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21 séculos de eucatástrofes
Espiritualidade

21 séculos de eucatástrofes

21 séculos de eucatástrofes

As contrariedades do dia a dia não podem ser motivo de desânimo nem de presunção. É preciso manter-se firme, com as armas dos santos: fé e perseverança.

Equipe Christo Nihil Praeponere27 de Julho de 2015
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Os primeiros cristãos tiveram de enfrentar as mais terríveis tribulações para defender a fé em Jesus Cristo. Foram provados até o limite das próprias forças, ora pela truculência do Estado — o qual via naquela nova religião uma eminente ameaça —, ora pelas condições de vida — fome, doenças etc. É possível enxergar essa realidade nas cartas de São Paulo, nas quais o apóstolo das gentes exorta a comunidade a manter-se sempre alegre, mesmo nos momentos de crise e instabilidade (cf. Fp 4, 4). Ele aconselhava: "Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças" (Fp 4, 6) E assim faziam os fiéis, seguindo as recomendações apostólicas. Mantinham-se firmes na Palavra de Deus, no anúncio da Boa-Nova e na caridade fraterna. Essas foram as armas dos cristãos que derrubaram o Império Romano e tornaram o nome de Cristo conhecido em toda a terra.

É verdade, porém, que muitos desanimaram frente aos desafios. Nem todos puderam suportar a opressão das perseguições e o peso da cruz. Acabaram por capitular. Essa fraqueza, naturalmente, deveu-se a dois motivos bem óbvios: uma fé imatura e a falta de confiança na graça de Deus. Ninguém, a não ser o próprio Cristo, pode suportar sozinho o peso dos pecados do mundo. E mesmo Jesus teve de passar por uma noite escura no jardim, apoiado pelos anjos, antes que derramasse seu sangue no madeiro (cf. Lc 22, 43). O pelagianismo — que, infelizmente, ainda cerra fileiras em muitas de nossas igrejas — é um erro grosseiro [1]. Em que pese sua qualidade musical, Renato Russo não é um bom conselheiro. Confiar em si mesmo é coisa de loucos. Os manicômios — para lembrar uma anedota de G.K. Chesterton — estão cheios de pessoas que acreditam em si mesmas.

Um cristão, portanto, necessita de amadurecer sua fé se quiser sobreviver às ondas agitadas que constantemente chacoalham a Barca de Pedro. Esse processo de amadurecimento, por outro lado, deve estar enraizado na grande herança apostólica da Igreja. Em nossos dias, costuma-se considerar madura a fé que se adapta ao sabor das novas ideias, das circunstâncias impostas pelo mundo moderno. Isso não pode ser considerado um amadurecimento. Isso se chama apostasia. Como explicou certa vez o Cardeal Joseph Ratzinger, "'adulta' não é uma fé que segue as ondas da moda e a última novidade; adulta e madura é uma fé profundamente radicada na amizade com Cristo" [2]. Jesus deixou-nos os sacramentos justamente para que fôssemos santificados. A Eucaristia e a Confissão, sobretudo, foram os dois pilares da vida dos grandes santos da história. Não podemos relativizar essa herança, como se se tratasse de algo opcional. Os sacramentos são imprescindíveis. Acaso não está escrito: "Se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos" (Jo 6, 53)? Fé adulta é a do homem que constrói sua casa sobre a rocha firme (cf. Mt 7, 24-25). Nenhuma ventania pode derrubá-la. Essa rocha nada mais é que a economia sacramental.

Quem se entrega à graça de Deus, por conseguinte, sabe lidar com os tempos de provação. Não luta com suas próprias forças. Torna-se um instrumento da providência divina. Infelizmente, muitos ainda vivem a ilusão de um cristianismo sem cruz. Não se enganem. Jesus alertou-nos claramente sobre a perseguição que haveríamos de sofrer: "Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós" (Jo 15, 18). E é a certeza desse repúdio do mundo à Palavra de Deus que não nos deixa sucumbir, pois bem-aventurados são aqueles que sofrem perseguição pelo nome de Jesus (cf. Mt 5, 10).

