Hoje – 03 de Setembro de 2026
Irmãos, 18ninguém se iluda: se algum de vós pensa que é sábio nas coisas deste mundo, reconheça sua insensatez, para se tornar sábio de verdade; 19pois a sabedoria deste mundo é insensatez diante de Deus. Com efeito, está escrito: “Ele apanha os sábios em sua própria astúcia”, 20e ainda: “O Senhor conhece os pensamentos dos sábios; sabe que são vãos”. 21Portanto, que ninguém ponha a sua glória em homem algum. Com efeito, tudo vos pertence: 22Paulo, Apolo, Cefas, o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro, tudo é vosso, 23mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus.
Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra.
1 Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra, *
o mundo inteiro com os seres que o povoam;
2 porque ele a tornou firme sobre os mares, *
e sobre as águas a mantém inabalável. R.
3 "Quem subirá até o monte do Senhor, *
quem ficará em sua santa habitação?"4a "Quem tem mãos puras e inocente coração, *b quem não dirige sua mente para o crime. R.
5 Sobre este desce a bênção do Senhor *
e a recompensa de seu Deus e Salvador".
6 "É assim a geração dos que o procuram, *
e do Deus de Israel buscam a face". R.
Naquele tempo, 1Jesus estava na margem do lago de Genesaré, e a multidão apertava-se ao seu redor para ouvir a Palavra de Deus. 2Jesus viu duas barcas paradas na margem do lago. Os pescadores haviam desembarcado e lavavam as redes. 3Subindo numa das barcas, que era de Simão, pediu que se afastasse um pouco da margem. Depois, sentou-se e, da barca, ensinava as multidões. 4Quando acabou de falar, disse a Simão: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca”. 5Simão respondeu: “Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes”. 6Assim fizeram, e apanharam tamanha quantidade de peixes, que as redes se rompiam. 7Então fizeram sinal aos companheiros da outra barca, para que viessem ajudá-los. Eles vieram, e encheram as duas barcas, a ponto de quase afundarem. 8Ao ver aquilo, Simão Pedro atirou-se aos pés de Jesus, dizendo: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador!” 9É que o espanto se apoderara de Simão e de todos os seus companheiros, por causa da pesca que acabavam de fazer. 10Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram sócios de Simão, também ficaram espantados. Jesus, porém, disse a Simão: “Não tenhas medo! De hoje em diante, tu serás pescador de homens”. 11Então levaram as barcas para a margem, deixaram tudo e seguiram a Jesus.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 4, 31-37)
Naquele tempo, Jesus desceu a Cafarnaum, cidade da Galileia, e aí ensinava-os aos sábados. As pessoas ficavam admiradas com o seu ensinamento, porque Jesus falava com autoridade. Na sinagoga, havia um homem possuído pelo espírito de um demônio impuro, que gritou em alta voz: “Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus!”
Jesus o ameaçou, dizendo: “Cala-te, e sai dele!” Então o demônio lançou o homem no chão, saiu dele, e não lhe fez mal nenhum. O espanto se apossou de todos e eles comentavam entre si: “Que palavra é essa? Ele manda nos espíritos impuros, com autoridade e poder, e eles saem”. E a fama de Jesus se espalhava em todos os lugares da redondeza.
Celebramos hoje, com grande alegria, a memória de São Gregório Magno, grande Papa e Doutor da Igreja, que teve, como todo verdadeiro pastor, uma vida apostólica e ativa, mas também uma profunda vida contemplativa e mística.
E por que é necessário que, no pastor da Igreja, estejam unidas Marta e Maria, isto é, a vida ativa e a contemplativa? O próprio São Gregório Magno nos explica isso em uma homilia sobre o livro do profeta Ezequiel, que a Igreja coloca no Ofício das Leituras deste dia 3 de setembro. Ele nos apresenta a figura da sentinela — o speculator, em latim —, aquele que permanece como vigia sobre a cidade. Ora, para cumprir a sua missão, a sentinela precisa estar no alto. Nesse contexto, “estar no alto” significa permanecer em profunda comunhão com Deus. O pastor precisa, pois, elevar-se para poder ajudar o povo com a sua pró-vidência, isto é, com uma visão a favor dos outros.
Trata-se, evidentemente, de uma metáfora, mas por meio dela compreendemos algo fundamental: o verdadeiro pastor precisa lançar sobre as ovelhas um olhar que venha de Deus. Não convém que vejamos as coisas simplesmente de maneira carnal.
Porém, em nosso dia a dia, o que isso significa na prática? Quando procuramos um diretor espiritual, o que realmente esperamos dele? Esperamos justamente que ele nos oriente em nosso caminho espiritual, colocando-nos no rumo. Isso porque, devido às nossas paixões desordenadas, aos nossos pecados e à influência mundana que nos cerca, estamos continuamente sendo açoitados de todos os lados e arrastados pelas circunstâncias e pelas realidades carnais.
Aqui, “realidade carnal” significa que, em nossa fraqueza, somos muitas vezes como Marta, agitada com as panelas da cozinha e esquecida do Único Necessário. Logo, o verdadeiro pastor é aquele que vê essa pobre alma atarantada e açoitada pelas ondas da vida e a conduz novamente para o norte. Ele sabe ser bússola e dar orientação, porque é capaz de elevar os corações — sursum corda, “corações ao alto” —, ajudando a enxergar a vida a partir de uma perspectiva espiritual, a partir do olhar de Deus.
São Gregório Magno, antes de ser Papa, foi monge; antes de ser pastor, foi alguém que esteve com o Senhor. E, nisso, ele imitava exatamente os Apóstolos. Jesus escolheu os Doze para que estivessem com Ele e, depois, para enviá-los em missão. Eis a ordem própria da vida apostólica: primeiro, “estar” com Cristo na vida espiritual e mística para, então, ser enviado em missão na vida pastoral e apostólica.
Essa é a realidade do pastor segundo o Coração de Nosso Senhor, e também a grande lição que nos deixa São Gregório Magno. Foi ele quem escreveu a Regula Pastoralis, a Regra Pastoral, que durante tantos séculos inspirou os pastores da Igreja e tornou-se, para o clero secular, de certo modo, aquilo que a Regra de São Bento representou para a vida monástica.
Portanto, o verdadeiro pastor precisa permanecer no alto, unido a Deus, para enxergar, iluminado pela luz sobrenatural da fé, aquilo de que suas ovelhas realmente necessitam. Como sentinela, ele contempla a realidade a partir do Senhor e, por isso, é capaz de orientar aqueles que lhe foram confiados, elevando os seus corações acima das agitações deste mundo e conduzindo-os ao Bem verdadeiro, o Único Necessário, que não lhes será tirado.
© Leituras extraídas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.