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Liturgia Diária

Acompanhe a leitura do dia e também a Homilia do Padre Paulo Ricardo.
Sábado da 25ª Semana do Tempo Comum

Hoje – 26 de Setembro de 2026

Primeira Leitura
Leitura do Livro do EclesiastesEcl 11, 9-12, 8

11,9Alegra-te, jovem, na tua adolescência, e que o teu coração repouse no bem nos dias da tua juventude; segue as aspirações do teu coração e os desejos dos teus olhos; fica sabendo, porém, que de tudo isso Deus te pedirá contas. 10Tira a tristeza do teu coração, e afasta a malícia do teu corpo, pois a adolescência e a juventude são vaidade.12,1Lembra-te do teu Criador nos dias da juventude, antes que venham os dias da desgraça e cheguem os anos dos quais dirás: “Não sinto prazer neles”; 2 — antes que se obscureçam o sol, a luz, a lua e as estrelas, e voltem as nuvens depois da chuva; 3quando os guardas da casa começarem a tremer, e se curvarem os homens robustos; quando as poucas mulheres cessarem de moer, e ficarem turvas as vistas das que olham pelas janelas 4e se fecharem as portas que dão para a rua; quando enfraquecer o ruído do moinho, e os homens se levantarem ao canto dos pássaros, e silenciarem as vozes das canções, 5e houver medo das alturas e sobressaltos no caminho, enquanto a amendoeira floresce, o gafanhoto se arrasta e a alcaparra perde o seu gosto, porque o homem se encaminha para a morada eterna, e os que choram já rondam pelas ruas; 6— antes que se rompa o cordão de prata e se despedace a taça de ouro, a jarra se parta na fonte, a roldana se arrebente no poço, 7— antes que volte o pó à terra, de onde veio, e o sopro de vida volte a Deus que o concedeu. 8Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, tudo é vaidade.

Salmo Responsorial
Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós.Sl 89(90),3-4.5-6.12-13.14 e 17 [1]

Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós.

3 Vós fazeis voltar ao pó todo mortal,*
quando dizeis: "Voltai ao pó, filhos de Adão!"
4 Pois mil anos para vós são como ontem,*
qual vigília de uma noite que passou. R.

5 Eles passam como o sono da manhã,*
6 são iguais à erva verde pelos campos:
De manhã ela floresce vicejante,*
mas à tarde é cortada e logo seca. R.

12 Ensinai-nos a contar os nossos dias,*
e dai ao nosso coração sabedoria!
13 Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis?*
Tende piedade e compaixão de vossos servos! R.

14 Saciai-nos de manhã com vosso amor,*
e exultaremos de alegria todo o dia!
17 Que a bondade do Senhor e nosso Deus †
repouse sobre nós e nos conduza!*
Tornai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho. R.

Evangelho
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo LucasLc 9, 43b-45

Naquele tempo, 43btodos estavam admirados com todas as coisas que Jesus fazia. Então Jesus disse a seus discípulos: 44“Prestai bem atenção às palavras que vou dizer: O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens”. 45Mas os discípulos não compreendiam o que Jesus dizia. O sentido lhes ficava escondido, de modo que não podiam entender; e eles tinham medo de fazer perguntas sobre o assunto.

Meditação
O poder de Deus no aparente fracasso

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 9, 43b-45)

Naquele tempo, como todos se admirassem de tudo o que Jesus fazia, disse ele a seus discípulos: “Gravai nos vossos corações estas palavras: O Filho do homem há de ser entregue às mãos dos homens!” Eles, porém, não entendiam esta palavra e era-lhes obscura, de modo que não alcançaram o seu sentido; e tinham medo de lhe perguntar a este respeito.

O Evangelho de hoje nos apresenta o segundo anúncio da Paixão de Cristo, como é relatado por São Lucas: “O Filho do homem há de ser entregue às mãos dos homens!” (Lc 9, 44). Jesus nem sequer fala da Ressurreição, de tão breve que é o anúncio. No entanto, os discípulos não compreendem suas palavras, ficam perplexos diante dessa realidade e têm medo de perguntar ao Mestre o que aquilo quer dizer.

Por que isso acontece? Para interpretarmos verdadeiramente esta passagem, é interessante avançarmos até o último capítulo do Evangelho de São Lucas — capítulo 24 —, quando Jesus aparece aos dois discípulos de Emaús. Eles se encontram diante da mesma situação dos discípulos do Evangelho de hoje: não compreendem a Paixão de Cristo. Ambos esperavam que Jesus fosse Aquele que viria libertar Israel, mas “já era o terceiro dia desde que todas aquelas coisas haviam acontecido” e, tristes e cabisbaixos, eles seguiam seu caminho.

No entanto, foi nesse contexto de tristeza que Jesus se aproximou deles e disse: “Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram!” (Lc 24, 25). Os discípulos não percebiam que Nosso Senhor deveria morrer na Cruz porque interpretavam as profecias de maneira incompleta: recordavam-se daquelas que anunciavam o Messias, o Ungido de Deus, mas se esqueciam das que apresentavam a figura do Servo Sofredor. Não se tratava, porém, de realidades distintas, mas do mesmo mistério profetizado e contemplado sob dois aspectos: Cristo é o Messias glorioso e, ao mesmo tempo, o Servo que assume sobre si o sofrimento para a nossa redenção. Por isso, Jesus lhes explica: “Não era necessário que o Cristo sofresse tudo isso para entrar na sua glória?” (Lc 24, 26).

Para nós, porém, esta frase não é tão óbvia quanto parece. É evidente que nós tenhamos de sofrer para entrar na glória do Céu; mas por que Jesus deveria sofrer? Afinal, que mal fez Ele para merecer o sofrimento? Ora, Cristo é infinitamente perfeito, mas o seu sofrimento era necessário para unir-se a nós e ser Aquele que sofre conosco e se compadece de nós. Logo, aquilo que parece ser uma impotência de Deus e que, aos nossos olhos, apresenta-se como uma fragilidade, na verdade manifesta o grande poder de Deus de se esconder no fracasso e de permanecer presente quando tudo parece ter dado errado.

É justamente para essa realidade que o Evangelho de hoje nos convida a voltar o olhar: para a presença de Deus nas misérias e nas cruzes do nosso dia a dia. São Máximo, o Confessor, que certamente seguia a tradição dos monges gregos de clamar continuamente pela misericórdia de Deus — “Kyrie eleison, Kyrie eleison, Kyrie eleison” —, dizia: “Os idiotas pedem a misericórdia de Deus o dia inteiro — Kyrie eleison —, mas, quando ela se manifesta, não conseguem reconhecê-la”.

Também nós precisamos aprender a reconhecer que a misericórdia de Deus, muitas vezes, esconde-se na tristeza, no fracasso, na doença e na morte. Afinal, a Ressurreição está sempre escondida atrás da Cruz. Por isso, façamos como os discípulos de Emaús e meditemos a Palavra de Deus. Enquanto caminhavam com Jesus, seus corações ardiam e, pouco a pouco, seus olhos se abriram, e eles puderam enxergá-lo onde antes não queriam procurá-lo: no sofrimento e na dor. Era Ele o tempo todo. Era Ele, triunfante, embora aparentemente derrotado.

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