadas de 1940 e 1950, era aquele lugar em que tudo acontecia. Você tinha todo tipo de pessoas. Era impossível viver em uma bolha. Você tem que aprender a lidar com todo o mundo. A menos que você queira uma vida miserável, é preciso haver um apreço pelas diferenças entre as pessoas.

Em sua homilia durante o funeral de seu pai, você falou, entre outras coisas, sobre rezar pelos mortos, não roubando deles as nossas orações pressupondo que eles já estivessem no céu. Isso parece muito o seu pai.

Meu pai odiava a palavra "homilia". Ele a achava carregada de modernismo. Ele preferia "sermão". Um ponto que eu sempre recordo quando faço um funeral é: esse é o modo como podemos continuar a fazer o bem pela pessoa que amamos. É necessário um sentido sobrenatural para nos mantermos firmes e aceitarmos. Todos querem pensar que está tudo bem. Todos querem chegar ao final feliz sem grande esforço.

Você também falou de quão tênue é o véu a separar o tempo e a eternidade, e do chamado ao arrependimento. Qual foi a resposta das pessoas a isso?

Graças a Deus e a Nossa Senhora que Ele usou esse discurso para o bem. Talvez isso seja tão simples quanto o fato de que sua morte fez as pessoas focarem na eternidade, coisa à qual elas tipicamente não dão importância alguma. Muitas pessoas se perguntavam: porque o ministro Scalia morreu neste momento da história dos Estados Unidos, quando parece que nós realmente precisamos tanto dele?

"O cemitério está cheio de homens indispensáveis."

Meu pai amava essa frase. Ele a amava. Foi dele que a ouvi pela primeira vez. Ele atribuía essa citação a Charles de Gaulle, por isso a repetia com um sotaque francês.

Seu pai era um artista?

Ah, com certeza ele era. Ele atuava quando era mais novo. Sim, ele era um ator. Ele era bom de piadas, de histórias.

Olhando para este ano que se passou, o que você espera que as pessoas se lembrem a respeito dele?

Seu catolicismo era o que ele era. Ele viveu a vida ao máximo. Tinha uma variedade de interesses e de amigos, mas o núcleo era composto de basicamente três componentes: ele era um católico; um esposo e um pai; e um americano. Essas eram as coisas mais importantes para ele.

Fonte: Catholic Digest | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

| Categorias: Sociedade, Espiritualidade

Motivos para odiar crianças?

Uma mãe e escritora francesa escreveu um livro apresentando “motivos para odiar crianças”. Nós, às portas do Natal, queremos apresentar uma razão, uma só e suficiente, para amá-las: o menino Jesus.

"Tenho motivos para odiar crianças": é o título de um polêmico testemunho, amplamente divulgado esta semana na Internet, da escritora francesa Corinne Maier, que diz arrepender-se de ser mãe.

Se o título impressiona pela franqueza, não espanta pela realidade a que faz referência. As famílias brasileiras, assim como em muitas outras partes do mundo, não querem mais ter filhos. Os homens e mulheres de nossa época dão prioridade às suas carreiras, a viagens de férias, a uma vida de maior conforto, em resumo. As crianças vêm muitas vezes como resultado de um "acidente" do destino, ao qual os pais fatalmente têm que se adequar. Se são frutos de um planejamento, normalmente só nascem depois do pós-doutorado, e somam um casal, quando muito.

Desse que é um comportamento bastante comum hoje em dia, até o ato público de "odiar crianças", vai evidentemente um caminho, senão longo, pelo menos considerável. Mas isso é por enquanto. Matérias como essa, soltas na Internet, funcionam como uma espécie de "navio quebra-gelo": sua pretensão é desfazer tabus para expor uma concepção de mundo que há muito tempo permeia as mentes das "classes falantes". Pouco a pouco elas vão disseminando o que realmente pensam a respeito de família e a respeito de filhos, em uma tentativa de legitimar intelectualmente aquilo que já está generalizado na prática. É questão de pouco tempo para que mais e mais pessoas externem o horror que têm à maternidade, à vida e aos bebês (e de menos tempo ainda para que apareçam no Fantástico, como sabemos).

