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Como o ataque dos protestantes a Maria desmantelou toda a sociedade
Virgem Maria

Como o ataque
dos protestantes a Maria
desmantelou toda a sociedade

Como o ataque dos protestantes a Maria desmantelou toda a sociedade

O culto a Nossa Senhora fez com que, ao longo de séculos, ficasse enraizado nas sociedades outrora cristãs um senso de humildade e de hierarquia. Até que veio o movimento protestante, com uma noção revolucionária e destruidora de igualitarismo...

Timothy FlandersTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere20 de Maio de 2020Tempo de leitura: 9 minutos
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Desde a Queda, homens e mulheres ficaram aprisionados numa disputa por poder. Em lugar da norma da humildade e da caridade, criada por Deus, Adão e Eva escolheram a soberba e a rebelião contra o Criador e a revolta de um contra o outro. A soberba gera disputa de poder, porque só pode ser satisfeita com a ampliação deste através da realização da própria vontade. É o non serviam de Satanás. Assim, antes da vinda de Cristo, o Profeta clamou: “Senhor, estabelece sobre elas um legislador, para que os povos conheçam que são homens [miseráveis]” (Sl 9, 21).

Nosso Senhor estabeleceu uma nova criação quando veio ao mundo. Ele se tornou o novo Adão, e Maria a nova Eva. Nossa Senhora e Nosso Senhor não foram maculados pela ânsia de poder, pois não tinham o pecado original. Em vez de ser desobediente como Eva por orgulho, Maria se anulou por humildade: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38). Não se deixando vencer em humildade, Cristo “aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo” (Fl 2, 7). Na nova criação, a disputa de poder se transformou na luta para alcançar a humildade. Essa foi a “competição” da qual participaram os santos e cujo prêmio eles ganharam.

Maria e a autoridade viva de Cristo. — Cristo tornou definitiva no mundo a luta pela humildade precisamente por ter nascido de uma mulher, a fim de estabelecer um exemplo tangível de humildade, associando-o a uma autoridade viva. Deus se deu a conhecer não apenas como uma ideia abstrata ou uma realidade transcendental — algo que no cotidiano poderia ser destituído de toda autoridade verdadeira e viva pela disputa do poder e do orgulho. Em vez disso, Deus nos foi apresentado por meio de Maria a fim de que nos humilhássemos perante uma autoridade viva. São John Henry Newman fala dessa realidade (o contexto era o dos protestantes liberais de sua época):

O mundo aceita o fato de que Deus seja homem; esse reconhecimento lhe custa pouco, pois Deus está em todo lugar e é tudo (como o mundo pode dizer). Porém, reluta em confessar que Deus é o Filho de Maria. Essa relutância ocorre porque o mundo é imediatamente confrontado com um fato grave, que viola e abala sua própria descrença; a doutrina revelada assume sua verdadeira forma imediatamente e adquire uma realidade histórica; o Todo-poderoso é introduzido em seu próprio mundo numa determinada época e de um modo definido. Sonhos são interrompidos e sombras desaparecem; a verdade divina já não é uma expressão poética, um exagero devocional, uma economia mística ou uma representação mítica. “Não quiseste sacrifício nem oblação”, as sombras da Lei, “mas me formaste um corpo” [1].

Os hereges odeiam Maria porque é através dela que Cristo confronta pessoalmente suas opiniões arrogantes. A Encarnação fez com que Cristo se tornasse presente nos clérigos e na hierarquia da Igreja, responsável pela transmissão da Sagrada Tradição e à qual o herege jamais se submeterá. Por isso, as heresias do primeiro milênio procuraram atacar a Encarnação em Maria a fim de remover a autoridade viva e fundamental de Cristo em sua Igreja. A disputa de poder conduzida pelos hereges foi sempre combatida e derrotada por meio da luta pela humildade, enraizada na devoção à Tradição e à autoridade viva da Igreja, que se manifestou primeiro em Cristo e Maria.

Infelizmente, a igreja assíria, as igrejas orientais e as ortodoxas se separaram uma a uma da Igreja Católica por causa de muitos fatores, particularmente a disputa de poder. No entanto, como ainda preservam alguma reverência por Maria, permaneceu intacta a estrutura fundamental da autoridade viva na figura do bispo. A postura de humildade perante uma autoridade humana na pessoa de Maria ajudou a preservar essa mesma postura em relação ao bispo. Isso também salvaguardou a glória da feminilidade para as mulheres pertencentes às referidas igrejas, pois ainda lhes era possível ascender ao “trono verdadeiramente régio” bem como tornar-se virgens consagradas. “Mas”, continua Newman: 

[...] quando [os espíritos maus] vieram novamente dos reinos das trevas e tramaram a completa ruína da fé cristã no século XVI, não conseguiram encontrar meio mais certeiro para atingir seu odioso propósito do que o insulto e a blasfêmia contra as prerrogativas de Maria, pois sabiam muito bem que, se conseguissem fazer o mundo desonrar a Mãe, se seguiria a desonra do Filho. Tanto a Igreja como Satanás sabiam que Filho e Mãe não podiam ser separados, e a experiência de três séculos confirmou seu testemunho, pois os católicos que honraram a Mãe ainda cultuam o Filho, ao passo que os protestantes, que deixaram de confessar o Filho, começaram zombando da Mãe [2].

