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As lições do menino mexicano que queria morrer por Cristo Rei
Santos & Mártires

As lições do menino mexicano
que queria morrer por Cristo Rei

As lições do menino mexicano que queria morrer por Cristo Rei

É impossível pensar em ser católico sem concebermos a possibilidade de darmos nossa vida por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Equipe Christo Nihil Praeponere25 de Setembro de 2012
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José Luiz Sanchez Del Río nasceu a 28 de março de 1913, na cidade Sahuayo, província de Michoacan, México. Vivia uma vida comum, como qualquer outro menino do interior do México, até que esta normalidade foi quebrada pela ascensão de Plutarco Elias Calles à chefia do poder daquela nação.

Este presidente tirânico, declaradamente socialista e maçom, empreendeu em todo o país uma das maiores perseguições que a Igreja Católica sofreu no século XX. Com o pretexto de “livrar a nação do fanatismo religioso" (qualquer semelhança não é mera coincidência), Plutarco Calles iniciou uma investida militar contra padres, religiosos e fiéis leigos que demonstrassem qualquer sinal da fé católica. Confiscou todas as Igrejas, prendeu e matou padres, bispos, frades, freiras dentre muitos outros. Após tanta perseguição, um grupo de fiéis católicos viu-se obrigado a pegar em armas para garantir sua sobrevivência. Este conflito ficou conhecido como Cristiada ou Guerra Cristeira, em homenagem aos soldados cristãos que eram conhecidos como Cristeros.

Um dia, ao visitar o túmulo do beato mártir Anacleto González Flores, que havia morrido durante a perseguição de maneira brutal e impiedosa, José Luiz Sanchez Del Río rezou a Deus, pedindo para que ele também pudesse morrer pela manutenção de sua Fé. Então, aos 13 anos de idade, foi procurar o general Prudencio Mendoza, que tinha sua base na vila de Cotija, para que pudesse ingressar no exército cristero. Ao chegar, dirigiu-se ao general que o indagou:

- O que viste fazer aqui meu rapaz? Ele respondeu:
- Vim aqui para morrer por Cristo Rei.

A sinceridade daquelas palavras e o vívido olhar destemido daquele nobre rapaz ressoaram profundamente no coração do general cristero, que autorizou sua entrada na milícia. Ao longo de um ano, José Luiz Sanchez Del Río combateu em muitos confrontos ferozes contra o exército regular do governo comunista e maçom.

Em fevereiro de 1928, cerca de 1 ano após o seu ingresso no exército cristero, o menino e seus confrades foram surpreendidos numa emboscada. José Luiz cedeu seu cavalo ao líder da resistência, sendo capturado pelos sádicos soldados do governo de Plutarco. Na intenção de fazer com que o menino renunciasse sua fé, descamaram a planta de seus pés até as nervura e o amarraram em um cavalo, obrigando-o a andar por cerca de quatorze quilômetros a pé e descalço. Não precisamos aqui dizer o nível de dor que esta pobre criança sentiu, mesmo assim, nos momentos em que as dores lhes eram insuportáveis, o menino cheio da Graça Divina Bradava em voz alta e vigorosa “Viva Cristo Rey e la Virgem de Guadalupe!"

Sem sucesso na tentativa de que José Luiz abjurasse de sua fé por meio da dor mais causticante e alucinante possível, os soldados tentaram com intimidá-lo de outra maneira. Ao chegar na vila em que nascera, para ser executado no dia seguinte, os soldados fizeram com que a mãe do menino escrevesse-lhe uma carta pedindo para que ele abjurasse da fé católica, para poder ser solto. José Luiz Sanchez Del Río respondeu assim ao bilhete de sua mãe:

“Minha querida mãe: Fui feito prisioneiro em combate neste dia. Creio que nos momentos atuais vou morrer, mas não importa, nada importa, mãe. Resigna-te à vontade de Deus; eu morro muito feliz porque no fim de tudo isto, morro ao lado de Nosso Senhor. Não te aflijas pela minha morte, que é o que me mortifica. Antes, diz aos meus outros irmãos que sigam o exemplo do mais pequeno, e tu faz a vontade do nosso Deus. Tem coragem e manda-me a tua bênção juntamente com a de meu pai. Saúda a todos pela última vez e tu recebe por último o coração do teu filho que tanto te quer e tanto desejava ver-te antes de morrer"

No dia seguinte, 10 de fevereiro de 1928, uma sexta-feira, o menino que estava prestes a completar 15 anos ofereceu sua vida terrena para não perder a vida eterna ao lado de Jesus Cristo, a quem ele depositou sua fé com bravura e fidelidade.