Já tivemos a oportunidade de tratar, no entanto, esse tema da influência negativa que os meios de comunicação exercem no comportamento das pessoas. As telenovelas da Rede Globo ainda constituem o melhor exemplo de como essas coisas funcionam, pelo que queremos realmente deixar de lado esse assunto, pelo menos ao longo destas linhas.

Acreditamos que, na verdade, a melhor resposta para um texto que expõe "motivos para odiar crianças" é justamente apresentar as contrarrazões disso. Por que nós, enquanto cristãos, amamos crianças? Por que é tão natural, para uma civilização fundada sobre bases cristãs, o amor aos filhos que nascem?

A solução para essa pergunta não deve ser encontrada em uma explicação meramente biológica. O choque de ver uma mãe que despreza a sua prole é de cunho evidentemente natural, mas o desejo que os cristãos têm de povoar a terra e o afeto que cultivam para com seus filhos pequenos são de uma ordem superior — sobrenatural, poderíamos dizer. Sua origem é o Natal.

Talvez não tenhamos parado para meditar suficientemente nisso, mas, na festa que estamos prestes a celebrar, no dia 25 de dezembro, o que comemoramos, senão que o próprio Deus se fez menino, criança, para a nossa salvação? O Onipotente se revestiu da fragilidade de um bebê, o Rei do universo inteiro assumiu a forma do mais pequeno dos súditos, Aquele que sustenta todos os seres quis experimentar as mais básicas das necessidades — a de um seio que o amamentasse, a de uma mão que lhe revestisse o corpo, a de uma mãe que o acalentasse e a de um pai que o protegesse. Deus se fez plenamente humano, com todas as fraquezas de nossa condição, exceto o pecado (cf. Hb 4, 15).

Ninguém imagine que o menino Jesus, da manjedoura, refulgia como na "transfiguração", ou combatia dragões, como se fosse "o pequeno Hércules" da mitologia romana. Absolutamente, não. São Leão Magno afirma que os magos encontraram o divino infante "sem que se diferenciasse em nada do comum das outras crianças" [1]. Assim, se nos fosse dado contemplar, por alguns minutos, o aspecto daquele bebê, envolto em faixas numa gruta fria de Belém, certamente seríamos capazes de identificar o mesmo sorriso cativante dos nossos filhos e netos, o mesmo choro com que eles pedem de comer, a mesma sonolência com que vivem os seus primeiros dias neste mundo etc. Agiu deste modo o Senhor para não desacreditar a sua humanidade [2]; para mostrar aos magos e aos pastores que era efetivamente fazendo-se um de nós que Ele vinha redimir o seu povo; para ensinar que Deus, que nos criou sozinho, não nos queria salvar sem que cooperássemos com Ele. Não, não era uma "ilusão fantasmagórica" o que a Sagrada Família de Nazaré e as primeiras testemunhas de Cristo tinham diante dos olhos: verdadeiramente, caro salutis est cardo, a carne humana se tinha tornado o eixo da salvação [3]!

Ao mesmo tempo, porém, aqueles homens vindos do Oriente, ainda que vissem um homem, reconheceram a Deus: vident enim hominem, diz Santo Tomás de Aquino, agnoscunt Deum [4]. Os presentes que eles traziam eram adequados à dignidade de quem visitavam: "ouro, como a um grande rei; incenso, utilizado nos sacrifícios divinos, como a Deus; e mirra, com a qual são embalsamados os corpos dos mortos, indicando que iria morrer pela salvação de todos" [5]. Ainda que com os olhos da carne não vissem nada de magnífico naquela criança, os magos, satisfeitos com o testemunho da estrela que avistaram nos céus, realmente se prostravam diante daquele bebê, em ato de verdadeira adoração. Foram os primeiros pagãos a se converterem e confessarem, com os atos, que Jesus Cristo era "verdadeiro Deus e verdadeiro homem".