Aqui, Newman entende corretamente a relação entre a depreciação de Maria e os movimentos progressistas modernos de sua época, que também incluíam o feminismo e o marxismo, como veremos. Ao eliminar da vida cristã o culto a Maria, os protestantes conseguiram reintroduzir a disputa de poder no coração de cada família e de cada alma cristã. Ao eliminar Maria como canal da Encarnação, puderam remover a autoridade viva da Igreja e de Cristo, algo que levaria diretamente à completa eliminação da autoridade de Cristo Rei em toda a sociedade. 

A degradação das mulheres pelos protestantes. — O protestantismo foi, por meio de suas doutrinas fundamentais, uma tentativa de santificar a disputa de poder. Na vida cristã, tudo foi submetido a essa disputa. Assim, o culto à Virgem foi considerado uma disputa com Deus; o poder do sacerdote, uma competição com o sacerdócio do povo; e a autoridade da Igreja, uma disputa com os fiéis. 

Como a soberba vê no poder “a” fonte da dignidade, qualquer poder que não seja igualitário — portanto, qualquer tipo de hierarquia — é considerado um rival injusto.

A resposta protestante a essa suposta injustiça foi uma revolução constante cujo objetivo era tirar poder do “opressor injusto”. Em lugar do esforço para alcançar a humildade no seio da hierarquia conjugal, eclesial e estatal, os protestantes consideraram a rebelião (o orgulho) uma virtude. Porém, a depreciação da Mãe de Deus provocou diretamente a depreciação das mulheres. Assim como a exaltação de Maria deu origem à glória feminina em seu “trono verdadeiramente régio”, a remoção de Maria provocou a supressão do dever de honrar as mulheres.

O prestígio da mulher sofreu um revés incalculável com a abolição da veneração à Mãe de Deus e do culto prestado a ela, ambos levados a cabo pelo protestantismo. Com o desaparecimento da vida conventual, as mulheres deixaram de ter um status reconhecido na vida social fora do matrimônio, algo que lhes fora dado anteriormente pela vida religiosa [...]. Tão-logo foi suprimida a autoridade da Igreja, a postura do marido em relação à mulher tendeu a retornar ao ideal pagão do mestre e do dono em lugar de um afetuoso amigo, companheiro e protetor. Evidências claras da triste deterioração do prestígio da mulher podem ser vistas na literatura inglesa dos séculos XVII e XVIII, quando os efeitos destrutivos do protestantismo na vida social já podiam ser percebidos plenamente. A estima e o respeito cortês pelas mulheres [...], reflexo da inigualável glória da Rainha do Céu, desapareceu da literatura inglesa [...]. A mulher voltou a ser valorizada apenas por seu sexo; e aquela que não exercia atração sexual (ou deixara de fazê-lo) muitas vezes era alvo de piadas grosseiras demasiado repulsivas à mentalidade verdadeiramente cristã [3]. 

Foi desencadeada pelos homens protestantes — de forma imediata e previsível — uma licenciosidade indiscriminada. O matrimônio indissolúvel, a monogamia, os direitos e os deveres mútuos e específicos do casamento — que refreavam, pelo bem da mulher, a masculinidade decaída e dominadora — tinham como sólido fundamento a veneração a Maria e a Sagrada Tradição da Igreja. Com a eliminação de Maria e da Tradição, os homens protestantes puderam então satisfazer impunes sua luxúria. 

Isso se manifestou em todo o movimento protestante: das segundas “núpcias” adúlteras de Henrique VIII — públicas e recorrentes —, passando pelo casamento do monge Lutero com uma freira, até o defensor luterano Filipe I de Hesse, que teve duas mulheres, e os haréns libertinos de João de Leiden e Bernardo Rothmann. O próprio Lutero facilitou a destruição da virgindade e da castidade ao mesmo tempo que, como seus imitadores, desonrava a Virgem Maria: 

O contrabando de freiras se tornara uma das principais operações eclesiásticas do grupo dos reformados na Alemanha, e na década de 1520, Wittenberg (cidade natal de Lutero) tornou-se um de seus pontos de encontro prediletos [...]. A libido (e a consequente quebra de votos) foi o motor que puxou o trem da Reforma. Foi um modo excepcionalmente eficaz de organizar ex-sacerdotes para que se opusessem à Igreja [4].

