Hoje – 20 de Outubro de 2026
Irmãos, 12naquele tempo, éreis sem Messias, privados de cidadania em Israel, estranhos às alianças da promessa, sem esperança e sem Deus no mundo. 13Mas agora, em Jesus Cristo, vós, que outrora estáveis longe, vos tornastes próximos pelo sangue de Cristo. 14Ele, de fato, é a nossa paz: do que era dividido, ele fez uma unidade. Em sua carne ele destruiu o muro de separação: a inimizade. 15Ele aboliu a Lei com seus mandamentos e decretos. Ele quis, assim, a partir do judeu e do pagão, criar em si um só homem novo, estabelecendo a paz. 16Quis reconciliá-los com Deus, ambos em um só corpo, por meio da cruz; assim ele destruiu em si mesmo a inimizade. 17Ele veio anunciar a paz a vós que estáveis longe e a paz aos que estavam próximos. 18É graças a ele que uns e outros, em um só Espírito, temos acesso junto ao Pai. 19Assim, já não sois mais estrangeiros nem migrantes, mas concidadãos dos santos. Sois da família de Deus. 20Vós fostes integrados no edifício que tem como fundamento os apóstolos e os profetas, e o próprio Jesus Cristo como pedra principal. 21É nele que toda construção se ajusta e se eleva para formar um templo santo no Senhor. 22E vós também sois integrados nessa construção, para vos tornardes morada de Deus pelo Espírito.
O Senhor anunciará a paz para o seu povo.
9a Quero ouvir o que o Senhor irá falar:*b é a paz que ele vai anunciar;
10 Está perto a salvação dos que o temem, *
e a glória habitará em nossa terra. R.
11 A verdade e o amor se encontrarão,*
a justiça e a paz se abraçarão;
12 da terra brotará a fidelidade,*
e a justiça olhará dos altos céus. R.
13 O Senhor nos dará tudo o que é bom,*
e a nossa terra nos dará suas colheitas;
14 a justiça andará na sua frente*
e a salvação há de seguir os passos seus. R.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 35“Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. 36Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento para lhe abrirem imediatamente a porta, logo que ele chegar e bater. 37Felizes os empregados que o senhor encontrar acordados quando chegar. Em verdade eu vos digo, ele mesmo vai cingir-se, fazê-los sentar-se à mesa e, passando, os servirá. 38E caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão se assim os encontrar!”
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 12, 35-38)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrirem, imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater. Felizes os empregados que o senhor encontrar acordados quando chegar. Em verdade, eu vos digo: Ele mesmo vai cingir-se, fazê-los sentar-se à mesa e, passando, os servirá. E caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão, se assim os encontrar!”
O Evangelho de hoje nos apresenta uma importante virtude cristã: a vigilância. Essa deve ser a nossa atitude enquanto esperamos a vinda do Senhor: permanecer acordados e preparados. Mas o que é necessário para conservar essa disposição? Para entendermos melhor, Jesus nos apresenta a imagem de um senhor que sai para uma festa de casamento, enquanto seu servo permanece em casa à sua espera.
Esse servo possui duas características que nos ajudam a compreender como deve ser a nossa espera por Cristo: está com os rins cingidos e mantém a lâmpada acesa. Ora, naquele tempo, os judeus usavam túnicas longas, que dificultavam os movimentos necessários para caminhar, trabalhar e servir. Logo, cingir os rins significava prender a túnica e deixar as pernas livres para a ação. Tratava-se de uma imagem da caridade, pois aquele que estava preparado para servir também estava disposto a amar.
A lâmpada acesa, por sua vez, representa a fé. Da mesma forma que uma lâmpada permite enxergar em meio à escuridão da noite, é a luz da fé que nos permite contemplar a realidade e permanecer atentos enquanto aguardamos a vinda de Cristo. Temos, assim, a referência às três virtudes teologais: a fé, representada pela lâmpada acesa; a caridade, pelos rins cingidos; e a esperança, pela expectativa da chegada do Senhor.
É nesse contexto que compreendemos a exortação de Jesus para nos mantermos vigilantes. Em grego, a ideia de vigilância está ligada àquele que permanece acordado durante a noite, quando existe naturalmente a tendência de adormecer: primeiro cochilamos e, depois, começamos a sonhar, entrando num mundo de imagens e fantasias que não corresponde à realidade.
Algo semelhante pode acontecer na vida espiritual. Por meio de Cristo, fomos despertados do sono do pecado e retirados das fantasias e ilusões para as quais fomos arrastados. A vigilância consiste, pois, em estarmos despertos com Jesus, sem nos envolvermos outra vez naquilo que nos afasta da realidade.
É justamente para permanecermos nessa disposição que devemos conservar acesa a nossa lâmpada, pedindo todos os dias a Deus o dom da fé. Afinal, ela não é uma realidade estática: pode e deve crescer enquanto estivermos neste mundo, em vez de continuar sempre da mesma forma.
À medida que cresce, a fé vai se unindo à caridade, e os rins cingidos nos recordam que ela precisa tornar-se operante: quanto maior for a nossa fé, maior será o desejo de servir ao Senhor, estar com Ele e unir-nos a Ele. Eis a chave do Evangelho de hoje: despertos pela fé e afastados das ilusões do mundo, somos chamados a servir e amar.
A parábola, então, conduz-nos a um desfecho surpreendente: quando o senhor chega, é ele quem se põe a servir os seus servos. Neste mundo, caminhamos na penumbra da fé e exercitamos a caridade por meio do serviço. Contudo, no momento em que chegar o Senhor, a noite dará lugar à plena luz e já não haverá necessidade da fé, porque estaremos com Ele no banquete da felicidade eterna, recebendo para sempre o seu amor.
© Leituras extraídas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.