A fé segundo Santa Catarina de Sena
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A fé segundo Santa Catarina de Sena
Santos & Mártires

A fé segundo Santa Catarina de Sena

A fé segundo Santa Catarina de Sena

Na doutrina de Santa Catarina de Sena, a fé aparece não só como uma adesão obrigatória a uma fórmula revelada e proposta pela Igreja, mas também como uma vida intensa e radiante.

Pe. Reginald Garrigou-LagrangeTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere29 de Abril de 2021Tempo de leitura: 17 minutos
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Uma das melhores maneiras de penetrar a espiritualidade dos santos é ver o que eles disseram sobre as três maiores virtudes que existem — isto é, as três virtudes teologais — e como viveram cada uma delas; estas virtudes unem a alma cada vez mais intimamente a Deus e inspiram todas as outras virtudes a se elevarem.

Por isso, trataremos agora da segundo S. Catarina de Sena, particularmente no que se encontra em seu Diálogo, ditado por ela mesma em seus repetidos êxtases, cerca de dois anos antes de sua morte [1]. Primeiro, veremos o que é a fé em si mesma; em seguida, por que ela é frequentemente obscurecida, coberta de nuvens, no pecador; depois, como deve ser o seu desenvolvimento e como devemos viver com base nela, considerando todas as coisas sob a sua luz sobrenatural.

Muitos psicólogos ensinam [2] que a vida dos místicos é dominada por uma grande e nobre emoção, que depois se traduz em sua inteligência pelas ideias que nos expressam. O seu pensamento seguiria, portanto, a emoção ou o movimento da sensibilidade. Assim, parece que ela não teria senão um fundamento frágil e incerto, que seria, talvez, o nosso subconsciente. Dessa maneira, a inteligência dos místicos cristãos não se nutriria, em primeiro lugar, da verdade imutável e incontestável; seus julgamentos seriam apenas o reflexo de vivas emoções vindas do coração.

Outra, porém, é a doutrina de S. Catarina de Sena, que nos ajuda a ver a profunda verdade do tratado teológico da fé e nos manifesta a vida dessa virtude teologal. A fé aparece aqui não só como uma adesão obrigatória a uma fórmula revelada e proposta pela Igreja, mas também como uma vida intensa e radiante.

Que é a fé infusa

A fé, disse a santa [3], é uma luz que recebemos no Batismo, que nos mostra o caminho que conduz à vida eterna. E neste caminho devemos marchar corajosamente, sem a menor hesitação, porque a luz que no-lo apresenta vem de Deus, que não nos pode enganar. Por meio dela, com efeito, conhecemos de modo sobrenatural e infalível o fim da nossa peregrinação e Aquele que é “o caminho, a verdade e a vida” [4]. 

“Santa Catarina de Sena”, por Franceschini Baldassare.

Definida, assim, como um instinto intelectual que nos leva em direção ao fim último, a fé pode ser comparada, por exemplo, com o instinto que guia a andorinha a um país tão distante na primavera. Na andorinha, esse instinto a conduz de modo certo, ainda que ela esteja sozinha, seja jovem e se encontre, acidentalmente, muito longe do destino da viagem, em um lugar em que jamais estivera antes. Existe, portanto, na ordem natural algo maravilhoso que é símbolo de um instinto espiritual imensamente superior.

“A fé”, disse ainda a santa [5], “é a pupila do olho da inteligência; sua luz faz discernir, conhecer e seguir o caminho e a doutrina da verdade, o Verbo encarnado [6]. Sem essa pupila da fé, a alma não conseguiria ver (no plano da salvação), pois se assemelharia a um homem que tem os olhos sãos, mas cuja pupila, pela qual o olho vê, estaria recoberta por um véu. A inteligência é o olho da alma e a pupila deste olho é a fé”.

Este modo simbólico de falar da fé como uma “pupila inserida no olho da inteligência por meio do Batismo” [7], mostra de forma clara que a fé infusa é essencialmente sobrenatural, muito superior à atividade natural da nossa inteligência e até mesmo da inteligência angélica. Trata-se de uma participação no conhecimento que Deus tem de sua vida íntima e do que Ele prepara aos que O amam. Este objeto sublime, como disse S. Paulo, “o olho do homem não viu” (1Cor 2, 9) nem sua inteligência ou a inteligência angélica podem conhecer naturalmente. Mas Deus no-lo revelou pelo seu Espírito, de sorte que, pelo dom sobrenatural da fé, aderimos à Verdade primeira revelante e aos mistérios revelados propostos pela Igreja.

Comparada com a pupila ou o centro do olho, a fé infusa amplia consideravelmente as fronteiras da nossa inteligência e eleva-a para o conhecimento certo, ainda que obscuro, da vida íntima de Deus. Dessa forma, a fé, como disse a santa [8], oferece “um antegosto da vida eterna”; ela é o princípio, o gérmen, “a substância das coisas que esperamos” (Hb 11, 1) [9], às quais nos faz aderir firmemente, ainda que não as vejamos. Não conhecemos, portanto, somente as emoções do nosso coração, mas também o que S. Paulo chama “as profundezas de Deus” (1Cor 2, 10).

A fé, por essa razão, possui um valor inestimável. Se, ao falar de quem mais amamos, dizemos comumente que o guardamos “como a pupila dos olhos”, que não deveríamos dizer da fé infusa, que é a pupila do olho espiritual e deve subsistir em nós até que seja sucedida pela luz da glória, a qual nos fará ver claramente a essência divina sem o intermédio de criatura alguma nem mesmo ideia criada nenhuma?

A fé obscurecida

Essa luz tão preciosa da fé, porém, está frequentemente coberta de nuvens na alma em pecado mortal, porque o cristão, depois de ter recebido a fé infusa no Batismo, só a perde por meio de um pecado mortal que seja diretamente contrário à própria fé, negando ou colocando em dúvida, de modo formal, uma verdade revelada que lhe foi suficientemente proposta.

Graças a Deus, os pecados mortais diretamente contrários à fé são relativamente raros, razão por que a fé infusa, junto com a esperança, permanece ainda em muitos dos batizados que se encontram em estado de pecado mortal, como permanece a raiz de uma árvore que foi cortada e, por isso, poderá reviver.

A fé infusa, contudo, está presente nos pecadores sem a caridade e as virtudes morais infusas, ou seja, ela permanece, mas obnubilada, como que coberta de nuvens. S. Catarina de Sena insiste repetidamente sobre este ponto de maneira impressionante [10]: 

Em vez de usufruírem ao máximo das luzes da fé para que, na graça, nasçam as obras de vida, eles [os que se encontram em estado de pecado mortal] produzem apenas obras de morte. Sim, suas obras são mortas, porque todas se realizam no pecado mortal […]. Eles têm ainda a forma do santo Batismo [o caráter batismal], mas não possuem mais a luz [a graça santificante]; e são privados desta luz por conta da escuridão que é a falta cometida por amor próprio, treva que recobriu a pupila que lhes permitia ver. O mesmo há de dizer-se dos que têm a fé sem as obras: a fé é morta [já que ela não produz mais atos meritórios].

A santa não disse que a fé desapareceu ou que a alma a perdeu. Não, a fé ainda está lá, mas semelhante a uma pupila encoberta por uma nuvem de maior ou menor espessura [11].