Uma testemunha da época afirmou que “os conselhos de Lutero foram seguidos de tal forma que sem dúvida alguma havia mais castidade e honra ao matrimônio na Turquia do que entre os evangélicos [protestantes] na Alemanha” [5]. O próprio Lutero, por não ter conseguido encontrar um fundamento para a proibição geral da poligamia, eliminou a dignidade sacramental do matrimônio [6].

A Santa Madre Igreja responde. — Contra essa devassidão que desonrava Nossa Senhora e as mulheres em geral, o Concílio de Trento bradou em defesa do matrimônio indissolúvel, da virgindade e da castidade, reflexos da veneração essencial devida à Virgem Mãe:  

Se alguém disser que o matrimônio não é verdadeira e propriamente um dos sete sacramentos da lei evangélica instituída por Nosso Senhor […], seja anátema.

Se alguém disser que é lícito ao cristão ter muitas esposas ao mesmo tempo e que isso não é proibido por qualquer lei divina […], seja anátema.

Se alguém disser que a Igreja se engana por ter ensinado e por ensinar que, segundo a doutrina evangélica e apostólica, o vínculo matrimonial não pode ser dissolvido pelo adultério […], seja anátema.

Se alguém disser que os clérigos constituídos em ordens sacras e os regulares que professam solenemente a castidade podem contrair validamente matrimônio [...], seja anátema.

Se alguém disser que o estado conjugal se deve antepor ao estado da virgindade ou celibato, e que não é melhor nem mais beato permanecer no estado de virgindade e celibato do que contrair matrimônio, seja anátema [7].

Os excessos da devassidão dos revolucionários foram duramente reprimidos pelos decretos definitivos de Trento. O culto à Virgem Maria foi defendido com firmeza e, com ele, a ordem hierárquica da família, da Igreja e da sociedade. Sob o catolicismo, as mulheres ficaram protegidas, assim como à Virgem foi concedida a glória sagrada que lhe era devida. Trento se tornou o bastião da Igreja para resistir aos ataques de carnificina e do caos provocados pelos protestantes, que destruíram o tecido social e degradaram as mulheres, retirando-lhes a devida honra.

Como os cismáticos do Oriente, os protestantes conseguiram preservar alguma reverência por Cristo e pelas Sagradas Escrituras, que impediram que seu orgulho cego mais uma vez subjugasse completamente as mulheres à escravidão pagã. Caberia aos marxistas e às feministas cumprir esse objetivo.

Referências

  1. São John Henry Newman, Discourse 17, “The Glories of Mary for the Sake of Her Son”.
  2. Ibid.
  3. Rev. E. Cahill, S.J., The Framework of a Christian State, Roman Catholic Books, reimpressão de 1932, p. 432.
  4. E. Michael Jones, Degenerate Moderns: Modernity as Rationalized Sexual Misbehavior, Ignatius, 1993, p. 244.
  5. Heinirch Denifle, Luther and Lutherdom, Somerset, Ohio: Torch Press, 1917, p. 298, apud Michael Jones, op. cit., p. 245.
  6. “Confesso que não posso proibir uma pessoa de ter muitas esposas, pois isso não contradiz a Escritura. Se um homem deseja se casar com mais de uma mulher, deveria ser questionado se sua consciência está tranquila, para que possa fazê-lo de acordo com a palavra de Deus”. Martinho Lutero, De Wette II, 459, em: Hartmann Grisar, Luther, 1916, vol. 5, pp. 329-330. Embora tenha permitido a prática em princípio, Lutero não a incentivou. Para a perspectiva católica a respeito da poligamia permitida antes de Cristo, ver Santo Tomás e Santo Agostinho
  7. Sessão 24, Cânones 1, 2, 7, 9 e 10.

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Uma reflexão sobre São João Maria Vianney
Santos & Mártires

Uma reflexão sobre
São João Maria Vianney

Uma reflexão sobre São João Maria Vianney

Embora os santos sejam a resposta para as crises do mundo, eles não ambicionam sê-lo — e provavelmente sequer se tornariam santos se o fizessem. O que eles querem é amar a Deus apaixonadamente, apesar das crises.

Michael PakalukTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere4 de Agosto de 2020Tempo de leitura: 5 minutos
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No dia 4 de agosto de 1859 morria, em sua vila na França, João Batista Vianney, aos 73 anos de idade. A isso se seguiria uma das mais rápidas beatificações e canonizações da modernidade (antes das reformas desses processos, realizadas pelo Papa João Paulo II): Pio X beatificou o Cura d’Ars em 1905, e Pio XI o canonizou em 3 de maio de 1925. 