Existe uma cena belíssima na versão cinematográfica de O Senhor dos Anéis, que nos auxilia a compreender por que não podemos desistir, mesmo quando tudo parece fadado ao desastre. Trata-se de um diálogo entre Frodo e Sam, os dois hobbits protagonistas da história. Frodo, fatigado pelo peso do anel e angustiado com o cenário de destruição à sua volta, murmura ao amigo, Sam, dizendo que não é capaz de continuar a missão. Sam, compadecido, responde a Frodo que compreende suas limitações, pois, na verdade, eles nem deveriam estar naquele lugar. Tudo era uma grande injustiça. "Mas estamos", prossegue o parceiro de Frodo. E ele continua assim:

— É como nas grandes histórias, senhor Frodo. As que tinham mesmo importância. Eram repletas de escuridão e perigo. E, às vezes, você não queria saber o fim, porque como podiam ter um final feliz? Como podia o mundo voltar a ser o que era depois de tanto mal? Mas, no fim, é só uma coisa passageira. Essa sombra. Até a escuridão tem de passar. Um novo dia virá. E, quando o Sol brilhar, brilhará ainda mais forte. Eram essas as histórias que ficavam na lembrança, que significavam algo. Mesmo que você fosse pequeno o bastante para entender por quê. Mas acho, senhor Frodo, que eu entendo, sim. Agora eu sei. As pessoas dessas histórias tinham várias oportunidades de voltar atrás, mas não voltavam. Elas seguiam em frente, porque tinham no que se agarrar.

— Em que nós nos agarramos, Sam?, pergunta Frodo.

— No bem que existe neste mundo, senhor Frodo, pelo qual vale a pena lutar —, explica Sam, levantando o pequeno hobbit abatido.

Em sua literatura, J.R.R Tolkien trabalha com o conceito de eucatástrofe, uma espécie de catástrofe às avessas, isto é, aquilo de bom e redentor que ocorre quando tudo parece destruído. Os amantes da obra de Tolkien sabem que seus livros estão permeados pela profunda espiritualidade católica do autor. Como disse Sam a Frodo, existe uma bondade neste mundo pela qual vale a pena lutar. Essa bondade consiste na origem divina do cosmos. Toda a criação, em especial o ser humano, reflete a beleza e a graça de Deus. E ainda que o pecado a tenha maculado, no final, como ensina o Catecismo, haverá "uma vitória de Deus sobre o último desencadear do mal, que fará descer do céu a sua Esposa" [3]. Isso é eucatástrofe. No final, como aconteceu há dois mil anos, Deus sempre vence. Evidentemente, a grande eucatástrofe da história da humanidade aconteceu com a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.

De fato, vivemos, em nossa sociedade, um clima de confusão desnorteadora, o qual pode, de certo modo, nos induzir a um pessimismo. Tantas notícias ruins sobre a moral social, sobre a família e a própria Igreja contribuem para isso em grande escala. O cristão, porém, não pode deixar-se prender por esses desafios, já que sua esperança abre uma visão para além das nuvens negras que cobrem o céu. A esperança cristã nunca decepciona porque não se fundamenta em um futuro utópico, mas na providência divina que cerca seus filhos de carinho e proteção, como diz o salmista (cf. Sl 124, 2). A eucatástrofe diz respeito ao cristianismo justamente por isso. Embora o homem contribua de alguma maneira para a ação de Deus, Ele age livremente e tem a posse da última palavra. Neste sentido, é oportuno meditarmos o testemunho do mártir vietnamita Paulo Le-Bao-Thin, no qual, diz Bento XVI, é "clara esta transformação do sofrimento mediante a força da esperança que provém da fé" [4]:

Eu, Paulo, prisioneiro pelo nome de Cristo, quero falar-vos das tribulações que suporto cada dia, para que, inflamados no amor de Deus, comigo louveis o Senhor, porque é eterna a sua misericórdia ( Sal136/135). Este cárcere é realmente a imagem do inferno eterno: além de suplícios de todo o gênero, tais como algemas, grilhões, cadeias de ferro, tenho de suportar o ódio, as agressões, calúnias, palavras indecorosas, repreensões, maldades, juramentos falsos, e, além disso, as angústias e a tristeza. Mas Deus, que outrora libertou os três jovens da fornalha ardente, está sempre comigo e libertou-me destas tribulações, convertendo-as em suave doçura, porque é eterna a sua misericórdia. Imerso nestes tormentos, que costumam aterrorizar os outros, pela graça de Deus sinto-me alegre e contente, porque não estou só, mas estou com Cristo.