Quando a fé é obscurecida numa alma, como foi dito, é como se o homem, mesmo muito inteligente por natureza, não tivesse o olhar voltado para o céu; ele vê diante de si as coisas que estão à sua altura ou que lhe são inferiores, e demonstra, muito frequentemente, perspicácia em suas atividades, mas está como que cerrado às realidades superiores:

O pecador — escreve Santa Catarina — não reconhece mais em si mesmo a minha Bondade, a qual lhe concedeu o ser, e também todas as graças de que o cumulei. Não me conhece, nem se conhece a si mesmo, e não detesta em si a sensualidade egoísta; além disso, ama-a e dela se utiliza para satisfazer-lhe os desejos. […] A mim não me ama, diz o Senhor; não me amando, não ama aqueles que amo, ou seja, seu próximo; e não coloca seu prazer em fazer o que me apraz [12].

Dessa maneira, o amor egoísta cobre com uma venda espessa a pupila da fé [13].

Sem dúvida, o pecado venial deliberado não pode tornar a fé morta, mas produz em certas almas que estão em estado de graça um efeito análogo à obscuridade da qual falávamos agora mesmo: essas almas ficam muito apegadas ao seu próprio julgamento e deixam-se mais ou menos iludir pelo inimigo de todo bem. Gostaríamos de poder dar aos seus olhos a simplicidade, elevação e doçura que só podem vir de Deus.

A obscuridade inferior, que vem da matéria, do erro e do pecado, impede a alma de penetrar a obscuridade superior, que nasce de uma fortíssima luz para os fracos olhos do nosso espírito.

A fé iluminada pelos dons do Espírito Santo

Se a fé do cristão em estado de pecado mortal está cercada de nuvens ou névoas, a fé do justo, por outro lado, sobretudo quando ele é generoso, é cada vez mais iluminada pelos dons do Espírito Santo, particularmente pelos dons de inteligência e de sabedoria, os quais tornam a fé penetrante e saborosa.

S. Catarina chama a estes dons uma luz especial concedida aos justos pela qual veem que Deus, doce e suprema Verdade, dá a cada um o estado, o tempo e o lugar, as consolações e as tribulações, em vista do que é necessário à nossa salvação e à perfeição a que Ele chama as almas [14]. S. Tomás ensina que a fé nos faz aderir à verdade divina e dirige a nossa vida, e é especialmente neste sentido prático da fé que se fala aqui. Vemos assim como esta virtude é o fundamento positivo de toda a espiritualidade. 

Se a alma fosse verdadeiramente humilde — disse o Senhor — e sem presunção alguma, enxergaria sob essa luz tudo o que vem de mim; é por amor que eu lhe ofereço e, portanto, é com amor e reverência que deve receber tudo quanto lhe envio [15]. 

Os justos muito mais esclarecidos “estimam-se dignos de todas as aflições, como também de serem privados de todas as consolações pessoais e de todo bem, seja ele qual for […]. Sob essa luz, conheceram e saborearam minha vontade eterna, que não quer outra coisa senão o vosso bem, e que não vos envia nem permite o sofrimento senão para que sejais santificados em mim” [16].

Certos sábios, no entanto, por causa do orgulho, são privados dessa luz que concede uma fé penetrante e saborosa:

Os que se envaidecem de sua ciência ficam cegos a essa luz, pois o orgulho e a nuvem do amor-próprio recobrem e ocultam essa claridade. É por isso que eles entendem a S. Escritura mais literal do que espiritualmente; só apreciam a letra, devido ao manuseio de muitos livros, e não saboreiam o cerne da Escritura, uma vez que estão privados da luz que a compôs e que também revela o seu sentido.

Estes belos eruditos se admiram, e caem na maledicência quando veem as pessoas pobres, rudes e sem instrução saborearem a S. Escritura e desfrutarem da minha Verdade […]. Digo-te, por isso, que para pedir conselho sobre a salvação da alma é muito melhor ir a um destes humildes, que possuem uma consciência reta e santa, do que àquele erudito orgulhoso que fez por seus estudos o percurso da ciência. Este só pode dar o que possui. Por isso, muitas vezes, em razão de sua vida nas trevas, é apenas em trevas que ele distribuirá a luz da S. Escritura, ao passo que os meus servos espalham a luz que possuem em si mesmos, desejosos e como que inflamados da salvação das almas.

Com efeito, a fé viva pressupõe e gera o amor:

Com esta luz, amam-me, porque o amor segue a inteligência. Quanto mais se conhece, mais se ama, e quanto mais se ama, mais se conhece. Assim, amor e conhecimento se alimentam reciprocamente [17].

Esta doutrina está de acordo com a de S. Tomás de Aquino sob todos os aspectos: a mais elevada das nossas faculdades é a inteligência, a qual dirige a vontade; e a caridade é a mais elevada das virtudes, a qual é princípio de todo mérito.

O espírito de fé e a contemplação dos mistérios de Cristo

No justo que é cada vez mais dócil ao Espírito Santo a fé torna-se progressivamente penetrante; ele compreende cada vez melhor a realidade divina sob as figuras e revela-nos sempre mais a grandeza do mistério do Cristo redentor, cujo sacrifício se perpetua até o fim dos tempos pela consagração eucarística. 

“Estigmatização de Santa Catarina”, por Eduardo Rosales Gallinas.

Ademais, o justo vê segundo o espírito de fé. O espírito ou a mentalidade de alguém é a sua maneira de ver, julgar, simpatizar, querer e agir. Há um espírito “de natureza”, que não se eleva acima do egoísmo mais ou menos consciente de si mesmo. O espírito de fé, ao contrário, leva-nos a considerar todas as coisas à luz da Revelação divina: Deus, antes de tudo; todos os mistérios da salvação; a nossa alma; o próximo; e os acontecimentos agradáveis ou dolorosos que acontecem.

Em S. Catarina de Sena, a fé é de tal modo viva que, assim como vemos as cores de uma paisagem à luz do Sol, ela parece ver o Cristo na hóstia consagrada e ativo nas almas. A santa julga a saúde espiritual das almas regeneradas pelo Sangue de Cristo como nós julgamos a saúde do corpo. Ela vê nas almas as feridas espirituais, o orgulho, a concupiscência da carne e dos olhos, da mesma maneira que vemos as feridas purulentas de um corpo devorado pela doença.

A Jesus Cristo, o Salvador, cuja obra redentora perdura até o fim dos séculos, a santa não O perde de vista nem por um instante. Ela tem do Salvador uma ideia não somente visível, mas também profundamente vivida. Trata-se da vida íntima da fé, e não somente da adesão obrigatória a uma fórmula revelada. Disse-lhe o Pai celeste:

Por causa da união entre a natureza divina e a natureza humana em meu Filho unigênito, aceitei o sacrifício de seu Sangue […]; o fogo da divina caridade foi o vínculo que O atou e pregou na cruz [18].

Jesus — disse ela — é o grande Médico, que curou o enfermo bebendo o remédio amargo que o homem não poderia beber, já que estava muito enfraquecido [19].

Ele é o Médico da humanidade, que acompanha todas as gerações humanas, a fim de conduzi-las à salvação. Além disso, nutre-as de si mesmo para dar-lhes a vida. 

Realmente presente na Eucaristia, Ele continua a oferecer-se e não cessa de interceder por nós. Ele é como a ponte [20], disse-nos a santa, ou o imenso arco que une a terra ao céu, a via pela qual todos os homens devem passar para alcançar a vida eterna.

À luz de sua fé vivíssima e dos dons do Espírito Santo, S. Catarina penetra admiravelmente os sentimentos mais íntimos de Nosso Senhor, e mostra-nos como Ele, do alto da cruz, entregou-se inteiramente à dor, sem perder contudo a suprema bem-aventurança na parte mais elevada da sua santa alma:

Sobre a cruz, Ele estava ao mesmo tempo feliz e sofredor: sofria por carregar a cruz material e a cruz do desejo da salvação das almas […], mas estava também feliz, porque a natureza divina unida à natureza humana estava impassível e fazia sempre feliz sua alma, revelando-se-lhe ela sem véu [21].