Há uma famosa citação de São Josemaria Escrivá, de que as crises no mundo são crises de santos (cf. Caminho, 301). Podemos concordar entusiasticamente com a afirmação sem entender precisamente o que ela significa. Seu sentido parece variar tanto quanto podem variar o indivíduo, a crise e a própria santidade. Pensemos em exemplos pertinentes: São Juan Diego, São Thomas More, São John Henry Newman, Santa Teresa de Calcutá e São João Paulo II. Hoje, porém, vamos refletir sobre São João Maria Vianney.

Olhando para trás, Vianney parece ser um dos muitos grandes sacerdotes e religiosos educados logo após a Revolução Francesa e o Período do Terror. Ele testemunhou a execução de sacerdotes e o fechamento de igrejas sob ordens das autoridades civis. Para ele, no entanto, a necessidade de sacerdotes tornou-se mais palpável, não menos. E ele não estava só: entre os que foram ordenados ao diaconato com ele em Lyon estavam Marcelino Champagnat (canonizado por João Paulo II em 1999) e Jean-Claude Colin — fundador dos Maristas.

Embora os santos sejam a resposta para as crises, eles não ambicionam ser “respostas para crises” — e provavelmente sequer se tornariam santos se o fizessem. O que eles desejam é amar a Deus apaixonadamente, apesar das crises. O biógrafo de São João Vianney, Joseph Vianney, interpreta sob esse prisma os famosos esforços dele com o latim e a filosofia.

De uma perspectiva humana, diz Joseph, alguém poderia ter pensado que a crise na França teria sido enfrentada com mais eficácia por uma apologética brilhante na Sorbonne, ou por uma oratória atraente na catedral de Notre-Dame. Mas a Igreja precisava ainda mais de pastores do campo “para demonstrar com a santidade de suas vidas a verdade do Evangelho, no qual as pessoas já não acreditavam mais. A criança de Dardilly fora escolhida dentre todas as outras para ser o modelo daqueles sacerdotes santos, que são indispensáveis para a execução do plano divino”.

Posteriormente, um clérigo levou ao confessionário em Ars um complexo caso de consciência para pedir aconselhamento ao Cura. Ele viu, então, um problema, que havia deixado perplexos os maiores especialistas em teologia moral, ser resolvido de pronto pelo simples pastor, com elegância e persuasão. Questionado por seu irmão no sacerdócio sobre onde havia adquirido um conhecimento teológico tão perspicaz, o santo respondeu apontando para seu genuflexório.

O Cura estava profundamente convencido de suas indignidades, não recebia consolações por causa de sua virtude e orava com fervor para jamais ser alvo de atenção. Por exemplo, através de suas orações, milhares de peregrinos que se dirigiam a Ars eram curados de doenças físicas. Mas, aparentemente, em resposta às orações dele, as pessoas raramente eram curadas no local. Em vez disso, ele lhes dizia para retornarem a casa e fazerem a novena de Santa Filomena — e, no nono dia, elas ficavam curadas, sem alarde e estando bem longe de Ars.

É bastante conhecido o fato de que ele passava de 16 a 17 horas por dia no confessionário. Esse número já é, por si mesmo, impressionante o suficiente. Mas é preciso lembrar, também, de que não havia sistema de aquecimento em sua igreja. Ele costumava gracejar que, no fim do dia, durante o inverno, ele primeiro via os seus pés para só depois os sentir. Dizia ele que costumava apalpar os pés para ter certeza de que ainda estavam lá.

No calor intenso do verão, os peregrinos que esperavam na fila podiam sair da igreja por um momento a fim de tomar um pouco de ar fresco e não desmaiar. Ele, porém, ficava o tempo inteiro atrás de uma cortina, numa caixa, sentindo o hálito dos penitentes e muitas vezes o seu odor, já que a maioria deles era pobre.

E então ele se punha a escutar pecados por 16 ou 17 horas. Era essa a grande causa de seu sofrimento. “Sou tomado pela melancolia nesta terra miserável”, disse ele certa vez a um companheiro no sacerdócio, “minha alma se entristece até à morte. Meus ouvidos não escutam senão coisas dolorosas que me tomam o coração de tristeza”. Seu biógrafo compara a situação a São Pedro sendo obrigado a testemunhar a Paixão 17 horas por dia.

