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Liturgia Diária

Acompanhe a leitura do dia e também a Homilia do Padre Paulo Ricardo.
Santo Inácio de Antioquia, bispo e mártir, Memória

Hoje – 17 de Outubro de 2026

Primeira Leitura
Leitura da carta de São Paulo aos EfésiosEf 1,15-23

Irmãos, 15desde que soube da vossa fé no Senhor Jesus e do vosso amor para com todos os santos, 16não cesso de dar graças a vosso respeito quando me lembro de vós em minhas orações. 17Que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, vos dê um espírito de sabedoria que vo-lo revele e faça verdadeiramente conhecer. 18Que ele abra o vosso coração à sua luz, para que saibais qual a esperança que o seu chamamento vos dá, qual a riqueza da glória que está na vossa herança com os santos 19e que imenso poder ele exerceu em favor de nós que cremos, de acordo com a sua ação e força onipotente. 20Ele manifestou sua força em Cristo quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus, 21bem acima de toda autoridade, poder, potência, soberania ou qualquer título que se possa nomear não somente neste mundo, mas ainda no mundo futuro. 22Sim, ele pôs tudo sob os seus pés e fez dele, que está acima de tudo, a cabeça da Igreja, 23que é o seu corpo, a plenitude daquele que possui a plenitude universal.

Salmo Responsorial
Vós destes o domínio ao vosso Filho sobre tudo o que criastes.Sl 8,2-3a.4-5.6-7

Vós destes o domínio ao vosso Filho
sobre tudo o que criastes.

2 Ó Senhor nosso Deus, como é grande *
vosso nome por todo o universo!
Desdobrastes nos céus vossa glória *
com grandeza, esplendor, majestade.
3a O perfeito louvor vos é dado *
pelos lábios dos mais pequeninos. R.

4 Contemplando estes céus que plasmastes *
e formastes com dedos de artista;
vendo a lua e estrelas brilhantes, *
5 perguntamos: "Senhor, que é o homem,
para dele assim vos lembrardes *
e o tratardes com tanto carinho?" R.

6 Pouco abaixo de Deus o fizestes, *
coroando-o de glória e esplendor;
7 vós lhe destes poder sobre tudo, *
vossas obras aos pés lhe pusestes. R.

Evangelho
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo LucasLc 12,8-12

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 8“Todo aquele que der testemunho de mim diante dos homens, o Filho do Homem também dará testemunho dele diante dos anjos de Deus. 9Mas aquele que me renegar diante dos homens será negado diante dos anjos de Deus. 10Todo aquele que disser alguma coisa contra o Filho do Homem será perdoado. Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo não será perdoado. 11Quando vos conduzirem diante das sinagogas, magistrados e autoridades, não fiqueis preocupados em como ou com que vos defendereis ou com o que direis. 12Pois nessa hora o Espírito Santo vos ensinará o que deveis dizer”.

Meditação
O último pedido de Santo Inácio de Antioquia

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 12, 8-12)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Todo aquele que der testemunho de mim diante dos homens, o Filho do Homem também dará testemunho dele diante dos anjos de Deus. Mas aquele que me renegar diante dos homens, será negado diante dos anjos de Deus. Todo aquele que disser alguma coisa contra o Filho do Homem será perdoado. Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo não será perdoado. Quando vos conduzirem diante das sinagogas, magistrados e autoridades, não fiqueis preocupados como ou com que vos defendereis, ou com o que direis. Pois nessa hora o Espírito Santo vos ensinará o que deveis dizer”.

Hoje, celebramos alegremente a memória de Santo Inácio de Antioquia, que foi bispo na cidade de Antioquia, na Síria, lugar onde os discípulos de Cristo foram chamados de cristãos pela primeira vez.

É interessante notarmos que Antioquia está profundamente ligada à história da Igreja nascente: foi ali que São Paulo recebeu a imposição das mãos antes de ser enviado em missão e, segundo a Tradição, foi também uma das sedes episcopais de São Pedro.

