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Liturgia Diária

Acompanhe a leitura do dia e também a Homilia do Padre Paulo Ricardo.
São Carlos Lwanga e companheiros mártires, Memória

Hoje – 03 de Junho de 2026

Primeira Leitura
Início da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo2Tm 1,1-3.6-12

1Paulo, apóstolo de Jesus Cristo pelo desígnio de Deus referente à promessa de vida que temos em Cristo Jesus, 2a Timóteo, meu querido filho: graça, misericórdia e paz da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor! 3Dou graças a Deus – a quem sirvo com a consciência pura, como aprendi dos meus antepassados – quando me lembro de ti, dia e noite, nas minhas orações. 6Por este motivo, exorto-te a reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos. 7Pois Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e sobriedade. 8Não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor nem de mim, seu prisioneiro, mas sofre comigo pelo evangelho, fortificado pelo poder de Deus. 9Deus nos salvou e nos chamou com uma vocação santa, não devido às nossas obras, mas em virtude do seu desígnio e da sua graça, que nos foi dada em Cristo Jesus desde toda a eternidade. 10Essa graça foi revelada agora, pela manifestação de nosso salvador, Jesus Cristo. Ele não só destruiu a morte, como também fez brilhar a vida e a imortalidade por meio do evangelho, 11do qual fui constituído anunciador, apóstolo e mestre. 12Esta é a causa pela qual estou sofrendo, mas não me envergonho, porque sei em quem coloquei a minha fé. E tenho a certeza de que ele é capaz de guardar aquilo que me foi confiado até o grande dia.

Salmo Responsorial
Ó Senhor, para vós eu levanto meus olhos.Sl 122(123),1-2a.2bcd

Ó Senhor, para vós eu levanto meus olhos.

1 Eu levanto os meus olhos para vós,*
que habitais nos altos céus.
2a Como os olhos dos escravos estão fitos*
nas mãos do seu senhor. R.

b Como os olhos das escravas estão fitos*
nas mãos de sua senhora,
c assim os nossos olhos, no Senhor,*
d até de nós ter piedade R.

Evangelho
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo MarcosMc 12,18-27

Naquele tempo, 18vieram ter com Jesus alguns saduceus, os quais afirmam que não existe ressurreição, e lhe propuseram este caso: 19“Mestre, Moisés deu-nos esta prescrição: se morrer o irmão de alguém e deixar a esposa sem filhos, o irmão desse homem deve casar-se com a viúva, a fim de garantir a descendência de seu irmão. 20Ora, havia sete irmãos; o mais velho casou-se e morreu sem deixar descendência. 21O segundo casou-se com a viúva e morreu sem deixar descendência. E a mesma coisa aconteceu com o terceiro. 22E nenhum dos sete deixou descendência. Por último, morreu também a mulher. 23Na ressurreição, quando eles ressuscitarem, de quem será ela mulher? Por que os sete se casaram com ela!” 24Jesus respondeu: “Acaso vós não estais enganados, por não conhecerdes as Escrituras nem o poder de Deus? 25Com efeito, quando os mortos ressuscitarem, os homens e as mulheres não se casarão, pois serão como os anjos do céu. 26Quanto ao fato da ressurreição dos mortos, não lestes no livro de Moisés, na passagem da sarça ardente, como Deus lhe falou: ‘Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó’? 27Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos! Vós estais muito enganados”.

Meditação
O martírio e a eternidade

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 12, 18-27)

Naquele tempo, vieram ter com Jesus alguns saduceus, os quais afirmam que não existe ressurreição e lhe propuseram este caso: “Mestre, Moisés deu-nos esta prescrição: Se morrer o irmão de alguém, e deixar a esposa sem filhos, o irmão desse homem deve casar-se com a viúva, a fim de garantir a descendência de seu irmão”. Ora, havia sete irmãos: o mais velho casou-se, e morreu sem deixar descendência. O segundo casou-se com a viúva, e morreu sem deixar descendência. E a mesma coisa aconteceu com o terceiro. E nenhum dos sete deixou descendência. Por último, morreu também a mulher. Na ressurreição, quando eles ressuscitarem, de quem será ela mulher? Porque os sete se casaram com ela!”
Jesus respondeu: “Acaso, vós não estais enganados, por não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus? Com efeito, quando os mortos ressuscitarem, os homens e as mulheres não se casarão, pois serão como os anjos do céu. Quanto ao fato da ressurreição dos mortos, não lestes, no livro de Moisés, na passagem da sarça ardente, como Deus lhe falou: ‘Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó’? Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos! Vós estais muito enganados”.

Celebramos hoje a memória de São Carlos Lwanga e seus 21 companheiros, os primeiros mártires canonizados da África Negra. Em Uganda, no ano de 1886, eles corajosamente derramaram o próprio sangue a fim de testemunhar sua fé na realidade da vida sobrenatural do Céu e na ressurreição dos mortos, tema que o Evangelho de hoje nos apresenta.

Para contextualizar, São Carlos e seus companheiros foram martirizados por um rei cruel e impuro, que queria que eles satisfizessem seus desejos pecaminosos. Eles, firmes na pureza cristã, recusaram-se a fazer isso e, por amor a Cristo, para preservar sua pureza e por fidelidade aos ensinamentos da Santa Igreja, decidiram entregar a própria vida.

Mas o que leva uma pessoa a realizar um ato tão grandioso? Somente um grande amor. É o amor a Deus e à vida que Ele preparou para nós que fez com que os mártires tivessem tamanha coragem, grande temor de Deus e ausência do medo humano e carnal.

No Evangelho de hoje, Jesus é interpelado pelos saduceus, uma seita que não acreditava na ressurreição dos mortos. Cristo, então, confirma que a ressurreição é realmente uma verdade: os mortos ressuscitarão. E, ao mesmo tempo, deixa claro algo importante: não somente os mortos ressuscitarão, mas também aqueles que estão mortos e ainda não ressuscitaram possuem em si a vida natural da alma, que nos justos será a vida sobrenatural em Deus. 

Para entender isso, vamos explicar o que acontece quando nós morremos. Falando dos cristãos batizados, quando uma pessoa morre, sua alma se separa do corpo. Essa alma é julgada e segue para seu destino eterno. Popularmente, costumamos dizer: “Deus o tenha em um bom lugar”. Esse “bom lugar” pode ser o Purgatório ou o Céu; mas é evidente que existe também a possibilidade da condenação eterna.

Então, no fim dos tempos, as almas serão reunidas novamente aos seus corpos. Os maus ressuscitarão para a condenação eterna, porque muitas vezes a alma utiliza também o corpo para o pecado; assim, ambos participarão da punição eterna. Quanto aos justos, todas as almas que estão no Purgatório serão purificadas e, com seus corpos, estarão definitivamente em Deus. O Purgatório será esvaziado, e os salvos entrarão na recompensa eterna, unidos novamente aos seus corpos gloriosos.

Os mártires, como São Carlos Lwanga e seus companheiros, ressuscitarão como Cristo ressuscitou: com corpos gloriosos, carregando também sinais do seu martírio e do seu amor. Do mesmo modo que as chagas de Cristo ressuscitado não eram sinais horríveis, mas gloriosos, Santo Tomás de Aquino afirma que os mártires carregarão esses sinais como preciosas joias do seu amor e do seu grande mérito.

Portanto, a controvérsia apresentada no Evangelho de hoje nos convida a recordar aquilo que realmente professamos quando cremos na ressurreição dos mortos: quando morrermos, nossa alma seguirá para seu destino eterno; e somente no fim dos tempos, ela voltará a unir-se ao corpo ressuscitado para participar da vida de Deus na eternidade.

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