Ele dormia em tábuas por apenas algumas horas na noite e tinha de suportar uma dor crônica. Somente a graça e o amor podem explicar a energia que ele tinha ao longo do dia. Não era possível que uma pessoa sobrevivesse por meios naturais ingerindo uma quantidade tão pequena de comida. Numa etapa posterior de sua vida, por obediência ele passou a comer um pouco de pão e tomar um pouco de leite após a Missa. Seu biógrafo narra este incidente emblemático: “Irmão Jerônimo, que muitas vezes estava presente nessa ligeira refeição, logo percebeu que ele sempre comia primeiro o pão e depois tomava o leite. ‘Mas, senhor cura’, observou um dia quando notou a dificuldade com que o pão era engolido, ‘seria muito melhor se molhasse o pão no leite’. ‘Sim, eu sei’, foi a sua resposta gentil.” 

E era muito mais difícil para um pároco do que para um religioso, ele dizia: “Um sacerdote precisa de reflexão, oração e união íntima com Deus. O cura, no entanto, vive no mundo; ele conversa, envolve-se com política, lê os jornais, fica com a cabeça cheia deles; depois, lê o breviário e celebra a Missa, e infelizmente faz isso como se fosse uma coisa comum!”

De fato… infelizmente! As palavras dele se aplicam a leigos e a sacerdotes seculares. E “estas crises mundiais são crises de santos”.

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Orações para discernir a própria vocação
Oração

Orações para discernir a própria vocação

Orações para discernir a própria vocação

Aos que ainda estão escolhendo o próprio estado de vida, oferecemos abaixo algumas orações a fim de pedir a Deus luzes para conhecer o caminho que Ele nos tem preparado, força para começar a jornada e constância para percorrê-lo até o fim.

Wilhelm NakatenusTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere4 de Agosto de 2020Tempo de leitura: 4 minutos
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“Na empresa da própria santificação”, escreve o Pe. Antonio Royo Marín, “cada um há de pôr a suprema esperança de sua vida, o máximo interesse, empregando todas as forças recebidas de Deus segundo a medida do dom de Cristo. Só a este preço alcançará o cristão sua plena perfeição sobrenatural, que se traduzirá depois em um peso incomensurável de glória para toda a eternidade” (2Cor 4, 17) [1].

Mas esse belo empreendimento, o único que realmente vale a pena, não se leva a cabo de forma genérica, impalpável, no limbo dos “bons desejos”, mas nas circunstâncias concretas em que o Senhor põe a cada um de nós. Por isso, poucas coisas são tão necessárias ao fiel do que escolher o gênero de vida em que há de realizar, com matizes próprios, a única santidade cristã, a mesma que cultivam, substancialmente, os sacerdotes, no estado eclesiástico; os religiosos, na vida consagrada; os esposos e pais, nas ocupações da família; e os leigos celibatários, como fermentos de pureza na massa da sociedade.

Ora, como nenhuma decisão séria que tenha ressonâncias de eternidade deve ser feita com leviandade e sem reflexão, a escolha do próprio estado de vida, convém prepará-la com muita oração, imitando nisso o exemplo de Cristo, que dirigia ao Pai frequentes orações antes dos principais momentos de sua missão na terra. Com a intenção de ajudar os leitores que ainda estão discernindo a própria vocação, oferecemos abaixo algumas orações para pedir a Deus luzes para conhecer o caminho que Ele nos tem preparado, força para começar a jornada e a constância para percorrê-lo até o fim.


Orações para discernir e escolher o estado de vida
(Coeleste palmetum, XXXII, pp. 365–366)

1. Oração a Deus Pai para pedir a divina sabedoria e o Espírito Santo (cf. Sb 9). — Deus eterno e todo-poderoso, que todas as coisas criastes pela Vossa palavra e que, por Vossa sabedoria, formastes o homem: fazei-a descer do Vosso santo céu e enviai-a do trono de Vossa glória, para que, junto de mim, tome parte em meus trabalhos, e para que eu saiba o que Vos agrada. Que homem pode conhecer os desígnios de Deus, e penetrar nas determinações do Senhor? Tímidos são os pensamentos dos mortais, e incertas as nossas concepções; porque o corpo corruptível torna pesada a alma, e a morada terrestre oprime o espírito carregado de cuidados. E quem conhece Vossas intenções, se Vós não lhe dais a sabedoria, e se do mais alto dos céus não lhe enviais o Vosso Espírito Santo? Assim se tornaram direitas as veredas dos que estão na terra.

Hino Vinde, Espírito Santo. — Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos Vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra. — Oremos: Ó Deus, que instruíste os corações dos Vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, concedei-nos amar, no mesmo Espírito, o que é reto e gozar sempre a sua consolação. Por Cristo, Senhor Nosso. Amém.

