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Liturgia Diária

Acompanhe a leitura do dia e também a Homilia do Padre Paulo Ricardo.
Domingo de Pentecostes, Solenidade

24 de Maio de 2026

Primeira Leitura
Leitura dos Atos dos ApóstolosAt 2, 1-11

1Quando chegou o dia de Pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. 2De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam. 3Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. 4Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava. 5Moravam em Jerusalém judeus devotos, de todas as nações do mundo. 6Quando ouviram o barulho, juntou-se a multidão, e todos ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua. 7Cheios de espanto e admiração, diziam: “Esses homens que estão falando não são todos galileus? 8Como é que nós os escutamos na nossa própria língua? 9Nós que somos partos, medos e elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, 10da Frígia e da Panfília, do Egito e da parte da Líbia próxima de Cirene, também romanos que aqui residem; 11judeus e prosélitos, cretenses e árabes, todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus na nossa própria língua!”

Salmo Responsorial
Enviai o vosso Espírito, Senhor, e da terra toda a face renovai.Sl 103(104),1-2a.24.35c.27-28.29bc-30

Enviai o vosso Espírito, Senhor,
e da terra toda a face renovai.
Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

1 Bendize, ó minha alma, ao Senhor! *
Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande!
2a De majestade e esplendor vos revestis *
e de luz vos envolveis como num manto. R.

24 Quão numerosas, ó Senhor, são vossas obras, *
e que sabedoria em todas elas!
Encheu-se a terra com as vossas criaturas. *
35c Bendize, ó minha alma, ao Senhor! R.

27 Todos eles, ó Senhor, de vós esperam *
que a seu tempo vós lhes deis o alimento;
28 vós lhes dais o que comer e eles recolhem, *
vós abris a vossa mão e eles se fartam. R.

29bc Se tirais o seu respiro, eles perecem *
e voltam para o pó de onde vieram;
30 enviais o vosso espírito e renascem *
e da terra toda a face renovais. R.

Segunda Leitura
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios1Cor 12, 3b-7. 12-13

Irmãos: 3bNinguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo. 4Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. 5Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. 6Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos. 7A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum. 12Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo. 13De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito.

Evangelho
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo JoãoJo 20, 19-23

19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. 20Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor.21Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. 22E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”.

Meditação
O Espírito Santo supera os erros deste mundo

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 20, 19-23)

Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”.

Celebramos neste domingo a solenidade de Pentecostes, o dia em que o Espírito Santo foi derramado sobre os Apóstolos reunidos no Cenáculo com Maria, a Mãe do Senhor. Cinquenta dias após a Ressurreição de Cristo, a Igreja nasce publicamente pela força do Espírito e inicia sua missão no mundo.

Para compreender a importância de Pentecostes, precisamos entender antes por que temos necessidade do Espírito Santo. A resposta pode ser resumida numa frase: somente pelo Espírito Santo podemos participar da própria vida de Deus. Para explicar essa verdade, é importante nos precavermos contra dois erros muito comuns que deturpam nossa compreensão da realidade.

O primeiro erro é o materialismo, visão segundo a qual só o que existe é a matéria. Tudo, em última análise, reduz-se à energia, organização biológica, processos físico-químicos etc. Não haveria, portanto, nem alma nem espírito, nem verdade eterna nem sentido transcendente. O homem seria apenas um organismo mais, certamente complexo, mas destinado, no fim das contas, à decomposição.

Essa mentalidade, que permeia toda a cultura contemporânea, tem consequências dramáticas. Ensina-se às novas gerações que a felicidade consiste em satisfazer necessidades materiais: prazer, conforto, consumo, sucesso, experiências sensíveis. No entanto, o coração humano permanece vazio. Por isso vemos tantas pessoas cercadas de bens, mas mergulhadas na tristeza, na ansiedade e no desespero.

A razão é simples. O ser humano foi criado para algo maior. As realidades mais importantes — o amor, a verdade, o sentido da vida — não podem ser medidas, pesadas ou tocadas. O coração humano pede o eterno, e nenhuma realidade material é capaz de satisfazê-lo plenamente.

O segundo erro é o panteísmo. Se o materialismo afirma que tudo é matéria, o panteísmo afirma que tudo é divino, ou seja, Deus e o universo seriam uma única realidade. Nós seríamos como pequenas “porções” de uma grande divindade universal.

