Hoje – 07 de Novembro de 2026
Irmãos, 10grande foi minha alegria no Senhor, porque afinal vi florescer vosso afeto por mim. Na verdade estava sempre vivo, mas faltava-lhe oportunidade de manifestar-se. 11Não é por necessidade minha que vos digo, pois aprendi muito bem a contentar-me em qualquer situação. 12Sei viver na miséria e sei viver na abundância. Eu aprendi o segredo de viver em toda e qualquer situação, estando farto ou passando fome, tendo de sobra ou sofrendo necessidade. 13Tudo posso naquele que me dá força. 14No entanto, fizestes bem em compartilhar as minhas dificuldades. 15Filipenses, bem sabeis que, no início da pregação do Evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma Igreja, a não ser a vossa, se juntou a mim numa relação de crédito. 16Já em Tessalônica, mais de uma vez, me enviastes o que eu precisava. 17Não que eu procure presentes, porém o que eu busco é o fruto que cresça no vosso crédito. 18Agora, tenho tudo em abundância. Tenho até de sobra, desde que recebi de Epafrodito o vosso donativo, qual perfume suave, sacrifício aceito e agradável a Deus. 19O meu Deus proverá esplendidamente, com sua riqueza, a todas as vossas necessidades, em Cristo Jesus.
Feliz aquele que respeita o Senhor!Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia
1 Feliz o homem que respeita o Senhor *
e que ama com carinho a sua lei!
2 Sua descendência será forte sobre a terra, *
abençoada a geração dos homens retos! R.
5 Feliz o homem caridoso e prestativo, *
que resolve seus negócios com justiça.
6 Porque jamais vacilará o homem reto, *
sua lembrança permanece eternamente! R.
8a Seu coração está tranquilo e nada teme, *
e confusos há de ver seus inimigos.
9 Ele reparte com os pobres os seus bens, †
permanece para sempre o bem que fez, *
e crescerão a sua glória e seu poder. R.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 9“Usai o dinheiro injusto para fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas. 10Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes, e quem é injusto nas pequenas também é injusto nas grandes. 11Por isso, se vós não sois fiéis no uso do dinheiro injusto, quem vos confiará o verdadeiro bem? 12E se não sois fiéis no que é dos outros, quem vos dará aquilo que é vosso? 13Ninguém pode servir a dois senhores, porque, ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. 14Os fariseus, que eram amigos do dinheiro, ouviam tudo isso e riam de Jesus. 15Então Jesus lhes disse: “Vós gostais de parecer justos diante dos homens, mas Deus conhece vossos corações. Com efeito, o que é importante para os homens é detestável para Deus”.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 16, 9-15)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Usai o dinheiro injusto para fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas. Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes, e quem é injusto nas pequenas também é injusto nas grandes. Por isso, se vós não sois fiéis no uso do dinheiro injusto, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não sois fiéis no que é dos outros, quem vos dará aquilo que é vosso? Ninguém pode servir a dois senhores: porque ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. Os fariseus, que eram amigos do dinheiro, ouviam tudo isso e riam de Jesus. Então Jesus lhes disse: “Vós gostais de parecer justos diante dos homens, mas Deus conhece vossos corações. Com efeito, o que é importante para os homens, é detestável para Deus”.
“Não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Lc 16, 13). Esta frase, retirada do Evangelho de hoje, deve conduzir-nos a um profundo exame de consciência, não somente porque vivemos em uma sociedade obcecada e quase hipnotizada pelo dinheiro, mas sobretudo porque Deus deseja de nós uma verdadeira unidade de coração.
Nosso Senhor é categórico ao afirmar: “Não podeis servir a dois senhores”. Infelizmente, nem sempre nos damos conta de que existe uma única maneira de viver plenamente o primeiro Mandamento: amar a Deus acima de todas as coisas e ordenar a Ele todos os demais amores. É assim que nossa existência adquire unidade: quando tudo aquilo que amamos encontra em Deus a sua razão última e é amado em conformidade com o amor a Deus.
Até mesmo os afetos mais naturais precisam ser elevados a essa perspectiva sobrenatural. O amor que temos por nossos pais, por exemplo, deve levar-nos a reconhecer neles a presença de Deus e, por meio deles, amar e servir ao próprio Senhor. O mesmo se aplica ao amor que temos por nós mesmos: não nos amamos simplesmente por causa de nós, mas porque Deus nos ama. Por reverência e amor a Ele, somos chamados a amar aquilo que Ele ama, aprendendo, desse modo, a contemplar todas as coisas à luz de sua Presença. Somente assim os inúmeros afetos, preocupações e deveres que compõem nossa existência deixam de nos dividir interiormente e encontram um mesmo princípio ordenador.
Quando perdemos esse centro, facilmente nos tornamos como Marta, inquietos e agitados em meio a inúmeras ocupações. O próprio Jesus lhe disse: “Marta, Marta! Tu te preocupas e te agitas com muitas coisas” (Lc 10, 41). Ora, se ela se encontrava interiormente dividida por causa do serviço — algo bom em si mesmo —, quão maior não será a desordem provocada pela ganância e pela avareza?
É nesse ponto que compreendemos o perigo de transformar o dinheiro na finalidade de nossa existência. Por sua própria natureza, ele jamais poderá ocupar esse lugar, pois ninguém o deseja simplesmente por aquilo que é, mas por aquilo que ele permite adquirir — o dinheiro é essencialmente um meio, não um fim. Quando, porém, cultivamos no coração um espírito de “Tio Patinhas” — personagem das histórias em quadrinhos que acumula cada vez mais riquezas pelo simples prazer de possuí-las —, perdemos de vista aquilo para o qual esses bens deveriam servir. Aos poucos, o instrumento toma o lugar do fim, e uma vida que deveria estar orientada para Deus começa a girar em torno daquilo que, por si só, jamais poderá conferir-lhe verdadeiro sentido.
Por isso, no Evangelho de hoje, Nosso Senhor nos chama a restabelecer o verdadeiro centro de nossa existência. Em vez de nos deixarmos conduzir por interesses sucessivos e dispersos, somos convidados a ordenar tudo a um único fim: o amor a Deus. Quando Ele ocupa o primeiro lugar, os diferentes aspectos de nossa vida já não competem entre si, mas encontram n’Ele a unidade que lhes faltava.
A família, os bens que possuímos, nossa profissão e as pessoas que encontramos tornam-se, então, ocasiões concretas de amar e servir ao Senhor. Já não se trata de multiplicar finalidades, mas de reconhecer, em meio à diversidade de deveres e circunstâncias, uma mesma direção: entregar-nos a Deus em cada gesto de nossa vida. Dessa forma, ainda que sejam muitos os serviços, os afetos e as responsabilidades que nos cabem, o coração permanecerá indiviso, uma vez que, por meio deles, estaremos servindo a um único Senhor.
© Leituras extraídas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.