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Liturgia Diária

Acompanhe a leitura do dia e também a Homilia do Padre Paulo Ricardo.
6ª feira da 23ª Semana do Tempo Comum

Hoje – 11 de Setembro de 2026

Primeira Leitura
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios1Cor 9,16-19.22-27

Irmãos, 16pregar o Evangelho não é, para mim, motivo de glória. É antes uma necessidade para mim, uma imposição. Ai de mim se eu não pregar o Evangelho! 17Se eu exercesse minha função de pregador por iniciativa própria, eu teria direito a salário. Mas, como a iniciativa não é minha, trata-se de um encargo que me foi confiado. 18Em que consiste então o meu salário? Em pregar o Evangelho, oferecendo-o de graça e sem usar os direitos que o Evangelho me dá. 19Assim, livre em relação a todos, eu me tornei escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível. 22Com todos, eu me fiz tudo, para certamente salvar alguns. 23Por causa do Evangelho eu faço tudo, para ter parte nele. 24Acaso não sabeis que os que correm no estádio correm todos juntos, mas um só ganha o prêmio? Correi de tal maneira, que conquisteis o prêmio. 25Todo atleta se sujeita a uma disciplina rigorosa em relação a tudo, e eles procedem assim para receberem uma coroa corruptível. Quanto a nós, a coroa que buscamos é incorruptível! 26Por isso eu corro, mas não à toa. Eu luto, mas não como quem dá murros no ar. 27Trato duramente o meu corpo e o subjugo, para não acontecer que, depois de ter proclamado a Boa-nova aos outros, eu mesmo seja reprovado.

Salmo Responsorial
Quão amável, ó Senhor, é vossa casa!Sl 83(84),3.4.5-6.12

Quão amável, ó Senhor, é vossa casa!

3 Minha alma desfalece de saudades *
e anseia pelos átrios do Senhor!
Meu coração e minha carne rejubilam *
e exultam de alegria no Deus vivo! R.

4 Mesmo o pardal encontra abrigo em vossa casa, †
e a andorinha ali prepara o seu ninho, *
para nele seus filhotes colocar:
vossos altares, ó Senhor Deus do universo! *
vossos altares, ó meu Rei e meu Senhor! R.

5 Felizes os que habitam vossa casa; *
para sempre haverão de vos louvar!
6 Felizes os que em vós têm sua força, *
e se decidem a partir quais peregrinos! R.

12 O Senhor Deus é como um sol, é um escudo, *
e largamente distribui a graça e a glória
O Senhor nunca recusa bem algum *
àqueles que caminham na justiça. R.

Evangelho
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo LucasLc 6,39-42

Naquele tempo, 39Jesus contou uma parábola aos discípulos: “Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois num buraco? 40Um discípulo não é maior do que o mestre; todo discípulo bem formado será como o mestre. 41Por que vês tu o cisco no olho do teu irmão e não percebes a trave que há no teu próprio olho? 42Como podes dizer a teu irmão: ‘Irmão, deixa-me tirar o cisco do teu olho’, quando tu não vês a trave no teu próprio olho? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e então poderás enxergar bem para tirar o cisco do olho do teu irmão”.

Meditação
Enxergar a realidade com o olhar de Deus

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 6, 39-42)

Naquele tempo, Jesus contou uma parábola aos discípulos: “Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois num buraco? Um discípulo não é maior do que o mestre; todo discípulo bem formado será como o mestre. Por que vês tu o cisco no olho do teu irmão, e não percebes a trave que há no teu próprio olho?

Como podes dizer a teu irmão: ‘Irmão, deixa-me tirar o cisco do teu olho’, quando tu não vês a trave no teu próprio olho? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás enxergar bem para tirar o cisco do olho do teu irmão”.

O Evangelho de hoje continua o mesmo discurso de Jesus a respeito do amor aos inimigos: “Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois num buraco?” (Lc 6, 39).

