Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 10, 17-24)
Naquele tempo, os setenta e dois voltaram muito contentes, dizendo: “Senhor, até os demônios nos obedeceram por causa do teu nome”. Jesus respondeu: “Eu vi Satanás cair do céu, como um relâmpago. Eu vos dei o poder de pisar em cima de cobras e escorpiões e sobre toda a força do inimigo. E nada vos poderá fazer mal. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem. Antes, ficai alegres porque vossos nomes estão escritos no céu”. Naquele momento, Jesus exultou no Espírito Santo e disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue pelo meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho, a não ser o Pai; e ninguém conhece quem é o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”. Jesus voltou-se para os discípulos e disse-lhes em particular: “Felizes os olhos que veem o que vós vedes! Pois eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que estais vendo, e não puderam ver; quiseram ouvir o que estais ouvindo, e não puderam ouvir”.
Hoje, no Brasil, celebramos a memória de trinta mártires de Cunhaú e Uruaçu, no Rio Grande do Norte, que derramaram seu sangue para atestar a fé católica: Santo André de Soveral, Santo Ambrósio Ferro e seus companheiros mártires. São vinte e cinco homens e cinco mulheres que foram mortos por causa da perseguição que estavam sofrendo por serem católicos.
Aquela região do Brasil, 375 anos atrás, tinha sido invadida por holandeses, que eram calvinistas, isto é, protestantes. E, num momento de terrível perseguição, por uma série de intrigas e problemas próprios do pecado original e das investidas do demônio, eles foram martirizados, porque não negaram a fé católica, como exigiam os calvinistas.
Nesse contexto, é importante deixarmos claro que os mártires do Rio Grande do Norte derramaram o seu sangue, principalmente, por causa da Eucaristia. Sim, esse sempre foi o ponto de discórdia e a pedra de tropeço entre católicos e protestantes: o fato de que nós, católicos, cremos verdadeiramente que, na hóstia consagrada — a qual somente um sacerdote validamente ordenado pode consagrar —, está Jesus Cristo vivo, Deus e homem verdadeiro. Não se trata de um mero simbolismo; Ele realmente está presente.
Muitas vezes, os protestantes ficam insistindo que os católicos são idólatras e que adoram imagens, tratando pequenas estátuas de gesso ou madeira como se fossem Deus. Ora, isso é um grande equívoco, e qualquer um que seja verdadeiramente católico sabe perfeitamente que nós não adoramos imagens. Contudo, existe um ponto em que os protestantes, de fato, têm de ficar muito incomodados: nós adoramos a Eucaristia.
Quando, no sacrário ou no altar, aquela aparência de pão é colocada no ostensório, ou quando é erguida na consagração pelas mãos do sacerdote, nós cremos profundamente que, naquela hóstia, está Nosso Senhor Ressuscitado, e nós o adoramos de verdade. Infelizmente, os protestantes não creem nisso e acham que aquilo é idolatria, um ato de impiedade. Por nossa parte, só podemos lamentar o fato de que eles tenham perdido a Eucaristia.
Com a revolução protestante 500 anos atrás, quando os primeiros protestantes começaram a recusar a Santa Missa, aconteceu uma grande tragédia espiritual. Quando lemos os livros de história e vemos como se espalhou o protestantismo por toda a Europa, qual é o critério que os historiadores observam para dizer que tal cidade, a partir dessa data, começou a ser protestante e deixou de ser católica? Exatamente quando cessou a celebração da Santa Missa.
Em várias cidades na Europa, foram se apagando as luzes dos sacrários. Que terrível tragédia! Não havia mais Missa, não havia mais Eucaristia, não havia mais o sacrifício salvador de Cristo oferecido no altar nem a presença gloriosa do Ressuscitado escondida atrás do véu do pão nos sacrários. No entanto, havia homens corajosos como os mártires de Cunhaú e Uruaçu, os quais morreram professando sua fé católica com brados de amor: “Viva Jesus no Santíssimo Sacramento do altar!”.
Que nós, católicos brasileiros, continuemos firmes nessa herança espiritual e não abandonemos a fé na Eucaristia, pedindo a Deus a graça de nunca apagarmos as luzes do sacrário e de nunca permitirmos que as hóstias deixem de ser levantadas no santo sacrifício do altar. Antes, peçamos continuamente por mais sacerdotes santos e fiéis que tenham o mesmo coração ardente de caridade dos 30 mártires que hoje celebramos, dispostos a oferecer o sacrifício de amor.



















