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Liturgia Diária

Acompanhe a leitura do dia e também a Homilia do Padre Paulo Ricardo.
Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, Solenidade

Hoje – 02 de Novembro de 2026

Primeira Leitura
Leitura do Livro de JóJó 19, 1. 23-27a

1Jó tomou a palavra e disse: 23“Gostaria que minhas palavras fossem escritas e gravadas numa inscrição 24com ponteiro de ferro e com chumbo, cravadas na rocha para sempre! 25Eu sei que o meu redentor está vivo e que, por último, se levantará sobre o pó; 26e depois que tiverem destruído esta minha pele, na minha carne, verei a Deus. 27aEu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão, e não os olhos de outros”

Salmo Responsorial
O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma.Sl 22(23),1-3.4.5.6

O Senhor é o pastor que me conduz,
não me falta coisa alguma.
Ou: Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso,
nenhum mal eu temerei.

1 O Senhor é o pastor que me conduz; *
não me falta coisa alguma.
2 Pelos prados e campinas verdejantes *
ele me leva a descansar. R.

Para as águas repousantes me encaminha, *
3 e restaura as minhas forças.
Ele me guia no caminho mais seguro, *
pela honra do seu nome. R.

4 Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, *
nenhum mal eu temerei.
Estais comigo com bastão e com cajado, *
eles me dão a segurança! R.

5 Preparais à minha frente uma mesa, *
bem à vista do inimigo;
com óleo vós ungis minha cabeça, *
e o meu cálice transborda. R.

6 Felicidade e todo bem hão de seguir-me, *
por toda a minha vida;
e, na casa do Senhor, habitarei *
pelos tempos infinitos. R.

Segunda Leitura
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios1Cor 15,20-24a.25-28

Irmãos:

20 Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. 21 Com efeito, por um homem veio a morte, e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos. 22 Como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão. 23 Porém, cada qual segundo uma ordem determinada: em primeiro lugar, Cristo, como primícias; depois, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda.

24a A seguir, será o fim, quando ele entregar a realeza a Deus-Pai. 25 Pois é preciso que ele reine até que todos os seus inimigos estejam debaixo de seus pés. 26 O último inimigo a ser destruído é a morte. 27 Com efeito, “Deus pôs tudo debaixo de seus pés”. Mas, quando ele disser: “Tudo está submetido”, é claro que estará excluído dessa submissão aquele que submeteu tudo a Cristo. 28 E, quando todas as coisas estiverem submetidas a ele, então o próprio Filho se submeterá àquele que lhe submeteu todas as coisas, para que Deus seja tudo em todos.

Evangelho
Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo LucasLc 12,35-40

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 

35 “Ficai de prontidão, com o cinto amarrado e as lâmpadas acesas. 36 Sede como pessoas que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrir a porta, logo que ele chegar e bater. 37 Felizes os servos que o Senhor encontrar acordados quando chegar. Em verdade, vos digo: ele mesmo vai arregaçar sua veste, os fará sentar à mesa e passará para servi-los. 38 E caso ele chegue pela meia-noite ou já perto da madrugada, felizes serão, se assim os encontrar! 39 “Ficai certos: se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, não deixaria que fosse arrombada sua casa. 40 Vós também ficai preparados! Pois na hora em que menos pensais, virá o Filho do Homem”.

Meditação
Renovar a fé no Purgatório e interceder pelos falecidos

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 5, 1-12a)

Naquele tempo: Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, e Jesus começou a ensiná-los: "Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados sois vós,  quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus.

Celebramos hoje o dia de Finados, dedicado à oração por nossos irmãos, amigos, parentes, conhecidos e por todos os fiéis falecidos. E, para vivermos este dia, precisamos renovar a nossa fé numa realidade fundamental: o Purgatório. 

Infelizmente, existem muitos teólogos modernos que atacam a existência do Purgatório, dizendo que ele é apenas uma criação da Igreja medieval. Entretanto, embora não encontremos expressamente na Sagrada Escritura a palavra “Purgatório”, sabemos que, desde os primeiros tempos da Igreja, os cristãos rezam pelos mortos. Nas próprias catacumbas, encontramos inscrições com orações pelos fiéis falecidos. 

Mas por que rezamos por eles? Bom, sabemos que, depois da morte, não existe mais a possibilidade de escolher a Deus ou rejeitá-lo. A fé católica ensina que essa decisão se encerra com a nossa vida terrena: quando morremos, nossa condição diante de Deus já está definida. As decisões que determinam o nosso destino eterno precisam ser tomadas enquanto estamos nesta vida.

No entanto, uma pessoa pode morrer em estado de graça sem estar ainda completamente purificada. Amamos a Deus, mas permanecemos agarrados às coisas deste mundo; somos generosos, mas ainda guardamos muitos apegos; perdoamos, mas conservamos várias mágoas; ajudamos os necessitados, mas ainda lutamos contra a avareza. 

Há em nosso coração uma realidade de conflito que precisa ser purificada. Por isso, existe o Purgatório: uma purificação daqueles que morreram na amizade com Deus, mas necessitam ser preparados para entrar plenamente em sua Presença. Trata-se de uma realidade da fé da Igreja, ensinada e definida ao longo de sua Tradição.

É por essa razão que hoje rezamos pelos falecidos. As almas que passam por essa purificação podem ser auxiliadas pelos sufrágios da Igreja e pelas nossas orações. No dia de Finados, de modo particular, a Igreja nos convida a exercer essa caridade em favor daqueles que já partiram, visitando um cemitério e rezando pelas almas dos fiéis defuntos, especialmente por aqueles a quem desejamos sufragar. Não é necessário que seja o mesmo cemitério em que a pessoa esteja sepultada; o importante é oferecer a nossa oração pelos falecidos.

Fazendo isso, a Igreja também nos concede a possibilidade de alcançar indulgência plenária aplicável aos fiéis defuntos, observadas as condições habituais: oração nas intenções do Papa, Confissão sacramental (alguns dias antes ou depois) e Comunhão Eucarística (em estado de graça, obviamente). Desse modo, podemos oferecer concretamente a nossa caridade em sufrágio pelas almas do Purgatório.

E se aquela pessoa por quem oferecemos nossas orações já estiver no Céu? Então, confiemos na providência de Deus, que saberá aplicar esses sufrágios segundo a sua vontade. Afinal, rezar pelos mortos é também uma forma de aprender a amá-los. Rezemos, portanto, por todos aqueles que nos precederam, suplicando ao Senhor que complete neles toda purificação e receba-os na alegria eterna do Céu.

℣. Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno.
℟. E que a luz perpétua os ilumine.
℣. Descansem em paz.
℟. Amém.

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Janeiro 2024

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