22 de Junho de 2026
Naqueles dias, 5Salmanasar, rei da Assíria, invadiu todo o país. E, chegando a Samaria, sitiou-a durante três anos. 6No nono ano de Oseias, o rei da Assíria tomou Samaria e deportou os habitantes de Israel para a Assíria, estabelecendo-os em Hala e nas margens do Habor, rio de Gozã, e nas cidades da Média. 7Isso aconteceu porque os filhos de Israel pecaram contra o Senhor, seu Deus, que os tinha tirado do Egito, libertando-os da opressão do faraó, rei do Egito, porque tinham adorado outros deuses. 8Eles seguiram os costumes dos povos que o Senhor havia expulsado diante deles e as leis introduzidas pelos reis de Israel. 13O Senhor tinha advertido seriamente Israel e Judá por meio de todos os profetas e videntes, dizendo: “Voltai dos vossos maus caminhos e observai meus mandamentos e preceitos, conforme todas as leis que prescrevi a vossos pais e que vos comuniquei por intermédio de meus servos, os profetas”. 14Eles, porém, não prestaram ouvidos, mostrando-se tão obstinados como seus pais, que não tinham acreditado no Senhor, seu Deus. 15Desprezaram as suas leis e a aliança que tinha feito com seus pais, e os testemunhos com que os havia garantido. 18O Senhor indignou-se profundamente contra os filhos de Israel e rejeitou-os para longe da sua face, restando apenas a tribo de Judá.
Vossa mão nos ajude, ouvi-nos Senhor!
3 Rejeitastes, ó Deus, vosso povo †
e arrasastes as nossas fileiras; *
vós estáveis irado: voltai-vos! R.
4 Abalastes, partistes a terra, *
reparai suas brechas, pois treme.
5 Duramente provastes o povo, *
e um vinho atordoante nos destes. R.
11 Quem me leva à cidade segura, *
e a Edom quem me vai conduzir,12a se vós, Deus, rejeitais vosso povo *
e não mais conduzis nossas tropas? R.
b Dai-nos, Deus, vosso auxílio na angústia; *
nada vale o socorro dos homens!
13 Mas com Deus nós faremos proezas, *
e ele vai esmagar o opressor. R.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1“Não julgueis e não sereis julgados. 2Pois vós sereis julgados com o mesmo julgamento com que julgardes; e sereis medidos com a mesma medida com que medirdes. 3Por que observas o cisco no olho do teu irmão e não prestas atenção à trave que está no teu próprio olho? 4Ou como podes dizer ao teu irmão: ‘deixa-me tirar o cisco do teu olho’, quando tu mesmo tens uma trave no teu? 5Hipócrita, tira primeiro a trave do teu próprio olho e então enxergarás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão”.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 7, 1-5)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Não julgueis, e não sereis julgados. Pois, vós sereis julgados com o mesmo julgamento com que julgardes; e sereis medidos, com a mesma medida com que medirdes. Por que observas o cisco no olho do teu irmão, e não prestas atenção à trave que está no teu próprio olho? Ou, como podes dizer a teu irmão: ‘Deixa-me tirar o cisco do teu olho’, quando tu mesmo tens uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu próprio olho, e então enxergarás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão”.
Estando ainda no Sermão da Montanha, essa pérola preciosa do ensinamento de Cristo, iniciamos hoje o capítulo 7. No capítulo 6, Jesus nos apresentou os preceitos do Antigo Testamento, as leis enquanto tais. Agora, Ele começa a orientar como devem ser os nossos julgamentos.
Ora, nós temos de seguir leis, mas, para aplicá-las, é necessário que alguém julgue adequadamente. Por isso, Nosso Senhor nos adverte para que não tenhamos juízos precipitados. Podemos, sim, julgar os atos externos, mas é a Deus que cabe o juízo do coração, porque não temos acesso ao interior das pessoas. Portanto, em primeiro lugar, esta cautela: “Não julgueis, e não sereis julgados. Pois vós sereis julgados com o mesmo julgamento com que julgardes; e sereis medidos, com a mesma medida com que medirdes” (Mt 7, 1-2).
Jesus quer nos mostrar que temos uma tendência a sermos muito mais severos com os outros do que conosco. Cada um é o seu melhor advogado, não é verdade? Sempre temos uma desculpa para não ter cumprido o preceito, para não ter observado a lei, para não ter obedecido a Deus… Há sempre uma justificativa para nós; para os outros, não. Consigo mesmo, misericórdia; com os outros, severidade.
Logo, Cristo nos adverte para a hipocrisia presente nessa conduta. A palavra “hipócrita” significa “personagem” — vem de hypokrités, “aquele que usa uma máscara”. No entanto, o mais grave da hipocrisia não é a máscara que a pessoa cria para os outros, mas a máscara que cria para si mesma.
Muitas pessoas pensam que a hipocrisia e a vaidade acontecem apenas externamente, quando existe um observador do lado de fora. Porém, o verdadeiro drama não é quando alguém olha para nós e diz: “Nossa, como ele é santo!”, mas quando nós passamos a dizer: “Nossa, como sou santo!”.
Quando a hipocrisia é apenas uma falsidade diante dos outros, ela já é algo errado, mas, ao menos, ainda conservamos algum contato com a realidade e sabemos quem somos. A situação, contudo, torna-se bem mais séria quando a hipocrisia e a vaidade atingem o núcleo do coração, de modo que passamos a acreditar na mentira que contamos a nós mesmos. Nesse momento, deixamos o mundo real para trás.
É exatamente aí que está a raiz do julgamento do outro. Ao julgarmos os demais com extrema severidade, e a nós mesmos com leniência e misericórdia, nós nos esquecemos de quem somos. Desse modo, todo o nosso edifício espiritual deixa de subsistir.
Afinal, a vida espiritual é sempre um encontro: um encontro nosso com Deus e com o próximo. Porém, se nos afastamos da verdade sobre nós mesmos, esses encontros ficam comprometidos: afinal, como poderemos nos apresentar diante de Deus se já não enxergamos quem somos realmente?
Esse é o problema da hipocrisia. O hipócrita, que condena os outros e não enxerga o próprio pecado, é uma pessoa que perdeu o contato com a realidade, a qual, embora seja dolorosa, é libertadora. O próprio Jesus disse: “A Verdade vos libertará” (Jo 8, 32).
Por isso, antes de julgarmos os outros, observemos a nós mesmos e procuremos enxergar-nos com os olhos de Deus. Somente assim poderemos reconhecer humildemente quem somos e trilhar um caminho sincero de conversão.
© Leituras extraídas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.