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Liturgia Diária

Acompanhe a leitura do dia e também a Homilia do Padre Paulo Ricardo.
4ª feira da 10ª Semana do Tempo Comum

Hoje – 10 de Junho de 2026

Primeira Leitura
Leitura do Primeiro Livro dos Reis1Rs 18, 20-39

Naqueles dias, 20Acab convocou todos os filhos de Israel e reuniu os profetas de Baal no monte Carmelo. 21Então Elias, aproximando-se de todo o povo, disse: “Até quando andareis mancando com os dois pés? Se o Senhor é o verdadeiro Deus, segui-o; mas, se é Baal, segui a ele”. O povo não respondeu uma palavra. 22Então Elias disse ao povo: “Eu sou o único profeta do Senhor que resta, ao passo que os profetas de Baal são quatrocentos e cinquenta. 23Deem-nos dois novilhos; que eles escolham um novilho e, depois de cortá-lo em pedaços, coloquem-no sobre a lenha, mas sem pôr fogo por baixo. Eu prepararei depois o outro novilho e o colocarei sobre a lenha e tampouco lhe porei fogo. 24Em seguida, invocareis o nome de vosso deus e eu invocarei o nome do Senhor. O Deus que ouvir, enviando fogo, este é o Deus verdadeiro”. Todo o povo respondeu, dizendo: “Ótima proposição”. 25Elias disse então aos profetas de Baal: “Escolhei vós um novilho e começai, pois sois maioria. E invocai o nome de vosso deus, mas não lhe ponhais fogo”. 26Eles tomaram o novilho que lhes foi dado e prepararam-no. E invocavam o nome de Baal desde a manhã até ao meio-dia, dizendo: “Baal, ouve-nos!” Mas não se ouvia voz alguma e ninguém que respondesse. E dançavam ao redor do altar que tinham levantado. 27Ao meio-dia, Elias zombou deles, dizendo: “Gritai mais alto, pois sendo um deus, tem suas ocupações. Porventura ausentou-se ou está de viagem; ou talvez esteja dormindo e é preciso que o acordem”. 28Então eles gritavam ainda mais forte, e retalhavam-se, segundo o seu costume, com espadas e lanças, até o sangue escorrer. 29Passado o meio-dia, entraram em transe até a hora do sacrifício vespertino. Mas não se ouviu voz nenhuma, nem resposta nem sinal de atenção. 30Então Elias disse a todo o povo: “Aproximai-vos de mim”. Todo o povo veio para perto dele. E ele refez o altar do Senhor que tinha sido demolido. 31Tomou doze pedras, segundo o número das doze tribos dos filhos de Jacó, a quem Deus tinha dito: “Teu nome será Israel”, 32e edificou com as pedras um altar ao nome do Senhor. Fez em redor do altar um rego, capaz de conter duas medidas de sementes. 33Empilhou a lenha, esquartejou o novilho e colocou-o sobre a lenha, 34e disse: “Enchei quatro talhas de água e derramai-a sobre o holocausto e sobre a lenha”. Depois, disse: “Outra vez”. E eles assim fizeram uma segunda vez. E acrescentou: “Ainda uma terceira vez”. E assim foi feito. 35A água correu em volta do altar e o rego ficou completamente cheio. 36Chegada a hora do sacrifício, o profeta Elias aproximou-se e disse: “Senhor, Deus de Abraão, de Isaac e de Israel, mostra hoje que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo e que é por ordem tua que fiz estas coisas. 37Ouve-me, Senhor, ouve-me, para que este povo reconheça que tu, Senhor, és Deus, e que és tu que convertes os seus corações!” 38Então caiu o fogo do Senhor, que devorou o holocausto, a lenha, as pedras e a poeira, e secou a água que estava no rego. 39Vendo isto, o povo todo prostrou-se com o rosto em terra, exclamando: “É o Senhor que é Deus, é o Senhor que é Deus!”

Salmo Responsorial
Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!Sl 15(16),1-2a.4.5 e 8.11

Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

1 Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio! *
2a Digo ao Senhor: "Somente vós sois meu Senhor". R.

4 Multiplicam, no entanto, suas dores *
os que correm para os deuses estrangeiros;
seus sacrifícios sanguinários não partilho, *
nem seus nomes passarão pelos meus lábios. R.