2. Oração a Jesus, para oferecer-se com indiferença a todos os estados. — Eis-me aqui, ó meu Jesus, de pé diante de Vós, indiferente a todos os estados; seguirei sem demora aquele a que Vós me chamardes. Quereis que deixe minha terra, família e casa paterna? Meu coração está firme! Nem a pátria nem os parentes, nem riquezas nem cobiças me hão de reter. Quereis que, tendo a tudo abdicado, Vos sirva na pobreza, na castidade e na obediência religiosa? Meu coração está firme! Quereis que viva em estado eclesiástico? Meu coração está firme! Só Vos peço não me permitais ali chegar por vias ilícitas nem ali viver indignamente. Chamai-me antes deste mundo a Vós por uma morte súbita! Quereis que viva célibe no mundo ou contraia santo matrimônio? Dai-me conhecer Vosso beneplácito: meu coração está firme! Às alegrias e tristezas, às doçuras e asperezas me ofereço. Estou pronto a ir convosco tanto para a prisão como para a morte (cf. Lc 22, 33).

3. Oração à Bem-aventurada Virgem. — A vós, ó Estrela do Mar, entre as vagas instáveis desta vida, elevo meu olhar! Dirigi, ó Mãe da Eterna Luz, o meu coração ao Polo, vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, e guiai-me àquele estado de vida em que eu dignamente sirva a este mesmo Filho vosso e chegue, enfim, ao tão ansiado porto da pátria celeste. Amém.

4. Oração ao Anjo da guarda. — Ó meu Anjo, a cuja tutela fui confiado por Deus; ó guia e companheiro de minha peregrinação, assisti-me neste tão grave negócio de minha salvação! Mostrai-me que caminho devo escolher para alcançar o fim para o qual fui criado, isto é, a eterna bem-aventurança, a fim de merecer contemplar e louvar convosco o meu Deus para sempre. Amém.

5. Oração para perseverar no bom propósito. — Ó benigníssimo Deus, mostrastes-me o caminho que hei de trilhar; manifestastes-me Vossos juízos e leis, dando-me saber que desejais ser servido neste estado… Concedei-me, pois, a Vossa graça, para perseverar constante neste meu propósito e alcançar a eterna salvação. Amém.

Referências

  1. Espiritualidad de los seglares. Madrid: BAC, 1967, p. 28.

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Cristãos “esquisitos”?
Sociedade

Cristãos “esquisitos”?

Cristãos “esquisitos”?

Incenso, véus, canto gregoriano e sacramentais estão de volta… E a iniciativa é justamente dos jovens! Mas de onde vem o interesse das novas gerações pela religião? E por que elas se sentem tão atraídas pelas formas tradicionais de culto?

John Horvat IITradução: Equipe Christo Nihil Praeponere4 de Agosto de 2020Tempo de leitura: 4 minutos
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Muitos autores de esquerda têm dificuldade em explicar a atração dos jovens pela religião, particularmente em suas formas mais tradicionais. Em tese, essa atração não deveria existir. Ela dá curto-circuito na lógica das narrativas prediletas da esquerda. Jovens deveriam sentir-se atraídos por narrativas revolucionárias que pregam o progresso e a igualdade. A história, dizem os esquerdistas, é uma sucessão de disputas de poder que dividem as pessoas entre exploradores e explorados. Jovens religiosos não se encaixam na narrativa porque buscam um Deus que é amor e perdão.

Quando esse autores não conseguem identificar a luta de classes nessa atração religiosa, resolvem elaborar uma ladainha de acusações, tachando os jovens crentes de “racistas”, “misóginos”, “homofóbicos” e até “elitistas”.

Recentemente, a jornalista Tara Isabella Burton causou alvoroço com um ensaio publicado em The New York Times, intitulado Christianity Gets Weird [“O cristianismo torna-se esquisito”]. Ela se identifica como uma jovem cristã tradicional, atraída pelas formas externas mais antigas. Ama incenso, véus, canto gregoriano e sacramentais. No entanto, como moça pós-moderna alheia às principais narrativas ocidentais, ela acha difícil explicar sua atração pelo esplendor medieval e pela “pompa histórica” do culto em latim.

Os liberais que acompanham a tendência sentem uma perplexidade semelhante. Eles tentam minimizar essa atração rotulando-a como uma “moda” da juventude. Dizem que a culpa disso é o apego superficial e fetichista a uma “estética sobrenatural”, que os deixa exasperados, e rotulam de “esquisito” aquilo que não conseguem entender. Isabella e muitos outros que se unem a ela online adotaram o rótulo com certa ironia.

Portanto, cristãos “esquisitos” estão aparecendo na cena cultural, muitas vezes em espaços na internet onde podem se reunir e compartilhar suas opiniões.

A jornalista afirma que “cada vez mais jovens cristãos, desiludidos com binarismos políticos, incertezas econômicas e com o vazio espiritual que define a América moderna, encontram alívio numa visão da fé claramente antimoderna”. 