Do mesmo modo, disse a santa, os amigos íntimos do Senhor Jesus sofrem à vista do pecado, que ofende a Deus e devasta as almas, mas ao mesmo tempo estão felizes, pois o júbilo da caridade que possuem não lhes pode ser tirado, e é ela que faz sua alegria e felicidade.

“Santa Catarina de Sena”, por Alessandro Franchi.

A fé de S. Catarina de Sena penetra também, cada vez mais, a vida íntima da Igreja, Corpo místico do Salvador. Ela vê como Ele comunica a vida às almas que, por assim dizer, incorpora a si mesmo, fazendo-as participar primeiro de sua infância, depois de sua vida escondida e, por fim, de sua vida dolorosa, antes de fazê-los participar de sua vida gloriosa no céu.

A virgem de Sena vê como a Igreja, vivendo assim dos pensamentos, do amor, da vontade do Cristo, é sua verdadeira esposa. É na Igreja que, em certo sentido, continuam a grande oração e o sofrimento redentor do Salvador, até o fim do mundo. Como um rio espiritual, a vida sobrenatural da graça, por meio da humanidade de Jesus, desce de Deus sobre todas as almas, para subir novamente a Ele sob a forma de adoração, de reparação, de súplica e de ação de graças. “O Precioso Sangue, deste modo, opera sempre para a salvação” [22].

A Igreja aparece a S. Catarina de Sena sob a figura de uma virgem de traços nobres, de olhos muito puros, mas cuja face está corroída pela lepra, devido às faltas de muitos pobres cristãos [23]. “Vê, minha filha — disse-lhe o Senhor —, como as faltas desfiguram a face da minha esposa” [24]. Apesar da lepra, a Santa Igreja continua muito unida a Cristo e sempre vivificada por Ele, compreende-o Catarina [25]. As faltas, simbolizadas desse modo, “não podem debilitar ou dividir o mistério do sacramento da Eucaristia” [26]. O tesouro do Precioso Sangue está intacto, mas as faltas precisam ser reparadas.

E S. Catarina ouve também as seguintes palavras:

Pega teu suor, tuas lágrimas, coloca-os na fonte da minha divina caridade e, com eles, em união com meus outros servos, lava a face da minha esposa. Eu te prometo que este remédio lhe restituirá a beleza. Não é a espada nem a guerra que a podem restituir, mas, sim, a oração humilde e assídua, os suores e as lágrimas derramados com um desejo ardente, que vêm dos meus servos. Sem cessar, faz subir até mim o incenso de orações perfumadas para a salvação das almas, porque Eu vou fazer misericórdia para o mundo.

Não tenhais medo: se o mundo vos perseguir, eu estarei ao vosso lado e em nenhum momento vos faltará minha Providência [27].

De fato, essa é a grande fé viva iluminada pelos dons do Espírito Santo, a qual desabrochou nessa contemplação dos mistérios do Cristo e da Igreja [28].

Por fim, a fé de S. Catarina de Sena desabrochou na contemplação do Mistério supremo:

Ó Trindade eterna! Ó divindade, ó natureza divina que concedeu um tal preço ao Sangue de vosso Filho! Vós, Trindade eterna, sois um mar profundíssimo no qual eu mergulho; e quanto mais vos encontro, mais ainda vos procuro. De vós não se pode dizer jamais: é o suficiente! A alma que se sacia em vossa profundeza vos deseja sem cessar, pois está sempre mais faminta de vós [29].

E a definição de felicidade dada por S. Agostinho diz o seguinte: o estado de alma ao mesmo tempo satisfeita e sempre faminta.

Essa elevação à Santíssima Trindade é concluída com um cântico sobre a grandeza da fé:

Pela luz da fé, possuo a sabedoria, na sabedoria do Verbo, vosso Filho. Pela luz da fé, sou forte, constante e perseverante. Pela luz da fé, eu espero e não me desfaleço no caminho […]. Revesti-me, Verdade eterna, revesti-me de vós mesmo, para que eu viva esta vida mortal na verdadeira obediência e na luz da santíssima fé, da qual inebriais novamente minha alma [30].

Com estas palavras, Santa Catarina termina o livro, no ano do Senhor de 1378.

Conclusão

Fica claro, portanto, como seria errado afirmar que as ideias e julgamentos dos místicos cristãos são apenas um reflexo de emoções ou dos movimentos da sensibilidade. Pois sua inteligência se nutre, em primeiro lugar, da verdade divina revelada: trata-se da fé divina, e não de uma emoção que domina sua vida. E é porque sua inteligência se fixa na verdade de Deus que sua vontade é profundamente retificada e fortificada e sua ação é fecunda, não somente por um tempo ou pelas gerações seguintes, mas pela eternidade. Esta fecundidade é uma das grandes diferenças que separam a mística cristã da mística oriental que se encontra, por exemplo, no budismo. O pensamento e o amor dos místicos cristãos vêm de Deus, razão por que eles podem elevar-se até Ele.

Peçamos, também nós, por intercessão de S. Catarina, o grande espírito de fé que nos fará considerar, à luz da revelação divina, a Deus; a sua vida íntima; a humanidade do Salvador; a Igreja; a nossa alma, que deve ser salva; o nosso próximo, que deve ser socorrido; e os acontecimentos agradáveis ou dolorosos que ocorrem durante nossa viagem rumo à eternidade. Dessa fé viva resultará em nós um duplo conhecimento: o da nossa indigência e miséria e o da infinita grandeza e bondade de Deus. Ambos, disse a santa, são como o ponto mais baixo e o ponto mais alto de um círculo que crescerá sempre: “Eu sou Aquele que é; tu és aquela que não é” [31].

Referências

  • Pe. Reginald Garrigou-Lagrange. La foi selon Sainte Catherine de Sienne, in Vie Spirituelle 45 (1935), pp. 236-249. (Tradução e grifos de nossa equipe.)

Notas

  1. S. Catarina de Sena tinha então trinta e dois anos. Lembre-se que ela havia recebido a graça do matrimônio espiritual ou união transformante aos vinte anos. Cf. sua Vida, escrita pelo Beato Raimundo de Cápua, 1.ª Parte, cc. IX e XII. 
  2. Este era ainda o modo de ver de M. Henri Bergson em Las deux sources de la morale et de la religion; mas parece que ele progrediu depois disso.
  3. Diálogo, c. 29.
  4. Essa definição se articula por referência à ação, à inclinação para o fim último, mas está fundamentada sobre a verdade revelada. Trata-se de um “pragmatismo” superior que, no fundo, ironiza o pragmatismo.
  5. Diálogo, c. 45.
  6. S. Tomás fala exatamente o mesmo em In III Sent., d. 24, a. 2 e 3.
  7. Diálogo, c. 46.
  8. Id., c. 45.
  9. Fides est sperandarum substantia rerum, argumentum non apparentium”.
  10. Id., c. 46.
  11. Diálogo, c. 110. A fé sem a caridade compara-se com o pavio de um círio molhado, que não acende mais.
  12. Diálogo, c. 46.
  13. Um dos mais tristes efeitos desse obscurecimento é não entender a preciosidade da fé. Neste estado de morte espiritual, a fé não se apropria mais de si mesma. É, portanto, uma grandíssima misericórdia que Deus concede à alma deixar que, não obstante seu pecado, permaneça nela a fé infusa, mas informe. Esta fé obnubilada, cercada como que por uma densa névoa, não é a cegueira absoluta em que se pode cair por um pecado mortal contra a luz. A esse respeito, é verdade que o Senhor pode restituir a fé infusa que havia antes da morte àquele que a perdeu; trata-se, porém, de uma graça de imensa misericórdia, e não se pode ter por certo obtê-la. Ao pensar nesta graça, o pecador que ainda não a perdeu deve refletir sobre o valor sobrenatural do dom que ainda conserva em si, como a raiz de uma árvore cortada, e tudo fazer para reencontrar a fé viva, a única que nos conduz efetivamente à união divina.
  14. Diálogo, c. 99.
  15. Id., ibid. 
  16. Id., c. 100.
  17. Id., c. 85.
  18. Id., c. 85.
  19. Id., ibid.
  20. Id., c. 127.
  21. Id., c. 78.
  22. Id., c. 14.
  23. Id., c. 86.
  24. Id., c. 14.
  25. Id., c. 12.
  26. Id., c. 118.
  27. Id., c. 86.
  28. Sem dúvida, toda essa realidade era incomparavelmente mais viva na alma de S. Catarina do que no livro do Diálogo; este livro, contudo, revive à medida que nossa fé se eleva e se torna mais penetrante. Quando S. Ângela de Foligno, depois de ter ditado o que ela via na contemplação, relia o que estava escrito, não mais o reconhecia, por assim dizer; as palavras lhe pareciam sem vida, em comparação com o que ela tinha vivido interiormente. S. Catarina de Sena devia ter a mesma impressão ao reler o diálogo que ditara em êxtase.
  29. Diálogo, c. 167.
  30. Id., ibid.
  31. Id., cc. 4 e 72.

