Buscando...

Digite pelo menos 2 caracteres para pesquisar

Liturgia Diária

Acompanhe a leitura do dia e também a Homilia do Padre Paulo Ricardo.
5ª feira da 25ª Semana do Tempo Comum

Hoje – 24 de Setembro de 2026

Primeira Leitura
Leitura do Livro do EclesiastesEcl 1,2-11

2“Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, vaidade das vaidades! Tudo é vaidade.” 3Que proveito tira o homem de todo trabalho com o qual se afadiga debaixo do sol? 4Uma geração passa, outra lhe sucede, enquanto a terra permanece sempre a mesma. 5O sol se levanta, o sol se deita, apressando-se para voltar ao seu lugar, donde novamente torna a levantar-se. 6Dirigindo-se para o sul e voltando para o norte, ora para cá, ora para lá, vai soprando o vento, para retomar novamente o seu curso. 7Todos os rios correm para o mar e, contudo, o mar não transborda; voltam ao lugar de onde saíram para tornarem a correr. 8Tudo é penoso, difícil para o homem explicar. A vista não se cansa de ver nem o ouvido se farta de ouvir. 9O que foi, será; o que aconteceu, acontecerá: 10não há nada de novo debaixo do sol. Uma coisa da qual se diz: “Eis aqui algo de novo”, também esta já existiu nos séculos que nos precederam. 11Não há memória do que aconteceu no passado nem também haverá lembrança do que acontecer, entre aqueles que viverão depois.

Salmo Responsorial
Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós.Sl 89(90),3-4.5-6.12-13.14 e 17

Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós.

3 Vós fazeis voltar ao pó todo mortal,*
quando dizeis: "Voltai ao pó, filhos de Adão!"
4 Pois mil anos para vós são como ontem,*
qual vigília de uma noite que passou. R.

5 Eles passam como o sono da manhã,*
6 são iguais à erva verde pelos campos:
De manhã ela floresce vicejante,*
mas à tarde é cortada e logo seca. R.

12 Ensinai-nos a contar os nossos dias,*
e dai ao nosso coração sabedoria!
13 Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis?
Tende piedade e compaixão de vossos servos! R.

14 Saciai-nos de manhã com vosso amor,*
e exultaremos de alegria todo o dia!
17 Que a bondade do Senhor e nosso Deus †
repouse sobre nós e nos conduza!*
Tornai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho. R.

Evangelho
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo LucasLc 9,7-9

Naquele tempo, 7o tetrarca Herodes ouviu falar de tudo o que estava acontecendo e ficou perplexo, porque alguns diziam que João Batista tinha ressuscitado dos mortos. 8Outros diziam que Elias tinha aparecido; outros, ainda, que um dos antigos profetas tinha ressuscitado. 9Então Herodes disse: “Eu mandei degolar João. Quem é esse homem sobre quem ouço falar essas coisas?” E procurava ver Jesus.

Meditação
Curiosidade, a desordem do conhecer

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 9, 7-9)

Naquele tempo, o tetrarca Herodes ouviu falar de tudo o que estava acontecendo, e ficou perplexo, porque alguns diziam que João Batista tinha ressuscitado dos mortos. Outros diziam que Elias tinha aparecido; outros ainda, que um dos antigos profetas tinha ressuscitado. Então Herodes disse: “Eu mandei degolar João. Quem é esse homem, sobre quem ouço falar essas coisas?” E procurava ver Jesus.

No Evangelho de hoje, vemos que Herodes procura ver Jesus, admirado pelas coisas que ouviu falar sobre Ele. Entretanto, existem diferentes formas de buscarmos o conhecimento das coisas: através do desejo virtuoso de conhecer a Verdade, e através do desvio desse desejo, que chamamos de curiosidade.

O ser humano possui algo que os animais não têm: uma verdadeira sede de conhecimento. Nenhum animal é capaz, por exemplo, de passar horas na internet indo de um site para outro, de ficar zapeando os canais da televisão sem parar em lugar nenhum, ou ainda de percorrer vitrines de lojas sem comprar coisa alguma. Somente o homem pode deixar-se levar por esse desejo desmedido de conhecer as coisas sem chegar a conhecê-las profundamente. A pessoa ordenada e virtuosa, ao contrário, sabe orientar essa sede de conhecimento para aquilo que realmente merece ser conhecido.

Assim como existe em nós o desejo legítimo de comer e beber, que pode se desordenar na gula e no alcoolismo, ou assim como existe o desejo sexual, que também pode ser desvirtuado por meio da luxúria, existe igualmente uma vontade de conhecer que é boa, criada por Deus e inserida no coração do homem. No entanto, uma vez desordenada, ela pode se degenerar numa curiosidade pouco sadia.

Isso nos mostra que a curiosidade é, antes de tudo, uma desordem da alma. Quando dizemos que os animais não possuem essa sede, queremos dizer que não existe neles uma demanda por conhecer a Verdade. Eles buscam alimento, bebida e reprodução — e esses impulsos também estão presentes no ser humano —, mas não procuram a Verdade — diferente do homem, no qual há essa sede que ultrapassa as necessidades do corpo e pertence à sua alma. É por esse motivo que o salmista nos recorda: “A minha alma tem sede de Deus”.

Herodes também tinha uma alma — embora tantas vezes, em sua corte, ele se comportasse como um animal — e, portanto, trazia dentro de si essa sede. Sua alma queria conhecer o Deus vivo, mas esse desejo, desordenado, acabou por degradar-se em mera curiosidade. No filme “A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson, essa realidade aparece muito bem retratada na figura de Herodes: em meio a uma corte devassa, ele entra às pressas, colocando a peruca na cabeça e procurando por Jesus: “Onde está? Onde está?”. Existe nele um desejo inquietante de ver Nosso Senhor, mas não a disposição de verdadeiramente conhecê-lo.

Logo, Herodes queria vê-lo como quem procura conhecer um novo álbum de música ou um novo episódio de uma novela, satisfazendo por alguns instantes a vontade de encontrar uma novidade. É essa a diferença fundamental: sua alma possuía sede de Deus, mas ele não estava disposto a ordenar essa sede para um verdadeiro encontro com Cristo.

Contudo, Jesus é a Verdade que, no fundo, todos nós procuramos, mas que muitas vezes não queremos encontrar, porque não estamos dispostos a pagar o seu preço. Desse modo, acabamos agindo como Herodes, que não queria conhecer Jesus profundamente porque encontrar-se com Ele significaria confrontar a própria vida com a Verdade.

Sim, a Verdade de Cristo liberta, mas ninguém prometeu que ela seria agradável. Ela dói, pois nos revela que já não podemos continuar vivendo como se não a conhecêssemos. Herodes, por exemplo, teria de mudar a sua vida pelo avesso, abandonar todo o seu estilo de vida e deixar-se transformar por Aquele que estava diante dele, mas esse infeliz tetrarca não estava disposto a pagar o preço.

Também nós trazemos na alma essa sede de conhecer: resta saber se iremos desperdiçá-la numa sucessão interminável de curiosidades ou orientá-la para aquilo que pode realmente saciá-la. Afinal, não basta querer “ver” Jesus como Herodes quis vê-lo, movidos apenas pelo desejo de conhecer mais uma novidade. Conhecer verdadeiramente a Cristo significa estar disposto a encontrar Aquele que é a Verdade e, ainda que ela exija de nós uma mudança de vida, permitir que nos transforme por inteiro.

Escolher data
Janeiro 2024

Junte-se a nós!

Receba novos artigos, vídeos e lançamentos de cursos diretamente em seu e-mail.