Os membros das gerações Y e Z percebem o vazio do deserto cultural pós-moderno. Também rejeitam o vazio das principais igrejas protestantes, que atenuaram as verdades sobrenaturais e exaltaram trivialidades. Esses peregrinos online detestam os aspectos estéreis, feios e cruéis da vida moderna.

Eles anseiam por algo verdadeiro e profundo. Sua propensão a “voltar” à Idade Média e à fé tradicional é o pior pesadelo de um esquerdista. Este fica perturbado não apenas por causa da atração que esses jovens sentem por um cristianismo vigoroso, mas também por sua rejeição dos fundamentos antimetafísicos da ordem de esquerda, que foram intensificados pela desagregação política e econômica dessa ordem, provocada pelo coronavírus.

O problema dessa corrente contracultural é a sua dificuldade em se definir e se expressar. Seus seguidores jamais conheceram o mundo tradicional, e agora o admiram. São vítimas de uma cultura pós-moderna caótica, destituída de estrutura e estabilidade. Isabella afirma que uma rebeldia “punk” caracteriza o movimento, que parece ser contrário a tudo o que faz parte do establishment, inclusive a economia moderna.  

Esses jovens são movidos pela “ânsia de algo que está além do que a cultura americana contemporânea lhes pode oferecer, algo transcendente, politicamente significativo e pessoalmente desafiador”.

Eles não sabem exatamente o que estão a buscar, mas detectam algo que os fascina e se apegam a isso com paixão. Críticos superficiais rejeitam esse apego, pois acham que a adesão a aspectos externos pode levar a vários perigos.

Mas esses críticos estão errados.

Existe um nome para o que esses jovens cristãos buscam e encontram nas formas tradicionais de culto, como nas Missas em latim, no incenso e nas Vésperas solenes. Eles encontram uma beleza autêntica que toca e eleva sua alma, fazendo-os distanciar-se da feiura da modernidade. O pensamento filosófico ocidental chama essa beleza de sublime.

É com acerto que Edmund Burke considera o sublime a “emoção mais forte que a mente é capaz de sentir”. Ele consiste em coisas transcendentes que provocam fascínio por causa de sua magnificência. É algo que nos convida a superar o egoísmo e a autossatisfação e a olhar para coisas mais elevadas — o bem comum, a santidade e, em última análise, Deus —, coisas que dão sentido e propósito à vida.  

Quer se manifeste em obras de arte, em grandes feitos ou na liturgia religiosa, o sublime fomenta sentimentos de lealdade, dedicação e devoção que podem preencher o vazio do deserto pós-moderno. 

A Igreja se cerca de coisas sublimes, coisas que sem dúvida atraem e convertem as pessoas para o culto e o serviço a Deus (coisas que, infelizmente, foram abandonadas pelos progressistas). Elas são manifestações externas que revelam algo da própria grandiosidade de Deus. A natureza humana se sente naturalmente atraída por elas e por princípios e doutrinas que fascinam o intelecto, em razão de sua lógica e sabedoria.

Os jovens cristãos estão certos ao presumir que as coisas que provocam fascínio são parte de um modo de vida distinto daquele que encontram hoje no mundo. Também estão corretos em sua percepção do colapso irreversível da ordem esquerdista, que nada lhes oferece de sublime. Não há nada de “esquisito” em sua descoberta de uma ordem social cristã que trilha o caminho oposto das alternativas individualistas e estéreis, que são, elas sim, a verdadeira esquisitice na história humana.

Os esquerdistas pós-modernos não se sentem ameaçados quando o cristianismo tradicional aceita ser apenas mais um de tantos elementos no bufê cultural. Porém, quando as pessoas rejeitam a infraestrutura filosófica que sustenta o esquerdismo, eles perdem toda a tranquilidade. 

O problema, para esse sedentos jovens cristãos, não está no objeto de seu fascínio, mas em como dar os próximos passos que levariam, normalmente, a um aprofundamento de sua fé. É preciso ir além da “esquisitice” e abraçar com sinceridade o sublime, em toda a sua plenitude e autenticidade.

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Jejuar ainda? Por quê?
Espiritualidade

Jejuar ainda? Por quê?

Jejuar ainda? Por quê?

O jejum é um dos costumes religiosos mais antigos da história. Sua prática, no entanto, tem sido bastante desprezada por nossa sociedade consumista e sem autocontrole. Por que, então, mesmo assim, a Igreja continua a recomendá-la?

Pe. Blake BrittonTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere31 de Julho de 2020Tempo de leitura: 4 minutos
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O jejum é uma das práticas religiosas mais antigas da história. Hoje, porém, numa sociedade dominada pelo consumismo, pelo materialismo e por uma falta de autocontrole generalizada, a disciplina do jejum é bastante desprezada. A Igreja Católica ainda é uma das poucas instituições no mundo que defende a dignidade dessa prática e a sua importância para a vida espiritual. Portanto, devemos nos perguntar: por que a Igreja é tão “inflexível” a respeito desse antigo costume e quais as origens dele?

