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Liturgia Diária

Acompanhe a leitura do dia e também a Homilia do Padre Paulo Ricardo.
6ª feira da 28ª Semana do Tempo Comum

Hoje – 16 de Outubro de 2026

Primeira Leitura
Leitura da carta de São Paulo aos EfésiosEf 1,11-14

Irmãos, 11em Cristo nós recebemos a nossa parte. Segundo o projeto daquele que conduz tudo conforme a decisão de sua vontade, nós fomos predestinados 12a ser, para o louvor de sua glória, os que de antemão colocaram a sua esperança em Cristo. 13Nele também vós ouvistes a Palavra da verdade, o Evangelho que vos salva. Nele, ainda, acreditastes e fostes marcados com o selo do Espírito prometido, o Espírito Santo, 14o que é o penhor da nossa herança para a redenção do povo que ele adquiriu para o louvor da sua glória.

Salmo Responsorial
Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança!Sl 32(33),1-2.4-5.12-13

Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança!

1 Ó justos, alegrai-vos no Senhor! *
aos retos fica bem glorificá-lo.
2 Dai graças ao Senhor ao som da harpa, *
na lira de dez cordas celebrai-o! R.

4 Pois reta é a palavra do Senhor, *
e tudo o que ele faz merece fé.
5 Deus ama o direito e a justiça, *
transborda em toda a terra a sua graça. R.

12 Feliz o povo cujo Deus é o Senhor, *
e a nação que escolheu por sua herança!
13 Dos altos céus o Senhor olha e observa; *
ele se inclina para olhar todos os homens. R.

Evangelho
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo LucasLc 12,1-7

Naquele tempo, 1milhares de pessoas se reuniram, a ponto de uns pisarem os outros. Jesus começou a falar, primeiro a seus discípulos: “Tomai cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. 2Não há nada de escondido que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido. 3Portanto, tudo o que tiverdes dito na escuridão será ouvido à luz do dia; e o que tiverdes pronunciado ao pé do ouvido, no quarto, será proclamado sobre os telhados. 4Pois bem, meus amigos, eu vos digo, não tenhais medo daqueles que matam o corpo, não podendo fazer mais do que isso. 5Vou mostrar-vos a quem deveis temer: temei aquele que, depois de tirar a vida, tem o poder de lançar-vos no inferno. Sim, eu vos digo, a esse temei. 6Não se vendem cinco pardais por uma pequena quantia? No entanto, nenhum deles é esquecido por Deus. 7Até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais”.

Meditação
Tudo é revelado na luz de Deus

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 12, 1-7)

 Naquele tempo, milhares de pessoas se reuniram, a ponto de uns pisarem os outros. Jesus começou a falar, primeiro a seus discípulos: “Tomai cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. Não há nada de escondido que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido. Portanto, tudo o que tiverdes dito na escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que tiverdes pronunciado ao pé do ouvido, no quarto, será proclamado sobre os telhados. 
Pois bem, meus amigos, eu vos digo: não tenhais medo daqueles que matam o corpo, não podendo fazer mais do que isto. Vou mostrar-vos a quem deveis temer: temei aquele que, depois de tirar a vida, tem o poder de lançar-vos no inferno. Sim, eu vos digo, a este temei. Não se vendem cinco pardais por uma pequena quantia? No entanto, nenhum deles é esquecido por Deus. Até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais”.

O Evangelho de hoje nos fala do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. E Jesus adverte: “Não há nada de escondido que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido” (Lc 12, 2). 

O que isso nos ensina para a nossa vida espiritual? Primeiro, é importante compreendermos qual é o fundamento da hipocrisia dos fariseus, que Cristo revela quando diz: “Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, não podendo fazer mais do que isto. Vou mostrar-vos a quem deveis temer” (Lc 12, 4-5). Temos aqui, portanto, uma oposição entre o temor de Deus e o temor dos seres humanos, que, na linguagem espiritual, costumamos chamar de “respeito humano”.

Mas o que é o respeito humano? Trata-se de uma expressão técnica que não tem relação com respeitar as pessoas. Respeito humano significa ter medo do que os outros pensam sobre nós, preocupando-nos muito mais com a opinião deles do que com aquilo que Deus pensa de nós e com a forma como Ele irá nos julgar. Eis a diferença entre o temor de Deus, que é o princípio do saber, e o respeito humano.

Ora, uma pessoa constantemente preocupada com aquilo que os outros pensam dela acaba criando um personagem e, assim, passa a viver uma vida dupla, ambígua: uma coisa é aquilo que nós somos em nossos pensamentos mais íntimos; outra é aquilo que demonstramos às pessoas.

Se existe uma realidade própria da santidade, é justamente essa transparência interior. Desse modo, mesmo que não revelemos aos outros aquilo que estamos pensando, nossos pensamentos diante de Deus são dignos e, por isso, não devem ser motivo de vergonha. 

Para entendermos melhor, vejamos alguns exemplos bem concretos. Uma pessoa casada pode não trair exteriormente o esposo ou a esposa, mas permitir-se pensamentos que constituem uma traição e que, se fossem conhecidos pelo cônjuge, certamente provocariam uma briga. 

É nessa duplicidade entre aquilo que demonstramos exteriormente e o que alimentamos em nosso coração que se manifesta a hipocrisia. Por isso, precisamos viver os nossos pensamentos lembrando sempre que Deus está consciente de todos eles. Um conselho prático é imaginar que alguém da nossa família consegue ver aquilo que pensamos. Afinal, “não há nada escondido que um dia não seja revelado” e, no Juízo Final, tanto as nossas ações quanto os nossos pensamentos serão manifestados.

Um segundo exemplo acontece quando nos irritamos com alguém e, interiormente, começamos a insultá-lo. Por fora, mantemos até um rosto alegre e agradável, mas, no coração, estamos chamando aquela pessoa de idiota, insuportável, desagradável ou burra. Pois bem, e se essa pessoa pudesse ver os nossos pensamentos? Continuaríamos pensando dessa maneira? Contudo, isso não significa que precisamos dizer tudo ou revelar agora todo o nosso coração às pessoas, mas que devemos estar preparados para, um dia, toda a nossa vida ser exposta. 

Se fizermos esse esforço de viver na transparência, conscientes de que esse irmão que hoje está diante de nós verá no futuro aquilo que pensamos a respeito dele, começaremos a mudar os nossos pensamentos e a nossa vida, adquirindo uma grande unidade interior. Por isso, procuremos ordenar o nosso coração, a fim de que aquilo que somos interiormente corresponda cada vez mais àquilo que manifestamos exteriormente.

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