10 de Julho de 2026
Assim fala o Senhor: 2“Volta, Israel, para o Senhor, teu Deus, porque estavas caído em teu pecado. 3Vós todos, encontrai palavras e voltai para o Senhor; dizei-lhe: ʽLivra-nos de todo o mal e aceita este bem que oferecemos; o fruto de nossos lábios. 4A Assíria não nos salvará; não queremos montar nossos cavalos, não chamaremos mais ‘Deuses nossos’ a produtos de nossas mãos; em ti encontrará o órfão misericórdiaʼ. 5“Hei de curar sua perversidade e me será fácil amá-los, deles afastou-se a minha cólera. 6Serei como orvalho para Israel; ele florescerá como o lírio e lançará raízes como plantas do Líbano. 7Seus ramos hão de estender-se; será seu esplendor como o da oliveira, e seu perfume como o do Líbano. 8Voltarão a sentar-se à minha sombra e a cultivar o trigo, e florescerão como a videira, cuja fama se iguala à do vinho do Líbano. 9Que tem ainda Efraim a ver com ídolos? Sou eu que o atendo e que olho por ele. Sou como o cipreste sempre verde: de mim procede o teu fruto. 10Compreenda estas palavras o homem sábio, reflita sobre elas o bom entendedor! São retos os caminhos do Senhor e, por eles, andarão os justos, enquanto os maus ali tropeçam e caem”.
Minha boca anunciará vosso louvor!
3 Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! *
Na imensidão de vosso amor, purificai-me!
4 Lavai-me todo inteiro do pecado, *
e apagai completamente a minha culpa! R.
8 Mas vós amais os corações que são sinceros, *
na intimidade me ensinais sabedoria.
9 Aspergi-me e serei puro do pecado, *
e mais branco do que a neve ficarei. R.
12 Criai em mim um coração que seja puro, *
dai-me de novo um espírito decidido.
13 Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, *
nem retireis de mim o vosso Santo Espírito! R.
14 Dai-me de novo a alegria de ser salvo *
e confirmai-me com espírito generoso!
17 Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar, *
e minha boca anunciará vosso louvor! R.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 16“Eis que eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, portanto, prudentes como as serpentes e simples como as pombas. 17Cuidado com os homens, porque eles vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas.18Vós sereis levados diante de governadores e reis, por minha causa, para dar testemunho diante deles e das nações. 19Quando vos entregarem, não fiqueis preocupados como falar ou o que dizer. Então naquele momento vos será indicado o que deveis dizer. 20Com efeito, não sereis vós que havereis de falar, mas sim o Espírito do vosso Pai é que falará através de vós.21O irmão entregará à morte o próprio irmão; o pai entregará o filho; os filhos se levantarão contra seus pais, e os matarão. 22Vós sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo. 23Quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra. Em verdade vos digo, vós não acabareis de percorrer as cidades de Israel, antes que venha o Filho do Homem”.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 10, 16-23)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar! Não leveis ouro nem prata, nem dinheiro nos vossos cintos; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bastão, porque o operário tem direito ao seu sustento. Em qualquer cidade ou povoado onde entrardes, informai-vos para saber quem ali seja digno. Hospedai-vos com ele até a vossa partida. Ao entrardes numa casa, saudai-a. Se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; se ela não for digna, volte para vós a vossa paz. Se alguém não vos receber, nem escutar vossa palavra, saí daquela casa ou daquela cidade, e sacudi a poeira dos vossos pés. Em verdade vos digo, as cidades de Sodoma e Gomorra serão tratadas com menos dureza do que aquela cidade, no dia do juízo”.
No Evangelho de hoje, contemplamos a conclusão do discurso de Jesus aos Apóstolos antes de enviá-los em missão. Nele, o Senhor revela a própria finalidade da vida apostólica: o sacrifício por amor a Cristo.
É importante recordarmos que todo sacerdote verdadeiramente cristão não é chamado apenas a ser sacerdote, mas também vítima. Isso porque, se não viver essa dupla realidade, não estará configurado à própria vida de Cristo, que é o Sumo e Eterno Sacerdote precisamente porque se ofereceu como vítima de amor para a nossa Redenção.
Ao escolher os seus Apóstolos, Nosso Senhor lhes apresenta aquilo que mais tarde repetirá na Última Ceia, conforme o Evangelho de São João: “Odiaram a mim, odiarão a vós também. Perseguiram a mim, perseguirão a vós também” (cf. Jo 15, 18-20). Em outras palavras, o caminho do apóstolo é o mesmo caminho percorrido pelo próprio Jesus.
Por isso, quando um jovem abraça a vocação sacerdotal, não pode deixar-se iludir pelo aparente poder que ela lhe confere. Se o ministério sacerdotal fosse apenas uma questão de autoridade, os críticos da doutrina católica sobre o sacerdócio teriam razão ao afirmar que os padres seriam apenas homens revestidos de poder, capazes tanto de fazer o bem quanto de oprimir o povo.
Entretanto, Cristo não foi apenas sacerdote, nem os Apóstolos foram apenas sacerdotes. Todos eles, sem exceção, ofereceram-se como vítimas, entregando a própria vida por amor ao Senhor. Por isso, quando Jesus instituiu o sacerdócio, instituiu também uma verdade da qual jamais podemos nos esquecer: o sacerdote é um homem que fez de sua própria vida um sacrifício.
No dia da ordenação sacerdotal, quando os candidatos se prostram durante a Ladainha de Todos os Santos, contemplamos justamente essa entrega. Ali está, por assim dizer, o momento do holocausto, em que o sacerdote renuncia aos próprios projetos e desejos para pertencer inteiramente a Cristo. Todo verdadeiro sacerdote deve desejar poder dizer, em espírito e verdade: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20).
À primeira vista, isso pode parecer uma exigência pesada, esmagadora ou até mesmo impossível. Contudo, não é assim quando compreendemos a graça própria do sacerdócio. Por meio dela, o sacerdote se une profundamente a Jesus, Cabeça da Igreja, para que, unido a Ele, possa também oferecer a própria vida em sacrifício. Assim, recebe não apenas a missão de administrar os Sacramentos e representar Cristo diante do povo, mas também a graça de entregar-se completamente, fazendo de toda a sua existência uma oferta agradável a Deus.
Essa entrega, porém, não é exclusiva dos sacerdotes ordenados. Todo batizado também é chamado a oferecer ao Senhor um sacrifício de louvor e a fazer da própria vida uma oblação. Basta recordar o que Nossa Senhora perguntou aos três pastorinhos em Fátima: “Quereis oferecer-vos a Deus?”.
Se essa é a vocação de todos os batizados — oferecer-se a Deus, rezar pelos que não rezam, adorar pelos que não adoram, crer pelos que não creem, amar pelos que não amam e esperar pelos que perderam a esperança —, quanto mais daquele que foi escolhido para ser sacramento vivo de Cristo!
Rezemos, portanto, pelos nossos sacerdotes. Peçamos a Deus que lhes conceda a graça de viver plenamente a vocação de ser, ao mesmo tempo, sacerdote e vítima, oferecendo a própria vida por amor a Cristo e pela salvação das almas.
© Leituras extraídas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.