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Santa Hildegarda: uma visionária para todas as eras
Santos & Mártires

Santa Hildegarda:
uma visionária para todas as eras

Santa Hildegarda: uma visionária para todas as eras

A vida e os escritos de Santa Hildegarda de Bingen colocam-nos uma dura pergunta: teria Deus falado por meio dessa mulher, não apenas para os contemporâneos dela, mas a toda a humanidade, em todas as épocas, ou ela não passou de uma mulher muito doente?

Brennan PurselTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere17 de Setembro de 2021Tempo de leitura: 9 minutos
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Santa Hildegarda de Bingen (1098–1179) é uma maravilha do passado, um fenômeno histórico por direito próprio, e um questionamento direto a todos que se preocupam em aprender sobre ela e com ela hoje, no século XXI. Em suma, a vida e os escritos dela colocam uma dura pergunta: teria Deus falado por meio dessa mulher, não apenas para os contemporâneos dela, mas a toda a humanidade, em todas as épocas, ou ela não passou de uma mulher muito doente?

Hildegarda passou quase toda a vida no vale do Reno, perto de onde o rio Meno nele deságua. O vale central da Renânia é uma das regiões mais férteis da Alemanha; possui um clima suave e temperado, onde pessoas viveram em comunidades por milênios. Desde suas origens, o Reno forma uma via rápida natural nas terras alpinas até sua foz no Canal da Mancha e no Mar do Norte. O paradoxo da vida de Hildegarda é que ela foi uma alma solitária e contemplativa que viveu numa importante via, por assim dizer, onde ela se tornou o centro das atenções.  

Hildegarda, talvez um dos dez filhos de um casal da nobreza local, provavelmente teve uma primeira infância bastante privilegiada e normal, exceto por sofrer de uma doença que a deixava acamada. Durante esses períodos de fraqueza e dor, ela começou a ver imagens incomuns, talvez a partir dos cinco anos de idade. Quando falou com as pessoas sobre suas visões, mandaram-na ficar calada. Quando tinha sete anos, seus pais decidiram que ela deveria entrar para vida religiosa, e assim a entregaram aos cuidados de Juta (Judite), uma anacoreta, enclausurada numa cela de pedra adjacente a um mosteiro beneditino. Lá Hildegarda viveu, estudou, trabalhou e rezou por trinta anos. Um número cada vez maior de moças foi viver com elas, até que Juta se tornou a superiora de um pequeno convento beneditino. Quando Juta morreu em 1136 (Hildegarda tinha 38 anos), a comunidade de mulheres religiosas a escolheu por unanimidade para liderá-las. Pouco se sabe dessas três décadas da vida de Hildegarda, com a exceção de que seus ataques de enfermidade e as visões continuaram. Ela só falou com Juta sobre as visões, mas esta informou a um monge, Volmar, cuja posição era supervisionar as religiosas e ministrar-lhes os sacramentos.

A vida de Hildegarda mudou radicalmente aos 42 anos. A essa altura, ela já tivera a sua visão mais poderosa, não apenas uma visão de luzes e imagens, mas de inspiração, de compreensão, uma infusão de conhecimento sobre o significado da Escritura e de todo o conteúdo da fé. Também recebeu a ordem de escrever o que havia aprendido. Sentindo-se aquém da tarefa, Hildegarda ficou gravemente doente. Volmar mandou que ela escrevesse, e o abade do mosteiro adjacente concordou. Sua doença arrefeceu, e ela começou a escrever o que vira em latim (que não aprendera muito bem), trabalhando com Volmar, que a ajudou durante os trinta anos seguintes. Sua primeira e maior obra, Scivias, discorre em três livros sobre Deus e toda a Criação, a Redenção, a Igreja, o demônio e, finalmente, sobre toda a história da salvação. O primeiro a ler trechos da obra foi o abade; depois, o arcebispo de Mainz; depois, São Bernardo de Claraval e o próprio Papa, Eugênio (1145–1153), que leu os escritos dela em voz alta aos participantes de um sínodo na cidade de Trier, na Alemanha. A notícia se espalhara. Uma verdadeira profetisa vivia no Reno. Ainda que limitada, chegara ao fim a solidão de Hildegarda.

Novas vocações afluíram ao convento dela. Talvez para separar as ovelhas dos bodes, ela transferiu sua comunidade para um vale inabitado e arborizado às margens do Reno, e começou a construir o novo convento. Mas o movimento não parou por aí. Em poucos anos, ela teve de fundar outro convento, desta vez na margem oposta do rio. Como abadessa, ela visitava aquele mosteiro uma ou duas vezes por semana. As pessoas afluíam para ouvi-la falar, para receber sua bênção e para obter tratamentos para suas enfermidades. Tempos depois, ela publicou um grande tratado sobre muitas doenças e o modo de curá-las com o uso de plantas, ervas, partes de animais e pedras preciosas. Trocou muitas correspondências com o mais alto escalão da sociedade medieval: imperadores, papas, reis, bispos e arcebispos, príncipes, abades e abadessas, além de muitos sacerdotes, religiosas e membros da nobreza. Existem hoje mais de trezentas cartas dela, e sem dúvida muitas outras foram escritas durante sua longeva vida.

Recorreram a ela para pedir conselhos, para saber o estado de alma das pessoas, para pedir explicações da Escritura, explicações teológicas dos mistérios divinos e conhecimento sobre o futuro. Ela foi convocada para se reunir com o sacro imperador romano e fazer previsões para ele, que depois as confirmou. Ela falava e escrevia sobre o que lhe chegava, fossem notícias boas ou ruins. Sua voz interior lhe disse muitas coisas de que se queixar. Ela não guardava nada para si quando se tratava de dilacerar clérigos e prelados corruptos por causa de seus abusos da Igreja, da venda de ofícios e por levarem vidas de pompa, luxo e repletas de prazeres sexuais. Quando um prior escreveu para ela, pedindo que rezasse por ele porque estava fazendo o mesmo por ela e porque queria um bom desfecho para seus negócios, ela o repreendeu sem rodeios por seu egoísmo e sua visão pagã de oração. Não temos como saber o número de pessoas que ficavam perplexas com ela.