Precisamos saber que sem demonstrarmos profunda repugnância e asco pelo que destrói nossa Santa Igreja, não somos verdadeiramente cristãos. Não há verdadeiro amor se não há repulsa pelo que imediatamente opõe-se ao que amamos. É impossível pensar em ser católico sem concebermos a possibilidade de darmos nossa vida por Nosso Senhor Jesus Cristo.

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É possível o retorno à inocência?
Sociedade

É possível o retorno à inocência?

É possível o retorno à inocência?

Com a contínua banalização do vício na modernidade, a ideia de preservar ou recuperar a inocência pode parecer um tanto irrelevante. Mas seria impossível fazê-lo? Ou, ao contrário, não é esse o único caminho para Deus?

Auguste MeyratTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere (adaptado)20 de Setembro de 2019
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Com a contínua banalização do vício na modernidade, a ideia de preservar ou recuperar a inocência parece um tanto irrelevante. Hoje, apenas alguns pais (geralmente mórmons ou católicos tradicionais) levam a sério a inocência de sua família e fazem o possível para proteger os filhos da corrupção reinante em todas as formas de mídia e ambientes. Eles educam em casa, restringem ou proíbem o tempo de televisão e  procuram limitar as companhias e amizades de seus filhos.

Na maioria dos casos, seus vizinhos mais progressistas os ridicularizam como loucos e fariseus modernos, principalmente quando veem seus filhos alimentando a fé e vivendo prudentemente, enquanto os seus próprios caem em todos os pântanos morais imagináveis.

Diante de tal êxito, pode-se perguntar por que mais pessoas não seguem essas famílias saudáveis em vez de zombar delas. Algumas o fazem, e isso explica por que as comunidades religiosas ortodoxas mais tradicionais estão crescendo rapidamente, enquanto as liberais continuam a decair de forma vertiginosa. Outros não o fazem porque não compreenderam o que realmente significa inocência. Com demasiada frequência, ela é entendida em termo negativos: não ser exposto a más influências, não observar ou conhecer o mal, não ter maus pensamentos ou cometer ações más etc. Se as pessoas veem a inocência como um conjunto de “não-experiências”, os que a ela se opõem podem tratá-la como algo que denota ignorância, ingenuidade e até insensibilidade.

A consequência dessa redefinição é clara, especialmente nas escolas, no entretenimento e na vida familiar. Na escola, as crianças são sistematicamente escandalizadas em relação à sua fé, aos seus relacionamentos e à sua própria identidade. Elas aprendem cedo a equiparar religião com superstição, amor com utilidade e o “eu” com características acidentais. Os alunos que praticam sua fé, evitam o sexo e renunciam ao status de “vítima” são considerados estranhos e atraem o desprezo universal. Por outro lado, os estudantes “de gênero fluido”, com muitos parceiros e sem religião, são cada vez mais celebrados e admirados.

No entretenimento, as crianças veem o bem e o mal relativizados, com o vilão muitas vezes interpretando o herói, e virtudes como a bravura e a honestidade sendo dissolvidas em desprezo, incompetência e superficialidade. Pode até ser que os telespectadores mais jovens aprendam a ser gentis com as pessoas, mas o que eles costumam aprender com mais frequência é a tirar sarro dos outros, esquecer suas boas maneiras e agir como palhaços.

Além de absorver a imoralidade desse entretenimento, o ato de consumir passivamente imagens e sons, na tela, atrai as crianças para o vício. Não há melhor maneira de tirar a inocência de uma geração inteira do que transformá-los em viciados.

É claro que a escola e o entretenimento não teriam tanto efeito sobre a inocência dos jovens se os adultos estivessem em guarda. Mas, infelizmente, a maioria dos adultos abandonou o posto, deixando suas casas um caos e as crianças se virando por si mesmas. Incentivados por uma propaganda onipresente, eles têm cada vez menos escrúpulos em submeter seus filhos à corrupção. Assim, as crianças passam os primeiros anos de formação em lares onde abuso, palavrões e mentiras são algo comum.

Essa extinção da inocência continua, perigosa, até a idade adulta. Colocados em uma ladeira escorregadia e achando que nada mais têm a perder, a maioria dos adultos continua perdendo ainda mais a inocência. Seu lazer, educação e vida doméstica se tornam ainda mais escandalosos e destrutivos, a ponto de males extremos como o aborto, a eutanásia e a perseguição religiosa começarem a ser tratados como opções desejáveis para revolucionar a cultura.