Esse mesmo mistério do Natal, da Divindade que se une à humanidade, do Eterno que toca a história, nós o vemos atualizado em cada nova vida que vem a este mundo. Como diz o próprio Senhor nos Evangelhos, "quem acolher em meu nome uma criança como esta, estará acolhendo a mim mesmo" ( Mt 18, 5). Cada ser humano que é concebido, que é gerado graças ao amor de um casal, é um novo templo moldado por Deus e no qual Ele mesmo quer morar, com a sua graça santificante. No corpo inerme de cada bebê que vem a este mundo, está escondida uma alma imortal, uma alma que, batizada, participa da própria natureza divina (cf. 2Pd 1, 4). É isso o que as famílias celebram — ainda que nem sempre tenham plena consciência disto —, quando levam os seus filhos para serem batizados. Nas águas que se derramam sobre as suas cabeças, elas nascem de novo e, com isso, configuram-se perfeitamente ao menino Jesus, "nascido do Pai antes de todos os séculos" e da Virgem Maria, há pouco mais de dois mil anos.

É essa alegria, de propiciar nascimentos para o Céu, o que deveria estimular os casais a terem filhos! Só com uma visão sobrenatural e íntegra da realidade os seres humanos voltarão a ter um lugar especial no seio das famílias e da sociedade como um todo. Nós, católicos, não fazemos filhos "para que eles sofram neste mundo", como os antinatalistas gostam de dizer, mas para que eles sejam felizes na eternidade.

Quem, ao contrário, só é capaz de olhar para o próprio umbigo, naturalmente cede à "campanha da esterilidade" e pode chegar até mesmo ao absurdo de inventar "motivos para odiar crianças". Todos nós sabemos, no entanto, quais as razões do homem moderno para evitar filhos. Normalmente, não são justificativas, mas desculpas, e, ainda que sejam muitas, podem resumir-se em uma só palavra: egoísmo.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. São Leão Magno, Serm. 34, de Epiphania 4, c. 3 (PL 54, 247).
  2. Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica, III, q. 36, a. 4.
  3. Tertuliano, De carnis resurrectione, 8, 3: PL 2, 806.
  4. Suma Teológica, III, q. 36, a. 8, ad 4.
  5. São João Crisóstomo, Opus imperfectum in Matthaeum, 2, super 2, 11 (PG 56, 642).

| Categoria: Testemunhos

Antes e depois dos anticoncepcionais

Conheça o emocionante testemunho deste casal que se livrou dos anticoncepcionais e recebeu, como recompensa, uma família maravilhosa.

O testemunho que publicamos abaixo foi-nos enviado no final do último mês de setembro, poucos dias após uma visita do Padre Paulo Ricardo à cidade paranaense de Ponta Grossa, onde mora a família Pauluk. Nestas breves linhas, Carlos Eduardo, que já é nosso aluno de longa data, descreve como era a sua família antes e como ela é agora, depois que ele e sua esposa se livraram das pílulas anticoncepcionais.

Enviamos recentemente um e-mail ao casal pedindo a autorização para publicarmos o seu testemunho, e eles aceitaram compartilhar a experiência por que passaram. "Quem sabe possamos contribuir um pouco nesta batalha", ele nos escreveu. "Estamos sempre abertos a conversar com casais de amigos nossos e outros, para expor tudo o que passamos. Não é nada fácil, mas a recompensa é maravilhosa."

Padre Paulo, a sua benção...

Meu nome é Carlos Eduardo Pauluk. Sou de Ponta Grossa-PR e tive a oportunidade de conversar muito rapidamente com o senhor na terça-feira dia 20/09/2016, quando esteve aqui para as palestras de formação na paróquia São Cristóvão. Conversamos logo que o senhor entrou no carro para ir embora, mas por não querer segurar muito o senhor ali naquele momento, acredito que não pude me expressar muito bem. Então resolvi enviar este e-mail.