“A visão da Igreja de Santa Hildegarda de Bingen”, por Giovani Gasparro.

Além das centenas de cartas, ela escreveu outro livro sobre a vida moral e seus méritos, uma obra visionária como Scivias, sobre como temos de viver para participar da paz e da glória celestes. Outro livro é dedicado à descrição das obras divinas. Além do tratado médico, ela escreveu livros para explicar como a natureza funciona de acordo com os preceitos misteriosos de Deus. Ela recebeu a revelação da ordem divina em todas as coisas e se esforçou por transmitir essa ordem a outras pessoas. Também compôs setenta canções e uma peça musical de moralidade sobre as virtudes. Seu estilo, em prosa e em verso, é sempre vívido, persuasivo e repleto de imagens proféticas; é o oposto da escrita acadêmica árida e técnica. Contudo, não é fácil diferenciar precisamente entre o que ela recebeu numa visão, o que aprendeu em outros livros e na tradição local e oral, e o que ela observava e pensava por si.           

Obviamente, tal proeminência (destituída de quaisquer credenciais formais ou poder bruto que lhe servisse de apoio) fez com que ela se metesse em alguns problemas. Foi necessário muito esforço para convencer o abade (sob cuja autoridade ela vivera com Juta) a permitir que ela transferisse suas monjas e seus dotes para a nova localidade no Reno. Suas exortações aos clérigos e leigos poderosos e pecaminosos aumentaram a sua lista de potenciais detratores e inimigos. Algumas pessoas disseram que ela era uma impostora egoísta, ou simplesmente louca. O conflito com seu bispo para impedir que sua protegida, a irmã Richardis, fosse liderar outro convento foi uma causa perdida, já que afinal o Papa interveio para a apoiar o bispo. O caso não fez com que ninguém mostrasse suas melhores qualidades. Por volta do fim de sua vida, Hildegarda permitiu que um homem excomungado fosse enterrado no solo sagrado de seu convento; ela disse que ele se havia reconciliado verdadeiramente com Deus logo antes de morrer. O bispo discordou e pôs seu convento sob interdito, negando a Hildegarda e suas freiras o acesso aos sacramentos, mas ela o cansou com orações e súplicas. Em poucos meses, o interdito foi suspenso, e o túmulo permaneceu intacto. Porém, esses conflitos foram antes a exceção do que a regra.

O fato de ela ter sido uma mulher vivendo no século XII não representou um obstáculo sério à sua missão de disseminar a palavra da revelação de Deus até o fim de sua vida. Começando com cerca de sessenta anos, ela realizou quatro longas viagens pela área rural local, pregando tanto para o clero como para os leigos, com a aprovação de ninguém menos que o Papa. Suas canções eram cantadas em locais tão distantes quanto Paris, e a palavra de sua sabedoria se espalhou por toda a cristandade. Depois de sua morte na idade venerável de 81 anos, iniciou-se imediatamente um culto dedicado a ela. Embora não haja nenhum registro de sua canonização oficial nos séculos XII e XIII, ela foi listada entre os santos do Martirológio Romano ainda no século XVI. Foi só recentemente que o Papa Bento XVI a inscreveu no catálogo dos santos (uma ação chamada de “canonização equivalente”), no dia 10 de maio de 2012; e em 7 de outubro do mesmo ano deu a ela o título de Doutor da Igreja, um reconhecimento concedido a somente 33 pessoas até então, três delas mulheres [1].

Mas, por estarmos no século XXI, muitas pessoas simplesmente não aceitam que Deus tenha comunicado nada, muito menos a verdade, por meio de Hildegarda. Alguns historiadores diagnosticaram seus sofrimentos contínuos como enxaquecas, mas todos falharam completamente em explicar a origem de suas visões em termos médicos. Não podemos negar que alguns de seus sintomas se assemelham aos da enxaqueca, mas o poder e a riqueza de suas visões, bem como a profundidade da compreensão que ela mesma tinha delas, têm uma fonte muito diferente.

Ela não é uma desconhecida na Alemanha contemporânea, mas a maioria das pessoas conhece seu nome pelo motivo errado. Há uma linha de produtos e um site de internet que levam seu nome e vendem elixires feitos de plantas, poções, cremes, pós, rochas e corantes, todos comercializados para a felicidade, o sentimento de liberdade e a independência das pessoas. Porém, a prioridade de Hildegarda era a santificação e a salvação dos outros. Alega-se que os produtos são baseados nos escritos dela, mas eles estão mais alinhados com o comercialismo da Nova Era. Mais séria e mais digna é a associação (Bund der Freunde Hildegards) que publica um periódico trimestral e possui uma rede de médicos, quiropráticos e pesquisadores da área médica, os quais realizam um verdadeiro esforço para aplicar seus remédios e metodologias aos problemas que as pessoas enfrentam hoje. Mas esse grupo quase não entende a mensagem religiosa de Hildegarda. Num nível mais popular, cineastas alemães lançaram um longa-metragem sobre ela em 2009: Vision: From the Life of Hildegard von Bingen (“Visão: Da Vida de Hildegarda de Bingen”). O filme a apresenta como religiosa, abadessa, escritora, compositora e médica, terminando com seus preparativos para uma viagem de pregação. Infelizmente, porém, a produção se concentra nos esforços dela para ser reconhecida pelos homens da Igreja, bem como para conseguir a independência em relação ao controle deles. O roteiro conta a história da luta de uma mulher pobre e oprimida do século XII para se tornar plenamente ela mesma diante de uma hierarquia eclesiástica medíocre, invejosa, sexista e masculina.       

Hildegard foi e é muito mais que isso. Dizendo de modo bem simples, ela foi uma grande santa. Sofreu e lutou terrivelmente. Amou a Deus acima de todas as coisas e sacrificou tudo para agradá-lo. Perseverou até o fim. Inspirou inúmeras pessoas. Disse a elas que deveriam parar de pecar e abraçar a santidade. Para chegar a conhecê-la, leia os seus escritos. Algumas imagens lhe parecerão exóticas ou bizarras, mas a sabedoria de seus preceitos morais e insights religiosos merece um sério exame e um grande respeito.

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A fada-madrinha “sem gênero” de Cinderela
Família

A fada-madrinha
“sem gênero” de Cinderela

A fada-madrinha “sem gênero” de Cinderela

Na nova Cinderela da Amazon, em vez da fada-madrinha idosa do clássico original da Disney, as crianças são apresentadas a um jovem gay com um vestido de baile, salto alto e uma varinha mágica na mão.

Anne HendershottTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere17 de Setembro de 2021Tempo de leitura: 7 minutos
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O texto a seguir não foi escrito pelo Padre Paulo Ricardo; é antes a tradução, feita por nossa equipe, de uma matéria a respeito do novo filme Cinderela, presente na plataforma Amazon Prime

Em vários trechos do artigo, a autora Anne Hendershott faz referência a fatos específicos dos Estados Unidos, mas não é novidade para ninguém que a agenda LGBT avança também em nosso país, e com a mesma estratégia do exterior — começando pelas crianças, para que se acostumem desde cedo à desnaturação da família.


Para a criança — e até para o adulto que sabe haver uma criança em todos nós —, os contos de fadas revelam verdades sobre nós mesmos e sobre o mundo. Como o psicólogo Bruno Bettelheim afirmou em seu extraordinário estudo The Uses of Enchantment (1976) [1], “as fantásticas, às vezes cruéis mas sempre profundamente significativas vertentes narrativas dos contos de fadas clássicos, podem ajudar na maior tarefa humana: encontrar um sentido para a vida”. As crianças familiarizadas com os contos de fadas compreendem que essas histórias usam a linguagem dos símbolos — não a da realidade da vida cotidiana.

