Hoje – 06 de Outubro de 2026
Irmãos, 13certamente ouvistes falar como foi outrora a minha conduta no judaísmo, com que excessos perseguia e devastava a Igreja de Deus 14e como progredia no judaísmo mais do que muitos judeus de minha idade, mostrando-me extremamente zeloso das tradições paternas. 15Quando, porém, aquele que me separou desde o ventre materno e me chamou por sua graça 16se dignou revelar-me o seu Filho, para que eu o pregasse entre os pagãos, não consultei carne nem sangue 17nem subi logo a Jerusalém para estar com os que eram apóstolos antes de mim. Pelo contrário, parti para a Arábia e, depois, voltei ainda a Damasco. 18Três anos mais tarde, fui a Jerusalém para conhecer Cefas e fiquei com ele quinze dias. 19E não estive com nenhum outro apóstolo, a não ser Tiago, o irmão do Senhor. 20Escrevendo estas coisas, afirmo, diante de Deus, que não estou mentindo. 21Depois, fui para as regiões da Síria e da Cilícia. 22Ainda não era pessoalmente conhecido das Igrejas da Judeia que estão em Cristo. 23Apenas tinham ouvido dizer que “aquele que antes nos perseguia está agora pregando a fé que antes procurava destruir”. 24E glorificavam a Deus por minha causa.
Conduzi-me no caminho para a vida, ó Senhor!
1 Senhor, vós me sondais e conheceis, *
2 sabeis quando me sento ou me levanto;
de longe penetrais meus pensamentos, †
3 percebeis quando me deito e quando eu ando, *
os meus caminhos vos são todos conhecidos. R.
13 Fostes vós que me formastes as entranhas, *
e no seio de minha mãe vós me tecestes.14a Eu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor, †
porque de modo admirável me formastes! *b Que prodígio e maravilha as vossas obras! R.
c Até o mais íntimo, Senhor me conheceis; *
15 nenhuma sequer de minhas fibras ignoráveis;
quando eu era modelado ocultamente, *
era formado nas entranhas subterrâneas. R.
Naquele tempo, 38Jesus entrou num povoado e certa mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. 39Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor e escutava a sua palavra. 40Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres. Ela aproximou-se e disse: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!” 41O Senhor, porém, lhe respondeu: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. 42Porém uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte, e esta não lhe será tirada”.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 10, 38-42)
Naquele tempo, Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor, e escutava sua palavra. Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres. Ela aproximou-se e disse: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha, com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!” O Senhor, porém, lhe respondeu: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”.
No Evangelho de hoje, contemplamos o conhecido episódio de Marta e Maria, no qual Jesus é recebido na casa dessas duas irmãs: enquanto uma se encontra agitada com seus afazeres, a outra permanece contemplativa, aos pés de Nosso Senhor. E, na repreensão dirigida a Marta, encontramos uma realidade que todos nós precisamos alcançar para sermos santos.
Um santo deve ser de tal forma arrebatado pelo amor de Deus que se desapega completamente das coisas mundanas. Para nós, porém, esse desapego pode parecer uma crueldade, como se Deus estivesse pedindo algo insensato. Afinal, é natural pensarmos: “Eu tenho de cuidar da minha vida, das minhas obrigações… Como ficam todas essas coisas?”. Então, a fim de entendermos melhor como o coração pode ser arrebatado pelo Único Necessário, imaginemos a seguinte situação que metaforicamente ilustra aquilo que Deus espera de nós — e que acontece no coração dos santos.
Uma senhora é convidada para ser testemunha de um casamento. Durante meses, ela prepara o vestido e, no dia da cerimônia, passa a tarde cuidando da maquiagem e do penteado. Seu filho, de cinco anos de idade, também participará do casamento como pajem e está devidamente arrumado, de terno e gravata. Tudo parece correr perfeitamente até que, no caminho para a cerimônia, a mãe olha para o banco de trás do carro e percebe que o menino encontrou uma barra de chocolate e lambuzou-se dos pés à cabeça. Ela estaciona e, invocando a ajuda de todos os anjos e santos para conservar a paciência, pensa no horário do casamento e em como conseguirá limpar a criança. Contudo, ao tentar tirá-la do carro, o menino se agita, começa a chorar, suja o vestido da mãe, desarruma o seu cabelo e, de repente, tudo aquilo que estava cuidadosamente planejado parece transformar-se em um caos.
Entretanto, nesse momento, uma bala perdida atinge o ombro da criança. Imediatamente, aquela mãe se desapega de tudo o que até então a preocupava. O casamento, o horário, o vestido, o penteado e as manchas deixam de ter importância. Agora, existe uma única coisa necessária: salvar a vida do filho que ela tanto ama. Sem pensar no restante, leva-o imediatamente ao hospital.
Se, durante o caminho, alguém a detivesse e perguntasse: “Senhora, e o casamento? Você está atrasada! Está despenteada e suja de sangue; como poderá ser testemunha desse jeito?”, tais preocupações lhe pareceriam completamente absurdas. Aquilo que há poucos instantes a inquietava — o cabelo desarrumado, o vestido manchado e o atraso — tornou-se absolutamente irrelevante.
É assim que funciona o coração tomado por um grande amor. No caso dessa mãe, o amor pelo filho que precisava ser salvo tornou todas as suas outras preocupações relativas e produziu espontaneamente o desapego. E é exatamente esse desapego que ocorre na vida dos santos.
Por meio da oração e do contato com a Palavra de Deus, o santo permanece como Maria no Evangelho, aos pés de Jesus, mendigando aquilo que somente Ele pode dar. Pouco a pouco, esse amor transforma o seu modo de olhar para as coisas terrenas, e aquilo que antes o atormentava já não possui a mesma força sobre ele.
“Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém, uma só coisa é necessária” (Lc 10, 41-42). Ou seja, o desprendimento das agitações mundanas só é possível quando o amor do Único Necessário conquista o nosso coração. Não se trata de algo produzido simplesmente pela força humana, mas de uma graça que deve ser pedida a Deus. E, ao compreendermos aquilo que o Evangelho nos apresenta, saberemos também o que suplicar a Ele em nossa oração: “Senhor, dai-me um amor pelo Único Necessário que arrebate o meu coração e torne mais leves a cruz e as agitações do meu dia a dia, para que eu seja verdadeiramente livre e desapegado para vos amar plenamente”.
© Leituras extraídas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.