Essa situação deixa duas opções para o indivíduo que ainda acredita na inocência: lutar ou fugir. A curto prazo, aqueles que escolherem a última opção podem ser mais eficazes em lidar com esse movimento espiral de decadência moral, mas isso não acontecerá a longo prazo. A tão criticada “Opção Beneditina” poderia funcionar em uma sociedade feudal descentralizada, que é o que a Europa se tornou após a queda do Império Romano. Mas não pode funcionar em países modernos, onde um governo autoritário tem os meios e o apoio para simplesmente proibir ideias e práticas contrárias à sua ideologia. Por exemplo: as leis do Canadá que anulam a autoridade dos pais para pressionar a doutrinação LGBT, ou as leis draconianas da Alemanha contra o ensino em casa, indicam qual será o destino final das famílias que tentarem se afastar da corrupta cultura secular da nossa época.

Em vez disso, a melhor opção para preservar a inocência é combater a corrupção predominante. O primeiro passo requer recuperar a definição adequada de inocência. Muito mais do que uma mera falta de experiências negativas, a inocência é uma confiança em realidades superiores — como a Verdade, a Bondade e a Beleza. É inocente a pessoa que acredita na verdade da revelação de Deus, na bondade dos amigos e familiares, na beleza da Criação e da imaginação. Essa pessoa tem uma visão transcendente do mundo e é capaz de enxergar para além de si mesma. Ela não reduz toda a experiência a fenômenos materiais aleatórios, mas encontra significado em tudo e em todos. 

Por terem menos experiências que as levariam a duvidar das realidades mais elevadas, as crianças são naturalmente mais inocentes. No Sermão da Montanha, Cristo, a própria encarnação da inocência, claramente quer preservar essa qualidade nos jovens e recuperá-la nos velhos: “Em verdade vos digo: se não vos transformardes e vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos Céus” (Mt 18, 3). Jesus não ordena que os adultos abandonem suas responsabilidades ou seus conhecimentos, como ele deixa claro três versículos depois (cf. Mt 18, 6), mas exorta a manterem sua inocência e confiança em Deus.

Felizmente, apenas conhecer ou experimentar algo feio, mau ou falso não leva necessariamente as pessoas a perderem a inocência, embora isso certo aconteça se não tivermos cuidado. Dostoiévski ilustra essa situação com os protagonistas de Crime e Castigo. Na esperança de provar a teoria de que indivíduos verdadeiramente iluminados podem dispensar a moralidade, o protagonista Raskólnikov comete um duplo homicídio, perdendo a inocência no sentido não apenas jurídico, mas também espiritual. A miséria por ele experimentada não provém da culpa por tirar a vida de um inocente, mas da decisão de desistir da Verdade, da Bondade e da Beleza pela falsa sensação de poder resultante do pecado.

Em contraste direto, a personagem Sônia preservou a inocência. Ela brilha como um anjo, apesar de experimentar males muito piores como prostituta, apoiando o pai alcoólatra, com uma mãe histérica e irmãos pequenos e indefesos. Nas conversas entre os dois, Sônia é inocente, afirmando sua confiança em Deus e em seu amor, enquanto Raskólnikov se sente qualificado para lhe dizer o quão errada e ingênua ela é, ainda que ele mesmo nunca se dê conta da própria estupidez, ao cometer um crime pela simples razão de justificar uma hipotética moral adolescente.

Em vez de evitar Raskólnikov para manter sua pureza, Sônia pacientemente o confronta sobre seu crime e o desafia ao arrependimento. Nesse sentido, ela reflete os santos que brandiram sua inocência diante da corrupção. Eles entenderam que isso era mais persuasivo do que qualquer argumento. São Paulo conquistou mais convertidos na Grécia com sua inocência do que os maiores filósofos fizeram com seus diálogos e tratados. O próprio Santo Agostinho se converteu não por sua educação retórico-filosófica, mas por causa dos exemplos morais de sua mãe Santa Mônica e de seu mentor, Santo Ambrósio. São Bernardo de Claraval superou o lógico e célebre Pedro Abelardo (numa época em que havia pessoas assim) mais pelo poder de suas convicções do que por seu brilhantismo. São João Paulo II, um gênio por mérito próprio, dedicou sua vida a Deus depois de testemunhar a fé inabalável do pai, a quem considerou como seu “primeiro seminário”. Nada disso exclui a necessidade da razão; indica, porém, que esta é muito mais convincente quando associada à inocência.