[...] Como posso eu suportar este espetáculo, ao ver todos os dias os imperadores, mandarins e seus guardas blasfemar o vosso santo nome, Senhor, que estais sentado sobre os Querubins (cf. Sal 80/79, 2) e os Serafins? Vede como a vossa cruz é calcada aos pés dos pagãos! Onde está a vossa glória? Ao ver tudo isto, sinto inflamar-se o meu coração no vosso amor e prefiro ser dilacerado e morrer em testemunho da vossa infinita bondade. Mostrai, Senhor, o vosso poder, salvai-me e amparai-me, para que na minha fraqueza se manifeste a vossa força e seja glorificada diante dos gentios [...] Ouvindo tudo isto, caríssimos irmãos, tende coragem e alegrai-vos, dai graças eternamente a Deus, de quem procedem todos os bens, bendizei comigo ao Senhor, porque é eterna a sua misericórdia [...] Escrevo todas estas coisas, para que estejam unidas a vossa e a minha fé. No meio da tempestade, lanço a âncora que me permitirá subir até ao trono de Deus: a esperança viva que está no meu coração.

A pergunta agora é: Quando soar a última trombeta, de que lado estaremos, dos vitoriosos ou dos derrotados? A fé católica exige uma tomada de posição, pois "o Reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam" (Mt 11, 12). Temos de fugir, a todo custo, da blasfema presunção de achar que não é preciso lutar, porque, afinal de contas, Deus sempre vence. Sobre os presunçosos recai a mesma censura do profeta Mardoqueu à rainha Ester: "Se te calares agora, o socorro e a libertação virão aos judeus de outra parte; mas tu e a casa de teu pai perecereis" (Est 4, 14). A indolência, como ensina Padre Paulo Ricardo em outro vídeo, é um pecado gravíssimo.

Peçamos à Virgem Santíssima, Ela que foi o auxílio fiel de tantos cristãos ao longo destes 21 séculos de eucatástrofes, a fortaleza para suportarmos os desafios e a graça para caminharmos, sem descanso, rumo à Jerusalém Celeste.

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A amiga da Irmã Lúcia que “estará no Purgatório até o fim do mundo”
Doutrina

A amiga da Irmã Lúcia que “estará
no Purgatório até o fim do mundo”

A amiga da Irmã Lúcia que “estará no Purgatório até o fim do mundo”

Mais uma revelação de Nossa Senhora de Fátima muito útil para nos mover a trabalhar com mais afinco por Deus.

Equipe Christo Nihil Praeponere15 de Junho de 2018
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Das Memórias da Irmã Lúcia:

— E eu também vou para o Céu?
— Sim, vais.
— E a Jacinta? 
— Também. 
— E o Francisco? 
— Também, mas tem que rezar muitos terços.

Lembrei-me então de perguntar por duas raparigas que tinham morrido há pouco. Eram minhas amigas e estavam em minha casa a aprender a tecedeiras com minha irmã mais velha. 
— A Maria das Neves já está no Céu? 
— Sim, está.
Parece-me que devia ter uns 16 anos. 
— E a Amélia? 
Estará no purgatório até ao fim do mundo. [1]

Talvez a revelação da Virgem Santíssima à Irmã Lúcia assuste-nos um pouco. É de fato impressionante a ideia de uma alma sofrendo no Purgatório até a consumação dos tempos. Movidos pela curiosidade, podemos chegar a nos perguntar o que teria feito Amélia para merecer uma punição assim tão severa da justiça divina.

O que mais nos aproveita, porém, é pensar que todos nós podemos muito bem ter a mesma sorte dessa amiga da Irmã Lúcia, caso levemos uma vida medíocre, “mais ou menos”, sem peso; caso não queiramos pagar, nesta existência, o alto preço do amor. O Purgatório é, afinal, o lugar para onde vão as almas que, embora se tenham salvo, não quiseram se entregar totalmente a Deus; embora se tenham salvo, ainda estavam muito apegadas às coisas deste mundo.

