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Liturgia Diária

Acompanhe a leitura do dia e também a Homilia do Padre Paulo Ricardo.
5ª feira da 29ª Semana do Tempo Comum

Hoje – 22 de Outubro de 2026

Primeira Leitura
Leitura da carta de São Paulo aos EfésiosEf 3,14-21

Irmãos, 14eu dobro os joelhos diante do Pai, 15de quem toda e qualquer família recebe seu nome no céu e sobre a terra. 16Que ele vos conceda, segundo a riqueza da sua glória, serdes robustecidos, por seu Espírito, quanto ao homem interior; 17que ele faça habitar, pela fé, Cristo em vossos corações; que estejais enraizados e fundados no amor. 18Tereis assim a capacidade de compreender, com todos os santos, qual a largura, o comprimento, a altura, a profundidade, 19e de conhecer o amor de Cristo, que ultrapassa todo conhecimento, a fim de que sejais cumulados até receber toda a plenitude de Deus. 20Àquele que tudo pode realizar superabundantemente, e muito mais do que nós pedimos ou concebemos, e cujo poder atua em nós, 21a ele a glória, na Igreja e em Jesus Cristo, por todas as gerações, para sempre. Amém.

Salmo Responsorial
Transborda em toda a terra a bondade do Senhor!Sl 32(33),1-2.4-5.11-12.18-19

Transborda em toda a terra a bondade do Senhor!

1 Ó justos, alegrai-vos no Senhor! *
aos retos fica bem glorificá-lo.
2 Dai graças ao Senhor ao som da harpa, *
na lira de dez cordas celebrai-o! R.

4 Pois reta é a palavra do Senhor, *
e tudo o que ele faz merece fé.
5 Deus ama o direito e a justiça, *
transborda em toda a terra a sua graça. R.

11 Mas os desígnios do Senhor são para sempre, †
e os pensamentos que ele traz no coração, *
de geração em geração, vão perdurar.
12 Feliz o povo cujo Deus é o Senhor, *
e a nação que escolheu por sua herança! R.

18 Mas o Senhor pousa o olhar sobre os que o temem, *
e que confiam esperando em seu amor,
19 para da morte libertar as suas vidas *
e alimentá-los quando é tempo de penúria. R.

Evangelho
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo LucasLc 12,49-53

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 49“Eu vim para lançar fogo sobre a terra e como gostaria que já estivesse aceso! 50Devo receber um batismo e como estou ansioso até que isso se cumpra! 51Vós pensais que eu vim trazer a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer divisão. 52Pois daqui em diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas contra duas e duas contra três; 53ficarão divididos o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, a sogra contra a nora e a nora contra a sogra”.

Meditação
O fogo do amor destrói o homem velho

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 12, 49-53)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! Devo receber um batismo, e como estou ansioso até que isto se cumpra! Vós pensais que eu vim trazer a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer divisão. Pois, daqui em diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas contra duas e duas contra três; ficarão divididos: o pai contra o filho e o filho contra o pai; a mãe contra a filha e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora e a nora contra a sogra.”

No Evangelho de hoje, Jesus pronuncia palavras que, à primeira vista, podem parecer enigmáticas. Ele fala de um fogo que deseja acender sobre a terra, de um Batismo pelo qual deve passar e da ansiedade com que aguarda o cumprimento de sua missão. Nessas imagens, encontramos o objetivo de sua vinda: Cristo veio atear em nossos corações o fogo de seu amor, o fogo do Espírito Santo.

Esse fogo, porém, não representa um amor meramente sentimental, destinado apenas a aquecer os nossos corações. Trata-se de um fogo purificador, capaz de destruir o homem velho que existe em nós. Assim como o ouro precisa ser acrisolado e purificado, também precisamos passar por uma transformação para sermos capazes de oferecer a Deus o amor que Ele espera de nós.

Nesse sentido, compreendemos a ansiedade manifestada por Jesus — inclusive, no original grego, a palavra empregada transmite a ideia de aperto, de algo que o impele. Cristo deseja passar pela Cruz ardentemente, porque é por meio de sua entrega que esse fogo poderá ser aceso em nossos corações.

De certa forma, essa missão já havia sido prefigurada pelo profeta Elias. Cheio de zelo pelo Senhor, ele também agiu com pressa, enfrentando os profetas de Baal e combatendo a idolatria. Então, ao eliminar aquilo que se opunha ao verdadeiro culto a Deus, Elias pôde, movido pelo Espírito Santo, oferecer-lhe o verdadeiro amor.

Esse mesmo fogo purificador faz parte do projeto de Cristo para cada um de nós. À medida que somos tomados por seu amor, o homem velho vai morrendo dentro de nós e nos tornamos capazes de segui-lo. Entretanto, a partir dessa transformação, surge um aspecto surpreendente do Evangelho: a divisão. “Vós pensais que eu vim trazer a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer divisão” (Lc 12, 51). 

Mas como Jesus, que deseja a nossa comunhão e quer reunir-nos como uma família no Céu, fala sobre divisão? A resposta está em nossa união com Ele. O fogo aceso em nosso coração exige uma passagem, uma verdadeira páscoa: morrer para ressurgir, e a pessoa que passa por essa mudança torna-se cada vez mais unida a Cristo. Por isso, ela acaba se distanciando do modo de viver daqueles que permanecem presos ao espírito mundano, ao egoísmo e à recusa do amor. É evidente que não desejamos essa separação; pelo contrário, queremos que essas pessoas se aproximem de Jesus e participem dessa mesma comunhão. Contudo, nem todos aceitam o convite, e é daí que surge a divisão anunciada.

Tomados pelo fogo do amor de Cristo e passando por esse Batismo, somos chamados a entrar em profunda comunhão com Ele, a ponto de dizermos: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20). Essa união inevitavelmente nos separa daquilo que pertence ao mundo, mas Jesus tem pressa de que essa transformação aconteça dentro de nós: “Como estou ansioso até que isto se cumpra!” (Lc 12, 50).

Por isso, não podemos ficar esperando, mas precisamos corresponder ao desejo de Jesus Cristo o mais rápido possível, acolhendo esse fogo purificador, que nos leva à conversão e a viver em plena comunhão com o Senhor.

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