Em primeiro lugar, deixo claro que sei muito bem que nosso louvor deve todo ser direcionado a Deus, colocando nas mãos de Maria para que ela nos ajude a entregar a Ele tudo o que temos em nosso coração. Sei da tua preocupação em se desviar de possíveis idolatrias que a fama inevitavelmente trás no mesmo pacote, e até fiquei depois me sentindo um pouco mal por ter pedido para bater uma foto com o senhor.
A verdade é que o seu trabalho através do site mudou a minha vida de forma permanente, indelével.

Conheci seu site há muitos anos atrás, e desde então acompanhei muitos dos vídeos. Fiz alguns cursos, dentre eles todas as 90 aulas da primeira parte do curso de Catecismo. Meu crescimento intelectual e principalmente espiritual foi muito grande. E só por isso já tenho muito a te agradecer, por todo seu empenho e esforço. Ao senhor e a sua equipe, é claro! Imagino que o trabalho para nos entregar um material de tão grande qualidade não é fácil.

Continuando… lá por 2011, esbarrei no vídeo que tinha o título de "Abortos Ocultos". Li um pouco do descritivo onde dizia: "A maioria das mulheres que usa pílulas anticoncepcionais não sabe..." e só. Parei, fechei e decidi que continuaria vendo todos os outros vídeos, mas que este em específico não precisava ver. Eu já sabia... Já sabia que a Igreja era contra métodos anticoncepcionais, que devemos estar abertos aos filhos que Deus nos mandar, mas em seguida me anestesiava com as desculpas mais clássicas dadas por todos os católicos quando começam a discutir este tema.

Deixei o vídeo de lado por um bom tempo, fingindo que não existia, e continuei assistindo todo o restante. O problema é que o vídeo continuava sempre aparecendo como sugestão para mim nas laterais do site. Consegui me segurar por um tempo, mas quando o Espírito Santo teima em nos abrir os olhos, se temos o coração aberto para Deus, não temos muito como evitar. Foi quando então resolvi assistir ao vídeo.
Eu, sinceramente, não esperava que o assunto fosse abordado daquela forma. Eu não fazia a mínima ideia daquilo ali. Pra mim, os anticoncepcionais faziam exatamente o que o termo dizia: evitavam a concepção. Terminei de assistir e entrei num estado de confusão espiritual e mental muito grande.

Por um lado eu pensava que devia falar com minha esposa o mais rápido possível sobre isto. Nós não éramos um exemplo de casal católico, talvez no máximo um mau exemplo. Íamos à missa e só. E ainda faltávamos muitas vezes. Namoramos e tivemos uma vida sexual desde o tempo de namoro, e ela já tomava anticoncepcionais desde esta época. Fazia uns sete anos já. Outro detalhe é que quando começamos a namorar, minha esposa nem batizada era. Era filha de pais separados, evangélicos, mas cada um seguindo uma denominação diferente. Deixaram para ela se decidir sobre o batismo quando fosse adulta. Aí eu, por ser de família católica (meu pai é diácono permanente aqui na paróquia São José em Ponta Grossa), comecei a trazê-la para as missas. Mais tarde ela decidiu se batizar e meus pais acabaram sendo os padrinhos dela. Até por ser desta forma, eu nunca quis insistir muito em questões de fé com ela. Sempre achei melhor ir aos poucos, esperando que o Espírito Santo cuidasse da sua conversão. Ela também nunca foi muito resistente a nada, nunca foi muito de questionar, de ficar fazendo perguntas. Apenas me segue, e me escuta quando resolvo falar algo.

Passaram alguns dias até que eu decidisse mostrar o vídeo para ela. Antes, conversei um pouco, expliquei que aquilo ali poderia deixá-la confusa, mas que eu entenderia a decisão que ela tomasse, e estaria do lado dela de qualquer forma. A bem da verdade, eu estava era muito ansioso, porque não saberia o que faria se a decisão dela fosse a de continuar com os "remédios". Liguei o vídeo e assisti junto com ela. Quando terminou, olhei pra ela, e ela estava chorando já. Choramos juntos. Como não chorar? Como não chorar ao entender que o útero dela podia ter muito bem sido um verdadeiro túmulo nos últimos anos?

