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Liturgia Diária

Acompanhe a leitura do dia e também a Homilia do Padre Paulo Ricardo.
28º Domingo do Tempo Comum

11 de Outubro de 2026

Primeira Leitura
Leitura do livro do profeta IsaíasIs 25,6-10

6O Senhor dos exércitos dará neste monte, para todos os povos, um banquete de ricas iguarias, regado com vinho puro, servido de pratos deliciosos e dos mais finos vinhos. 7Ele removerá, neste monte, a ponta da cadeia que ligava todos os povos, a teia em que tinha envolvido todas as nações. 8O Senhor Deus eliminará para sempre a morte, e enxugará as lágrimas de todas as faces, e acabará com a desonra do seu povo em toda a terra; o Senhor o disse. 9Naquele dia se dirá: “Este é o nosso Deus, esperamos nele, até que nos salvou; este é o Senhor, nele temos confiado: vamos alegrar-nos e exultar por nos ter salvo”. 10E a mão do Senhor repousará sobre este monte.

Salmo Responsorial
Na casa do Senhor habitarei eternamente.Sl 22(23),1-3a.3b-4.5-6

Na casa do Senhor habitarei, eternamente.

1 O Senhor é o pastor que me conduz; *
não me falta coisa alguma.
2 Pelos prados e campinas verdejantes *
ele me leva a descansar.
Para as águas repousantes me encaminha, *
3a e restaura as minhas forças. R.

b Ele me guia no caminho mais seguro, *
pela honra do seu nome.
4 Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, *
nenhum mal eu temerei;
estais comigo com bastão e com cajado; *
eles me dão a segurança! R.

5 Preparais à minha frente uma mesa, *
bem à vista do inimigo,
e com óleo vós ungis minha cabeça; *
o meu cálice transborda. R.

6 Felicidade e todo bem hão de seguir-me *
por toda a minha vida;
c e na casa do Senhor habitarei *
d pelos tempos infinitos. R.

Segunda Leitura
Leitura da carta de são Paulo aos FilipensesFl 4,12-14.19-20

Irmãos, 12sei viver na miséria e sei viver na abundância. Eu aprendi o segredo de viver em toda e qualquer situação, estando farto ou passando fome, tendo de sobra ou sofrendo necessidade. 13Tudo posso naquele que me dá força. 14No entanto, fizestes bem em compartilhar as minhas dificuldades. 19O meu Deus proverá esplendidamente, com sua riqueza, a todas as vossas necessidades, em Cristo Jesus. 20Ao nosso Deus e Pai, a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

Evangelho
Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo MateusMt 22,1-14

Naquele tempo, 1Jesus voltou a falar em parábolas aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, dizendo: 2“O reino dos céus é como a história do rei que preparou a festa de casamento do seu filho. 3E mandou os seus empregados para chamar os convidados para a festa, mas estes não quiseram ir. 4O rei mandou outros empregados, dizendo: ‘Dizei aos convidados: já preparei o banquete, os bois e os animais cevados já foram abatidos, e tudo está pronto. Vinde para a festa!’ 5Mas os convidados não deram a menor atenção: um foi para o seu campo, outro para os seus negócios, 6outros agarraram os empregados, bateram neles e os mataram. 7O rei ficou indignado e mandou suas tropas para matar aqueles assassinos e incendiar a cidade deles. 8Em seguida, o rei disse aos empregados: ‘A festa de casamento está pronta, mas os convidados não foram dignos dela. 9Portanto, ide até as encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes’. 10Então os empregados saíram pelos caminhos e reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala da festa ficou cheia de convidados”. 11“Quando o rei entrou para ver os convidados, observou aí um homem que não estava usando traje de festa 12e perguntou-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem o traje de festa?’ Mas o homem nada respondeu. 13Então o rei disse aos que serviam: ‘Amarrai os pés e as mãos desse homem e jogai-o fora, na escuridão! Aí haverá choro e ranger de dentes’. 14Porque muitos são chamados, e poucos são escolhidos”.