Além de provar o poder da inocência, esses exemplos do passado demonstram que ela constitui o remédio concreto para um presente já fadigado. Obviamente, os que preservaram sua inocência devem torná-la um modelo para os outros. Eles podem esperar retaliações, mas pelo menos as pessoas notarão e talvez até venham a tomar consciência mais profunda dos efeitos encantadores da inocência.

O que é menos óbvio nesses exemplos, mas ainda assim imprescindível, é a necessidade subsequente do afastamento do mundo. A inocência impulsiona os homens para o céu; a corrupção os afasta. A pessoa deixa de confiar na Verdade, na Bondade e na Beleza quando passa tempo ouvindo mentiras, sucumbindo ao vício e se rendendo à autossuficiência. Portanto, o homem deve se afastar dessas influências.

Tal mudança acontece para Raskólnikov quando ele passa anos em uma prisão siberiana, antes de finalmente se arrepender. São Paulo escolheu viver no anonimato por três anos após sua conversão, antes de iniciar seu apostolado em Antioquia. Após sua conversão, Santo Agostinho se afastou permanentemente do mundo e de todos os seus prazeres e, praticamente, formou sua própria Ordem religiosa. São Bernardo ingressou na comunidade monástica mais rígida da França de sua época, e São João Paulo II perdeu o sono para passar mais horas em oração. Para todos esses homens, foi o afastamento do mundo que permitiu à inocência criar raízes e florescer. Eles pareciam haver entendido que, sem essa separação, a inocência continuaria sendo um ideal distante que induziria mais a remorsos do que à mudança de vida.

Na era da informação, esse afastamento se tornou cada vez mais difícil, à medida que novos dispositivos preenchem todos os espaços da vida; e inventores e psicólogos desonestos incorporam “tecnologia persuasiva” para destruir a possibilidade de autocontrole das pessoas. Por esse motivo, é necessário ter um propósito de mudar os próprios hábitos e reordenar as prioridades da vida. O tempo gasto anteriormente na televisão e nas mídias sociais pode ser preenchido com oração, trabalho, estudo e momentos de convivência. Se tal mudança puder ser sustentada sem recaídas, surgirão momentos de inocência em que a pessoa perceberá, e se revoltará, com o profano; e exaltará o belo, cheia de gratidão pelas muitas bênçãos presentes no mundo ao seu redor.

Para muitas pessoas que perderam sua inocência, a percepção de que ela pode ser resgatada é uma ocasião de grande alívio, e até de emancipação. Elas não precisam mais se desesperar por terem se afastado da inocência, nem continuar fingindo que estavam melhor por tê-la perdido. Em vez disso, elas podem ser encorajadas pela possibilidade de se tornarem inocentes novamente, protegendo a inocência de outrem e confrontando as forças que trazem à nossa sociedade essa tão sufocante corrupção. Por fim, um retorno à inocência através do afastamento do mundo é a única maneira de amar verdadeiramente ao próximo e aos inimigos, sem se perder e permitir o pecado. É a única maneira de combater os escândalos sem ser escandalizado. Mais importante ainda, é o único caminho para Deus.

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O melhor temperamento é…
Cursos

O melhor temperamento é…

O melhor temperamento é…

Como nascemos todos com o pecado original, não existe um temperamento melhor do que o outro. É preciso aproveitar as qualidades da própria “compleição”, trabalhar as suas debilidades e, sobretudo, crescer na graça de Deus.

Equipe Christo Nihil Praeponere19 de Setembro de 2019
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Não é porque somos filhos de Adão e desenvolvemos certos maus hábitos ao longo dos anos que precisamos envelhecer no mal e fazer dele um projeto de vida. O temperamento que recebemos “não é uma resignação”. Deus nos deu uma “compleição” específica, mas é no trabalho e na purificação dela que está a nossa santificação.

Além disso, coléricos ou sanguíneos, fleumáticos ou melancólicos, todos somos herdeiros do pecado original. Por isso, no estado em que nos encontramos, não existe um temperamento melhor do que o outro. É preciso aproveitar as próprias qualidades, sanar as próprias debilidades e, sobretudo, procurar crescer na graça de Deus, que nos eleva acima de nossa natureza decaída.

Tudo isso é só para dizer que nós já estamos trabalhando na produção do curso “Os Quatro Temperamentos” e, abaixo, você confere um pouco do que espera por você em outubro, aqui no site do Padre Paulo Ricardo:

Como você pode ver na própria abordagem do vídeo, nosso curso não é um “manual” de cunho psicológico sobre os temperamentos. Para nosso apostolado, o importante mesmo é ver onde esse assunto se encaixa no caminho da santidade

Se por um lado não se deve superestimar a sua importância, como se fôssemos “animais” e estivéssemos confinados aos limites do que a natureza nos impôs, nem por isso os temperamentos devem ser subestimados, como se não passassem de uma “teoria ultrapassada”, sem nada a acrescentar à nossa vida de virtudes e de busca de Deus.