Agora o senhor pode imaginar a minha alegria quando ela levanta do sofá, vai até o banheiro, pega a caixinha, vai até o lixo da cozinha e vai jogando os comprimidos, um por um, no lixo? Eu pude sentir que aquele era um momento de grande mudança em nossas vidas. Um verdadeiro "turning point".

Deste dia passou algum tempo, mas não tanto, desde que Deus nos abençoou com o primeiro dos maiores presentes que ele nos daria. Dia 25/10/2012 vinha ao mundo a Maria Clara, nossa primeira filha.

Depois fomos atrás de aprender sobre métodos naturais. Fomos a uma reunião sobre o método Billings. Tentamos segui-lo por um tempo. Mas a verdade é que não é tão fácil quanto dizem. E a verdade também é que eu e ela não estávamos tão preocupados em "evitar". Fomos tentando seguir o método, mas sem muita dedicação. Um ano e sete meses mais tarde chega para nós o segundo presente de Deus: a Elis. Quando fiquei sabendo que ela estava grávida novamente, minha alegria foi tão grande que nem deu espaço aos medos tão naturais quando alguém recebe a notícia de uma gravidez nos dias de hoje.

Depois da Elis, mudamos de método. Tentamos o método da "temperatura basal". Tem um aplicativo para celular chamado Natural Cycles. É bem interessante, e muito mais fácil que o método Billings. Pode até ser usado em conjunto com ele. Acontece que este método tem uma exigência: que a mulher meça sua temperatura todo dia antes de levantar da cama. Só que quando você tem uma filha de dois anos e outra de poucos meses, fica meio difícil a mulher conseguir esperar deitada para medir a temperatura enquanto as duas choram no quarto ao lado pedindo mama! Mas mesmo assim minha esposa foi tentando, medindo quando podia.

Enquanto isso fui atrás de ler e estudar mais sobre métodos naturais, já que o segundo método que tentamos não estava dando muito certo também. Foi quando encontrei na internet o método da "Samambaia". Bom, te digo que de todos os que eu li, este parece ser o ideal para nós. Trata-se se acompanhar a fertilidade da mulher pela saliva. Só precisa de um microscópio, mas nada muito sofisticado. O método não exige as nuances das observações do método Billings, e nem que a mulher tenha um sono regular, coisa impossível para quem tem crianças pequenas em casa. A primeira vez que eu vi sobre o método da Samambaia pareceu simples demais, quase não acreditei! Mas Deus é sábio, e eu sempre pensei que devia existir sim alguma forma bem simples e objetiva de se observar a fertilidade da mulher. Quantos sinais nosso corpo não dá para as mais diversas condições humanas?

Bom, estava lá eu pesquisando na internet e quase fechando já uma compra de um microscópio, mas Deus já tinha feito seus planos para a nossa família. Eu e minha esposa não queríamos ter apenas dois filhos, isto era fato, falávamos desde sempre em quatro, mas ao mesmo tempo, no auge dessa crise financeira, também não estávamos mais tão abertos assim no momento. Agora já conhecemos o custo de um filho, não é brincadeira. A encruzilhada era esta. Duas filhas pequenas, uma com 3 e outra acabado de fazer 2 anos. A segunda tentativa por método natural não funcionando muito bem, e uma crise financeira grave. Acredito que foi assim que Deus fez a seguinte "proposta" para nós: "Ah, então você quer mesmo aprender um método natural muito bom para poderem planejar a família de vocês? Tudo bem, vou te ensinar, mas antes, uma surpresinha..."

Padre, na mesma semana que eu aprendi sobre o método e estava pronto para comprar o microscópio, minha esposa chega em casa com um teste de gravidez de farmácia com resultado positivo. Já está agora no quarto mês. E é um menino desta vez. Consegue imaginar a nossa felicidade? Não adianta... A alegria de saber que Deus aceitou a minha vida e da minha família quando ofereci a Ele, e que Seus planos estão acima dos meus, acaba com qualquer medo ou receio. Vem aí agora o Olavo. A gestação está muito bem, minha esposa está muito bem, e nossas meninas também estão ansiosas para conhecer o irmãozinho.

