Hoje – 19 de Outubro de 2026
Irmãos, 1vós estáveis mortos por causa de vossas faltas e pecados, 2nos quais vivíeis outrora, quando seguíeis o deus deste mundo, o príncipe que reina entre o céu e a terra, o espírito que age agora entre os rebeldes. 3Nós éramos deste número, todos nós. Outrora nos abandonávamos às paixões da carne; satisfazíamos os seus desejos, seguíamos os seus caprichos e éramos, por natureza, como os demais, filhos da ira. 4Mas Deus é rico em misericórdia. Por causa do grande amor com que nos amou, 5quando estávamos mortos por causa das nossas faltas, ele nos deu a vida com Cristo. É por graça que vós sois salvos! 6Deus nos ressuscitou com Cristo e nos fez sentar nos céus em virtude de nossa união com Jesus Cristo. 7Assim, pela bondade que nos demonstrou em Jesus Cristo, Deus quis mostrar, através dos séculos futuros, a incomparável riqueza da sua graça. 8Com efeito, é pela graça que sois salvos, mediante a fé. E isso não vem de vós; é dom de Deus! 9Não vem das obras, para que ninguém se orgulhe. 10Pois é ele quem nos fez; nós fomos criados em Jesus Cristo para as obras boas, que Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos.
O Senhor mesmo nos fez, e somos seus.
2 Aclamai o Senhor, ó terra inteira, †
servi ao Senhor com alegria, *
ide a ele cantando jubilosos! R.
3 Sabei que o Senhor, só ele, é Deus, †
Ele mesmo nos fez, e somos seus, *
nós somos seu povo e seu rebanho. R.
4 Entrai por suas portas dando graças, †
e em seus átrios com hinos de louvor; *
dai-lhe graças, seu nome bendizei! R.
5 Sim, é bom o Senhor e nosso Deus, †
sua bondade perdura para sempre, *
seu amor é fiel eternamente! R.
Naquele tempo, 13alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: “Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo”. 14Jesus respondeu: “Homem, quem me encarregou de julgar ou de dividir vossos bens?” 15E disse-lhes: “Atenção! Tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens”. 16E contou-lhes uma parábola: “A terra de um homem rico deu uma grande colheita. 17Ele pensava consigo mesmo: ‘O que vou fazer? Não tenho onde guardar minha colheita’. 18Então resolveu: ‘Já sei o que fazer! Vou derrubar meus celeiros e construir maiores; neles vou guardar todo o meu trigo, junto com os meus bens. 19Então poderei dizer a mim mesmo: Meu caro, tu tens uma boa reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe, aproveita!’ 20Mas Deus lhe disse: ‘Louco! Ainda nesta noite, pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste?’ 21Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus”.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 12,13-21)
Naquele tempo, alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: “Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo”. Jesus respondeu: “Homem, quem me encarregou de julgar ou de dividir vossos bens?” E disse-lhes: “Atenção! Tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens”.
E contou-lhes uma parábola: “A terra de um homem rico deu uma grande colheita. Ele pensava consigo mesmo: ‘Que vou fazer? Não tenho onde guardar minha colheita’. Então resolveu: ‘Já sei o que fazer! Vou derrubar meus celeiros e construir maiores; neles vou guardar todo o meu trigo, junto com os meus bens. Então poderei dizer a mim mesmo: Meu caro, tu tens uma boa reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe, aproveita!’ Mas Deus lhe disse: ‘Louco! Ainda nesta noite, pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste?’ Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus”.
No Evangelho de hoje, Jesus nos adverte a respeito da ganância — a qual, no original grego, é chamada de pleonexia, termo que expressa o desejo de possuir e acumular bens em grande quantidade.
Mas por que Nosso Senhor nos alerta para esse problema? Na realidade, trata-se de compreender a razão pela qual vivemos. Esse Evangelho é particularmente adequado à sociedade atual, uma vez que, há cerca de trezentos anos, a humanidade passou a viver cada vez mais voltada para a busca do lucro e para o desejo de possuir sempre mais. Evidentemente, a ganância já existia antes, mas não nas proporções que vemos hoje. Se, no passado, ela constituía o problema de alguns indivíduos, atualmente tornou-se uma espécie de epidemia, em uma sociedade cuja vida gira, em grande medida, ao redor do dinheiro.
Ao observarmos a história econômica da humanidade, percebemos que durante séculos, desde os tempos dos assírios, dos babilônios e do Egito Antigo, a produção e a renda per capita mundial oscilaram, mas permaneceram aproximadamente no mesmo patamar. Nos últimos trezentos anos, porém, sobretudo a partir da Revolução Industrial, o desenvolvimento do sistema econômico e financeiro ampliou extraordinariamente a capacidade de produção. Com isso, o trabalho e a busca pelo dinheiro passaram a ocupar um espaço cada vez maior na vida das pessoas.
Nesse contexto, outros bens passaram a ser relativizados. A família tende a deixar de ser um valor fundamental, o descanso perde sua importância, e até mesmo a própria saúde pode ser colocada em segundo plano. O homem passa, assim, a gastar-se continuamente para possuir sempre mais, acumulando bens como se esse fosse o fim último de sua existência.
Diante dessa realidade, a advertência feita por Jesus ao homem rico da parábola ganha especial força: “Louco! Ainda nesta noite, pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste?” (Lc 12, 20). Antes, essa advertência parecia dirigir-se somente àquelas poucas pessoas dominadas pela avareza; hoje, ela ressoa para uma sociedade marcada pela ganância e pela busca incessante do acúmulo de bens, fazendo-a esquecer a verdadeira finalidade de sua peregrinação terrena.
Jesus, então, apresenta-nos a cura. Por meio da parábola do homem rico que acumulou sua riqueza em celeiros e, inesperadamente, vê-se diante da morte, Ele nos ensina que uma das maneiras de recolocar a vida em seu devido eixo é refletir sobre a própria morte. Eis um remédio espiritual que a Igreja aprendeu com Cristo e que os Santos Padres apresentaram ao longo dos séculos.
Quando alguém sofre de avareza ou de ganância, deve recordar-se de que um dia morrerá. Diante da morte, torna-se evidente quão pequeno é o valor do dinheiro quando comparado aos bens eternos. Algumas pessoas experimentam isso de maneira particularmente concreta quando, por alguma circunstância, entram em contato mais próximo com a morte.
Vivemos em um mundo que procura afastar de nós essa realidade. No entanto, chega o momento em que nos deparamos com ela: pela morte de um familiar, por um desastre do qual participamos ou por alguma outra circunstância que nos lembra sobre a fragilidade da vida. Desse modo, compreendemos que o dinheiro, por maior que seja, não pode comprar a vida e, sobretudo, não pode comprar a vida eterna.
Na parábola de hoje, Jesus deseja colocar-nos novamente no caminho correto e lembrar-nos do verdadeiro objetivo de nossa existência: Deus. Não estamos neste mundo para acumular riquezas e sermos gananciosos, mas para nos ajudar mutuamente a chegar, um dia, ao Céu. Portanto, mantenhamos os olhos voltados para esse fim e ordenemos a nossa vida segundo aquilo que realmente importa, certos de que é no Senhor, e não nas coisas deste mundo, que se encontra o nosso destino definitivo.
© Leituras extraídas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.