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Liturgia Diária

Acompanhe a leitura do dia e também a Homilia do Padre Paulo Ricardo.
6ª feira da 22ª Semana do Tempo Comum

Hoje – 04 de Setembro de 2026

Primeira Leitura
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios1Cor 4,1-5

Irmãos, 1que todo o mundo nos considere como servidores de Cristo e administradores dos mistérios de Deus. 2A esse respeito, o que se exige dos administradores é que sejam fiéis. 3Quanto a mim, pouco me importa ser julgado por vós ou por algum tribunal humano. Nem eu me julgo a mim mesmo. 4É verdade que a minha consciência não me acusa de nada. Mas não é por isso que eu posso ser considerado justo. 5Quem me julga é o Senhor. Portanto, não queirais julgar antes do tempo. Aguardai que o Senhor venha. Ele iluminará o que estiver escondido nas trevas e manifestará os projetos dos corações. Então, cada um receberá de Deus o louvor que tiver merecido.

Salmo Responsorial
A salvação de quem é justo vem de Deus.Sl 36(37),3-4.5-6.27-28.39-40

A salvação de quem é justo vem de Deus.

3 Confia no Senhor e faze o bem, *
e sobre a terra habitarás em segurança.
4 Coloca no Senhor tua alegria, *
e ele dará o que pedir teu coração. R.

5 Deixa aos cuidados do Senhor o teu destino; *
confia nele, e com certeza ele agirá.
6 Fará brilhar tua inocência como a luz, *
e o teu direito, como o sol do meio-dia. R.

27 Afasta-te do mal e faze o bem, *
e terás tua morada para sempre.
28 Porque o Senhor Deus ama a justiça, *
e jamais ele abandona os seus amigos. R.

39 A salvação dos piedosos vem de Deus; *
ele os protege nos momentos de aflição.
40 O Senhor lhes dá ajuda e os liberta, †
defende-os e protege-os contra os ímpios, *
e os guarda porque nele confiaram. R.

Evangelho
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo LucasLc 5,33-39

Naquele tempo, 33os fariseus e os mestres da Lei disseram a Jesus: “Os discípulos de João, e também os discípulos dos fariseus, jejuam com frequência e fazem orações. Mas os teus discípulos comem e bebem”. 34Jesus, porém, lhes disse: “Os convidados de um casamento podem fazer jejum enquanto o noivo está com eles? 35Mas dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, naqueles dias, eles jejuarão”. 36Jesus contou-lhes ainda uma parábola: “Ninguém tira retalho de roupa nova para fazer remendo em roupa velha; senão vai rasgar a roupa nova, e o retalho novo não combinará com a roupa velha. 37Ninguém coloca vinho novo em odres velhos; porque, senão, o vinho novo arrebenta os odres velhos e se derrama, e os odres se perdem. 38Vinho novo deve ser colocado em odres novos. 39E ninguém, depois de beber vinho velho, deseja vinho novo, porque diz: o velho é melhor”.

Meditação
A penitência restaura o amor

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 5, 33-39)

Naquele tempo, os fariseus e os mestres da Lei disseram a Jesus: “Os discípulos de João, e também os discípulos dos fariseus, jejuam com frequência e fazem orações. Mas os teus discípulos comem e bebem”. Jesus, porém, lhes disse: “Os convidados de um casamento podem fazer jejum enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, naqueles dias, eles jejuarão”.

Jesus contou-lhes ainda uma parábola: “Ninguém tira retalho de roupa nova para fazer remendo em roupa velha; senão vai rasgar a roupa nova, e o retalho novo não combinará com a roupa velha. Ninguém põe vinho novo em odres velhos; porque, senão, o vinho novo arrebenta os odres velhos e se derrama; e os odres se perdem. Vinho novo deve ser posto em odres novos. E ninguém, depois de beber vinho velho, deseja vinho novo; porque diz: o velho é melhor”.

Texto do episódio:

No Evangelho de hoje, os fariseus e mestres da Lei iniciam uma controvérsia, dizendo a Jesus: “Os discípulos de João, e também os discípulos dos fariseus, jejuam com frequência e fazem orações. Mas os teus discípulos comem e bebem” (Lc 5, 33). Então, Nosso Senhor lhes responde com uma metáfora que, à primeira vista, pode parecer simplesmente pedagógica, mas que traz dentro de si o núcleo verdadeiro de todo o Evangelho: “Os convidados de um casamento podem fazer jejum enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, naqueles dias, eles jejuarão” (Lc 5, 34-35).

Nesse contexto, vemos claramente que Cristo se identifica como o Esposo. E, de fato, se voltarmos ao Antigo Testamento, veremos que o próprio Deus se apresenta dessa forma: desde o tempo dos profetas, Ele se revela como o Esposo, enquanto o seu povo é a esposa que nem sempre corresponde ao seu amor. 

E que casamento é esse no qual o Esposo se encontra? É a comunhão entre Deus e a humanidade. De certo modo, podemos dizer que Jesus não é somente o Esposo; Ele é, por assim dizer, o casamento em pessoa, porque, na sua divina Pessoa, estão unidos Deus e o homem. Entretanto, também nós somos chamados a entrar nessa dinâmica de amor e união com o Esposo.

Quando dizemos que o Evangelho é o Evangelho do amor — porque Deus é amor —, ninguém se assusta com essa afirmação; afinal, estamos acostumados a ouvi-la. O problema é que raramente paramos para meditar sobre o que significa verdadeiramente amar. O amor não consiste somente em querer o bem de alguém. Ao assistirmos, por exemplo, a um jogo de futebol, queremos o bem daquele time pelo qual estamos torcendo, mas não queremos nos unir a ele como a esposa deseja unir-se ao esposo. 

É próprio do amor desejar a união e a intimidade, pois quem ama se alegra por estar unido à pessoa amada. Eis, então, a realidade: Deus é Aquele que nos ama e quer se unir a nós. Contudo, precisamos ouvir os seus apelos e corresponder ao seu divino amor — porque, infelizmente, nem sempre permanecemos em sua presença. E é exatamente aqui que encontramos a chave de leitura do episódio de hoje: quando o Esposo nos é tirado, nós jejuamos.

O pecado faz com que nos afastemos desse Deus que nos ama, extinguindo dentro de nós a caridade e o amor. Por isso, quando pecamos gravemente, o Esposo nos é tirado, e precisamos fazer penitência e arrepender-nos para reparar nosso erro, reaproximando-nos, assim, d’Aquele que deseja estar unido a nós.

Com o pecado, é como se estivéssemos na mesma situação de Maria Madalena na manhã da Ressurreição, no jardim próximo ao túmulo de Cristo: “Tiraram o meu Senhor e não sei onde o colocaram” (Jo 20, 13). Precisamos, pois, mudar de vida e voltar para Deus, como o filho pródigo que retorna à casa do Pai — ou, mais do que o filho pródigo, como a esposa infiel que retorna à fidelidade do Esposo.

É assim que somos, de alguma forma, Maria Madalena. Todos nós estivemos um dia na festa de casamento com o Esposo: pelo Batismo, nós nos unimos a Cristo. Pelo pecado, porém, tornamo-nos essa esposa infiel que, devido à própria infidelidade, afastou-se do Esposo e precisa retornar. Façamos, portanto, sacrifícios, penitências e entregas a Deus, desejando estar junto d’Aquele que nos ama sem reservas e procurando corresponder, com uma vida inteiramente entregue a Ele, ao amor com que primeiro nos amou.

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