Se você quer saber melhor como esse assunto é tratado dentro do sadio equilíbrio da espiritualidade cristã, inscreva-se agora mesmo em nossa lista exclusiva para este curso e receba todas as atualizações a respeito!

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A guerra que não podemos perder de vista
Espiritualidade

A guerra
que não podemos perder de vista

A guerra que não podemos perder de vista

Se é a paz do céu o que queremos, não nos esqueçamos: para a nossa condição decaída, o que Jesus primeiro veio trazer foi a espada. Da guerra contra nós mesmos depende tudo. Se perdermos essa luta, toda esta nossa vida não terá servido de nada.

Equipe Christo Nihil Praeponere17 de Setembro de 2019
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Se procurarmos na literatura cristã motivos para rezar e fazer jejum, não nos faltarão explicações, e uma melhor do que a outra. Mas a simplicidade com que Santo Tomás de Aquino trata do tema é incomparável.

Comentando o nono mandamento, o Aquinate ensina alguns meios de combater a concupiscência, contra a qual ele adverte ser importante “trabalhar muito”, já que estamos falando de um “inimigo familiar, que está dentro de nós”. E um desses meios é justamente a perseverança na oração. Ele explica:

Há que rezar com insistência, porque “se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a constroem” (Sl 126, 1); “Consciente de não poder possuir a sabedoria [continência], a não ser por dom de Deus” (Sb 8, 21); “Quanto a esta espécie de demônio, só se pode expulsar à força de oração e de jejum” (Mt 17, 21). Ora, se dois inimigos estivessem em batalha e tu quisesses ajudar um deles, a um terias de prestar auxílio e a outro não. Pois bem, há entre o espírito e carne uma luta constante (praelium continuum). Por isso, é necessário, se desejas que o espírito saia vencedor, que lhe prestes auxílio, e isto se faz pela oração; à carne, porém, o tens de negar, e isto se faz pelo jejum, pois é pelo jejum que se enfraquece a carne.

Estão aqui resumidos todos os tratados de teologia ascética e mística. Há dentro de nós uma batalha sendo travada, e é preciso jejuar (trabalho negativo) e rezar (trabalho positivo) para enfraquecer a carne e fortalecer o espírito, respectivamente.

Agora, atenção, porque o espírito de que fala Santo Tomás não é simplesmente a alma humana, mas, sim, o lugar onde Deus habita em nosso coração. Trata-se mais propriamente da graça, da vida divina e sobrenatural em nós. O que está em jogo nessa “luta constante” de que fala o Doutor Angélico, portanto, é nada menos do que o nosso estado de graça e a nossa salvação eterna, que se encontram o tempo todo ameaçados pelo drama do pecado e do afastamento de Deus. Não estamos falando de uma batalha qualquer, mas de um duelo de vida e morte (mors et vita duello), graça e desgraça, céu e inferno. 

Mas a pergunta que precisa ser feita é: ainda cremos nisso? Ainda temos fé nessas coisas que foram cridas pelos católicos de outros tempos e lugares, a ponto de muitos deles derramarem o próprio sangue só para não as negarem?

A questão é importante porque há uma doutrina errônea sendo propagada, infelizmente já absorvida por muitos católicos, segundo a qual uma bondade meramente teórica e natural basta para nos salvarmos. Essa ideia está “no ar”: é visível no desleixo com que tratamos os sacramentos, em especial a Eucaristia; na indiferença com que falamos da nossa religião, como se fossem todas iguais; e no modo laxo com que tantos, dentro da Igreja, falam de pecado e salvação. 

É como se a batalha de que falam o Doutor Angélico, todos os santos e o próprio Santo dos santos (cf. Mt 26, 41: “Vigiai e orai para não cairdes em tentação, porque o espírito está pronto, mas a carne é fraca”) fosse apenas uma metáfora, um “pano de fundo” geral para entendermos que é preciso ser bom e honesto, mas em linhas gerais, e não em todas as particularidades do que exigem os Mandamentos. (Para as nossas faltas, poderíamos contar com uma abstrata “misericórdia” superna, que tudo aceita, que tudo tolera, que tudo desculpa. Mesmo se não estivermos arrependidos dos nossos pecados. Mesmo se houvermos feito deles um projeto de vida. O céu não tem “alfândega” nem “controle de imigração” e o inferno… ah! “o inferno está vazio”.)