As crianças sabem que as histórias de fadas não são “reais”, mas os acontecimentos reais de suas vidas tornam-se importantes graças ao sentido simbólico que se lhes atribui. Elas sabem que os eventos descritos nessas histórias aconteceram “muito tempo atrás”, num “reino muito distante daqui”. Os antigos castelos, as fadas mágicas e as florestas encantadas existem numa época única dos contos de fadas, descrita nas linhas iniciais de O Rei Sapo, dos irmãos Grimm, como um tempo muito, muito distante, “quando os desejos ainda podiam ser realizados”.

Os contos de fadas originais dos irmãos Grimm sempre tiveram uma lição moral, um aviso de que devemos ser virtuosos, ou então coisas horríveis acontecerão conosco. Os contos de fadas clássicos sempre terminavam com os ímpios punidos e o bem vencedor do mal. Embora a Disney já tenha distorcido alguns de nossos contos de fadas mais queridos — como em sua produção mais recente de A Bela Adormecida, marcada por uma personagem moralmente ambígua: Malévola —, a versão mais recente de Cinderela, da Sony, promete criar ainda mais caos na mente das crianças. Assim como num conto de fadas não deveria haver tons de cinza numa figura verdadeiramente maligna (como Malévola), será ainda mais difícil para as crianças entender como é possível que a fada-madrinha da nova Cinderela da Sony seja um homem “feroz e fabuloso” de vestido (assim o descrevem algumas resenhas).

Lançado na plataforma da Amazon Prime em 3 de setembro de 2021, o filme Cinderela da Sony apresenta Billy Porter como a fada-madrinha mágica e querida de Cinderela. Em vez da fada-madrinha idosa do clássico original da Disney, as crianças são apresentadas a um jovem gay com um vestido de baile, salto alto e uma varinha mágica na mão.

Alegando que “a magia não tem gênero”, o ator Billy Porter disse, em declaração à revista Out, que sua personagem também não tem gênero. Para os criadores da produção, chamada pelos críticos de Cinderela queer, “a próxima geração já está mais do que pronta para ver esse tipo de representação em sua mídia favorita”. “Você sabe que este é um conto de fadas clássico para uma nova geração, e eu acho que a nova geração está realmente pronta. Sabe, as crianças estão prontas. São os adultos que estão atrasando as coisas”, declarou Porter.

A parte mais triste de tudo isso é que Billy Porter está certo: muitas crianças estão realmente prontas. Para as que estão matriculadas em escolas públicas progressistas de todo o país, a fluidez de gênero vem sendo ensinada desde os primeiros dias no jardim de infância. Elas podem ter participado de uma Drag Queen Story Time [2] na biblioteca local, ou até mesmo recebido visitas de drag queens na escola.

A agenda LGBTQ faz parte do currículo das escolas públicas há quase uma década e, em alguns distritos escolares, os pais não podem mais optar por preservar os filhos da exposição a essa ideologia. Elas já leram que Heather has Two Mommies [3] e foram apresentadas à ideia de que também elas podem mudar de “gênero” a qualquer momento. Existem em muitos distritos escolares Gay-Straight Alliances para crianças, mesmo nos anos iniciais  do ensino fundamental [4], já que elas são incentivadas a abraçar qualquer “gênero” e “orientação sexual” que desejarem.

A partir de agora, a Sony tornará mais fácil para a comunidade LGBTQ alcançar um público ainda mais jovem — as crianças em idade pré-escolar. Embora Billy Porter tenha respondido bruscamente a um repórter de Page Six dizendo: “Se você não gosta, não assista!”, ao ser criticado por usar vestido em sua aparição no programa norte-americano Sesame Street, da PBS, é difícil ignorar o bombardeio constante da mídia contra crianças muito pequenas, até mesmo em idade pré-escolar [5]. Agora que a ideologia atingiu programas infantis e nossos contos de fadas mais queridos, é quase impossível evitá-la.

Isso é triste porque os contos de fadas são importantes. Eles falam diretamente à criança num momento em que o maior desafio dela é trazer alguma ordem ao caos interior de sua mente. Essas histórias ajudam as crianças a se entender melhor, condição necessária para alcançar alguma coerência entre suas percepções e o mundo externo. Confirmando suas experiências e pensamentos íntimos, os contos de fadas ajudam as crianças a se sentir aprovadas.

Na obra Ortodoxia, G. K. Chesterton escreve: “Minha primeira e última filosofia, aquela em que acredito com certeza inquebrantável, eu a aprendi na creche… As coisas em que mais acreditava naquela época, as coisas em que mais acredito agora, são as coisas chamadas de contos de fadas”. Chesterton está falando sobre a moralidade dos contos de fadas:

Há a lição cavalheiresca de Jack, o matador de Gigantes, segundo a qual os gigantes deveriam ser mortos porque são gigantescos. É uma revolta viril contra o orgulho… Há a lição de Cinderela, que é a mesma do Magnificatexaltavit humiles (Exaltou os humildes). Há a grande lição de A Bela e a Fera de que uma coisa deve ser amada antes de ser amável... Estou me referindo a certa maneira de ver a vida que foi criada em mim pelos contos de fadas.

Quando Chesterton diz que os contos de fadas são “coisas inteiramente razoáveis”, Bettelheim afirma que ele “está falando deles como experiências, como espelhos da experiência interior, não da realidade; e é assim que a criança os compreende”.

Embora sejam contos morais, os contos de fadas são mais do que “fábulas”. As fábulas nos dizem o que devemos fazer e, embora possam ser divertidas, exigem muito de nós. Elas são um apelo à ação. Em contrapartida, a mensagem do conto de fadas opera no inconsciente, oferecendo às crianças soluções para problemas que elas nem conseguem reconhecer por si mesmas. Os melhores deles — incluindo os clássicos dos irmãos Grimm ou de Hans Christian Andersen — abordam a situação existencial. Em The Uses of Enchantment, Bettelheim afirma: “O conto de fadas tranquiliza, dá esperança para o futuro e traz a promessa de um final feliz… É por isso que Lewis Carroll chamou ao conto de fadas um presente de amor”.

Essas histórias ainda são importantes hoje. Na verdade, são provavelmente mais importantes do que nunca, à medida que tentamos encontrar um significado em nossas vidas cada vez mais desoladas. É cada vez maior o número de crianças que não são criadas numa comunidade amorosa, na qual a Igreja ofereça uma fonte de significado. Os contos de fadas são “totalmente morais” porque o seu ouvinte compreende que a verdadeira felicidade e a paz dependem de certos preceitos ou condições morais. Quando estes são quebrados, não pode haver paz nem felicidade. 

Como disse um escritor: “A condição pode variar de acordo com o conto, mas os contos imitam o grande ensinamento do Gênesis ao declarar que Deus mesmo fez depender toda a felicidade futura de uma, e apenas uma, condição: tu podes comer de todas as outras árvores, mas desta não”. Quando Eva desprezou a condição, a morte entrou no mundo. Como nos lembra Chesterton, os melhores contos de fadas — como todas as grandes histórias — “documentam o imperativo moral de que existe uma condição e que, se a condição for quebrada, então o inferno pode muito bem acontecer”.

A Cinderela de Billy Porter está longe de ser o “presente de amor” de que fala Lewis Carroll. Porter e a comunidade LGBTQ sabem do poder do conto de fadas e é por isso que estão tentando remodelá-lo à sua própria imagem. Eles não podem permitir que as crianças aceitem a ideia de amor entre um homem e uma mulher como algo natural; não podem deixar as crianças verem que se apaixonar e se casar é “normal”. Billy Porter e a comunidade LGBTQ — entre os maiores apoiadores da Sony — sabem que é preciso distorcer um belo conto de fadas como Cinderela para promover a ideologia depravada e destrutiva segundo a qual é possível escolher um “gênero”, já que a sexualidade não seria um presente de Deus [6].