No início do século II, durante o governo do imperador Trajano, Santo Inácio foi aprisionado e levado a Roma para ser executado, e provavelmente sofreu o martírio nos jogos promovidos pelos romanos, nos quais os cristãos eram entregues às feras. Porém, enquanto viajava como prisioneiro a Roma, escreveu sete cartas, que constituem um testemunho extraordinário da fé da Igreja nos primeiros séculos.

A leitura dessas cartas permite conhecer não apenas o centro da fé cristã, mas também a própria organização da Igreja naquele período. Santo Inácio mostra claramente que a Igreja não se tornou católica com o imperador Constantino, como afirmam alguns protestantes; pelo contrário, a sua catolicidade já se manifestava desde os tempos apostólicos. Ora, estamos diante de um bispo que conheceu os Apóstolos e pertenceu à geração de seus sucessores diretos. Logo, em seus escritos, encontramos uma Igreja organizada em torno de bispos, presbíteros e diáconos.  

Além disso, ao se referir à Igreja de Roma, Santo Inácio afirmou que ela “preside na caridade” as demais dioceses espalhadas pelo mundo. Dessa forma, já na época subapostólica, vemos Roma associada ao Apóstolo Pedro e ocupando um lugar singular na Igreja.

Em sua carta aos romanos, Inácio pediu aos cristãos de Roma que fossem bondosos para com ele e suplicou que o deixassem morrer por amor a Deus. Justamente nesse pedido, encontramos uma importante lição sobre a caridade: quando amamos alguém de fato, desejamos que essa pessoa esteja unida a Cristo.

É comum que amemos profundamente as pessoas de nossa família, querendo que estejam sempre conosco, que não sofram e que possuam determinados bens. No entanto, embora sejam coisas boas, nenhuma delas constitui o bem maior. A vida frequentemente nos coloca diante de conflitos entre diferentes bens, uma vez que nem sempre possuímos tudo aquilo que desejamos. Por isso, precisamos fazer nossas escolhas com consciência, sabendo que deve existir uma hierarquia de bens.

Às vezes, por exemplo, é necessário escolher entre descansar e trabalhar; em outras ocasiões, entre rezar e estar com um amigo. Até mesmo ao tomar um medicamento, devemos avaliar se os benefícios proporcionados por ele compensam seus possíveis sintomas e efeitos colaterais. Assim acontece com muitas das escolhas que fazemos ao longo da vida.

Entretanto, existe algo fundamental que deve prevalecer sobre todas as outras realidades: a nossa salvação eterna. Ao olhar para uma pessoa que amamos, precisamos reconhecer que ela não possuirá todos os bens desta vida, mas o bem da salvação é inegociável. 

Amar alguém significa desejar ardentemente que ela seja salva, e Santo Inácio nos ensina isso de maneira luminosa. Dirigindo-se aos cristãos de Roma, ele pediu: “Deixai de ter para comigo um amor inoportuno”. Eles queriam preservar sua vida terrena, mas Inácio sabia que estava sendo entregue às feras como um sacrifício de amor a Deus e pela salvação das almas. Por esse motivo, ele suplicou que não fizessem articulações para livrá-lo do martírio e permitissem que ele seguisse o seu caminho para Cristo.

O testemunho de Santo Inácio ilumina a maneira como devemos amar aqueles que nos foram confiados. Diante disso, cabe-nos fazer um exame de consciência: o amor que temos pelas pessoas que amamos, especialmente por nossa família, busca em primeiro lugar o Reino de Deus, confiando que todas as outras coisas nos serão acrescentadas? Ou preferimos para elas um bem-estar meramente terreno, colocando em risco a salvação de suas almas?

Que, seguindo o exemplo de Santo Inácio de Antioquia, aprendamos a reconhecer a salvação eterna como o maior de todos os bens e a amar verdadeiramente aqueles que Deus colocou em nossa vida, desejando para eles, acima de tudo, a união definitiva com Cristo.

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