Isso, ao menos à primeira vista, pode até parecer espiritual, mas no fundo conduz ao mesmo vazio do materialismo. Afinal, se, ao fim e ao cabo, o “eu” se dissolve numa espécie de “todo divino”, então ele deixa de existir como pessoa. Não há verdadeira salvação numa dissolução panteística da própria identidade. Quer reduzidos à matéria, quer dissolvidos num “espírito universal”, o resultado para nós é sempre o mesmo: o desaparecimento da pessoa humana.

A fé católica supera esses dois extremos. Deus não é matéria, nem o universo é Deus. Há uma distinção infinita entre o Criador e a criatura. Deus é eterno, perfeitíssimo e infinitamente feliz em si mesmo. Ele, sendo um só em natureza, é trino em pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Deus é, numa palavra, comunhão eterna de amor.

Ora, foi esse Deus quem livremente decidiu nos criar, a fim de participarmos de sua própria felicidade. Mas como uma criatura, limitada por definição, poderia participar da vida e felicidade divinas? Como transpor o abismo entre Deus e o homem?

A resposta é: por meio de Jesus Cristo. O Filho eterno de Deus se fez homem no tempo. Sem deixar de ser o que era, assumiu o que não era. Em Jesus Cristo, as naturezas divina e humana estão unidas, sem confusão nem separação, numa só Pessoa. Por isso Ele é, por excelência, a ponte entre o Céu e a terra, o único e verdadeiro Pontífice que reconcilia com Deus Pai a humanidade, ferida pelo pecado de Adão.

Entretanto, resta ainda uma pergunta. Como nós nos unimos a Cristo? Aqui entra o mistério de Pentecostes. O Espírito Santo é derramado sobre a Igreja para nos unir a Jesus e configurar o nosso coração ao dele. E assim como a alma mantém unidas as partes que constituem um só corpo, assim o Espírito Santo, que é a alma da Igreja, nos mantém unidos, misteriosa mas realmente, a Cristo como membros à cabeça.

Por isso, as orações litúrgicas repetem com frequência: “Na unidade do Espírito Santo”. É o Espírito quem nos une a Deus Pai por meio do Filho encarnado. A grande obra do Espírito Santo é conformar-nos a Jesus, iluminando-nos a inteligência pela fé e inflamando-nos o coração pela caridade. Daí que o primeiro sinal da presença do Espírito Santo na alma seja o amor a Jesus.

Tornou-se costume falar de amor ao próximo sem fazer qualquer referência ao que o fundamenta, que é o do amor a Deus. Ora, a verdadeira caridade não pode nascer senão do amor sobrenatural a Nosso Senhor. Amamos o próximo, numa palavra, porque amamos a Cristo e, vendo a Cristo no próximo, queremos servi-lo nele.

Nesse sentido, a solenidade de Pentecostes não é mera recordação de um acontecimento passado. Trata-se de uma realidade viva, na medida em que o Espírito Santo continua sendo derramado sobre a Igreja e sobre as almas por Ele justificadas. Por isso, convém-nos pedir neste domingo uma renovação profunda da graça recebida no Batismo e na Crisma. O Espírito Santo já habita na alma de quem vive em estado de graça, é verdade; mas é necessário abrir cada vez mais o coração à sua ação transformadora.

O Espírito vem de modo especial aos humildes, razão por que a liturgia o chama de Pater pauperum, “Pai dos pobres”, isto é, daqueles que reconhecem sua indigência e, por isso mesmo, sua radical necessidade de Deus; daqueles, enfim, que tem o coração vazio de orgulho e de egoísmo e, por isso, capaz de ser preenchido pela graça e pelo amor divino.

Peçamos, pois, com humildade e confiança: “Vinde, Espírito Santo”. Que Ele aumente em nós a fé, fortaleça nossa união com Cristo e faça crescer em nosso coração o amor verdadeiro, que só o Céu pode nos dar.

A finalidade da vida cristã — lembremos por último — não é só melhorar moralmente nem alcançar certo equilíbrio emocional. O fim último do homem é muito maior: participar, nesta vida pela graça e na outra pela glória, da própria vida de Deus. E isso só é possível por Cristo, com Cristo e em Cristo, na unidade do Espírito Santo.

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