30 de Maio de 2026
17Vós, porém, amados, lembrai-vos das palavras preditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo. 20Edificai-vos sobre o fundamento da vossa santíssima fé e rezai, no Santo Espírito, 21de modo que vos mantenhais no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna. 22E a uns, que estão com dúvidas, deveis tratar com piedade. 23A outros, deveis salvá-los, arrancando-os do fogo. De outros ainda deveis ter piedade, mas com temor, aborrecendo a própria veste manchada pela carne… 24Àquele que é capaz de guardar-vos da queda e de apresentar-vos perante a sua glória irrepreensíveis e jubilosos, 25ao único Deus, nosso salvador, por Jesus Cristo, nosso Senhor: glória, majestade, poder e domínio, desde antes de todos os séculos, e agora, e por todos os séculos. Amém.
A minha alma tem sede de vós, ó Senhor!
2 Sois vós, ó Senhor, o meu Deus!*
Desde a aurora ansioso vos busco!
A minh'alma tem sede de vós,†
minha carne também vos deseja,*
como terra sedenta e sem água! R.
3 Venho, assim, contemplar-vos no templo,*
para ver vossa glória e poder.
4 Vosso amor vale mais do que a vida:*
e por isso meus lábios vos louvam. R.
5 Quero, pois vos louvar pela vida,*
e elevar para vós minhas mãos!
6 A minh'alma será saciada,*
como em grande banquete de festa;
cantará a alegria em meus lábios,*
ao cantar para vós meu louvor! R.
Naquele tempo, 27Jesus e os discípulos foram de novo a Jerusalém. Enquanto Jesus estava andando no templo, os sumos sacerdotes, os mestres da lei e os anciãos aproximaram-se dele e perguntaram: 28“Com que autoridade fazes essas coisas? Quem te deu autoridade para fazer isso?” 29Jesus respondeu: “Vou fazer-vos uma só pergunta. Se me responderdes, eu vos direi com que autoridade faço isso. 30O batismo de João vinha do céu ou dos homens? Respondei-me”. 31Eles discutiam entre si: “Se respondermos que vinha do céu, ele vai dizer: ‘Por que não acreditastes em João?’ 32Devemos então dizer que vinha dos homens?” Mas eles tinham medo da multidão, porque todos, de fato, tinham João na qualidade de profeta. 33Então eles responderam a Jesus: “Não sabemos”. E Jesus disse: “Pois eu também não vos digo com que autoridade faço essas coisas”.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 11, 27-33)
Naquele tempo, Jesus e os discípulos foram de novo a Jerusalém. Enquanto Jesus estava andando no Templo, os sumos sacerdotes, os mestres da Lei e os anciãos aproximaram-se dele e perguntaram: “Com que autoridade fazes essas coisas? Quem te deu autoridade para fazer isso?” Jesus respondeu: “Vou fazer-vos uma só pergunta. Se me responderdes, eu vos direi com que autoridade faço isso. O batismo de João vinha do céu ou dos homens? Respondei-me”.
Eles discutiam entre si: “Se respondermos que vinha do céu, ele vai dizer: ‘Por que não acreditastes em João?’ Devemos então dizer que vinha dos homens?” Mas eles tinham medo da multidão, porque todos, de fato, tinham João na qualidade de profeta. Então eles responderam a Jesus: “Não sabemos”. E Jesus disse: “Pois eu também não vos digo com que autoridade faço essas coisas”.
No Evangelho de hoje, Jesus entra em controvérsia com os sumos sacerdotes e doutores da Lei, que o interrogam sobre a origem da sua autoridade.
É importante recordarmos que, entre nós, a palavra “autoridade” acabou se desgastando muito. Frequentemente, pensamos nela apenas dentro de um esquema político moderno, como se toda autoridade viesse do povo. Entretanto, do ponto de vista teológico, toda verdadeira autoridade procede de Deus.
Existem, essencialmente, duas grandes formas de autoridade: a autoridade política, exercida pelos reis e governadores, e a autoridade religiosa, exercida pelos sacerdotes. Aos olhos da sociedade judaica daquela época, Jesus aparentemente não possuía nenhuma dessas duas posições. Ele não era rei nem fazia parte do sacerdócio oficial de Israel.
Mas a realidade era infinitamente maior: Cristo era muito mais do que os reis desta terra, porque é o Rei dos reis; e muito mais do que o sumo sacerdote, porque é o único e verdadeiro Sacerdote. Sua autoridade não vinha dos homens, mas do próprio Deus, que o constituiu Senhor do universo.
Contudo, diante daquela controvérsia, Jesus não responde diretamente à provocação dos líderes religiosos. E isso não acontece por medo, mas porque Ele conhece a intenção daqueles homens. Eles não estavam buscando sinceramente a Verdade; queriam apenas colocá-lo à prova.
Comentando este trecho do Evangelho, Santo Tomás de Aquino faz uma observação muito profunda: Deus responde às perguntas feitas por quem deseja conhecer a Verdade e sanar a própria ignorância, mas não responde àqueles que o interrogam apenas para tentá-lo. Essa distinção é extremamente importante também para a nossa vida espiritual. Quando rezamos, será que realmente buscamos a vontade de Deus ou estamos apenas tentando fazer com que Ele realize os nossos próprios interesses?
O Evangelho nos ajuda a compreender isso ao recordar a tentação de Cristo no deserto. O demônio sugere a Jesus: “Transforme estas pedras em pão”. À primeira vista, parece até um pedido razoável, pois Jesus estava com fome. No entanto, Nosso Senhor não atende essa “oração”, porque ela nasce de uma intenção desordenada. O diabo não busca a glória de Deus, mas tenta desviar Cristo da missão que recebera do Pai.
É exatamente assim que, muitas vezes, Deus se cala diante de nós. São Beda, o Venerável — citado na Catena Aurea, de Santo Tomás — explica que Deus pode ocultar a sua sabedoria por duas razões. A primeira é porque a pessoa ainda não possui maturidade suficiente para compreender certas realidades, como acontece com as crianças, às quais os adultos não revelam tudo imediatamente, esperando que cresçam para entender melhor. E a segunda razão é mais séria: Deus também pode se calar diante daquele que não está disposto a acolher a Verdade. Foi isso que aconteceu quando Jesus permaneceu em silêncio diante de Herodes, que o interrogava, mas não tinha um coração aberto à conversão e possuía uma curiosidade vazia e indigna.
Devemos examinar sinceramente a nossa oração, porque Deus fala abundantemente àqueles que o amam. Nem sempre por consolações sensíveis ou experiências extraordinárias, mas por meio de uma Palavra viva, capaz de penetrar profundamente o coração humano e transformá-lo.
Logo, não rezemos com o intuito de convencermos Deus a realizar os nossos desejos, pois a verdadeira oração nasce quando nos colocamos diante do Senhor dispostos a mudar, a converter o coração e a conformar a nossa vontade à vontade divina.
© Leituras extraídas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.