Meditação
O banquete do Céu e o desejo da Eucaristia

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 22, 1-14)

Naquele tempo, Jesus voltou a falar em parábolas aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, dizendo: “O Reino dos Céus é como a história do rei que preparou a festa de casamento do seu filho. E mandou os seus empregados para chamar os convidados para a festa, mas estes não quiseram vir. O rei mandou outros empregados, dizendo: ‘Dizei aos convidados: já preparei o banquete, os bois e os animais cevados já foram abatidos e tudo está pronto. Vinde para a festa!’ Mas os convidados não deram a menor atenção: um foi para o seu campo, outro para os seus negócios, outros agarraram os empregados, bateram neles e os mataram. O rei ficou indignado e mandou suas tropas para matar aqueles assassinos e incendiar a cidade deles. Em seguida, o rei disse aos empregados: ‘A festa de casamento está pronta, mas os convidados não foram dignos dela. Portanto, ide até às encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes’. Então os empregados saíram pelos caminhos e reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala da festa ficou cheia de convidados. Quando o rei entrou para ver os convidados, observou aí um homem que não estava usando traje de festa e perguntou-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem o traje de festa?’ Mas o homem nada respondeu. Então o rei disse aos que serviam: ‘Amarrai os pés e as mãos desse homem e jogai-o fora, na escuridão! Aí haverá choro e ranger de dentes’. Por que muitos são chamados, e poucos são escolhidos”.

Neste 28º Domingo do Tempo Comum, a Igreja proclama o Evangelho de São Mateus, capítulo 22, versículos de 1 a 14, em que Jesus nos apresenta a parábola do banquete nupcial. Um rei prepara a festa de casamento de seu filho e envia os servos para chamar os convidados. Estes, porém, recusam o convite, e alguns chegam a maltratar e até a matar os mensageiros. Diante disso, o rei manda buscar pelas encruzilhadas todos aqueles que forem encontrados, bons e maus, até que a sala fique repleta.

A imagem do banquete nupcial possui um significado muito claro na linguagem bíblica: trata-se do banquete da salvação, isto é, da união definitiva entre Deus e a humanidade. O convite feito pelo rei, portanto, é  o chamado de Deus para participarmos de sua própria felicidade no Céu.

A parábola revela, ao mesmo tempo, a extraordinária insistência divina. Os primeiros convidados respondem com indiferença e ingratidão e, à medida que o rei insiste, sua rejeição torna-se cada vez mais grave. De um lado, cresce a generosidade de Deus; de outro, aumenta a dureza de coração dos homens. Contudo, nem mesmo essa recusa é capaz de frustrar os desígnios da Providência: o convite se amplia e alcança aqueles que antes estavam distantes. Deus manifesta, assim, seu poder de tirar um bem maior até mesmo do mal que permite.

Foi o que aconteceu na história da salvação. Deus estabeleceu sua aliança com o povo escolhido, enviou reis e profetas e, por fim, entregou o próprio Filho. Mesmo perante às sucessivas infidelidades, não abandonou a humanidade, mas estendeu seu chamado a todas as nações, e aquilo que poderia parecer somente rejeição tornou-se, pela Providência divina, ocasião para que a mensagem da salvação chegasse aos quatro cantos da terra.

Nesse sentido, contemplamos uma verdade admirável: Deus poderia impedir nossa ingratidão retirando-nos a liberdade ou castigando-nos imediatamente segundo aquilo que merecemos. No entanto, Ele continua a chamar-nos com a insistência de um Esposo que deseja ardentemente se unir a nós. Por isso, cabe a nós responder com fé a esse convite, acolhendo a mensagem trazida pelos Apóstolos e adentrando na sala do banquete.

Entretanto, a parábola não termina quando a sala fica cheia. Quando o rei entra para ver os convidados, ele encontra um homem sem o traje da festa e pergunta-lhe: “Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?” (Mt 22, 12). Sem ter o que responder, o homem permanece em silêncio; o rei, então, ordena que ele seja lançado para fora, na escuridão,  “onde haverá choro e ranger de dentes” (Mt 22, 13).