A pena de Amélia leva-nos a lembrar, também, daquela visão de Santa Francisca Romana, segundo a qual “por cada pecado mortal perdoado”, restaria “à alma culpada passar por um sofrimento de sete anos” no Purgatório. A amiga da Irmã Lúcia talvez tenha sido uma dessas almas que acumularam em vida inúmeros pecados mortais, dos quais se arrependeram, sem que tenham tido tempo, no entanto, para repará-los nesta vida.

Com revelações como essa, Deus quer fazer um apelo à nossa indiferença, dar um grito para romper a nossa surdez. Não se entra no Céu senão por meio de muitos sofrimentos (cf. At 14, 22). Se não quisermos sofrer aqui, teremos de sofrer no outro mundo. E daí não saíremos enquanto não houvermos pago “até o último centavo” (Mt 5, 26).

Cumpre dizer, de outro lado, para não retratar o Purgatório com cores demasiado duras, que evidentemente é bem mais consoladora a sorte de Amélia que a das inúmeras almas que os pastorinhos de Fátima viram precipitando-se no Inferno. É evidente que os dois estados não podem ser equiparados, por mais doloroso e duradouro que seja o Purgatório.

O problema de muitos de nós é o quão longe estamos da meta, o quão mesquinha é muitas vezes a lógica com que vivemos a nossa fé. Quantas vezes não pensamos, por exemplo, ou até dizemos: “Se eu chegar ao Purgatório, já me darei por satisfeito”, ou: “Se for ao Purgatório, já estarei no lucro”?

Não que isso não seja verdade, mas é uma verdade contada pela metade. É como a história do jovem rico (cf. Mc 10, 17-27), que poderia ser um grande discípulo de Cristo, e não foi.

Poderíamos até nos perguntar se essa personagem anônima dos Evangelhos, da qual não mais tivemos notícia, realmente se salvou. Talvez até tenha tido a “sorte” de passar o Purgatório com Amélia até o fim do mundo. Talvez já esteja no Céu agora, tendo passado por um brevíssimo Purgatório. A verdade é que, do jeito como ele deixou a famosa cena do Evangelho, seu lugar ainda não era o Céu. Porque o Céu não é simplesmente o lugar de quem não tem pecados (como o jovem rico parecia não ter); o Céu é o lugar dos que amam, dos que querem se unir a Deus mais do que qualquer coisa nesta vida.

Mas e nós, queremos isso? Queremos amar a Deus de todo o coração, ou nos contentaremos com garantir nossa salvação? Queremos viver plenamente o chamado de Deus para nós ou nos bastará “garantir uma vaga” no Purgatório?

Ninguém pense que se trata de desejos vãos. O quanto quisermos indicará a medida com que trabalharemos. Quem pensa em atingir o Purgatório, se esforçará o necessário para chegar aí. Se trabalharmos para o Céu, no entanto, tudo mudará. Inclusive nossa sorte na outra vida.

Que o exemplo dessa amiga da Irmã Lúcia nos ajude a imitar os pastorinhos de Fátima, que viveram sua vocação com heroísmo e, como recompensa, foram acolhidos sem demora no Reino dos Céus. Quanto à alma de Amélia, só o que lhe resta é contar com as nossas orações… “até ao fim do mundo”.

Referências

  1. Aparição de 13 de maio de 1917. Em: Memórias da Irmã Lúcia. 13.ª ed. Fátima: Secretariado dos Pastorinhos, 2007, p. 173.

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Obrigado, Padre Paulo Ricardo!
Padre Paulo Ricardo

Obrigado, Padre Paulo Ricardo!

Obrigado, Padre Paulo Ricardo!

Obrigado, Padre Paulo Ricardo, por se esvaziar de si mesmo e ser para nós, neste mundo, “um testemunho do Deus invisível”.

