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Liturgia Diária

Acompanhe a leitura do dia e também a Homilia do Padre Paulo Ricardo.
6ª feira da 8ª Semana do Tempo Comum

Hoje – 29 de Maio de 2026

Primeira Leitura
Leitura da Primeira Carta de São Pedro1Pd 4,7-13

Caríssimos, 7o fim de todas as coisas está próximo. Vivei com inteligência e vigiai, dados à oração. 8Sobretudo, cultivai o amor mútuo, com todo o ardor, porque o amor cobre uma multidão de pecados. 9Sede hospitaleiros uns com os outros, sem reclamações. 10Como bons administradores da multiforme graça de Deus, cada um coloque à disposição dos outros o dom que recebeu. 11Se alguém tem o dom de falar, proceda como com palavras de Deus. Se alguém tem o dom do serviço, exerça-o como capacidade proporcionada por Deus, a fim de que, em todas as coisas, Deus seja glorificado em virtude de Jesus Cristo, a quem pertencem a glória e o poder, pelos séculos dos séculos. Amém. 12Caríssimos, não estranheis o fogo da provação que alastra entre vós, como se alguma coisa de estranho vos estivesse acontecendo. 13Alegrai-vos por participar dos sofrimentos de Cristo, para que possais também exultar de alegria na revelação da sua glória.

Salmo Responsorial
O Senhor vem julgar nossa terra.Sl 95(96),10. 11-12. 13

O Senhor vem julgar nossa terra.

10 Publicai entre as nações: "Reina o Senhor!" †
Ele firmou o universo inabalável, *
e os povos ele julga com justiça. R.

11 O céu se rejubile e exulte a terra, *
aplauda o mar com o que vive em suas águas;
12 os campos com seus frutos rejubilem *
e exultem as florestas e as matas R.

13 na presença do Senhor, pois ele vem, *
porque vem para julgar a terra inteira.
Governará o mundo todo com justiça, *
e os povos julgará com lealdade. R.

Evangelho
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo MarcosMc 11,11-26

Tendo sido aclamado pela multidão, 11Jesus entrou no templo, em Jerusalém, e observou tudo. Mas, como já era tarde, saiu para Betânia com os doze. 12No dia seguinte, quando saíam de Betânia, Jesus teve fome. 13De longe, ele viu uma figueira coberta de folhas e foi até lá ver se encontrava algum fruto. Quando chegou perto, encontrou somente folhas, pois não era tempo de figos. 14Então Jesus disse à figueira: “Que ninguém mais coma de teus frutos”. E os discípulos escutaram o que ele disse. 15Chegaram a Jerusalém. Jesus entrou no templo e começou a expulsar os que vendiam e os que compravam no templo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos vendedores de pombas. 16Ele não deixava ninguém carregar nada através do templo. 17E ensinava o povo, dizendo: “Não está escrito: ‘Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos’? No entanto, vós fizestes dela uma toca de ladrões”. 18Os sumos sacerdotes e os mestres da lei ouviram isso e começaram a procurar uma maneira de o matar. Mas tinham medo de Jesus, porque a multidão estava maravilhada com o ensinamento dele. 19Ao entardecer, Jesus e os discípulos saíram da cidade. 20Na manhã seguinte, quando passavam, Jesus e os discípulos viram que a figueira tinha secado até a raiz. 21Pedro lembrou-se e disse a Jesus: “Olha, mestre, a figueira que amaldiçoaste secou”. 22Jesus lhes disse: “Tende fé em Deus. 23Em verdade vos digo, se alguém disser a esta montanha: ‘Levanta-te e atira-te no mar’, e não duvidar no seu coração, mas acreditar que isso vai acontecer, assim acontecerá. 24Por isso vos digo, tudo o que pedirdes na oração, acreditai que já o recebestes, e assim será. 25Quando estiverdes rezando, perdoai tudo o que tiverdes contra alguém, para que vosso Pai que está nos céus também perdoe os vossos pecados”. [26]

Meditação
A figueira estéril e a fome de Jesus

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 11, 11-26)