São Gregório Magno oferece-nos a chave para compreender essa segunda parte: a veste nupcial é a caridade. Aquele homem é considerado amigo pela fé, porque aceitou o convite e entrou na sala; mas é visto como inimigo pela ausência da caridade. Isso nos mostra que não basta pertencer exteriormente à Igreja e possuir a fé recebida no Batismo: para participar definitivamente do banquete celeste, é necessário permanecer em estado de graça, mantendo viva a chama da caridade.

Antes que o Rei venha ao nosso encontro no momento da morte e do Juízo, precisamos estar revestidos dessa veste. Por esse motivo, quem encontra-se em pecado mortal deve arrepender-se de seus pecados e recorrer à Confissão, para pedir perdão e reconciliar-se com Deus o quanto antes. 

Aceitar o chamado do Senhor, portanto, é apenas o primeiro passo: ao convite acolhido pela fé, deve corresponder a veste da caridade. Essas duas realidades inseparáveis da vida cristã encontram já nesta terra uma expressão privilegiada na Eucaristia, antecipação do banquete que terá sua plenitude no Céu. Não é por acaso que, imediatamente antes da Comunhão, a Igreja proclama: “Felizes os convidados para o banquete nupcial do Cordeiro”. Cada Santa Missa prepara-nos para aquela união definitiva com Deus e, por isso, também exige de nós a fé e a caridade.

A primeira disposição para receber a Eucaristia é uma fé verdadeiramente viva, acompanhada de devoção e amor por Jesus presente no Santíssimo Sacramento. Não podemos transformar a Comunhão em um gesto automático e inconsciente, aproximando-nos distraidamente apenas porque chegou o momento de entrar na fila. 

Diante de Cristo eucarístico, realmente presente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, nossa alma deveria experimentar verdadeira fome de Deus. O próprio jejum eucarístico nos recorda essa disposição interior. A pequena fome física que antecede a Comunhão deve ser sinal do desejo profundo de receber Nosso Senhor. Quando esse anseio desaparece e dá lugar à indiferença, corremos o risco de cair na mesma atitude dos primeiros convidados da parábola, que rejeitaram o convite. Essa recusa pode até começar pequena, mas cresce progressivamente e transforma-se em verdadeira oposição a Deus.

Além disso, ninguém consciente de estar em pecado mortal deve aproximar-se da Sagrada Comunhão sem antes reconciliar-se com Deus. Amar verdadeiramente o Senhor significa querer aquilo que Ele quer e permitir que sua graça transforme nossa vida. É significativo que a parábola refira-se à caridade como uma veste, porque assim como esta recobre toda a pessoa, a caridade deve alcançar todas as dimensões de nossa existência.

Essa transformação começa pela obediência aos Mandamentos e pelo abandono do pecado mortal, mas deve estender-se progressivamente a toda a nossa vida. Isso se concretiza também no cumprimento dos deveres próprios de nosso estado e de nossa vocação. O pai e a mãe são chamados a dedicar-se à família; o sacerdote, o religioso e a religiosa, àqueles que lhes foram confiados. Então, nessa entrega cotidiana, crescemos na caridade e aprendemos a fazer de nossa vocação uma verdadeira doação.

A conformidade com a vontade divina passa igualmente pela maneira como aceitamos as contrariedades da vida. Quando nossos planos não se realizam ou encontramos dificuldades inesperadas, tais circunstâncias podem tornar-se ocasiões de maior união com Deus. Se Ele não desiste de nós apesar de tantas recusas, por que desistiríamos d’Ele aos primeiros obstáculos?

A parábola do banquete nupcial nos convida, desse modo, a uma resposta completa. Deus nos chama incansavelmente para as núpcias eternas e já nos oferece, na Eucaristia, uma antecipação desse banquete. Portanto, acolhamos o seu convite com uma fé cheia de devoção e revistamo-nos da caridade, permitindo que sua graça transforme nossos sentimentos, nossas escolhas, nossos deveres e toda a nossa vida, para que cada Comunhão nos una cada vez mais a Cristo e nos prepare para o dia em que participaremos plenamente do banquete do Cordeiro no Céu.

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