Notas

  1. Este livro foi traduzido no Brasil sob o título “A psicanálise dos contos de fadas” (N.T.).
  2. Drag Queen Story Time é uma iniciativa da agenda de gênero norte-americana travestida de programa de incentivo à leitura para crianças. Segundo a Wikipedia, “os eventos, geralmente preparados para crianças entre 3 e 11 anos de idade, são conduzidos por drag queens que leem livros infantis e participam de outras atividades de ensino em bibliotecas públicas” (N.T.).
  3. Em língua portuguesa, há um título muito parecido com este, produzido com a mesma finalidade e também vendido para o público infantil: Olívia tem dois papais (N.T.).
  4. Gay-Straight Alliances (GSAs), lit. “Alianças de Gays e Heterossexuais”, são clubes escolares liderados ou organizados por estudantes supostamente tendo em vista “criar um ambiente escolar seguro, acolhedor e aceitável para todos os jovens, independentemente de orientação sexual ou identidade de gênero” (N.T.).
  5. O programa Vila Sésamo, do Brasil, é uma coprodução do programa norte-americano Sesame Street. Salvo engano, não nos consta que a aparição de Billy Porter tenha chegado à versão brasileira do programa (N.T.).
  6. No original: to promote the deviant and destructive ideology that gender is a choice—not a gift from God. Assim como na língua inglesa, também no português o termo “gênero” é usado como sinônimo de “sexo”. Para evitar que os nossos leitores se confundam, no entanto, modificamos a frase, de modo a deixar bem clara a distinção entre a realidade e a ideologia (N.T.).

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O que eles tinham que está nos faltando?
Santos & Mártires

O que eles tinham
que está nos faltando?

O que eles tinham que está nos faltando?

“Os mártires olhavam as fogueiras, os ferros em brasa, as rodas e as espadas como flores e perfumes, porque eram devotos”. Mas como foi possível que eles amassem com tanta generosidade? O que tinham eles, e os santos de modo geral, que está nos faltando?

Equipe Christo Nihil Praeponere16 de Setembro de 2021Tempo de leitura: 2 minutos
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São Francisco de Sales diz em sua Filoteia que “os mártires olhavam as fogueiras, os ferros em brasa, as rodas e as espadas como flores e perfumes, porque eram devotos”.

Tudo bem, mas… devotos? Fogueiras e ferros em brasa parecem combinar muito mais com coragem e fortaleza do que com devoção.

Calma, sua surpresa é perfeitamente compreensível. Em geral, usamos a palavra “devoção” num sentido genérico, para designar ou uma prática religiosa qualquer: “Eu faço a devoção dos cinco primeiros sábados…”, ou a nossa afeição a um santo determinado: “Eu tenho devoção a São José...”. 

São Francisco de Sales, porém, faz referência, aqui, a uma disposição interior bem específica: a de querer cumprir a vontade de Deus de modo imediato. Sem hesitar, reclamar ou procrastinar. Devoção, para ele, é sinônimo de “prontidão”.

Para ilustrar a ideia, talvez seja melhor recorrer a uma antítese, isto é, a um exemplo do contrário. Quando sua mãe, em casa, pede de você alguma tarefa, qual é sua reação? Se o seu normal é espreguiçar, demorar para levantar, caminhar como um “boi manso” e fazer tudo no seu tempo... devoção é uma coisa que, definitivamente, está faltando em sua vida.

Como sair disso, no entanto, para o grande testemunho que deram os mártires?

A resposta está no que vai dentro de nós, o nosso “homem interior”. Os mártires só deixavam seus corpos serem lançados às fogueiras por causa da “fogueira” ardente de caridade que já traziam em suas almas. Só aceitavam que os ferros em brasa marcassem suas peles porque seus próprios corações já estavam abrasados no amor a Deus.

No dia a dia, também temos as nossas “fogueiras” e “ferros”, “rodas” e “espadas”: são as nossas práticas de oração, os membros de nossa família, a quem devemos servir, e também os nossos instrumentos de trabalho. Porém, só seremos capazes de enxergar em tudo isso “flores e perfumes”, como fizeram os mártires, se os imitarmos no amor — se nos tornarmos, como eles, devotos, prontos, rápidos para servir.

Se você está inerte, dormente ou “morto” por dentro — é hora de acordar, “ressuscitar”, fazer queimar em seu interior uma chama que consome e faz agir. 

Comece pedindo a Deus esse fogo, e depois trabalhe incessantemente para não perdê-lo. Nisto consiste, em poucas palavras, a jornada da nossa vida

E é também este o objetivo de nosso próximo projeto, “Direção Espiritual: a Jornada”. Fique por dentro do que estamos preparando para você, cadastre-se em nossa lista para esse novo conteúdo e prepare-se desde já para a nossa transmissão de abertura de inscrições, na próxima segunda-feira, 20 de setembro, às 21h!

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Novena ao Padre Pio
Oração

Novena ao Padre Pio

Novena ao Padre Pio

Junto com esta novena de orações ao extraordinário São Pio de Pietrelcina, reze também a coroinha do Sagrado Coração de Jesus, que o frade dos estigmas rezava “diariamente, na intenção de todos que se recomendavam a suas orações”.

Equipe Christo Nihil Praeponere14 de Setembro de 2021Tempo de leitura: 7 minutos
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Esta novena ao Padre Pio pode ser rezada a qualquer tempo, mas é especialmente recomendada de 14 a 22 de setembro, nos nove dias que antecedem a memória litúrgica do santo de Pietrelcina (em 23 de setembro).

Os textos dos dias da novena — que mencionam fatos, devoções e frases do Padre Pio — foram retirados de vários lugares da internet, em língua inglesa e italiana, e devidamente adaptados para esta publicação. A coroinha do Sagrado Coração de Jesus foi extraída da obra Palavras de luz: florilégio do epistolário (São Paulo: Loyola, 2001, pp. 253-254), segundo a qual “Padre Pio rezava esta coroinha diariamente, na intenção de todos os que se recomendavam a suas orações”. A oração final, enfim, foi traduzida por nossa equipe a partir da oração Coleta em latim para a Missa própria do santo.

Quem conhece este santo do século XX, ainda que em linhas gerais, nem sequer precisa ser convencido da importância de seu culto e intercessão. Padre Pio foi um sacerdote extraordinário. Os milagres portentosos que, ainda em vida, Deus se dignou realizar por suas mãos, são um verdadeiro “tapa na cara” do homem moderno, tão cético, descrente e “cego” para as coisas do alto. 

Para os que ainda não sabem de sua história, no entanto, intercalamos as orações da novena com alguns vídeos do Padre Paulo Ricardo a seu respeito.


1.º dia

São Pio de Pietrelcina, que trouxestes em vosso corpo os sinais da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo e carregastes a cruz por todos nós, suportando os sofrimentos físicos e morais que vos flagelavam a alma e o corpo num martírio contínuo: intercedei junto a Deus, para que cada um de nós saiba aceitar as pequenas e as grandes cruzes da vida, transformando cada sofrimento num vínculo inabalável que nos una à vida eterna.

“Acostuma-te com os padecimentos que Jesus mandar. O Senhor, que sofre com tua aflição, virá para consolar-te, infundindo muitas graças em tua alma” (Padre Pio).

Rezar a Coroa do Sagrado Coração e a Oração final, abaixo.

