Hoje – 29 de Setembro de 2026
9Eu continuava olhando, até que foram colocados uns tronos, e um ancião de muitos dias aí tomou lugar. Sua veste era branca como neve e os cabelos da cabeça, como lã pura; seu trono eram chamas de fogo, e as rodas do trono, como fogo em brasa. 10Derramava-se aí um rio de fogo que nascia diante dele; serviam-no milhares de milhares, e milhões de milhões assistiam-no ao trono; foi instalado o tribunal, e os livros foram abertos. 13Continuei insistindo na visão noturna, e eis que, entre as nuvens do céu, vinha um como filho de homem, aproximando-se do Ancião de muitos dias, e foi conduzido à sua presença. 14Foram-lhe dados poder, glória e realeza, e todos os povos, nações e línguas o serviam: seu poder é um poder eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não se dissolverá.
Perante os vossos anjos vou cantar-vos, ó Senhor!
1 Ó Senhor, de coração eu vos dou graças, *
porque ouvistes as palavras dos meus lábios!
Perante os vossos anjos vou cantar-vos *2a e ante o vosso templo vou prostrar-me. R.
2b Eu agradeço vosso amor, vossa verdade, *2c porque fizestes muito mais que prometestes;
3 naquele dia em que gritei, vós me escutastes *
e aumentastes o vigor da minha alma. R.
4 Os reis de toda a terra hão de louvar-vos, *
quando ouvirem, ó Senhor, vossa promessa.
5 Hão de cantar vossos caminhos e dirão: *
"Como a glória do Senhor é grandiosa!" R.
Naquele tempo, 47Jesus viu Natanael, que vinha para ele, e comentou: “Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade”. 48Natanael perguntou: “De onde me conheces?” Jesus respondeu: “Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi”. 49Natanael respondeu: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o rei de Israel”. 50Jesus disse: “Tu crês porque te disse: ‘Eu te vi debaixo da figueira’? Coisas maiores que essa verás!” 51E Jesus continuou: “Em verdade, em verdade, eu vos digo, vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 1, 47-51)
Naquele tempo, Jesus viu Natanael que vinha para ele e comentou: “Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade”. Natanael perguntou: “De onde me conheces?” Jesus respondeu: “Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi”. Natanael respondeu: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel”. Jesus disse: “Tu crês porque te disse: “‘Eu te vi debaixo da figueira’? Coisas maiores que esta verás!” E Jesus continuou: “Em verdade, em verdade eu vos digo: Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”.
Celebramos hoje, com muita alegria, a Festa dos Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael. Qual é a missão dos Anjos em nossas vidas? Nestes dias, estamos acompanhando, no Evangelho de São Lucas, a viagem de Jesus para Jerusalém, que representa também a nossa própria passagem por esta terra em direção ao Céu. Contudo, esse caminho é marcado por perigos e combates e, por isso, Deus nos envia seus mensageiros, os Santos Anjos, para nos auxiliarem nesta páscoa da vida terrena à pátria celeste.
Assim como havia um Anjo que acompanhava e guardava o povo de Israel em sua caminhada pelo deserto, cada um de nós possui um Anjo da guarda individual — como recordaremos especialmente no dia 2 de outubro. Ao lado deles, existem os Arcanjos, cuja missão é mais ampla e volta-se para o povo de Deus. Logo, eles desempenham uma missão que não diz respeito somente à nossa salvação individual, mas ao bem e à salvação de todos os fiéis.
Na primeira leitura de hoje, uma das opções propostas pela liturgia apresenta a batalha no Céu narrada pelo Apocalipse, na qual São Miguel aparece à frente da milícia celeste e trava o combate contra Satanás. É interessante notar, porém, que, dentro dos coros angélicos, São Miguel não ocupa uma das posições mais elevadas. Nas nove hierarquias dos Anjos, os Arcanjos constituem o penúltimo coro, acima somente dos Anjos. Podemos, então, nos perguntar: por que São Miguel, que não pertence aos coros mais elevados, é justamente aquele que conduz a batalha no Céu contra Satanás, um Anjo muito mais poderoso do que ele?
Segundo a Tradição da Igreja, São Miguel pôde ser instrumento de Deus e despertar os demais Anjos em meio àquela batalha espiritual por causa de sua humildade. Seu próprio nome, Mikha’el — “Quem como Deus?” —, é uma profissão de fé e, ao mesmo tempo, um ato de humildade.
Quem é como Deus? Ninguém. Lúcifer pode ser grande e poderoso, mas quem é como Deus? Por esse motivo, a espada que vemos nas imagens de São Miguel pode ser compreendida como a espada da humildade: é com ela que o Arcanjo abate Satanás. Embora este seja muito superior a Miguel quanto à natureza angélica, São Miguel, por sua humildade, tornou-se instrumento de Deus. Aqui, então, contemplamos a grandeza desses Anjos que, embora tão elevados diante de Deus, são profundamente modestos e, por isso, santos.
Neste dia dedicado a São Miguel, São Gabriel e São Rafael, alegremo-nos por saber que temos esses companheiros que nos auxiliam em nossa batalha espiritual, mas aprendamos também, sobretudo com São Miguel, a empunhar a arma da humildade, pois é através dela que venceremos a força de Satanás.
Os demônios são muito mais poderosos do que nós, mas existe algo de que não são capazes: um gesto de humildade. É justamente a humildade que atrai sobre nós a graça de Deus e nos permite, sustentados por ela, resistir e vencer as investidas do inimigo. Afinal, a grande batalha já tem seu desfecho assegurado: Deus vencerá. Resta-nos, portanto, permanecer fiéis ao seu lado, combatendo nesta vida sob a certeza de que a vitória pertence Àquele que jamais poderá ser vencido.
© Leituras extraídas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.