S. Basílio Magno, em suas homilias para a Quaresma, observa que o jejum é tão antigo quanto a humanidade. Na verdade, foi a primeira ordem que os seres humanos receberam de Deus: “Não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal” (Gn 2, 17). De acordo com S. Basílio, foi a incapacidade de jejuar que levou à Queda no Éden. O jejum como tal é um dos remédios para recuperar a dignidade original de nossa identidade como filhos de Deus: “Fomos banidos do Paraíso porque não jejuamos. Portanto, jejuemos para retornar a ele” (Hom. 1 sobre o jejum).

S. Basílio reconhece um duplo propósito nessa ordem primordial de jejuar. Primeiro, o jejum ajuda a alma a amadurecer. Qualquer psicólogo reconhecerá que a falta de disciplina e autocontrole são sinais claros de imaturidade. A incapacidade de ser paciente, tomar decisões sensatas e desfrutar com responsabilidade de comida, bebida ou relacionamentos representa uma grave lacuna no desenvolvimento humano. É por isso que a prática regular da autodisciplina por meio do jejum é tão crucial para a vida espiritual. Não se trata apenas de renunciar a algo porque a Igreja assim o determina. Quanto mais praticamos a abstinência, mais maduros nos tornamos, saindo da imaturidade da satisfação imediata para a maturidade do consumo regrado. Pois o jejum é o “companheiro da sobriedade e o artesão do autocontrole” (Ibid.).  

Portanto, o jejum nos ajuda a fomentar uma virtude específica — a saber, o autocontrole, uma qualidade não muito comentada em nossa época. São Paulo o identifica como um dos frutos do Espírito Santo: “O fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança” (Gl 5, 22–23). O termo grego usado por Paulo é enkrateia (ἐγκράτεια), que é composto de duas outras palavras: en (de dentro) e kratos (de uma raiz que significa “aperfeiçoar”). Portanto, ter autocontrole significa literalmente “aperfeiçoar-se desde dentro”. Essa definição nos ajuda a entender melhor a segunda afirmação de S. Basílio a respeito das consequências do jejum.

Para S. Basílio, o jejum feito de forma correta ordena os apetites do nosso corpo para o bem da alma: “Quanto mais negar a carne, mais radiante de saúde espiritual se tornará a alma” (Hom. 2 sobre o jejum). Aqui vemos a influência dos Padres do Deserto na espiritualidade de S. Basílio. Esses cristãos da Antiguidade eram inflexíveis quanto à reconquista da dignidade perdida por Adão no Éden. Reconheciam que o erro de Adão estava relacionado à falta de disciplina. Ele cedeu aos seus desejos mais básicos, perdeu de vista a elevada vocação da humanidade como imago Dei (a “imagem e semelhança de Deus”). Assim, monges como Abbá João (525 d.C.) fizeram o seguinte alerta: “Deveríamos sempre evitar o apego [às coisas terrenas], pois isso é prejudicial à alma”. 

Jesus mesmo ensina que “não só de pão vive o homem” (Mt 4, 4). Os seres humanos não são meros animais. Temos apetites que vão além do carnal. Nossa vontade não está orientada pelo instinto. Deve haver uma razão mais profunda para as nossas ações. Quando meu estômago ronca por causa do jejum, tenho nisso um lembrete da fome espiritual que a minha alma experimenta em todos os momentos da minha existência. Essa também é a lógica do jejum antes da recepção da Sagrada Eucaristia. Por meio do jejum eucarístico, meu corpo fica temporariamente “fundido” à fome da minha alma por Cristo no Santíssimo Sacramento.

A alma anseia constantemente pela misericórdia e bondade de Deus. Estamos alimentando esse desejo ou deixamos a nossa alma faminta? Estamos alimentando o nosso espírito com os alimentos nutritivos da Eucaristia, da Confissão, da Sagrada Escritura e da oração contemplativa? 

Sabemos que o jejum foi parte integrante da vida de Jesus, tanto que passou quarenta dias no deserto abstendo-se de alimento terreno. O Senhor não faz nada por acaso ou sem planejar. Todos os acontecimentos de sua vida nos ensinam algo profundo sobre a nossa própria existência como pessoas e a nossa vocação como cristãos. Encontramos no jejum de Cristo uma forma de participar da vida divina de Deus. Ao crescermos no autocontrole a partir dos nossos impulsos imaturos e ao alimentarmos a nossa alma de forma adequada por meio do jejum, sem dúvida cresceremos na intimidade com o Senhor, que nos ama.

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