5 Ó Senhor, sois minha herança e minha taça, *
meu destino está seguro em vossas mãos!
8 Tenho sempre o Senhor ante meus olhos, *
pois se o tenho a meu lado não vacilo. R.

11 Vós me ensinais vosso caminho para a vida; †
junto a vós, felicidade sem limites, *
delícia eterna e alegria ao vosso lado! R.

Evangelho
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo MateusMt 5, 17-19

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 17“Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. 18Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo se cumpra. 19Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus”.

Meditação
Aquele que veio nos dar um novo coração

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 5, 17-19)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Não penseis que vim abolir a lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da lei, sem que tudo se cumpra. Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus”.

O Evangelho de hoje, que faz parte do Sermão da Montanha — o primeiro grande ensinamento de Jesus —, mostra-nos Cristo realizando as profecias que anunciavam a vinda de um novo Moisés.

Moisés foi o homem que falava com Deus face a face e, dentre todos os profetas do Antigo Testamento, ocupa um lugar singular. Foi ele quem escreveu a Torá, isto é, o Pentateuco, os cinco primeiros livros da Sagrada Escritura, tão venerados pelo povo judeu. Antes de morrer, porém, esse grande profeta anunciou no Deuteronômio que Deus suscitaria alguém semelhante a ele, que falaria em nome do Senhor.

Em Jesus, essa profecia é plenamente realizada e, ao mesmo tempo, superada. Não porque tenha sido abolida, mas porque encontrou seu cumprimento transbordante. Afinal, quem veio não foi simplesmente um profeta, mas o próprio Filho de Deus. É por isso que São João afirma em seu Evangelho: “A Deus ninguém jamais viu” — nem mesmo Moisés — “Mas o Filho Unigênito, que é Deus e está na intimidade do Pai, foi Ele que o deu a conhecer.” (Jo 1,18). Somente o Filho, que vive desde toda a eternidade na intimidade do Pai, veio revelar-nos o seu mistério e dar-nos a conhecer o seu Coração.

Nesse contexto, devemos compreender as palavras de Jesus no Evangelho de hoje: “Não penseis que vim abolir a lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento” (Mt 5, 17). Ao longo dos séculos, Deus preparou pacientemente o coração do seu povo. Antes da Revelação de Deus, a terra de Israel estava marcada pela barbárie, pela vingança e pela violência. Deus, então, começa pedagogicamente a impor limites ao mal, dando uma Lei por meio de Moisés, suscitando juízes, reis e profetas, estabelecendo o culto em Jerusalém e conduzindo seu povo como um pai que educa o filho passo a passo.

Infelizmente, apesar de toda essa preparação paciente e amorosa, o povo não conseguia viver plenamente a Lei, que foi escrita em tábuas de pedra, mas encontrou apenas corações de pedra, que não a receberam. Deus falava, ensinava e corrigia, mas a Palavra não penetrava profundamente nem transformava os corações. 

Por esse motivo, o profeta Ezequiel anunciou a seguinte promessa: “Dar-vos-ei um coração novo” (Ez 36, 26). E é justamente isso que acontece com a vinda de Cristo. Quando Jesus diz que veio dar pleno cumprimento à Lei, Ele não está apenas trazendo uma nova Lei: Ele vem dar um novo coração, entregando-nos o seu próprio Coração. 

Não por acaso, estamos no mês do Sagrado Coração de Jesus, e somos chamados, neste tempo, a permitir que o Espírito Santo realize em nós uma verdadeira transformação interior, arrancando o nosso coração endurecido pelo pecado e concedendo-nos o Coração de Cristo.

Se por Moisés veio a Lei, por Jesus vieram a graça e a Verdade, e é precisamente aí que está o pleno cumprimento. A graça do Espírito Santo torna-nos capazes de viver aquilo que a Lei, por si só, não conseguia produzir em nós. Não apenas conhecer o amor, mas amar de fato. Não apenas ouvir os Mandamentos, mas cumpri-los a partir de um coração renovado pela graça.

Que o nosso Divino Defensor, pois, realize essa obra em cada um de nós e faça-nos participar cada vez mais do Coração perfeitíssimo de Nosso Senhor, até que os nossos sentimentos, desejos e ações sejam conformados aos de Cristo.

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Janeiro 2024

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