Hoje – 22 de Setembro de 2026
1O coração do rei nas mãos do Senhor é como água corrente; ele o dirige para onde quer. 2O homem pensa que o seu caminho é sempre reto, mas é o Senhor quem sonda os corações. 3Praticar a justiça e o direito é mais agradável ao Senhor do que os sacrifícios. 4Olhar arrogante e coração orgulhoso, a lâmpada dos malvados não é senão o pecado. 5Os projetos do homem aplicado produzem abundância, mas todos os apressados só alcançam indigência. 6Tesouros adquiridos com língua mentirosa são ilusão passageira dos que procuram a morte. 10A alma do malvado deseja o mal, ele olha sem piedade para o seu próximo. 11Quando se castiga o zombador, aprende o imbecil, e quando o sábio é instruído, ele adquire mais saber. 12O justo observa a casa do ímpio e leva os ímpios à desgraça. 13Quem tapa os ouvidos ao clamor do pobre, também há de clamar, mas não será ouvido.
Guiai-me, Senhor, no caminho de vossos preceitos!
1 Feliz o homem sem pecado em seu caminho, *
que na lei do Senhor Deus vai progredindo! R.
27 Fazei-me conhecer vossos caminhos, *
e então meditarei vossos prodígios! R.
30 Escolhi seguir a trilha da verdade, *
diante de mim eu coloquei vossos preceitos. R.
34 Dai-me o saber, e cumprirei a vossa lei, *
e de todo o coração a guardarei. R.
35 Guiai meus passos no caminho que traçastes, *
pois só nele encontrarei felicidade. R.
44 Cumprirei constantemente a vossa lei; *
para sempre, eternamente a cumprirei! R.
Naquele tempo, 19a mãe e os irmãos de Jesus aproximaram-se, mas não podiam chegar perto dele, por causa da multidão. 20Então anunciaram a Jesus: “Tua mãe e teus irmãos estão aí fora e querem te ver”. 21Jesus respondeu: “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus, e a põem em prática”.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 8, 19-21)
Naquele tempo: A mãe e os irmãos de Jesus foram procurá-lo, mas não podiam chegar-se a ele por causa da multidão. Foi-lhe avisado: “Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e desejam ver-te”. Ele lhes disse: “Minha mãe e meus irmãos são estes, que ouvem a palavra de Deus e a observam”.
No Evangelho de hoje, vemos a Virgem Maria à procura de seu Filho, e, ao ser avisado disso, Jesus faz uma afirmação um tanto desconcertante: “Minha mãe e meus irmãos são estes, que ouvem a palavra de Deus e a observam” (Lc 8, 21). Esse desconcerto, porém, desaparece quando conhecemos verdadeiramente a fé da Igreja.
Há séculos, este mesmo Evangelho, que à primeira vista parece uma passagem em que Jesus deixa sua Mãe de lado, foi escolhido pela Igreja para as Missas celebradas em honra a Nossa Senhora. E existe uma razão profunda para isso: nós cremos que ela merece ser honrada não somente por ser a Mãe biológica de Cristo, mas, sobretudo, pela sua fé e pelo modo extraordinário como correspondeu à Palavra de Deus.
É verdade que ficamos enternecidos ao contemplar o relacionamento entre Jesus e Maria como uma relação entre mãe e filho, porque todos nós conseguimos nos identificar com essa realidade. No entanto, para compreendermos o amor da Virgem Maria por Jesus — e, portanto, de Jesus por sua Mãe —, é necessário antes entendermos de que maneira uma mãe deve amar o seu filho.
Não existe virtude, por si só, no amor de uma mãe por seu filho, porque esse amor está inscrito em sua própria carne. Logo, há uma inclinação natural para esse cuidado, mas isso não quer dizer que essa relação entre mãe e filho seja pecaminosa, e sim que, deixada apenas ao instinto materno, ela ainda não constitui uma virtude.
Um amor pecaminoso seria aquele em que amamos alguém apenas pelo prazer que essa pessoa nos proporciona, pelo dinheiro que possui ou pela vanglória que pode nos oferecer. O amor natural da mãe pelo filho, ao contrário, é uma realidade neutra, para além da qual, como bons cristãos, somos chamados a nos elevar, atingindo um nível superior de amor.
E como uma mãe cristã deve amar o seu filho para que esse amor seja virtuoso? Querendo a salvação de sua alma, amando-o em Deus e desejando que ele se una ao Senhor. É assim que começamos verdadeiramente a amar uma pessoa. Contudo, muitas vezes, encontramos amores maternos deslocados. Uma mãe pode querer fazer de tudo para que o filho não sofra nem passe por dificuldades, sem perceber que essa espécie de “espiritualidade analgésica” pode torná-lo cada vez mais egoísta e levá-lo a se perder. Amar, portanto, não significa simplesmente poupar o outro de todo sofrimento: significa querer para ele aquilo que o conduz a Deus.
É nesse sentido que Nosso Senhor declara: “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática”. Ouvimos, há poucos dias, a parábola do semeador, que também nos ensinava como a Palavra precisa ser acolhida. Agora, Jesus nos revela algo ainda mais profundo: quando a recebemos verdadeiramente, ela nos torna parentes de Deus.
Somos, assim, elevados para além da simples realidade carnal. No Antigo Testamento, Deus escolheu um povo, os filhos de Abraão, unidos por uma descendência segundo a carne. Entretanto, com a Igreja, essa filiação passa a se dar pela fé, mediante o acolhimento sincero da Palavra de Deus.
Precisamos, pois, transmitir aos nossos filhos a vida do Céu, uma vez que a vida carnal, um dia, irá apodrecer no túmulo. Jesus amou sua Mãe não só porque ela lhe deu a sua carne, mas também porque ela tinha fé e deu-lhe um amor tão extraordinário que, na pequena casa de Nazaré, Nosso Senhor era cultuado com uma devoção mais elevada do que a dos próprios serafins no Céu. Nem mesmo a corte celeste dos anjos, honrando a Santíssima Trindade, ofereceu ao nosso Redentor o culto sublime que Ele recebeu da Virgem Santíssima em Nazaré — porque, ao receber a Palavra de Deus com imensa fé, ela muito amou.
© Leituras extraídas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.