Tendo sido aclamado pela multidão, Jesus entrou, no Templo, em Jerusalém, e observou tudo. Mas, como já era tarde, saiu para Betânia com os doze. No dia seguinte, quando saíam de Betânia, Jesus teve fome. De longe, ele viu uma figueira coberta de folhas e foi até lá ver se encontrava algum fruto. Quando chegou perto, encontrou somente folhas, pois não era tempo de figos. Então Jesus disse à figueira: “Que ninguém mais coma de teus frutos”. E os discípulos escutaram o que ele disse.
Chegaram a Jerusalém. Jesus entrou no Templo e começou a expulsar os que vendiam e os que compravam no Templo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos vendedores de pombas. Ele não deixava ninguém carregar nada através do Templo. E ensinava o povo, dizendo: “Não está escrito: 'Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos?'. No entanto, vós fizestes dela uma toca de ladrões”. Os sumos sacerdotes e os mestres da Lei ouviram isso e começaram a procurar uma maneira de o matar. Mas tinham medo de Jesus, porque a multidão estava maravilhada com o ensinamento dele. Ao entardecer, Jesus e os discípulos saíram da cidade. Na manhã seguinte, quando passavam, Jesus e os discípulos viram que a figueira tinha secado até a raiz. Pedro lembrou-se e disse a Jesus: “Olha, Mestre: a figueira que amaldiçoaste secou”. Jesus lhes disse: “Tende fé em Deus. Em verdade vos digo, se alguém disser a esta montanha: 'Levanta-te e atira-te no mar', e não duvidar no seu coração, mas acreditar que isso vai acontecer, assim acontecerá. Por isso vos digo, tudo o que pedirdes na oração, acreditai que já o recebestes, e assim será. Quando estiverdes rezando, perdoai tudo o que tiverdes contra alguém, para que vosso Pai que está nos céus também perdoe os vossos pecados”.

Meus queridos irmãos e irmãs, o Evangelho de hoje nos coloca às portas da Páscoa, no momento em que, depois de entrar triunfalmente em Jerusalém e ser aclamado pelo povo, Jesus sente fome. 

Esse detalhe do Evangelho é significativo. Nós, seres humanos, comunicamo-nos por meio de palavras e gestos. Deus, porém, é o Senhor da história e fala também através dos acontecimentos. Logo, quando Cristo sente fome, isso não é apenas uma necessidade física comum, mas o próprio Deus feito homem manifestando algo muito mais profundo.

Assim como, no Evangelho de São João, Jesus sente sede do amor das almas, aqui Ele sente fome e vai ao encontro de uma figueira à procura de frutos. Humanamente falando, a expectativa de Nosso Senhor parece absurda. Era primavera — sabemos disso porque é o tempo da Páscoa —, e uma figueira, após perder suas folhas no inverno, ainda não poderia produzir frutos. No entanto, Cristo se aproxima da árvore esperando encontrar nela aquilo que ela deveria oferecer.

A figueira representa simbolicamente a casa de Israel, o povo do Antigo Testamento que, apesar da observância exterior da Lei, havia se afastado daquilo que era o seu centro: o amor. Jesus, portanto, tinha fome de atos de amor e, sabendo que o mesmo povo que o aclamava gritando: “Hosana ao Filho de Davi!” seria também aquele que, pouco tempo depois, clamaria: “Crucifica-o!”, Ele amaldiçoa a figueira e declara que ninguém mais colheria frutos dela. 

À primeira vista, esse gesto pode parecer severo ou até injusto. Mas, na verdade, trata-se de um ato pedagógico e cheio de caridade para conosco, no qual Cristo está nos ensinando algo essencial: Deus tem fome do amor humano e não se contenta com uma religião reduzida a práticas exteriores vazias.

Nesse contexto, o Evangelho não se dirige apenas ao povo judeu do Antigo Testamento, mas também a nós, cristãos. Quantas vezes vivemos uma religiosidade baseada apenas em pequenas observâncias, regras exteriores e devoções mecânicas, enquanto o nosso coração permanece distante do verdadeiro amor a Deus? Há pessoas que transformam a vida espiritual numa espécie de lista de tarefas a serem cumpridas para ficar livre de Deus. E, inconscientemente, vivem como se quisessem “resolver logo as coisas com Deus” para depois seguirem a própria vida longe d’Ele. Mas ninguém será verdadeiramente feliz longe de Deus. 

É evidente que o problema não está nas devoções. A Igreja sempre valorizou profundamente as práticas de piedade. O problema são as práticas vazias, superficiais e estéreis, aquilo que Santa Teresa d’Ávila chamava de “devoções tolas” em seu livro “Caminho de Perfeição”: “De devoções tolas, livre-nos Deus nesta casa”.

O Evangelho de hoje, pois, nos convida justamente a sair dessa esterilidade espiritual. Jesus se aproxima de nós procurando frutos verdadeiros: fé viva, entrega sincera, amor autêntico e coração convertido. Por isso, quando nos aproximarmos da Eucaristia, desejemos profundamente nos unir a Cristo, lembrando sempre de que, ao mesmo tempo, Ele também tem fome do nosso amor, de nossa fidelidade e de nosso coração.

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Janeiro 2024

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