2.º dia

São Pio de Pietrelcina, que junto a Nosso Senhor Jesus Cristo soubestes resistir às tentações do maligno e sofrestes os golpes e as vexações dos demônios que queriam levar-vos a abandonar vossa estrada de santidade: intercedei junto ao Altíssimo, para que também nós, com o vosso auxílio, encontremos a força necessária para renunciar ao pecado e conservar a fé até o dia de nossa morte.

“Na verdade, as tentações a que tenho sido sujeito são muitíssimas; porém, confio na divina Providência em que não cairei nos laços do enganador” (Padre Pio).

Rezar a Coroa do Sagrado Coração e a Oração final, abaixo.

3.º dia

São Pio de Pietrelcina, que amastes tanto a Mãe celeste, que dela recebestes diariamente graças e consolações: intercedei por nós junto à Virgem Santa, colocando em suas mãos os nossos pecados e as nossas tíbias orações, a fim de que, assim como em Caná da Galileia, o Filho diga sim à Mãe e o nosso nome seja escrito no livro da vida.

“Que Maria seja a estrela que vos aclare o caminho e mostre como ir com segurança ao Pai celeste; que ela seja como uma âncora à qual deveis sempre vos agarrar, sobretudo nos momentos de provação” (Padre Pio).

Rezar a Coroa do Sagrado Coração e a Oração final, abaixo.

4.º dia

São Pio de Pietrelcina, que tanto amastes vosso anjo da guarda, o qual foi vosso guia, defensor e mensageiro; a vós os seres angélicos levaram as preces de vossos filhos espirituais: intercedei junto ao Senhor, para que também nós aprendamos a invocar o nosso anjo da guarda, que durante toda a nossa vida está pronto para nos sugerir o caminho do bem e nos dissuadir de fazer o mal.

“Invoca o teu anjo da guarda, que te iluminará e conduzirá. O Senhor colocou-o perto de ti justamente para isso. Por isso, serve-te dele” (Padre Pio).

Rezar a Coroa do Sagrado Coração e a Oração final, abaixo.

(Recomendamos aos nossos alunos que assistam à aula 13 de nosso curso “Anjos e Demônios”, na qual Pe. Paulo Ricardo comenta uma carta escrita pelo Padre Pio a uma filha espiritual justamente sobre os anjos da guarda.)

5.º dia

São Pio de Pietrelcina, que nutristes uma grandíssima devoção às almas do purgatório, pelas quais vos oferecestes como vítima expiatória: rogai ao Senhor que infunda em nós o sentimento de compaixão e de amor que vós tínheis por essas almas, para que também nós consigamos reduzir-lhes o tempo de purgação, buscando, com sacrifícios e orações, ganhar para elas as santas indulgências de que necessitam.

“A vós, Senhor, suplico-vos que derrameis sobre mim os castigos reservados aos pecadores e às almas do purgatório; multiplicai-os em mim, contanto que convertam e salvem os pecadores e libertem em breve as almas do purgatório” (Padre Pio).

Rezar a Coroa do Sagrado Coração e a Oração final, abaixo.

6.º dia

São Pio de Pietrelcina, que amastes os enfermos mais do que a vós mesmo, vendo neles Jesus, e em nome do Senhor operastes milagres de curas no corpo, devolvendo a esperança de vida e a renovação no Espírito: rogai ao Senhor para que todos os enfermos, por intercessão de Maria Santíssima, possam experimentar vosso poderoso patrocínio e, por meio da cura física, possam colher vantagens espirituais que os levem a agradecer ao Senhor e a louvá-lo eternamente.

“Se, depois, eu sei que uma pessoa está aflita, seja na alma ou no corpo, o que eu não faria junto com o Senhor para vê-la livre de seus males? Com prazer carregaria sobre mim todas as suas aflições, para vê-la salva, oferecendo em seu favor os frutos de tais sofrimentos, se o Senhor assim me permitisse” (Padre Pio).

Rezar a Coroa do Sagrado Coração e a Oração final, abaixo.

7.º dia

São Pio de Pietrelcina, que aderistes ao projeto de salvação do Senhor, oferecendo vossos sofrimentos para libertar os pecadores dos armadilhas de Satanás: intercedei junto a Deus para que os que não creem tenham a fé e se convertam; os pecadores se arrependam do fundo do coração; os tíbios se afervorem na vida cristã; e os justos perseverem no caminho da salvação.

“Se o pobre mundo pudesse ver a beleza da alma na graça, todos os pecadores e todos os incrédulos se converteriam no mesmo instante” (Padre Pio).

Rezar a Coroa do Sagrado Coração e a Oração final, abaixo.

8.º dia

São Pio de Pietrelcina, que tanto amastes vossos filhos espirituais, muitos dos quais conquistastes para Cristo ao preço de vosso sangue: concedei também a nós, que não vos conhecemos pessoalmente, considerar-nos vossos filhos espirituais. Com a vossa paterna proteção, com a vossa santa guia e com a força que nos obtereis do Senhor, poderemos, no momento da morte, encontrar-vos às portas do Paraíso à espera de nossa chegada.

“Felizes aquelas almas inscritas no livro da vida eterna! Mil vezes felizes aquelas almas que em vida conseguem ser as filhas prediletas do divino Coração!” (Padre Pio).

Rezar a Coroa do Sagrado Coração e a Oração final, abaixo.

9.º dia

São Pio de Pietrelcina, que tanto amastes a Santa Mãe Igreja: intercedei junto ao Senhor para que mande operários para sua messe e dê a cada um deles a força e a inspiração dos filhos de Deus. Pedimos-vos também que intercedais junto à Virgem Maria para que ela faça retornar ao seio da verdadeira Igreja os que erram fora dela, abrigados por fim no único redil de Cristo, farol de salvação no mar tempestuoso desta vida.

“Permanece sempre agarrado à Santa Igreja Católica, porque só ela pode dar a verdadeira paz, pois só ela possui Jesus sacramentado, o verdadeiro Príncipe da Paz” (Padre Pio).

Rezar a Coroa do Sagrado Coração e a Oração final, abaixo.

Coroinha do Sagrado Coração de Jesus 

  1. Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade vos digo, pedi e recebereis, buscai e encontrareis, batei e vos será aberto”, aqui estou batendo, buscando, pedindo a graça… Pai-nosso, Ave-Maria e Glória. Sagrado Coração de Jesus, eu confio e espero em Vós.
  2. Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade vos digo, tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vos concederá”, ao vosso Pai, em vosso nome, eu peço a graça… Pai-nosso, Ave-Maria e Glória. Sagrado Coração de Jesus, eu confio e espero em Vós.
  3. Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade vos digo, passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras nunca”, apoiando-me na infalibilidade de vossas santas palavras, eu peço a graça… Pai-nosso, Ave-Maria e Glória. Sagrado Coração de Jesus, eu confio e espero em Vós.

Ó Sagrado Coração de Jesus, a quem é impossível não ter compaixão dos infelizes, tende piedade de nós, míseros pecadores, e concedei-nos as graças que vos pedimos por meio do Imaculado Coração de Maria, vossa e nossa terna Mãe.

São José, pai adotivo do Sagrado Coração de Jesus, rogai por nós! 

Salve Rainha, Mãe de misericórdia...

Oração final

Deus eterno e todo-poderoso, que destes a São Pio, presbítero, a graça singular de tomar parte na crucificação do vosso Filho, e que por seu ministério renovastes as maravilhas de vossa misericórdia, concedei-nos por sua intercessão que, associados continuamente aos sofrimentos de Cristo, sejamos com alegria conduzidos à glória da ressurreição. Pelo mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo. Amém.

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