Mas por que Nosso Senhor conta esta pequena parábola? Para nos mostrar um pecador — e, portanto, alguém cego pelo próprio pecado — tentando guiar outro pecador. Quando alguém se reveste de uma justiça que ainda não possui e começa a condenar o irmão, pretendendo mostrar-lhe o caminho que julga correto, Cristo deixa claro que ele ainda não está em condições de fazê-lo. Afinal, para ser verdadeiramente justo, é preciso antes ser prudente.

A virtude da prudência nos permite enxergar a realidade sem que o nosso juízo seja desviado pelo mundo das paixões. Quando um jovem se apaixona por uma menina, por exemplo, dificilmente consegue enxergar os defeitos dela. Se, ao contrário, passa a odiá-la, qualquer coisa de errado que aconteça facilmente lhe será atribuída. Em ambos os casos, as paixões acabam distorcendo o seu olhar e podem levá-lo a cometer grandes injustiças.

O homem prudente, portanto, é aquele que consegue ver as coisas como elas realmente são, sem a “trave” que impede um juízo reto. E se nós, cristãos, queremos adquirir essa prudência e deixar para trás a nossa cegueira, precisamos aprender a olhar o mundo com os olhos de Deus e, sobretudo, a olhar para as pessoas como Ele olha para elas.

Para compreendermos melhor, imaginemos uma mãe cujo filho é dependente químico e está consumindo drogas. Se ela ama verdadeiramente o filho, necessariamente odeia as drogas, porque odeia aquilo que está destruindo a pessoa que ama. É nesse sentido que podemos dizer: “Eu odeio o mal, eu odeio o pecado” — precisamente porque amamos o pecador e desejamos que ele se liberte daquilo que o está destruindo.

É importante recordar, porém, que o bem e o mal não são realidades subjetivas. Vivemos num mundo moderno que aprendeu com Nietzsche a colocar o homem “para além do bem e do mal”, como se já não existissem propriamente maldade ou bondade e tudo dependesse do ponto de vista de cada um. É a chamada ditadura do relativismo. No entanto, sabemos que há coisas que fazem bem ao ser humano e outras que o destroem.

Aquilo que destrói o ser humano é mau; aquilo que o constrói é bom, da mesma forma que sabemos que o veneno mata, enquanto os nutrientes de um bom alimento fortalecem o organismo. Logo, não se trata simplesmente do que cada um pensa, sente ou prefere.

A questão, então, é saber quem pode nos dizer com plena certeza aquilo que nos faz bem e aquilo que nos faz mal. A resposta é clara: somente Deus. Aquele que criou o ser humano conhece perfeitamente a sua natureza e sabe o que o edifica e o que o destrói. É por isso que devemos nos aproximar da Revelação divina: para que o próprio Senhor nos ensine também a reconhecer os nossos pecados.

Na realidade, por meio da razão, poderíamos estudar ética filosófica e chegar ao conhecimento de muitas coisas boas e más. Contudo, o pecado também obscurece o nosso olhar e dificulta esse discernimento. Por isso, para que não sejamos cegos tentando guiar outros cegos, Deus vem em nosso auxílio e, por meio da Revelação, mostra-nos com clareza aquilo que é pecado.

Essa verdade tem uma consequência muito concreta para a nossa vida espiritual. Quando vamos ao confessionário, não devemos decidir o que confessar simplesmente com base no que “sentimos” ser pecado, pois os nossos sentimentos não são a medida do bem e do mal. É Deus quem nos revela essa medida. Diante disso, enxergamos a importância de olhar para a Sagrada Escritura, para o Catecismo da Igreja Católica e para a Tradição da Igreja: a partir deles, aprendemos a reconhecer os pecados que devemos confessar, mesmo quando a nossa sensibilidade já não os percebe como tais.

Se confiarmos apenas em nossos próprios sentimentos, permaneceremos presos justamente à cegueira contra a qual Nosso Senhor nos adverte. Para não cairmos, portanto, no precipício, peçamos ao Senhor que cure a nossa cegueira, ilumine a nossa inteligência e ensine-nos a enxergar o bem e o mal como Ele os enxerga.

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Janeiro 2024

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