Nessa matéria, o correto seria dar ouvido àquilo que a Igreja sempre ensinou, porque é isso o que Jesus deixou a ela em última instância, de modo que apartar-se da doutrina católica de sempre nada mais é do que afastar-se da verdade de Cristo, que liberta e salva. O correto, portanto, seria: 

  • voltarmos a falar de inferno, porque o Evangelho fala dele (cf. Mt 18, 9: “É melhor para ti entrares na vida cego de um olho que seres jogado com teus dois olhos no fogo da geena”; Mt 23, 33: “Serpentes! Raça de víboras! Como escapareis ao castigo do inferno?”; Mt 25, 46: “E estes irão para o castigo eterno, e os justos, para a vida eterna”); e
  • lembrarmos que há pecados bem comuns que privam da vida eterna (cf. 1Cor 6, 9: “nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus”); 
  • que as pessoas precisam se arrepender verdadeiramente dos seus pecados para ganhar de volta a graça perdida; 
  • que precisam se confessar a um sacerdote para receber o perdão de Deus; e 
  • que, se não quiserem fazer isso, não devem se aproximar da mesa da Comunhão (cf. 1Cor 11, 28: “Que cada um se examine a si mesmo e, assim, coma desse pão e beba desse cálice”).  

Se olharmos para as Escrituras, para a história da Igreja, para a sua prática ao longo dos séculos, para o que ensinaram o Concílio de Trento e, reiterando essa doutrina, também o Papa São João Paulo II, especialmente na encíclica Veritatis Splendor e na exortação Reconciliatio et Poenitentia, seremos capazes de observar um crescimento orgânico da doutrina cristã, um desenvolvimento que ao longo dos séculos foi deixando mais claro o que no Evangelho estava enunciado em algumas poucas sentenças. É a semente humilde que se transformou em árvore frondosa.

Mas hoje… onde se fala de pecado, de Confissão, de estado de graça e de inferno? Em muitos lugares, a bela árvore da verdadeira doutrina católica foi substituída por um espantalho. Daí os relativismos e as concessões, os “panos quentes” e até mesmo a promoção e exaltação do mal. Por essas e outras a “nova igreja” que colocaram no lugar da santa Igreja Católica não fala mais nem de oração nem de jejum. A sua batalha não é mais a batalha espiritual de que falam Santo Tomás e Nosso Senhor; o inimigo da vez não é o diabo, o mundo e a carne, mas a opressão do “sistema”, as queimadas e desmatamentos e o que quer que interesse às causas do momento.

Contra esses ares de mudança que sufocam a Igreja, o que está ao nosso alcance fazer é, em primeiro lugar, crer. E crer não em qualquer coisa, mas somente naquilo que sabemos ser a doutrina sólida e segura deixada por Cristo Nosso Senhor aos Apóstolos e seus sucessores. Entre essas coisas nas quais devemos crer está o praelium continuum, a luta incessante que travam nesta vida a nossa carne corrompida e o Espírito Santo de Deus em nós. Não nos deixemos seduzir por um discurso que declara guerra aos quatro cantos do mundo, mas que deixa intacto nosso egoísmo, e talvez até o afague um pouco, com uma mentirinha religiosa bem elaborada aqui e acolá. 

Não, o que Cristo ensinou há dois mil anos continua valendo para nós hoje. Continua sendo necessário, para a nossa salvação, entrar pela porta estreita, mortificar os nossos sentidos, resistir às tentações e rezar com afinco pela nossa fidelidade. Se é a paz do céu o que queremos, não nos esqueçamos: para a nossa condição decaída, o que Jesus primeiro veio trazer foi a espada (cf. Mt 10, 34). Da guerra contra nós mesmos depende tudo. Se perdermos essa luta, perdendo a graça de Deus, toda esta nossa vida não terá servido de nada.

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Carta de um pai a seu filho: como rezar e ser um cristão melhor?
Espiritualidade

Carta de um pai a seu filho:
como rezar e ser um cristão melhor?

Carta de um pai a seu filho: como rezar e ser um cristão melhor?

A verdadeira profundidade não está no fundo do oceano, mas no abismo do coração humano, que se torna sombrio com o pecado e o egoísmo, mas que também é capaz de ser preenchido com a graça de Deus.

OnePeterFive.comTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere17 de Setembro de 2019
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A carta a seguir foi escrita há alguns anos por um pai a seu filho adolescente, que havia lhe pedido conselhos sobre como rezar e como ser um cristão melhor.


Caro N.,

Há muito tempo pretendo escrever uma carta para você, assim como já lhe escrevi algumas no passado. 