Enfim Deus nos ensinou um método natural. Talvez agora tenha deixado em nossas mãos a decisão para o quarto filho. O tempo irá nos dizer. Estaremos sempre abertos.

Se não tivéssemos visto o vídeo no site, não teríamos nenhum filho até hoje. Estaríamos ainda "esperando o momento certo". Se o método Billings tivesse funcionado, muito provavelmente só teríamos a Maria Clara. E mesmo se o segundo método tivesse funcionado, mas já tivéssemos a Elis, poderíamos não ter mais filhos também, por causa da situação financeira atual. Então... Como não acreditar que Deus planejou tudo para nós?

Padre, quero te agradecer. Sim, ao senhor. Eu sei que o senhor é apenas um instrumento de Deus. Provavelmente já devem existir milhares de relatos de pessoas que tiveram suas vidas transformadas pelas mensagens do seu site. Te agradeço pelo senhor ter se deixado fazer um instrumento de Deus, colocando toda a sua intelectualidade e disposição de espírito nesta empreitada que é o "padrepauloricardo.org".

Eu quis bater uma foto com o senhor porque o senhor faz parte de nossa vida. Se Deus já conhece todos os seres humanos antes mesmo de eles serem concebidos, então a Maria Clara estava nos planos dele desde sempre. E com certeza o site padrepauloricardo.org também fazia parte da providência divina em nossas vidas.

Estou te escrevendo para te dar um feedback. Está funcionando! Tem vidas que surgiram também porque teu site existe. Te escrevo pra demonstrar a minha felicidade. Descobri um grande pecado que estava enraizado na minha vida, e ao me livrar dele, a recompensa que Deus me dá é uma família maravilhosa. Não tenho como não me emocionar ao imaginar o tamanho da misericórdia que Deus tem para comigo, o tanto que ele me ama, a mim e minha família!

Então agradeço ao senhor e a toda a sua equipe, de coração! Que Deus continue te abençoando e abençoando teus projetos.

P.S.: O nome Olavo estava em uma lista de nomes de meninos que eu tinha feito. Sou aluno também do professor Olavo de Carvalho (um pouco parado no momento porque realmente não está dando tempo de acompanhar as aulas), mas não tinha decidido qual nome escolher. Minha esposa é que se afeiçoou por "Olavo", mesmo quase não conhecendo o professor.

Testemunho enviado ao nosso site no dia 26 de setembro de 2016.

| Categoria: Como Ser Família

Como lidar com um amor não correspondido?

Amar e não ser correspondido é causa de dor e frustração. Por trás dessa experiência, no entanto, mora um problema de fundo nem sempre percebido: talvez nós, sem repararmos no nosso egoísmo, estejamos “amando” errado.

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O que devemos fazer quando o amor que temos por uma pessoa não é correspondido? Essa pergunta esconde uma dor e uma angústia bastante comuns hoje em dia, sobretudo entre os mais jovens. No entanto, ela só pode ser respondida adequadamente se tivermos bem claro em que consiste o verdadeiro amor humano.

Os tempos atuais, marcados por certo romantismo burguês, costumam pensar que o amor é algo que se sente. Por isso, já não é estranho que boa parte das pessoa acredite estar amando somente enquanto experimenta alguma sensação de prazer ou satisfação. E nem lhes passa pela cabeça que talvez a sua forma de "amar" seja não só a causa de seus sofrimentos, mas também uma manifestação de egoísmo.

Mas, afinal, o que significa amar de verdade? Como sair de si mesmo, fazendo pouco caso dos próprios interesses, quase sempre mesquinhos e fúteis, e passar a querer apenas o bem do amado, mesmo que dele nada se receba em troca?

É o que o Padre Paulo Ricardo explica neste novo vídeo do nosso projeto dedicado especialmente à família.

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