Equipe Christo Nihil Praeponere14 de Junho de 2018
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Reverendíssimo Padre Paulo Ricardo,

Em 1959, por ocasião do primeiro centenário da morte de São João Maria Vianney, o Papa São João XXIII escrevia que, “hoje, os cristãos fervorosos esperam muito do padre. Querem ver nele, neste mundo onde triunfa com frequência o poderio do dinheiro, a sedução dos sentidos, o prestígio da técnica, um testemunho do Deus invisível, um homem de fé, esquecido de si mesmo e cheio de caridade” [1].

Essa descrição de sacerdócio — que, digamo-lo mais claramente, não é apenas a expectativa dos cristãos de hoje, mas o desejo constante de Deus para os padres — vem bem a calhar neste dia 14 de junho de 2018, em que o senhor completa 26 anos de ministério sacerdotal.

Não porque o senhor seja santo, nem porque queiramos adulá-lo — o senhor nunca permitiu que o tratássemos dessa forma —, mas porque é justamente essa visão de sacerdócio que o senhor promove com suas pregações e, dia após dia, também com seu exemplo.

Nenhum de nós que convivemos com o senhor pode negar, por exemplo, que o senhor é “um homem de fé”. Sem se apegar a opiniões próprias, o que o senhor quer nos dar é “A Resposta Católica”. Sem querer ser “original”, a fé que o senhor (tanto!) nos ensina a pedir é “em tudo o que crê e ensina a Santa Igreja Católica”. Nada mais, nada menos.

Por isso, só por isso já receba, Padre Paulo Ricardo, a nossa mais profunda gratidão, pois sabe Deus o que seria de nós, por que vales tenebrosos estaríamos errando, a que ideias mirabolantes estaríamos servindo, não fosse o senhor a emprestar humildemente a sua voz à de Nosso Senhor e conduzir-nos ao aprisco da Santa Igreja Católica.

Obrigado, Padre, porque a doutrina que o senhor nos ensina não é sua, mas de Jesus Cristo.

Nenhum de nós pode negar também que, como um verdadeiro pai, o senhor vive “esquecido de si mesmo” — e ainda nos ensina a fazer o mesmo, para que a nossa vida realmente ganhe sentido!

Com uma história que o senhor vive repetindo (e que não nos cansamos de escutar), nós aprendemos, por exemplo, que “nós não temos vida” para nós mesmos, que “a nossa vida é para os outros”! E isso, justamente por ser algo que nos perturba e inquieta, é também algo que nos encoraja, que nos faz querer ser grandes, que nos motiva na busca da santidade!

Por isso, obrigado, Padre, obrigado por nos apresentar a medida do amor, que é amar sem medidas. Obrigado por nos ensinar que há vida para além do “salário mínimo” de nossas obrigações; por nos ensinar que a santidade não consiste em não pecar, mas em amar a Deus de todo o coração, com toda a nossa alma e todo o nosso entendimento!

Ninguém pode negar, enfim, Padre, que o senhor é um homem “cheio de caridade”. É o que vemos em suas meditações, tantas vezes embargadas de emoção, ao falar de Nosso Senhor. É o que vemos em suas exortações insistentes para que tenhamos vida de oração e amemos nosso Salvador, escondido no íntimo de nosso coração.

Por isso, obrigado, Padre, obrigado por nos recordar constantemente a importância da oração!

Quantos vivem no mundo, angustiados por não saber o que lhes falta! Aparentemente têm tudo: um lugar para morar, uma companhia com que passar o resto de seus dias, um automóvel para ir aonde quiserem, uma conta gorda no banco… Mas vivem infelizes, e sequer sabem onde procurar! “Ó Israel, felizes somos nós, porque nos é dado conhecer o que agrada a Deus” (Br 4, 4). Felizes somos nós porque sabemos a razão dessa inquietude em nosso ser: e sabemos onde saná-la. E tantos de nós só aprendemos isso porque o ouvimos do senhor!

Por isso, Padre Paulo Ricardo, muito obrigado! Obrigado por se esvaziar de si mesmo e ser para nós “um testemunho do Deus invisível”. Que Deus o continue guardando no Coração Eucarístico de Jesus, para que o senhor não deixe nunca de nos apontar, com suas palavras e com seu exemplo, o caminho do Céu!