Primeiro, quero elogiá-lo por ser tão fiel à sua oração da manhã. Deus o abençoará abundantemente por essa fidelidade. Como Nosso Senhor diz: “Aquele que é fiel nas coisas pequenas será também fiel nas coisas grandes. E quem é injusto nas coisas pequenas, sê-lo-á também nas grandes” (Lc 16, 10). O caminho pelo qual crescemos na santidade consiste em sermos fiéis nas coisas bem pequenas. Fazer o trabalho escolar, as tarefas domésticas, as atividades diárias, da melhor forma e sem reclamar, é o caminho para a santidade.

Cuidado com a tentação sutil de fazer outras coisas pela manhã que possam reduzir o seu tempo de oração. Certamente, você pode levar alguns minutos para ficar bem acordado; para muitos, tomar uma xícara de café ou de chá é uma condição sine qua non para exercer uma atividade racional, logo após acordar. Mas, o mais rápido possível, faça a coisa mais importante de cada dia: adore, louve, agradeça e suplique ao Senhor. Deus é bom, e sua misericórdia dura para sempre. Ele é a rocha sobre a qual devemos construir toda a nossa vida.

Durante a oração da manhã, reserve um tempo para a meditação silenciosa — a fim de somente ficar recolhido na presença do Senhor. Para isso, a leitura espiritual é crucial, porque empilha a madeira seca e, quem sabe, talvez atice um pouco de fogo. Mas, quando o fogo se acender, devemos nos sentar quietos ao redor dele para nos aquecer. Precisamos de tempo e um pouco de calma para que a semente da Palavra de Deus se enraíze e cresça. Quando você chegar a um ponto de quietude, permaneça lá — não tenha pressa de chegar ao próximo passo.

Se você se distrair, como todos fazem, retorne gentilmente ao Senhor. Peça perdão por ter se distraído e volte a pensar nEle. Se estiver se sentindo muito distraído, pegue então o rosário e reze-o lentamente, ou faça a seguinte oração a Jesus, até que sua mente e coração sejam trazidos de volta à quietude: “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tende piedade de mim, que sou um pecador”.

Senhor, quebrai a dura crosta que envolve o meu coração e a minha mente. Não escondais vosso rosto de mim. Deixai-vos conhecer por mim. Tomai meu coração e fazei-o vosso. Derramai em minh’alma a vossa paz.

Eis aqui algo muito importante: reze a partir de seus desejos, medos, preocupações, confusões, decepções, problemas, alegrias, prazeres. Quando Deus lhe concede essas coisas ou permite que você as experimente, Ele está fornecendo a matéria-prima para sua oração. Tudo o que você traz dentro de si, suas experiências, pensamentos e sentimentos, constituem o contexto no qual Deus quer vir ao seu encontro; e é sobre isso que Ele deseja ouvi-lo. A oração é sobre a nossa vida aqui e agora. Não é uma fuga para outro lugar; é uma forma de encontrar a graça, no momento presente, para ser seu filho.

A postura faz diferença em nossa oração. Sentar-se na posição vertical, sem muito relaxamento, é uma boa postura para meditar; mas também precisamos nos ajoelhar regularmente, e não ter preguiça de dobrar os joelhos, mantendo as costas eretas. Não é fácil fazê-lo — e isso é bom. Precisamos aprender a negar a nós mesmos, e o ato de nos ajoelharmos faz com que sejamos colocados no nosso devido lugar diante do “grande Deus do céu e da terra”, que é nosso Criador e Juiz.

Reserve com antecedência um período de tempo para rezar pela manhã. A princípio, pode ser 15 minutos, e, posteriormente, 30 minutos. Tendo decidido isso, permaneça comprometido com todo o seu tempo de oração, sem abreviar ou fazer de qualquer jeito. Os últimos minutos tendem a ser os mais difíceis e os mais proveitosos. Quando estiver difícil ou “árido”, é então que você mais treina sua vontade no hábito da perseverança e da fidelidade. Começar a rezar requer um ato de vontade, mas perseverar na oração requer um ato de vontade singular e maior. É como a diferença entre começar a correr e continuar correndo mesmo sem fôlego.

Uma vez você me perguntou o que significa “seguir Jesus”. Em poucas palavras, significa o seguinte:

Crer nos seus ensinamentos.
Esperar nas suas promessas.
Amar a Deus e ao próximo.

