Buscando...

Digite pelo menos 2 caracteres para pesquisar

Liturgia Diária

Acompanhe a leitura do dia e também a Homilia do Padre Paulo Ricardo.
3ª feira da 20ª Semana do Tempo Comum

18 de Agosto de 2026

Primeira Leitura
Leitura da Profecia de EzequielEz 28, 1-10

1A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: 2“Filho do homem, dize ao príncipe da cidade de Tiro: Assim fala o Senhor Deus: Porque o teu coração se tornou orgulhoso, tu disseste: ‘Eu sou um deus e ocupo o trono divino no coração dos mares’. Tu, porém, és um homem e não um deus, mas pensaste ter a mente igual à de um deus. 3Sim, tu és mais sábio do que Daniel! Segredo algum te é obscuro. 4Com talento e habilidade adquiriste uma fortuna, acumulaste ouro e prata em teus tesouros. 5Com grande tino comercial aumentaste tua fortuna, e com ela teu coração se tornou soberbo. 6Por isso, assim diz o Senhor Deus: Por teres igualado tua mente à de um deus, 7vou trazer contra ti os povos mais violentos dos estrangeiros. Eles puxarão suas espadas contra a tua bela sabedoria e profanarão o teu esplendor. 8Eles te farão baixar à cova, e morrerás de morte violenta no coração dos mares. 9Porventura, ousarás dizer: ‘Sou um deus!’ na presença de teus algozes, tu que és um homem e não deus, nas mãos dos que te apunhalam? 10Morrerás da morte dos incircuncisos, pela mão de estrangeiros, pois fui eu que falei — oráculo do Senhor Deus”.

Salmo Responsorial
Sou eu que tiro a vida, sou eu quem faz viver!Dt 32,26-27ab.27cd-28.30.35cd-36ab

Sou eu que tiro a vida, sou eu quem faz viver!

26 Pensei: "Vou espalhá-los pela terra, *
farei cessar sua memória inteiramente".
27a Mas receava a reação dos inimigos, *
b a má interpretação dos adversários. R.

c Eles diriam: Nossa mão prevaleceu,*
d não foi o Senhor Deus que isto fez.
28 Porque meu povo é gente sem juízo,*
é gente que não tem discernimento. R.

30 Como pode um homem só perseguir mil,*
como dois podem fazer fugir dez mil?
Não é porque sua Rocha os vendeu,*
não é porque o Senhor os entregou? R.

35c Já vem o dia em que serão arruinados*
d e o seu destino se apressa em chegar.
36a Porque o Senhor fará justiça ao seu povo*
b e salvará todos aqueles que o servem. R.

Evangelho
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo MateusMt 19,23-30

Naquele tempo, 23Jesus disse aos discípulos: “Em verdade vos digo, dificilmente um rico entrará no reino dos céus. 24E digo ainda, é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus”. 25Ouvindo isso, os discípulos ficaram muito espantados e perguntaram: “Então, quem pode ser salvo?” 26Jesus olhou para eles e disse: “Para os homens isso é impossível, mas para Deus tudo é possível”. 27Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: “Vê! Nós deixamos tudo e te seguimos. O que haveremos de receber?” 28Jesus respondeu: “Em verdade vos digo, quando o mundo for renovado e o Filho do homem se sentar no trono de sua glória, também vós, que me seguistes, havereis de sentar-vos em doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel. 29E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, campos, por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna. 30Muitos que agora são os primeiros serão os últimos. E muitos que agora são os últimos serão os primeiros”.

Meditação
O desejo dos bens espirituais

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 19, 23-30)

Naquele tempo, Jesus disse aos discípulos: “Em verdade vos digo, dificilmente um rico entrará no reino dos Céus. E digo ainda: é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus”. Ouvindo isso, os discípulos ficaram muito espantados, e perguntaram: “Então, quem pode ser salvo?” Jesus olhou para eles e disse: “Para os homens isso é impossível, mas para Deus tudo é possível”.

Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: “Vê! Nós deixamos tudo e te seguimos. Que haveremos de receber?” Jesus respondeu: “Em verdade vos digo, quando o mundo for renovado e o Filho do Homem se sentar no trono de sua glória, também vós, que me seguistes, havereis de sentar-vos em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, campos, por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna. Muitos que agora são os primeiros, serão os últimos. E muitos que agora são os últimos, serão os primeiros.