Referências

  1. Papa S. João XXIII, Carta Encíclica Sacerdotii Nostri Primordia (1.º de agosto de 1959), n. 61.

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Formulário para a Missa do Coração Eucarístico de Jesus
Liturgia

Formulário para a Missa
do Coração Eucarístico de Jesus

Formulário para a Missa do Coração Eucarístico de Jesus

Embora não conste em nosso Missal, existe um formulário para os sacerdotes que desejam celebrar, nesta quinta-feira, a festa em honra ao Coração Eucarístico de Nosso Senhor.

Equipe Christo Nihil Praeponere13 de Junho de 2018
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Existe um formulário para os sacerdotes que desejam celebrar, amanhã, a festa do Coração Eucarístico de Jesus. Para acessá-lo, basta clicar aqui.

Substancialmente, o culto prestado pela Igreja ao Coração Eucarístico de Jesus é o mesmo que ela tributa ao seu Sacratíssimo Coração. Todos os fiéis — e, de um modo particular, os sacerdotes — são convidados a venerar com respeito, amor e gratidão, o símbolo do amor supremo pelo qual Jesus Cristo instituiu o sacramento da Eucaristia, para permanecer conosco permanentemente. Com todo o direito se venera, com culto especial, esse adorável desígnio do Coração de Jesus Cristo, demonstração suprema de seu amor.

Por isso, o Papa Leão XIII erigiu na igreja de São Joaquim, em Roma, confiada à Congregação do Santíssimo Redentor, uma arquiconfraria sob o título de Coração Eucarístico de Jesus. E é também no Missal próprio dos redentoristas que consta, ainda hoje, o formulário para esta festa, instituída pelo Papa Bento XV, em 1921.

O formulário que tornamos disponível acima pode ser usado tranquilamente pelos padres que celebram na Forma Ordinária do Rito Romano. Aos que rezam a Missa na Forma Extraordinária, basta acessar o formulário da Missa aqui.

O mais importante, de qualquer modo, é que todos possamos meditar, com a vida, a grandeza do mistério que a liturgia nos coloca diante dos olhos. Para tanto, não deixem de assistir ao episódio abaixo, de nosso programa "Ao vivo com Padre Paulo Ricardo", sobre o Coração Eucarístico de Nosso Senhor:

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Por que Santo Antônio está abraçando o Menino Jesus?
Santos & Mártires

Por que Santo Antônio
está abraçando o Menino Jesus?

Por que Santo Antônio está abraçando o Menino Jesus?

Estando em pregação numa certa cidade, Santo Antônio encontrou pousada na casa de um generoso fidalgo. Ali, recolhido a sós em seu aposento, o santo de Lisboa teve uma surpresa…

13 de Junho de 2018
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Santo Antônio entrou certa vez numa cidade para lá pregar, e o senhor fidalgo que ali o acolheu reservou-lhe um aposento bem retirado, a fim de não o perturbarem no estudo e na oração.

Estava o santo recolhido e a sós em seu quarto quando o senhor fidalgo, andando pela casa a tratar de seus assuntos, achou-se por acaso diante do aposento de Antônio e, levado por devota curiosidade, espreitou pela porta, às escondidas, através de uma fresta que dava para o lugar em que o santo descansava. E o que haviam de ver os seus olhos! Um Menino muito belo e alegre nos braços de Santo Antônio, e este a contemplar-lhe o rosto, a apertá-lo ao peito e a cobri-lo de beijos.

O fidalgo, maravilhado com a beleza do Menino, ficou espantado, sem saber como explicar donde teria vindo aquela Criança tão bela e graciosa.

O Menino, que não era senão Nosso Senhor Jesus Cristo, revelou a Santo Antônio que o seu hospedeiro o estava espiando pela porta.

Por causa disso, Santo Antônio, após terminar uma longa oração, chamou o senhor fidalgo e humildemente lhe pediu que, enquanto ele estivesse vivo, a ninguém revelasse a visão que tivera.

Foi só depois da morte do santo que o senhor fidalgo, com lágrimas santas, contou o milagre que os seus olhos indiscretos tinham contemplado. Em louvor de Cristo. Amém.

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