Seguir a Cristo é apegar-se com fé a suas palavras e deixar que elas iluminem a nossa mente e o nosso coração; confiar em sua misericórdia o tempo todo e saber que Ele nos levará para casa; amá-lo com todo o nosso ser, para que seu amor possa nos conquistar, reerguer nosso ser e depois se espalhar para o mundo por meio de nós. O segredo para ser feliz é amar e ser amado.

A fé é o remédio para o nosso orgulho e para os limites da nossa razão. A fé é um presente de Deus, mas requer, da nossa parte, assentimento e prática. Deus nos dá mãos e pés, mas somos nós que escolhemos usá-los. Assim, Ele também nos dá as virtudes da fé, da esperança e do amor, e a liberdade de exercitá-las. Sempre que as usamos, elas se fortalecem, e passam a determinar, cada vez mais, o curso de nossa vida.

E qual é o propósito de nossas vidas? Servir a Deus conhecendo e amando-o, aperfeiçoando-nos e servindo ao próximo. Primeiro devemos amar a Deus acima de tudo; em seguida, devemos amar a nós mesmos corretamente; por fim, devemos amar ao próximo como a nós mesmos.

Como posso fazer isso hoje? Todo grande plano é realizado em pequenas etapas. Faça um plano, pelo menos um plano aproximado, para o dia, alternando um “Eu devo...” com um “Eu quero...” (as coisas que deve fazer, mesmo que não queira, com as coisas que gostaria de fazer), e o mais importante, ofereça todo seu dia e todo seu ser ao Senhor.

Trabalhe duro, torne-se proativo e responsável. Pegue o touro pelos chifres. Não seja alguém que nunca sabe o que precisa ser feito. Obviamente, se precisar de ajuda, peça. Mas, faça o que fizer, seja proativo e não indiferente, bem disposto e não preguiçoso; e esteja preocupado em sempre melhorar, ao invés de se contentar com o que já é ou possui. Faça os seus trabalhos com calma, e não de qualquer jeito ou às pressas.

O que significa “servir aos outros”? Pense assim: seu trabalho é fazer as outras pessoas felizes ou, no mínimo, menos infelizes. Tudo o que você puder fazer para aliviar seus fardos ou ajudá-las a carregá-los, para atenuar seus problemas e tristezas, para ser amigo, enfim, tudo isso é uma maneira de servir. Pense que você estará servindo ao Senhor neles, como disse Jesus: “Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes” (Mt 25, 40).

O contrário de servir aos outros é egoísmo. Egoísmo significa ensimesmar-se, preocupando-se apenas com os próprios projetos e desejos. Está intimamente ligado à ganância — ou seja, ao espírito de querer muitas coisas, de se cercar delas e se sentir com direito a elas. Usadas na medida certa, as coisas não são um problema; mas podemos perder rapidamente o equilíbrio e a orientação. Podemos nos perder nas coisas e esquecer de onde vieram e para que servem. Se o nosso coração não está onde precisa estar, as coisas não nos deixarão mais satisfeitos, e sim mais solitários. Se o nosso coração está onde deveria estar, não nos importamos tanto com os bens — e quando os tivermos, saberemos como usá-los e como viver sem eles. Precisamos evitar o perigo de viver pelas coisas, e não por Deus e pelas pessoas que Ele quer que amemos.

A realidade mais fundamental não são as partículas subatômicas, mas o amor de Deus, que sustenta todas as coisas no ser — que me sustenta no ser, a fim de que eu seja amado por Ele e possa amá-lo de volta. A realidade mais suprema não é o cosmos ou seus milhões de galáxias incontáveis, mas a sabedoria e a bondade de Deus, que ordenam sutilmente todas as coisas e manifestam sua glória a nós, que somos seus filhos amados. A verdadeira profundidade não está no fundo do oceano, mas no abismo do coração humano, que se torna sombrio com o pecado e o egoísmo, mas que também é capaz de ser preenchido com a graça de Deus. O que é mais alto não são as montanhas elevadas, mas a misericórdia de Deus que nos rodeia e nos cura.

Deus todo-poderoso e eterno,
Vós sois o autor de todas as coisas —
sem Vós nada existiria.
Vós me chamastes a existir,
e me sustentais no ser, a todo momento,
inclusive neste exato momento, em que eu vos invoco com fé.
Vós sois a verdade que dá sentido a tudo,
a bondade que torna qualquer coisa amável,
a beleza que ilumina a face da terra.
Dai-me o conhecimento de vossa verdade e o zelo em buscá-la.
Abri meus olhos para a vossa bondade e
fazei-me bom, como Vós sois bom.

Tomai meu coração com sua beleza
e não permitais que eu vos abandone jamais.
Amém.

Com todo o meu amor,

Papai.

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