O Evangelho de hoje nos fala da pobreza de espírito que precisamos ter diante de Deus para realmente nos tornarmos os santos que Ele quer que sejamos. Mas o que significa ser pobre em espírito? Qual é a pobreza que o Evangelho nos ensina? Para compreendê-la, podemos partir justamente da atitude do rico diante dos bens deste mundo. Uma pessoa rica dificilmente entrará no Reino dos Céus porque, apegada aos bens materiais, é movida por uma constante insatisfação, que leva à ganância.

Se analisarmos com atenção a psicologia do rico, veremos que, paradoxalmente, ele sempre acredita ter pouco por nunca estar satisfeito com aquilo que possui. Mesmo tendo um bilhão de dólares, ele deseja ter mais e, ainda que acumule, permanece insatisfeito e continua desejando mais e mais dinheiro.

Ora, o pobre da bem-aventurança — aquele de quem Jesus diz: “Dele é o Reino dos Céus” — é justamente quem assume, diante das realidades espirituais, a atitude que o rico tem diante dos bens materiais. Logo, precisamos reconhecer a nossa indigência espiritual e jamais nos contentar com aquilo que já alcançamos: “Eu só tenho estas virtudes; quero crescer ainda mais. Eu só amei a Deus até aqui; quero amá-lo mais. Eu só lhe entreguei isto; quero entregar cada vez mais!”. Eis a chave de leitura deste Evangelho.

Se unirmos este Evangelho ao que vimos ontem, entenderemos qual era a dificuldade daquele jovem rico. Ele havia cumprido suas obrigações para com Deus, observando os Mandamentos, mas já considerava que aquilo era suficiente. Julgava-se rico espiritualmente quando, na verdade, possuía muitos bens materiais e era justamente em relação a eles que manifestava aquela sede de querer sempre mais. Portanto, faltava-lhe ter diante dos bens espirituais a mesma disposição que tinha para com os bens deste mundo: reconhecer a própria indigência e não se contentar com aquilo que já havia oferecido a Deus.

Em resumo, é necessário tomar de assalto a nossa vida espiritual. Em vez de nos acomodarmos com aquilo que já fizemos, devemos reconhecer quão pequena ainda é a nossa entrega e decidir-nos verdadeiramente por Deus: “Eu ainda não fiz nada por Ele. É agora que vou começar a amá-lo de verdade, oferecer aquilo que não sou obrigado a dar, renunciar por amor e entregar-lhe aquilo que ainda não entreguei”.

Foi com essa generosidade e esse entusiasmo que Pedro se aproximou de Jesus no Evangelho de hoje e disse: “Nós deixamos tudo e te seguimos” (Mt 19, 27). A entrega do Apóstolo era sincera — ele, de fato, havia deixado tudo —, mas ainda precisava ser profunda. Pedro tinha sido capaz de abandonar seus bens, porém, ainda não estava preparado para o sofrimento. Basta lembrarmos que, mais tarde, ele negaria Jesus três vezes.

Assim também acontece conosco. Quando começamos a renunciar àquilo a que não éramos obrigados a renunciar, a oferecer a Deus o que até então havíamos guardado para nós e a ir além de nossos deveres, nasce em nossa alma um amor filial e generoso. Isso já é uma grande conquista, mas ainda não é o ponto final, pois há uma entrega ainda mais plena à qual Deus quer nos conduzir.

Essa transformação acontece aos poucos. Podemos ser sinceros e generosos ao nos entregarmos a Deus, mas somente a perseverança de cada dia dará profundidade à nossa oferta. Jesus acolheu a disposição de Pedro, mas sabia que o Apóstolo ainda teria de passar por outra conversão: “E tu, quando voltares, confirma os teus irmãos” (Lc 22, 32). 

Tenhamos, pois, generosidade para com Deus e sejamos pobres de espírito, desejando os bens do Céu com a mesma intensidade com que os gananciosos e os ricos desejam acumular os bens terrenos. Nunca pensemos que já amamos o suficiente, que já entregamos o suficiente ou que já crescemos o suficiente. Pelo contrário: diante do Senhor, reconheçamos sempre a nossa pobreza e busquemos amá-lo e servi-lo cada vez mais.

Escolher data
Janeiro 2024

Junte-se a nós!

Receba novos artigos, vídeos e lançamentos de cursos diretamente em seu e-mail.